Armando não conseguia mais articular as palavras de modo que fizessem lógica e a todo momento tinha que voltar atrás para explicar o que disse. Seu corpo saíra da sala de Betty, mas, se o procurassem, era lá mesmo que o encontrariam... Ao lado de Paula, quem estava era um holograma de carne, mal feito.
Betty limpou as lágrimas de seus olhos e respirou fundo. Chorar era o que ela sempre fizera e o que nunca adiantara...se ergueu de suas lágrimas e decidiu fazer algo diferente. Não iria implicar com Armando e nem com Paula, isso não era de sua natureza, mas mostraria a ele o que ela era capaz de fazer, com as armas que tinha. Diante de tudo veria o quanto Armando a queria... Sorriu com as idéias espocando na sua mente e a adrenalina que isso lhe jogou nas veias fez com que ela se arrepiasse. Num impulso, se dirigiu ao banheiro das funcionárias para se recompor e se preparar.
Depois de ter mostrado a empresa à Paula, Armando foi com ela até a sala de reuniões, acomodou-a e chamou Sandra para que lhe servisse alguma coisa. Foi até a sala de Betty para ver como ela estava, se estava melhor... Mas como ela não se encontrava, foi em direção à sala de Nicolas e entrou sem bater. Deu de cara com fotos de mulheres espalhadas pela sala inteira e a vontade que estava de brigar com ele sumira por completo, sendo substituída por uma enorme vontade de rir, pura e simplesmente.
N - Olá, Dr Mendoza! - Disse alegremente, nem parecia o Nicolas de horas atrás.
A - Nicolas, o que você disse a Betty sobre o oráculo? - Disse se sentando na cadeira em frente à de Nicolas.
N - Como assim? Não disse absolutamente nada...
A - Me desculpa, mas alguma coisa você deve ter dito, Betty não é a mesma pessoa desde que saiu daqui.
Nicolas franziu as sobrancelhas, tentando se lembrar de algo.
N - Mas, nada foi dito, sobre nada...
Armando começou a ficar impaciente.
A - Ela viu todas essas figuras, não viu?
Nicolas assentiu.
A - E perguntou de onde veio? O que você disse??
N - Ela não perguntou de onde veio... Só viu a foto de Claudia Helena Vásquez, e me perguntou de onde eu a conhecia...E eu disse que o senhor que tinha me mostrado - disse emitindo sua risada característica - ela até concordou comigo com relação ao seu bom gosto - e voltou a rir.
Armando permaneceu impassível. Se levantou da cadeira dando um soco em Nicolas, mas apertou os olhos e continuava sentado na cadeira, com as mãos pregadas no assento. Descobrira o problema. E Betty estava com ciúme de uma foto...Não podia ser... Rangeu os dentes para que conseguisse dirigir a palavra a Nicolas, e só o fazia porque sabia que ele dissera inocentemente.
A - Obrigado, Nicolas. Mas grava uma coisa somente, tenho bom gosto por amar uma pessoa como a Betty, o resto é idiotice de um playboy que morreu em um acidente de percurso.
E saiu batendo a porta forte, e Nicolas ficou sem entender, voltando às suas fotos logo em seguida.
Ele queria muito falar com Betty, esclarecer isso... Sabia o que era ter ciúme e não queria que ela continuasse com aquele sentimento venenoso. Mas que raio ela estava fazendo que sempre que passava pela presidência encontrava a sala vazia?
A - Aura Maria, onde está Beatriz? - disse alterado.
Aura Maria se voltou para ele encolhida na sua mesa.
AM - Ai, doutor, a Dra Betty está no banheiro...
Armando revirou os olhos.
A - Avise-a que a Dra Ruiz e eu estamos esperando-a na sala de reuniões. E, Sofia, avise Nicolas, me esqueci de falar com ele.
So - Sim, doutor, já falo com ele...
A - Obrigado
E virou-se indo para a sala de reuniões.
Quando Betty saiu do banheiro as meninas roderam-na, porque pressentiam que estava acontecendo algo.
Sa - Que houve, Betty, que você se trancou no banheiro por tanto tempo?
AM - O Seu Armando está louco atrás de você! Disse que está te esperando na sala de reuniões
B - Já estou indo para lá.
Be - E está toda perfumada...hmmmm
So - E toda maquiada...tão linda...
Am - Está querendo fazer uma surpresa para o Seu Armando e aquela biscate que está com ele?
Sa - Porque a gente viu os dois felizes andando por toda a empresa, como se já se conhecessem...
B - Vai lá logo mesmo, menina, e não deixa essa tomar seu homem, não!
Betty não sabia se ria ou se chorava disso tudo. Decidiu não fazer nada por enquanto porque ri melhor quem ri por ultimo, e estava decidida ser a ultima a rir... Foi para a sala de reuniões.
Antes de entrar respirou fundo. A menininha dentro de si saiu do cômodo aonde ela a fechara e balançou a cabeça numa negativa. Sentiu-se ruir. Mas ao abrir a porta e ver Armando e Paula conversando tão próximo, levou a sua menininha gentilmente de volta e trancou-a, segura do que fazia. Atrás de si chegou Gutiérrez, seguido de Nicolas. Sentaram-se. Armando lançou um olhar a Betty como que pedindo para eles conversarem um minuto depois e ela abaixou as vistas, o sangue quase evaporando das veias.
Deu-se inicio à reunião. Paula e Armando falavam do contrato, enquanto Betty analisava os números.
B - Há somente uma coisa que não entendo - diz se esforçando ao máximo para parecer natural - está bem aqui - e colocou o dedo sem dizer o que era - Dr Mendoza, pode se sentar ao meu lado e me explicar de novo? - Seu coração estava quase sacudindo seu corpo.
Armando prontamente obedeceu e explicou, achando estranho ela não ter entendido uma coisa tão simples. Contudo, se deliciou com o convite e com aquela proximidade. A reunião continuou e enquanto ele falava percebia o olhar de Betty despindo sua roupa e queimando-lhe a pele. A cada minuto ficava mais dificil manter o auto-controle, e em dois ou três momentos ele chegou a gaguejar. Não via a hora de ceder sua vez de falar à Paula para que ele pudesse se recompor, e quando o fez, sentia-se suado e sufocado pela gola da camisa.
Entretanto, não parou por aí...Enquanto Paula falava ele sentiu a mão de Betty lhe acariciando a perna por baixo da mesa. Petrificou-se ali sem saber o que fazia. Olhou em volta e ninguém percebia nada, e quando olhou para Betty ela sustentou seu olhar de uma forma tão sensual que uma cena improvável dos dois fazendo amor em cima daquela mesa lhe pulou na mente, arrepiando-o. E Betty subia a mão gradativamente, o que ia deixando-o mais louco e mais longe daquele ambiente, com sua imaginação a 100 por hora numa estrada de curvas perigosas. E o desejo queimava dentro dele impedia-o de fixar-se nos assuntos que eram tratados pelos demais. A força desse desejo sempre o surpreendia e às vezes assustava. Ele tenta desesperadamente controlar seu corpo, mas este não o obedece mais. Sua respiração está acelerada e ele transpira. Olha para os lados novamente, receoso que alguém perceba o estado em que se encontra. Betty, no entanto não tem piedade e continua a acariciá-lo por baixo da mesa, deliciando-se com as reações dele e o esforço que faz para não deixar que os outros percebam.
As pessoas continuam falando de negócios ao redor deles, mas ele ouve apenas sons distantes, que não consegue distinguir. Sua mente não consegue acompanhar a conversa. Olha para Betty e vê o desejo refletido nos olhos dela. Ela também o quer. E isso é evidente. Quando ele pensa que está a ponto de cometer uma loucura, Betty pede licença e diz que precisa de uns minutos para resolver um assunto, retirando-se da sala, lançando-lhe um olhar cheio de segundas intenções. Ele entende perfeitamente o que ela quer. Alguns segundos depois ele também se retira, gaguejando alguma desculpa que a maioria dos presentes não consegue entender e vai atrás dela com o coração galopando e sem conseguir raciocinar direito.
Ele a procura na presidência, mas ela não está lá, irritado, já ia retirando-se para procurá-la em outro lugar quando vê a porta do banheiro aberta. Caminha até lá e a vê. Entra fechando a porta com chave atrás de si. “Agora ela iria saber o quanto era perigoso provocá-lo daquela maneira”, ele pensa. Ela está em pé em frente ao espelho, com a torneira aberta. Molha os dedos e passa-os no pescoço e no colo, como se quisesse apagar o fogo que a consumia. Ele a observa por alguns segundos: ela tem os olhos fechados e os lábios entre abertos. Está linda, corada, com os primeiros botões da blusa abertos. Ela não se manifesta, mas tem plena consciência que ele está ali. Armando então aproxima-se silenciosamente e a abraça por trás, apertando-a contra seu corpo. Ela encosta a cabeça nos seu ombro e suspira, sem abrir os olhos. Sente a excitação dele e enlouquece com os beijos que ele começa a depositar em seu pescoço. Não consegue evitar um gemido quando as mãos dele percorrem seu corpo com urgência.
Lá no fundo uma voz lhe diz que é uma loucura o que estão fazendo. Que são os presidentes de uma grande empresa e não podem se comportar assim, abandonando uma reunião de negócios no meio... Mas ela não quer pensar nisso. Só quer entregar-se as sensações poderosas que as carícias de Armando provocam. Ele já ultrapassara a barreira da roupa e acariciava a pele de seus seios sob o sutiã e Betty já não tinha mais vontade própria, derretendo-se nos braços dele.
Ele a vira de frente para si e se apossa de sua boca devorando-a. Continuando a percorrer o corpo dela com as mãos, acariciando suas pernas por baixo da saia, subindo cada vez mais. Ela então começa a puxar a camisa dele de dentro da calça para poder acariciar seu peito, como ela adora fazer e ele adora que ela faça. Armando a levanta pela cintura e a senta sobre o balcão. Com mãos experientes retira sua meia de seda e a lingerie. Betty o beija no pescoço, no peito e acaricia suas costas. Ele não pode mais se conter e a possui num impulso, movimentando-se alucinadamente dentro de seu corpo. Betty o acompanha agarrando-se aos seus ombros com força, arranhando-os sem perceber. Ela perde a noção de si mesma, já não sabe mais onde está, só tem consciência de Armando e de seu próprio corpo. As sensações vão crescendo, crescendo e ela se sente explodir em mil pedacinhos. Ouve uma voz gritando, mas não se dá conta que é a dela. Armando a beija para calá-la e, sem conter-se mais alcança o êxtase também, sentindo suas pernas fracas, apoiando-se no balcão e em Betty para não cair.
Ele leva algum tempo para retomar o fôlego e quando consegue, olha para ela assustado:
A – O que foi isso, Beatriz? O que aconteceu com você?
Betty por sua vez desata num ataque de riso, escondendo a cabeça em seu ombro e deixando Armando na companhia das interrogações.
Betty ria porque se sentia aliviada da adrenalina que corria por baixo de sua pele desde o momento que decidira fazer aquilo, ria porque havia conseguido deixar Armando louco sem sequer conseguir olhar mais para aquela top model sem tamanho e ria porque fora tudo mais maravilhoso do que ela podia imaginar.
Armando acaricia seu cabelo banhado de suor, sorrindo desse ataque dela.
A - Mi amor, que está passando com você? - ele diz entre um sorriso meigo e um olhar doce.
Betty cola seus lábios nos dele e se beijam ternamente.
B - Eu sei e não sei, mi amor... Só sei que...Fiquei louca e deixei você louco...E foi ótimo...
Armando sorriu.
A - Foi fantástico, mais que isso ainda... - disse beijando-lhe a testa.
B - E você nem prestou atenção em Paula mais... - disse ainda sorrindo.
Armando tomou-lhe o rosto entre as mãos. Queria dizer-lhe tantas coisas... Que ele nunca olhara para outra mulher desde que fizeram amor pela primeira vez, e que ele nunca olharia porque se sentia imensamente satisfeito por estar com ela, porque estava completo e pleno, e só se sentia vazio quando ela estava longe. Mas Betty disse antes que ele pudesse formar as frases na cabeça.
B - Armando, deixamos uma reunião para trás, temos que voltar...
Ele, num susto, a realidade nos olhos como o sol do meio dia, deu espaço para que Betty descesse da pia e eles se arrumaram rapidamente.
A - Vai primeiro, mi amor, eu vou logo em seguida.
Ela assentiu e saiu. Armando aguardou uns momentos e voltou também, de braços dados com as lembranças.
Tanto quando na vez em que Betty e Armando chegaram, todos olharam-nos como duas atrações turísticas do passeio do domingo. Um misto de suspeita e susto rondavam o olhar de todos, e Betty queria sumir se fosse possível, ao passo que Armando mantinha o semblante tão satisfeito que nem parecia que os dois fizeram a mesma coisa.
A reunião correu normalmente depois disso. Os tópicos foram esclarecidos, o contrato assinado e eles se despediram de Paula enquanto os demais saíam da sala de reuniões.
Quando ficaram sozinhos, Armando cerrou a porta atrás de si enquanto Betty colocava o contrato dentro de sua pasta.
A - Beatriz, precisamos conversar.
Betty deixou a pasta arrumada em cima da mesa. Esperava por isso, mas ainda tinha medo dessa conversa.
B - Estou ouvindo.
Ele chegou bem próximo a ela, e passou a mãos pelos seus cabelos.
A - Mi amor, eu te amo tanto que não quero nem que a possibilidade de eu olhar para outra mulher passe pela sua cabeça.
Betty respirou fundo e olhou-o.
B - É que... Eu não tenho nada a ver com o tipo de mulher com quem você sempre sonhou.
A - Não diz isso, por favor. Você é muito mais do que sonhei, e isso é um fato.
B - Eu fiquei louca quando Nicolas me mostrou aquela foto de Claudia Helena Vasquez, dizendo que você tinha um ótimo gosto... Eu me vi e... Sou completamente o oposto...
A - Você tem toda razão, é completamente o oposto de uma foto...
Betty sorriu.
A - É um ser humano, completo, e lindo, em todos os sentidos...O que seu amigo Nicolas esqueceu de dizer é que quando ele me perguntou o meu tipo de mulher ideal, eu disse que não havia conseguido pensar em ninguém que não fosse você, e como ele não aceitou...
Betty riu daquele seu jeito característico.
A - ... Eu disse o tipo que o mauricinho do Armando antigo gostava... Mas, embora tenhamos a mesma face, mi amor, não sou ele, e me sinto satisfeito por não ser... Graças a você... E esse novo Armando é muito feliz porque tem a mulher perfeita pra ele ao seu lado. E todas as outras perto dela são apenas retratos ambulantes na rua...
Betty sorriu. Abraçou-o e se beijaram longamente, carinhosamente, sem pressa de sentirem um ao outro.
Escrito desde Apr 7, 2008, 7:52 PM de la direcci�n IP 189.15.181.122