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Kmi (Jan 10, 2002) Posted Feb 15, 2002 10:52 PM
MENINAS, AQUI VAI O CAPÍTULO 23 DE TORMENTO! DEMOROU MAS CHEGOU! HEHE QUEM NÃO LEMBRAR DA HISTÓRIA OU NÃO TIVER OS CAPÍTULOS ANTERIORES, É SÓ ME MANDAR UM EMAIL QUE EU MANDO TODOS OS CAPÍTULOS.
ESPERO QUE A ESPERA TENHA VALIDO A PENA.
BJOS,
KMI
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CAPÍTULO 23
Isabella olhou mais uma vez para o pequeno e amassado papel em suas mãos. Dentro de duas horas desceria desse ônibus e chegaria na casa de Mark. Estava com medo. Medo de não ser bem acolhida. Medo dele não acreditar. Descobrir que ele era seu irmão, havia sido praticamente impossível. Sua mãe sempre soubera que Robert tinha outra família, mas nunca, nunca contara isso a ninguém.
Robert sempre fora um canalha. Tanto com sua mãe, como com os filhos que tiveram. Isabella sempre tentara se rebelar contra o autoritarismo do pai. Olhar a mãe apanhar dia após dia era mais do que conseguia suportar, e por isso mesmo apanhava junto. Mas se apanhar fosse a única coisa que a fizesse sofrer...
Descobrira quem era a outra família de Robert por acaso. Após o funeral de sua mãe, voltara para casa sozinha com as duas irmãs mais novas. O pai não comparecera. Mexera em tudo o que a mãe possuía e encontrara vários recortes de jornais. Todos sobre a mesma família. E o chefe de tal família era seu pai.
Isabella não conseguia entender como sua mãe suportara isso por tanto tempo. Não poderia ser amor. Ninguém poderia amar alguém como Robert.
Olhou para o recorte de jornal com a foto de seu meio-irmão. Será que ele era como seu pai? Será que não prestava também? Será que apanhara como ela quando era criança?
Já estava convencida a fugir levando as duas irmãs menores, e faria isso em breve. Mas precisava da ajuda de Mark. Tinha apenas 18 anos, não tinha como se sustentar e mais a 2 irmãs. Estava com medo. O que seria de suas irmãs enquanto estivesse fora de casa?
Suportara tudo o que suportara a vida inteira, mas não deixaria que Robert fizesse o mesmo com Clarissa ou Cecília. Eram muito novas. Mais velhas do que Isabella quando tudo acontecera, mas mesmo assim eram novas.... novas demais. Protegeria as irmãs.
~*~
Mark estava feliz. Assistir um vídeo com a mulher ,para muitos, podia ser corriqueiro, mas para ele, era muito bom. Estavam sentados no sofá da sala abraçados e Mark não podia estar mais feliz. Era muito bom poder sentir a mulher em seus braços. Praticamente esquecera como era isso. Sophia estava calma, e aproveitando o filme. Era muito bom. Onde será que dormiria essa noite? Sophia não tocara no assunto e Mark não queria faze-lo por medo dela sentir-se pressionada. A situação, apesar de ter melhorado, ainda era muito delicada e qualquer passo em falso, poderia por tudo a perder. Tinha que ter paciência, muita paciência.
Olhou para Sophia e depois voltou a prestar atenção no filme.
~*~
Sophia havia acabado de sair do banho. Tinha terminado de assistir o filme e subira para ajeitar-se para dormir. Queria que Mark dormisse com ela. Claro, não estava preparada para mais do que dormir, mas achava que precisava se acostumar novamente com a companhia de um homem ao seu lado. Colocaria a camisola e desceria até a sala para chamar Mark para dormir com ela.
~*~
Mark não conseguia dormir. Sophia finalmente havia pedido que dormisse com ela no quarto que sempre fora deles. Fora uma surpresa e tanto o pedido, e ele aceitara de bom grado. Mas agora.... agora se arrependia. Já passava de duas horas da manhã e ele não conseguia dormir. Estava feliz demais por ter a esposa dormindo em sua cama e isso não o deixava dormir. Olhou para o lado e sorriu ao vê-la dormindo como um anjo. Sem medo, e o mais importante, sem pesadelos.
Fechou os olhos tentando relaxar, quando escutou o interfone tocando no andar de baixo. O que seria a essa hora? Levantou-se e desceu as escadas para o andar de baixo correndo, antes que acordassem Sophia.
~*~
Sophia acordou com o barulho de duas pessoas conversando. Abriu os olhos ainda tonta de sono e viu no relógio que eram 3 da manhã. O lugar de Mark a seu lado estava vazio. Percebeu que na verdade, as duas pessoas não estavam conversando, e sim, discutindo.
Sem entender muito bem, Sophia levantou-se e foi ver o que estava acontecendo. Desceu as escadas devagar e pôde ouvir Mark gritando.
- Mentira!!! Tudo o que está me dizendo é mentira! – ele gritava com quem quer que estivesse ali na sala.
- Não!!! Não!!! Eu juro que não é mentira!! Juro!!! Se quiser eu posso provar... – dizia a voz feminina.
- Não!!!- interrompeu Mark. – Você não tem como provar!! O que pretende fazendo isso? Por que está fazendo isso??
Sophia então entrou na sala e os dois viraram-se para olha-la. A outra pessoa era uma menina. Uma garota de no máximo 18 anos. Ela parecia amedrontada e estava chorando muito.
- Mark, o que está acontecendo?
Mark olhou para Sophia e não soube o que dizer. Seus olhos imediatamente se encheram de lágrimas ou olhar para a esposa e lembrar de tudo o que a garota a sua frente dissera. Não podia ser verdade! Não tinha como ser verdade.... Ele não seria capaz disso.
- Mark? – perguntou Sophia insegura, andando até o marido e colocando a mão em seu ombro.
Mark respirou fundo e sentou-se no sofá. Não diria nada a Sophia. Não podia dizer nada a ela. Primeiro tinha que saber se o que a garota dissera era realmente verdade. E se fosse... Deus, não saberia o que fazer!!
A garota olhou para Sophia e tentou controlar o choro.
- Eu...eu vim pedir ajuda a seu marido. – ela disse com a voz trêmula.
- Por favor, saia da minha casa!- pediu Mark com a voz assustadoramente baixa.- ele tinha o rosto enterrado nas mãos e Sophia pôde perceber que elas tremiam.
Sophia nunca vira o marido assim. Isso a assustava.
-Mark, o que está acontecendo? Por que está assim tão nervoso e quem é essa garota?- perguntou de mansinho, sentando-se ao lado dele.
-Meu nome é Isabella. Eu... eu sou irmã do seu marido!- interrompeu a garota.
- Não!!! Não é!!!!! Cale a boca!!! Saia da minha casa.!!! – gritou Mark para a garota.
A menina assustou-se e recomeçou a chorar. Talvez vir até ali tivesse sido uma grande besteira. Talvez ele fosse mesmo igual a Robert. Talvez ele fosse contar tudo a Robert e ela não teria escapatória. Nem suas irmãs.
Sophia tentou assimilar o que a menina dizia. Estranhamente acreditava na garota. Ela parecia tão sincera e tão assustada que Sophia imediatamente simpatizou com ela.
- Por favor, - pediu a garota – eu preciso de ajuda.
Mark não conseguia pensar. O que a garota dissera.... o que ela dissera... Era horrível demais para ser verdade. Podia até aceitar o fato de seu pai ter tido outros filhos fora do casamento... mas... mas quanto a insinuação dela de que Robert fora a pessoa que machucara Sophia... Não isso não podia ser verdade.
- Você tem que me ajudar!!! Querendo ou não eu sou sua irmã!!! E elas também!!! Elas não têm culpa!! Por favor!! Você tem que me ajudar!!!! Elas são crianças ainda!! Ainda dá para evitar que algo mais grave aconteça!- gritava a garota desesperada.
- Saia da minha casa!!! Saia!!! – gritou Mark novamente.
A menina, então, de repente, levantou-se.
- Eu pensei que você fosse diferente!! Que iria me ajudar!!!! Mas agora vejo que é como ele!! É igualzinho a ele!!!! Eu vou embora sim!!! Mas quero que saiba que se acontecer o mesmo com as minhas irmãs, você vai ser o responsável!!! Vai ser o responsável por não acreditar em nada do que eu digo!!! É igual a ele!!!- ela gritou para então correr para a porta.
Mark levantou-se sem saber o que fazer, observando a garota ir embora. Sem saber bem o porquê, ele a chamou.
- Espere!!!
Isabella parou e virou-se para ele.
- Espere. Eu... eu estou nervoso. Eu... não consigo pensar. Não vá embora. Vamos... vamos conversar. – Mark pediu
Sophia observou a garota voltar lentamente para o sofá, e logo em seguida, Mark olhou para Sophia.
- Sophia, por favor, volte para a cama. Eu... eu preciso conversar com Isabella.- ele pediu trêmulo. Não queria que Sophia escutasse nada do que isabella tinha a dizer. Ainda não. Não enquanto ele não tivesse certeza do que ela dizia.
Sophia não entendeu nada.
- Mas.. Por que? Eu quero ficar aqui com vocês.!
- Por favor... Estou te pedindo. Volte para a cama. Depois eu lhe conto tudo. Agora... agora só preciso ficar a sós com Isabella. – ele pediu novamente.
Sophia levantou-se magoada com a atitude de Mark. Estava evidente que ele não confiava nela.
- Eu... eu...
- Sophia, volte para a cama. Vá dormir, querida. Depois eu converso com você. – ele falou lhe dando um beijo na testa.
Sophia percebendo o quanto Mark estava nervoso, resolveu acatar o que ele dizia e por isso foi para o quarto.
Deitou-se na cama, e percebeu que os dois não mais gritavam. O que será que tinha acontecido?
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