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Mensagem Original
  • Um Mau Começo - capítulo 6
    • Cris (May 13, 2001)
      Posted Feb 15, 2002 8:00 PM

      Gustavo decidira que não mais procuraria a Srta Prescott. Voltara para Mônaco 10 dias depois e mergulhara de cabeça nos negócios.
      Passados cerca de seis meses, ele estava numa reunião beneficente no hotel Ritz em Paris, na companhia de Natalia Von Berg, sua irmã caçula. Estava entediado, olhava para os lados, para cima... Enfim para todos as direções menos para o mestre de cerimônias. Distraído voltou sua atenção para uma mesa em especial, será possível que o destino o estava favorecendo? Aquela seria mesmo a dama com qual sonhara praticamente todos os dias no ultimo semestre? Estava mais magra e era evidente o seu estado de apatia, mas sem duvida era ela era Alana quem estava sentada a poucos metros de distancia. Vestia um deslumbrante Oscar de la Renta vermelho, que ornava perfeitamente com seus cabelos castanhos quase loiros e com seus magníficos olhos verdes. Em seu dedo anular avistou um anel de brilhantes que por si só já era um insulto de tão ostensivo. “Esse não é o tipo de jóia que se dá a uma mulher quando se deseja dizer que a ama, representa mais um aviso do tipo, propriedade de fulano de tal, mantenha as mãos longe!”. – concluiu ele indignado.
      Alana sentia-se ridícula e abandonada, não acreditava que estava se prestando a um papel tão absurdo quanto participar de reuniões sociais, apenas para conseguir bons contatos. Detestava reuniões daquela natureza e sentia-se perdida em meio a uma sociedade que lhe era estranha.
      Estava se preparando para sair do salão, quando um braço forte a puxara pela cintura de encontro a um poderoso corpo musculoso.
      - Sorria! – a voz masculina ordenou – você esta na câmara indiscreta!
      - O que pensa que esta fazendo? Pare! Quem é você?... Gustavo!?
      - Ainda bem que se lembrou do meu nome.
      Fotógrafos os cercaram. Alana tentou se esquivar dos flashs, mas foi impossível.
      - Nunca vi você na sociedade parisiense Sr. Von Berg. Esta brincando de policia e ladrão ou coisa parecida?
      - Adoraria brincar com você, minha querida.
      Alana sentiu-se excitada com aquelas palavras sedutoras.
      - Oh!
      - Oh? É tudo que pode dizer? Não consegue falar nada mais, depois passar seis meses longe de mim?
      - Posso falar de muitos assuntos como também esbofetear esse seu rosto arrogante!
      - Uma gatinha selvagem! - ele murmurou – Achei que fosse encontrar a sedutora e sofisticada srta Alana Prescott, mas vejo que me enganei.
      - Sou uma perita, Sr. Von Berg. Fui treinada para esconder minha real personalidade quando bem entender. Vivo disso.
      - Que garota esperta. Vamos nos sentar e tomar uma taça de Don Pérignon.
      - Estou de saída Sr. Von Berg.
      - Que é isso eu insisto. Esta hospedada no hotel?
      - Não, estou no meu apartamento em Champs Elysées. E você?
      - Também não estou hospedado aqui, tenho uma vila em Gif sur Yvette, minha irmã caçula estuda moda e sempre vem a Paris. Por essa razão comprei a propriedade.
      Ele permaneceu ao lado dela a noite toda. Ao se dar conta da hora, Gustavo foi procurar Natalia e fora informado que a moça tinha ido embora a mais de uma hora. Desta forma estava livre para levar Alana até seu apartamento.
      - Esta de carro?
      - Não, não se preocupe vou pegar um táxi.
      - De maneia nenhuma, eu te dou uma carona.
      - Você? – riu ela – eu não iria com você a nenhuma parte.
      - Por que não? Não estou bêbado, tenho mais de 21 anos e sou vacinado.
      - Esqueça.
      - Alana estou tentando lhe fazer uma gentileza, não vou tentar seduzi-la, é sério.
      Ela considerou por alguns instantes e não viu mal algum no que ele propunha. Saíram em direção ao estacionamento e pouco depois o manobrista trouxe uma BMW esporte, preto e reluzente. Gustavo abriu a porta do passageiro e entrou dizendo.
      - Você dirige.
      Sem questiona-lo, Alana apanhou as chaves do carro e deu partida. Cerca de 20 minutos depois, se viram em frente a um imponente edifício. Alana estacionou no meio fio e chacoalhou Gustavo que tinha adormecido ao lado dela.
      - Gustavo chegamos, você consegue chegar a sua casa?
      - Hein? – perguntou ele sonolento.
      Alana achou graça, deu partida novamente e estacionou o carro na garagem inferior onde foi saudada pelo porteiro.
      - Gustavo, acorde... Vamos ou te deixo dormindo aqui e amanhã você levanta com um torcicolo.
      - Nanie me deixa...
      - O que? Vamos meu querido, não pretende que eu o carregue não é?
      Acho que teria sido melhor eu pagar um táxi – pensou ela tentando acordo-lo.
      Depois de alguma luta Gustavo despertou, Alana o conduziu até um elevador e subiram até o décimo sétimo andar.
      Saíram num hall bastante grande e ele se assustou ao se deparar com dois ídolos chineses ladeando as portas de bronze trabalhado. Ela quase teve um ataque de riso, ele deveria estar acostumado à elegância georgiana. Abriu a porta e entrou na sala escura.
      Ao se acender as luzes Gustavo viu-se numa sala que para certas pessoas poderia ser considerada um show de extravagância. Havia muitos tapetes persas pendurados nas paredes, vasos de porcelana chinesa em cada canto imaginável, mais bronzes, e uma pintura japonesa que ocupava boa parte do comprimento do salão. Um dragão perambulava pelo quadro, os olhos fixos nos espectadores. Lembrava sua dona pensou Gustavo, que observava tudo com um enigmático sorriso na face. Diante do quadro havia uma longa mesa, de nogueira norte americana.
      - O decorador fez um ótimo trabalho.
      - Não pedi auxilio de um decorador... Tive aulas de arte no colégio e as peças eu compro quando vou ao extremo oriente. Gustavo terei muito prazer em hospeda-lo, desde que se comporte.
      - Tem certeza de que não vou incomodar? Posso ir para casa sem problemas.
      - Claro e depois sua família vai tentar me assassinar quando sair nos jornais que o magnata Gustavo Von Berg sofreu um acidente ao dormir no volante.
      Em resposta ele se limitou a rir. O quarto que fora destinado a Gustavo era maravilhoso, decorado em tons fortes de amarelo. Como o restante do apartamento a suíte era ampla e arejada.
      A cama king size imensa era repleta de travesseiros e almofadas de seda com motivos orientais. No outro extremo do aposento havia uma lareira em pedra ornamental, sobre a qual havia pendurada uma espada de samurai, em frente uma mesa e duas cadeiras japonesas. Tudo muito sofisticado e visualmente agradável.
      Uma porta de vidro sem cortinados dava para parte de trás do edifício.
      - Bonito não acha?
      - Obviamente você tem muito talento.
      - Bem se não for do seu agrado, pode se instalar no sofá da sala de home theather ou no meu escritório. – gracejou ela
      - Aqui esta perfeito.
      - Agora deixe-me terminar de mostrar sua acomodações... Aqui fica o closet e aqui o banheiro.
      Portas duplas se abriram para o vestíbulo espelhado que antecedia o quarto de banho. A suntuosidade do aposento tornava difícil chamá-lo apenas de banheiro.
      Era todo revestido de mármore di carrara. As paredes de um vermelho profundo davam um ar de sofisticação. Do lado oposto a pia estavam, uma banheira e uma estante de vidro onde se via toda sorte de sais e óleos aromáticos.
      Um grande Box de vidro jateado com a figura de um tigre separava a ducha do restante do recinto.
      Vendo a expressão de Gustavo, Alana quebrou o gelo gracejando:
      - Meu querido, só peço que me avise se for tomar um banho de imersão, assim cuidarei para que não se afogue nessa piscina de brinquedo... – rindo abriu as torneias para mostrar que não era à toa que três degraus davam acesso a banheira que era muito maior do que se poderia supor. – você vai encontrar toalhas limpas e um roupão no armário. Vou ver se consigo alguma coisa mais confortável que este smoking para você vestir.
      - Não vou usar nenhum baby dool...- avisou ele caindo de sono.
      No dia seguinte os jornais matutinos chegaram, e Alana viu sua foto estampada em cada um. Passavam poucos minutos das oito, tinha feito café e arrumado a mesa na varando apartamento. Estava um dia lindo.
      Estava falando com sua operadora de quando viu Gustavo despontando na sala com o pijama de seda que ela lhe emprestara.
      - S’il vous plait j’ aimerais un passage de première classe pour Berne. Je préfère um vol jour et de préférence avant lê déjeuner. – Eu gostaria de uma passagem de primeira classe para Berna. Eu prefiro um vôo diurno e de preferência antes do almoço.
      Ele aproximou-se e sentou ao lado dela, disse-lhe bom dia e lhe beijou a palma da mão. Alana puxou a mão rapidamente, mas não o suficiente para que ele não conseguisse memorizar a maciez da pele dela. Espere um momento disse ela, continuando a falar ao telefone.
      - Oui je paierai avec carte deje croyz. Est-ce que vous avez dês vols après à 15:00 heures seulement? Est–ce qu’um um problème est pour moi, mais tout bien. Reservez um passage. E suis cela remerciez à bientôt. – Sim, eu pagarei com cartão de crédito. Só tem vôos depois das 15:00 horas? É um problema para mim, mas tudo bem. Reserve uma passagem. Eu é que agradeço, até logo – depois de desligar o telefone ela disse toda faceira - Você esta muito charmoso neste pijama cor de rosa.
      - Há há há - respondeu ele sem muito entusiasmo. – Pelo que ouvi você vai viajar.
      Olhando para o relógio Alana respondeu:
      - Sim, e já estou atrasada. Tenho muitas coisas a resolver. Fique à vontade. Marie já deve estar chegando, não se preocupe com a bagunça.
      - Hei, espere um pouco... Quando vai voltar?
      - Você é muito curioso... Por que quer saber?
      - Para me poupar o trabalho de ter ligar todos os dias para saber se você já esta de volta.
      - Não sei... Talvez volte em quinze dias, talvez demore um mês. Tudo depende de minha paciência.
      - Gostaria muito de voltar a vê-la, isto é se seu noivo não se incomodar... Como ele se chama?
      - Ele quem?
      - De quem estamos falando? Seu noivo oras! Qual é o nome dele?
      - Isso é uma coisa que não lhe diz respeito... Preciso ir, cuide-se ok?
      - Vejo uma pontinha de preocupação.
      - De maneira alguma, não seja presunçoso.
      As reuniões em Berna foram como conflitos entre gladiadores. Já estava se cansando do temperamentalismo dos árabes ao lidarem com aqueles contratos. Pareciam impor barreiras, apenas por estarem negociando com uma mulher.
      Graças aos céus Felipe como sempre, servia de mediador e encontrava as melhores soluções para as dissensões que surgiam ao longo dos encontros.
      - Por Deus! Eu me recuso a usar novamente esta roupa ridícula! – Esbravejou ela apontando para a abaaya que trajava.
      - Calma Alana, você esta indo bem. Mais dois ou três dias e estará tudo terminado.
      - Estou avisando, mais um comentário infeliz daquele tal de al – assad e eu mando tudo para os ares! Se eles acham que não precisam do meu dinheiro, eu também não preciso do que eles produzem. Da próxima vez negociarei com o Iraque, garanto que Saddam Hussein ficara muito satisfeito em receber alguns milhões de libras. – Concluiu ela sarcástica.
      - Por favor, se controle. Qual o aconteceu com você? Esta muito estranha... Acho que esta apaixonada, e é por isso que o trabalho já não lhe dá tanto prazer.
      - Não diga besteiras Felipe, a única paixão da minha vida são meus negócios...
      - Bem de qualquer forma seu único problema esta com o mediador árabe. Ele se prende muito as tradições islâmicas e para ele é difícil compreender como uma mulher pode ter tanto poder.
      - Ah é claro! Acho que o máximo que uma mulher pode fazer naquele fim de mundo é abaixar a cabeça cada vez que um homem dá um berro.
      - É mais ou menos isso – concordou ele começando a se irritar – mas isso não é o mérito da questão. Ao que dizem o sheik é um homem justo e trata muito bem a mulher, que a propósito é inglesa.
      - Ah sei! De homens fieis e justos como ele o inferno deve estar cheio...
      - Deixe de ser imatura. – reprimiu-a Felipe franzindo e cenho – Acho que Nathan esta sendo negligente ao sobrecarrega-la com tantas obrigações. Antes eu já achava um absurdo, mas ficava calado porque você estava feliz com seu trabalho. Mas agora... Olhe pra você, esta estressada, infeliz, deprimida...Seu pai é quem deveria estar aqui, e não você que é pouco mais que uma criança. Você deveria estar namorando, indo ao cinema com amigos, fazendo coisas que uma pessoa de sua idade faz.
      - Você disse que eu sou o quê. – Indagou Alana incrédula – Não acredito que estou escutando isso, logo de você, meu professor, meu amigo... De você que tantas vezes me elogiou pela minha competência.
      - Querida, vou sincero porque gosto muito de você... Acho que você é uma pessoa muito talentosa e sem sombra de duvidas daqui a alguns anos será uma grande profissional. Mas teve uma carreira meteórica, não conseguiu reunir as experiências necessárias para uma executiva de seu escalão... Sejamos justos e honestos, se você não fosse a filha de Nathan Prescott, se fosse uma pessoa qualquer, por mais talento que tivesse nunca, nunca teria chegado a esse patamar. Por mais talentosa que fosse estaria no máximo ocupando um cargo no baixo escalão executivo. E no fundo você sabe que é verdade.
      - Você já ouviu falar naquele ditado: “falar vale prata e calar vale ouro”? Você esta me diminuindo, não dá credito as coisas boas que eu fiz.
      - É claro que eu reconheço, mas você não esta preparada para negociar contratos tão importantes. Percebe que se você se indispor com qualquer destes homens que você julga como bárbaros, pode perder 10, 12 milhões de libras? Pense bem Alana, tudo que eu disse é para o seu bem.
      - Se conselho fosse bom ninguém daria de graça – respondeu ela com desdém – te vejo amanhã de manhã.
      - Alana... Por favor, você esta levando as coisas para o lado errado.
      - Felipe, eu te respeito muito... Grande parte do que eu sei, devo a você, entendo que queira o meu bem, mas eu quero que você entenda que eu posso muito bem controlar a minha vida sem a sua intromissão.
      - Pois bem, faça o que achar melhor, mas da próxima vez não vai contar com minha ajuda. Se não pode aceitar os conselhos de alguém que tem mais experiência que você, não também não precisa de auxilio para concluir seus contratos.
      - Agora quem esta sendo ignorante é você... Eu ouvi tudo que você me disse e sou grata por sua preocupação, mas preciso de tempo... Não estou acostumada a ser protegida.
      - Eu acho que você precisa é de um namorado...
      - Quem sabe eu não resolva seduzir o Sr. al – assad, ou então o próprio Jordan Kalil, já que você me disse que ele gosta de mulheres ocidentais.
      - Eu não disse isso.
      - Disse que ele é casado com uma, o que quer dizer que ele gosta... Do contrario ele poderia ter se casado com uma chinesa, ou uma tailandesa ou então...
      - Vá dormir antes que eu torça seu pescoço!... E tente manter esse bom humor amanhã, quando nos reunirmos com seu alvo de sedução. - Disse ele se referindo a al – assad.
      - Eca!
      Depois de tomar uma ducha quente, Alana colocou uma camisola e desabou sobre a cama. Eram pouco menos de três horas da madrugada, quando ela acordou suada e muito assustada. Não era possível! Não poderia estar sonhando com Gustavo, em ser a mãe dos filhos dele!
      “Estou ficando louca! Meu Deus não permita que eu apaixone, não permita que eu sofra!”
      Dois dias depois, no sábado pela manhã Alana ainda estava deitada, quando a sonora campainha soou pelo apartamento. “Bem, que Marie atenda” disse a si mesma remexendo-se em meio ao edredom e aos diversos travesseiros de plumas espalhados pela cama espaçosa. Contudo quando o toque estridente voltou a se repetir por diversas vezes, ela olhou o relógio e levou um grande susto. “Onze e quarenta!”. Puxa, deveria ter se deixado levar pela tensão que a acometera nas ultimas semanas. Há muito tempo não dormia até tão tarde. Sua auxiliar pessoal, provavelmente deveria ter percebido isso e tinha ido para as compras que fazia nos finais de semana sem acorda-la.
      Num movimento rápido, jogou o edredom longe e vestiu o mais rápido que pode o robe de seda. Quando entrou pela sala viu que ela estava lotada de rosas de todas as cores. Quando abriu a porta estava meio sonolenta.
      - Bem – disse Gustavo fitando-a com uma pequena careta – agora sei que estou lidando com a bela adormecida do século XX. Vejo que recebeu minhas flores, sabia que já passam das onze e meia, meu anjo?
      - Acharia mais graça se me chamasse de capetinha... Estou perfeitamente consciente do tempo, o que quer aqui?
      - Mal humorada de manhã também. Hummm acho que este é mais um dos seus pequenos defeitos com os quais vou ter que me acostumar.
      - Faça-me uma gentileza sim?
      - O que quiser boneca.
      - Cuide de sua própria vida. Onde esta aquela mocinha que o estava acompanhando na reunião no Ritz... Se ocupe em distrai-la.
      - Então você estava me observando? ...Interessante.
      Alana corou de imediato, aquele homem tinha o dom de deixa-la fora de si.
      - Não me respondeu o que o trouxe aqui.
      - Fiquei com saudade, pensei que poderia passar por aqui e leva-la para almoçar. Não posso deixar que minha princesa morra de fome.
      Alana não pode deixar de sorrir diante do tom brincalhão do comentário.
      - Por que não vai vestir algo menos intimo, enquanto eu assisto uns desenhos animados no seu home – thather?
      - Não estou com animo para sair, mas já que veio até aqui, eu o convido para provar de meus dotes culinários.
      - Fique a vontade desde que não nos envenene.
      - É uma grande idéia... Acho que ainda tenho um frasquinho de arsênico guardado...Não me tente.
      Entraram no apartamento e Alana dirigiu-se a sala de vídeo deixando Gustavo lá e indo para a cozinha. Reuniu tudo de eu precisava. Com destreza começou a desossar com uma faca afiada, alguns pedaços de carne, Gustavo logo apareceu para lhe fazer companhia. Intrigado com a coloração das peças de carne ele perguntou:
      - Que carne é essa? Não é carne de pombo ou é?...Por que se for esqueça, eu já provei e quase vomitei.
      - Não se preocupe, isso é carne de pato... É muito saborosa. Você vai gostar.
      Gustavo fez uma cara de quem não estava muito convencido, mas se calou. Para conseguir a companhia dela comeria até carne de girafa. Ficou algum tempo pensando num assunto a abordar, pensou em muitos, mas apenas um lhe pareceu imparcial o suficiente, foi quando perguntou:
      - Você assiste desenhos?
      - O que? – questionou ela não acreditando na pergunta.
      - Você não assiste a desenhos animados?
      - Não.
      - Por que?
      - Porque não tenho tempo, além disso, sempre o achei os desenhos sem graça. Sempre preferi assistir a filmes. Vai encontrar bons títulos em DVD e VHS na minha estante.
      - Eu já vi... Só tem romances e dramas.
      - Eu gosto de romances e gosto de dramas.
      - E cadê as comédias? Meu amor, você precisa aprender a rir.
      - E qual é a graça em um jornalista ou sei o que lá que põe uma mascara e se transforma no tal... Em um médico que fala com animais, ou ainda num monte bichinhos esquisitos que vivem dentro de bolas e brigam entre si??? Oláaa... Tudo isso fere a minha inteligência.
      - Te peguei... Se você fala é porque já assistiu.
      - Já assisti sim, Max e Dan adoram essas coisas, isso sem falar de Alyssa, que adora a Pequena Sereia.
      - Quem são Max, Dan e Alyssa?
      - Max e Dan são meus sobrinhos e afilhados, filhos de Russell e Priscila. E Alyssa é a filha de Felipe D’Ávila, um grande amigo. É como se fosse uma sobrinha também.
      - Hummm... Bem, parece que você sabe o que esta fazendo.
      - Faça algo útil, vá até aquela porta, entre ali e escolha um bom vinho.
      Quando ele voltou trazia uma garrafa, um pote de sorvete e duas taças, entusiasmado disse:
      - Você tem uma boa adega, Don Pérignon, Crystal, Latour 57, Vinho do porto, bons conhaques, Jack Daniel’s e o que eu mais gosto...Sorvete Häagen-Dazs de nozes... Espero que não se importe por eu ter pego... O que aconteceu, você esta chorando?
      Alana tentou disfarçar o pranto, mas não foi possível, o que Felipe lhe dissera dias atrás ficara martelando em sua cabeça. E agora depois de pensar friamente, ela se perguntava se ele não estava certo. Por mais de uma vez quase estragara tudo com sua impulsividade. Quanto mais refletia, mais se convencia de que não era aquele modelo que perfeição que imaginava ser até então... Ela evitou encara-lo.
      - Não é nada... – tentando desconversar ela disse - Devore o sorvete, estou de dieta.
      - Olhe para mim Alana... Por que esta chorando? – Gustavo perguntou com gentileza.
      - Gustavo, você chegou numa má hora... Estou sem cabeça para receber convidados.
      - Não irei a lugar nenhum se você não me disser o que aconteceu.
      Teria sido fácil ignora-lo se ele estivesse sendo sarcástico ou arrogante. Contudo seu tom de voz denotava uma sincera preocupação. Diante disso ela ficou sem saber o que dizer. Em silencio Gustavo a enlaçou pela cintura e lhe afagou os cabelos com uma ternura infinita.
      Quando reparou que o choro diminuira, ele sussurrou:
      - O que a entristece assim? Por favor, me conte, talvez eu possa ajuda-la.
      O estabelecido habito de ocultar a própria vulnerabilidade, impelia-a fugir da pergunta a evitar encarar aqueles lindos olhos azuis. Por outro lado seu coração lhe dizia para que não perdesse aquela que talvez fosse sua ultima oportunidade de ser verdadeiramente feliz. O coração falou mais alto que o orgulho.
      - Sou uma incompetente... Por minha causa a empresa da minha família quase perdeu uma quantia vergonhosamente grande de dinheiro...
      - Não é verdade, devem ter ocorrido outras coisas que levaram a este quadro. Você é muito boa no que faz.
      - Oh sim! Sou perita na arte de dar ordens e ofender as pessoas, mas...
      - Mas o que?
      - Ninguém gosta de mim.
      A declaração pegou-o desprevenido, jamais poderia imaginar que uma garota tão auto-suficiente como Alana pudesse se preocupar com a opinião dos outros. Sempre a considerara orgulhosa demais pra isso.
      Apreciou a confiança que ela estava depositando nele. Naquele momento algo mudou entre eles e isso o alegrava muito.
      - Veja pelo lado bom, ninguém a odeia.
      - Mas nem tampouco gosta de mim.
      Havia um tom avassalador de tristeza que o comoveu. Ele a abraçou com força.
      - Eu gosto muito de você. – concluiu ele tocando seus lábios de leve nos de Alana.


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