*** Capítulo 7 (completo) do segundo livro de Coração Selvagem (resumo traduzido) ***

by Teca

 
Depois de um longo intervalo, aqui está a continuação do capítulo 7 do segundo livro da trilogia que deu origem à novela Coração Selvagem. A primeira cena deste capítulo é a repetição da parte dele que a Júlia traduziu por último (só percebi que já havia sido traduzido depois que eu já tinha terminado... Que cabeça de vento! haha). Aconselho a releitura dos capítulos anteriores para que vocês relembrem a história e possam continuar acompanhando a seqüência. Por favor, tenham um pouquinho de paciência... pretendo traduzir tudo, mas preciso de um tempo para isso, ou de alguém que queira ajudar.

Coração Selvagem
Caridad Bravo Adams
Resumo

Capítulo 7


Cena 1

Mônica acorda e começa a perceber o ambiente ao seu redor: ela está deitada sobre finos lençóis e travesseiros, e está usando uma camisola branca. Colibri lhe pergunta como ela se sente e então lhe diz para se deitar novamente enquanto ele vai preparar alguma coisa para ela. Mônica ainda não compreendeu onde está, mas logo começa a se lembrar de tudo, inclusive da cerimônia do seu casamento e o que aconteceu depois. O médico se aproxima de sua cama e assim que começa a lhe informar sobre sua saúde, Mônica desmaia com a visão de João na porta.

“O homem cuja presença provocara o desmaio de Mônica se aproxima bem devagar, sereno e triste, e fica imóvel, olhando-a... Agora, sem o rosado da febre, as maçãs do rosto de Mônica são mais brancas que os brancos lençóis que a envolvem... Ele a olha e a acha bonita, extraordinariamente bonita, apesar de seu aspecto frágil, doentio, com uma beleza que a faz parecer mais nova.”

João pergunta ao médico se ela está melhor e, quando o doutor concorda, João lhe pede para deixá-los a sós, mas Mônica pede ao médico que fique. Então João sai em seu lugar. Mônica indaga quanto tempo faz que eles retornaram a São Pedro, mas o médico lhe informa que eles estão em Maria Galante.

M: Então estou só... abandonada?
D: Não creio que “abandono” seja a palavra exata. Seu marido é um homem muito forte e rude como bom marinheiro que é, mas se posso ser franco, direi que pelo menos nos quatro dias em que vocês estiveram em Maria Galante, não poderia ter se portado melhor. Ele transformou no que pode esta pequena cova... e não poupou gastos para proporcionar à senhora as maiores comodidades. Claro que o mais sensato teria sido desembarcá-la... Eu até insinuei ao seu esposo sobre a possibilidade de deixá-la enquanto ele termina sua viagem, mas ele não aceitou e... me parece razoável. Depois de como o vi atendê-la e cuidar da senhora, considero que seria muito duro para ele separar-se da senhora.

Mônica fica desconcertada com a idéia de João cuidando dela. Isso a aterroriza porque ela começa a questionar a razão pela qual João faria uma coisa dessas. Ela tem cada vez mais certeza de que João deve ter consumado o casamento. O médico se apresenta como Alejandro Faber e diz a Mônica que ela pode ver nele um amigo e que ele está disposto a ajudá-la de qualquer forma, já que ela o faz se lembrar de sua filha que morreu anos atrás. Mônica quer implorar por ajuda, mas percebe que não pode sem revelar a verdade sobre as circunstâncias que a levaram até ali. Por isso ela se resigna e pede-lhe que escreva uma carta à mãe dela contando-lhe que ela está viva e bem.

Ao sair, o médico pára para falar com João, e lhe diz que a saúde de Mônica está melhorando:

“— Me alegro muito, doutor — desmentindo o tom seco e cortante, os olhos escuros de João se iluminam. Sentiu como se seu peito se afrouxasse, como se pudesse respirar melhor, mas rejeita aquele alívio que surpreende a ele mesmo...”

Então, João pergunta ao médico – de uma forma muito sarcástica e amarga – se Mônica reclamou com ele ou lhe pediu ajuda. Quando o médico nega, João se sente aliviado novamente. O doutor pergunta a João se ele fez alguma coisa condenável. Quando João lhe responde que ele nunca se condena por nada que faz, o médico faz um comentário bem humorado sobre como está contente porque havia chegado a pensar que João havia raptado Mônica, e descarta a idéia como sendo uma das lendas que se ouve pelas ilhas. O médico pergunta, então, se Mônica é francesa ao que João responde afirmativamente. Quando o médico está para sair, ele timidamente se arrisca a perguntar a João sobre o nome Campo Real que Mônica mencionou. Ele pensa que agora sabe onde ouvira sobre ele e o nome D’Autremont. Então, se lembra de ter ouvido que um Molnar havia se casado com uma D’Autremont. Pergunta seu nome a João ao que este responde “Me chamam de João do Diabo!”

João vai, então, ver se Mônica está acordada. Mônica não diz nada porque está aturdida e amedrontada ante a idéia de pertencer a João. Ele começa a lhe dizer que ela provavelmente não deve ter perdido tempo para contar ao Dr. Faber sobre sua situação e lhe pedir ajuda. Quando ela diz não entender do que ele está falando, João continua a berrar sobre como ela deve ter aliciado a ajuda do médico porque, afinal de contas, ele é da mesma classe que ela. João prossegue dizendo que adoraria ter uma cópia da certidão de casamento deles para mostrar ao médico, teria gostado de ver a expressão de surpresa no rosto dele. João diz, então a Mônica que havia tentado contar a ela antes, quando pediu para falar com ela e ela disse que preferia que o médico ficasse em seu lugar, mas agora ele havia tomado suas precauções e eles continuarão a viagem. João se surpreende ao ver que Mônica não protesta e pergunta se ela não se importa. Mônica lhe pergunta se mudaria alguma coisa em seus planos se ela se importasse. João se aproxima da cama e Mônica estremece. Ele lhe diz para não temê-lo e ela diz que não está com medo porque a pior coisa que ele poderia lhe fazer seria matá-la e isso ela há tempos já lhe vinha implorando que fizesse.

“— Você me toma, como o seu doutor Faber, por um pirata, por um assassino profissional? Mas o que você tem? Por que está chorando?... Não chore... vai lhe fazer mal... Não tem porque chorar nem porque se assustar. Não vai acontecer nada, absolutamente nada. Não basta que eu lhe diga? Se precisar de outro médico mais tarde, você o terá...
— O Dr. Faber era meu amigo... agora não tenho ninguém...
— Não lhe faltam amigos no Luzbel. Enquanto que a mim...
— Não me toque, João!
— Naturalmente que não a toco. Não se preocupe, não tenho nenhum interesse em tocá-la... Fique tranqüila...

Profundamente sentido com a atitude de Mônica, João abandona a cabine, subindo ao convés...”

João dá de cara com Segundo que lhe informa ter visto o Dr. Faber com o chefe de polícia, falando e apontando para o Luzbel. João diz a Segundo que zarparão na mesma hora. Quando Segundo lhe diz algo sobre fugir, João responde que não estão fugindo, mas simplesmente zarpando porque já está na hora de ir.

Cena 2

Dona Catarina acaba de chegar a Campo Real.Quando Catarina sai da carruagem, ela se encontra com Noel e o informa que esteve perguntando sobre o barco de João que não pode ser encontrado em nenhuma parte. Catarina está ansiosa para encontrar com Renato e lhe contar a verdade sobre tudo o que aconteceu. Ela está arrependida de não tê-lo feito antes. Sofia entra e encaminha os dois ao escritório. Catarina insiste em ver Renato. Ela diz que deveria ter falado com ele antes e que agora eles devem salvar Mônica. Sofia concorda que Catarina deveria ter contado a verdade antes, que todos eles mentiram e brincaram com o amor e a honra de Renato. Sofia diz a Catarina que não permitirá que ela continue prejudicando seus esforços e seu filho. Diz que Mônica fez sua escolha, sabendo no que estava se metendo. Catarina nega e diz que ambas haviam pensado que João a deixaria voltar para o convento, mas quando Catarina foi procurá-la ela não estava lá e o barco de João não pode ser encontrado. Sofia culpa Catarina por permitir que João se aproximasse de suas filhas. Sofia diz, então, que prefere pensar que não havia sido culpa de Aimée e sim de João. Quando Noel tenta protestar, dizendo que João amava Aimée e que ficou transtornado por aquele amor, ela o manda se calar. Sofia diz que não permitirá outro erro e que agora ela deve proteger Aimée também porque ela é uma D’Autremont. Então, ela propõe que eles façam o que puderem por Mônica, mas sem o conhecimento ou a intervenção de Renato. Ela manda Catarina de volta a São Pedro esperar por sua chegada para que então ambas possam ir ver o governador.

Cena 3

Dois dias se passaram no mar. Segundo está dizendo a João que logo eles estarão sem provisões. João o manda rumar o norte e diz que ancorarão mais adiante, mas não nos próximos dois dias. Ele não quer que ninguém saiba onde estão.

Cena 4

Mônica acorda e vê Colibri ao seu lado e se enternece. Colibri lhe pergunta se ela está bem, se quer alguma coisa para comer, se ele deve preparar um chá para ela. Mônica aceita o chá e lhe pergunta se ele sabe onde eles estão indo. Colibri lhe conta que estão em alto mar e ninguém sabe onde estão indo exceto João. Quando Mônica está perguntando, João entra e lhe diz que navega aquelas águas há 14 anos. João diz, então, a Colibri que traga uma outra xícara de chá e faz com que saia logo do quarto.

Mônica está novamente tomada pela angústia e pelo medo, mas olha firmemente para João:

“... observando-o com calma, como você mudou... Já não veste suas roupas de cavalheiro; Parece um marinheiro qualquer, uma camisa grossa com listas largas, a calça branca descuidada, o gorro caído para trás e uma mecha de cabelo rebelde aparecendo na frente... Agora, com o rosto barbeado, sem o brilho do álcool nos olhos escuros, parece mais jovem, sua voz não soa encolerizada nem há um tom tão amargo em suas palavras.”

Ele lhe diz que está contente por saber que ela está melhor porque isso evitará que tenham que parar para procurar outro médico. Mônica diz que não entende porque ele se preocupa tanto; bastaria que ele a tivesse deixado morrer. João brinca dizendo que é a primeira vez que ela fala na presença dele. Por que você me atormenta, pergunta Mônica, e João afirma que ele não está tentando atormentá-la, a não ser que sua presença seja um tormento. Mônica lhe pergunta, então, onde estão indo e ele lhe responde que não estão indo a lugar nenhum, que este é o lar deles. Ele pergunta o que ela esperava:

“Como pensava que seria a vida de casada com um marinheiro? Queria que a deixasse no porto? Não, já tive uma experiência e me custou muito caro. Quem deixa uma mulher no porto corre o risco de não encontrá-la, ou de encontrá-la junto a outro.”

Mônica protesta e pergunta se ele ainda não está satisfeito. Ela quer saber por quanto tempo ele pretende continuar com a mentira do casamento. João responde que, pelo que ele sabe, eles estão realmente casados. Mônica tenta se levantar da cama e fugir, mas seus joelhos fraquejam. João a pega e evita que ela caia. Ela facilmente levanta seu frágil corpo e a deita na cama novamente. E então diz a Mônica o que queria lhe dizer antes:

“Eu ia deixá-la em Maria Galante, ia entregá-la ao Dr. Faber para que a levasse de volta à sua casa, aos seus... Era isso o que eu queria dizer, por isso pedi ao doutor que nos deixasse a sós, mas você não quis me escutar. Preferiu falar com ele, fazer um conchavo para me delatar; preferiu me caluniar, me trair, brincar outra vez com os meus sentimentos, com meus estúpidos sentimentos...”

Mônica lhe diz que nunca pediu que o Dr. Faber fizesse nada, somente que escrevesse para sua mãe para assegurar-lhe que Mônica estava viva e bem. João a ajeita na cama, mas seus gestos são contidos, quase doces a o medo e a angústia de Mônica se desvanecem e tudo o que ela quer agora é que ele acredite nela. Mônica diz que está falando a verdade, que nunca mentiu antes, exceto nas circunstâncias sobre as quais ele já sabe. João diz então que ele acredita e que nesse caso ela pagou mais uma vez pela indiscrição de outra pessoa. Mônica o observa saindo:

“Afastou-se com o passo silencioso e elástico de seus pés descalços, e Mônica o olha através de suas lágrimas, abrindo novamente o dique de seu pranto, mas com o horrível nó de seu medo destruído, sentindo que respira, considerando pela primeira vez que o homem que se afasta não é uma fera, não é um bárbaro, não é um selvagem. Afinal bate um coração humano dentro do duro peito de João do Diabo.”

Mônica se levanta e tenta andar, segurando-se na parede. De repente o barco faz um movimento brusco e Mônica perde o equilíbrio. Colibri corre para ajudá-la e ela lhe pergunta o que aconteceu. Colibri a informa de que João assumiu o leme do barco e mudou o curso na direção da costa.Conta que João está feliz, que deu a Segundo todo o tabaco que lhe restava e informou a todos que estão indo para a ilha de Saba atrás de provisões.

“— ... É bonito ver a terra depois de tanto olhar para o mar, não é, minha ama?
— Eu nem cheguei a ver o mar...

Pela escotilha, Mônica fica apreciando o mar e aspira com vontade aquele ar impregnado de salitre e de iodo, sentindo que o sangue corre mais depressa em suas veias, que a vida lhe volta, essa vida que havia sido tão dura para ela, tão cruel, tão amarga, mas à qual sua juventude se agarra com uma estranha força, depois de ter se sentindo agonizar, e profetiza:
— Creio que vou gostar de ver a ilha de Saba.”


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Mensagem enviada Jul 23, 2001, 11:35 PM
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