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Mensagem Original
  • Capítulo 4
    • Candida
      Posted Oct 20, 2006 6:02 PM

      Capítulo 4




      A simpática Liliane sorriu ao ver o amigo Bruno descendo as escadas de sua bela casa, o rapaz retribuiu o sorriso da amiga. Ele vestia uma calça sarja peletizada Caqui e uma camisa crepe italiano azul claro, estava perturbadoramente mais bonito assim, casual, tranqüilo, fora daquele ambiente formal do trabalho. Seus cabelos estavam molhados, e Liliane percebeu que ele tinha acabado de sair do banho ao sentir o cheiro suave do xampu quando o beijou carinhosamente no rosto.
      - Que bom te ver aqui Lili! – Cumprimentou sorridente o rapaz.
      - Tinha que te ver, já fazia muito tempo que eu e meu melhor amigo não conversávamos.
      - É... Eu sei e a culpa é minha. Eu estou sempre atolado no trabalho e quando sobra um tempinho eu me encontro com a banda. Meu dia teria que ter umas 36 horas para que eu pudesse faze fazer tudo que tenho vontade. Até a Júlia já reclamou que eu não tenho tempo nem pra ela.
      O sorriso no rosto de Liliane desmanchou-se instantaneamente ao ouvir o nome de Julia, mas imediatamente ela disfarçou seu descontentamento e Bruno nem percebeu.
      - Mas hoje você irá de me conceder alguns dos seus preciosos e raros minutos de folga, não é Bruno?
      Bruno ergueu as duas mãos como se estivesse se rendendo.
      - Hoje eu estou por sua conta, Lili.
      Liliane sorriu e abraçou o amigo os dois seguiram para a cozinha. Bruno conversava descontraidamente e Liliane o olhava encantada.
      - Eu mesmo vou preparar alguma coisa pra gente comer, o que acha?!
      - Acho uma ótima idéia! Eu já conheço seus dotes culinários e já estou com água na boca.
      - Bem... Você gosta de queijo não é? Então vou fazer um sanduíche de camembert.! E um suco de abacaxi com hortelã!
      Para Liliane, Bruno era um homem sensacional, ele reunia as melhores qualidades de todos os ex-namorados que ela teve. Ela tinha uma devotada amizade com ele e se o rapaz não estivesse tão envolvido com o trabalho, a banda e principalmente com Julia, talvez pudesse ver que os olhos de Liliane diziam muito mais do que suas palavras e que o sentimento dela por ele era muito mais sublime que a amizade.


      Ágata estava se preparando para ir com seu grupo para o pomar quando Fábio a interceptou apressado.
      - Ágata querida, preciso muito de um favor seu.
      - O que é?
      - D. Abigail tem uma reunião importantíssima com os diretores da Agrícola e precisa dos relatórios com os parâmetros da colheita... Dois lideres de grupos de colheita tiveram que faltar, eu preciso encaminhar os colhedores para o pomar... Por favor, entregue essa pasta para D. Abigail. – Enquanto falava, Fábio passou a pasta com os documento para as mãos de Ágata. – Ela esta na sede administrativa, vá até lá e pergunte por ela... Está tudo aí, sem esses documentos ela não poderá participar da reunião, entregue tudo nas mãos dela.
      - Mas Fábio... D. Abigail não permite que os colhedores sequer se aproximem da sede administrativa da Agrícola, o mais perto que cheguei de lá foi quando entrei pelo portão errado e tive que passar na frente dos escritórios.
      - Eu sei disso Ágata, mas é uma situação especial, eu já falei com ela, disse que não poderia ir e que enviaria alguém para levar os documentos... E eu confio em você para isso. Fique tranqüila D. Abigail já esta sabendo, não haverá problema algum.
      - Se é assim...Mas eu já estou com o uniforme para colheita...Como vou aparecer no escritório com essa roupa.
      - Não tem problema. Eu já avisei na portaria que esta indo uma funcionária da colheita levar uma pasta. Pode ir sem medo.
      - Tudo bem Fábio...
      - Ao menos assim você já fica conhecendo as dependências administrativas. Muito luxo Ágata...Muito luxo!
      Ágata seguiu até a bela estrutura dos pavimentos que abrigavam os escritórios da Agrícola, informou-se na portaria e seguiu rumo ao Departamento Jurídico.
      - Bom Dia! – Disse cumprimentando a secretária. – Gostaria de falar com D. Abigail, por gentileza.
      - D. Abigail não se encontra. – Respondeu gentilmente a secretária.
      - Mas... Informaram-me que eu a encontraria aqui no Departamento Jurídico.
      - Sim! Ela estava aqui, mas teve que sair com Dr. Bruno.
      - Eu precisava muito entregar essa documentação para ela.
      - Quer que eu entregue a ela?
      Ágata hesitou e pensou por alguns segundos, Fábio tinha dito que eram documentos importantes, que confiava nela e que era para entregar a pasta nas mãos de D. Abigail, mas a gentil secretária poderia fazer isso para ela... Não! E se por acaso a secretária se envolvesse em outros afazeres e demorasse a entregar a pasta para D. Abigail, Fábio havia dito que sem aqueles documentos D. Abigail não poderia participar da reunião. Estava decidido, Ágata mesmo entregaria a pasta de documentos.
      - Obrigada, mas não é necessário, eu espero D. Abigail aparecer e entrego a ela.
      - Se você faz questão, pode aguardar aqui então. – Disse já apontando o sofá para Ágata esperar. – D. Abigail e Dr. Bruno já devem estar retornando.
      - Obrigada.
      Enquanto aguardava Ágata observava o requinte da sala, sentiu-se constrangida por estar de uniforme. Alguns funcionários passavam tratando de suas funções administrativas. Aquele lugar, aquele ambiente, aquelas pessoas, tudo estava deixando Ágata pouco à vontade e a secretária parece ter percebido isso.
      - Esta tudo bem com você?
      - Sim... Esta tudo bem sim... Obrigada...
      - Quer beber alguma coisa?... Um copo de água?...
      - Não... Não precisa se incomodar eu estou bem.
      A secretária consentiu com um sorriso, mas ainda percebia a inquietação de Ágata.
      Um jovem diretor adentrou a sala e se dirigiu a secretária.
      - Bom dia Isaura!
      - Bom dia Dr. Adriano!
      - Onde você estava agora a pouco?
      - Desculpa Dr. Adriano... Eu não entendi...
      - Liguei e ninguém atendeu.
      - Estranho... Eu estava aqui como em todos os outros dias... Ah! Acabei de me lembrar que fui com Dr. Bruno e D. Abigail ao Departamento Comercial buscar algumas planilhas, mas logo retornei.
      - Então foi isso. Bruno esta na sala dele?
      - Não, ele e D. Abigail ficaram no Departamento Comercial.
      - Franco deixou alguns documentos para mim?
      - Deixou sim Dr. Adriano, estão aqui.
      Isaura entregou alguns papéis a Adriano e enquanto este os guardava em sua pasta, notou a presença de Ágata, a olhou com indisfarçável desdém, Ágata sentiu-se ainda mais acanhada baixou os olhos e apertou as mãos entre os joelhos, depois voltou a encara-lo e viu nos olhos dele frieza e apatia.
      - O que esta acontecendo aqui Isaura?
      Adriano perguntou a secretária e dirigiu mais uma vez o olhar para Ágata.
      - Essa moça veio trazer alguns documentos para D. Abigail. – Explicou a secretária.
      - Ela é uma colhedora dos pomares?...
      - Sim...
      Adriano falava como se Ágata não estivesse presente na sala.
      - Abigail pediu para uma colhedora trazer documentos administrativos?!
      - D. Abigail disse que precisaria desses documentos para a reunião de logo mais. – Justificou a secretária.
      Ágata sentia vontade de sumir diante dos comentários de Adriano.
      - E não tinha mais ninguém que pudesse traze-los para cá? Tinha que tirar alguém da colheita?
      - Não sei Dr. Adriano...
      O constrangimento que Ágata sentia foi dando lugar a uma controlada fúria.
      - Entregar documentos que dizem respeito à gerência nas mãos de uma colhedora foi muito imprudente.
      Ágata estava a ponto de explodir de indignação quando Isaura desviou a atenção de Adriano dizendo que Franco pediu ele avaliasse a documentação e desse a resposta no mesmo dia.
      - Hoje à tarde falarei com ele, pode avisa-lo Isaura.
      - Eu avisarei Dr, Adriano.
      - Julia não esteve por aqui?
      - D. Julia? Não, ela não apareceu aqui.
      - Engraçado... Ela saiu de casa antes de mim dizendo que viria para cá.
      - Aqui ela não apareceu, ao menos não ainda.
      - Esta certo então, vou para minha sala. Obrigado Isaura.
      - De nada Dr. Adriano.
      Antes de sair da sala, Adriano olhou mais uma vez para Ágata e a menina sentiu mais uma vez a indiferença nos olhos dele. Ágata pode ler o que ele sentiu ao passar por ela, viu a expressão de desprezo, mas ao contrário de antes, agora ela o encarou com dignidade e sustentou o olhar.
      Ao sair da sala Adriano murmurava seu descontentamento por uma colhedora estar ali nos escritórios da Agrícola e de posse de documentos da gerência Ágata pode ouvir o comentário dele.
      “Uma colhedora... Uma colhedora aqui no escritório! Abigail perdeu a noção de responsabilidade mesmo”.
      Ágata sentiu-se a última das criaturas, odiou aquele homem que a tratou com tanto desprezo, mas se deixou abater pelo destrato dele, sentiu-se ainda mais perdida naquele ambiente e Isaura viu claramente isso nela.
      - Escuta... Eu não sei exatamente quanto tempo D. Abigail vai demorar então... O que você acha de aguardar na sala de espera do Dr. Bruno.
      - Sala de espera...
      - É! A ante-sala do gabinete do Dr. Bruno, lá é mais reservado, tranqüilo, você poderá ficar mais a vontade, não tem entra e sai de pessoas. Pode aguardar lá, quando D. Abigail chegar eu aviso que você esta esperando por ela.
      - Se eu puder ficar lá agradeceria muito.
      - Mas é claro que pode! Venha.
      Ágata acompanhou a secretária até a ante-sala do gabinete de Bruno e ficou no aguardo. Realmente lá era mais tranqüilo, Ágata poderia esperar longe dos olhares presunçosos e arrogantes como os de Adriano.
      “Talvez tivesse sido melhor deixar a pasta com a secretária... mas agora já estou aqui mesmo...” Lamentou-se em pensamento. O desprezo de Adriano ainda a afligia.
      “Espero que D. Abigail não demore muito...” pensou a menina.
      Enquanto aguardava, Ágata ouviu um ruído vindo da sala principal de Dr. Bruno, a principio achou que estava enganada, mas voltou a ouvi-lo novamente.
      “Tem alguém na sala do Dr. Bruno?...”.
      Ágata ficou confusa por alguns instantes... A secretária havia dito que Bruno não estava, mas Ágata ouviu claramente alguns ruídos na sala dele. Havia alguém lá dentro.
      “Quem sabe a secretária se enganou... Talvez Dr. Bruno já estivesse voltado e ela não notara?’”.
      Aproximou-se da porta de entrada da sala e notou que ela estava apenas encostada, exitou alguns instante, mas por fim, empurrou cuidadosamente para não fazer ruído, não chegou a entrar, mas pode ver claramente que havia sim alguém na sala de Bruno. Era uma mulher, uma jovem mulher.
      “Quem é ela?” Pensou Ágata. A mulher estava de costas para a porta, separando alguns papeis quando de repente seu celular toca. Tanto a mulher quanto Ágata se assustaram.
      - Alo... Você está louco?... – A mulher falava baixo, mas não o suficiente para que Ágata não pudesse ouvir a conversa.
      - Eu estou na sala do Bruno... Não posso falar... – Ágata tentava entender o que estava acontecendo.
      - Eu sei disso... E já peguei todos os documentos... Não se preocupe, hoje à noite entrego tudo a você conforme combinamos.
      Afinal quem era aquela mulher e o que ela estava fazendo ali? Pensava Ágata.
      - Eu não posso falar mais ou alguém pode ouvir... Se me pegam aqui estou morta! Vou desligar...
      Naquele momento Ágata teve certeza que aquela mulher era uma espécie de espiã. Mas atrás do que ela estaria? E porque?
      A mulher arrumava alguns papéis numa pasta quando um deles escapou de suas mãos e voou para junto de uma escultura próxima a porta de entrada. Ágata afastou-se um pouco temendo ser vista, a mulher levantou para apanhar o papel, Ágata novamente olhou e pode apenas ler o título inicial do documento.
      “CONTRATO DE PARCERIA AGRÍCOLA”
      A mulher apanhou do documento e o guardou na pasta. Ágata tentou afastar a idéia de que aquela mulher estivesse espionando alguma coisa, mas tudo fazia sentido.
      - O que esta fazendo aí?
      A voz estridente de D. Abigail interrompeu os pensamentos de Ágata e fez seu coração disparar tamanho foi o susto. D. Abigail estava parada em pé na porta de entrada da ante-sala. Ágata afastou-se de onde estava e respondeu um pouco nervosa.
      - Eu... Estava esperando pela senhora... Trouxe os documentos... – Entregou a pasta para D. Abigail. – A secretária disse que eu poderia aguardar pela senhora aqui nessa sala.
      - Sim... Aguardar aqui! Mas me pareceu que você estava entrando na sala do Dr. Bruno?...
      - Não! Eu ouvi alguns ruídos e achei que ele estava na sala.
      - Ele foi comigo até o Departamento Comercial e ficou lá, não tem ninguém ali.
      - Mas eu tive a nítida impressão que tinha alguém ali na sala.
      Ágata tinha a esperança que D. Abigail entrasse na sala de Bruno para constatar se realmente não tinha ninguém e encontrasse a tal mulher lá dentro. Mas D. Abigail não deu ouvidos, pegou os papéis e a dispensou para colheita.
      Ágata não conseguia tirar do pensamento a cena que viu, ela tinha certeza que aquela mulher era uma espiã, já estava decidida a falar com Fabio e contar o que viu e ouviu.
      No intervalo para o almoço, Ágata foi prontamente procurar o amigo.
      - Oi Fabio! Preciso te contar uma coisa.
      - Antes venha comigo, quero que conheça uma pessoa. – Disse isso e já puxou a amiga pelo braço levando-a para perto do estacionamento.
      - Mas Fábio... Eu acho que descobri uma coisa importante...
      - Veja Ágata! – Apontou para alguém no estacionamento. – Esta vendo? É ela!
      Ágata estreitou os olhos e identificou a pessoa para quem Fabio apontava. Teve uma surpresa.
      - Fabio...
      - É ela Ágata! É a Julia! Minha Julia!
      No mesmo instante Ágata a reconheceu. Era a mulher que pela manha estivera no escritório de Bruno... A espiã!
      - Então essa é a Julia?...
      - É ela sim... Ela é linda não é? Muito mais do que eu possa descrever...
      Fábio estava totalmente encantado só em ver Julia e Ágata percebeu o quanto seu amigo estava apaixonado.
      - Pena que ela nem sabe que eu existo... – Lamentou-se Fabio.
      Ágata pensou, tentou colocar em ordem suas idéias. Se aquela mulher era Julia, de certo modo estava explicado porque ela tinha liberdade para entrar na sala de Bruno, afinal os dois eram namorados. Porém, o que não estava claro era porque ela estava se escondendo? Porque temia ser descoberta? E que papeis eram aqueles que ela estava levando? Não! Os fatos não estavam se encaixando, pensava Ágata, Julia estava espionando alguma coisa sim! Ágata teve certeza disso, confiou em sua intuição.
      - Você não vai dizer nada Ágata?! – Fabio estava empolgado queria saber o que a amiga achou de sua amada.
      - É... Bonita Fabio.
      - Só isso?!
      - Não posso dizer mais nada, eu só a vi, não a conheço.
      - Quem sabe um dia eu não vou ter a oportunidade de me aproximar, de estar com ela, de mostrar o quanto ela significa para mim... – Fabio falava sonhadoramente e Ágata o observava com um sorriso compreensiva, solidária com o amigo... – Então eu a apresentaria você.
      - Eu sei disso...
      - Mas o que você queria me dizer mesmo?...
      Ágata olhou para Fábio e achou que não deveria dizer a ele o que sabia. Fabio estava tão encantado com Julia que Ágata se sentia sem coragem de talvez ofuscar a imagem que ele tinha dela.
      - Não era nada importante... Tanto que já até esqueci...
      Fabio riu e ela passou o braço pelos ombros dele. Os dois saíram abraçados. Ágata desejava muito a felicidade daquele amigo tão querido.



      - Você tem certeza disso?! – Perguntou Julia já eufórica.
      - Absoluta! Minha mãe diz que não se fala em outra coisa no clube. Aliás, em todo lugar! Franco e Renata brigaram feio e ele saiu de casa.
      - Eu não estou acreditando.. .– Os olhos de Julia brilhavam.
      Quando Lenita a chamou em sua casa ela jamais imaginaria que era para dar uma notícia como essa.
      - Eu não entendo como você ainda não sabia Julia! Você namora o filho deles!
      - Bruno esta viajando esqueceu?
      - Verdade! Pena... Ele vai ficar chocado quando voltar. Você precisa ficar do lado dele e apóia-lo!
      - Claro! Eu vou dar todo o meu apoio...


      Julia ignorava os motivos da separação de Franco e Renata, até porque isso não interessava a ela, o importante era que Franco estava livre e agora ela iria tentar uma real aproximação com ele. Estacionou o carro em frente à casa de campo dos Camargo, era para lá que Franco tinha ido após a separação. Bateu na porta decidida a usar todo seu poder de sedução. Franco nem disfarçou a surpresa por vê-la ali.
      - Julia... Não esperava vê-la... Aconteceu alguma coisa?
      - Franco... – Sorriu sedutoramente. - Aconteceu sim... Mas não se preocupe... É uma coisa boa. Posso entrar?...
      Ele pensou alguns segundos, a visita dela realmente o pegou de surpresa, mas por fim afastou-se cedendo espaço para ela passar. Percorreram um pequeno corredor até chegar a sala de estar.
      - Desculpe Franco, mas vou direto ao assunto... Soube da sua separação e vim prestar minha solidariedade. – Disse olhando intensamente nos olhos dele. – É em momentos difíceis como este que devemos prestar apoio àqueles que realmente interessam para nós, aqueles com quem nos importamos, e eu me importo com você... Me importo muito entende?...
      - Agradeço sua solidariedade, mas esta tudo bem. Eu e Renata tivemos um desentendimento e eu preferi me afastar por alguns dias, mas acredito que estamos muito longe de uma separação definitiva.
      - É claro que estão...Tenho certeza disso. A maioria dos casados tem crises no casamento, é preciso muito diálogo, sinceridade, companheirismo, amor, paixão!... E isso existe entre vocês não é?
      Franco engoliu em seco aquelas palavras, Renata não era nem um modelo de boa esposa e os diálogos entre eles eram cada vez mais raros, ela apenas o queria por perto, o queria junto dela, ao alcance dos desejos dela. Franco conhecia bem o gênio dominador de Renata e os dois sempre tiveram problemas por isso, mas sempre superavam, ele sabia que Renata o amava e esse era o jeito “torto” dela demonstrar os sentimentos, porém, nos últimos dias ela estava exagerando, depois que João voltou da França Renata tornou-se ainda mais autoritária. Franco e João tentavam relevar, mas Franco chegou ao seu limite. Julia sabia que essa era a chance para ela e faria de tudo para aproveita-la.
      - É claro que em alguns casos as crises acabam se agravando... – Continuou ela vendo que Franco não tinha resposta. - E criando situações insuportáveis a ponto de não se ter outra saída a não ser a separação... E diante disso a separação é melhor coisa a se fazer.
      - Apesar de jovem, você parece ser muito madura.
      - Eu sou muitas coisas que você ainda não sabe Franco... – Ele lançou um olhar enigmático e ela sorriu maliciosamente. – Mas eu vou te mostrar tudo com o tempo e você vai entender...
      - Entender?...
      Julia sorriu e aproximou mais.
      - Esta tudo bem mesmo?... – Disse ela o olhando dos pés a cabeça. – Você me parece meio cansado...- Levou a mão com a intenção de tocar o cabelo dele, porém ele segurou a mão dela e a deteve.
      - O que esta havendo Julia?... Não estou entendendo...
      - Eu também não... Eu não estou entendendo tudo que esta acontecendo comigo quando estou perto de você. Eu não entendo, apenas sinto! E sinto tão forte que quase não consigo me controlar.
      Subitamente Julia o abraçou forte, colando todo o seu corpo ao dele. Apertando-o enquanto deslizava as mãos pelas costas e sussurrava sensualmente frases entrecortadas no ouvido dele.

      O jardim da casa de campo dos Camargo era esplêndido! Liliane já esteve naquela casa muitas vezes com Bruno e outros amigos, principalmente na época em que ele ainda não trabalhava na Agrícola e também não namorava Julia. E sempre ficava horas contemplando a beleza daquele lugar. O tempo passou e as exuberâncias de lá pareciam cada vez mais vibrantes. Liliane sentiu como se retrocedesse no tempo vindo àquela casa de novo, maravilhoso seria se Bruno também estivesse ali. Mas não, as circunstâncias que a trouxeram ali foram outras, precisava dizer a Franco que o pai dela assumiria a administração da nova filial que a Agrícola Fonteli adquiriu em São Paulo. Foi esse o motivo da briga de Franco e Renata. Franco teria que se ausentar por um longo tempo e tomar a frente desta nova filial, Renata dominadora como era, não concordou com isso, o queria perto, sempre ao seu alcance, achava que era um sacrifício desnecessário, que outro poderia ir no lugar dele. E para evitar maiores problemas, Silvia Fonteli, grande amiga de Renata, determinou que Miguel Souza, pai de Liliane, fosse no lugar de Franco.
      Uma grande bobagem! Pensava Liliane. Era ridículo às vezes, o modo como Renata impunha suas vontades, não se importava em agir irrisoriamente quanto queria manter os dois homens de sua vida por perto, João e Franco.
      Estacionou o carro ao lado do carro de Julia, achou tudo muito estranho. Será que Julia estava ali? O que estaria fazendo? Liliane ficou desanimada ao pensar em encontrar com Julia ali. Achou aquilo uma perseguição, aquela garota sempre estava cruzando seu caminho! Quando pensou em bater notou a porta destrancada e um pouco hesitante adentrou.
      A cena que se projetou na frente dela, a deixou chocada. Julia agarrada ao pescoço de Franco. Abraçados como dois namorados. Com um misto de surpresa e reprovação, Liliane abriu a boca, fechou e tornou a abrir.
      - Sonhei tanto em um dia estar assim com você... – Julia falava próximo ao pescoço de Franco, num impulso levou a boca a orelha dele e começou a mordiscar.
      Ele a segurou pelos ombros e a afastou, totalmente perturbado por aquele gesto tão inesperado e explosivo.
      - O que esta fazendo menina? – Disse ele irritado. – Esta louca! O que quer afinal?
      - Não consegue ver nos meus olhos o que quero? – Perguntou já aproximando seu rosto do dele para um beijo.
      Ele deu um passo para trás e levantou a mão num gesto ordenando que ela ficasse onde estava.
      - Você só pode estar louca! Ou não tem nenhuma noção de respeito...
      - Eu respeito meus sentimentos! Respeito tudo aquilo que sinto! Eu não reprimo nenhuma das minhas emoções... Não reprima as suas também...
      - A única coisa que estou reprimindo é o desprezo por esse seu gesto absurdo, por essas suas palavras idiotas. Você namora meu filho! Como pode ser tão baixa!
      Liliane ficou atônita diante de tudo que via e ouvia, a única coisa que conseguia pensar era em sair o mais rápido possível dali antes que notassem sua presença. Deu alguns passos para traz até alcançar a porta de saída.
      Sentiu uma sensação de alívio e pesar enquanto dirigia afastando-se cada vez mais da casa. Seus pensamentos eram desconexos e inquietos. Seus lábios apertaram-se tanto quanto seu coração ao pensar na figura central daquele indecoroso enredo.
      - Bruno...
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