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Angelica Posted Jan 18, 2008 5:36 PM

Depois de colocar rapidamente uma mecha de cabelo loiro atrás da orelha,olhou pela milésima vez os papéis que estavam a sua frente.Anotou as datas no caderno que se encontrava aberto,depois de comparar las com as informações que lembrava ter guardado no seu computador.Foi uma excelente idéia ter guardado os papéis de seu pai.O que havia encontrado era muito importante para o estudo que estava organizando.Não tinha dúvidas de que em São Pedro encontraria muitas informações valiosas para os Arquivos Nacionais.
Mônica Agüero ficou pensando,conhecia esse povoado,a muitos anos,ela e sua irmã eram adolescentes quando haviam viajado com sua família,algumas vezes.Seu pai era um historiador entusiasta que graças a algumas investigações caseiras,havia construído uma espécie de árvore genealógica e dizia que ainda existiam alguns parentes vivos.Era por isso que haviam se mudado para lá,mas ao chegar foram informados que não havia ninguém com o sobre nome que procuravam,ninguém soube dizer muito sobre essa família e seu pai,que não podia perder muito tempo com isso,abandonou as buscas.
Contudo haviam lhe restado uma caixa de papéis,escrituras e fotos,a recordação de algumas das histórias que ele lhe havia contado e o seu nome.Sim,seu nome,já que ele prevenia de uma história original: ao que tudo indicava um primo de segundo grau de seu tataravô que viveu em São Pedro ,era da nobreza,um conde,esse homem,que morreu jovem e na pobreza havia tido duas filhas.
Não sabia muito da história,apesar de seu pai já ter lhe contado alguma coisa,recordava somente de algumas partes tal qual um conto de fadas,em uma noite de verão.O que não esquecia era da expressão fascinada de seu pai ao lhe contar esta antiga história,com algumas passagens,que ela duvidava que realmente houvesse acontecido.Se tratava de duas mulheres,duas irmãs filhas do conde.Uma se chamava Mônica e a outra Amanda,que por ter seu nome escrito em francês,acabou se chamando Aimée,o que lhe pareceu muito excêntrico.
Porém as coisas não terminavam por ai,ao que parece,como em um drama grego,as duas irmãs haviam se apaixonado pelo mesmo homem,que era um bastardo e também um pirata e para dizer a verdade,Mônica não acreditava nem um pouco nesta história,"Se apaixonar as duas por um pirata,era no mínimo muito curioso",pensava ela.O pirata amava a uma delas,mais ao que parecia se viu obrigado a casar com outra . Não se lembrava de muito,mas o pirata deveria ter morrido,pois as duas acabaram se casando com dois irmãos.
Procurou as anotações que havia feito com o que se lembrava da historia: uma das mulheres tinha morrido jovem e de maneira trágica,em um acidente com um cavalo e a outra deveria ter morrido de velhice,pois desaparecia completamente das anotações de seu pai.Quando era muito jovem seu pai tinha conhecido a história e ficou tão fascinado,que quando teve duas filhas colocou os nomes de Mônica e Aimée.
As vezes Mônica se estremecia só de pensar no velho ditado que dizia que cada um se parecia com o nome que carregava ,pessoalmente não queria tantas complicações em sua vida,se apaixonar perdida mente e pelo homem errado não era para ela.Queria uma vida tranqüila,preferia os homens mais sérios e formais.
Seguiu procurando entre os papéis,sabia que na caixa tinha uma foto antiga das duas irmãs.Quando encontrou,a levantou com cuidado,e no verso da foto,com uma elegante letra feminina,estava escrito "Mônica e Aimée - 1896" examinou a foto com a ajuda de uma lupa.Ali debaixo da luz branca,apareciam as duas mulheres,em uma excelente foto em branco e preto com as bordadas rasgadas.
Desde que tinha visto esta foto,ficou muito impressionada.Não era nenhuma foto digital,claro que não,era uma foto tirada por fotógrafos de rua,e mesmo assim o homem tinha conseguido captar tanto em uma simples foto que não deixava de se surpreender.A foto parecia ter sido tirada em um jardim ou uma praça,pois haviam muitas árvores em volta,talvez houvesse sido tirada em São Pedro mesmo.Para ela foi emocionante saber que se prestasse bastante atenção na imagem,poderia descobrir o local exato onde foi tirada.Aparecia um edifico de pedra atrás delas e um pedaço de pedra redondo que lembrava a uma fonte;era um dia de sol e as roupas das jovens brilhavam e as sombras brincavam com as folhagens de um pântano que aparecia logo atrás.
Não sabia quem era a Mônica e quem era Aimée.eram duas mulheres bem jovens,bonitas e recatadas,vestidas com bonitos trajes cheios de enfeites e adornadas com lindas sombrinhas.Uma era morena,os largos cabelos caindo descuidada mente sobre o peito,os olhos de um tom indefinido,uma boca carnuda em forma de coração e um sorriso impressionante.Parada sobre o papel,exalava força e vital idade.Estava parada de frente como se estivesse desafiando a câmera,uma das mãos na cintura e a outra apoiada na sombrinha,parecia que a qualquer momento ela ia dar um o passo ou dizer alguma palavra.
A outra jovem estava um passo atrás,de lado com um olhar tímido e parecia esboçar um sorriso,mas era mais séria que sua irmã.A sombra de um cálido sorriso curvava seus finos lábios.Diferente da outra mulher,ela era loira e se notava que atrás de seus longos cílios,seus olhos eram bem claros,cruzava suas mãos a frente do corpo segurando com muito recato uma bolsa de mão redonda e um xale.
Mônica ficou observando a foto,não a doaria a nenhum museu,ao menos por enquanto.Não sabia porque,mais gostava muito da foto a pesar de as vezes lhe dar um aperto no peito só de olha-lá.De uma certa maneira lhe recordava muito a ela mesma e a sua irmã.
Guardou a foto e começou a planejar o que faria,deveria comunicar se algumas das famílias da lista que havia escrito para pedir permissão para visitar suas fazendas e ver os documentos que ali eram guardados.Apesar de ser muito extranho que ainda houvesse todo este material sem que alguém tivesse encontrado ainda.
Ela tinha um cargo muito especial: era diretora da sessão investigatória dos arquivos nacionais.E apesar de ainda ser bem jovem para este cargo,ela havia conseguido este posto através de muito empenho,esforço e trabalho.Desde que havia ocupado o cargo,as investigações haviam evoluindo muito,pois agora todas as informações que eram encontradas ,eram passadas para o computador,preservando assim documentos valiosos sobre o passado do país para as futuras gerações sem o risco de que se perdessem.
A primeira coisa que Mônica fez ao chegar na manhã seguinte ao seu escritório,foi separar as informações encontradas na caixa que seu pai havia lhe deixado.Depois fez algumas ligações pessoais.
Na metade da manhã,apertou o botão comunicador e chamou a sua secretária.E lhe deu um papel com vários nomes.
- Mercedes,quero arquive esta lista,temos que conseguir que nos permitam estudar os documentos arquivados em Campo Real....
- Campo Real? Este nome não me é estranho....
- Não está em nossa lista, e não entendo porque a omitiram se ela esta na lista de Patrimônio Cultural.É uma fazenda histórica,o edifício principal foi transformado em museu e possui documentos que jamais foram incluídos em nossas investigações,pode acreditar nisso?!
- É muito extranho,Mônica,geralmente nós não deixamos passar coisas deste tipo.E aonde fica?
- Em São Pedro,sobre a costa.
- São Pedro?! Ah,é claro que conheço,minha família é de lá,meu avô nasceu no local mas veio morar aqui,e tenho um primo que mora ali que possui um restaurante e um pequeno hotel.
- Que coincidência que sua família venha de lá.
- Quase não tenho contato com eles,mas se você quiser posso ligar para eles.
- Talvez eu peça para você fazer isso,afinal lá é um local turístico.
- Sim,agora é.Aquela região é bem peculiar,durante anos ficou a margem dos conflitos,prosperando sem presa,porém sem pausa.
- Se não me engano o local possui lindas praias e hotéis super elegante.
- Sim,o local entrou na lista de construção de grandes complexos hoteleiros,todavia por ordem do governador naquela região não se pode fazer grandes construções,assim que fizeram vários trabalhos de restauração nas casas já existentes para transforma-lá em empreendimentos de luxo,e uma entre elas esta Campo Real,pois uma parte da fazenda foi transformado em um luxuoso hotel chamado "La Hacienda".
- Por isso que me deu a impressão de conhece-lo.
- É um hotel de fama internacional.
- Já me dei conta,Mônica você por acaso terá que viajar para lá?
- Sabe que gosto de fazer isso pessoalmente,portanto provavelmente sim,e se tivesse,você viria comigo?
- Claro que sim,aproveitarei para conhecer os meus parentes que moram por lá.E se São Pedro é tão bonito quanto dizem podemos combinar o trabalho com a praia e....
- Ah,parece a Aimée falando.
- Bom,pelo menos por um tempo você ficará livre dela.
- Minha irmã não me incomoda.
- Sou sua amiga,te conheço,sempre faz coisas que não lhe agradam,começando por convidar pessoas que te pedem dinheiro até cansar por que não ter onde conseguir,é uma abusada,desde que voltou da famosa viagem com sua tia que não faz nada além de se queixar.....
- Está bem,Meche....
- É que ela se aproveita de você,e eu não acho isso certo.
- Ela é minha única família,vamos deixar as coisas como estão,sim?! Agora não é ela que importa,neste momento isto é mais importante.
- Ah,sim a fazenda....
- O material que tem lá deve ser muito interessante.E pelo que conversei com o juiz Romero Vargas não creio que aja qualquer empecilho por parte das famílias que se encontram na lista.Disse que me permitirá ver o material que tem guardado,um tataravô seu foi governador de São Pedro,não é incrível?
- Claro que sim,Mônica temos muita sorte de ter tantos contatos importantes.
- Não conhecia a família Romero Vargas,mas foi fácil me relacionar com eles,este cargo nos abre muitas portas.
- E sua eficiente secretária sabe falar muito bem ao telefone.
- Nisso amiga você é perfeita,e hoje pretendo me aproveitar disso ao máximo.Olha esta lista,o juiz me disse que a família Núñez,a outra família que possui uma coleção de documentos,aceitarão se a família Alcázar aceitar,parece que são parentes.
- E a fazenda Campo Real,a quem pertence?
- A um integrante da família Alcázar.
- Alcázar,Alcázar - repetiu Meche pensativa - Vi o nome desta família aparecer nos registros - Mexeu nos papeis que havia em suas mãos dentro de uma pasta,aqui,uma casa no Distrito Federal,muitas antigüidades e doações,mas com uma coleção bem escassa de papéis interessantes.Não sei porque Campo Real não se encontra na lista,quem sabe a omitimos pensando que lá não havia nada de importante....
- É uma família que foi muito rica e influente.Precisamos da autorização deles para realizar estas pesquisas,por isso ai estão os telefones,e quando conseguir que o senhor Alcázar te atenda você transfere para mim - Mônica estendeu uma lista que Mercedes deu uma olhada rápida.
- Deixa eu ver - Mônica estendeu a mão para pegar o papel novamente - Segundo o juiz Romero Vargas,por uma questão legal,todos precisam dar a autorização portanto você vai falar com quem te atender primeiro,se você reparar os números coincidem entre si,estes,com o de André Alcázar e os outros com o tal de J. Alcázar,acho que são parentes.
- "J" qual será o seu nome....
- Mmmmmm,não sei o nome do tal "J".
- José?, João?, Jeremias?, Júlio? - tentou Mercedes.
- Como vou saber?,tente primeiro com André Alcázar,que já sabemos o nome,se ele não nos atender,tentamos o outro.Tente primeiro nos telefones residenciais e depois nos celulares,temos que conseguir esta permissão.
Em seguida Meche voltou a entrar na sala de Mônica.
- Mônica,você tinha razão,são todos irmãos e primos.Consegui falar com o misterioso senhor "J",ele se chama João de Alcázar,não imagina a voz linda que ele tem,quando ele disse alô,eu fiquei sem respiração,além disso é muito simpático e muito sedutor.....
- Mônica olhou para a sua amiga e secretária com carinho,às vezes era impossível interrompe-la quando começava a falar: - Ao trabalho,Mercedes.
- Está bem,me disse que não era necessário falar com ele,que não tem nenhum problema,me deu o telefone do seu outro irmão Francisco,também já falei com ele e é outro sedutor,sabe?..... está bem,está bem.... - disse diante do olhar sério de Mônica - ambos estavam com pressa,por isso não lhe passei a ligação.... ele também está de acordo ,mas ambos ressaltaram que eu teria que perguntar ao irmão mais novo deles,o André,que neste momento se encontra responsável pela fazenda.E está na linha....
- Você está aqui falando sem parar,e o tem esperando na linha? Mercedes,passa para mim,por favor?
Depois de falar durante quase vinte minutos,Mônica desligou o telefone surpreendida.André Alcázar era muito agradável e não só se mostrou interessado no projeto de revisão dos documentos,como também a convidou para jantar,para que pudessem organizar tudo mais detalhada mente.
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