2° Capítulo

by Angelica

 


Mônica havia se surpreendido com André.Ele foi busca-la pessoalmente em sua casa em um maravilhoso carro.O jantar aconteceu em um excelente clima entre os dois.E a noite terminou com um beijo na porta da casa de Mônica.Ela não queria admitir,mas se sentia como uma verdadeira adolescente.E este havia sido o primeiro de muitos dos encontros que tiveram.Descobriu que André era um homem culto e interessante.Era sempre um prazer estar em sua companhia.E para completar ele era muito bonito.Logo após se conhecerem,começaram a sair juntos.Eles se davam muito bem,apesar de não se verem tanto o quanto gostariam.André trabalhava muito na fazenda e na empresa da família e Mônica estava no meio de um importantíssimo projeto no seu trabalho.

O fato de se darem bem,não impedia que existisse diferenças entre eles.A família de Mônica tinha uma boa situação econômica,mas nada comparada com a família de seu namorado,por isso não era seu costume freqüentar um ambiente social como o dele,onde se julgavam as pessoas pelo o que elas possuíam.Também não estava habituada ao luxo ou ostentação nem aos amigos de André,que também não lhe agradavam por serem muito esnobes.Mais apesar de tudo,a relação deles continuava indo bem e isso deixava a Mônica radiante.


Mônica coçou os olhos,estava cansada e mais uma vez releu o mesmo parágrafo.Era a quinta vez que tentava ler o mesmo parágrafo sem conseguir se concentrar no que ele dizia.Bocejou e ficou olhando para tela do seu computador.

Como se tivesse acabado de acordar,fitou o seu relógio de pulso,com razão estava cansada,eram mais de 21:30.Estava desde de muito cedo trabalhando e não dava mais.O dia não havia sido muito diferente dos outros ao que já estava acostumada,e como já vinha acontecendo a algum tempo foi um dia péssimo e estava com uma terrível dor de cabeça.Havia tomado um remédio a algum tempo que não surtira nenhum efeito,e não tomaria outro pois senão além da dor de cabeça acabaria com uma úlcera no estômago.Assim que decidiu ir para casa.Poderia ter ficado um pouco mais,afinal tinha trabalho de sobra,mas estava claro que seu corpo e sua mente não iriam colaborar em nada.

"Hummm,por hoje chega",disse em voz alta enquanto deixava em cima da mesa o documento amarelado e massageava a nuca.Esticando-se,buscou os sapatos de salto que estavam debaixo da mesa e os colocou com uma careta de dor.Já os havia tirado a algum tempo e recoloca-los era por si só bem doloroso.

Era muito organizada e não iria embora até deixar sua sala devidamente arrumada.Colocou alguns documentos em pastas plásticas,colocou as canetas na gaveta,desligou o computador e apagou as luzes,deixando somente o abajur acesso,e dando um último olhar por sua sala para constatar que tudo estava em ordem,fechou-a.

Os corredores estavam em silêncio,todos já haviam ido embora e se encontravam somente os funcionários da limpeza,que sempre começavam a trabalhar do lado oposto ao de sua sala,pois sabiam que ficava trabalhando até tarde e não queriam atrapalhar.Passou por elas e as cumprimentou de maneira alegre.

- Emília,Rosa,boa noite,até segunda - feira..........

- Senhorita bom final de semana,- lhe disse uma das mulheres- que bom que hoje a senhorita saiu mais cedo.Você trabalha tanto que acabará ficando doente.

- Bom final de semana....!É sexta - feira,-comentou a outra com um sorriso- vá se divertir,vai se encontrar com aquele namorado tão bonito que vinha lhe buscar as vezes?Há muito tempo que não o vemos.

Mônica sentiu uma pontada no coração,havia três meses que não o via mais.

- Shhhh,Rosa,acho que eles brigaram,pois tem bastante tempo que ele não aparece.

- Aaahhhh,me perdoe senhorita,eu tenho a boca muito grande.

- Tudo bem Rosa,bom fim de semana.....

Mônica não se deteve,e deu um sorriso ao escutá-las.Só quando estava dentro do elevador o sorriso se apagou de seus lábios e ela deixou escapar uma lágrima.Não queria pensar no homem que havia destroçado seu coração,não queria pensar nele,não queria pensar em nada.Chegou ao primeiro andar,passou pela porta de entrada e se dirigiu para a garagem.Parecia que todos resolveram se lembrar de André naquele dia,pois até Nazareno o porteiro da noite do prédio perguntou por ele.

- O seu namorado tem que tomar conta melhor de você,olha a hora que esta saindo do trabalho.

- Tinha muitas coisas pendentes.

- E não venha trabalhar amanhã,viu.Relaxe,vá a festas,se esqueça um pouco dos seus papéis,que você ainda é muito jovem e a vida é bela......

- Como se fosse possível,não se esqueça que semana que vem parto para São Pedro,Nazareno.

Todos gostavam de Mônica Agüero.Desde que começou a trabalhar ali,que havia ganhado o respeito dos empregados realizando um trabalho muito eficiente.Tratava a todos igualmente.

Mônica entrou no seu carro e se dirigiu a cidade.O centro estava bem iluminado e cheio de gente."É sexta - feira",pensou,"as pessoas costumam sair para se divertir e para passear nestes dias".

Ela também fazia isso quando estava com ele,durante o pouco tempo que haviam ficado juntos,quando ambos não estavam viajando ou ela trabalhando e ele na fazenda.Agora tudo havia mudado,ela estava sozinha e ele..........

Chegou ao seu apartamento,desceu do carro,e subiu as escadas até o primeiro andar e segui sua rotina diária desde que começou a passar suas noites sozinha.Acendeu as luzes,ligou o rádio,tirou a maquilagem e as roupas e tomou um demorado banho de espuma.

Quando saiu do banheiro,colocou uma blusa velha e confortável e foi até a cozinha para comer algo.Não estava com nenhuma vontade de cozinhar,por isso esquentou o que sobrara do jantar do dia anterior e comeu sentada na cadeira.Depois do jantar,preparou um chá de maçã e foi bebê-lo próxima a janela.

A janela estava iluminada apenas pelas luzes que vinham de dentro da casa e se apoiou na varanda enquanto bebia o chá.Ela adorava ficar olhando as estrelas,era um ritual que fazia todas as noites,um ritual que não havia seguido no tempo em que namorava André.Olhou para o seu e exalou um suspiro,começou a sentir uma terrível angustia no coração e deixando todas as barreiras que possuía durante o dia,para que ninguém notasse o quanto sofria.Começou a chorar.

O homem escondido em meio as sombras olhou outra vez para a mulher loira que estava apoiada contra a varanda deixando escapar um suspiro de exasperação.A viagem havia sido inútil.Já havia procurado em todos os lugares,onde provavelmente ela estaria e esta,sua casa,era sua última esperança.Mas a mulher que aparecia não era a que ele esperava,não era a mulher bela e morena que ele estava buscando.Não era a dona dos lábios sensuais que o deixavam louco,nem a que possuía seus dias e noites com esta paixão enlouquecedora e quase animal.

Pensou que agora que podia vê-la mais de perto,que havia sido muito estranho o que havia sentido ao vê-la pela primeira vez.Não esperava por ela,estava procurando a Aimée,mas ela era quem tinha atendido a porta.Recordou o impacto que ela lhe havia provocado........um estranho sentimento de afinidade,uma conexão intensa,sentir que a conhecia,que já a havia beijado e acariciado seus cabelos loiros e no entanto,nunca a tinha visto antes.

Encolheu os ombros e afastando este pensamento,observou detenidamente a loira,irmã de Aimée,a mulher orgulhosa que tantas vezes Aimée havia criticado.Ela parecida delicada e frágil,com os longos cabelos úmidos sobre as costas e a blusa azul que lhe cobria o corpo.

Do jeito que se encontrava,com a lua iluminando-a,não parecia intimidante.Não parecia a jovem de ferro que sua irmã tanto temia,ainda mais agora que chorava.Ele sentiu um pouco de pena,não gostava de ver nenhuma mulher chorando.Porém não tinha tempo para consolar-la,só podia ficar ali comparando as duas.A mulher que se encontrava na varanda era como uma flor frágil,bela,sim,mas de uma forma tranqüila e sedosa;tão fria,calma,lânguida como fogosa,violenta e apaixonada era sua amada Aimée.

Estava desesperado para encontrar-la,preocupado pois ao voltar de sua viagem só havia encontrado uma carta de despedida.Não podia deixá-lo assim.Não ia admitir isso.Mesmo sem querer ainda trazia marcado entre suas mãos,na sua pele a recordação da última noite passada juntos.

Ela estava em sua casa de praia,em sua cama,sobre ele,completamente estremecida pelo momento de paixão que haviam compartilhado,seus longos cabelos cobrindo a ambos na cama,sua boca sensual inchada por seus beijos, a satisfação estampada em seu olhar e de fundo o som do mar que chegava até eles.

- Você me deixa louco,Aimée.Gosto da sua boca...... do seu corpo,gosto de tudo em você- beijava-a como se jamais fosse se cansar de fazê-lo,mas bruscamente ,se separou dela e mirou-a fixamente antes de perguntar - Porque me deixou esperando?!

- Tive que atender a um amigo de minha irmã.

- Um amigo,........ Por isso você demorou,porque esta com outro

- Ai,João!Não me aperte assim,está me machucando...... Que bobo que você é!- riu satisfeita - Queria ver se ficava com ciúmes,demorei porque tinha algumas coisas para resolver,nada importante e acabou ficando tarde.Além do que tive que esperar um telefonema da minha tia que queria falar comigo.

Perdido em suas recordações,olhou para cima uma vez mais,a loira parecia ter parado de chorar,ao menos seus ombros não balançavam mais,estava quieta,a cabeça entre os braços.Era tarde,Aimée não iria mais para casa,o melhor seria ir embora de uma vez.

Sabia que devia evitá-los,mas por mais que tentava não conseguia esquecer,em sua mente só havia lembranças de Aimée.De como a apertava entre seus braços, da maneira como ela o beijava.De todas as vezes que a havia obrigado-a escapar com ele para a praia,onde faziam amor na areia;em aquela noite de tempestade,onde a paixão de ambos se igualava a tormenta.

Já havia se afastado da casa de Aimée.Estava caminhando sem saber para onde ia.Por Deus essa mulher tinha a capacidade de trazer a tona os seus piores instintos,a amava tanto que havia jurado matá-la se ela ousasse enganá-lo com outro homem.Estava seguro que ela não esqueceria a promessa de suas palavras: Não posso viver sem você!Não entende?Quando penso que você pode estar com outro,me descontrolo.E neste momento gostaria de matar você.....!


Muito longe dali,Aimée estava olhando as estrelas,pela primeira vez entendia o fascínio que elas exerciam em sua irmã Mônica.Mônica........,Às vezes se sentia culpada,não tinha sido uma boa irmã para ela,mas isso já não importava,o que está feito,está feito,sua irmã deveria se virar sozinha.No entanto,o passatempo idiota como Aimée sempre dizia resultou ser muito útil para ela naquela noite.As estrelas podiam fazê-la sonhar,fazer com que ela não se arrependesse das decisões que já havia tomado,de tudo que já havia acontecido.

Passou a mão pela testa,ela não ia viver para sempre na pobreza,não havia nascido para isso.E se para isso teve que sacrificar a sua irmã,já estava feito.Não importava não estar apaixonada,não sentia falta de amor,sentia falta de dinheiro,detestava trabalhar,e não aguentava mais ser mandada por Mônica........

Devia deixar de pensar em João e se concentrar no homem que estava ao seu lado,depois de tudo ele era bonito,milionário e estava completamente louco por ela.Aimée sabia o que fazer para deixá-lo feliz.E no entanto,recordações de outro homem,do qual devia esquecer passavam por sua mente.

- Se lembra como você se aproximou de mim

- Claro,o vi na praia e comecei a olha-lo,você é um homem muito bonito João

- Creio que você fez bem mais do que apenas olhar..... eu acho..... - insinua João,bem-humorado.

- E daí?Os homens não agradecem nada,nos taxam de estéricas,falam que querem mulheres que tome a iniciativa,que sejam livres e decididas e depois ficam jogando na cara......quem entende vocês?

- João do Diabo.....quem te deu esse nome?

- Isso importa?O que é que tem?É uma velha história de família,tenho ancestrais perigosos,meu tataravô eu acho,que era um pirata e o chamavam de João do Diabo.....me chamam assim desde pequeno,meu bisavô me colocou este apelido por recordá-lo.Para mim basta......qualquer coisa para mim esta bom.

- Para você qualquer coisa ruim é boa.Gosto de você por isso.Na verdade,nem sei quem você é.........

- Não precisa saber

- É verdade não mudaria nada entre nós,mas às vezes sinto curiosidade,sabe?,falam muitas coisas sobre você.

- Fofocas de pessoas desocupadas.......

- Aaahhhh,mais quero saber,mais.....vai me falar só de você e de seu tataravô,nada mais?Onde nasceu?Quem foram seus pais?Qual é o seu nome verdadeiro?O que fazia antes de se tornar um capitão de um barco,que ninguém sabe o que transporta e nem de que porto vem,nem a que porto irá?O que voce é agora?Um contrabandista?Voce faz coisas legais ou ilegais?Responda!

- Não pergunte,por que eu não vou lhe responder,comigo nada é certo,sou um anjo e um pecador,ladrão e justiceiro,bom e mau,todos em um.Vivo aqui,sou igual que ao meu barco,meu nome é João.Se não gosta de João do Diabo,pode me chamar somente de João.Além do diabo,só a mim mesmo me pertenço.

- Sabe que as vezes você é muito arrogante?Não,não ria de mim deste modo.É uma risada muito cinistra!Não sei porque gosto de você,não sei porque me aproximo,nem como você conseguiu que eu me apaixonasse por você......

- Foi você quem me deixou apaixonado,querida.Não se lembra?E foi exatamente nesta praia.Você passava com seu minusculo biquini;eu estava chegando a praia com o meu bote.Você parou para me observar........Aposto que você pensou:Bonito animal.E se propôs a adestrar-me........mas não é assim tão facil.....

Aimée se estremece de desejo.Não pode acreditar que esta sentindo outra vez o beijo que faz o seu corpo queimar,as mãos que percorrem o seu corpo,a voz masculina que sussurra em seus ouvidos palavras de amor e desejo.Porém não é a boca ardente de seu antigo amante,que estava beijando-a,não eram as mãos dele que a acariciavam,não é a voz de João que tenta ascender seu corpo........é seu marido,é André Alcázar,o milionário e antigo namorado de Mônica.












Mensagem enviada Jan 31, 2008, 10:07 AM
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