Assim que Armando pôs o pé para fora da sala da presidência se deu conta do que prometera fazer. Simplesmente, estava se dirigindo à sala de um desconhecido para meter-se na sua vida, e, como se não bastasse, outorgasse para si o direito de interferir nela. Parou no meio do caminho, em frente à mesa de Sofia, fez menção de voltar. Todavia sua cabeça descortinou a visão da face de Betty banhada de negro outra vez e aquilo lhe provocou uma repulsa muito grande de si mesmo. Pensando bem, que raio de favor era esse que não podia fazer para alguém a quem ele devia a alma? Virou-se novamente, bateu e entrou para a sala de Nicolas.
Sofia olhou-o desconfiada e chamou Berta para comentar o ocorrido que chamou as demais do quartel e se colocaram todas em frente à sala de Nicolas.
Nicolas estava com a foto de Patrícia em mãos quando viu o rosto de Armando aparecer na porta. Guardou a foto desajeitadamente dentro do paletó e fez um gesto para que Armando entrasse. Olhou-o um tanto desconfortável, se não se enganava era a primeira vez que Armando ia em sua sala, e essa visita estava lhe roubando o ar do ambiente. Fez um gesto para que Armando se sentasse, esquecera de como se ligava uma palavra na outra de modo a formar uma frase.
Armando entrou e sentou como se estivesse em algum país do oriente. Tão logo se acomodou se descobriu sem saber o idioma falado naquele país tão longinquo e se pôs a sorrir de modo estúpido. O pior era que Nicolas sorria da mesma forma, e nenhum dos dois não dizia nada. Depois de duas décadas de silêncio sufocante em que Armando se chicoteava com pragas em pensamento, Nicolas perguntou.
N - Algum problema com alguma documentação, Dr. Mendoza?
Armando olhou para os dedos entrelaçados como uma criança tímida.
A - Na verdade, não vim por causa de papéis, Nicolas, mas porque... - e as palavras escorregavam por sua mente enquanto ele tentava enganchar no que já havia dito - tenho visto você um pouco desanimado esses dias.
Nicolas contraiu o cenho. Desde quando Armando prestava atenção nele para notar que ele andava triste? Só podia ser uma coisa...
N - O senhor veio da sala da Betty?
Armando entendeu a pergunta e acenou positivamente com a cabeça, ou se evitaria maiores fincadas de fiapos de madeira ou Nicolas bateria a porta na sua cara. Qualquer uma das duas possibilidades lhe parecia melhor que a situação presente.
Nicolas, por sua vez, respirou pesadamente. Não conversar com Armando era como que virar as costas para Betty, uma das pessoas mais importantes da sua vida, contudo, por outro lado, o que diria àquela escultura de mármore sentada à sua frente?... Se dissesse as coisas sem pensar talvez fosse menos incômodo para ambos. Além do mais, Betty não faria isso se soubesse que era inútil.
N - O senhor sabe, Dr. Mendoza, não era segredo para ninguém que eu... eu e Patrícia... - disse enquando girava a mão suspensa.
Armando sorriu. A tarefa seria um pouco mais fácil que imaginara.
A - Sim, Nicolas, não era segredo para ninguém. E ela se foi e deixou você triste.
Nicolas apertou o lábio concordando com ele.
A - Mas, Nicolas, uma coisa que não entendo... Eu sei que Patrícia era muito bonita, mas eu sei que você sabe que ela não te amava.
Nicolas se afundou na cadeira. Se pudesse, se afogava nela e não voltava.
N - Não sei como explicar isso, Dr Mendoza, é um mundo ao qual o senhor não pertence... Mas imagina que o senhor tenha vivido os dias num cômodo escuro... E então aparece uma pessoa e acende uma luz, e diz que é o sol. Você sabe que não é o sol, mas aquela luz é mais do que o senhor sempre teve na vida...Eu queria aproveitá-la o máximo que podia... Eu aproveitei...
Armando olhou-o enternecido. Viu num raio oblíquo sua situação com Betty...Aquilo lhe doeu como se estivesse tendo um começo de infarto. Ele fora a lanterna, e sua luz no passado viera de uma lâmpada tão vagabunda que teve vontade de se socar... Não entendia de todo a situação de Nicolas, mas agora conseguia se imaginar no lugar dele e de Betty, e isso lhe machucava igualmente. Um bolo de remorso subiu ácido pelo esôfago, e se ouviu dizendo.
A - Me desculpa, Nicolas, me desculpa...
Nicolas olhou-o resignado,
N - Eu disse que não era a sua realidade, não precisa pedir desculpas...
A - Não por isso - Armando olhava os dedos - Por tudo. Por todo meu comportamento com relação a você... Pela briga aquele dia na porta da casa da Inesita... Eu nunca pensei que se Betty o tinha como melhor amigo era porque realmente você merecia.
Nicolas se surpreendeu com o rumo da conversa da mesma forma como se surpreendeu com a visão que teve de Armando, vendo a estátua cair, e sangue respingar no chão.Ele balançou a cabeça.
N - Obrigado, Dr Mendoza, obrigado... Tenho Betty e a família dela como a minha família também... Olha tudo o que ela fez por mim... Se estou onde estou, devo a ela...
Armando respirou fundo. Se sentiu um fantasma em meio à multidão de pessoas com quem convivia, pessoas feitas de papel coladas no cenário da sua vida. Nunca se dera conta disso com a intensidade com que percebia naquele momento, tantas coisas que perdera, imerso na sua mentira... Olhou para frente buscando um horizonte, mas a noite já havia se levantado e ele se sentiu perdido.
Nicolas percebeu que Armando não parecia bem. Sentiu certa empatia por aquele sujeito que se erguera, pequeno, das pedras. Betty não gostaria dele à toa, ainda que tivesse um gosto estranho... Desajeitadamente estendeu a mão a ele, e Armando sorriu, apertando-a, como alguém que conhecera o outro lado da história, sentiu necessidade de retribuir o gesto de amizade de Nicolas ajudando-o de alguma maneira. E se lembrou do 'oráculo das deusas' que ainda estava em seu computador. Sorriu. Se não fosse eficiente, pelo menos divertiria seu novo amigo, e já seria alguma coisa. Levantou-se.
A - Tenho uma coisa para te tirar dessa, Nicolas. Venha à minha sala.
Nicolas se levantou, e os dois saíram sob o olhar atento de todo o quartel que, coincidentemente estavam todas trabalhando em cima da mesa de Sophia.
Armando rapidamente ligou o computador e acessou o famoso 'oráculo'. Sentiu-se revisitando cenários de outrora, como se visse o velho Armando de sempre em ação. Parecia animado, até o momento em que viu o novo Armando de pé no canto da sala a olhá-lo de modo profundamente decepcionado. E então chegou Betty e se colocou perto dele, e os dois miravam-no resignados em desaparecer diante da decisão dele de estar ali e abrir aquele maldito programa. Não era isso que ele queria, e morreria se aquela visão desaparecesse, pois ele era aquela visão. Socou a mesa, e levantou-se de uma vez, como que atirando no coração daquele velho Armando e indo para perto do seu futuro, onde realmente queria estar.
Nicolas olhou para os lados, sem absolutamente entender nada. Sabia que Armando era muito louco, mas ele sempre aparecia com umas loucuras novas que não davam mesmo pra entender.
A - Sente-se em frente ao computador, Nicolas, eu vou te explicar o que é - disse, de pé, encostado na parede, do outro lado - mas você tem que me jurar que nada do que você vir aqui vai sair daqui, porque estou fazendo isso por você.
Nicolas levantou a mão direita.
N - Está jurado, Dr Mendoza - disse, curioso.
Então se sentou e leu "oráculo das deusas". Parecia interessante.
A - Acesse o programa e vai aparecer para você escolher as características da sua mulher ideal. Esse programa é uma base de dados de todas as modelos que já passaram pela Ecomoda. E então veremos o tipo de mulher de que você está precisando.,,
Nicolas animou-se com a proposta. Digitou os comandos necessários. Armando não arredou o pé de onde estava, encostado com a cabeça na parede como que fugindo de um ato criminoso.
N - Começa pedindo peso e altura... Hmmm, deixa eu ver... Não sei... O que escolheria, Dr Mendoza?
Armando só viu Betty na sua cabeça, sua "best option" para sempre.
A - Não sei, Nicolas, só consigo pensar na Betty.
Nicolas balançou a cabeça numa negativa.
Diante disso Armando continuou.
A - Posso dizer o que escolhi na época em que Mario me apresentou o programa, o tipo de mulher ideal com que sempre fantasiava...
Nicolas sorriu animado.
N - Então diga, Dr, diga...
A - Altura 1,70; peso 55kg; loira; olhos claros...
Armando não pôde deixar de sorrir diante dessas lembranças estúpidas... Tanto escolheu que fora escolhido por alguém completamente diferente, e por isso mesmo pela pessoa mais maravilhosa do mundo, prova de que suas escolhas eram completamente equivocadas...
N - Noventa, sessenta, noventa... - Nicolas já voltara ao seu estado normal, tamanha era sua excitação diante do programa.
Terminou de digitar e começou a aparecer as fotos das modelos conforme as características escolhidas. Nicolas se remexia na cadeira como um adolescente vendo coisas escondidas dos pais. Armando só olhava, satisfeito por ter conseguido ir bem na sua missão, e por ter descoberto uma pessoa atrás daqueles óculos grandes e daquele andar desconexo.
N - Dr, Mendoza, seu safadinho, que ótimo gosto, que ótimo gosto! Nossa, Claudia Helena Vasquez, que maravilha, que maravilha... Posso fazer uma cópia desse programa?
Armando sorriu. Braços cruzados, encostado na parede.
A - Claro que pode, Nicolas, mas é um segredo nosso, certo?
N - Sim, pode ficar sossegado, Dr...
A - E, assim que terminar de ver, fecha o programa pra mim, tudo bem? Eu vou tomar uma água.
N - E eu, assim que terminar vou instalar a cópia no meu computador... Obrigado, Dr, de verdade.
Armando passou rapidamente perto do computador e saiu.
Betty saía para fora da sua sala toda hora nesse tempo em que Armando conversava com Nicolas. Viu os dois indo em direção à vice-presidência e se demorarem por lá. Estava louca de curiosidade para saber o que houve lá dentro. E quando viu Armando passar por sua sala, num impulso foi atrás dele.
B - Armando!
Ele se virou e esperou Betty ir até ele.
B - Nicolas ainda está na sua sala? Deu tudo certo a conversa?
Ele sorriu diante daqueles olhos preocupados.
A - Sim, Beatriz, está lá, mas está saindo...
B - Podemos ir à minha sala?
A - Sim - disse em seguida pedindo um copo de água à Aura Maria.
Eles entraram para a presidência e Armando fechou a porta atrás de si, em seguida enlaçando Betty pela cintura e beijando-lhe ternamente os lábios como que varrendo a solidão que se apossara dele enquanto estivera na sala de Nicolas. Acariciou-lhe o rosto com medo de soltá-la e a vir desvanecendo-se no ar, como aquela ameaça da sua visão. Colou-se a ela novamente.
Betty percebeu alguma coisa diferente, e as palavras lhe faltaram para exprimir o que sentiu com aquele abraço e aquele beijo. Sentira um Armando envolto num manto de noite fria e sem estrelas. Teve medo de perdê-lo de vista, por isso não disse nada, para que ele não se descolasse dela.
Permaneceram um tempo assim, até que se separaram aos poucos e se sentaram no sofá com as mãos entrelaçadas.
Armando lhe sorriu, beijando-lhe a mão.
A - Considere cumprida a missão. Mas eu vou querer o que você me deve, e o mais pronto possível - disse sorrindo, dissipando aquela brisa fria da sala.
B - Que notícia ótima. - Betty respirou aliviada - Estava com o coração na mão... E o que você fez para animá-lo?
Armando já esperava a pergunta.
A - Coisa de homem, mi amor...
Betty ficou surpresa com a resposta. Não esperava que ele não fosse compartilhar o que houve com ela, mas resolveu respeitar o espaço dele. Além do mais, Nicolas não escondia nada dela, ele acabaria dizendo alguma coisa que daria para saciar a sua curiosidade.
B - Agora já virou amigo do Nicolas?
Armando sorriu. Pior que, de alguma forma, era verdade.
A - Culpa sua...
Beijaram-se de novo, e o ambiente já estava doce como o aroma das flores colocadas na mesa de Betty.
Assim que separaram Aura Maria bateu na porta e Armando levantou-se para pegar a água que tinha pedido. Atrás de Aura Maria veio Sandra dizer a ele que havia uma ligação urgente da parte do pessoal de Porto Rico para ele. Ele se despediu de Betty rapidamente com um selinho e saiu.
Betty esperou-o sair e foi rapidamente para a sala de Nicolas.
Chegando lá ela se deparou com várias fotos de várias modelos esparramadas na mesa onde a impressora se encontrava. Realmente, curado ele parecia, curado até demais. Sorriu diante daquela visão.
N - E aí, Betty?
B - Oi, Nicolas, você me parece bem...
N - Ah, sim, Dr Mendoza me ajudou um bocado, obrigado.
B - Obrigado?
N - Ah, Betty, ele não iria lá de livre espontânea vontade, não é? Mas não fiquei chateado, muito pelo contrário...
B - E foi ele que te apresentou todas essas mulheres.
Nicolas balançou a cabeça nervosamente, numa negativa.
N - Não, mas se ele conhecer e quiser me apresentar, ah, agradeço muito. Eu mesmo estou me apresentando a elas - disse rindo da sua forma característica.
Betty sorriu também.
B - Haja bolso de camisa para guardar isso tudo - disse rindo da mesma maneira.
N - É... Acho que vou cortar elas bem pequenas... Menos a da Claudia Helena.
B - Claudia Helena Vasquéz?
N - Sim - disse ele pegando a folha e mostrando a Betty, batendo os dedos na folha. - Uma deusa...ótimo gosto esse do Dr Mendoza... - e riu de novo.
Betty sentiu algo se quebrar dentro de si... Suas vistas estalaram e ela teve que se esforçar para parecer normal. Respirou bem fundo porque queria saber do que o amigo estava falando e, por isso ,tinha que parecer natural.
Pegou a foto.
B - Linda mesmo... E muito boa pessoa... Mas como vocês se lembraram dela?
N - Ah... - se lembrou de manter segredo sobre o oráculo e iria provar para seu novo amigo sua lealdade - o Dr. Mendoza estava falando sobre as suas preferências, nada de mais, Betty.
B - E essas preferências seriam uma mulher alta, magra, loira, noventa-sessenta-noventa...
N - É a de todo homem, né, Betty, você sabe... - disse isso animado com a foto, sem ter noção do quanto havia afetado a amiga.
E a havia afetado.
A realidade gritou como um farol alto diante dos olhos de Betty. Vivera um conto de fadas com Armando esse tempo todo, mas não podia negar aquela luz que lhe queimava a pele, e isso doía demais. Ela e Armando eram pessoas muito diferentes que se encontraram por um... Por um acidente, e em condições normais ele nunca sequer teria o trabalho de desviar o olhar em sua direção, mas sim para uma pessoa do porte de Claudia Helena. E tudo isso foi exatamente a chave capaz de abrir o baú onde trancara todas aquelas lembranças. De repente, tudo o que viveu com Armando pareceu um sonho, algo que nunca acontecera e ela teve uma vontade absurda de vê-lo, de abraçá-lo e escutá-lo dizer que estava ali para ela, só para isso... Levantou-se e deixou Nicolas divagando com todas aquelas fotos e quando saiu deu de cara com Armando conversando animadamente com uma sósia de Claudia Helena, talvez mais bonita... Ou talvez fossem seus olhos enganando-a, mas ela se sentiu menor que já estava . E o chão sob os pés de Armando se desfez e ele caiu abismo abaixo, sorrindo, juntamente com aquela mulher.
Ela sentiu alguém tocar seu ombro e a voz de Armando apresentando-a àquela mulher, mas não via ninguém, só o abismo à sua frente, e os risos do casal caindo indefinidamente.
A - Beatriz, quero te apresentar à representante da empresa interessada em abrir uma franquia da Ecomoda em Costa Rica: Paula Ruiz.
Betty se viu estendendo a mão ao nada, e Paula apertou sua mão.
A - Vou mostrar o resto das instalações da empresa a ela, gostaria de nos acompanhar?
B - Eu? Não sei...Vamos...Não, não vamos. Vão vocês, eu vou à minha sala, depois os encontro na produção se ainda estiverem lá.
Disse isso e saiu. Armando tinha que ir atrás dela, tinha... Seus olhos se encheram de lágrimas enquanto abria a porta da presidência e entrava.
Armando olhou-a interrogativamente. Betty saíra da sala de Nicolas e não parecia bem. Será que Nicolas havia dito algo? Deus queira que não, mas não havia tempo para averiguar isso naquele momento. Mostrou a direção à Paula e foi com ela até o elevador.
Betty espiou os dois por uma fresta na porta. Assim que eles desceram, ela sentou-se no sofá, e chorou.
Armando demorou bem mais tempo na produção que o previsto. Na realidade ele estava esperando por Betty, mas ela não aparecia e ele ia ficando mais preocupado a cada segundo, até que viu Gutiérrez passando por lá, e chamou-o pedindo para que ele fizesse companhia por um momento a Dra Ruiz que ele resolveria um pequeno contratempo e já voltava.
A - E se o senhor fizer uma gracinha com a Dra, Gutiérrez, é um dentinho a menos na sua boca por cada palavra dita, entendido?
G - Of course, doctor, mas eu sou um cara sério, incapaz de gracinhas.
A - Estamos entendidos, então. E ela já está avisada.
Saiu em direção à presidência e quando chegou lá encontrou Betty deitada no sofá, com os olhos marejados de lágrimas. Correu na direção dela que não teve tempo de se recompor.
A - Meu Deus, mi amor! O que está havendo?
B - Nada, Armando, nada... Onde está a Dra?
Armando foi para limpar suas lágrimas, mas ela se encolheu ao toque dele e essa reação o deixou surpreso.
A - A Dra está lá embaixo. Você disse que ia lá nos encontrar, mas fiquei te esperando e como você não apareceu, vim até aqui ver o que tinha acontecido.
Betty se levantou e foi para longe dele.
B - Então pode voltar para lá, não é bom deixá-la esperando. Você parecia muito animado com ela quando saí da sala de Nicolas.
A - Não foi nada. Estávamos conversando sobre música, é que ela deixou cair um CD do Cole Porter que estava carregando e quando vi o CD começamos a falar disso. Acabo me excedendo quando o assunto é música, você sabe.
B - Entendo tão pouco das músicas de que você gosta...
Armando sorriu. Como pôde ser tão estúpido... Era ciúme que Betty estava sentindo em vê- lo com Paula. Achou aquilo uma graça, Betty sempre lhe pareceu tão segura... Ele que sempre fora o louco... Mas, mesmo assim, não queria que ela ficasse triste por algo tão sem fundamento.
A - Ah, mi amor, não se preocupe com isso... Acontece que nunca conversamos sobre isso, e podemos tirar um dia para escutarmos jazz lá em casa.
Ele foi em sua direção para abraçá-la, mas ela se encolheu outra vez. Aquilo começou a deixá-lo nervoso, tinha vontade de gritar, de pegar Betty a força e fazê-la entender que não havia motivo pra ter ciúme, ainda mais de Paula que, além de ser uma pessoa desconhecida para ele, nunca ocuparia o lugar dela em nenhuma parte da sua mente...
B - É melhor você ir, Armando, não deixe a Dra esperando...
Ela não queria que ele fosse, e queria insistir bastante para que ele insistisse ao contrário e ela pudesse ter certeza de que ele queria ficar com ela.
A - E você, não vai?
B - Não.
Armando olhou-a enternecido. O que podia fazer para acabar com todo aquele ciúme? De toda forma, não podia deixar Paula esperando, era muito importante que ela fechasse logo esse contrato, e ela estava com Gutiérrez...
A - Então, mi amor, assim que eu acabar de mostrar a ela as instalações da empresa, vamos à sala de reuniões fechar o contrato, Sandra está preparando tudo... Eu te aviso quando voltarmos.
Betty olhou-o com os olhos banhados de imensa tristeza.
Armando foi para dar-lhe um selinho, mas ela virou o rosto e ele beijou-lhe o rosto. Ele não sabia se sorria ou se gritava para ela que era a única a quem amava.
A - Eu volto logo para conversarmos.
Ele saiu e Betty pegou o vaso de flores com o intuito de jogá-lo no chão, mas desistiu da idéia no meio do caminho.
Escrito desde Apr 7, 2008, 7:52 PM de la direcci�n IP 189.15.181.122