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O youtube já tem alguns capítulos de CS em português

by Anonymous



Mensagem enviada Dec 9, 2008, 7:11 PM
do endereço IP 201.88.202.42


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Agradeço a pessoa que enviou os vídeos de CS em português, e peço que continue mandando

by Anonymous

Gostaria de ver a novela CS desde os primeiros capítulos em português.

Desde já agradeço

Mensagem enviada Dec 9, 2008, 7:08 PM
do endereço IP 201.88.202.42


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Livro Coração Selvagem(Júlia)

by Débora

Coração selvagem
A Rogue's Heart
Laurie Paige




Resumo
Ele era um belo demônio que entrou sem ser convidado no paraíso de Whitney Thompson.
Ela não sabia seu nome ou a razão pela qual ele vagava pelos campos. Mesmo assim, quando uma forte nevasca caiu, Whitney abriu as portas de sua casa e de seu coração para ele, um completo estranho.
Guiado por lembranças de traição e mágoas, Gabriel Deveraux voltara ao Oregon para limpar seu nome e depois ir embora para sempre. Nada no mundo faria com que ele chamasse àquele lugar frio e infernal de lar, nem um anjo de grandes olhos azuis, que poderia salvá-lo de sua vida sem sentido e tornar a Montanha Rogue um paraíso.



Tudo bem, mãe. Ontem nevou. A montanha? Está linda. Lembra o último Natal que passamos aqui com a vovó? O cenário é aquele, um cartão de Natal. Estou adorando.
Whitney Thompson prendeu o telefone entre a orelha e o ombro, enquanto lia a lista de tarefas do dia. Olhou para uma das paredes parcialmente lixadas da sala de estar e bufou ao lembrar-se de que o sr. Peters ainda não chegara.
Olhou pela janela, para as colinas com os cumes cobertos de neve. Herdara aquela propriedade havia oito anos, da avó materna. A casa da fazenda possuía dez quartos, e Whitney pretendia alugá-los para pessoas que quisessem um lugar barato para passar uns dias, ou talvez para aquelas que desejassem morar num ambiente caseiro.
Ela começou a pensar em nomes para o local, como Pensão Rio Rogue, Pensão Riacho, Pensão da Vovó...
- Você me ouviu?
A voz da mãe trouxe-a de volta do devaneio.
- Oh, desculpe, havia um chiado na linha - Whitney disfarçou. - O que disse?
- Scott foi promovido. Ele é jovem para ser promovido a tenente-coronel.
- Estou feliz por ele.
Scott fora o primeiro candidato a marido de Whitney, que a sra. Thompson escolhera.
Era loiro, tinha olhos azuis e um corpo de Adônis, além de inteligência e bom humor, mas por que Whitney não se apaixonara por ele? Às vezes, ela mesma não entendia. Disse a si mesma que talvez quisesse alguém especial. Reconheceria essa pessoa especial, se ficassem frente a frente? A sra. Thompson acreditara que encontrara o genro quatro vezes, o que fizera com que Whitney fosse cautelosa quanto ao amor.
Apaixonar-se parecia fácil, continuar apaixonada era difícil. Queria um amor que durasse para sempre, como o de seus avós.
- Fomos à Casa Branca ontem à noite, numa recepção para o novo embaixador das Nações Unidas - a sra. Thompson contou.
Seu último marido, o coronel John G. Jones, fora transferido para o Pentágono havia poucos meses.
Whitney murmurava "sei", enquanto a mãe recitava a lista de convidados, incluindo a posição de cada um. Aliviada por estar fora de eventos sociais e políticos, não tinha nenhum interesse em voltar àquele círculo.
Mas a mãe não compreendia, não aceitava sua decisão, e ligava semanalmente para contar a Whitney o que ela estava perdendo, sem ver que essa estratégia não funcionava.

A sra. Thompson terminou de fazer a descrição da recepção.
- Se vier para casa na Páscoa, apresento você a todos os jovens em quem tenha algum interesse - falou.
Whitney olhou para o homem alto entre as árvores. Já encontrara alguém que lhe havia despertado algum interesse.
- Pode vir de avião...
- Obrigada, mãe, mas não posso. E agora tenho que desligar. Cumprimente o general por mim, está bem?
A mãe despediu-se, desapontada. Ao colocar o fone no gancho, Whitney suspirou, aliviada. Por um momento, ficou recordando o passado, quando a mãe tentara insistentemente para que ela se encaixasse no cenário político.
Uma vez, um repórter dissera que conseguiria um emprego para Whitney, depois que ela questionara um senador sobre uma verba destinada a educação que fora desviada. Aquele incidente ocorrera numa festa, na mansão do senador, na Virgínia, o que deixara a sra. Thompson irada, claro.
Whitney riu e olhou ao redor da sala de estar, que exibia paredes escalavradas e nenhuma mobília. Transformar a velha casa em uma bela hospedaria era seu sonho. Por oito anos, trabalhara como analista de comunicações para um membro do congresso, economizando cada centavo de seu salário para mudar-se para aquela casa e começar seu próprio negócio.
Ninguém a impediria de concretizar seu sonho. Voltou a atenção para o homem caminhando entre as árvores. Pegou o binóculo, uma relíquia dos tempos em que observava os pássaros, e ajustou o foco. Conseguiu ver o rosto do estranho com clareza e ficou confusa, pois tinha quase certeza de que o conhecia de algum lugar.
Impossível. Nunca o vira. Mas o sentimento de familiaridade não a abandonou. Havia algo de poderoso e primitivo nele que a atraía. Ela movimentou a cabeça negativamente. O estranho não era nenhum galã de cinema, mas era muito atraente. Ela o imaginou como um caçador solitário, um homem com uma missão a cumprir. Ele tinha olhos e cabelos pretos e uma expressão de seriedade.
De repente, o estranho parou. Whitney ficou gelada e arrepiada. Ele olhou para a casa dela e seguiu em sua direção. Sentindo-se como uma heroína de um filme de Alfred Hitchcock, ela observou-o aproximar-se. Teria o estranho percebido que estava sendo espionado?
Talvez o sol tivesse feito com que as lentes do binóculo brilhassem. Não era possível, pois era de manhã, o sol estava a leste da casa, e o estranho, a oeste. Mas de alguma maneira, ele sabia que ela estava lá.
O estranho pousou o olhar exatamente na janela onde Whitney estava. Ela não ousou mover-se, como se estivesse hipnotizada. De súbito, ele voltou para a fazenda Deveraux. Ele desapareceu num piscar de olhos, como num sonho. Whitney ajustou o binóculo, mas não o viu mais. Colocou o binóculo na prateleira, e um sentimento de desespero dominou-a. Depois de enfiar no bolso da calça jeans a lista do que era preciso ser feito, vestiu a parca e pegou a bolsa. Tinha lugares para ir e pessoas para ver. Não tinha tempo para ficar sonhando.
Lá fora, a neve caía. Whitney seguiu trinta e três quilômetros até a estrada principal e chegou na cidade quinze minutos depois.
- Olá - o sr. Tall cumprimentou-a, quando ela entrou na casa de materiais de construção, em seguida colocou outra tora na lareira e esfregou as mãos. - Aproxime-se, deve estar com frio.
Whitney limpou as botas sujas de neve no capacho e sorriu. Tinha certeza de que era uma das melhores freguesas do sr. Tall por causa da reforma da casa.
- Bom dia - respondeu. - Aqui está tão quentinho! A manhã está muito fria.
- No meu alpendre, às seis horas da manhã, estava abaixo de zero. A estrada para sua casa está livre?
- Está.
Whitney tirou do bolso da calça a lista dos artigos que o sr. Peters dissera que seriam necessários. Riverton tinha apenas uma mercearia, uma farmácia, um correio, um posto de gasolina, uma loja de materiais de construção, um mercadinho, um restaurante e duas lanchonetes.
Havia uma serraria, que era da mesma família havia seis gerações. Os homens da cidade trabalhavam lá, ou tinham pequenos negócios.
O velho sr. Peters era um carpinteiro aposentado, que trabalhava meio período, quando ele e a caminhonete estavam bem.
- Deixe-me ver - o sr. Tall disse, pegando a lista. - Acho que tenho tudo, e você pode levar agora mesmo.
- Que bom - Whitney falou, aproximando-se da lareira. O sr. Tall foi ao depósito, e Whitney passou a conversar com a esposa dele, uma senhora que tinha artrite, mas continuava a tricotar para os netos.
- Teve problemas para vir à cidade? - a sra. Tall perguntou.
- Nenhum.
- Achei que nevou muito, esta madrugada. Não conheço nenhuma mulher que more por aqui sozinha, como você.
Whitney ficou feliz com a preocupação da mulher, mas já tivera muita desaprovação por parte dos pais em relação a seus planos. Trabalhara muito para realizar seu sonho, por isso, ou conseguiria realizá-lo, ou morreria tentando.
- Minha avó morava sozinha - declarou.
- É mesmo. Abigail Thompson era independente. Você se parece com ela, exceto por ser mais alta e mais magra.
Como a avó, Whitney tinha cabelos ruivos, mas Abigail Thompson fora baixinha e gordinha, ao contrário da neta, que não conseguia ganhar peso para ter mais curvas. Contudo, Whitney tinha um rosto bonito e delicado, pernas longas e torneadas, que deixaram muitas amigas de escola com inveja, e grandes olhos azuis.
Sentiu um aperto no peito. Amara a vovó Thompson, adorara visitá-la. A fazenda, a velha casa, os quarenta acres de terra eram recordações fixas na mente de Whitney, enquanto a mãe trocava de marido e de casa como quem trocava de roupa.
- A propósito, você tem visto alguém na velha fazenda Deveraux? - a sra. Tall indagou.
Por alguma razão, Whitney decidiu ser cautelosa quanto ao misterioso estranho.
- Por quê? Alguém a comprou? - perguntou.
- Eu não sei. Um fazendeiro contou que viu as luzes acesas, na semana passada. Tenha cuidado.
Whitney movimentou a cabeça afirmativamente. Recordou que não havia trancado a porta da frente da casa ao sair, porque o sr. Peters podia chegar enquanto ela estava fazendo as compras.
Mas acalmou-se ao convencer-se de que ninguém iria querer o que havia na casa. Os móveis em estilo vitoriano foram divididos entre os membros da família havia anos, e os que ficaram não valiam muito.
Depois de pagar, Whitney foi até a mercearia e ao mercadinho para comprar comida. Em seguida, entrou no restaurante, deliciou-se com o saboroso prato do dia, tomou um cafezinho, então voltou para casa.
Quando parou a caminhonete na frente da casa e desligou o motor, ficou sentada no veículo por alguns minutos, pensando. Onde originalmente devia haver apenas marcas de suas pegadas, havia outras também. Ela ficou arrepiada e olhou aflita para o caminho até o bosque, mas naquela direção a neve estava intacta.
Ao observar as pegadas, concluiu que eram de um homem. Teria sido o estranho misterioso? Whitney sentiu seu coração bater acelerado. Quem estivera ali e por quê?
Mordeu o lábio inferior, enquanto olhava para a porta da frente da casa. As pegadas não ultrapassavam o portão, por isso seja lá quem tivesse estado na propriedade, não poderia ter entrado na casa.
Ela sentiu os lábios secarem e engoliu em seco. Disse a si mesma que não estava com medo, pois havia algo de puro e nobre nos modos do estranho, e as pegadas podiam pertencer ao sr. Peters.
Abriu a porta da caminhonete e desceu. De imediato, soube que não havia ninguém por perto, porque sentia um espírito de solidão e vazio pairando no ar. Sorriu. Tinha um "amigo fantasma", que afastaria a impressão de solidão. Pegou a bolsa, alguns pacotes de compras, e correu para a casa.
- Oh, que inferno!
Whitney colocou o livro de lado e olhou para o fogo na lareira. O vento soprava forte lá fora, balançando os galhos das árvores. Por alguns instantes, ela ficou amedrontada ao ouvir um rangido.
Estava num dos quartos, o que escolhera como seu e também o único aposento habitável na casa, naquele momento. Ali encontrava-se a mobília que trouxera de seu apartamento: cama, mesas, cadeiras, armários, um sofá e poltronas.
O cômodo enorme possuía uma lareira que estava funcionando, a única fonte de calor na casa, exceto pelos chuveiros elétricos. Tanto a lareira, na sala de estar, como o aquecedor, no porão, precisavam de reparos.
Whitney cruzou os braços na frente do peito e estremeceu, quando um cão ou um coiote uivou a distância. Lembrou-se do estranho. Era como se sentisse por perto seu espírito forte, protetor e gentil. Sorriu e fechou os olhos.
Um ruído, mais precisamente um estalido de madeira, fez com que ela abrisse os olhos e olhasse ao redor. Tudo sereno. Levantou-se e aproximou-se da janela. Avistou pegadas que iam da casa até o bosque. Achou que não fossem pegadas, que a luz da varanda e as sombras das árvores e da casa criavam ilusões que ativavam sua imaginação.
- Você está aí fora, estranho? - murmurou. - Está me observando? Pretende me ferir?
Depois de alguns minutos, voltou ao sofá e pegou o livro, em seguida largou-o de novo. Era melhor parar de ter histórias de terror, mesmo que o autor estivesse na lista de best-sellers.
Sentindo-se uma idiota porque provavelmente não havia ninguém lá fora, pegou a camisola, entrou no banheiro e vestiu-se. Antes de ver o estranho, não ter cortinas nas janelas sem venezianas não a preocupara.
Depois de preparar-se para dormir, escovou os cabelos e aninhou-se sob os cobertores. Com a luz apagada, o fogo na lareira produzia sombras no teto. Ela imaginou casais valsando, até que caiu no sono.
Whitney tomou o café da manhã usando luvas, porque a temperatura na cozinha estava muito baixa. Bocejou e riu ao ver a respiração sair de sua boca em forma de fumaça. Se o eletricista não aparecesse, ela começaria a fazer bonecos de vodu. O primeiro boneco representaria o sr. Peters. Ele ligara logo cedo, dizendo que não podia trabalhar porque o ombro doía.
Por que dissera que faria o serviço, se não estava disposto? Ao perceber que estava ficando irritada, ela mudou o rumo dos pensamentos. Foi para a sala de estar e olhou para a parede parcialmente lixada. Decidiu que tiraria o resto da tinta sozinha. Usando uma máscara para proteger o nariz e a boca, começou o trabalho.
No final da tarde, parou para tomar uma xícara de chocolate quente. Ao passar por um espelho, sorriu ao ver como se achava coberta de pó branco. Lavou o rosto e preparou o chocolate. Carregou a xícara para o quarto e telefonou para o eletricista. Por causa da nevasca, ele tivera duas emergências, mas deu certeza de que apareceria na semana seguinte.
Ao desligar o telefone, foi até a janela, com receio de que seu sonho fosse uma fantasia que nunca se realizaria. Olhou a neve cair. Um vulto preto entre as árvores chamou-lhe a atenção.
Aproximou-se do vidro da janela e olhou fixamente para um ponto entre um pinheiro e a cerca. Havia algo ali. Uma pedra? Um tronco de árvore?
Fosse lá o que fosse, estava meio coberto de neve. Whitney, de súbito, lembrou-se do estranho. A última vez em que o vira ele usava calça jeans, botas, parca e chapéu pretos. Pegou o binóculo e focalizou as lentes no objeto que lhe chamara a atenção. Largou-o bruscamente, correu para o quarto e vestiu meias grossas, botas, casaco de lã, o chapéu. Então, pegou um cobertor.
Devia estar louca, para querer sair com aquela tempestade de neve, mas, se o que avistara entre o pinheiro e a cerca fosse um homem, e ele estivesse machucado, não podia deixá-lo exposto ao frio.
A nevasca intensificou-se subitamente, enquanto Whitney cruzava o campo. Ao chegar à cerca, viu que estava quebrada. Após passar pela abertura, ajoelhou-se ao lado do vulto. Era um homem, deitado com uma das faces na neve e as pernas encolhidas. Os braços estavam cruzados, e as mãos embaixo das axilas. A postura indicava que ele se preocupara em manter-se aquecido, depois que caíra ou fora derrubado.
Whitney sentiu um calafrio e olhou ao redor para ter certeza de que estavam sozinhos, em seguida voltou a atenção para o estranho, imóvel, o que a fez pensar que ele estava morto.
Respirou fundo, tirou uma luva e pousou a mão no pescoço dele para ver se havia pulsação. A pele estava gelada. Ela afastou a mão de imediato. Mordeu o lábio inferior e tentou de novo. Conseguiu encontrar a pulsação, mas muito fraca.
Concluindo que ele precisava aquecer-se o mais rápido possível, começou a examiná-lo. Abriu o zíper da parca e passou as mãos nos braços e nas costelas dele, procurando por ossos quebrados. Ele estava sem chapéu, e ela notou sangue na cabeça, mas nada de fraturas.
Ao deslizar as mãos até as pernas e tornozelos dele, notou que o pé estava preso numa velha armadilha para ursos, coberta pela neve, presa por uma corrente num galho caído e com uma pedra em cima. Ralhou consigo mesma por não ter percebido aquilo antes e amaldiçoou os bárbaros caçadores.
Precisava aliviar a pressão no pé dele para que pudesse soltar o tornozelo, que podia estar quebrado. Pensou em mover o galho, nem que fosse alguns centímetros, mas o suficiente para que pudesse soltar a corrente. Tentou pela primeira vez, não conseguiu. Usou o peso de seu corpo e conseguiu movê-lo o suficiente para aliviar a dor que o estranho devia estar sentindo.
Ajoelhou-se ao lado da armadilha e utilizou-se de toda a força para abri-la e soltar o tornozelo do homem. Ele gritou de dor, segurou o pé machucado e fitou-a. Whitney levantou-se de imediato.
- Pode se mexer? - perguntou. - Precisamos entrar.
- Precisamos? Quem?
O estranho olhou ao redor, como se estivesse procurando inimigos. Afetada pelo sentido de alerta dele, ela também olhou em volta, mas não havia nada nem ninguém além deles, das colinas, do vento e da neve.
- Estou sozinha - Whitney declarou. - Se eu e você trabalharmos juntos, chegaremos até minha casa. Olhe, eu trouxe um cobertor. Vou cobri-lo, então iremos para minha casa e pediremos ajuda.
- Não.
CAPÍTULO II

Whitney observou fixamente os olhos pretos do estranho, chocada com tamanha intensidade. Ele parecia ameaçador, perigoso.
- Bem, foi só uma idéia - ela falou, amedrontada. Ele a fitou por alguns instantes, então pareceu relaxar.
- Minha casa fica logo ali - Whitney disse, decidindo que o estranho não podia ser tão mau quanto aparentava. - Conseguirá andar?
- Acho que não. Ajude-me a sentar.
Ela se sentou atrás dele, pegou-o pelas axilas e levantou-o, deixando-o apoiar-se em suas coxas e reclinar a cabeça em sua barriga, enquanto ele olhava ao redor. As atitudes do homem, que parecia esperar que alguém caís-se sobre ele a qualquer instante, deixavam-na nervosa.
- Arraste-me - o estranho ordenou.
- Não pode rastejar?
Ele era um homem grande, tinha ombros largos, pernas musculosas, mais de um metro e oitenta e cinco de altura. Arrastá-lo pela neve seria difícil, sem contar que Whitney tinha receio de machucá-lo ainda mais.
- Não sei - ele respondeu. - Acho que meus pés e minhas pernas congelaram.
- Tudo bem. Deite-se no cobertor.
- Trouxe um cobertor? - ele repetiu e encarou-a. - Procure uns galhos fortes. Podemos fazer um trenó.
Estava notavelmente mais fraco, quando Whitney trouxe os galhos. Após rolá-lo para o improvisado trenó, ela suspirou, pois não teria forças para arrastá-lo.
- Talvez, se eu fosse até em casa e pegasse uns pregos para firmar o cobertor nos galhos, ou trouxesse minha caminhonete até a cerca...
- Não. É... muito perigoso... Pedras e buracos... estão cobertos de neve.
Ele era a pessoa mais negativa que Whitney conhecera.
- Qual é a sua idéia, então? - ela indagou. - Como posso ajudá-lo?
- Vou... rastejar.
- Pegue minhas luvas. Ele franziu a testa.
- Procure... as minhas - pediu com esforço. - Estão por aí.
Whitney notou que, a cada minuto, ele se mostrava mais fraco, hipotérmico, prestes a entrar em choque, porém concluiu que a perna dele não estava quebrada depois de vê-lo movimentá-la. Encontrou um par de luvas perto dos pinheiros e colocou-as nas mãos másculas.
Enquanto se sentia uma inútil, o estranho tentava rastejar, mas a perna esquerda parecia não obedecê-lo.
- Diabos! - ele exclamou, deitando-se na neve. - É inútil.
- Deixe-me tentar puxá-lo.
Whitney comentou consigo mesma que poderia machucá-lo mais, contudo, se não o levasse para casa logo, ele morreria congelado.
O estranho ignorou-a, permanecendo deitado na neve. Ficou imóvel por alguns instantes, o que a fez entrar em pânico, ajoelhar-se ao lado dele e examinar-lhe o pulso. Quando o encontrou, apesar de notá-lo fraco, suspirou, aliviada.
Envolveu-o no cobertor mais uma vez e puxou-o pela neve, pelo mesmo caminho que fizera para chegar até ele. Ao alcançar a cerca, seus braços tremiam. Enquanto passava o estranho por baixo do arame, um pouco de neve caiu em seu pescoço, o que a fez ficar arrepiada.
Estava com frio, e suas mãos e suas faces começavam a ficar entorpecidas. Olhou por sobre o ombro na direção da casa e suspirou, pois o caminho era um aclive. O sr. Peters podia muito bem aparecer agora, pensou. Deixou o misterioso estranho ao lado da cerca e subiu o aclive. Pisou num buraco e caiu, permanecendo deitada alguns segundos para recuperar o fôlego. Disse a si mesma que não podia perder tempo. Levantou-se e seguiu para casa o mais rápido que podia.
Lá dentro, ofegante e com dor nas costas, tirou a parca e o suéter molhados, em seguida despejou chocolate em duas xícaras e colocou-as no microondas para aquecer o liquido.
Correu para o quarto e trocou de roupas. Voltou para a cozinha, pegou as xícaras e as chaves da caminhonete, então, tornou a sair. Guiou o veículo declive abaixo, cuidadosamente, estacionando-o ao lado do estranho. Ele estava deitado no mesmo lugar em que ela o deixara. Whitney abriu as duas portas da caminhonete, sentou-se no chão, ajeitou o estranho contra si, inclinou a cabeça dele contra seu peito e levou-lhe a xícara aos lábios.
Beba isto - falou e, quando não obteve resposta, gritou: Beba!
O estranho abriu os olhos, mas não fez nenhum movimento. Um minuto atrás estivera inconsciente, mas agora mostrava-se alerta. Fitou-a, olhou ao redor e só então relaxou.
Whitney pressionou a xícara contra os lábios dele, forçando-o a tomar um gole.
- Mais - comandou, no momento em que ele reclinou a cabeça em seu peito, fazendo com que os bicos de seus seios ficassem eretos.
O misterioso estranho fechou os olhos, mas estava consciente. Virou a cabeça, roçou-a contra os seios pequenos e redondos e suspirou.
- Beba - Whitney pediu com certa dificuldade, porque uma onda de calor percorria seu corpo, inquietando-a.
Ele franziu a testa, então bebeu todo o chocolate num gole só. Depois, pousou a cabeça entre os seios dela. Talvez ele não esteja tão mal assim, Whitney pensou.
- Agora vem a pior parte - falou. - Tem que entrar na caminhonete.
- Não posso.
- Fique quieto. - Ela ficou de pé e segurou um braço musculoso. - Vamos, levante-se. Ele não se mexeu. Teria desmaiado? Whitney respirou fundo e gritou:
- Vamos, seu gorila! Não consigo carregá-lo sozinha!
- Que mulher rabugenta!
Ela notou que ele mordeu os lábios para conter um grito de dor ao tentar levantar-se, apoiado numa perna só.
- Muito bem - Whitney declarou. - Agora dê um passo. A caminhonete está logo ali. Percebeu que o pé ferido não aguentaria o peso do corpo grande, de modo que ele não poderia dar nenhum passo.
- Vá saltando num pé só - ordenou.
Devagar, com o estranho gemendo de dor a cada pulo, ela conseguiu levá-lo até a caminhonete. Usando suas últimas forças, ajudou-o a sentar-se no banco do passageiro e fechou a porta, antes que ele desmaiasse e caísse para fora.
Tremendo por causa do esforço excessivo, acomodou-se no assento do motorista e pôs o veículo em movimento, levando-o até a porta da frente de sua casa.
- Venha. Não desista agora - encorajou-o ao ajudá-lo descer.
O estranho desmaiou assim que ficou em pé. Whitney cambaleou, mas conseguiu carregá-lo para dentro de casa, o que pareceu levar uma eternidade. No quarto, tirou-lhe as luvas e o casaco e deitou-o na cama. Tirou uma das botas, mas ficou com receio de tirar a do pé machucado antes que o médico o examinasse.
- Fique aqui - disse.
- E aonde... você acha... que eu iria? -Esquiar.
Se o estranho conseguia replicar com cinismo, era porque não estava prestes a morrer. Mais tranqüila, ela foi telefonar para o médico.
- Não há nenhuma ambulância disponível? - repetiu o que ouvira, então ouviu a atendente informar que o hospital mais próximo ficava em Medford. Exclamou: - É mais de uma hora de carro!
-Deixe o número de seu telefone, que pedirei ao médico para ligar para você.
Whitney deu o número, despediu-se e correu para a lareira, que acendeu, antes depegar uma toalha e segura-la perto do fogo. Assim que ficou aquecida, colocou-a no redor do pé ferido do homem.
- Tire minha bota - ele ordenou.
- Não posso. Pode ser perigoso. Estou esperando a ligação do médico.
- Tire!
Whitney inclinou-se sobre ele e tirou-lhe a temperatura. Ele estava frio, apesar dos esforços de ambos para chegarem até a casa.
- Seu tornozelo pode estar quebrado - ela observou. - Posso piorá-lo, tirando a bota.
Sua trança deslizou pelo ombro e pousou sobre o peito dele. O estranho segurou-a com firmeza, chegando a puxá-la.
- Vou perder meu pé, se a circulação não for reativada o mais rápido possível. Tire a bota! - gritou.
Whitney fitou-o e percebeu que ele tinha um hematoma no lado da testa e um ferimento na cabeça, que sangrara, mas o sangue secara. Ele devia ter batido a cabeça numa pedra, quando fora pego pela armadilha e caíra.
Ela ficou temerosa, com os nervos à flor da pele. O homem podia estar com uma hemorragia interna, podia morrer!
- Aguente firme - ela falou. - Você bateu a cabeça em algum lugar.
- Diga... algo... que eu ainda... não saiba. - Ele puxou a trança. - Tire a bota.
- Tudo bem, tudo bem.
Sem muita esperança, Whitney tentou gentilmente tirar-lhe a bota, mas o tornozelo estava muito inchado. Tirou suas próprias botas e sentou-se na cama, cuidadosamente estendendo a perna entre as pernas musculosas, apoiando o pé contra a virilha dele, sem deixar de notar como a temperatura naquele local era quente, o que a fez corar levemente.
- Desculpe - pediu, quando ele ergueu a cabeça do travesseiro e fitou-a. - É que preciso de um lugar de apoio.
Ele ergueu uma sobrancelha, malicioso.
- Um lugar de apoio para puxar sua bota - ela acrescentou, comentando consigo mesma que parecia uma virgem envergonhada no primeiro encontro sexual.
O estranho repousou a cabeça no travesseiro.
- Tudo bem - disse. - Não achei que fosse... me estuprar. - Respirou fundo. - Depressa.
- Poupe suas forças.
Devagar, ela foi girando a bota e sentiu que o couro começava a ceder. Aumentou a força, e seu pé pressionou mais intimamente a virilha do estranho. Quando tirou a bota, olhou-o e viu uma expressão de dor em seu rosto. Em seguida, ele desmaiou. Ela cobriu o corpo poderoso com um lençol e um cobertor, então repousou os pés dele em suas coxas, cobriu-os com seu suéter e aguardou a ligação do médico.
De repente, Whitney despertou e, pasma, percebeu que estava deitada na cama, com o pé do estranho contra sua barriga. O céu estava escuro. Já era noite. Ela devia ter dormido por um bom tempo.
Olhou para o homem. Ele moveu a cabeça e segurou a beirada do cobertor com força. Sua expressão indicava dor, e seus lábios mexiam-se, murmurando alguma coisa, como se ele estivesse delirando.
Whitney deslizou a mão para baixo do suéter e examinou os pés dele. Estavam aquecidos. Ao apalpar cada dedo dos pés, um esquisito sentimento dominou-a, uma mistura de carinho e intimidade. Não sabia o nome do homem deitado em sua cama, mas ele já não era mais um estranho.
- Criamos um vínculo - Whitney murmurou.
De subito, o telefone tocou. Era o doutor Payne, e ela explicou o problema detalhadamente.
- Pode vir agora? - Whitney indagou. - Ou mandar uma ambulância?
- As estradas estão fechadas. Parece que você fez tudo o que era possível.
- Mas ele bateu com a cabeça, acho que teve uma concussão. Precisa de ajuda.
- O ferimento está sangrando?
- Não.
- Apenas o mantenha imóvel e aquecido. Não o deixe apoiar ou fazer força com o pé. Deixe o pé apoiado em travesseiros e aquecido, mas nada de pressionar a pele com os cobertores. Ligue, se algo acontecer. - O médico ditou um número de telefone. - Faça-o beber bastante liquido quente.
Depois de repetir as instruções, ela voltou para o lado da cama e permaneceu ali, pensativa, então, foi até a lareira e pôs mais lenha. De meias, foi à cozinha e voltou com uma lata de café e outra de chá, que colocou sob as cobertas, formando uma tenda sobre os pés dele. Era o melhor que podia fazer no momento.
Subitamente, lembrou que não tinham jantado. Vendo que o homem dormia, decidiu tomar banho, antes de preparar o jantar.
Mais tarde, banhada e usando roupas limpas, foi para a cozinha, preparou uma sopa e levou um prato para o quarto. Sentou-se em sua poltrona favorita e comeu, olhando para seu "paciente".
Ao terminar, deixou o prato de lado e envolveu-se num cobertor. Estendeu os pés sobre uma banqueta e fechou os olhos, embora dissesse a si mesma que não podia dormir, porque tinha de ficar alerta para alimentar o fogo da lareira e cuidar do homem.
Gabriel abriu os olhos e olhou ao redor do aposento, alarmado, mas sem se mexer. Tinha a sensação de que a cabeça ia explodir e sentia fortes dores no pé. Lembrou da dor que sentira, quando prendera o pé na armadilha para ursos e caíra na neve.
Um suspiro alertou-o de que não estava só. Virou a cabeça para a esquerda e viu a mulher que o ajudara, sentada numa poltrona, enrolada num cobertor. Pousou o olhar nos cabelos ruivos e recordou os belos olhos azuis que o faziam lembrar os mares da Irlanda.
Observara-a espionando-o com um binóculo, não tinha certeza quando, assim como não tinha certeza do tempo em que estava naquela casa. Uma dor na cabeça lembrou-o de que a batera numa tora, quando caíra. Tudo por causa de uma coruja. Fora estupidez. Assustara-se com luzes na estrada e quisera esconder-se, mas uma coruja assustara-o, ele se esquivara, perdera o equilíbrio e prendera o pé na armadilha. Depois da queda, só escuridão, frio, dor. Precisara de ajuda, mas em quem confiaria?
Whitney suspirou. Gabriel observou-a dormir. Ela aparecera no meio da tempestade de neve, aquecera-o, livrara-o da dor. Ele chegara a pensar que era uma alucinação. Ela o fizera levantar, fizera com que seu pé doesse, gritara com ele, empurrara-o, até que fizesse o que ela queria. E, se a obedecera, fora porque desejava dormir. A mulher movimentou-se, bocejou, espreguiçou-se e abriu os olhos, mas, por alguns segundos, pareceu não recordar onde estava. Contudo, ao perceber que estava sendo observada, abriu um sorriso.
Aquele sorriso deixou Gabriel desnorteado. Ele não conseguia lembrar a última vez em que alguém o olhara daquela maneira, se isso acontecera, um dia.
Lembrou-se da mãe de descendência indígena, olhos e cabelos pretos, que o amara muito, mas morrera, deixando-o, ainda pequeno, com o pai, um homem que raramente sorria e falava muito pouco.
- Oh, você acordou - a estranha disse. - Deve estar com fome.
Levantou-se da cadeira, jogou mais lenha na lareira e saiu do aposento. Gabriel sentiu-se só, mas, quando ela voltou, ele ficou aliviado, embora achasse que depender tanto de alguém não era prudente. Aprendera aquela lição aos dezesseis anos de idade, em sua própria casa. - Você precisa comer - ela observou. - O médico recomendou que tomasse muito líquido quente.
Pousou a bandeja com o prato de sopa no criado-mudo ao lado da cama, então ajudou Gabriel a sentar-se, para depois acomodar-se ao lado dele. Pegou o prato, a colher, e começou a alimentá-lo.
Surpreendendo a si mesmo, ele não fez nenhuma objeção. Comeu a sopa de tomates que ela lhe oferecia, como se fosse um bebê sendo alimentado pela mãe.
- Você está febril - a mulher contou, pousando a mão na testa dele após o término da refeição e mostrando-se preocupada. - Beba isto. É um chá de ervas. Nada de cafeína. Sua cabeça ainda dói?
Gabriel moveu a cabeça afirmativamente e arrependeu-se no mesmo instante, pois a dor piorou. Para agradá-la, tomou o chá, mesmo detestando aquele tipo de bebida. Detestava toda aquela situação, mas no dia seguinte daria um jeito de livrar-se.
Sem pensar, tocou o queixo dela e disse a si mesmo que tinha de beijar aqueles lábios sedutores. Deslizou o dedo indicador por eles, desejando ter força suficiente para abraçar a mulher e beijá-la. Percebeu que ela desejava isso também, o que o surpreendeu. Deixou a mão cair na coxa bem torneada, afagando-a.
- Linda... - murmurou.
De súbito, alarmou-se. Não podia perder tempo sonhando, pois tinha um trabalho a fazer: descobrir quem estava usando sua fazenda para estocar mercadorias roubadas. Daquela vez não seria falsamente acusado de fazer parte de um bando de ladrões, como acontecera quando tinha dezesseis anos.
Sua salvadora saiu do aposento carregando a bandeja, e Gabriel olhou para as janelas, notando que não havia cortinas que oferecessem privacidade. Aquilo o deixou inquieto.
A noite podia esconder muitos olhos curiosos. Quando ela voltou, trazia um bule.
- Quer mais chá? - indagou.
- Quero, mas, primeiro, onde fica o banheiro? Ela se mostrou alarmada.
- Você não pode levantar - declarou.
- Preciso ir ao banheiro.
Ele tirou o cobertor e, ao ver que estava vestido, compreendeu por que se sentia desconfortável: tinha o costume de dormir nu.
- O médico proibiu-o de sair da cama - a mulher disse, aproximando-se dele como um anjo da guarda.
- Preciso ir ao banheiro - ele repetiu.
- Espere um pouco.
Gabriel observou o balanço sensual dos quadris arredondados, ao vê-la sair do aposento mais uma vez. Ela voltou logo, trazendo uma garrafa.
- Tome. Use isto.
Ele imediatamente percebeu para que serviria a garrafa. Pegou-a, e a linda ruiva saiu do quarto como uma gazela assustada. Ele refletiu sobre aquilo, enquanto fazia o que estava com vontade de fazer.
Ela parecia estar perto dos trinta anos, mas mesmo assim ficava agitada ao menor sinal de intimidade. Gabriel não sabia se a definia como tímida ou inexperiente, o que era difícil de acreditar, nos dias atuais.
Colocou a garrafa no chão ao lado da cama. Em seus trinta e dois anos, ele se machucara muitas vezes e passara por tantos hospitais que já não tinha mais vergonha das funções do corpo humano.
- Pronto! - gritou.
Whitney voltou, evitando olhá-lo nos olhos, pegou a garrafa e saiu. Gabriel estava sonolento quando ela retornou, minutos depois.
- Sente aqui - pediu.
- Como está sua cabeça?
- Dói muito.
Ela passou a mão na testa dele.
- Tem sangue nos cabelos - comentou. - Também levou uns arranhões. Lembra de ter batido com a cabeça ao cair?
- Não.
Gabriel não queria conversar a respeito. Em sua opinião, se um homem respondia a uma pergunta, as mulheres tinham mais doze para fazer. Quanto menos falasse, melhor.
Passou a mão na trança dela.
- Tem belos cabelos - declarou. Ela corou.
- Obrigada - agradeceu. - Acho-os vermelhos demais. Os de minha avó paterna eram mais bonitos.
Estava sendo modesta, ou não tinha idéia de quanto era atraente? Gabriel fitou-a de cima a baixo, notando que ela era esbelta, tinha seios pequenos e curvas suaves.
- Obrigado por ter me ajudado - agradeceu.
- De nada.
- Você salvou minha vida.
Ela o fitou, então desviou o olhar.
- Você precisa dormir. Já passa de meia-noite.
- Vá dormir também.
Ela colocou mais lenha na lareira. Depois, sentou-se na poltrona e envolveu-se no cobertor.
- Deite-se numa cama - ele falou.
- Bem... quem sabe, mais tarde.
Gabriel refletiu que devia haver apenas a cama que estava ocupando. Fora idiotice não ter percebido aquilo antes.
- Pode dormir aqui - sugeriu.
Viu-a arregalar os olhos. Teria sido criada num convento? Ele tentou sorrir para mostrar que era inofensivo e levou a mão à cabeça.
- Só não se mexa muito. Minha cabeça parece que vai explodir - brincou. Whitney sorriu.
- Sei que é uma desculpa esfarrapada - continuou, zombeteiro -, mas neste caso é a pura verdade.
- Às vezes eu falo, enquanto durmo.
- Conversarei com você. Venha. Não vou conseguir dormir, a menos que você descanse também.
Gabriel viu-a relutar.
- Preciso manter a lareira acesa - ela comentou.
Ele ficou desapontado, mas aceitou-lhe a decisão. Fechou os olhos. Algum tempo depois, sentindo a cama balançar, os cobertores agitarem-se, suspirou, satisfeito.
CAPÍTULO III

Whitney permaneceu em silêncio, enquanto o dr. Payne examinava o paciente. Ficou tensa ao notar a expressão preocupada do médico, quando ele passou as hábeis mãos na cabeça ferida.
- Concussão? - indagou, achando que o dr. Payne chamaria a ambulância.
De súbito, percebeu que não queria que o estranho fosse embora. Não fantasie, ralhou consigo mesma. O que sabe a respeito desse homem? Se quer construir uma pensão, deve manter os dois pés no chão. .
- Alguém acertou-o com algum objeto na cabeça? - o dr. Payne perguntou.
Ela ficou alarmada.
- Não sei. Acho que ele bateu a cabeça numa pedra. Olhou para o corpo másculo estendido em sua cama. Sem saber ao certo por que, recordou que dormira ao lado dele naquela mesma cama.
- Há farpas de madeira cravadas na pele - o dr. Payne informou. - Parece que foi atingido com um pau. Foi sorte não ter morrido.
- Encontrei-o deitado na neve, com o pé preso numa armadilha, e achei que ele tivesse...
Whitney parou de falar ao tomar consciência do que o médico acabara de dizer. Alguém quisera matar o estranho?
Gabriel não se mexeu até que o dr. Payne passou as mãos em seu tornozelo ferido. Então, abriu os olhos e, ao ver o médico, relaxou e fitou Whitney, mais exatamente os lábios dela.
- Gabriel Deveraux? - o médico indagou. Whitney conhecia aquele nome. Lembrou que estava visitando a avó, quando o dono da fazenda Deveraux morrera, havia uns doze anos. No dia do enterro, quando explorava os arredores, acabara encontrando o pequeno cemitério daquela família, numa das colinas. Um jovem estava ao lado da sepultura fechada recentemente, com uma expressão de tristeza tão grande que tocara o coração de Whitney.
Quando ele a vira, estreitara os olhos, e sua expressão passara de tristeza para raiva. Ao perceber que ele vinha em sua direção, Whitney fugira, notando que invadira uma propriedade particular.
Mais tarde, naquele mesmo dia, a avó contara que o rapaz, Gabriel, não se entendia muito bem com o pai, o velho que falecera, e que fugira de casa aos dezesseis anos de idade. "Fez muitas bobagens, esteve envolvido com ladrões, foi preso, mas libertado, por falta de provas", contara.
Whitney pensou no adolescente que fugira de um lar infeliz, imaginou-o voltando para enterrar o pai, com sentimentos confusos de raiva e tristeza. Perguntou-se que tipo de vida ele levara desde então, sozinho.
- Se alguém tentou matá-lo, talvez seja melhor chamarmos o xerife - sugeriu.
- Não - Gabriel manifestou-se. Ela o encarou.
- Mas se alguém está tentando matá-lo...
- Eles não estão tentando me matar. Foi burrice minha. Entrei na casa da fazenda, mesmo sabendo que está prestes a desabar, e uma trave caiu em minha cabeça.
Whitney ia repreendê-lo, mas comentou consigo mesma que talvez ele quisera explorar a velha casa para reviver momentos de felicidade.
- E a armadilha? - questionou. - Como...
- Quando me machuquei, sabia que precisava de ajuda, e sua casa é a mais próxima. Estava vindo para cá.
- Muitos arranhões, mas nada demais - o dr. Payne declarou, examinando o pé do paciente. - Vamos tirar as roupas dele.
O coração de Whitney bateu acelerado, quando ela viu o médico desabotoar e abrir o zíper da calça jeans de Gabriel.
- Eu o levanto, você puxa a calça - o dr. Payne instruiu, erguendo os quadris de Gabriel.
Ela ficou excitada, percebendo que queria conhecer Gabriel por inteiro, pele, músculos, mente, coração e alma. Hesitou por alguns segundos, então preparou-se para fazer o que o médico pediu.
- Não.
A voz áspera de Gabriel fez com que Whitney se afastasse. Ele mesmo ergueu os quadris, e o dr. Payne tirou-lhe a calça. Ela ficou encantada com a perfeição das pernas musculosas.
Gabriel fitou-a com um brilho intenso no olhar. Whitney sentiu uma onda de calor percorrer seu corpo. Murmurou uma desculpa e correu para a cozinha para preparar café.
Preocupava-se com aquela inexplicável obsessão por Gabriel Deveraux, descendente de franceses, comerciantes de peles de animais, de índios americanos e colonizadores irlandeses.
Quando voltou para o quarto, viu o médico tirar o suéter de lã de Gabriel, deixando-o apenas com uma camiseta branca.
- Coloquei um travesseiro sob o pé dele, para que o tornozelo ferido fique elevado, e também providenciei uma tala para deixá-lo imóvel - o dr. Payne informou. - Tem um par de meias para emprestar?
- Tenho - Whitney respondeu.
- Foi muito bom você não ter mexido no pé dele, porque poderia ter piorado o ferimento.
- Minhas aulas de primeiros-socorros foram muito úteis.
- Pode ficar com ele uns dias?
- Não será necessário - Gabriel protestou. Whitney colocou mais lenha na lareira, ainda sentindo-se confusa com os sentimentos que Gabriel despertava nela e, ao mesmo tempo, magoada por ele se recusar a ficar.
- Há alguém que possa cuidar de você? - o dr. Payne indagou.
Silêncio.
- Seria incômodo tê-lo aqui por uns tempos? - o médico perguntou a Whitney. - Não há necessidade de ele ficar no hospital, e sua casa é bem acessível para mim.
- Por mim não há nenhum problema - ela respondeu.
- Não vou ficar aqui - Gabriel declarou.
Ele e Whitney encararam-se desafiadoramente.
- Bem, podemos mandá-lo para o hospital - o dr. Payne falou.
- Não - Gabriel disse, olhando-o com ar de teimosia.
- Então, acho que terá de ficar aqui.
- Tenho um quarto, na estação de esqui - Gabriel insistiu, passando a mão na testa.
Whitney estremeceu ao observá-lo, percebendo que até falar causava-lhe dor, o que fez com que a mágoa que sentia se transformasse em piedade. O dr. Payne franziu a testa.
- Não poderá ficar sozinho nos próximos três dias - informou. Gabriel fitou a ruiva. Não conseguia deixar de olhá-la desde que a vira pela primeira vez, entrando na velha casa vitoriana da fazenda que herdara havia alguns anos.
Fechou os olhos ao sentir dor, daquela vez causada pelo unguento que o médico passava em sua cabeça, mas estava ciente de que aquele desconforto não era nada. Tinha sorte de estar vivo.
A voz doce da mulher que o salvara penetrou em sua mente, quando ela fez uma pergunta ao médico. Quando se ferira, ele a chamara em pensamento, e ela fora ajudá-lo, levara-o para casa, aquecera-o, dera-lhe conforto.
Soltou um gemido, quando a cabeça doeu mais uma vez. Levou as mãos à testa, como se quisesse acabar com aquela tortura. Mãos delicadas e macias pousaram sobre as suas. Ele reconheceu de quem eram e relaxou.
Focalizou a atenção na ruiva, que lhe afagou as mãos, enquanto o médico terminava de cuidar do ferimento. As mãos dela eram macias e gentis, pequenas, se comparadas com as dele, tinham um toque agradável. Ele comentou consigo mesmo que ela devia ser uma amante perfeita. Pegou-lhe as mãos, levou-as à boca e beijou cada dedo.
Ela enrubesceu, e só então Gabriel recordou que havia mais alguém no aposento.
- Desculpe - pediu, dizendo a si mesmo para ter mais cuidado.
- O ferimento vai deixar uma pequena cicatriz - o médico disse, enquanto guardava seus instrumentos. - Vou passar aqui à noite para ver como ele está. Estas pílulas são para amenizar a dor. Dê os antibióticos de quatro em quatro horas. Tente mantê-lo calmo e na cama, por três dias.
- Pode deixar - ela prometeu.
- Muito bem.
Gabriel queria que o médico saísse dali logo, pois desejava ficar sozinho com a ruiva. Podia estar com um ferimento na cabeça, mas não estava morto. Já agradecera por ter sido salvo?
- Obrigado - murmurou.
- Há muita vida nesse homem, por isso não se preocupe muito com ele - o dr. Payne brincou.
- Obrigada por ter vindo - ela agradeceu.
Gabriel não conseguia manter os olhos abertos. Ia desmaiar de novo, mas não queria. Viu a ruiva e o médico saírem e ressentiu-se por ela deixá-lo.
- Quanto a ficar exposto ao frio, acho que não haverá nenhum problema, exceto que a pele dos dedos ficará escura e depois descascará - o dr. Payne disse.
Gabriel não conseguiu ouvir mais nada do que os dois diziam, falando dele como de uma criança, não um homem de trinta e dois anos. Suspirou e fechou os olhos. A dor parecia estar sumindo vagarosamente. O médico aplicara alguma injeção? Qual era o nome da ruiva?
Whitney acabou de lixar uma parede, achando que merecia um banho. Estava coberta de pó branco, dos pés à cabeça. Pegou o relógio de pulso, que colocara num bolso, e olhou-o. Era quase hora do jantar. Preparara sopa de legumes, pois Gabriel recusara a sopa de tomates, no almoço.
Ele se levantara muitas vezes durante a tarde, sempre assegurando, de modo irritante, que estava bem. Era resmungão e teimoso.
Pé ante pé, Whitney foi até o quarto para pegar o pijama de flanela. Antes de ir para o banheiro, olhou para o homem dormindo em sua cama. Viu que ele tinha se livrado de um cobertor, mas parecia dormir tranquilamente.
Tomou um banho bem quente, depois vestiu o pijama e enrolou os cabelos numa toalha. Sorriu ao se ver no espelho. Com o pijama abotoado até o pescoço, parecia uma velha solteirona. Desabotoou os dois primeiros botões, então o terceiro. Agora parecia uma solteirona distraída. Voltou a fechar os botões. Calçou os chinelos e saiu do banheiro.
Antes de entrar na cozinha, passou pelo quarto. Gabriel continuava dormindo. Bastou olhá-lo para que seu coração batesse acelerado. Nenhum outro homem fora capaz de despertar os sentimentos que ela estava experimentando naquele momento.
Após colocar a sopa no fogo para esquentar, voltou ao banheiro para secar os cabelos. Estava quase terminando, quando ouviu um barulho e, em seguida, gemidos tão altos que a assustaram.
- Oh, não! - exclamou, largando o secador e correndo para o quarto, certa de que Gabriel caíra da cama.
Quase acertou. Ele estava apoiado na cama, e a cadeira que ficava ao lado caíra no chão.
- O que está fazendo?! - ela exclamou, furiosa, mas aliviada por ele não ter se machucado ainda mais. - Ficou louco?
Envolveu a cintura dele com um braço e tentou recolocá-lo na cama. Ele não se mexeu.
- Você precisa voltar para a cama - ela falou.
- Preciso ir ao banheiro.
- Por favor, volte para a cama. Vou lhe trazer... uma garrafa.
- Não. Banheiro - Gabriel insistiu, passando um braço pelos ombros dela e empurrando-a na direção da porta.
- Por favor, me escute, se você cair...
- Quanto antes chegarmos ao banheiro, melhor.
- Tudo bem, vamos. E não me culpe, se cair e bater essa sua cabeça dura.
Passo a passo, cruzaram o quarto, andaram pelo corredor e chegaram ao banheiro. Ela hesitou, sem saber ao certo o que fazer.
- Fora! - Gabriel ordenou, apoiando uma das mãos na parede e a outra na pia.
- Eu... Talvez seja melhor... que eu fique.
- Não sou um bebê. Não preciso de ajuda. - Gabriel arrependeu-se imediatamente da brusquidão de sua voz, mas detestava parecer fraco. - Saia, por favor.
Com movimentos calculados, fez menção de baixar a cueca samba-canção. Whitney arregalou os olhos e saiu, fechando a porta.
Ele se sentou no vaso. Olhou para o boxe e imaginou a linda mulher tomando banho, com os cabelos molhados, deslizando o sabonete pelo corpo sensual...
Ele também precisava de um banho, que o animaria e tiraria aquela horrível sensação de sujeira. Tirou a camiseta, a cueca, as meias, a tala e a faixa. Com grande esforço, entrou no boxe e abriu o chuveiro. Passava xampu nos cabelos, quando a cortina do boxe correu para um lado. Abriu os olhos e teve uma grata surpresa.
- Não acredito! - a ruiva exclamou.
Gabriel notou, satisfeito, que ela não ficara vermelha. Na verdade, os olhos azuis fitaram-no de cima a baixo, como se ela não conseguisse decidir qual parte tocaria primeiro. Ele não tinha idéia de que era tão atraente fisicamente, contudo, deixando a modéstia de lado, reconheceu que tinha um corpo bem esculpido, que as mulheres pareciam apreciar.
- Seu idiota!
Gabriel pestanejou, mudo.
- O que está tentando fazer? - ela vociferou. - Quer se matar?
Estava irada. Gabriel olhou ao redor para ver se deixara alguma coisa fora do lugar. As mulheres detestavam desordem no banheiro. A que o acolhera aos dezesseis anos de idade ensinara-lhe, entre outras coisas, algumas regras, instruindo-o sobre certas manias femininas.
- Estou tentando tomar banho - ele respondeu.
- Tire esse xampu da cabeça. Esqueceu o ferimento? E se eu conseguir levá-lo de volta para a cama, sem nenhum outro ferimento além dos que já tem, vou matá-lo. Ela puxou um banquinho para perto do boxe, sentou-se e forçou Gabriel a colocar a cabeça debaixo do jato do chuveiro.
- Ei, se quer tomar banho comigo, é só dizer - ele brincou, enlaçando-a pela cintura.
- Está me molhando! - ela protestou veementemente.
- Calma, enfermeira, não sabe que minha cabeça dói? - ele reclamou.
Levou as duas mãos às orelhas, enquanto Whitney continuava a repreendê-lo. Mulheres! Nunca se sabe o que elas querem, comentou consigo mesmo.
- Louco! - ela esbravejou e chamou-o de outros nomes, sem que ele soubesse por quê.
- Chega! Não vou permitir que uma ruiva desbocada, mal-humorada e de pijama de flanela fique gritando comigo!
Notou como o tecido molhado colara nos seios, delineando os contornos perfeitos.
- Você é linda - murmurou, afagando os seios redondos, enquanto fechava os olhos e encostava-se na parede, adorando aquele momento de puro prazer.
- Oh, pelo amor de Deus! - ela gritou, afastando as mãos dele. - Fique quieto. Vou tentar tirá-lo daqui antes que caia. E não se atreva a desmaiar!
- De jeito nenhum.
Gabriel estava feliz, e fazia muito tempo que não se sentia assim. A ruiva resmungou um pouco mais, mas suas mãos faziam movimentos gentis, enquanto ela tirava-lhe o xampu dos cabelos.
- Erga o braço - ordenou.
Esfregou-o todo, o rosto, o pescoço, o peito, as costas, as pernas e os pés. Quando a melhor parte estava para começar, ela se levantou, fechou a cortina e mandou-o apressar-se.
Gabriel ficou descontente por ela ter abandonado o serviço pela metade. Afinal, era um homem ferido, que precisava de cuidados. Terminou o banho e, ao abrir a cortina, viu-a de roupão e com uma enorme toalha nas mãos para secá-lo.
- Pronto - ela murmurou, aliviada, após enxugá-lo e enrolar-lhe a toalha ao redor da cintura.
Gabriel ficou preocupado quanto ao seu desempenho sexual com as dores de cabeça que vinha sentindo. Decidiu deixar para fazerem amor outro dia, pois não queria desapontá-la.
- A sopa está pronta - ela anunciou, guiando-o de volta à cama.
Para Gabriel, ainda era impossível apoiar o tornozelo machucado no chão. O médico falara que o frio fora o que provavelmente impedira que os ferimentos ficassem piores. A mulher ajudou-o a acomodar-se, colocou a tala para manter o pé imóvel e cobriu-o com um cobertor.
- Não estou com fome - Gabriel declarou.
Ela o ajudou a vestir uma camiseta enorme, que devia usar como camisola.
- Mas vai comer.
Esse anjo vai me tornar humano, ele pensou. O carinho, o modo como me olha, fazendo-me desejá-la cada vez mais, a preocupação comigo, fazem com que eu me sinta estranho. Talvez isso não me faça nada bem.
Viu-a sair e voltar com um prato de sopa numa bandeja. Ela se sentou na cama e obrigou-o a comer.
- Obrigado, Irlandesa - Gabriel agradeceu, assim que terminou a refeição. Ela lhe deu um copo de água e duas pílulas.
- "Obrigado", pelo quê? - indagou.
- Pelo jantar. A sopa estava deliciosa. Foi você quem fez?
- Foi. Como me chamou?
- Irlandesa.
- Por quê?
- Seus olhos são tão profundamente azuis como o mar que cerca a costa da Irlanda. Gabriel fitou-os por alguns instantes, então lembrou-se de que tinha um trabalho a fazer e que, depois do trabalho terminado, venderia a fazenda, apagaria da mente as péssimas recordações e sairia daquela região para sempre.
Olhou ao redor do aposento, concluiu que a ruiva estava reformando a casa, e que o próximo passo seria encontrar alguém com quem dividi-la.
- Meu nome é Whitney Thompson - ela informou.
- Thompson. Parece familiar.
- Meus avós moraram aqui.
Gabriel lembrava-se vagamente dos velhos Thompson. Costumava cumprimentar os vizinhos, quando os via, mas nunca tivera oportunidade de socializar-se. Ele e o pai dificilmente saíam da fazenda.
Estava tão cansado que permitiu que Whitney o cobrisse, sem protestar. Fitou o rosto bonito e os cabelos ruivos. Disse a si mesmo que um homem arriscaria tudo para possuir uma mulher igual àquela.
CAPÍTULO IV

Whitney trocou o roupão de banho por um confortável conjunto de moletom flanelado, em rosa e preto, um dos presentes que recebera de Natal da mãe e do padrasto, calçou um par de meias e chinelos. Ao voltar para o quarto, colocou mais lenha na lareira, em seguida acomodou-se na poltrona.
Gabriel Deveraux era um homem que possuía uma incrível capacidade de recuperação. Após o episódio no chuveiro, ela decidira dormir na poltrona, pois achava melhor não tentar o destino.
Destino? Eram seus próprios instintos rebeldes que precisavam ser dominados. Gabriel revirou-se na cama, e o cobertor caiu no chão. Whitney levantou-se e cobriu-o de novo. Ele segurou-lhe os cabelos, assustando-a. Tinha reflexos muito bons. Mesmo dormindo, mantinha vigilância sobre tudo o que acontecia a seu redor.
Whitney tentou livrar os cabelos da mão forte.
- Fale comigo - ele pediu.
- Não está dormindo? - ela perguntou, pousando a mão na testa dele e percebendo que estava quente.
Olhou para o relógio de pulso e notou que estava na hora dos antibióticos.
- Não consigo dormir - Gabriel falou. - Estou muito impaciente.
Abriu os olhos e soltou os cabelos de Whitney. Ela se sentou na cama e pegou do criado-mudo as cápsulas de antibiótico e um copo de água.
- O que está fazendo neste lugar isolado? - ele indagou. Ela sorriu. Fitou-o e, por um estranho momento, achou que seria sugada para dentro daquela alma turbulenta. Ele pareceu ter percebido, porque pestanejou e desviou o olhar.
- Sempre amei esta fazendinha - Whitney declarou. - Quando vinha para cá, no verão, meus avós me levavam para pescar e para piqueniques nas colinas. Eu detestava setembro. Era quando tinha de partir. Mas jurava que viveria aqui, quando crescesse.
Fez uma pausa, recordando as noites que chorara na cama, ansiosa para voltar.
- Esta é minha verdadeira casa - concluiu.
-Veio para ficar? - Gabriel perguntou, franzindo a testa.
- Vim.
- Sozinha?
- Não exatamente. Vou transformar esta casa numa pensão.
- Sei - ele murmurou, nitidamente não aprovando a idéia.
- Com o crescimento do turismo em Ashland, por causa do festival de Shakespeare, no verão, e com a popularidade das estações de esqui, meus negócios irão de vento em popa.
Gabriel ajeitou-se contra os travesseiros, sentando-se, então passou a mão nos cabelos dela.
- Quais são seus sonhos? - ela ousou indagar.
- Desisti de ter sonhos há muito tempo.
- Quando tinha dezesseis anos e saiu de casa? Gabriel segurou com firmeza uma mecha dos cabelos ruivos.
- O que sabe a respeito? - indagou,
- Minha avó me falou sobre você, depois que seu pai... Quando você voltou para casa... Eu vi você no cemitério.
Whitney mais uma vez viu os olhos dele mostrarem angústia e não resistiu à tentação de deslizar um dedo pelos lábios firmes.
- Você parece tão triste... - comentou.
Gabriel segurou-lhe as mãos e pousou-as em seu peito.
- Você pode fazer um homem esquecer tudo o que aprendeu na vida, Irlandesa - falou, e em seguida soltou uma risada carregada de cinismo. - Seus olhos convidam os homens a penetrar em sua alma.
- Não. Só convidam você.
Encararam-se. Ela percebeu a angústia que ele trazia dentro de si, a bondade que trancava em seu íntimo, o carinho que não queria admitir.
- Por quê? - Gabriel perguntou.-Você não me conhece.
- Oh, conheço, sim.
Whitney percebera que ambos pertenciam àquele lugar. Os dois tinham voltado, dois peregrinos de volta ao lar.
- Voltou para reclamar sua herança? - ela indagou. Ele moveu a cabeça negativamente e soltou-lhe as mãos.
- Dê-me mais pílulas para aliviar a dor - pediu. - Talvez assim você se sinta mais segura para vir para a cama, e ambos teremos uma boa noite de sono.
Deitou-se, fatigado. Whitney deu-lhe as pílulas e tirou-lhe a temperatura. Gabriel olhou-a como se estivesse procurando por algo que só ele sabia o que era, então sorriu e fechou os olhos.
Ela ficou sentada um bom tempo ao lado dele, na cama, observando-o. Eram como almas perdidas, que o destino colocara frente a frente. Pertenciam àquele lugar. Com essa certeza em mente, ela voltou para a poltrona, depois de colocar mais lenha na lareira.
- Vai viajar? Na casa de sua irmã? Na Califórnia? Whitney repetia fragmentos de sentenças, enquanto o sr. Peters explicava por que passaria algum tempo fora da cidade e atrasaria o trabalho na casa dela.
- Passei aí na sexta-feira, para avisá-la - ele disse.
- Por que não entrou? Deixei a porta aberta.
- Não devia sair e deixar a porta aberta. Coisas estranhas acontecem na casa da fazenda ao lado.
- Sei.
- Eu a vejo na primavera.
Ao colocar o fone no gancho, Whitney olhou pela janela, para a neve que caía. Lutando contra a raiva e a frustração, decidiu terminar o serviço sozinha. Tudo o que precisava era de um livro que a ensinasse como tapar os buracos nas paredes e pintá-las.
Observando atentamente a alcova embaixo da escada, pensou como seria o hall de entrada. Se retirasse o quartinho, teria um amplo e conveniente espaço para a recepção.
Caminhando pelo corredor, parou na porta do quarto para ver Gabriel. Ele estava sentado numa cadeira em frente à lareira, com os pés sobre um banquinho.
- O que está fazendo? - ela indagou, entrando no quarto e parando ao lado dele.
- Aquecendo os pés.
- Vou aquecer umas toalhas e...
- Estou bem assim. Whitney apontou para a cama.
- Volte para lá, e agora! O médico disse que devia ficar na cama pelo menos três dias.
- Eu decido onde ficar e por quanto tempo. Aturdida com a força do olhar dele, ela hesitou, incerta quanto ao que fazer. Para sua consternação, lágrimas encheram-lhe os olhos.
- Tudo bem - disse. - Vou preparar um pouco de chá.
- Irlandesa...
Whitney saiu do quarto o mais rápido que pôde, indo direto para a cozinha, antes que chorasse na frente dele. Parou na despensa e encostou a testa no vidro frio da porta do armário, procurando retomar a compostura.
A deserção do sr. Peters não é nenhum desastre, pensou. Encontrarei outra pessoa para me ajudar. Quanto a Gabriel Deveraux, que vá para o inferno. Ousa me tratar com rispidez, enquanto ocupa minha cama e meu tempo. Da próxima vez que eu for brincar de Florence Nightingale, cuidarei de um cãozinho.
Coçou a nuca, passou a mão no rosto e percebeu que estava exausta por ter dormido mal. Ficara a noite toda colocando lenha na lareira, para que Gabriel não pegasse uma pneumonia, devido à forte tempestade de neve que caíra. Por isso estava tão desanimada e frágil naquela manhã.
Gabriel tivera um sono agitado, virara a cabeça de um lado para o outro e murmurara o tempo todo, sem contar que jogara o cobertor para fora da cama diversas vezes. Uma grande mão pousando em seu ombro a fez saltar de susto. Ela se virou e viu Gabriel.
- Desculpe - ele pediu.
Whitney ergueu o queixo e olhou-o com frieza.
- Você tem razão - disse. - Não sou sua dona. Gabriel fitou-a com intensidade. Ela ficou tensa, engoliu em seco e desviou o olhar.
- Vou ajudá-la na reforma da casa - ele se ofereceu. Era óbvio, que ouvira a conversa ao telefone e deduzira que o sr. Peters não mais trabalharia na casa.
- Como? - ela perguntou, olhando para o pé machucado.
- Eu a ajudarei assim que meu tornozelo estiver curado - Gabriel respondeu. - O inchaço já diminuiu. E realmente preciso de um emprego.
Whitney refletiu que ele devia estar mesmo precisando de dinheiro, porque a fazenda não produzia nada havia anos, e os impostos deviam estar atrasados.
- Tenho mãos hábeis - Gabriel falou com sarcasmo, olhando o corpo esbelto de cima a baixo.
Whitney encarou-o, sem saber o que responder. Ninguém antes lhe falara daquela forma sedutora, como se ela fosse uma mulher incrivelmente sensual, tão desejável que um homem não era capaz de controlar-se.
Sentiu-se lisonjeada, mas ralhou consigo mesma por estar sendo idiota, como na noite anterior, quando achara que ambos pertenciam àquele lugar. Pensou nas razões pelas quais não devia contratá-lo.
- Pago dez dólares por hora - pegou-se dizendo. Devo estar ficando louca, pensou.
- Eu aceito - Gabriel disse.
Aceitou tão rápido que Whitney não acreditou. Ela, então, lembrou que ele dissera que se hospedara numa estação de esqui, e a diária devia ser cara.
- Inclui quarto e comida - acrescentou.
- Tudo bem - ele concordou, inexpressivo. Whitney ficou magoada com aquele jeito negligente, porém concluiu que ele devia estar desesperado, mas que era muito orgulhoso para admitir.
De algum modo, o compreendia. Sabia o que era ter orgulho. Queria fazer daquela casa a melhor pensão da região.
- Posso pedir que tragam sua bagagem da estação de esqui para cá? - indagou.
- Não estou hospedado num hotel da estação de esqui, mas na casa de uns amigos. Vou telefonar e pedir que mandem minhas coisas para cá.
Whitney percebeu que ele colocara uma barreira entre eles, por isso apenas movimentou a cabeça afirmativamente e saiu. Foi para a cozinha, acendeu o fogão e colocou uma chaleira com água para ferver.
- Tem bolo de café - falou. - Quer um pedaço, para acompanhar o chá?
Quando não houve resposta, ela olhou ao redor. Gabriel sumira tão silenciosamente quanto aparecera. Num impulso, ela correu para o quarto a tempo de vê-lo mancar na direção da cadeira em frente à lareira. Era incrível ver um homem com um físico como o dele mover-se sem fazer nenhum barulho, ainda mais com um pé machucado.
Questões sobre o passado de Gabriel passaram pela cabeça de Whitney enquanto ela preparava o lanche da tarde, mas foram colocadas de lado.
Não o ouviu fazer a ligação para os amigos com quem estava hospedado, mas, uma hora depois, um veículo com o logotipo da estação de esqui trazia a bagagem dele. Um jovem, com o mesmo logotipo do carro no bolso direito da jaqueta, desceu, carregando uma mala e uma mochila de náilon.
Whitney, que abrira a porta ao ouvir o carro chegando, pediu-lhe que entrasse e indicou o caminho do quarto. O jovem informou que tinha um recado de Rafael Barrett para Gabriel e aguardou que ela se retirasse.
Desculpando-se, Whitney saiu do aposento e andou pelo corredor, perguntando-se quando Gabriel ligara para seus amigos e por que o dono da estação de esqui mandara um recado para ele.
Ficou inquieta. Gabriel Deveraux era um mistério. Ela sabia muito pouco a respeito dele. Talvez tivesse sido idiotice dar-lhe emprego e livre acesso a sua casa. Aquele lugar era seu sonho. Uma decisão errada, e arruinaria tudo. Whitney suspirou, pensando em outro sonho que tinha, o de dividir a vida com um homem especial.
Enquanto a neve caía, Whitney trabalhava nas paredes de um quarto, sempre ciente de Gabriel caminhando pelos cômodos. Como um gato, ele se movia com flexibilidade, graça e em total silêncio. Muitas vezes, naquela manhã, encontrara-o bem próximo de si, encostado na parede, observando-a trabalhar.
Num determinado momento, ela captara uma estranha emoção nos olhos dele, que a fizera engolir em seco. Como um intruso, ele invadia seus pensamentos, noite e dia.
À tarde, terminado o serviço no quarto, ela foi olhar a alcova sob a escada. Aquele quartinho era sua próxima meta. Levou alguns objetos para o porão e varreu a sujeira do chão. Às cinco horas, dirigiu-se ao banheiro, louca por um banho.
Parou ao ouvir um barulho vindo do porão. Gabriel devia estar lá embaixo. Ela rezou para que ele fosse cuidadoso e evitasse outro acidente. Imaginou-o deitado na neve, ferido na cabeça e no pé, deixado lá por algum bandido. Não acreditara na história da coruja que ele lhe contara.
Além do mais, Gabriel fora à fazenda Deveraux, na semana anterior, e com certeza tivera tempo suficiente para explorar a antiga propriedade. Whitney recordou o aviso da sra. Tall sobre terem visto luzes acesas na casa abandonada. Talvez devesse ser mais cuidadosa. Pé ante pé, e com uma pesada chave inglesa nas mãos, desceu ao porão.
Antes de girar a maçaneta da porta, saiu e fechou a porta atrás de si.
- O que está acontecendo? - ele indagou. Sentindo-se ridícula, Whitney baixou a chave inglesa e fitou-o.
- O que veio fazer aqui? - atacou, transformando sua preocupação em raiva, por ele tê-la assustado.
- Ligar o aquecedor.
- Está quebrado. Precisa de uma peça nova. Gabriel moveu a cabeça negativamente.
- Não. Os controles só precisam de um ajuste. Há uma etiqueta que diz que o gerador foi limpo e reparado há oito anos. Acho que não foi usado desde então.
- O eletricista disse que precisava comprar uma peça, mas que viria consertá-lo.
- Cancele - Gabriel disse, sorrindo. - Ou, quando o eletricista aparecer, deixe que eu converso com ele.
Whitney comentou consigo mesma que jamais alguém se oferecera para cuidar de seus problemas. Aquilo trouxe uma estranha sensação, algo próximo da ingenuidade.
- Obrigada, vou cancelar o conserto - decidiu.
- É o melhor que tem a fazer. Há móveis no porão e no sótão.
Ela comentou consigo mesma que ele revistara a casa de cima a baixo. Procurando o quê? Talvez objetos de valor para roubar. Era engraçado, mas, no íntimo, ela achava essa idéia absurda.
- A maioria é sucata - observou. - Os melhores móveis foram levados há muito tempo.
- Por parentes, aposto.
- Não era justo que os móveis ficassem se estragando, embora fizessem parte de minha herança, como a casa. O juiz permitiu que a família levasse os móveis que quisesse.
- Mas a casa ficou para você?
- Ficou.
- Essa "sucata", como você diz, é de madeira de excelente qualidade: carvalho, freixo, nogueira. Se forem consertados e encerados, os móveis parecerão novos.
Whitney sorriu. Aquele sorriso fez com que Gabriel sentisse paz e alegria. Ele franziu a testa. Não podia se permitir sentimentos daquela espécie. Tinha um trabalho a fazer: encontrar os ladrões que haviam usado a fazenda, limpar seu nome, então vender a propriedade e livrar-se daquelas tristes lembranças para sempre. Até lá, manteria distância da ruiva.
Mas, para se manter distante dela, era preciso estar ocupado. Enquanto explorava a casa, revia seus planos. A cabeça já não doía tanto, e a perna já aguentava seu peso, por isso ele pagaria seu débito, ajudando-a na reforma da casa.
O trabalho também seria uma desculpa para manter sua fazenda sob observação, sem levantar suspeitas. Como Whitney, as pessoas da cidade creriam que ele precisava de dinheiro.
Analisara seu plano de todos os ângulos. Acreditava que daria certo. Olhou para Whitney e perguntou-se como resistiria à tentação de tocá-la. Ter uma família não fazia parte de seu futuro. Quando pegasse os ladrões e vendesse a propriedade, iria para bem longe dali.
- Quando pretende abrir a pensão? - indagou.
- O mais rápido possível. - Ela franziu a testa, torceu o nariz, então riu. - Quero estar com tudo pronto na Páscoa.
Gabriel comentou consigo mesmo que os grandes olhos azuis eram encantadores. Jamais conhecera uma pessoa que confiasse tanto nos outros, com tanta ingenuidade. Ela o acolhera, um total estranho, sem pensar que podia estar correndo perigo.Ele disse a si mesmo que a ensinaria a não confiar tanto nas pessoas. Alguém podia aparecer e tirar proveito de tamanha inocência.
- E sua fazenda? - Whitney perguntou. - Vai precisar consertar a cerca, se quiser criar gado. Oh, a sra. Tall falou que viu luzes acesas e alertou-me...
Hesitou. Gabriel notou que ela ficara confusa. As pessoas da cidade suspeitaram dele, muitos anos atrás, quando descobriram que havia mercadorias roubadas no celeiro da fazenda. Nem mesmo o pai acreditara nele e dera-lhe uma surra. Gabriel jamais o perdoara por aquela grande injustiça. Com as marcas da surra, saíra de casa no mesmo dia, assim que o pai se deitara.
Mas, naquele momento, para sua grande surpresa, sua bela salvadora não o olhava com desconfiança, ao contrário, mostrava-se preocupada.
- Alguém está usando sua fazenda para fins ilegais? - Whitney indagou. - Você os pegou, e por isso eles tentaram matá-lo? Devíamos chamar o xerife.
- Não é preciso chamar o xerife. Como eu já disse, foi um acidente.
- Eu não acredito que tenha sido um acidente.
- Não acredita que uma trave caiu do telhado sobre minha cabeça? - Ele sorriu. - Tem imaginação muito fértil, Irlandesa. A vida não é como um filme de John Wayne.
- Você devia ser mais cuidadoso. O pessoal daqui atira primeiro e pergunta depois, especialmente quando estranhos andam entre as árvores, sem razão aparente.
Como não queria discutir, Gabriel preferiu mudar de assunto.
- Encontrei uma cama num dos quartos do andar de cima - contou. - Vou me mudar para lá.
Whitney ficou desapontada, mas não deixou transparecer. Gabriel comentou consigo mesmo que o melhor que tinha a fazer era não ficar muito perto dela, pois, se não fosse cuidadoso, esqueceria por que voltara e por que tinha de partir.
-O estrado da cama não está quebrado? - ela perguntou.
- Encontrei umas ripas no porão. Vou consertá-lo. Whitney moveu a cabeça afirmativamente e fitou-o como se soubesse que ele escondia alguma coisa. Gabriel suspirou e disse a si mesmo que ela era uma complicação da qual ele absolutamente não precisava.
Whitney não fez nenhum comentário, enquanto Gabriel consertava a cama. Quando ele carregou a bagagem para o andar superior, ela o seguiu com cobertores, lençóis, fronha e travesseiro.
- Você encontrou um colchão de penas! - exclamou, surpresa ao comprovar a maciez e conforto do colchão.
- Encontrei. Há mais dois, lá no sótão.
Gabriel mostrava-se muito introspectivo. Respeitando a privacidade dele, Whitney não disse mais nada, terminou de arrumar a cama e saiu do quarto, indo para a cozinha, onde checou a lasanha que havia deixado no forno. Começou a preparar uma salada. Quando a refeição estava pronta, levou pratos, copos, talheres e guardanapos para a mesa em seu quarto. Indo de novo à cozinha, voltou com a lasanha, a salada e uma garrafa de vinho em uma grande bandeja.
Ao entrar no aposento, viu Gabriel olhando pela janela, na direção de sua fazenda.
Notou que ele acendera a lareira e sorriu, satisfeita.
- Jantar! - anunciou alegremente, vertendo vinho nos copos. Gabriel virou-se, e ela perguntou: - Gosta de vinho tinto?
Ele moveu a cabeça, afirmando, e aproximou-se da mesa.
- As estradas vão ficar fechadas até que a nevasca acabe - comentou.
- Com certeza.
Começaram a comer em silêncio. Whitney, de alguma forma, sentia que Gabriel a ajudaria por uns dias, então partiria. E isso a entristecia.
- A lasanha está deliciosa - ele elogiou.
- Obrigada. - Ela tomou um gole de vinho e olhou para o fogo na lareira. - Vai morar em sua fazenda?
- Não. Vou vendê-la na primavera.
- Vai vender sua casa?
- Mal pode ser chamada de casa, agora, com as janelas quebradas e o telhado quase desabando.
- Mas, algum dia, você pode pensar em voltar a morar lá. Eu gostaria de poder comprar sua propriedade - Whitney falou impulsivamente. - Talvez eu possa arrendar as terras...
- Não. Quero vendê-la.
A rapidez da recusa dele magoou-a, mas ela disfarçou, encolhendo os ombros.
- Não tenho recursos financeiros para arrendar, muito menos para comprar - declarou.
- Mas se tivesse...
- Bem, pensei em convidar minha mãe e meu padrasto para morarem perto de mim, mas é uma péssima idéia. Eles vão achar que têm o direito de interferir em tudo.
- Como fizeram no passado?
Gabriel parecia conhecer a vida de Whitney, e isso a inquietava.
- Minha mãe sempre acha que sabe o que é melhor para mim - ela confidenciou.
- Mas você não concorda?
Whitney movimentou a cabeça negativamente, e o elástico que prendia seus cabelos soltou-se, caindo em seu colo. Com rapidez, ela prendeu os cabelos de novo, sentindo, nervosa, a intensidade do olhar de Gabriel.
Ele parecia inquieto. Whitney acreditava que, se o tempo não estivesse tão ruim, ele estaria lá fora, procurando sabia Deus o quê.
- O que esteve fazendo em sua fazenda, na semana passada? - indagou. - Eu o vi no bosque.
- Eu não sabia que havia alguém morando aqui, até ver luzes acesas e fumaça saindo pela chaminé.
- Parece que você não ficou feliz com minha presença nesta casa.
Gabriel sorriu.
- Eu planejava usá-la como abrigo - confessou.
- Pretendia invadir minha casa?
- Já fiz coisas piores.
- Por boas razões, aposto.
Whitney não conseguia vê-lo como uma má pessoa. Se pudesse mergulhar na alma dele, sabia que veria angústia e solidão, mas não maldade.
Gabriel baixou o garfo e fitou-a.
- Meu Deus, você seria capaz de destruir um homem - murmurou.
Whitney mordeu o lábio inferior e permaneceu em silêncio, enquanto Gabriel levava a mão à testa como se estivesse com dor de cabeça. Ela não compreendera as palavras dele, pois não tinha a intenção de destruir quem quer que fosse. Olhou para a lareira e suspirou.
- Não confie em ninguém - ele aconselhou. - Teria uma decepção, mais cedo ou mais tarde.
Whitney concluiu que alguém em quem ele confiara o traíra, deixando cicatrizes profundas. Ou seria uma referência a eles dois? Estaria Gabriel alertando-a para não se apaixonar por ele, porque podia se machucar?
- Sei cuidar de mim mesma - ela afirmou, pondo-se de pé.
Juntou a louça suja e levou-a para a cozinha.
CAPÍTULO V

Whitney voltou para o quarto, achando que Gabriel já fora para seu novo aposento, mas encontrou-o olhando pela janela.
- Que tal um joguinho de pôquer? - sugeriu.
- Pôquer?
- É.
Whitney pegou o baralho, sentou-se à mesa e embaralhou as cartas. Gabriel acomodou-se numa cadeira a sua frente.
- O que vamos apostar? - indagou.
- Oh, esqueci. - Ela se levantou, mexeu numa das caixas de papelão no canto do aposento e voltou com uma caixa de palitos de dente. - Palitos?
- Tudo bem.
Ela dividiu os palitos meio a meio, e cada um colocou um na mesa.
- Mais uma carta - ele pediu, colocando outro palito e pondo na mesa, de face para baixo, uma das que tinha na mão. Depois de dar-lhe uma carta, Whitney olhou para as suas, mas pensando nele. Gabriel nunca seria dependente de outra pessoa, não permitiria que ninguém entrasse em seu coração. Ela não podia amarrá-lo e obrigá-lo a ficar.
Seus olhos encheram-se de lágrimas. Ela não era emotiva, mas adivinhava uma ternura em Gabriel que a comovia. Suspirou. Podia estar errada. Talvez ele fosse um homem frio, rude, incapaz de amar. De qualquer modo, era melhor concentrar-se nas cartas. Sugerira o jogo para fazê-lo esquecer o que pudesse estar deixando-o inquieto. As horas passaram, e os dois divertiram-se muito, um observando as estratégias do outro a cada jogada.
- Onde aprendeu a jogar? - Gabriel perguntou. Whitney não estava jogando mal, mas começava a perder uma partida atrás da outra.
- Com os rapazes, na faculdade - respondeu. - Eu era a única mulher no meio deles. Tínhamos o costume de jogar pôquer a noite inteira, depois das provas finais.
- Sei - ele murmurou num tom de desaprovação.
- Éramos todos amigos, nada mais.
Ela gostava de ficar com eles, mas nenhum fora aquele homem especial que esperara encontrar para dividir seus sonhos e sua vida.
- Eles deviam ser cegos - Gabriel falou.
Com grande dificuldade, Whitney dominou o ridículo orgulho que sentiu, pois, se ele continuasse a dizer frases daquele tipo, começaria a acreditar, o que seria tolice. A mãe sempre quisera que ela se portasse como uma princesa e se casasse com um príncipe, mas Whitney fora exatamente o oposto. Naquele momento, porém, desejava ser uma sofisticada mulher fatal.
Das dez às onze horas da noite, tentou recuperar seus palitinhos perdidos, mas, à meia-noite, apostou o último e perdeu.
- Você é sortudo, ou está trapaceando? - questionou.
- Palavras agressivas.
- Desculpe. - Ela bocejou. - O jogo acabou.
- Mais uma partida.
- Terei de encontrar mais palitos.
- Aposte outra coisa.
- O quê?
- Um beijo.
Whitney pestanejou, hesitando. O olhar dele era desafiador, visivelmente chamando-a de covarde.
- Tudo bem - Whitney aceitou, observando-o dar as cartas.
Com as que tinha em mãos, sabia que venceria. Ficou desapontada. Por uma fração de segundo, pensou em trapacear para não vencer, pois, afinal, perdera a noite toda. Por que ganhar a última partida? Baixou as cartas. Gabriel fitou-a, pensativo.
- Ainda pode me beijar - disse.
- Eu ganhei!
- Mas quer o beijo.
- Eu...
Ela não tinha como negar. Ele se levantou e foi para junto da cadeira dela. Segurou-lhe as mãos, ajudando-a a se erguer e, quando ficaram frente a frente, ele inclinou a cabeça. Ela não conseguiu conter o tremor dos lábios, que estavam ansiosos pelo beijo.
- Você me deixa louco, quando faz isso - ele murmurou.
- Isso o quê?
- Quando treme, como se não pudesse esperar... Gabriel soltou um gemido e puxou-a para si, beijando-a apaixonadamente. Whitney sentiu que ele desejava muito mais do que um beijo, e ela também desejava, mas não ousava admitir.
Pousou as mãos nos ombros largos. Gabriel tocou os seios macios e sentiu o corpo dela enrijecer, o que o fez soltá-la. Ela emitiu um gemido de protesto.
- Não - ele falou ao vê-la aproximar-se.
Whitney parou, confusa, em seguida virou-se, embaraçada. Gabriel segurou-a pela cintura e pousou a testa nos cabelos ruivos.
- Não entende? - indagou. - Não posso apenas beijá-la e depois soltá-la.
- Foi exatamente o que acabou de fazer.
- Mais um minuto e eu a levaria para aquela cama e não a deixaria sair até o amanhecer. Você não teria como me impedir, porque não tem idéia da força de sua própria paixão.
- Tenho, sim.
- Diabinha, sou eu quem dá as lições aqui.
- Lições? - Whitney repetiu, encarando-o.
- Lições. Você é muito ingênua. Abre sua casa e seu coração para estranhos, confiando neles, achando que são tão honestos quanto você. A vida não é assim.
Ela sentiu-se humilhada, mas ergueu o queixo e fitou-o bem dentro dos olhos.
- Você me desejou - declarou.
- Ainda desejo. Se fizermos amor...
Gabriel movimentou a cabeça negativamente e tocou os lábios dela com o dedo indicador.
- Seria o paraíso - disse. - Seria uma sensação poderosa, algo que você jamais imaginou.
- Por que parou?
- Porque pessoas espertas não se aproximam tão intimamente de outras.
- Por quê? Gabriel sorriu.
- É melhor assim - respondeu. - Você tem seus sonhos, e eu tenho... os meus.
Afastou-se e colocou mais lenha na lareira.
- Fique aqui, porque este aposento é mais quente do que o seu - Whitney sugeriu. - Ficamos juntos, na primeira noite. Dormi com você, na cama.
- Eu sei. Quando se deitou... confiou em mim...
- Ainda confio.
- Por enquanto. E se as coisas ficarem ruins? Com aquela enigmática pergunta, Gabriel saiu do quarto. Whitney ouviu os passos dele ecoarem pelo corredor e, de repente, teve vontade de chorar.
- Foi muito bom sentir a casa aquecida, quando acordei - Whitney comentou durante o café da manhã. - Obrigada por consertar o aquecedor.
- É para isso que serve um biscateiro.
Estava sendo difícil para Whitney encará-lo, depois da noite anterior, mas ela respirou fundo, forçou-se a ignorar o que havia ocorrido e decidiu agir como se nada tivesse acontecido. Contudo, não era fácil olhar para os lábios dele e não recordar a deliciosa sensação que experimentara ao tê-los sobre os seus.
Sentiu o coração bater acelerado. Sempre fora amiga e companheira de homens, na faculdade e no trabalho. Era estranho pensar em si mesma como uma mulher capaz de seduzir.
- O sol está brilhando - falou. - É bom ver essa luz, depois de tantos dias de céu encoberto e tempestades, não é?
Olhou pela janela, fazendo uma pausa.
- Vou ligar para a prefeitura e pedir que venham retirar a neve o mais rápido possível - disse.
- Isso já foi providenciado. Whitney encarou-o.
- Rafael Barrett disse que mandará sua equipe para cá, assim que terminarem o trabalho na estação de esqui.
E como que para comprovar as palavras dele, os dois ouviram o barulho de um motor vindo da estrada, na direção da casa.
- Por que ele mandaria a própria equipe para cá? - Whitney questionou.
- É um favor.
Mas o proprietário da estação de esqui não conhecia Whitney. Ele era amigo de Gabriel, e essa amizade não combinava com a idéia que ela fazia dele, um solitário que vagueava pelo mundo. Ela ficou inquieta, pois havia muitas coisas a respeito dele que não compreendia.
- Quais são seus planos para hoje? - Gabriel perguntou.
- Vou ver se encontro cortinas para as janelas dos quartos.
- Há várias cortinas no sótão. Ainda não explorou a casa?
- Não. Vim para cá três dias depois do Ano-novo. Aí, fiquei muito ocupada, tentando conseguir crédito e encontrar alguém para fazer a reforma. Limpar o sótão e o porão não se encontravam em minha lista de prioridades.
- Devia ir ver o que tem lá.
- Eu vou. Acho que você me ajudará muito. Foi o único que viu utilidade naquela mobília velha.
Ele deu de ombros.
- Limpar e consertar aqueles móveis dará trabalho - declarou. - Não me agradeça antes de ver o resultado.
O aviso não a incomodou, pelo contrário, ela entendeu que ele levaria muito tempo, consertando a mobília. Sorriu, pois sentia-se incrivelmente feliz. Xingou-se de idiota, porém nenhuma palavra mudaria o que estava sentindo. Ao terminar a refeição, pegou uma caneta e um bloco de papel e começou a escrever as tarefas do dia.
- O que quer que eu faça hoje? - Gabriel indagou.
- Você ainda não está...
O olhar dele a interrompeu.
- Você é quem sabe - ela se rendeu, tentando pensar em algo que não o cansasse muito.
- Prenderei as cortinas, se encontrar no sótão algumas que lhe agradem. Enquanto isso, vou lixar as paredes.
Whitney franziu a testa, certa de que ele não seria muito eficiente, com o pé machucado.
Homens! Não conseguem admitir a própria fraqueza, comentou consigo mesma.
Talvez devesse bater com um pau no outro lado da cabeça de Gabriel, para ver se conseguia fazê-lo criar juízo.
- Vou lavar roupa - falou. - Se me der as suas, lavo-as também.
Ele pareceu estupefato com aquela sugestão.
- Posso cuidar de meus pertences - respondeu.
- Pouparemos água, sabão e energia, se eu lavar todas juntas.
Whitney levantou-se da mesa, juntou a louça suja e começou a lavá-la na pia. Olhou por sobre o ombro e sorriu. Gabriel franziu a testa e desviou o olhar.
- Posso cuidar de minhas roupas - insistiu.
Ela fechou a torneira, irritada com aquela teimosia. Ele pensava que ela nunca vira roupas íntimas masculinas?
- Não seja bobo - ralhou. - Costumava dividir tarefas domésticas com um estudante que morava no apartamento junto ao meu, quando estava na faculdade. Nós nos revezávamos na lavanderia.
Gabriel fitou-a, estreitando os olhos.
- Você lavou as roupas íntimas de um homem que não era seu namorado?
- Lavei. Homens e mulheres podem ser simplesmente amigos.
- Sei.
Sem mais palavras, Gabriel saiu da cozinha, retornando minutos depois. Jogou algumas roupas no chão. Whitney não fez nenhum comentário, mas, quando juntou suas roupas com as dele, viu nisso um alto grau de intimidade.
Recordou os sermões da mãe por sempre mostrar-se rebelde e contrária à idéia de que uma mulher tinha de ser submissa a um homem, cuidar dele, ser uma segunda mãe. Mas suspeitava que Gabriel jamais tivera alguém que cuidasse dele.
No final da manhã, quando o sol iluminava e aquecia a casa, subiu a escada para o sótão e viu vários móveis e caixas de papelão.
Começou a procurar as cortinas que Gabriel mencionara, abrindo caixa por caixa. Encontrou objetos e outras lembranças da vida da avó, além de revistas e jornais. Os objetos, fotos e cartas, ela guardou, mas colocou as revistas e os jornais numa caixa e levou-os para o porão, para serem jogados no lixo.
Ao voltar para o sótão, abriu um baú e achou cortinas, que formavam oito pares, de cetim, damasco e brocado, nas cores amarela e branca. Ficou radiante. As cortinas pareciam pertencer à sala de estar e à antecâmara, e combinavam com a decoração que ela planejara. Carregando um par delas, desceu rapidamente a escada.
O telefone tocou, e ela ouviu Gabriel atender.
- Whitney, é para você! - ele gritou.
- Já vou.
Era a primeira vez que ele a chamava pelo nome, e ela gostou.
A ligação era do sr. Tall, e ele avisou que o material que ela encomendara havia chegado.
- Vou buscá-lo à tarde - Whitney disse.
- A estrada está aberta?
Ela olhou para Gabriel e sorriu.
- Está - respondeu, em seguida agradeceu ao sr. Tall e despediu-se, colocando o fone no gancho. - Quer uma carona até a cidade?
- Vou terminar de lixar a despensa.
- Talvez eu precise de ajuda para carregar o que encomendei, mas deve ser muito pesado para você.
- Irei com você.
- Tem sapatos folgados?
- Tênis - Gabriel falou, subindo a escada. Whitney percebeu que ele estava inquieto mais uma vez, mas a viagem até a cidade o faria mudar de humor. Dez minutos depois, estavam fora da casa, entrando na caminhonete.
- Nada melhor do que ter os amigos certos - ela comentou, vendo a estrada limpa. Ele não respondeu. Ela sintonizou o rádio numa estação local, que tocava música romântica sertaneja. Fitou Gabriel rapidamente, então voltou a atenção para a estrada.
Uma hora depois, chegavam à cidade. Whitney encontrou uma vaga em frente à casa de materiais de construção. Entrou na loja e foi conversar com a sra. Tall, enquanto aguardava que o sr. Tall pegasse os papéis de parede, as venezianas, as tintas e os pregos.
- Você sobreviveu à nevasca - a sra. Tall comentou.
- É verdade. Não vi nenhum relatório sobre o tempo. Caiu muita neve?
- Muita. E vem mais por aí.
- É mesmo? Teremos uma quebra de recorde este ano, não?
A idosa entreabriu os lábios para responder, mas fechou-os ao ver Gabriel entrar na loja.
- Lembra-se de Gabriel Deveraux? - Whitney perguntou. - Ele concordou em me ajudar na reforma da casa.
- E Jack Peters? - a sra. Tall indagou.
- O sr. Peters decidiu visitar a irmã na Califórnia. Eu precisava que alguém fizesse o serviço.
- Olá, sra. Tall - Gabriel cumprimentou.
- Bem, fazia muito tempo que nós não o víamos - a sra. Tall comentou, baixando seu tricô e fitando-o.
- Muito tempo, mas acho que ninguém sentiu minha falta.
- Seu pai era um homem difícil, mas honesto. Ele ficou com o coração partido, quando você fugiu de casa. No final da vida, era um homem solitário e amargo.
Whitney ficou furiosa, porque a mulher não tinha o direito de censurar Gabriel, pois não conhecia a relação que existira entre pai e filho.
- Talvez ele devesse ter pensado nisso, antes de partir o coração do filho e forçá-lo a sair de casa - intrometeu-se.
Gabriel pousou a mão no ombro dela.
- Isso foi há muito tempo - falou.
Quando Whitney olhou-o, notou que ele estava irritado com ela. Desviou o olhar, ralhando consigo mesma por não ter ficado de boca fechada.
- Whitney! - o sr. Tall gritou.
- Com licença - ela pediu, indo para o balcão. Enquanto preenchia o cheque, manteve uma conversa impessoal, então ajudou os dois homens a levar o material para a carroçaria da caminhonete.
Quando estavam prontos para partir, ela sentiu a consciência pesada e voltou à loja para pedir desculpas à sra. Tall.
- Esse suéter que está tricotando vai ficar maravilhoso - elogiou. - Está quase pronto, não é?
- Fiz doze, no ano passado - a mulher contou, erguendo seu trabalho. Então, pousou-o no colo e olhou para Whitney. - Não se apaixone por Gabriel Deveraux. Admito que ele tem boa aparência e chama a atenção, mas não é uma boa pessoa.
- Ele é prestativo, tem me ajudado muito - Whitney declarou.
- Quando adolescente, esteve envolvido com ladrões. Tenha cuidado.
- Está dormindo em minha casa desde sábado, sra. Tall. A mulher mostrou-se chocada. Whitney sabia que, a partir daquele momento, aquele seria o assunto predileto de todos os mexeriqueiros da pequena cidade.
- Ele prendeu o pé numa armadilha para ursos, e eu o encontrei e levei para minha casa. O dr. Payne pediu para que eu cuidasse dele. Agora, Gabriel trabalha para mim.
- Vai se arrepender. Ninguém sabe nada a respeito dele, onde esteve nos últimos anos, o que esteve fazendo. Ele pode ser um fugitivo da polícia, um ladrão, um assassino...
- Sra. Tall, Gabriel Deveraux é um bom homem, honrado e confiável, como tantas outras pessoas que conheci.
- Vamos embora? - Gabriel chamou da porta, surpreendendo-a.
Whitney virou-se e percebeu, pela expressão dos olhos escuros, que ele continuava agastado com ela.
- Vamos - respondeu. - Tchau, sr. Tall. A volta para casa foi feita em total silêncio.
CAPÍTULO VI

Whitney estava com os nervos à flor da pele, enquanto estacionava a caminhonete na frente da casa. Ao desligar o motor, olhou para Gabriel.
- Não faça aquilo de novo - ele avisou.
- Não posso ficar calada, ouvindo um amigo ser caluniado.
- Ela não estava sendo maliciosa, mas alertando-a para não dar confiança a estranhos.
- Você não é um estranho - Whitney retrucou, enfurecida. - Nasceu e foi criado aqui.
- E ganhei a reputação de rebelde. Eu era um típico adolescente, insolente e atrevido. Escute, Irlandesa, não preciso de ninguém para me defender. O que aconteceu comigo nesta cidade foi há muito tempo. Pouco me importo com o que eles pensam.
- Oh, uma vez se importou, tanto que fugiu - Whitney argumentou, tocando-o no braço, sentindo que era importante que ele compreendesse a própria vulnerabilidade.
Gabriel ficou tenso com aquele toque e não respondeu.
- Não é verdade? - ela insistiu.
- Você parece ter todas as respostas - ele replicou, puxando o braço.
- Você foi acusado de roubo. Seu pai não acreditou em sua inocência, quando você implorou...
- Não implorei nada.
- Quando você disse que não tinha nada a ver com aqueles roubos. Foi por isso que fugiu. - Whitney olhou-o com ternura e simpatia. - Não foi?
- Foi. Quer saber toda a história? Ele tirou o cinto e bateu em mim até deixar minhas costas marcadas, rejeitou-me, mas eu fiquei imóvel e mudo, insolente até o fim.
Gabriel desceu da caminhonete e bateu a porta com violência. Whitney sentiu lágrimas nos olhos e abanou a cabeça, incapaz de falar.
- Poupe suas lágrimas - ele disse com aspereza. - Vai precisar delas, quando aqueles em quem você confia partirem seu coração. A sra. Tall teve razão em alertá-la. Você não sabe nada a meu respeito, nem sobre a vida que vivi.
- Sei, sim.
- Fiz coisas, Irlandesa, que chocariam sua mente puritana. É melhor proteger-se, em vez de ficar me defendendo.
Gabriel pegou duas sacolas da carroçaria e entrou em casa. Whitney continuou sentada, com as mãos no volante, olhando os cumes das montanhas cobertos de neve.
Os raios do sol brilhavam, espalhando calor, mas ela sentia o coração gelado. Apesar do aviso para ser menos inocente, ela se preocupava com Gabriel e com as injustiças que ele sofrera no passado.
As pessoas da cidade, sem prova nenhuma, julgaram-no um ladrão. O próprio pai, a única pessoa que o conhecera suficientemente bem para ficar a seu lado, não acreditara em sua inocência. Daí por diante, Gabriel não confiara em mais ninguém.
Whitney entendia-o e, de alguma forma, precisava ajudá-lo a superar a angústia e a mágoa que ele carregava no peito.
- Você é especial, Gabriel - murmurou. - Você é especial para mim.
Suspirou. Pela primeira vez na vida, achou que se apaixonar era um risco, mas já não tinha como sufocar o amor que sentia por Gabriel. Whitney pôs as mãos na cintura, olhando com satisfação as paredes da alcova, já empapeladas. Guardou o resto do papel de parede e foi ao banheiro lavar-se.
O telefone tocou. Ela secou as mãos rapidamente e voltou à sala. Como o telefone encontrava-se no segundo degrau da escada, sentou-se ali, com as costas apoiadas na parede.
- Alô?
Com a outra mão, tirou os sapatos e massageou os pés.
- Quero falar com Gabriel Deveraux, por favor - uma voz masculina, impaciente e abrupta, requisitou.
- Vou chamá-lo.
Whitney conteve a tentação de perguntar quem era. Levantou-se, andou pelo corredor, só de meias, e parou bruscamente na porta de seu quarto.
Gabriel estava no último degrau de uma escada de mão, pendurando uma cortina na janela. Ela ficou alarmada e com receio de chamá-lo, porque ele poderia assustar-se e cair. Observou por alguns instantes as mãos ágeis colocarem a cortina nos trilhos. De repente, ele virou a cabeça e a viu.
- O que é? - indagou.
- Você não devia estar aí em cima. É muito perigoso. Pode cair. - Ela correu para segurar a escada, enquanto ele descia. - Há outra escada no porão, mais alta.
- Eu vi.
- E por que não a usou?
- Esta é mais fácil de ser carregada. Veio até aqui por alguma razão em particular, ou só para brigar comigo?
- Oh, alguém telefonou e quer falar com você. Gabriel franziu a testa.
- Por que não disse antes? - resmungou, saindo do aposento o mais depressa que podia.
Whitney examinou o quarto. Com as cortinas, parecia muito melhor, e ela teria privacidade.
Antes de pensar em pendurar as cortinas, os dois haviam levado as sacolas da casa de materiais de construção para um quartinho atrás da cozinha, então arrumado a mobília da sala de estar e do quarto.
Numa das caixas de papelão que trouxera de seu apartamento, ela encontrara um aparelho de telefone e a secretária eletrônica, que já haviam sido ligados e prontos para o uso.
Embora ainda não fosse muito tarde, Whitney decidiu dar por terminado o trabalho daquele dia, pois Gabriel já forçara muito o pé ferido. Pegou seu pijama de flanela e foi tomar banho. Escutou a voz de Gabriel, ao passar pelo corredor.
- Ontem à noite? Na tempestade?
Ele riu com cinismo. Whitney parou, mas não ouviu mais nada, porque ele começou a falar baixinho. Ela queria saber o que acontecera na noite anterior, e com quem ele estava falando. Além do dono da estação de esqui e das pessoas que o haviam hospedado, Gabriel não se referira a mais nenhum amigo.
Entrando no banheiro, ela fechou a porta e tirou as roupas. No chuveiro, sua mente não parou de criar especulações a respeito de Gabriel. Quando saiu do banheiro, enrolada no roupão de banho, encontrou Gabriel em seu quarto, colocando lenha na lareira.
- Parou de trabalhar cedo - ele comentou.
- Estou cansada e acho que você também está. Não devia apoiar seu peso no pé machucado por tanto tempo.
Gabriel deu de ombros. Não estava preocupado consigo mesmo. Olhou para a janela, na direção de sua fazenda, então dirigiu-se para a porta.
- Vai tomar banho agora? - Whitney indagou. - Pensei em preparar o jantar mais cedo.
- Tudo bem.
Enquanto Gabriel tomava banho, Whitney fritou os peitos de frango cortados em cubos, em seguida colocou-os num prato, decorando-os com montinhos de espinafre.
Aos poucos, numa bandeja, ela ia levando a louça e a refeição para seu quarto. Pousou a bandeja sobre a mesinha de centro. Após juntar duas mesinhas de canto, colocou sobre elas pratos, copos, talheres e guardanapos, então voltou para a cozinha para buscar o bule de chá.
Ao passar pelo banheiro, ouviu o chuveiro sendo fechado. Imaginou Gabriel nu e ficou excitada. Movimentou a cabeça negativamente e continuou a andar. Ao voltar, escutou uma porta abrir-se, depois fechar-se, e achou que ele devia estar no quarto que escolhera.
Poucos minutos depois, Gabriel apareceu no quarto dela, usando suéter azul e calça jeans escura. Whitney recordou que lavara aquelas roupas junto com as suas. De repente, o clima tornou-se muito íntimo.
- Sente-se na poltrona - Gabriel sugeriu, ao vê-la acomodar-se no sofá.
- Não, estou bem aqui - ela respondeu, achando que a poltrona junto à lareira era mais confortável para ele.
- Quero sentar no sofá, para estender a perna.
- Seu tornozelo está inchado?
- Um pouco. Acho que o forcei muito, hoje.
Whitney ficou surpresa ao ouvi-lo admitir aquilo. Notou que ele aguardava que ela se levantasse para poder se acomodar, então apressou-se em ir para a poltrona. Gabriel ajeitou-se no sofá, encostando-se num braço e estendendo a perna no assento.
- Que tal assistirmos ao noticiário? - propôs. - Há dias não sei o que está acontecendo no mundo.
Whitney ligou a televisão e, enquanto comiam, assistiram a um telejornal. Quando começaram as notícias locais, ela notou que Gabriel franzia a testa, mostrando-se preocupado.
O apresentador do jornal anunciou que mercadorias, estimadas em meio milhão de dólares, haviam sido roubadas, e que Carl Lightfoot encontrava-se na cena do crime para divulgar o boletim policial.
O repórter estava em frente à loja de equipamentos para escritórios. A câmera mostrou várias viaturas policiais estacionadas na rua, pessoas movimentando-se para todos os lados, e em seguida focalizou um homem alto, de uniforme. O xerife. Respondendo a uma pergunta do repórter, ele informou que não havia pistas sobre a identidade dos assaltantes, e que a polícia local e a estadual estavam trabalhando em conjunto.
Whitney reconheceu a voz do xerife como sendo a do homem que ligara para Gabriel.
- Ele interrogou você? - ela indagou, furiosa. Gabriel olhou-a, parecendo confuso.
- O xerife - Whitney explicou. - Foi ele quem ligou hoje à tarde, não foi? A polícia sempre suspeita de pessoas que já tiveram problemas no passado. Ele queria saber se você tinha um álibi para ontem à noite?
- Você tem assistido a filmes demais.
- Você esteve aqui a noite inteira. Posso testemunhar isso.
- Obrigado - ele ironizou. - Se alguém perguntar, vou mandar que falem com você.
Olhou para a televisão, então para Whitney, que notou que havia paixão no olhar dele, algo que a atitude ríspida não conseguia encobrir.
A notícia seguinte foi a previsão do tempo. Gabriel voltou a atenção para o telejornal, e sua expressão tornou-se remota.
Após a refeição, foi para o quarto. Mais tarde, quando já estava deitada, impaciente e agitada, Whitney ouviu o assoalho acima dela ranger. Estaria Gabriel observando sua fazenda, pensando no tempo em que a mãe vivia, em que ele era feliz?
Whitney tinha certeza de que ele já fora feliz, quando corria pelos campos verdes e ensolarados, cheio de juventude e vida. Mas aquilo era passado. No presente, ele parecia triste e gostava de observar a escuridão da noite, como se procurasse alguma coisa. Mas o quê?
- Esse ficou muito bom - a vendedora comentou. - O tom de azul combina com seus olhos.
Whitney olhou-se no espelho e não gostou do vestido azul, de modelo conservador.
Suspirou, movendo a cabeça negativamente.
- Acho que vou procurar mais um pouco - disse. Vestiu a calça jeans e o suéter e saiu da loja. Não encontrara nada que a satisfizesse, em Riverton, Medford ou Ashland. Estava sem sorte.
Gabriel estava parado em frente à loja, olhando a vitrina.
- Vamos? - Whitney perguntou.
Ele concordou com um gesto de cabeça, virou-se e entrou na caminhonete pelo lado do motorista. Já estavam na terceira semana de janeiro, fazia dezesseis dias que ela o encontrara com o pé preso na armadilha, e ele vinha se recuperando sem problemas.
O dia seguinte seria sexta-feira, dia do Festival de Inverno da Câmara de Comércio de Riverton, e Whitney queria usar algo novo, bonito e especial.
Ela olhou para Gabriel e confessou a si mesma que desejava que ele a visse com outras roupas, além de calças jeans e suéteres.
Durante o percurso, cada vez que os olhares deles se encontravam, algo acontecia dentro dela, seu coração parecia parar, então batia violentamente. Whitney comparou-se a uma adolescente com os hormônios fervilhando. Sentiu-se aquecer. Olhou para as árvores cobertas de neve, mas nem a neve conseguia acalmá-la.
Faria vinte e oito anos em abril. As vezes, tinha vontade de jogar a precaução no lixo e apenas se divertir, mas isso seria estupidez. Onde estava o bom senso que sempre a guiara?
Em frente à casa, ela e Gabriel desceram da caminhonete e pegaram as sacolas com as compras do mercado, levando-as para a cozinha.
Já anoitecera, quando Gabriel terminou de instalar a nova pia e o fogão. A cozinha estava pronta.
Whitney preparou sanduíches para o jantar.
- O que vai usar amanhã à noite? - indagou, enquanto comiam na mesa da cozinha.
Gabriel fitou-a como se ela houvesse feito uma pergunta ofensiva. Whitney imaginou-o na cama, usando aquela camiseta que emprestara a ele, logo nos primeiros dias, então visualizou-o tomando banho. Sentiu os bicos dos seios ficarem eretos e pressionarem o casaco do pijama de flanela.
- O que vai usar? - insistiu.
- Eu não vou ao festival.
- Você tem de ir!
Whitney pretendia usar a comemoração para reintroduzi-lo na comunidade.
- É uma ordem? - Gabriel perguntou.
- Não, claro que não. É que eu pensei... Bem, não importa.
Ela lutou para esconder seu desapontamento, pois jamais passara por sua mente que ele não iria.
- Não vou ficar na cidade, por isso não há motivo para eu me socializar com os cidadãos locais - Gabriel argumentou. - Você, ao contrário, tem todos os motivos. Benevolência é importante, nos negócios.
Tomou um gole de chocolate quente.
- Os comerciantes podem indicar sua pensão a turistas, mas só o farão se a conhecerem e gostarem de você - continuou. - Você precisa ser sociável, eu não.
Whitney preocupava-se com Gabriel, mergulhado num mundo no qual não havia ninguém que se importasse em saber se ele estava vivo ou morto.
- Para onde irá, quando for embora? - indagou. Gabriel notou que os olhos azuis mostravam-se preocupados, apesar de ela tentar esconder os sentimentos.
- Não se preocupe comigo - falou.
- Não estou preocupada. Por que deveria estar?
Ele sabia que Whitney estava mentindo e comoveu-se. Queria tocá-la, acariciá-la, possuí-la. Não sabia por quanto tempo mais conseguiria manter distância entre eles.
Toda noite, deitava-se na cama e pensava no modo como ela o tratara, salvando-lhe a vida. Sem se importar com a própria segurança, ela o levara para casa, colocara-o em sua cama, dera-lhe um emprego e ficara ao lado dele, indo contra os moradores locais.
Isso incita certos sentimentos num homem, Gabriel disse a si mesmo. Mas são sentimentos que não posso permitir que me afetem. Abanou a cabeça. Tinha outros planos, um trabalho a fazer, uma carreira para seguir e parte do mundo para conhecer. Ignorou a voz da própria consciência, que dizia que ele já conhecera metade do mundo e nada o impressionara.
Sentia falta de um lugar para chamar de lar, mas voltara ao Oregon para pegar os bandidos que usavam sua fazenda, limpar seu nome, depois vender a propriedade.
Terminou a refeição, pediu licença e foi para o quarto. Seria uma longa noite, como todas as outras.
Whitney ouviu o ranger do assoalho. Gabriel ficava mais inquieto a cada dia. Vivia de mau humor, e sua raiva era quase palpável. Ela estava convicta de que logo ele iria embora e perguntava-se o que ainda o segurava ali. Seria o meio milhão de dólares em equipamentos que tinham sido roubados?
Seu coração recusava-se a acreditar nisso. Ela se revirou na cama, então levantou-se e puxou a cortina para ver a lua e avistou um facho de luz cortando a escuridão.
Focalizou toda a atenção naquela direção. Ficou imóvel, esperando ver outro facho. De repente, percebeu que o rangido do assoalho parara. Dez minutos passaram-se. Ela não viu mais nada de estranho lá fora. Aos poucos, relaxou e voltou para a cama. Estava quase dormindo, quando ouviu uma porta bater.
Levantou-se e correu pelo corredor, na direção da frente da casa. Olhou pela janela e avistou um vulto, que logo desapareceu atrás de uma árvore. Minutos depois, com frio, voltou para a cama. Já passava da meia-noite, quando ouviu a porta da frente abrir-se e fechar-se e depois o rangido dos degraus da escada de madeira.
Perguntou-se onde Gabriel estivera, e com quem. Arrepiou-se, apreensiva. Puxou as cobertas até o pescoço, sentindo o coração bater descompassado.
Whitney levantou tarde, na manhã seguinte. Lavou-se e vestiu-se, cansada por causa da péssima noite de sono, longas horas em que mil perguntas passaram por sua cabeça.
Gabriel estava sentado à mesa, tomando café, quando ela entrou na cozinha. O rosto másculo não mostrava nenhum sinal de uma noite mal dormida.
- Bom dia - ele cumprimentou.
- Bom dia.
Whitney abriu o armário, pegou uma xícara e serviu-se de café, encostando-se na pia.
- O que há? - ele indagou.
- Nada.
- Vamos, irlandesa, diga o que está passando por sua cabeça. Não gosto de olhares especulativos. Sei como as mulheres agem.
Whitney ficou irritada e pousou a xícara na pia, com força.
- E como é que os homens agem? - rebateu.
- O quê?
- O que me diz de sair de casa no meio da noite? Não pensou que podia haver alguém lá fora, um malfeitor, por exemplo, pronto para eliminar quem cruzasse seu caminho?
Gabriel hesitou.
- Pensei - respondeu.
- Mas você precisou ir até sua fazenda, quando viu um facho de luz, não é?
- O que sabe sobre isso?
- Da janela de meu quarto, vi um facho de luz na direção de sua propriedade.
- Era para você fechar as cortinas, à noite - ele comentou com azedume. - Foi por isso que as pendurei.
- E fecho, mas como tive dificuldade para dormir, levantei-me e puxei um lado para ver a lua.
- O que mais você viu?
- Vi alguém entre as árvores. Com certeza era você, porque depois ouvi-o voltar para dentro.
- Nunca mais me espione - ele avisou em tom de ameaça.
Eles se encararam, furiosos, mas Whitney não se sentiu amedrontada.
- Eu não estava espionando - ela replicou. - Estava preocupada com sua segurança e, pelo jeito, sem motivo.
- Como, sem motivo?
- Talvez você não esteja em perigo. Talvez tenha ido à fazenda para se comunicar com seus contatos.
- É o que pensa?
- Não... Eu não sei... Quero saber por que saiu durante a noite.
Gabriel cerrou os punhos.
- Acreditará em mim, se eu lhe contar? - perguntou com um cínico sorriso nos lábios. Ela moveu a cabeça, afirmando.
- Pura e simplesmente? - ele insistiu.
Whitney percebeu que ele não confiava nela, mas por que deveria, se as pessoas que o viram crescer foram as primeiras a magoá-lo com suas desconfianças?
- Pura e simplesmente - respondeu, sorrindo. - Acho que foi investigar quem estava em sua propriedade. Estou certa?
- Acha que eu admitiria que fui à fazenda com outro propósito, como, por exemplo, reclamar minha parte do meio milhão de dólares?
Whitney indagou-se se não estava sendo a maior idiota do mundo, mas na verdade aceitaria qualquer resposta que Gabriel desse, pois não acreditava que ele fosse capaz de mentir.
- Olhei sua alma e sei que ela é boa - disse. Palavras inadequadas, porém foram as melhores que encontrou.
Gabriel moveu a cabeça negativamente.
- Irlandesa, ou você é a mulher mais inteligente do mundo, ou a mais burra - declarou.
- Obrigada - ela agradeceu com cinismo, percebendo que ele não ia responder por que saíra de casa no meio da noite. - Quer panquecas, para o café da manhã, ou prefere ovos mexidos?
- Panquecas.
Whitney refletiu que ele devia ter forçado muito o pé ferido, caminhando pela neve para chegar a sua fazenda. Sentiu um calafrio. Homens que roubavam meio milhão de dólares podiam atirar em qualquer intruso, e Gabriel, querendo defender sua propriedade, poderia ter morrido.
Refletiu que ele devia ter voltado, depois de tantos anos, por saber que sua fazenda estava sendo usada por criminosos, a quem pretendia desmascarar, pois certamente não desejava ter seu nome ligado a um bando de ladrões outra vez.
Indo contra a opinião popular e ficando ao lado de Gabriel, ela estava sendo a única pessoa sensata, capaz de ver a honestidade dele, ou estava sendo a única imbecil que acreditava em suas mentiras?
Sensata ou imbecil, só as atitudes de Gabriel diriam. Mas ele podia se ferir, e até morrer, enfrentando os bandidos. Ou ser acusado novamente de fazer parte de uma quadrilha. Se os investigadores encontrassem mercadorias roubadas na fazenda, ele estaria numa encrenca séria.
Claro que Whitney testemunharia a favor da honestidade de Gabriel e diria que ele ficara em sua casa, saindo só com ela, a não ser na noite em que vira um facho de luz em sua fazenda.
Recordou que, na primeira vez em que o vira, comentara consigo mesma que Gabriel parecia um homem que tinha uma missão a cumprir. E tudo levava a crer que era isso mesmo.
Quando ele voltou à cozinha, trazendo a caixa de ferramentas, ela decidira esperar para ver o que aconteceria.
- Vou consertar um dos móveis que estão no porão - Gabriel informou. - Quais são seus planos para hoje?
- Quero começar a pintar a sala de estar.
- Irei ajudá-la, assim que acabar o conserto do móvel.
- Tudo bem - respondeu Whitney, dirigindo-lhe um sorriso incerto.
CAPÍTULO VII

Whitney estava parada na frente do armário, olhando suas roupas, mas nenhuma agradou-a. Os dois vestidos de noite que comprara para frequentar as festas sociais da mãe eram sofisticados demais.
Hesitante, olhou para o vestido que a mãe lhe dera de presente, no Natal. Era um vestido preto, justo, de mangas compridas, com decote princesa. Ao mesmo tempo que parecia modesto, era provocante.
- Use-o.
Whitney virou-se e viu Gabriel encostado no batente da porta, com as mãos nos bolsos da calça jeans,
- É muito... muito...
Ela nem conseguia encontrar um termo para classificar o vestido.
- Insinuante? - ele sugeriu, sorrindo como se estivesse desafiando-a.
- É muito insinuante para Riverton, não acha? Whitney detestava mostrar-se insegura. Afinal, fora às muitas recepções que a mãe oferecera, apesar de ficar sentada num canto do jardim, como se fosse uma das plantas. Só que, naquela noite, ela queria chamar a atenção de um homem especial.
- Riverton está mais sofisticada, atualmente - Gabriel observou.
- Talvez.
Whitney não sabia se usava o vestido ou não, e disse a si mesma que decidiria depois do jantar.
Gabriel entrou e entregou-lhe uma caixa pequena, amarela, com desenhos orientais.
- Hena? - ela indagou ao ler o nome escrito na embalagem.
- Estive no Oriente Médio, e as mulheres de lá usam esse produto com tintura de hena nos cabelos. O efeito é surpreendente. Achei que gostaria de tentar.
- Tudo bem. Vou aplicá-la agora mesmo.
Pegou uma toalha e foi para a cozinha, onde procurou um recipiente de plástico para preparar a mistura do pó de hena com água quente. Em seguida, no banheiro, molhou os cabelos, passou a mistura e decidiu deixá-la por quarenta minutos.
Após escrever uma carta para sua melhor amiga em Washington, fez sanduíches para o jantar, sentindo-se uma idiota com uma touca plástica na cabeça para evitar que a hena escorresse.
- Encantadora - Gabriel comentou com um sorriso, acomodando-se à mesa.
- Você devia sorrir mais vezes - ela disse. O sorriso dele desapareceu.
- Você fica muito bonito, quando sorri - Whitney persistiu. - Não que não seja bonito quando está sério, mas quando sorri parece tão... - Franziu a testa. - Você me deixa nervosa. Isso nunca me aconteceu antes.
A explicação era simples: os amigos da faculdade eram apenas rapazes com quem estudava ou jogava cartas. E Gabriel, o que era? Whitney não tinha certeza. Havia uma corrente de desejo inegável entre eles, uma corrente que era inquietante, excitante, profunda e incerta.
- A paixão pode ser muito perigosa - ele murmurou -, especialmente se você nunca a experimentou.
- Há sempre uma primeira vez.
Ela não acreditava no que acabara de dizer. Frases provocantes não faziam seu género. Era muito direta e honesta para aquele tipo de jogo, ou, pelo menos, fora.
Gabriel riu.
- Cuidado, irlandesa, porque posso aceitar sua oferta.
- Eu não fiz uma oferta. Ou fiz?
Ele não respondeu. Pegou um sanduíche de presunto e queijo e saboreou-o em silêncio.
Whitney desejou pensar em algo que o fizesse retomar o assunto.
- São quase seis horas - Gabriel avisou.
Ela acabou de comer seu sanduíche, então foi para o banheiro e tomou banho, lavando os cabelos. Enrolou uma toalha na cabeça, vestiu o roupão e foi para o quarto, terminar de se arrumar.
Enquanto vestia a meia-calça preta, ouviu Gabriel entrar no banheiro e abrir o chuveiro. Seria muito divertido, se ele a acompanhasse à festa. Ela sentiu uma onda de prazer percorrer-lhe o corpo, ao imaginar-se saindo e voltando para casa com ele.
Olhou para a cama. Gabriel estava bastante recuperado para...
Respirou fundo e disse a si mesma para parar de pensar em bobagens. Depois de aplicar perfume em pontos estratégicos, vestiu calcinha e sutiã pretos, depois o vestido. Passou dez minutos secando os cabelos, impaciente, usando a temperatura máxima do secador. Mal podia esperar para ver o efeito causado pela hena.
Ao terminar, olhou-se no espelho e viu, surpresa, que os cabelos estavam mais sedosos, brilhantes, bem menos vermelhos. Satisfeita, maquilou-se. Então, pegou a bolsa e a parca, olhou-se no espelho novamente e ficou boquiaberta, pois estava incrivelmente sensual e provocante.
Não queria que as pessoas da cidade a vissem como uma... Bem, algo que ela não era. Pensou em tirar o vestido e usar seu recatado conjunto azul-marinho.
- Está linda.
Whitney virou-se e deparou-se mais uma vez com Gabriel entre os batentes da porta, observando-a. Ele usava um terno azul-escuro, camisa azul-clara e gravata listrada, nos dois tons.
- Você vai? - ela indagou.
- Vou. A estrada deverá estar coberta de gelo, quando você voltar para casa.
Whitney olhou-se de novo no espelho.
- Este vestido é...
- Perfeito - Gabriel completou, aproximando-se.
- Não acha que é muito...
- Não, não acho. É melhor calçar as botas e levar os sapatos para calçá-los lá. Não pode andar na neve com esses saltos.
Minutos depois, os dois saíram de casa e entraram na caminhonete. No caminho para a cidade, Whitney não conseguia parar de olhar para Gabriel. Pela primeira vez na vida, estava completamente apaixonada.
Gabriel estacionou o veículo próximo ao centro comunitário, achando que errara ao decidir ir à festa, mas a tentação o vencera. Ele era apenas um homem, não um santo. Tentou acalmar-se, enquanto Whitney trocava as botas pelos sapatos. Então, ajudou-a a descer do veículo, e juntos correram para dentro do centro comunitário.
Ele tentava ignorar a paixão que existia entre eles, mas a cada minuto ficava mais difícil. Às vezes, chegava a ser quase impossível, como naquela noite. Só que paixão não tinha espaço no esquema que ele montara para sua vida.
Mesmo sabendo que não deveria ir à festa com ela, decidira acompanhá-la, como um guarda-costas. Whitney era linda, e algum idiota local podia não aceitar um "não" como resposta, sem contar que o caminho de volta para casa era longo e muito perigoso, no inverno.
- Olá! - o prefeito exclamou ao vê-los. - Coloquem os casacos ali. Aqueçam-se na lareira. Há muitos jovens casais por lá.
Whitney sorriu e conversou com o prefeito e sua esposa, puxando Gabriel para seu lado e apresentando-o.
- O pai dele era o proprietário da fazenda ao lado da propriedade de minha avó - explicou. - Vocês devem se lembrar.
Gabriel notou os olhares especulativos do casal, como se os dois estivessem recordando as circunstâncias de sua partida. Concluiu que as lembranças permaneciam eternas, em pequenas cidades. Por Whitney, ele sorriu e forçou-se a ser cordial, porque não queria embaraçá-la. Entraram no salão, e ele percebeu que Whitney estava orgulhosa por estar ao lado dele, como se ele fosse um prêmio ou algo do gênero.
Do outro lado do salão, um par de olhos acinzentados chamou a atenção de Gabriel. O xerife, Sidney Macklin, sorriu-lhe, então olhou para Whitney.
Sidney fora colega de classe de Gabriel, que se surpreendeu ao ver que ele se tornara xerife. A família Macklin tinha grande influência local. Pelo jeito, o irmão mais novo cuidava dos negócios da família, enquanto Sidney cuidava da cidade.
Gabriel fez um gesto de cabeça na direção do xerife e ignorou a indagação nos olhos dele quanto a sua presença na festa. Já não dava mais para andar às escondidas para não levantar suspeitas. Mas cedo ou tarde, todos saberiam que ele estava de volta. Os ladrões também ficariam sabendo e logo cairiam na armadilha. Ele então ficaria livre daquele lugar, para sempre.
Ele sentiria a falta de Whitney, quando fosse embora. Franziu a testa, desgostoso com essa constatação, e decidiu que não se deixaria envolver pelo charme dela. Whitney apresentou-o a um outro grupo de pessoas. O perfume dela o enfeitiçava. Ele experimentava sensações e sentimentos que esquecera havia muito tempo, pois apenas causavam dor. Confiança e envolvimento só traziam mágoa. A banda começou a tocar.
Gabriel notou o olhar rápido que Whitney lançou-lhe, enquanto continuava a conversar, e disse a si mesmo que não dançaria.
Diversos casais de várias idades dirigiram-se à pista de dança. Sem saber como, Gabriel viu-se entre eles, com Whitney. Sem alternativa, abraçou-a, e ela se ajeitou contra seu peito.
- Você é como fogo - Gabriel murmurou. - Queima o bom senso de qualquer homem.
- Precisamos ser sensatos, esta noite?
- Precisamos.
- Eu queria...
Whitney calou-se, mas não havia necessidade de palavras. Gabriel sabia o que ela queria. Contudo, o que podia oferecer a uma mulher como aquela? Oh, tinha muito dinheiro, devido, primeiro, à sorte no pôquer, depois à sociedade com um amigo num posto de gasolina e ao emprego perigoso no governo americano. Mas, com o dinheiro, ofereceria também um nome manchado, um passado suspeito e um futuro questionável.
Olhou para Whitney. Ela o fitou com os olhos repletos de confiança e paixão.
- Não tem jeito - ele falou.
- Tem que ter.
- Não vou ficar aqui, irlandesa.
Whitney sentiu um aperto no peito e baixou a cabeça.
- Entendo - murmurou, controlando-se, para então erguer a cabeça e sorrir.
Gabriel teve de fazer um grande esforço para não beijá-la.
- Não me olhe assim - pediu. - Não permita que seu coração se machuque. Nenhum homem merece isso.
- Você merece. Amar é um grande risco, mas dá significado a tudo. Pode transformar a derrota em triunfo. Mas é preciso acreditar nele. É preciso dar-lhe uma chance.
- Amor não está nos meus planos, não neste momento.
- Por quê?
- Porque as coisas estão difíceis e não posso me distrair.
- Há algo acontecendo em sua fazenda, e você está tentando descobrir o que é, certo?
Gabriel franziu a testa e apertou Whitney contra seu corpo.
- Você já viu demais - falou.
Ao término da dança, guiou-a até uma mesa.
- Gabriel! - uma bela mulher de longos cabelos pretos e grandes olhos verdes chamou, surpresa.
- Glória - Gabriel disse, parecendo feliz em vê-la. Em seguida, fez as apresentações.
- Whitney é minha vizinha e também minha... patroa. Whitney, Glória é uma amiga.
Após dizer "oi" e sorrir calorosamente para Whitney, a mulher deu total atenção a Gabriel.
- O que está fazendo por aqui? - perguntou.
- Estou pensando em vender a fazenda. Whitney notou que Gabriel dissera "estou pensando". Talvez ele estivesse mudando de idéia. O coração dela encheu-se de esperança.
- Vai vender sua casa?! - Glória exclamou. - Todos precisam de um lugar para onde voltar.
Whitney fitou-o e viu um sorriso irônico nos lábios firmes.
- Já me disseram isso - Gabriel respondeu, então olhou ao redor. - Onde está Rafael?
- No banheiro. Talvez seja melhor você ir atrás dele. Ele já está lá há muito tempo. - Provavelmente está discutindo com alguém como fazer a comunidade prosperar. Vou trazê-lo de volta.
Gabriel deixou-as e seguiu na direção do banheiro masculino. Próximo a elas, um murmúrio chamou a atenção de Whitney.
- Olhe! Não é Gabriel Deveraux? - uma mulher perguntou a outra.
- É. Nunca pensei que ele voltasse. Nem se incomodou em comparecer ao funeral do próprio pai.
- Ouvi dizer que o velho Deveraux expulsou-o de casa. Whitney cerrou os punhos. Gabriel voltara, quando o pai falecera. Talvez não houvesse conseguido chegar a tempo para o enterro, ou talvez não quisesse ver pessoas que com certeza o acusariam mais uma vez.
- Quer dizer que é vizinha de Gabriel - Glória comentou.
- Sou. Vou abrir uma pensão, na esperança de pegar os hóspedes que não conseguirem lugar na estação de esqui. Gabriel está em minha casa, enquanto me ajuda nas reformas.
Glória pareceu feliz ao saber que ele estava empregado.
- Que bom! - falou. - Eu pensei... Bem, deixa para lá. - Sorriu misteriosamente. - Ele trabalhou na estação de esqui também. Peça-lhe para contar a você.
Whitney percebeu que havia muito mais por trás daquela simples sugestão, mas não tinha idéia do que fosse. Sentiu um calafrio.
Antes que pudesse fazer mais perguntas, Gabriel e Rafael apareceram, e ela ficou desconfiada. Gabriel podia ter trabalhado para aquele homem na estação de esqui, mas parecia que os dois se conheciam havia muito tempo. O xerife olhou-os atentamente, como um predador à procura da presa. Whitney amedrontou-se e tentou sorrir normalmente, enquanto era apresentada a Rafael.
Estava ciente da tensão que Gabriel tentava esconder de todos. Se não estivesse atenta a cada movimento dele, também não perceberia. O xerife teria parado Gabriel e insinuado coisas? E se as mercadorias roubadas fossem descobertas na fazenda abandonada, e prendessem Gabriel? Alguém acreditaria que ele era inocente?
Whitney pôs a mão na testa, subitamente necessitando afastar-se daquelas pessoas que pareciam tão amigáveis e ao mesmo tempo tão cruéis.
- Estou com dor de cabeça - mentiu. - Acho que vou para casa.
Gabriel pousou a mão no queixo dela e forçou-a a encará-lo.
- Tudo bem - concordou, embora não estivesse compreendendo nada. - Obrigado pelo convite, Glória. Daremos uma resposta em breve.
Whitney tomou consciência de que não ouvira o convite que a mulher fizera.
- Não demorem muito - Glória aconselhou, sorridente. - Partiremos na semana que vem.
- Glória e eu nos casaremos na casa dos pais dela, no próximo sábado - Rafael esclareceu.
- Ah... - Gabriel murmurou.
Whitney teve vontade de dar um beliscão nele por responder tão secamente.
- Parabéns - falou, Tenho certeza de que serão muito felizes.
Rafael olhou para a noiva.
- Não tenho dúvida - declarou.
- Nem eu - Glória reforçou. Seguiu-se um breve silêncio.
- É melhor irmos - Gabriel disse,- a estrada deve estar coberta de neve.
Despediram-se do casal de noivos, e Gabriel ajudou Whitney a vestir a parca, mostrando-se com muita pressa de ir embora. Quando ele manobrava o veículo, ela viu um homem alto, de uniforme, saindo do centro comunitário.
Durante todo o caminho, ela olhou para trás, mas não viu nenhum carro seguindo-os. No entanto, por alguma razão, tinha certeza de que o xerife estava no encalço deles.
- Alguma vez você já teve a sensação de que algo está para acontecer, mas não sabe o que é? - Whitney indagou.
Gabriel fitou-a de soslaio, porém não disse nada.
- É como eu me sinto agora - ela explicou. - Uma premonição de perigo, sei lá.
- Leva premonições a sério? Não devia. Acho melhor parar de ler aqueles livros de mistério.
Whitney tinha certeza de que ele a estava enganando, impedindo-a de descobrir alguma coisa, encobrindo fatos. Pressionou os lábios e não disse mais nada.
Whitney, deitada na cama, ficou olhando para o teto, com mil pensamentos correndo pela mente. Não conseguia esquecer os dois conselhos de Gabriel: não permitir que seu coração se ferisse e não levar premonições a sério.
Daquele momento em diante, teria mais cuidado, não dividiria suas apreensões com ele. Observaria e esperaria. Acabou adormecendo. Pouco antes do amanhecer, acordou abruptamente e foi para a janela a tempo de ver Gabriel atravessar o bosque e pular a cerca que dividia as duas propriedades.
Um homem encontrou-o lá, e os dois seguiram na direção do bosque. Whitney correu para pegar o binóculo, mas quando voltou já era tarde, pois os dois já haviam desaparecido entre as árvores.
Trinta minutos depois, quando pensava em voltar para a cama, viu Gabriel saindo de trás de um pinheiro. Ele parou, olhou ao redor, então pareceu olhar para a janela do quarto dela.
Mesmo sabendo que não podia ser vista, Whitney ficou tensa. Quando Gabriel voltou a caminhar, ela se apressou em vestir-se, e descer. Encontrava-se na cozinha, quando ouviu-o entrar pela porta da frente, subir a escada, tornar a descer.
Gabriel entrou na cozinha e fitou-a de modo estranho.
- Acordou cedo - comentou.
- Você também - ela respondeu, oferecendo-lhe uma xícara de café.
- Tinha coisas a fazer.
- Por exemplo?
Whitney notou que ele estava furioso, mas não sabia se era com o homem com quem se encontrara, ou com ela.
- Você não vai me contar? - indagou.
- Não, não vou contar - Gabriel respondeu, tomando um gole de café. - Você disse que confiava em mim. Prove.
- Como?
- Não faça mais perguntas. Não tente descobrir o que estou fazendo, ou o que vai acontecer. Não é problema seu, e não quero ter de me preocupar com você.
Gabriel pedia uma confiança cega. Whitney estremeceu.
- Não posso deixar de ficar preocupada, mas não vou interferir - assegurou. Eu prometo.
CAPÍTULO VIII

Witney parou no meio da sala de estar e olhou para a mobília que ela e Gabriel haviam trazido do porão e do sótão.
- Não gostei - falou.
Ele bufou, mas foi ignorado.
- Vamos trazer o sofá para cá - Whitney pediu.
- Era onde estava, dois minutos atrás.
- É o melhor lugar. Um, dois, três, já! Ergueram o sofá e carregaram-no para o lugar anterior.
Depois do esforço, ela se encostou na parede e respirou fundo.
- Descanse um pouco - Gabriel recomendou.
- Não. Quero deixar a sala de estar arrumada. Vamos pôr a mesa e as cadeiras em frente àquela janela.
Com a ajuda de Gabriel, arrumou os móveis da sala e da antecâmara. Quando tudo estava no lugar, como ela desejava, ele colocou as mãos nos bolsos da calça, observando-a caminhar pelo aposento.
- Está perfeito - Whitney declarou. - Quero abrir a casa no final do mês, para visitação. Acha que conseguiremos?
- Talvez.
- Vi umas roupas antigas num baú, lá no sótão. Vou ver se encontro um vestido, depois que terminar de colocar o papel de parede no corredor. Talvez eu consiga achar um em estilo vitoriano, para usar na inauguração. O que vai fazer esta tarde?
- Vou trabalhar nas janelas.
Gabriel passara os últimos dias cuidando dos encanamentos e das janelas. O telefone tocou. Ela foi até o vão sob a escada, transformado em espaço de recepção, e atendeu.
- Pensão B & B - anunciou.
Um homem queria saber se ela teria dois quartos disponíveis para o final de semana e disse que fora o proprietário da estação de esqui quem dera a indicação.
- Este final de semana? - ela repetiu. - Desculpe, mas não estaremos...
Gabriel tirou-lhe o fone da mão.
- Recepção - declarou. - Vou checar nossa agenda. - Sorriu para Whitney. - Não teremos quartos disponíveis antes de março, desculpe.
Informou o preço das diárias, muito mais alto do que Whitney pretendia cobrar. Ela aguardou que ele anotasse o nome, endereço e telefone do homem e desligasse o telefone, antes de censurar:
- O que fez foi horrível, quero dizer, mentir para o homem...
- Eu menti?
- Disse que estávamos lotados.
- Não, eu disse que não tínhamos quartos disponíveis até março, e é verdade, não?
- Bem, é, mas você deu a entender...
- O que ele pensou é problema dele.
Gabriel entregou-lhe a folha de papel com os dados do homem.
- Vou ao porão, pegar a caixa de ferramentas.
- O preço que você deu foi muito alto - Whitney disse. - A maioria das pessoas não pode pagar tal preço por um quarto.
Ele, que começara a andar, parou e virou-se.
- Elas podem se dar ao luxo de viajar. Você devia ver as propagandas nas revistas de viagem. Dê ênfase aos aspectos saudáveis deste lugar: nada de outdoors, nada de poluição, ao contrário, ar puro, natureza, esse tipo de coisa.
- Eu estava pensando em famílias que não podem pagar o preço da estadia na estação de esqui, mas que adorariam ficar aqui.
Gabriel observou-a por alguns instantes, então sorriu.
- Eu devia saber - murmurou, em seguida movimentou a cabeça negativamente e seguiu seu caminho. - Você não é capaz de explorar ninguém.
Ela saboreou aquele tenro sorriso, antes de ler o que estava escrito no papel. Aquele seria seu primeiro hóspede.
No final da tarde, Whitney subiu ao sótão. Aproximou-se das caixas de papelão e dos baús. Abriu um deles e encontrou o vestido de noiva da avó. Colocou o vestido na frente do corpo e andou até uma janela para olhar seu reflexo na vidraça. Tentou sorrir, mas não pôde. O momento parecia muito solene, e ela pensou em todas as esperanças e sonhos que aquela vestimenta despertava.
Num impulso, tirou a calça jeans e o suéter e vestiu o vestido. De repente, Gabriel apareceu e ajudou-a a fechar os botões do vestido, fazendo-a arrepiar-se, cada vez que sua mão roçava-lhe as costas.
Quando terminou, ele soltou os cabelos ruivos e ajeitou-os sobre os ombros dela, então ajudou-a a colocar a grinalda na cabeça. Virou-a para si e fitou-a bem dentro dos olhos.
- Uma noiva devia parecer feliz, não apreensiva - comentou.
- Não sou uma noiva.
Ele pousou as mãos nas faces dela e olhou para os lábios sensuais.
- Por favor... - ela murmurou.
- Não, não posso fazer isso - ele murmurou, soltando-a. - É errado, não faz parte do plano.
- Por quê? Como pode ser errado, se ambos queremos?
Ele a segurou pelos pulsos, como se não quisesse ser tocado.
- Não tenho nada para lhe dar - falou.
- Dê você mesmo.
- Isso não é suficiente. Você quer viver aqui. Quer um nome limpo, não um que desperte suspeitas e desconfianças.
- Eu não me importo.
- As pessoas nunca esquecem. As maledicências sempre a perseguirão, como no dia em que fui à cidade com você, como aquela noite, no centro comunitário. Sei o que todos pensam.
Gabriel respirou fundo, fazendo uma pausa.
- "Aquele não é o jovem Deveraux, um ladrão?" - continuou. - Quer que isso a persiga para o resto da vida?
- Eles o verão com outros olhos, se você morar aqui e provar que estão errados.
- Levando uma vida exemplar? A natureza humana não funciona assim, irlandesa. Vou me arrepender, vou odiar este lugar, como já aconteceu antes.
- Seria diferente, agora. Você estaria comigo. Gabriel suspirou e fitou-a.
- Você quase me fez voltar a acreditar. Quase - sussurrou.
Whitney pestanejou, mas as lágrimas começaram a cair. Ele acariciou-lhe as faces.
- Ah, irlandesa - murmurou, abraçando-a.
Beijou-a apaixonadamente. Empurrou-a contra a parede, afagando-a, massageando os seios redondos, colocando uma perna entre as dela.
- Nunca me senti assim - Whitney confessou.
- Eu sei. É muito forte.
- É.
- Beije-me com mais paixão, irlandesa.
Ela tentou dar a Gabriel tudo o que ele desejava e mais um pouco. Quando ele abriu os botões do vestido e deslizou a parte superior até a cintura dela, Whitney não teve como conter um gemido de prazer.
- Eu sabia que seus seios eram lindos - ele murmurou, deslizando a mão pelo colo acetinado. - Você tem sardas...
- Elas só aparecem quando uso biquíni.
- Se depender de mim, você nunca usará nada. Aquela idéia era fantasticamente romântica para Whitney, que viu os dois como Adão e Eva num jardim de prazeres.
- Gostei - ela murmurou, desesperada por ser admitida naquele paraíso. Seremos livres para correr pelo campo, fazer amor onde e quando quisermos.
- No riacho, sob os salgueiros. É, no verão, eu gostaria de fazer amor com você na água, embaixo dos salgueiros.
Ele sugou um mamilo, depois outro. Ela gemeu e fechou os olhos, deliciando-se com a sensação.
- Continue... - pediu. - Onde mais faremos amor?
- Nas montanhas, no bosque...
- Será maravilhoso.
- Você irá tremer, quando eu a tocar, e será preciso que me matem, para deixá-la partir.
Whitney abriu os olhos. Gabriel observou-a com um brilho intenso no olhar, então acariciou-lhe o rosto.
- Seria o céu e o inferno. Cada parte de seu corpo guarda promessas de boas e inesquecíveis recordações. Se fizéssemos amor...
Ela ficou desapontada. Ele dissera "se fizéssemos", não "quando fizermos".
- Por que não podemos fazer amor? - perguntou, agarrando-se ao suéter dele.
- Porque tenho de...
Whitney esperou que ele completasse a frase, mas Gabriel não completou. Ele se afastou e olhou-a de cima a baixo, mas foi como se estivesse vendo um quadro que quisesse guardar na lembrança, por saber que jamais teria a oportunidade de revê-lo.
- O banheiro ficou pronto - informou. - Foi o que vim lhe dizer.
Ela ouviu os passos dele ecoarem pela escada. Quando não mais os ouviu, tirou o vestido de noiva e vestiu novamente a calça e o suéter. O sonho acabara. Ela estava de volta à dura realidade.
Depois de guardar o vestido no baú, mexeu nas outras caixas de papelão, separou alguns objetos e decidiu jogar outros fora. Já era noite, quando desceu, relutante em encarar Gabriel. Mas logo percebeu que não devia ter se preocupado, pois ele saíra.
Whitney caminhou de um lado para o outro da sala, olhando para o relógio e contando os minutos. Já passava de meia-noite, e Gabriel ainda não voltara. Ela repetiu diversas vezes a promessa que fizera de não interferir nas ações dele.
Cerrou os punhos e aproximou-se da janela. Desejou que ele estivesse tendo um caso, pois assim, ao menos, saberia que estava seguro, na casa de alguém.
Sentiu um aperto no coração ao imaginá-lo nos braços de outra mulher. Queria-o seguro, mas a seu lado, em seus braços, em sua cama.
Olhou na direção da outra fazenda. Gabriel devia estar lá. Naquele momento, ele podia estar se confrontando, sozinho, com ladrões, furioso por eles estarem usando sua propriedade como esconderijo.
Não, ele não seria tão imprudente. Podia estar irado, mas era cuidadoso e perspicaz. "Confie em mim". Aquelas palavras ecoaram na mente de Whitney. Ela dissera que não interferiria, mas e se ele estivesse caído na neve, ferido, sangrando?
Não sabia o que fazer. Devia ligar para o xerife e exigir que ele desse uma busca na fazenda Deveraux? Se fizesse isso, Gabriel ficaria enfurecido.
"Confie em mim". Mas e se ele estivesse precisando de ajuda? Whitney voltou a andar de um lado para outro. Parou em frente à lareira e olhou para as toras em fogo. Suspirou, sentou-se na cadeira de balanço e decidiu que esperaria mais uma hora, então tomaria uma providência.
Whitney acordou sobressaltada. Olhou ao redor, confusa, então foi ao banheiro, lavou o rosto, prendeu os cabelos e dirigiu-se à cozinha. Eram seis horas da manhã. Gabriel fizera café. Já se levantara, ou talvez nem houvesse dormido.
Whitney subiu a escada, indo na direção do quarto dele, mas, como sempre, a porta estava fechada. Depois de bater duas vezes, respirou fundo e abriu-a. A cama estava vazia e arrumada. Era difícil saber se ele passara a noite ali.
Nada de roupas espalhadas pelo chão, nada de escova ou qualquer objeto de uso pessoal à vista. Aquilo provocou uma estranha sensação em Whitney, como se Gabriel nunca tivesse existido ou morado ali. Ela abriu o armário e viu a mala dele, com todas as roupas dentro, como se ele se achasse pronto para partir a qualquer momento.
Fechou a porta do armário e saiu do quarto, mais preocupada ainda. Voltou para a cozinha e tomou uma xícara de café. Imaginou Gabriel caído na neve, machucado e inconsciente, sangrando. Ele podia estar chamando por ela, precisando de sua ajuda.
Whitney, tomando uma decisão, foi para o quarto, vestiu um suéter mais quente, a parca, colocou um chapéu preto na cabeça e calçou meias, botas e luvas. Saiu de casa e caminhou até a cerca que dividia as duas propriedades. Passou por baixo do arame e aproximou-se do que parecia ser um velho galinheiro.
O silêncio começou a deixá-la nervosa. Reunindo toda a coragem, ela andou na direção do celeiro, mas, ao abrir a porta, ficou espantada com o que viu: computadores, impressoras, máquinas de xerox e de fax, novinhos, cobertos com plásticos. Whitney calculou que ali havia uma fortuna. Por alguns segundos, sua fé em Gabriel perdeu a força.
Ela se enganara a respeito dele? Não, não podia pensar assim. Ele não fazia parte de uma quadrilha! Voltara para a cidade para limpar seu nome. Whitney ouviu um barulho. Olhou para cima e viu uma coruja. Ficou tensa. Pousou a mão na altura do coração e correu para fora do celeiro.
Olhou para a velha casa e viu as janelas quebradas e o telhado parcialmente destruído. A porta da garagem estava aberta, mas não havia nenhum veículo lá dentro. Ela suspirou, aliviada por não notar a presença de ninguém.
Circundou o celeiro e não viu nenhum sinal de Gabriel, nem de luta. Achou que estava sendo idiota. Devia voltar para casa e ao trabalho, antes que Gabriel aparecesse. Se aparecesse. Se não houvesse fugido.
Não, Whitney não podia pensar daquela maneira. Gabriel não era um ladrão. Era um homem honesto, determinado a limpar-se das manchas do passado.
Um súbito pensamento deixou-a gelada. E se ele fora preso? Whitney decidiu que ligaria para o xerife e falaria dos equipamentos escondidos na fazenda Deveraux, se Gabriel não estivesse em casa quando ela voltasse.
Se estivesse, ela perguntaria se ele tinha conhecimento dos equipamentos roubados, escondidos em seu celeiro. Não, não teria coragem de perguntar, pois ele descobriria que ela não cumprira a promessa de não interferir. Fechou os olhos, desesperada. Não sabia o que fazer.
Gabriel parou no meio do pequeno cemitério e olhou em volta. Daquela colina, tinha uma boa visão de sua fazenda e da propriedade de Whitney. Nuvens negras cobriam o céu. Outra nevasca se aproximava. Aquilo faria com que os ladrões retirassem os equipamentos do celeiro antes que as estradas fechassem.
Pelo menos, era o que Gabriel esperava que acontecesse. Estava cansado de esperar. Queria continuar a viver, queria seguir em frente. Mas, para onde iria? Suspirou e sentou-se num túmulo. Lembrou-se dos grandes olhos azuis e dos cabelos ruivos de Whitney. Não sabia o que fazer com ela.
Tentara avisá-la, pois quando fosse embora... Deu um soco na coxa, furioso com a vida. Seus planos eram pegar os ladrões, vender a fazenda e partir. Seria simples, se não existisse uma ruiva que conquistara seu coração. Ela acreditava que ele podia passar o resto da vida ali, que os moradores da cidade esqueceriam o passado e o aceitariam, como se nada tivesse acontecido.
Mas Gabriel tinha certeza de que, ao primeiro sinal de problemas, ele seria o suspeito número um. Era uma pena, mas todas as suas recordações da fazenda e da cidade eram tristes.
Contudo, tinha lembranças recentes, que não eram ruins. Como num filme, recordou o trabalho com Whitney, na reforma da casa, as risadas, os rostos cobertos de poeira, ela vestida de noiva no sótão, os beijos que trocaram, o desejo que ardia em seu corpo...
Loucura. Aquilo era pura loucura. Whitney não fazia parte de seus planos. Às vezes, olhava para ela e pensava em construir um lar e ter uma família.
Pondo-se de pé, andou para a saída do cemitério. Não devia ficar sonhando com o que não podia acontecer. Um homem que não aprendia com os erros do passado era um completo imbecil.
Um movimento em sua propriedade chamou-lhe a atenção, no momento em que ele ia fechar o portão do cemitério. Havia alguém lá embaixo. Correu para lá, pegando um atalho.
Então, devagar, mantendo uma certa distância, para que a pessoa não o visse, andou ao longo da cerca e posicionou-se atrás de uma árvore próxima. Concluiu que a pessoa dirigia-se para a casa de Whitney. Ficou preocupado, pois vira um dos ladrões na fazenda, logo pela manhã. Havia sido a primeira vez que um deles fora checar o material roubado, o que indicava que em breve o retirariam do celeiro.
E se os bandidos tivessem descoberto que ele estava trabalhando para Whitney?
Talvez alguém houvesse sido enviado para vigiá-lo, para que não atrapalhasse os planos da quadrilha.
Seria outra indicação de que aquela situação caminhava para o fim. Que bom. Quanto antes, melhor para Gabriel, pois logo ele poderia sair daquela cidade miserável. Por alguns instantes, ele pensou em Whitney e imaginou que, naquele momento, ela devia estar andando de um lado para o outro da casa, perguntando-se onde ele estava.
Comentou consigo mesmo que o destino não fora justo, quando colocara Whitney em sua vida, tentando-o com os lábios carnudos, os sorrisos amplos, os sonhos de um futuro tranquilo. Sentiria muita saudade dela.
Devia concentrar-se e não sair do rumo que traçara. Voltou a atenção para a pessoa que se aproximava da cerca de arame farpado. Tirou a arma da cintura e esperou para ver quem era, pois tinha a sensação de que se tratava de alguém conhecido.
Provavelmente era um dos moradores da região. Talvez alguém com quem ele tivesse estudado. Ajeitou a arma na mão, sem desviar os olhos da pessoa. Fazia tempo que se cansara daquele trabalho, e pensava em abandonar o serviço secreto. Tornou a pensar em Whitney e experimentou estranhas sensações, distraindo-se por um momento.
Ela dissera que confiava nele. Talvez confiasse mesmo. Mas o que aconteceria, quando chegasse a hora em que seria a palavra dele contra a de todos? Ela ficaria a seu lado? Gabriel duvidava. Ninguém ficara a seu lado, nem seu pai, nem o diretor da escola, nem o pastor da igreja, nem o xerife da época.
Olhou para o bosque. Para onde fora o intruso? Um movimento entre os pinheiros chamou a atenção de Gabriel. Ele apontou a arma naquela direção. Se tivesse de atirar, miraria no ombro. Não queria matar a pessoa, apenas fazê-la parar e responder a algumas perguntas. Ficou pasmo ao ver Whitney sair do bosque e caminhar rapidamente para casa. Ela estivera na fazenda Deveraux, espionando-o! Era aquela sua confiança?
CAPÍTULO IX

Whitney passou por baixo da cerca de arame farpado, tomando o cuidado de não prender a parca. Sentia-se uma idiota. Precisava voltar para casa antes que Gabriel aparecesse e descobrisse que ela quebrara a promessa de não interferir nas ações dele.
Estava preocupada, o que era natural, mas se convencera de que Gabriel acordara cedo para ir pescar, esquiar ou dar uma caminhada. Queria parecer indiferente quando ele aparecesse, não perguntaria nada, não permitiria que ele soubesse de seu momento de desconfiança.
Abriu a porta da frente da casa, caminhou até o meio da antecâmara e notou que Gabriel não havia chegado. Em pânico, pensou que ele nunca mais voltaria, então ouviu o rangido dos degraus da varanda. Correu para abrir a porta e viu-se frente a frente com Gabriel.
- Onde esteve a noite toda? - indagou, furiosa por ele a ter deixado preocupada, esquecendo-se de que dissera a si mesma que seria indiferente.
- Esteve me espionando?
Whitney pensou nas longas horas que passara esperando-o, a desconfortável noite na cadeira, a nervosa e apreensiva busca no quarto dele, nos equipamentos roubados no celeiro da fazenda abandonada.
- Claro que não - negou, enrubescendo.
- Vi você vindo da fazenda. Prometeu não interferir. Deu sua palavra.
Quando ele avançou um passo, ela recuou. Whitney sentiu-se culpada por ter quebrado a promessa e por não saber o que fazer a respeito das mercadorias no celeiro, se as ignorava ou fazia uma denúncia. Sabia que a velha fazenda vinha sendo usada de modo ilegal e concluiu que uma pessoa inocente com certeza chamaria o xerife, a menos que quisesse capturar os bandidos sozinha.
A tensão entre eles aumentou com o silêncio. Por favor, acredite em mim, Whitney implorou em pensamento. Explique o que esteve fazendo. Conte seus segredos.
Olhando bem dentro dos olhos escuros, achou que podia estar sendo uma idiota, mas via neles bondade e honra. Enquanto ela o fitava, a expressão de Gabriel mudou, tornando-se séria e distante.
- Onde esteve? - Whitney indagou.
- Isso importa? Você já não decidiu se sou culpado ou inocente?
Ela desviou o olhar, incapaz de admitir suas dúvidas.
- Fique fora de minha vida - Gabriel ordenou. - Contanto que eu faça o trabalho para o qual você me contratou, o que faço com meu tempo livre é problema meu, entendeu?
Era difícil acreditar que aquele Gabriel ríspido era o mesmo que a beijara apaixonadamente havia menos de vinte e quatro horas. Mas era um homem que vivera sozinho por muito tempo. Nunca dividia nada com Whitney, nem seus pensamentos ou sentimentos, nem mesmo sua paixão.
- Entendi - ela respondeu, erguendo o queixo, não se deixando intimidar. - O que devo fazer com suas roupas, se você desaparecer, como desapareceu ontem à noite, e não voltar?
Gabriel surpreendeu-se com o tom de voz frio e com a pergunta. Hesitou alguns segundos antes de dizer:
- Dê-as para uma instituição de caridade. Whitney moveu a cabeça afirmativamente, virou-se e foi para o quarto, sentindo-se arrasada. Parou no meio do corredor, olhou por sobre o ombro e viu que Gabriel permanecera na antecâmara, olhando pela janela.
Perguntou-se o que ele via lá fora. Estaria a montanha, com os cumes cobertos de neve, chamando-o para longe? Estaria o rio congelado dizendo-lhe para seguir outro caminho, para não ficar no mesmo lugar por muito tempo?
Gabriel estava na casa de Whitney havia um mês e meio, e ela ainda não entrara em seu coração. Ele se recusava a ser defendido por ela, quando ouvia críticas, insinuações ou olhares acusadores do pessoal da cidade. Não desejava nada que viesse dela.
Era um homem solitário e independente. As duas palavras o descreviam com exatidão, ao mesmo tempo que excluíam Whitney. Ela vestiu um macacão surrado e disse a si mesma que havia muito trabalho a ser feito e que, daquele momento em diante, manteria a mente centrada nos negócios, não se deixando levar pelo coração.
Whitney alisou a última folha de papel de parede do quarto de hóspedes. Fechou a lata de cola e dirigiu-se ao banheiro, para lavar-se.
O cheiro de sopa que sentiu ao entrar na cozinha fez com que ela se lembrasse de que ainda não almoçara. Olhou para o relógio e viu que já eram duas horas da tarde. Gabriel estava trabalhando no andar superior. Eles não haviam trocado mais do que dez palavras, desde o dia em que ela fora à fazenda Deveraux.
Whitney preparou torradas e encheu dois pratos com sopa. Depois de colocar tudo na mesa, saiu da cozinha, subiu a escada e foi ao aposento onde Gabriel pintava o parapeito da janela. Parando no vão da porta, observou-o por alguns instantes.
- Nunca vi ninguém que precisasse de um binóculo para pintar parapeitos de janela - falou com ironia.
Gabriel virou-se, segurando um pincel numa das mãos e o binóculo na outra, então caminhou até a mesa. Pousou o binóculo ali, depois jogou o pincel num balde com água e tampou a lata de tinta.
- Eu estava observando algo que me pareceu um urso - explicou. - Já terminei de pintar.
Whitney sabia que ele estivera observando sua fazenda, mas preferiu não fazer comentários.
- Que bom que terminou - disse. - O almoço está pronto.
Ficou feliz por manter uma atitude indiferente, pois daquela maneira Gabriel não poderia acusá-la de estar interferindo em sua vida. Voltou para a cozinha e acomodou-se à mesa. Ele apareceu minutos depois, após lavar-se. Comeram em silêncio.
- A sopa estava boa - Gabriel elogiou ao terminar.
- Obrigada.
Ele notou que ela se recusava a encará-lo, não apenas durante as refeições, mas sempre que se encontravam. Disse a si mesmo que aquilo pouco importava. Estava certo de que Whitney vira o equipamento roubado no celeiro da fazenda. Era óbvio que ela suspeitava de que ele fazia parte do bando de ladrões.
Sentira-se magoado, mas o que esperava? Que ela confiasse cegamente num sujeito de passado duvidoso? Por que ele não contava a verdade, já que a missão acabaria em breve? O xerife já entrara em contato.
A mercadoria seria retirada do celeiro dentro de vinte e quatro horas, de acordo com o informante da polícia. A armadilha para pegar os ladrões estava armada. Logo, todos, inclusive Whitney, saberiam da verdade.
Por alguma razão, aquilo não o deixava satisfeito. Olhou para a fumaça saindo da chaleira, no fogão. O problema era Whitney, com sua atmosfera caseira. Ele ficaria feliz, quando saísse dali. Talvez pedisse demissão do serviço secreto imediatamente.
Ou, melhor, talvez visitasse seu velho amigo, Robert Houston, e a esposa dele, na Virgínia, antes de decidir o que faria. Teve a impressão de que sua vida seria vazia e sem sentido e sentiu-se vulnerável, sentimento que nunca o havia incomodado antes.
Vejam o que a irlandesa fez comigo!, pensou. Preciso sair desta casa. Preciso ir à cidade, ver o xerife, jantar fora. Isso me manterá ocupado por algumas horas. Levou os pratos e talheres para a pia, passou um pouco de água neles, então colocou-os na máquina de lavar louça.
- Escute, desculpe por algum problema que eu tenha causado - falou. - Não planejei encontrá-la, não planejei a atração entre nós.
Whitney percebeu que ele estava com pena, e isso era algo que ela não aceitava.
- Não tem importância - declarou.
- Não? - Gabriel sorriu. - Pois eu queria que as circunstâncias fossem diferentes.
- Estou bem. Atração não significa que tenhamos de passar a vida inteira devotados um ao outro.
Depois daquela frase, Whitney levantou-se da mesa e saiu da cozinha. No quarto, caminhou de um lado para o outro, inquieta. Sentiu que precisava sair de casa e decidiu ir à cidade, fazer compras, assistir a um filme, ficar longe dali por algumas horas.
Tomou banho e vestiu-se, escolhendo um suéter com listras vermelhas, brancas e azuis e calça jeans. Prendeu os cabelos com uma fita vermelha e maquilou-se. Olhou-se no espelho e sorriu.
Pegou a parca e as luvas e seguiu para a porta da frente. Gabriel descia a escada. Eles se olharam, surpresos.
- Eu ia pedir a caminhonete emprestada, mas vejo que vai sair - ele disse.
Ela achou que havia um brilho intenso no olhar de Gabriel, quando ele a examinou de cima a baixo, mas acabou decidindo que fora sua imaginação.
Ele vestia calça jeans preta, camisa branca e jaqueta de couro.
- Vou até Ashland - Whitney informou. Fazer compras. Não voltarei tão cedo.
- Eu também tenho umas coisas para fazer lá.
- Talvez eu vá assistir a um filme.
- Tudo bem.
Desistindo de tentar convencê-lo a não pegar carona, Whitney tirou da bolsa as chaves da caminhonete, e os dois saíram juntos de casa.
Dirigindo pela estrada escorregadia, ela se perguntava que tipo de jogo Gabriel tinha em mente, pois, se tentava confundi-la, estava conseguindo.
Ao chegarem na cidade, ela encontrou uma vaga em frente a uma pequena loja e estacionou a caminhonete ali.
- A que horas e onde nos encontraremos? - indagou, desligando o motor.
Gabriel olhou para o relógio.
- Aqui mesmo, daqui a duas horas? - sugeriu.
- Tudo bem.
Ambos desceram do veículo e seguiram caminhos opostos. Quando Whitney olhou para trás, já não viu Gabriel. Ele tinha a habilidade de desaparecer sem deixar vestígios.
Ela recordou o dia em que o encontrara. Mesmo machucado, ele se mantivera alerta. Em muitas ocasiões, mostrara ter reflexos rápidos e atenção aguçada. Apenas alguém que vivia em constante perigo agia daquela forma.
Whitney tentou imaginar a vida de um adolescente de dezesseis anos de idade, sozinho no mundo, sem ninguém em quem confiar. Gabriel sobrevivera, mas a que preço?
De súbito, uma triste sensação de tempo esgotando-se dominou Whitney. Colocando esses pensamentos de lado, ela entrou numa loja, olhou as roupas expostas e escolheu uma saia longa, preta. Comentou consigo mesma que, com uma camisa branca, formaria um conjunto perfeito para receber os hóspedes. Provou a saia e decidiu comprá-la.
Entrou em mais quatro lojas, antes de encontrar a camisa que desejava, branca, de seda. Olhando para o relógio de pulso, ao sair da loja, viu que estava dez minutos atrasada. Gabriel já estava a sua espera ao lado da caminhonete.
- Fez as compras? - perguntou. Pegou as chaves da mão dela e abriu a porta do motorista, para que Whitney guardasse as sacolas. - Que tal um jantar?
Ela o fitou, surpresa, pois comida era a última coisa que passava por sua cabeça. Sentiu os lábios secarem, enquanto movimentava a cabeça afirmativamente. Xingou-se de idiota, pois seria um simples jantar. Fazia um mês e meio que comiam juntos, três vezes por dia. Ir a um restaurante não seria muito diferente.
Gabriel segurou-a pelo braço e guiou-a até um pequeno restaurante a duas quadras de onde a caminhonete estava estacionada. A iluminação do estabelecimento era tênue, e ele pediu uma mesa isolada.
Whitney olhou-o. Uma "mesa isolada" soara muito íntimo. Ele a fitou e não fez nenhum comentário. Ela ficou arrepiada. A noite indicava mil possibilidades. Quando estavam acomodados à mesa, os dois olharam-se, sabendo que aquela noite seria diferente.
- Vou fazer amor com você aqui mesmo, se continuar a me olhar assim - Gabriel alertou-a.
- E como você está olhando para mim.
- Eu sei, mas um de nós precisa ser sensato.
- Por quê?
- Precisam de mais alguns minutos? - o garçom indagou educadamente.
Whitney olhou para o cardápio.
- Gosta de lagosta? - Gabriel perguntou.
Ela assentiu, movendo a cabeça. E o que iriam comer importava?
Ele fez os pedidos, e o garçom afastou-se. Whitney sorriu, com receio de confiar naquela estranha atmosfera de intimidade que se criara entre ela e Gabriel.
Quando o prato de entrada chegou, junto com o vinho e o pão quente, ele cortou uma fatia, passou manteiga e entregou-a a Whitney.
Ela tentou esconder o nervosismo que aquele gesto carinhoso provocou, mas seus dedos trêmulos traíram-na.
- Você também me deixa nervoso - ele confessou. Whitney tentou imaginar como aquele delicado jogo amoroso iria terminar. A distância entre eles já não mais existia, assim como as regras que Gabriel impusera, embora ela não entendesse por quê.
Não pense, ordenou a si mesma. Apenas aproveite este momento.
- A temperatura parece estar aumentando, não? - comentou, pois o silêncio incomodava-a.
- E está.
- Acho que a primavera chegará mais cedo. Gabriel sorriu. Whitney ficou excitada e baixou o olhar, com medo de expor-se. Ele estendeu o braço e afagou-lhe o rosto.
- Acho que uma onda de calor já está se aproximando - disse.
- Gabriel...
Ela não sabia o que dizer, embora houvesse muito a ser dito.
- Eu gosto disso - Gabriel falou.
- Do quê?
- Do som de meu nome em seus lábios. Quando estivermos sozinhos, talvez você o diga de novo.
- Direi.
- Uma simples palavra que oferece muita coisa - ele murmurou, introspectivo, em seguida suspirou e franziu a testa. - Isto não devia estar acontecendo. Não agora.
- Por quê?
Whitney sentia que o que acontecia entre eles era inevitável, como o movimento dos planetas ao redor do sol.
- Não posso ficar tão vulnerável - Gabriel respondeu.
- Desejá-la faz doer meu coração. Durmo com essa dor, acordo com essa dor. Não há como escapar.
Ela ficou arrepiada, pois ele acabara de confessar que, mesmo sendo forte e independente, precisava dela tanto quanto ela precisava dele.
- No que está pensando? - Gabriel indagou.
- Nunca conheci um homem como você. Eu o seguiria até o fim do mundo.
Whitney sentia que seria capaz de desistir de seu sonho só para seguir Gabriel. Mas não estaria abandonando um sonho, e sim embarcando em outro, porque era preciso um homem e uma mulher para formar um lar, um porto seguro cercado de amor, como aquele que seus avós haviam tido.
- Nunca pensa em se proteger? - Gabriel perguntou de repente.
- Claro que pensaria, se eu ao menos soubesse do que devo me proteger.
- Eu a deixo confusa, não? Não se sinta mal. Eu também estou confuso.
- O que quer de mim?
- Tudo e nada.
- Ah, agora está tudo muito claro - Whitney ironizou.
- Você tem coragem, Whitney Thompson. Se estivéssemos em outra época, em outro lugar...
- O que há de errado com o aqui e o agora?
- Aqui e agora, sem pensar no futuro e no passado? As mulheres, em geral, exigem dos homens um bom nome, querem saber quanto eles ganham...
- Bem, eu sei quanto você ganha - Whitney brincou. Gabriel, porém, não sorriu.
- Você me conhece melhor do que muitas pessoas que me viram crescer. Isso é enervante.
Whitney prendeu uma mecha de cabelos atrás da orelha.
- Viver na mesma casa faz diferença - falou. - Já o vi resmungando e impaciente, já o ouvi assobiar quando está feliz. Você tem hábitos pessoais muito bons e é organizado, me ajuda a lavar a louça...
- Sou um modelo de perfeição.
- Um bom homem.
Gabriel suspirou.
A comida chegou, jantaram em silêncio e, ao terminarem, recusaram a sobremesa, mas aceitaram café.
- Vamos embora? - ele convidou após pagar a conta.
- Vamos.
Caminharam de volta à caminhonete e notaram, admirados, a quantidade de carros estacionados ou circulando pelas ruas, fora o grande número de turistas que enchiam as calçadas.
- Ashland está crescendo - Whitney comentou. - Já não é mais uma cidade estudantil e uma comunidade rural.
Gabriel ajudou Whitney a entrar na caminhonete pelo lado do passageiro, antes de acomodar-se atrás do volante. Minutos depois, estavam a caminho de casa.
Ao chegarem, após desligar o motor, ele segurou as mãos dela entre as suas e disse:
- Não vai acontecer nada.
- É disso que tenho medo.
- E se algo acontecer?
Whitney não tinha resposta. Eles desembarcaram e, ao se aproximarem da porta da casa, Gabriel parou e virou Whitney, de modo que ficassem frente a frente.
- Se este foi um encontro, nosso primeiro encontro, vou deixá-la aqui - ele declarou.
- Sem um beijo?
- Com.
Gabriel abraçou-a e beijou-a apaixonadamente, deslizando as mãos até a cintura delgada, pressionando o corpo dela contra o seu. Whitney enlaçou-o pelo pescoço largo, afagando os cabelos pretos.
- Vamos entrar - ele sussurrou, abrindo a porta. Foram para o quarto dela, de mãos dadas.
- Vou acender a lareira - Gabriel disse. Whitney pendurou a parca no mancebo e jogou a bolsa sobre uma poltrona.
- Tudo bem. Que tal se eu preparasse...
Ela não sabia que bebida oferecer numa ocasião como aquela.
- Chocolate quente - Gabriel decidiu.
Whitney correu para a cozinha. Enquanto aquecia o chocolate, encostou-se na pia e pressionou as mãos frias contra as faces. Por um momento, longe do fascínio de Gabriel, tentou pensar com clareza, julgar o que estava fazendo, ou o que planejavam fazer. Colocou o chocolate quente em duas canecas, que levou para o quarto.
Gabriel tinha tirado a jaqueta de couro, enrolado as mangas da camisa e aberto três botões. Aproximou-se de Whitney e pegou uma caneca de chocolate quente.
Ela hesitou ao escolher um lugar para sentar, olhando do sofá para a poltrona. Ele resolveu o dilema, acomodando-se no sofá, deixando um espaço obviamente destinado a ela. Whitney sentou-se ao lado dele e olhou para o fogo na lareira.
Gabriel colocou a caneca na mesinha de canto e pousou as mãos nas coxas. Depois de um longo silêncio, Whitney percebeu que sua caneca estava vazia e entregou-a a Gabriel, que pousou-a na mesa. Assustou-se, quando ele passou um braço por seus ombros.
- Também estou nervoso - ele confessou. - Isto não fazia parte do plano.
Ergueu o queixo dela com um dedo. Ela passou a língua nos lábios, preparando-os para o beijo. Ele os fitou e sorriu.
- Pronta? - indagou.
- Pronta.
Daquela vez, Gabriel não foi gentil. Seu desejo falou mais alto, e o beijo foi ardente, possessivo, enquanto ele introduzia as mãos hábeis sob o suéter dela.
- Tire tudo - murmurou.
Whitney concordou, movendo a cabeça. Ele a ajudou a tirar o suéter, o sutiã e a calça jeans, jogando-os no chão.
- Onde está seu penhoar? - perguntou.
- Na primeira gaveta da cômoda.
Gabriel levantou-se, abriu a gaveta, pegou o penhoar e entregou-o a Whitney, ajudando-a a vesti-lo, mas não permitiu que ela o abotoasse.
- Você é linda - sussurrou. - Quando olho para você...
- Eu também acho você muito bonito.
- Aquela noite, no chuveiro, quando olhou para mim... Toda noite penso em tocá-la... Tire minha camisa. Quero senti-la contra meu corpo.
Apesar de seus vinte e oito anos, ela nunca despira um homem. Todas as vezes em que chegara àquele ponto, algo a alertara de que não encontrara a pessoa especial. Mas com Gabriel era diferente, o que simplificava tudo. Whitney abriu os botões da camisa e tirou-a, deslizando as mãos pelo peito vasto.
- Vou tirar esta também - ele declarou, referindo-se à camiseta.
Arrancou-a e lançou-a num canto do aposento. Colocou Whitney em seu colo, afagou-lhe os cabelos, o pescoço, os ombros, o colo e os seios, enquanto a beijava apaixonadamente, fazendo-a gemer de prazer.
- Você não tem idéia de quantas vezes imaginei-a tocando meu corpo, desde aquela noite no chuveiro - ele murmurou.
- Você devia ter me contado. Diga o que gosta. Ensine-me a lhe dar prazer.
- Você me dá prazer até quando respira.
As carícias continuaram. Passou-se uma hora. Muito vagamente, Whitney ouviu o relógio da sala badalar e percebeu que era tarde. Desejava mais do que beijos e afagos sedutores.
- Não está na hora de irmos para a cama? - sugeriu.
- Está, sim.
Gabriel carregou-a nos braços até a cama, cobriu-a e, em seguida, colocou mais lenha na lareira para manter o quarto aquecido. Aproximou-se da cama, tirou os sapatos, deitou-se e se cobriu. Whitney franziu a testa, não gostando da barreira de cobertores entre eles.
- Não, deixe-os - ele falou, quando ela tentou afastá-los. - É mais seguro assim.
- Não quero segurança.
Gabriel sorriu e acariciou-lhe o rosto.
- Uma virgem apressadinha e imprudente - murmurou. - Eu quero...
- Eu sei, mas não esta noite. Não vou fazer amor com você.
- Por quê?
- Não é uma boa idéia.
- Por quê?
Por um momento, Gabriel mostrou-se frustrado, sentou-se, beijou-a de leve nos lábios, então abotoou-lhe o penhoar.
Whitney não acreditava no que ele estava fazendo. Prendeu os cabelos atrás das orelhas, num gesto de raiva. Ele pegou as mãos dela e beijou-as.
- Existem coisas que você não entende - disse.
- Explique, para que eu possa entender!
- Não posso, não agora. Há muitas pessoas envolvidas.
- Você não confia em mim. Gabriel franziu a testa.
- Confiei em poucas pessoas em minha vida - falou.
- Aprendi que não se pode confiar em todo mundo, algo que você precisa aprender também.
Fez com que Whitney se sentisse ingênua e inocente, como uma criança que esperava que todos os seus desejos fossem realizados. Mas ela não estava pedindo promessas ou compromisso, ao contrário, não fizera nenhuma exigência.
- Acho que vou passar a odiá-lo - disse. Gabriel olhou para a lareira.
- Era melhor que tivesse me odiado desde o começo - declarou.
Levantou-se, suspirou, pegou o casaco e os sapatos e cruzou o aposento, parando no vão da porta e olhando para trás.
- Talvez eu não esteja mais aqui, quando você acordar - murmurou. - Tchau, irlandesa.
Longos momentos após ele ter saído, Whitney ainda não conseguia pensar com clareza.
Pressionou as mãos no peito, recordando as carícias que haviam trocado. Lembrou que Gabriel não dissera "boa noite", ou "eu te vejo amanhã de manhã". "Tchau" poderia significar uma despedida final?
CAPÍTULO X

Whitney andava de um lado para o outro com a sensação de que algo aconteceria naquela noite. Fosse lá o que fosse, ela estaria pronta. Pegou o binóculo e foi ao quarto acima do seu, para observar a fazenda Deveraux pela janela.
Perguntou-se onde Gabriel estaria escondido. Talvez ele estivesse tentando tirar fotos dos ladrões retirando as mercadorias roubadas, para provar sua inocência ao xerife. Duas horas se passaram. Whitney levara uma cadeira até a janela e envolvera-se num cobertor, pois a noite prometia ser longa.
De repente, percebeu movimentos na fazenda abandonada. Chocada, viu homens cruzando o bosque, carregando caixas. Imóvel, tentou pensar no que fazer. Se Gabriel tivesse contado quais eram seus planos, ela ficaria mais tranquila diante daquela situação.
Comentou consigo mesma que os homens nunca se preocupavam com as mulheres que os amavam, quando estavam entretidos em suas aventuras, agindo como heróis de históriaspoliciais, pegando bandidos e resolvendo crimes sozinhos. As vezes, os mocinhos eram baleados. Nos dias atuais, os escritores escreviam histórias de modo bem mais realista. Pé ante pé, Whitney desceu a escada e calçou as botas. Queria estar pronta caso precisasse agir rápido. Voltou para o quarto e continuou a vigília.
Um estouro fez com que pulasse na cadeira. Um tiro. De imediato, ela tomou consciência de duas coisas: alguém estava armado, e Gabriel podia ser o alvo. Mais dois tiros. De súbito, houve uma enorme confusão na fazenda. Luzes foram acesas, homens corriam, viaturas policiais chegavam.
Whitney teve vontade de correr para lá e ver de perto o que estava acontecendo, mas seu bom senso pediu precaução. Finalmente, a confusão cessou. Luzes piscando na estrada indicavam que mais viaturas chegavam. Alguns ladrões deviam ter escapado.
Onde estaria Gabriel?
Mais duas horas passaram-se, até que a situação voltasse ao normal e os carros começassem a partir. Ao amanhecer, havia apenas dois veículos no local.
Whitney desceu a escada e preparou café e panquecas. De súbito, a porta da frente abriu-se e fechou-se.
- O café está pronto! - ela exclamou, tentando manter um tom de voz normal.
Gabriel apareceu e apoiou-se no batente da porta, nitidamente exausto.
- Sente-se - ela falou, escondendo a preocupação. Não fez nenhuma pergunta, pois convenceu-se de que, se ele quisesse contar alguma coisa, contaria. - Sente-se para comer.
Gabriel tirou a parca, pendurou-a numa cadeira e sentou-se. Após levar o café, as panquecas e suco de laranja para a mesa, ela se acomodou diante de Gabriel e olhou-o.
- Você está com um hematoma no rosto! - exclamou.
- Não foi nada.
Gabriel virou a cabeça, quando ela tentou tocá-lo na face.
Whitney respirou fundo, levantou-se, foi até a geladeira, pegou cubos de gelo, envolveu-os num pano de prato e entregou-os a ele.
- Desabafe - Gabriel resmungou.
- Você poderia estar morto! Vi as luzes, a polícia, ouvi os tiros... Fiquei tão preocupada!
Ele riu.
- Fiquei surpreso por você não ter aparecido lá - disse com um ar de zombaria.
Whitney sentiu lágrimas nos olhos.
- Pensei em ir - confessou.
- Parecem deliciosas - ele comentou, pegando uma das panquecas.
Quando os dois acabaram de comer, ela recolheu a louça e os talheres, colocou tudo na máquina de lavar louça e encostou-se na pia, tomando uma xícara de café.
- Dormiu, esta noite? - Gabriel perguntou. Whitney movimentou a cabeça negativamente.
- É estranho saber que alguém se importa comigo - ele declarou.
Ouviram o ronco do motor de um carro. Ela foi até a sala de estar para ver quem teria ido lá às seis e cinquenta e cinco da manhã. Parecia que muitas pessoas tinham acordado cedo.
Era o xerife. Ele subiu os degraus da varanda e foi recebido por Whitney.
- Entre - ela convidou, sorrindo. - Já fiz café.
- Que bom. Espero que esteja quente e forte.
- Está! - Gabriel gritou da cozinha.
O xerife seguiu naquela direção. Whitney acompanhou-o e colocou uma xícara de café a sua frente, quando ele se sentou. Sydney fitou-a, agradeceu e olhou para Gabriel.
Ela notou que Gabriel não parecia nem um pouco preocupado. Empurrara a cadeira para trás, estendera as pernas e tomava café, esperando que o xerife dissesse o que tinha para dizer.
Whitney forçou-se a não ficar andando de um lado para o outro, enquanto pensava num meio de proteger Gabriel, que estupidamente entrara na confusão. Diria que vira luzes na fazenda e o acordara, que ele insistira em ir lá, irias que nenhum dos dois desconfiava de que havia mercadorias roubadas no celeiro. Que ele nunca fora lá, antes.
Quem, em sã consciência, acreditaria que Gabriel estivera tão próximo de sua antiga casa e não tivera vontade de visitá-la?
Whitney olhou para o xerife. Sydney não parecia idiota, ao contrário, seus olhos eram atentos e inteligentes, apesar de ele estar obviamente fatigado.
- Bem, primeiro, as más notícias - Sydney começou. Whitney arrepiou-se. Gabriel fitou-a.
- Um dos ladrões fugiu - o xerife contou.
Ela olhou para Gabriel e perguntou-se se ele não diria nada em sua própria defesa.
Sydney colocou a xícara na mesa.
- Os cães seguiram o rastro...
- Não era Gabriel - Whitney pegou-se dizendo. Não suportaria vê-lo sendo acusado e preso, sabendo que ele era inocente. O único crime que Gabriel cometera fora não confiar seus planos a ela, que acreditava em sua honestidade.
Os dois homens encararam-na, então se entreolharam, e fitaram-na novamente. Gabriel franziu a testa. Whitney recusou-se a se intimidar, pois ele precisava de um aliado.
- Bem, as pegadas são parecidas - o xerife informou com um sorriso nos lábios.
- Não são, não - Whitney retrucou. - Ele não saiu desta casa, ontem à noite.
Gabriel olhou pela janela. Parecia que não diria nada para se defender. O xerife se mostrava interessado na história dela.
- Ele ficou aqui, comigo - ela insistiu.
- Sei - o xerife murmurou, quase rindo.
- Toda a noite.
Sydney sorriu, enquanto Whitney pensava no que dizer para convencê-lo.
- Em minha cama - ela declarou.
Gabriel engasgou-se com o café. Quando Whitney ousou encará-lo, viu-o levando a mão aos olhos e notou que suas faces enrubesciam.
O xerife riu e movimentou a cabeça negativamente.
- Diabos, Gabriel, se eu encontrasse uma mulher dessas não a deixaria escapar - falou.
Gabriel socou a mesa.
- O melhor que tenho a fazer é estrangulá-la - murmurou, furioso.
Whitney não tinha idéia do que estava acontecendo. Os dois homens sabiam de algo que ela desconhecia, o que a fez acreditar que cometera um erro grave.
- Detesto duvidar da palavra de uma senhorita, mas Gabriel passou metade da noite comigo - o xerife disse.
- Com você?! - Whitney exclamou. - Então, sabe que ele não é um ladrão?
- Sei. Ele é um dos mocinhos.
Ela notou que se fizera de idiota ao afirmar que Gabriel passara a noite toda em sua companhia. Agora entendia o motivo pelo qual ele queria estrangulá-la antes que ela o embaraçasse ainda mais.
O xerife levantou-se.
- Obrigado pelo café - agradeceu. - Talvez eu consiga permanecer acordado até chegar à delegacia. Vou precisar de seu relatório o mais rápido que puder, Gabriel. Temos de conseguir a identidade de todos os bandidos o mais breve possível.
- Sei quem era um deles - Gabriel falou. Estudou comigo no colegial.
- Eu o reconheci. Era suspeito de contrabando, sem contar que era um ladrão no colégio também, mas isso nunca ficou provado.
- Já suspeitava dele, naquela época.
- Foi bom vê-la, srta. Thompson.
O xerife dirigiu-se para a porta da frente, e ela acompanhou-o.
- Por favor, me chame de Whitney. Obrigada por aparecer.
Ela não sabia se devia pedir desculpas por ter mentido, por isso apenas sorriu. Acenou em despedida, quando Sydney pôs a viatura em movimento.
Voltou à cozinha. Gabriel estava de pé, encostado na pia e com as mãos nos bolsos da calça.
- Parece que fiz besteira de novo - ela comentou.
- Pensei... Estava errada, claro... mas estava com medo...
- Estava com medo de que eu fosse um dos ladrões?
- Claro que não! - ela exclamou. - Fiquei com medo de que o xerife pensasse que você fosse um dos ladrões. Eu tinha certeza de que você não fazia parte da quadrilha.
- Como?
- Eu... Bem, quando o encontrei machucado, você... Quero dizer, se você fosse um dos bandidos, não teria de se esconder deles, certo?
Gabriel fitou-a. Whitney queria que ele a abraçasse e a confortasse, pois precisava de carinho, depois de uma noite tão conturbada.
- Nunca ouviu falar em desavenças entre ladrões? - ele perguntou, irônico.
- Você não é ladrão!
Exceto de corações, ela acrescentou mentalmente.
Sentiu-se angustiada. Queria que ele fosse embora e a deixasse em paz, ou, então, que fizesse amor com ela até o dia seguinte.
- Só você e a polícia acreditavam em minha inocência - ele observou. - Todas as outras pessoas pensavam diferente.
- Todas as outras pessoas estavam erradas.
Gabriel fitou-a, parecendo confuso. - Você confiar em mim não fazia parte de meus planos - murmurou.
- Os planos mudaram.
- Preciso ir à cidade.
- Empresto-lhe a caminhonete.
Gabriel aproximou-se dela e acariciou-lhe os cabelos.
- Voltarei assim que puder, daí conversaremos - prometeu.
- Posso ir com você?
- Acho que Sydney pode me defender da sra. Tall e dos outros fofoqueiros, se é com isto que está preocupada.
- Bem, eu... - Ela se calou, quando o viu sorrir. - Você está brincando comigo!
Sentiu que Gabriel já não parecia tão distante, ao contrário, estavam mais próximos do que nunca. Ele a tocou no rosto e nos lábios.
- Você é uma tentação a que não sou capaz de resistir - falou.
- Gabriel...
Naquele momento, Whitney teve a certeza de que ele não iria embora sem que fizessem amor. Mas, quando estendeu a mão para tocá-lo, ele se afastou.
- Agora não, ainda não - Gabriel murmurou. - Eu a desejo, mais do que você pode imaginar, mas precisa saber no que estará se envolvendo.
- Então, volte depressa.
- Estamos muito cansados para lidar com a tórrida paixão que existe entre nós. É melhor que você tenha um tempo para pensar. Durma por algumas horas.
- Vou dormir só com você a meu lado - ela declarou.
- Se ficarmos juntos, nenhum de nós dormirá. Gabriel sorriu, em seguida saiu da cozinha.
Whitney acordou horas depois, com Gabriel sacudindo-a.
- Fomos convidados para jantar - ele disse. - Há gente querendo saber sobre o tiroteio.
Whitney imaginou que todos na cidade já sabiam de sua mentira sobre ter passado a noite na cama com Gabriel. Não estava preparada para enfrentá-los e ser ridicularizada.
- Vá você - falou. - Vou ficar aqui. Não estou com ânimo para sair.
- Você está muito bem. E vamos à estação de esqui, jantar com Glória e Rafael. Existem coisas que eles sabem e que você precisa ouvir.
Sendo assim, como Whitney poderia recusar?
- Dê-me cinco minutos - ela pediu.
Gabriel concordou e saiu do quarto. Whitney escovou os cabelos, vestiu-se e maquilou-se levemente.
- A primavera está chegando - comentou, quando já se encontravam na caminhonete.
- É mesmo. Tenho ouvido pássaros cantando.
- O sr. Peters provavelmente voltará logo e ficará surpreso ao ver o serviço terminado.
Whitney sorriu. Fosse lá o que fosse que Gabriel quisesse que ela soubesse, não mudaria seus sentimentos. Ele era uma boa pessoa, e ela o amava. Talvez tivesse tido alguns problemas, no passado, podia até ter sido preso, como a sra. Tall sugerira, mas ainda assim era um homem honrado.
- A propósito, eles pegaram, hoje de manhã, o único ladrão que fugiu - Gabriel contou.
- Que bom.
Rafael Barrett abriu a porta do chalé principal da estação de esqui antes que Gabriel e Whitney batessem à porta.
- Entrem - ele falou. - O jantar está quase pronto. Fui eu quem cozinhou. Glória está na cozinha, fazendo o teste do paladar.
Pegou os casacos deles e guiou-os até a cozinha, onde Glória recebeu-os, sorridente.
- Veja se está bom de sal - ela pediu a Whitney, estendendo-lhe uma colher.
- Está ótimo.
- Tudo está pronto, então. Podemos ir para a sala? Na sala de estar, tomaram vinho e comeram alguns salgadinhos.
- Adorei sua decoração - Whitney comentou. Depois do jantar, Glória levou-a para conhecer a casa toda.
- Você devia comprar uma banheira de hidromassagem - sugeriu com um brilho no olhar.
- É uma boa idéia - Whitney falou, percebendo que a outra sabia de seus sentimentos por Gabriel e aprovava.
Os dois homens estavam conversando sobre os últimos acontecimentos, quando as duas entraram na sala de estar.
- Bem, mais um caso resolvido pelo agente especial Deveraux - Glória comentou.
Whitney olhou para Gabriel, sem saber o que pensar, sentindo-se traída.
- Acho melhor irmos embora - ele falou. - Foi um longo dia.
Whitney agradeceu aos anfitriões pelo jantar e pela noite agradável.
- Eles são muito simpáticos - disse ao caminharem para a caminhonete.
- São. Rafael e eu trabalhamos juntos durante anos, na Europa e no Oriente Médio.
- Ele também era agente.
- Era.
Whitney permaneceu em silêncio, refletindo sobre muitos fatos que haviam ficado claros. Compreendia por que Gabriel vivia em estado de alerta, afinal tinha um trabalho excitante e perigoso, que o envolvia em muitas e diferentes aventuras. Fora muito idiota ao pensar que ele ficaria a seu lado, cuidando de uma pensão familiar.
Assim que entraram em casa, Gabriel acendeu a lareira da sala de estar, enquanto Whitney ia à cozinha, preparar chocolate quente. Ela voltou com duas canecas numa bandeja, que pousou na mesinha de centro, então acomodou-se numa poltrona. Gabriel observou-a, desejando-a cada vez mais e admitindo que precisava dela acima de tudo, mas, ao mesmo tempo, sem saber que decisão tomar.
- Vê o problema? - perguntou. - Que problema?
Se ela queria um envolvimento amoroso, ele se sentia na obrigação de contar sobre sua vida, sua associação com mafiosos, ladrões e assassinos.
- Lido com bandidos, Whitney. A vida pode se tornar perigosa, se um deles aparecer, querendo se vingar - explicou.
- Aceitarei os riscos, se estiver com o homem a quem amo.
- Não estou pedindo para que aceite nada.
- Eu sei.
- Irei embora em breve.
Gabriel queria que Whitney gritasse, brigasse, batesse nele, mas a calma dela o surpreendeu.
- Gabriel...
- O quê?
- Quando o xerife veio aqui, e eu disse que...
Ele sentiu algo parecido com um nó na garganta, ao recordar que ela mentira para o xerife para protegê-lo. Whitney ficara ao lado dele, sem pensar em si mesma e em sua reputação.
- Peço desculpas por tê-lo embaraçado - ela murmurou. - Pensei que estava ajudando...
- Você o quê?
- Não sabia que você estava com o xerife. Se tivesse me contado... - Whitney corou.
- Bem, isso não importa. De qualquer modo, peço desculpas. Você tinha todo o direito de ficar furioso.
- Você não me embaraçou. Nunca ninguém fez por mim o que você fez. Jamais alguém acreditou em mim, da maneira como você acreditou. Tenho vontade de me ajoelhar e beijar seus pés. - Gabriel riu. - Faria isso, se soubesse que me limitaria aos pés. Eu quero beijar você inteirinha.
Whitney fitou-o, enternecida.
- Você pode ter tudo de mim - murmurou, sorrindo timidamente, então tomou um gole de chocolate.
- Irlandesa...
Gabriel lembrou-se de que ela lhe trouxera paz, aconchego e alegria. E o que ele dera em troca? E se a desapontasse?
- Não me importo com o perigo - Whitney declarou. - As pessoas podem ser atacadas por um urso, mas isso não as impede de ir à floresta. Quero que fique, mas, se não puder ficar, vou com você, seja para onde for.
Ele se perguntava o que faria, se ela não fosse feliz a seu lado.
- Eu te amo, Gabriel - ela confessou.
- Oh, Deus...
Whitney não conseguiu desviar o olhar do dele, permanecendo em silêncio. Gabriel viu dor nos olhos azuis e soube que não suportaria vê-la magoada, nem que fosse para o próprio bem dela.
- Vai ficar? - ela perguntou.
- Se quiser que eu fique...
- Claro que quero. Quero isso desde que o vi pela primeira vez.
- Quando eu estava caído na neve, com o pé preso na armadilha. Uma presa fácil.
- É, mas eu o vi antes disso. Observei-o com meu binóculo, durante uma semana.
- Eu sabia que estava sendo observado.
- Quando o trouxe para casa, pensei... Whitney enrubesceu, calando-se.
- Diga o que pensou - ele pediu.
- Eu o encontrei. Foi como se você pertencesse a mim.
Gabriel ficou de joelhos diante dela e abraçou-a. Incomodada, Whitney também ajoelhou-se. Ele tomou o rosto dela entre as mãos.
- Vai dividir seus sonhos comigo? - indagou. - Eles são grandes o bastante para incluir outros?
- São. Tenho muitos sonhos para nós, para nosso futuro. Beijaram-se apaixonadamente. Ela desejava mais do que um beijo, e movimentou o corpo sensualmente contra o dele
- Ainda não - ele murmurou. - Vamos esperar
- Não, chega de planos. Eu o quero agora.
- Temos que dar à cidade um tempo para acalmar-se e me aceitar, já que vou ficar por aqui. Rafael e o xerife testemunharão a meu favor, e...
- Não precisa de ninguém para testemunhar a seu favor. Se as pessoas não conseguem ver o homem maravilhoso que você é, então deixe-as com suas desconfianças. Elas não sabem o que estão perdendo.
Gabriel fitou-a. Achava que não a merecia, mas Whitney parecia pouco se importar. Ela o amava e estava disposta a correr qualquer risco para que ficassem juntos.
- Case comigo, irlandesa. Este pedido é um último teste para sua confiança.
- Não é nenhum teste. Sei que é um bom homem, desde que nos conhecemos.
- Como?
- Minha avó me dizia para casar com um fazendeiro. Que fazendeiros eram os melhores partidos.
Gabriel ergueu-se e ajudou-a a levantar-se. Sentando no sofá, puxou-a para o colo.
- Sua avó era uma mulher sábia - murmurou, beijando-a com paixão e ternura.
CAPÍTULO XI

Whitney e Gabriel caminhavam de mãos dadas por uma trilha. Um floco de neve caiu no nariz dela, o que a fez rir. Gabriel parou e tirou o floco com os lábios, numa carícia sensual.
Estavam nas terras dele, local que trazia tristes lembranças para Gabriel, mas Whitney pensava apenas nas coisas boas que ele podia ter conhecido ali.
- Eu imagino você criança, correndo pelos campos, pulando a cerca, indo ao rio para pescar - ela disse, sonhadora.
- Eu adorava correr por aí. Lembro-me de meu primeiro cavalo, tão pequeno que parecia um pônei - falou. - Eu queria um garanhão, como o cavalo de meu pai.
Durante as três semanas em que estavam casados, Whitney contara sobre sua infância e a família, induzindo Gabriel a fazer o mesmo.
Fora difícil, mas ele acabara abrindo o coração e falara sobre a infância e a juventude, quando tivera a alma cheia de esperanças.
- As vezes, sinto-me muito perto da natureza, mas de outras ela se vira totalmente contra mim, o que me faz refletir que existem forças muito maiores do que nós.
Uma noite, depois de fazerem amor, Whitney conhecera a história da mãe de Gabriel e soubera do vazio que ela deixara ao morrer.
- Meu pai deve ter ficado arrasado - Gabriel comentara. - Ele sempre foi um homem calado, e depois da morte de minha mãe, tornou-se um ermitão inflexível e rude.
Virando-se de lado, apoiara-se sobre o cotovelo e fitara Whitney.
- Está tão feliz quanto parece, meu bem?
- Oh, estou, sim, meu amor - ela respondera, sorrindo e acomodando-se contra o corpo másculo.
Voltaram a caminhar lado a lado e acabaram entrando no cemitério da família Deveraux. Gabriel aguardou até que Whitney lesse todos os nomes gravados nas lápides, então parou diante do túmulo de seus pais. Ela ficou em silêncio, enquanto ele contemplava os nomes e as datas de nascimento e falecimento.
- Jamais entendi meu pai - Gabriel confidenciou. - Ele nunca abriu seu coração. Fiz o mesmo, talvez por orgulho. Acho que ele me passou a crença de que expor sentimentos é indigno de um homem. Espero educar melhor meus filhos, quero ensiná-los a amar e a demonstrar seu amor.
Abraçou Whitney com firmeza.
- Eu te amo, irlandesa - murmurou, beijando-a com ímpeto. - Tirei a sorte grande, ao encontrá-la. Você é minha vida, meu grande amor.
Uma movimentação no outro lado do campo chamou a atenção de Whitney. Ela se aproximou da janela e viu o homem na fazenda Deveraux. É ele de novo, pensou. Era a terceira vez que o estranho aparecia na antiga fazenda abandonada, e sempre ficava na orla do bosque de pinheiros.


Mensagem enviada Nov 20, 2008, 9:16 PM
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Eduardo Forever

by Ana

Eduardo, você é e sempre será inesquecivel.

Mensagem enviada Nov 6, 2008, 9:41 PM
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livro

by

eu gostaria mesmo era de comprar o livro e nunca consegui.. nem que fosse uma ediçaõ mais velha aqui em portugal é tudo tosco... quero mesmo!!

Mensagem enviada May 21, 2008, 7:25 PM
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aqui no forum tem

by Anonymous

e so procura que item a historia postada do livro e linda mais diferente da novela a maioria prefere a novela eu depois que li o livro eu fiquei em duvida por que e diferente a historia mais envolve eu gostaria que eles fisecem uma novela com a historia do livro

Mensagem enviada May 23, 2008, 2:37 AM
do endereço IP 189.6.107.148


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Eu amo esta história de amor!

by

"Fala sério gente,esta novela para mim é a melhor de todas!A sintonia,a química entre Palomo e Edith é apaixonante!"Eu adoraria rever esta novela de novo!

Mensagem enviada Apr 1, 2008, 10:03 PM
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Fotonovela PASIÓN SALVAJE

by Débora












Mensagem enviada Feb 23, 2008, 7:21 PM
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cap.2

by Débora












Mensagem enviada Feb 23, 2008, 7:25 PM
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cap.3

by Débora












Mensagem enviada Feb 23, 2008, 7:30 PM
do endereço IP 201.79.157.55


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cap.4

by Débora












Mensagem enviada Feb 23, 2008, 7:35 PM
do endereço IP 201.79.157.55


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cap.5

by Débora












Mensagem enviada Feb 23, 2008, 7:40 PM
do endereço IP 201.79.157.55


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cap.6

by Débora












Mensagem enviada Feb 23, 2008, 7:44 PM
do endereço IP 201.79.157.55


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cap.7

by Débora












Mensagem enviada Feb 23, 2008, 8:18 PM
do endereço IP 201.79.157.55


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cap.8

by Débora












Mensagem enviada Feb 23, 2008, 8:28 PM
do endereço IP 201.79.157.55


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cap.9

by Débora












Mensagem enviada Feb 23, 2008, 8:32 PM
do endereço IP 201.79.157.55


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cap.10

by Débora













Mensagem enviada Feb 23, 2008, 8:36 PM
do endereço IP 201.79.157.55


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cap.11

by Débora












Mensagem enviada Feb 23, 2008, 8:41 PM
do endereço IP 201.79.157.55


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cap.12

by Débora













Mensagem enviada Feb 23, 2008, 8:45 PM
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não consigo abrir a página

by

não consigo a página da fotonovela, por favor me ajude, elianete

Mensagem enviada Mar 13, 2008, 7:33 PM
do endereço IP 201.75.17.75


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A Recordação do teu olhar.

by Angelica

Relato Coletivo do Grupo Salvaje,escrito por: Chispa,Duna,Elena e Vicenta.

Traduzido por: Angelica.

Muito obrigada ao Grupo Salvaje,por permitir que fosse traduzido e publicado a sua história no forúm de Coração Selvagem - Brasil.

Mensagem enviada Jan 18, 2008, 12:39 PM
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1° Capítulo

by Angelica




Depois de colocar rapidamente uma mecha de cabelo loiro atrás da orelha,olhou pela milésima vez os papéis que estavam a sua frente.Anotou as datas no caderno que se encontrava aberto,depois de comparar las com as informações que lembrava ter guardado no seu computador.Foi uma excelente idéia ter guardado os papéis de seu pai.O que havia encontrado era muito importante para o estudo que estava organizando.Não tinha dúvidas de que em São Pedro encontraria muitas informações valiosas para os Arquivos Nacionais.

Mônica Agüero ficou pensando,conhecia esse povoado,a muitos anos,ela e sua irmã eram adolescentes quando haviam viajado com sua família,algumas vezes.Seu pai era um historiador entusiasta que graças a algumas investigações caseiras,havia construído uma espécie de árvore genealógica e dizia que ainda existiam alguns parentes vivos.Era por isso que haviam se mudado para lá,mas ao chegar foram informados que não havia ninguém com o sobre nome que procuravam,ninguém soube dizer muito sobre essa família e seu pai,que não podia perder muito tempo com isso,abandonou as buscas.

Contudo haviam lhe restado uma caixa de papéis,escrituras e fotos,a recordação de algumas das histórias que ele lhe havia contado e o seu nome.Sim,seu nome,já que ele prevenia de uma história original: ao que tudo indicava um primo de segundo grau de seu tataravô que viveu em São Pedro ,era da nobreza,um conde,esse homem,que morreu jovem e na pobreza havia tido duas filhas.

Não sabia muito da história,apesar de seu pai já ter lhe contado alguma coisa,recordava somente de algumas partes tal qual um conto de fadas,em uma noite de verão.O que não esquecia era da expressão fascinada de seu pai ao lhe contar esta antiga história,com algumas passagens,que ela duvidava que realmente houvesse acontecido.Se tratava de duas mulheres,duas irmãs filhas do conde.Uma se chamava Mônica e a outra Amanda,que por ter seu nome escrito em francês,acabou se chamando Aimée,o que lhe pareceu muito excêntrico.

Porém as coisas não terminavam por ai,ao que parece,como em um drama grego,as duas irmãs haviam se apaixonado pelo mesmo homem,que era um bastardo e também um pirata e para dizer a verdade,Mônica não acreditava nem um pouco nesta história,"Se apaixonar as duas por um pirata,era no mínimo muito curioso",pensava ela.O pirata amava a uma delas,mais ao que parecia se viu obrigado a casar com outra . Não se lembrava de muito,mas o pirata deveria ter morrido,pois as duas acabaram se casando com dois irmãos.

Procurou as anotações que havia feito com o que se lembrava da historia: uma das mulheres tinha morrido jovem e de maneira trágica,em um acidente com um cavalo e a outra deveria ter morrido de velhice,pois desaparecia completamente das anotações de seu pai.Quando era muito jovem seu pai tinha conhecido a história e ficou tão fascinado,que quando teve duas filhas colocou os nomes de Mônica e Aimée.

As vezes Mônica se estremecia só de pensar no velho ditado que dizia que cada um se parecia com o nome que carregava ,pessoalmente não queria tantas complicações em sua vida,se apaixonar perdida mente e pelo homem errado não era para ela.Queria uma vida tranqüila,preferia os homens mais sérios e formais.

Seguiu procurando entre os papéis,sabia que na caixa tinha uma foto antiga das duas irmãs.Quando encontrou,a levantou com cuidado,e no verso da foto,com uma elegante letra feminina,estava escrito "Mônica e Aimée - 1896" examinou a foto com a ajuda de uma lupa.Ali debaixo da luz branca,apareciam as duas mulheres,em uma excelente foto em branco e preto com as bordadas rasgadas.

Desde que tinha visto esta foto,ficou muito impressionada.Não era nenhuma foto digital,claro que não,era uma foto tirada por fotógrafos de rua,e mesmo assim o homem tinha conseguido captar tanto em uma simples foto que não deixava de se surpreender.A foto parecia ter sido tirada em um jardim ou uma praça,pois haviam muitas árvores em volta,talvez houvesse sido tirada em São Pedro mesmo.Para ela foi emocionante saber que se prestasse bastante atenção na imagem,poderia descobrir o local exato onde foi tirada.Aparecia um edifico de pedra atrás delas e um pedaço de pedra redondo que lembrava a uma fonte;era um dia de sol e as roupas das jovens brilhavam e as sombras brincavam com as folhagens de um pântano que aparecia logo atrás.

Não sabia quem era a Mônica e quem era Aimée.eram duas mulheres bem jovens,bonitas e recatadas,vestidas com bonitos trajes cheios de enfeites e adornadas com lindas sombrinhas.Uma era morena,os largos cabelos caindo descuidada mente sobre o peito,os olhos de um tom indefinido,uma boca carnuda em forma de coração e um sorriso impressionante.Parada sobre o papel,exalava força e vital idade.Estava parada de frente como se estivesse desafiando a câmera,uma das mãos na cintura e a outra apoiada na sombrinha,parecia que a qualquer momento ela ia dar um o passo ou dizer alguma palavra.

A outra jovem estava um passo atrás,de lado com um olhar tímido e parecia esboçar um sorriso,mas era mais séria que sua irmã.A sombra de um cálido sorriso curvava seus finos lábios.Diferente da outra mulher,ela era loira e se notava que atrás de seus longos cílios,seus olhos eram bem claros,cruzava suas mãos a frente do corpo segurando com muito recato uma bolsa de mão redonda e um xale.

Mônica ficou observando a foto,não a doaria a nenhum museu,ao menos por enquanto.Não sabia porque,mais gostava muito da foto a pesar de as vezes lhe dar um aperto no peito só de olha-lá.De uma certa maneira lhe recordava muito a ela mesma e a sua irmã.

Guardou a foto e começou a planejar o que faria,deveria comunicar se algumas das famílias da lista que havia escrito para pedir permissão para visitar suas fazendas e ver os documentos que ali eram guardados.Apesar de ser muito extranho que ainda houvesse todo este material sem que alguém tivesse encontrado ainda.

Ela tinha um cargo muito especial: era diretora da sessão investigatória dos arquivos nacionais.E apesar de ainda ser bem jovem para este cargo,ela havia conseguido este posto através de muito empenho,esforço e trabalho.Desde que havia ocupado o cargo,as investigações haviam evoluindo muito,pois agora todas as informações que eram encontradas ,eram passadas para o computador,preservando assim documentos valiosos sobre o passado do país para as futuras gerações sem o risco de que se perdessem.

A primeira coisa que Mônica fez ao chegar na manhã seguinte ao seu escritório,foi separar as informações encontradas na caixa que seu pai havia lhe deixado.Depois fez algumas ligações pessoais.

Na metade da manhã,apertou o botão comunicador e chamou a sua secretária.E lhe deu um papel com vários nomes.

- Mercedes,quero arquive esta lista,temos que conseguir que nos permitam estudar os documentos arquivados em Campo Real....

- Campo Real? Este nome não me é estranho....

- Não está em nossa lista, e não entendo porque a omitiram se ela esta na lista de Patrimônio Cultural.É uma fazenda histórica,o edifício principal foi transformado em museu e possui documentos que jamais foram incluídos em nossas investigações,pode acreditar nisso?!

- É muito extranho,Mônica,geralmente nós não deixamos passar coisas deste tipo.E aonde fica?

- Em São Pedro,sobre a costa.

- São Pedro?! Ah,é claro que conheço,minha família é de lá,meu avô nasceu no local mas veio morar aqui,e tenho um primo que mora ali que possui um restaurante e um pequeno hotel.

- Que coincidência que sua família venha de lá.

- Quase não tenho contato com eles,mas se você quiser posso ligar para eles.

- Talvez eu peça para você fazer isso,afinal lá é um local turístico.

- Sim,agora é.Aquela região é bem peculiar,durante anos ficou a margem dos conflitos,prosperando sem presa,porém sem pausa.

- Se não me engano o local possui lindas praias e hotéis super elegante.

- Sim,o local entrou na lista de construção de grandes complexos hoteleiros,todavia por ordem do governador naquela região não se pode fazer grandes construções,assim que fizeram vários trabalhos de restauração nas casas já existentes para transforma-lá em empreendimentos de luxo,e uma entre elas esta Campo Real,pois uma parte da fazenda foi transformado em um luxuoso hotel chamado "La Hacienda".

- Por isso que me deu a impressão de conhece-lo.

- É um hotel de fama internacional.

- Já me dei conta,Mônica você por acaso terá que viajar para lá?

- Sabe que gosto de fazer isso pessoalmente,portanto provavelmente sim,e se tivesse,você viria comigo?

- Claro que sim,aproveitarei para conhecer os meus parentes que moram por lá.E se São Pedro é tão bonito quanto dizem podemos combinar o trabalho com a praia e....

- Ah,parece a Aimée falando.

- Bom,pelo menos por um tempo você ficará livre dela.

- Minha irmã não me incomoda.

- Sou sua amiga,te conheço,sempre faz coisas que não lhe agradam,começando por convidar pessoas que te pedem dinheiro até cansar por que não ter onde conseguir,é uma abusada,desde que voltou da famosa viagem com sua tia que não faz nada além de se queixar.....

- Está bem,Meche....

- É que ela se aproveita de você,e eu não acho isso certo.

- Ela é minha única família,vamos deixar as coisas como estão,sim?! Agora não é ela que importa,neste momento isto é mais importante.

- Ah,sim a fazenda....

- O material que tem lá deve ser muito interessante.E pelo que conversei com o juiz Romero Vargas não creio que aja qualquer empecilho por parte das famílias que se encontram na lista.Disse que me permitirá ver o material que tem guardado,um tataravô seu foi governador de São Pedro,não é incrível?

- Claro que sim,Mônica temos muita sorte de ter tantos contatos importantes.

- Não conhecia a família Romero Vargas,mas foi fácil me relacionar com eles,este cargo nos abre muitas portas.

- E sua eficiente secretária sabe falar muito bem ao telefone.

- Nisso amiga você é perfeita,e hoje pretendo me aproveitar disso ao máximo.Olha esta lista,o juiz me disse que a família Núñez,a outra família que possui uma coleção de documentos,aceitarão se a família Alcázar aceitar,parece que são parentes.

- E a fazenda Campo Real,a quem pertence?

- A um integrante da família Alcázar.

- Alcázar,Alcázar - repetiu Meche pensativa - Vi o nome desta família aparecer nos registros - Mexeu nos papeis que havia em suas mãos dentro de uma pasta,aqui,uma casa no Distrito Federal,muitas antigüidades e doações,mas com uma coleção bem escassa de papéis interessantes.Não sei porque Campo Real não se encontra na lista,quem sabe a omitimos pensando que lá não havia nada de importante....

- É uma família que foi muito rica e influente.Precisamos da autorização deles para realizar estas pesquisas,por isso ai estão os telefones,e quando conseguir que o senhor Alcázar te atenda você transfere para mim - Mônica estendeu uma lista que Mercedes deu uma olhada rápida.

- Deixa eu ver - Mônica estendeu a mão para pegar o papel novamente - Segundo o juiz Romero Vargas,por uma questão legal,todos precisam dar a autorização portanto você vai falar com quem te atender primeiro,se você reparar os números coincidem entre si,estes,com o de André Alcázar e os outros com o tal de J. Alcázar,acho que são parentes.

- "J" qual será o seu nome....

- Mmmmmm,não sei o nome do tal "J".

- José?, João?, Jeremias?, Júlio? - tentou Mercedes.

- Como vou saber?,tente primeiro com André Alcázar,que já sabemos o nome,se ele não nos atender,tentamos o outro.Tente primeiro nos telefones residenciais e depois nos celulares,temos que conseguir esta permissão.

Em seguida Meche voltou a entrar na sala de Mônica.

- Mônica,você tinha razão,são todos irmãos e primos.Consegui falar com o misterioso senhor "J",ele se chama João de Alcázar,não imagina a voz linda que ele tem,quando ele disse alô,eu fiquei sem respiração,além disso é muito simpático e muito sedutor.....

- Mônica olhou para a sua amiga e secretária com carinho,às vezes era impossível interrompe-la quando começava a falar: - Ao trabalho,Mercedes.

- Está bem,me disse que não era necessário falar com ele,que não tem nenhum problema,me deu o telefone do seu outro irmão Francisco,também já falei com ele e é outro sedutor,sabe?..... está bem,está bem.... - disse diante do olhar sério de Mônica - ambos estavam com pressa,por isso não lhe passei a ligação.... ele também está de acordo ,mas ambos ressaltaram que eu teria que perguntar ao irmão mais novo deles,o André,que neste momento se encontra responsável pela fazenda.E está na linha....

- Você está aqui falando sem parar,e o tem esperando na linha? Mercedes,passa para mim,por favor?

Depois de falar durante quase vinte minutos,Mônica desligou o telefone surpreendida.André Alcázar era muito agradável e não só se mostrou interessado no projeto de revisão dos documentos,como também a convidou para jantar,para que pudessem organizar tudo mais detalhada mente.





Mensagem enviada Jan 18, 2008, 5:36 PM
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2° Capítulo

by Angelica



Mônica havia se surpreendido com André.Ele foi busca-la pessoalmente em sua casa em um maravilhoso carro.O jantar aconteceu em um excelente clima entre os dois.E a noite terminou com um beijo na porta da casa de Mônica.Ela não queria admitir,mas se sentia como uma verdadeira adolescente.E este havia sido o primeiro de muitos dos encontros que tiveram.Descobriu que André era um homem culto e interessante.Era sempre um prazer estar em sua companhia.E para completar ele era muito bonito.Logo após se conhecerem,começaram a sair juntos.Eles se davam muito bem,apesar de não se verem tanto o quanto gostariam.André trabalhava muito na fazenda e na empresa da família e Mônica estava no meio de um importantíssimo projeto no seu trabalho.

O fato de se darem bem,não impedia que existisse diferenças entre eles.A família de Mônica tinha uma boa situação econômica,mas nada comparada com a família de seu namorado,por isso não era seu costume freqüentar um ambiente social como o dele,onde se julgavam as pessoas pelo o que elas possuíam.Também não estava habituada ao luxo ou ostentação nem aos amigos de André,que também não lhe agradavam por serem muito esnobes.Mais apesar de tudo,a relação deles continuava indo bem e isso deixava a Mônica radiante.


Mônica coçou os olhos,estava cansada e mais uma vez releu o mesmo parágrafo.Era a quinta vez que tentava ler o mesmo parágrafo sem conseguir se concentrar no que ele dizia.Bocejou e ficou olhando para tela do seu computador.

Como se tivesse acabado de acordar,fitou o seu relógio de pulso,com razão estava cansada,eram mais de 21:30.Estava desde de muito cedo trabalhando e não dava mais.O dia não havia sido muito diferente dos outros ao que já estava acostumada,e como já vinha acontecendo a algum tempo foi um dia péssimo e estava com uma terrível dor de cabeça.Havia tomado um remédio a algum tempo que não surtira nenhum efeito,e não tomaria outro pois senão além da dor de cabeça acabaria com uma úlcera no estômago.Assim que decidiu ir para casa.Poderia ter ficado um pouco mais,afinal tinha trabalho de sobra,mas estava claro que seu corpo e sua mente não iriam colaborar em nada.

"Hummm,por hoje chega",disse em voz alta enquanto deixava em cima da mesa o documento amarelado e massageava a nuca.Esticando-se,buscou os sapatos de salto que estavam debaixo da mesa e os colocou com uma careta de dor.Já os havia tirado a algum tempo e recoloca-los era por si só bem doloroso.

Era muito organizada e não iria embora até deixar sua sala devidamente arrumada.Colocou alguns documentos em pastas plásticas,colocou as canetas na gaveta,desligou o computador e apagou as luzes,deixando somente o abajur acesso,e dando um último olhar por sua sala para constatar que tudo estava em ordem,fechou-a.

Os corredores estavam em silêncio,todos já haviam ido embora e se encontravam somente os funcionários da limpeza,que sempre começavam a trabalhar do lado oposto ao de sua sala,pois sabiam que ficava trabalhando até tarde e não queriam atrapalhar.Passou por elas e as cumprimentou de maneira alegre.

- Emília,Rosa,boa noite,até segunda - feira..........

- Senhorita bom final de semana,- lhe disse uma das mulheres- que bom que hoje a senhorita saiu mais cedo.Você trabalha tanto que acabará ficando doente.

- Bom final de semana....!É sexta - feira,-comentou a outra com um sorriso- vá se divertir,vai se encontrar com aquele namorado tão bonito que vinha lhe buscar as vezes?Há muito tempo que não o vemos.

Mônica sentiu uma pontada no coração,havia três meses que não o via mais.

- Shhhh,Rosa,acho que eles brigaram,pois tem bastante tempo que ele não aparece.

- Aaahhhh,me perdoe senhorita,eu tenho a boca muito grande.

- Tudo bem Rosa,bom fim de semana.....

Mônica não se deteve,e deu um sorriso ao escutá-las.Só quando estava dentro do elevador o sorriso se apagou de seus lábios e ela deixou escapar uma lágrima.Não queria pensar no homem que havia destroçado seu coração,não queria pensar nele,não queria pensar em nada.Chegou ao primeiro andar,passou pela porta de entrada e se dirigiu para a garagem.Parecia que todos resolveram se lembrar de André naquele dia,pois até Nazareno o porteiro da noite do prédio perguntou por ele.

- O seu namorado tem que tomar conta melhor de você,olha a hora que esta saindo do trabalho.

- Tinha muitas coisas pendentes.

- E não venha trabalhar amanhã,viu.Relaxe,vá a festas,se esqueça um pouco dos seus papéis,que você ainda é muito jovem e a vida é bela......

- Como se fosse possível,não se esqueça que semana que vem parto para São Pedro,Nazareno.

Todos gostavam de Mônica Agüero.Desde que começou a trabalhar ali,que havia ganhado o respeito dos empregados realizando um trabalho muito eficiente.Tratava a todos igualmente.

Mônica entrou no seu carro e se dirigiu a cidade.O centro estava bem iluminado e cheio de gente."É sexta - feira",pensou,"as pessoas costumam sair para se divertir e para passear nestes dias".

Ela também fazia isso quando estava com ele,durante o pouco tempo que haviam ficado juntos,quando ambos não estavam viajando ou ela trabalhando e ele na fazenda.Agora tudo havia mudado,ela estava sozinha e ele..........

Chegou ao seu apartamento,desceu do carro,e subiu as escadas até o primeiro andar e segui sua rotina diária desde que começou a passar suas noites sozinha.Acendeu as luzes,ligou o rádio,tirou a maquilagem e as roupas e tomou um demorado banho de espuma.

Quando saiu do banheiro,colocou uma blusa velha e confortável e foi até a cozinha para comer algo.Não estava com nenhuma vontade de cozinhar,por isso esquentou o que sobrara do jantar do dia anterior e comeu sentada na cadeira.Depois do jantar,preparou um chá de maçã e foi bebê-lo próxima a janela.

A janela estava iluminada apenas pelas luzes que vinham de dentro da casa e se apoiou na varanda enquanto bebia o chá.Ela adorava ficar olhando as estrelas,era um ritual que fazia todas as noites,um ritual que não havia seguido no tempo em que namorava André.Olhou para o seu e exalou um suspiro,começou a sentir uma terrível angustia no coração e deixando todas as barreiras que possuía durante o dia,para que ninguém notasse o quanto sofria.Começou a chorar.

O homem escondido em meio as sombras olhou outra vez para a mulher loira que estava apoiada contra a varanda deixando escapar um suspiro de exasperação.A viagem havia sido inútil.Já havia procurado em todos os lugares,onde provavelmente ela estaria e esta,sua casa,era sua última esperança.Mas a mulher que aparecia não era a que ele esperava,não era a mulher bela e morena que ele estava buscando.Não era a dona dos lábios sensuais que o deixavam louco,nem a que possuía seus dias e noites com esta paixão enlouquecedora e quase animal.

Pensou que agora que podia vê-la mais de perto,que havia sido muito estranho o que havia sentido ao vê-la pela primeira vez.Não esperava por ela,estava procurando a Aimée,mas ela era quem tinha atendido a porta.Recordou o impacto que ela lhe havia provocado........um estranho sentimento de afinidade,uma conexão intensa,sentir que a conhecia,que já a havia beijado e acariciado seus cabelos loiros e no entanto,nunca a tinha visto antes.

Encolheu os ombros e afastando este pensamento,observou detenidamente a loira,irmã de Aimée,a mulher orgulhosa que tantas vezes Aimée havia criticado.Ela parecida delicada e frágil,com os longos cabelos úmidos sobre as costas e a blusa azul que lhe cobria o corpo.

Do jeito que se encontrava,com a lua iluminando-a,não parecia intimidante.Não parecia a jovem de ferro que sua irmã tanto temia,ainda mais agora que chorava.Ele sentiu um pouco de pena,não gostava de ver nenhuma mulher chorando.Porém não tinha tempo para consolar-la,só podia ficar ali comparando as duas.A mulher que se encontrava na varanda era como uma flor frágil,bela,sim,mas de uma forma tranqüila e sedosa;tão fria,calma,lânguida como fogosa,violenta e apaixonada era sua amada Aimée.

Estava desesperado para encontrar-la,preocupado pois ao voltar de sua viagem só havia encontrado uma carta de despedida.Não podia deixá-lo assim.Não ia admitir isso.Mesmo sem querer ainda trazia marcado entre suas mãos,na sua pele a recordação da última noite passada juntos.

Ela estava em sua casa de praia,em sua cama,sobre ele,completamente estremecida pelo momento de paixão que haviam compartilhado,seus longos cabelos cobrindo a ambos na cama,sua boca sensual inchada por seus beijos, a satisfação estampada em seu olhar e de fundo o som do mar que chegava até eles.

- Você me deixa louco,Aimée.Gosto da sua boca...... do seu corpo,gosto de tudo em você- beijava-a como se jamais fosse se cansar de fazê-lo,mas bruscamente ,se separou dela e mirou-a fixamente antes de perguntar - Porque me deixou esperando?!

- Tive que atender a um amigo de minha irmã.

- Um amigo,........ Por isso você demorou,porque esta com outro

- Ai,João!Não me aperte assim,está me machucando...... Que bobo que você é!- riu satisfeita - Queria ver se ficava com ciúmes,demorei porque tinha algumas coisas para resolver,nada importante e acabou ficando tarde.Além do que tive que esperar um telefonema da minha tia que queria falar comigo.

Perdido em suas recordações,olhou para cima uma vez mais,a loira parecia ter parado de chorar,ao menos seus ombros não balançavam mais,estava quieta,a cabeça entre os braços.Era tarde,Aimée não iria mais para casa,o melhor seria ir embora de uma vez.

Sabia que devia evitá-los,mas por mais que tentava não conseguia esquecer,em sua mente só havia lembranças de Aimée.De como a apertava entre seus braços, da maneira como ela o beijava.De todas as vezes que a havia obrigado-a escapar com ele para a praia,onde faziam amor na areia;em aquela noite de tempestade,onde a paixão de ambos se igualava a tormenta.

Já havia se afastado da casa de Aimée.Estava caminhando sem saber para onde ia.Por Deus essa mulher tinha a capacidade de trazer a tona os seus piores instintos,a amava tanto que havia jurado matá-la se ela ousasse enganá-lo com outro homem.Estava seguro que ela não esqueceria a promessa de suas palavras: Não posso viver sem você!Não entende?Quando penso que você pode estar com outro,me descontrolo.E neste momento gostaria de matar você.....!


Muito longe dali,Aimée estava olhando as estrelas,pela primeira vez entendia o fascínio que elas exerciam em sua irmã Mônica.Mônica........,Às vezes se sentia culpada,não tinha sido uma boa irmã para ela,mas isso já não importava,o que está feito,está feito,sua irmã deveria se virar sozinha.No entanto,o passatempo idiota como Aimée sempre dizia resultou ser muito útil para ela naquela noite.As estrelas podiam fazê-la sonhar,fazer com que ela não se arrependesse das decisões que já havia tomado,de tudo que já havia acontecido.

Passou a mão pela testa,ela não ia viver para sempre na pobreza,não havia nascido para isso.E se para isso teve que sacrificar a sua irmã,já estava feito.Não importava não estar apaixonada,não sentia falta de amor,sentia falta de dinheiro,detestava trabalhar,e não aguentava mais ser mandada por Mônica........

Devia deixar de pensar em João e se concentrar no homem que estava ao seu lado,depois de tudo ele era bonito,milionário e estava completamente louco por ela.Aimée sabia o que fazer para deixá-lo feliz.E no entanto,recordações de outro homem,do qual devia esquecer passavam por sua mente.

- Se lembra como você se aproximou de mim

- Claro,o vi na praia e comecei a olha-lo,você é um homem muito bonito João

- Creio que você fez bem mais do que apenas olhar..... eu acho..... - insinua João,bem-humorado.

- E daí?Os homens não agradecem nada,nos taxam de estéricas,falam que querem mulheres que tome a iniciativa,que sejam livres e decididas e depois ficam jogando na cara......quem entende vocês?

- João do Diabo.....quem te deu esse nome?

- Isso importa?O que é que tem?É uma velha história de família,tenho ancestrais perigosos,meu tataravô eu acho,que era um pirata e o chamavam de João do Diabo.....me chamam assim desde pequeno,meu bisavô me colocou este apelido por recordá-lo.Para mim basta......qualquer coisa para mim esta bom.

- Para você qualquer coisa ruim é boa.Gosto de você por isso.Na verdade,nem sei quem você é.........

- Não precisa saber

- É verdade não mudaria nada entre nós,mas às vezes sinto curiosidade,sabe?,falam muitas coisas sobre você.

- Fofocas de pessoas desocupadas.......

- Aaahhhh,mais quero saber,mais.....vai me falar só de você e de seu tataravô,nada mais?Onde nasceu?Quem foram seus pais?Qual é o seu nome verdadeiro?O que fazia antes de se tornar um capitão de um barco,que ninguém sabe o que transporta e nem de que porto vem,nem a que porto irá?O que voce é agora?Um contrabandista?Voce faz coisas legais ou ilegais?Responda!

- Não pergunte,por que eu não vou lhe responder,comigo nada é certo,sou um anjo e um pecador,ladrão e justiceiro,bom e mau,todos em um.Vivo aqui,sou igual que ao meu barco,meu nome é João.Se não gosta de João do Diabo,pode me chamar somente de João.Além do diabo,só a mim mesmo me pertenço.

- Sabe que as vezes você é muito arrogante?Não,não ria de mim deste modo.É uma risada muito cinistra!Não sei porque gosto de você,não sei porque me aproximo,nem como você conseguiu que eu me apaixonasse por você......

- Foi você quem me deixou apaixonado,querida.Não se lembra?E foi exatamente nesta praia.Você passava com seu minusculo biquini;eu estava chegando a praia com o meu bote.Você parou para me observar........Aposto que você pensou:Bonito animal.E se propôs a adestrar-me........mas não é assim tão facil.....

Aimée se estremece de desejo.Não pode acreditar que esta sentindo outra vez o beijo que faz o seu corpo queimar,as mãos que percorrem o seu corpo,a voz masculina que sussurra em seus ouvidos palavras de amor e desejo.Porém não é a boca ardente de seu antigo amante,que estava beijando-a,não eram as mãos dele que a acariciavam,não é a voz de João que tenta ascender seu corpo........é seu marido,é André Alcázar,o milionário e antigo namorado de Mônica.










Mensagem enviada Jan 31, 2008, 10:07 AM
do endereço IP 201.51.20.147


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obrigado

by

ADOREI OS CAPITULOS, E ESTOU ACOMPANHANDO EM ESPANHOL TAMBÉM,
E VOCE É UM ANJO, COMO EDU. BJS.
ELIANETE

Mensagem enviada Feb 1, 2008, 8:40 PM
do endereço IP 201.75.25.111


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3° Capítulo

by Angelica




Todas as pessoas que faziam parte da vida de Mônica começaram a notar que ela não estava bem,ela passava o dia inteiro trabalhando como se não quisesse voltar para casa depois de estar tanto tempo entre quatro paredes com os seus documentos antigos,e sua desculpa era a viagem a São Pedro.Meche tentava fazer com ela saisse um pouco do escritório para se distrair e conversar sobre o problema que a afligia,mas era como se a Mônica de meses atrás estivesse ausente e que não queria saber do resto do mundo.

Na última noite antes da viagem Meche tentou convense-lá a sair para jantar e tomar alguma coisa para aliviar a tensão do trabalho,porém Mônica voltou a negar,deu como desculpa que teria que revisar todos os documentos e realizar algumas anotações,para que quando chegassem a fazenda de Campo Real tudo estivesse em ordem.Meche tentou de várias maneiras convenser a Mônica a sair um pouco e relaxar,que depois ela mesma a ajudaria a revisar os documentos mas Mônica se negou uma vez mais e havia ficado no escritório,com certeza trabalharia até a madrugada,e depois voltaria a aparecer com o rosto pálido e com as olheiras que a acompanhavam a três meses.

Hoje o dia tinha sido muito difícil para Mônica,não se lembrava de quanto tempo estava revisando os documentos que precisaria utilizar em Campo Real enquanto durasse aquela expedição,necessitava ir para casa,tomar um longo banho de espuma,ir para cama e não pensar mais nos antepassados da família Altamira,nem na sua própria vida.Fazia três meses que sua vida havia sofrido um giro de 360°,não sabia como tudo tinha mudado tão rápido e ela não havia podido fazer nada para evita-lô.Naquele momento não sabia se a sua dor de cabeça estava sendo causada pela quantidade de informação contida nos documentos,pelos problemas pessoais ou pelo cansaço que sentia,só precisava fechar os olhos por um momento e acabar com as 20 horas que lhe faltavam para acabar de revisar os documentos e iria para casa.

Mônica se inclinou na cadeira do seu escritório e fechou os olhos como se tentasse escapar de tudo que a rodeava.Estava com muita raiva,pois apesar de ter bastante tempo que não sabia nada de André,ele ainda continuava presente em sua mente,seu cheiro,seus beijos,suas caricias e acima de tudo a sua companhia,o que ela havia feito de errado para que ele a abandonasse?Pensara que os dois haviam sido feitos um para o outro mas..... ele só havia brincado com os sentimentos dela.Apertava os olhos e os punhos toda a vez que se recordava do dia em que André foi a sua casa e lhe disse que não poderia continuar com ela porque estava apaixonado por Aimée,sua própria irmã,que não sabia como nem quando havia acontecido mas que não poderia mais ocultar os seus sentimentos e que a havia pedido em casamento e ela havia aceitado.

Mônica se lembrava de como suas pernas haviam fraquejado naquele momento,como se seu corpo estivesse colado no chão enquanto suas palavras ecoavam no fundo da sua mente.O primeiro homem por quem havia se apaixonado,ao que havia entregado o seu coração estava abandonando-a por sua única irmã como se nada do que haviam vivido até aquele mmento importasse,e não por estar em dúvida quanto aos seus sentimentos e sim por estar apaixonado por Aimée,no fim das contas por outra mulher.

Mônica se perguntava mil vezes o que havia feito de errado para que ele se apaixonasse por ela,o que Aimée tinha que ela não tivesse,sabia perfeitamente que existiam mulheres mais bonitas que ela e sua irmã tinha uma beleza exuberante,mas pensava que André gostava dela por sua essência e personalidade e não por sua beleza,quanto estava equivocada!,sabia qual havia sido seu erro com André,mas havia pensado que ele a entenderia neste aspecto,sabia perfeitamente que as mulheres de hoje em dia não davam importância a isso mas ela sim,desde de pequena se havia feito a promessa de que o dia que faria amor com um homem seria quando realmente o amasse não ia esperar até o casamento,mas também não ia pular na cama do primeiro que aparecesse,e pensava que André havia se interessado em Aimée por não estar satisfeito neste aspecto e que por necessitar disto em uma relação havia ido procurar fora.Bem,isso de ir buscar fora chegava a ser irônico,já que ele não precisou se afastar muito dela para encontar.E qual foi o resultado?,ela estava sozinha e com o coração em pedaços,e como se tudo isso fosse pouco depois da conversa com André ao chegar em casa se deparou com as malas de sua irmã Aimée na entrada do apartamento e ela a sua frente lhe dizendo coisas terríveis:

- André é o homem da minha vida....... é perfeito para mim....... tem muito dinheiro e me ama........ vou embora com ele......... vamos nos casar e depois disso não quero te ver nunca mais,nem a você,nem a ninguém desta família miserável.

- Aimée você não pde ser tão má,por que você está fazendo isso?

- Estou pensando em mim,em meu futuro,ficando ao seu lado o que eu posso conseguir?..... Sabe que eu sempre desejei ser rica,ter uma boa posição social e status,está é a oportunidade com a que eu venho sonhando a anos e não vou deixa-la escapar - conclui enquanto a mirava com ar triunfante.

Depois de tudo que havia feito por ela,Aimée lha dizia todas estas coisas,assim ela lhe pagava.Mônica pensava o que havia feito de errado nesta vida para que tudo isso acontecesse com ela,deveria ter sido muito má no passado,pois não encontrava outra explicação.Não queria pensar mais e tentou dormir por uns dez minutos para ver se a dor de cabeça que a estava atormentando passava.

Não haviam passado mais de cinco minutos e Mônica se encontrava profundamente adormecida em seu escritório tentando escapar do sofrimento tão grande que sentia.


Não podia acreditar que havia tido a coragem para fazer tudo o que havia feito por ela,por um lado estava tremendamente feliz por tê-la ao seu lado,por saber que ela seria sua para sempre e que era somente sua mulher,mas em contrapartida se sentia culpado pelo sofrimento que havia provocado em Mônica.Sabia perfeitamente que ela não merecia o que ele havia feito mas ele não pode resistir aos encantos de sua irmã e de apaixonar-se perdidamente por ela a ponto de perder a cabeça.Aimée era tão diferente de Mônica que as duas eram como a noite e o dia,era uma mulher um pouco mais jovem que ele,porém era uma mulher completamente irrestível e com uma beleza selvagem que não passava despercebida a nenhum homem.Mas agora não queria pensar mais no que já havia acontecido o mais importante para ele era que Aimée era sua mulher perante a lei e que pertencia a ele de corpo e alma.Ainda estavm em lua - de - mel,e tinha a sensação que apenas a algumas horas ela havia se convertido na senhora Alcázar e Valle,não podia deixar de repetir estas palavras enqunato a observava dormir com um sorriso no rosto.


Mônica começou a inquietar-se enquanto dormia na cadeira como se estivesse tendo um pesadelo e de repente se levantou bastante agitada,estava sonhando com os mesmos olhos que a atormentavam desde que André tinha partido,eram muito parecidos aos seus mais sentia que o dono destes olhos e ela estavam unidos por um laço muito importante,porém não sabia quem era ele apesar de vir sonhando com ele à três meses todos os dias,as vezes acordava sufocada e envergonhada com o que sonhava.

Não podia acreditar que o seu subconciente a enganava desta forma criando um homem muito bonito para que a recordação de André desaparecesse,acreditava que o rompimento havia provocado nela um estado de loucura que já a estava assustando.Havia mudado tanto durante este tempo,estava mais magra devido ao exesso de trabalho e ao pouco apetite,sua pele estava pálida e as olheiras que somavam ao seu rosto lhe davam um aspecto deploravel.Evita se olhra no espelho para não ver a pessoa em que havia se transformado,mas já havia planejado para quando voltasse de São Pedro faria várias mudanças em sua vida e começaria a sair deste mundo abstrado no qual se encontrava e que não podia nem queria escapar.

Se sentou na cadeira e começou a revisar os documentos que faltavam para ler,mas olhando no seu relógio de pulso percebeu que faltavam menos de 45 minutos para ir buscar a Meche e se dirigirem até o aeroporto,estava nervosa e realmente não sabia o motivo,já havia viajado milhares de vezes e nunca tinha ficado neste estado de nervos notava como suas mãos começavam a suar e a garganta seca que lhe custava pronunciar qualquer palavra,se sentia ridícula pela ansiedade na qual se encontrava como se tivesse a sensação que nesta viagem algo iria acontecer,não sabia o porque mas tinha o pressentimento que alguma coisa iria mudar sua vida nesta viagem.









Mensagem enviada Feb 9, 2008, 11:21 AM
do endereço IP 201.51.171.5


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E os outros capitulos?

by

Estou gostando muito da sua estória, quando vem os demais capitulos?

Mensagem enviada Feb 17, 2008, 4:43 PM
do endereço IP 201.44.117.14


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Pedido

by

Onde posso encontrar esta história completa?
Gostaria de lê-la....
Obrigado desde já

Mensagem enviada Feb 3, 2008, 7:36 AM
do endereço IP 200.101.114.37


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spike e neste site aqui

by Anonymous

http://corazonsalvaje.mforos.com/281154-capitulos-nuevos-y-comentarios/

Mensagem enviada Feb 25, 2008, 2:16 PM
do endereço IP 189.6.29.146


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Adoro vocês

by

Oi pessoal,

Eu tenho 21 anos e quero atráves deste dizer que adoro a novela assistir todas as vezes que o canal da SBT (Brasil) reproduziu e tenho o maior prazer de dizer que vocês são DEZ. João do Diabo você é muito lindo parabéns pela sua peformace e a todo o elenco parabéns.

Mensagem enviada Nov 7, 2007, 3:19 PM
do endereço IP 200.223.157.186


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Novela Coração Selvagem

by

Gostaria muito de comprar os DVD's da novela Coração Selvagem. Sabem como posso consegui-los?

muito obrigada

abraços

Sandra

Mensagem enviada Sep 28, 2007, 2:54 PM
do endereço IP 201.13.197.165


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dvd

by

gostaria de saber como faco para conseguir os dvds da novela coracão selvagem por favor assim que possivel
me mandar a resposta pois estou ansiosa
desde ja agradeco a comprencão obrigado .

Mensagem enviada Dec 21, 2007, 8:33 AM
do endereço IP 201.6.234.20


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DVD

by

Alguns capitulos estão postados no Youtube.Em espanhol mas é muito legal

Mensagem enviada Feb 16, 2008, 9:30 AM
do endereço IP 201.44.117.14


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Tbm quero

by

os dvds. Estou doidinha atrás dos DVDs

Mensagem enviada Feb 17, 2008, 2:28 PM
do endereço IP 201.69.229.232


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Amei,Angel!

by

Obrigada por tudo.bjs

Mensagem enviada Sep 21, 2007, 1:43 AM
do endereço IP 216.239.50.136


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De nada,Claudinha!!!!!!!!

by Angelica

Que bom que vc gostou,curta bastante o livro e a fotonovela.

Um super beijo,

Angel!










Mensagem enviada Sep 26, 2007, 7:10 PM
do endereço IP 201.5.128.176


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FOTONOVELA CS E O RESTANTE?

by

E os outros capítulos da fotonovela?
Só tem ate o VI?

Mensagem enviada Aug 10, 2007, 5:53 PM
do endereço IP 201.67.127.14


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Não!!!

by Angelica

A mais capitulos eu vou colocarlos no forum aos poucos.

Um abraço,

Angel!

P.S.:Qual é o seu nome,de onde vc fala.Conte um pouco sobre vc(outros temas que náo sejam sobre textos favor escrever no forúm principal) e participe conosco lá no forúm principal.

Mensagem enviada Aug 11, 2007, 12:15 AM
do endereço IP 189.48.182.57


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Não!!!

by Angelica

A mais capitulos eu vou colocarlos no forum aos poucos.

Um abraço,

Angel!

P.S.:Qual é o seu nome,de onde vc fala.Conte um pouco sobre vc(outros temas que náo sejam sobre textos favor escrever no forúm principal) e participe conosco lá no forúm principal.

Mensagem enviada Aug 11, 2007, 12:30 AM
do endereço IP 189.48.182.57


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Re: FOTONOVELA CS E O RESTANTE?

by Anonymous



Mensagem enviada Jan 22, 2009, 10:18 AM
do endereço IP 189.62.83.200


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****FOTONOVELA CORAZÓN SALVAJE!CAPÍTULO III!****

by































































































































Mensagem enviada Aug 5, 2007, 4:13 AM
do endereço IP 200.149.180.254


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****FOTONOVELA CORAZÓN SALVAJE!CAPITULO I!****

by



























































































































Mensagem enviada Jul 22, 2007, 10:18 PM
do endereço IP 200.149.179.180


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****FOTONOVELA CORAZÓN SALVAJE!CAPITULO II!****

by





























































































































Mensagem enviada Jul 23, 2007, 12:46 AM
do endereço IP 200.149.179.180


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****FOTONOVELA CORAZÓN SALVAJE!CAPÍTULO II,CONTINUAÇÃO!****

by































Mensagem enviada Aug 5, 2007, 3:07 AM
do endereço IP 200.149.180.254


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Re: ****FOTONOVELA CORAZÓN SALVAJE!CAPÍTULO II,CONTINUAÇÃO!****

by

gostava de saber se posso comprar a telenovela coração selvasem em portugues

Mensagem enviada Aug 26, 2008, 8:32 AM
do endereço IP 89.181.126.2


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Re: ****FOTONOVELA CORAZÓN SALVAJE!CAPÍTULO II,CONTINUAÇÃO!****

by

gostava de saber se posso comprar a telenovela coração selvasem em portugues

Mensagem enviada Aug 26, 2008, 9:08 AM
do endereço IP 89.181.126.2


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****FOTONOVELA CORAZÓN SALVAJE!CAPÍTULO IV!****

by



























































































































Mensagem enviada Aug 5, 2007, 5:03 AM
do endereço IP 200.149.180.254


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****FOTONOVELA CORAZÓN SALVAJE!CAPÍTULO V!****

by




































































































































Mensagem enviada Aug 5, 2007, 7:10 PM
do endereço IP 200.139.67.116


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coracão selvagem

by

gostaria de saber se é possivel receber os capitulos restantes da novela coracão selvagem obrigado

Mensagem enviada Jan 9, 2008, 9:35 AM
do endereço IP 201.6.26.134


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****FOTONOVELA CORAZÓN SALVAJE!CAPITULO VI!****

by

































































































































Mensagem enviada Aug 5, 2007, 11:48 PM
do endereço IP 200.139.115.16


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****FOTONOVELA CORAZÓN SALVAJE!CAPITULO VII!****

by
































































































































Mensagem enviada Aug 12, 2007, 7:37 PM
do endereço IP 200.139.115.11


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****FOTONOVELA CORAZÓN SALVAJE!CAPITULO VIII!****

by
































































































































Mensagem enviada Aug 15, 2007, 3:31 AM
do endereço IP 200.149.179.219


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****FOTONOVELA CORAZÓN SALVAJE!CAPITULO IX!****

by































































































































Mensagem enviada Aug 17, 2007, 1:47 AM
do endereço IP 189.48.181.96


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****FOTONOVELA CORAZÓN SALVAJE!CAPITULO X!****

by































































































































Mensagem enviada Aug 18, 2007, 2:22 AM
do endereço IP 200.149.182.101


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****FOTONOVELA CORAZÓN SALVAJE!CAPITULO XI!****

by































































































































Mensagem enviada Aug 19, 2007, 2:32 AM
do endereço IP 200.149.179.105


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****FOTONOVELA CORAZÓN SALVAJE!CAPITULO XII!****

by































































































































Mensagem enviada Aug 19, 2007, 5:23 PM
do endereço IP 201.5.127.250


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****FOTONOVELA CORAZÓN SALVAJE!CAPITULO XIII!****

by





































































































































Mensagem enviada Aug 19, 2007, 8:31 PM
do endereço IP 200.139.71.245


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****FOTONOVELA CORAZÓN SALVAJE!CAPITULO XIV!****

by

































































































































Mensagem enviada Aug 19, 2007, 10:50 PM
do endereço IP 189.48.182.196


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****FOTONOVELA CORAZÓN SALVAJE!CAPITULO XV!****

by































































































































Mensagem enviada Aug 19, 2007, 11:25 PM
do endereço IP 189.48.182.196


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****FOTONOVELA CORAZÓN SALVAJE!CAPITULO XVI!****(FINAL)

by





































































































































Mensagem enviada Aug 20, 2007, 12:14 AM
do endereço IP 189.48.182.196


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****AGRADECIMENTO PELA FOTONOVELA CORAZÓN SALVAJE!!!****

by

O Foro Brasileiro Coração Selvagem agradece a Gio por fornecer a fotonovela de maneira totalmente gratuita e ao foro Eduardo Palomo-Argentina por dispor a mesma em seu site de maneira gratuita.

http://club.telepolis.com/eduardopalomo/PRINCIPAL.htm



Mensagem enviada Aug 20, 2007, 12:22 AM
do endereço IP 189.48.182.196


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LIVRO CORAZÓN SALVAJE DE CARIDAD BRAVO ADAMS-PARTE III(FINAL)!!!!!!!

by

Libro 3

1

"CON LA FORMAL promesa de tomar los hábitos, profesando en el Convento de las Siervas del Verbo Encarnado, tan pronto sea otorgada la nulidad del lazo matrimonial" —ha leído Renato. Y con extrañeza, pregunta a su madre—: Pero, ¿qué es esto? ¿Quieres explicarme, madre?
—Se explica por sí mismo, Renato. Sólo he querido darte cuenta para que te tranquilizaras. Mónica ha encontrado, por este medio, la solución de sus problemas. Esta es la copia de su súplica al Santo Padre, y ya dejamos, por petición suya, el original debidamente firmado, en manos de la autoridad eclesiástica que se encargará de remitirlo al Vaticano.
Desesperado, trémulo, a punto de estallar, estruja Renato en su mano crispada la copia de aquel documento que su madre acaba de darle a leer, como aplicando un remedio heroico a su alma enferma. Están en la amplia y destartalada biblioteca donde Renato se ha encerrado a solas durante todo el día. Sobre la mesa más cercana están los restos de una botella de coñac que bebiera a solas, sorbo a sorbo, luchando por romper el círculo de angustia que le rodea, cerrándose más y más a cada instante. Ahora, este golpe es el último; él mismo se sorprende al comprobar hasta qué punto le hiere, le descorazona, le enferma. Pero su dolor se cambia repentinamente en violenta cólera, al exclamar:
—La idea fue de Aimée, ¿verdad?
—Que yo sepa, la idea fue de la propia Mónica.
—]No, no puedo creerlo! Ella había renunciado definitivamente a, la idea de ser religiosa. Estoy seguro que no lo hizo por sí misma. Alguien se encargó de hacerla,, una vez más, víctima expiatoria de pecados que no ha cometido, y sé perfectamente de dónde viene todo esto, sé quién lo ha hecho y quién puede atajarlo.. .
—¿Dónde vas Renato?
—¿Dónde he de ir, sino a hablar con ella?

En ese mismo instante, una sombra furtiva cruza el gran patio posterior, ocultándose entre los árboles. Llega hasta la disimulada puertecilla, hace girar la llave y sonríe al divisar muy cerca la gallarda figura que vivamente se acerca a ella, haciéndole ademán de callar:
—¡Ni una palabra! Hay gente cerca. No quiero caer en los chismes de los criados.
Lo ha tomado de la mano, arrastrándolo por la desierta calle, y cuando ya los muros de la vieja mansión están lejanos, se levanta el encaje negro de un antifaz y sonríen más prometedores que nunca sus frescos labios:
"Usted no va a olvidar jamás su última noche en la Martinica, teniente Britton. Voy a encargarme de hacerla inolvidable...
—¡Creo vivir un sueño, poseer un imposible! Usted... Usted ... Pero, ¿qué hice yo para lograr... ?

—A veces no es preciso hacer nada. La suerte viene sola... Digo, en el caso de que considere usted una suerte compartir conmigo las últimas horas que le quedan en tierra martinicana...
—No encuentro palabras con qué expresarle mi gratitud. Mi emoción y mi sorpresa han sido tan grandes, que temo parecerle a usted ridículo. No acierto ni siquiera a hablarle, pero si pudiera ver mi corazón...
—Trataré de imaginármelo —bromea Aimée—. ¿No le parece que debemos de tratar de conseguir un coche, aunque sea de alquiler? No quisiera quedarme por más tiempo en este odioso barrio.
—Traje un coche conmigo, que está esperándome en la otra calle. No me atreví a hacerle llegar hasta aquí por temor a ser imprudente, a que alguien...
—Hizo perfectamente. Menos mal que se le ocurrió algo con sentido común...
—No se ría de mí... ¿Acaso es risible decirle que la amo?

—Es prematuro... y probablemente inexacto —coquetea Aimée—. El amor no consiste sólo en palabras...
—Le probaré el mío con el sacrificio que quiera imponerme. Ninguno me parece demasiado grande con tal de que usted mida y pese lo que me llena el alma... Ya no me pertenezco, Aimée. Soy suyo... suyo en cuerpo y alma... ¡La quiero... la quiero... ¡
La ha estrechado contra -sí, ha hallado, sin buscarlos, los labios a la vez frescos y ardientes, húmedos y sensuales, y ha sentido que, bajo el fuego de aquel beso, todo se borra a su alrededor...
—¡Caramba! —exclama Aimée satisfecha— Besas como un maestro, no como un novato. Menos mal... Empecé a temer que fueras de los que hablan demasiado...

—¡Ana... Ana.-.! ¡Aimée! ¡Aimée!
Con gesto y ademán de ira mal contenida, Renato ha cruzado la antecámara que precede a la alcoba de Aimée y sacude con rabia la recia puerta cerrada con llave. Una oleada de cólera empurpura sus pálidas mejillas cuando al fin asoma entre los cortinajes, ceniciento de espanto, el rostro de la doncella nativa, que balbucea:
—Mi... amo... .mi amo...
—¿Dónde está tu señora?
—¿Dónde va a estar, señor? —miente Ana muerta de miedo—. Ahí... ahí dentro del cuarto...
—¡Mientes! —se enfurece Renato. Y sacudiendo la' puerta con fuerza,, llama—: ¡Aimée! ¡Aimée! ¡Soy yo! ¡Ábreme en el acto!
—La señora dijo que no quería saber, nada de usted, que no la molestaran para nada, que iba a cerrar su puerta con doble llave, y ahí está... Y me mandó decirle a usted que no iba a abrirle la puerta, pasara lo que pasara...

Con violento esfuerzo, Renato D'Autremont ha reaccionado. Entre las nieblas de su mente, entre la llamarada de su cólera, asoma la razón de aquellas palabras y el recuerdo de su última escena con Aimée en la biblioteca. Ha bebido durante toda la tarde, pero no está ebrio. Más fuerte que el alcohol es aquel fermento de pasiones que hierve en sus entrañas: odio, rencor, amor, anhelo desesperado por aquella mujer de la que todos le apartan, y una cólera violenta hacia la mujer a quien dio su nombre.. cólera que se refrena bajo el impacto de algo parecido a remordimiento...
—La señora estaba muy brava y por eso dijo que no le iba a contestar a nadie... Ya sabe usted cómo es...
—Sí, ya sé cómo es. Demasiado sé cómo es, pero esto... esto... Esto ha partido de ella, y por esto tiene que darme cuentas en el acto ¡Aimée! ¡Aimée! ¡Ábreme en seguida!
—Renato, te ruego... —empieza a suplicar Sofía acercándose a su hijo.
—¡Soy yo quien te ruega que me dejes en este momento, madre! ¡Es un asunto privado entre mi esposa y yo!
—Por desgracia, ya no hay asuntos privados en esta casa. Se ha olvidado hasta la sombra del decoro, se grita y se vocifera delante de los criados, y todas son huellas de fango contra el buen nombre de la casa...

Sofía ha mirado con ira hacia los cortinajes por donde Ana acaba de desaparecer aprovechando la ocasión de quitarse de en medio. Luego, dulcificado el gesto, se acerca hasta apoyarse en el brazo de su hijo:
—Renato, deja a Aimée. No creo que ella tenga arte ni ni parte en la resolución de su hermana. Te ruego que me escuches. Hay que detener el escándalo... Catalina estuvo de acuerdo conmigo. Cuando fuimos a decírselo a Mónica, tuvimos la grata sorpresa de que espontáneamente tomase ella esa resolución. Creo que es lo mejor que puede pasar. Romperá ese lazo matrimonial que es una ignonimia, tomará los hábitos, y a nosotros no nos quedará sino tratar de olvidar que existe un bandido llamado Juan del Diablo...
—Yo no voy a olvidarlo ni voy a permitir que, una vez más, sea Mónica la sacrificada. No es justo que todos la empujen, que todos se empeñen en que purgue un delito que no ha cometido. ¿Dices que había tomado esa resolución voluntariamente? No lo creo, madre. Veo en todo eso la mano de Aimée. Ya he empezado a conocerla como a hipócrita e intrigante...
—Es tu esposa y será la madre de tu hijo. Si no puedes ya amarla, respétala al menos y no insistas en hablarle en el estado en que estás. Te aseguro que Mónica está muy conforme. Si no me crees, habla con Catalina... Acabo de dejarla en mi alcoba. Pregúntale y ya verás cómo te convences de que nadie pretende sacrificarla. Anda con Catalina. .. Yo procuraré que Aimée me abra, y no me opondré a que hables con ella cuando estés más tranquilo. Ve... Te lo ruego, Renato...

Renato se ha alejado al ruego imperativo de su madre. Sola en la antecámara, frente a la temblorosa doncella a la que ha hecho salir de su escondite tras las cortinas, deja doña Sofía caer su máscara de severa dignidad, se crispan de cólera sus labios y relampaguean sus ojos al asegurar:
. "Tu ama no está en la casa, ¿verdad?
—¿Cómo no, señora? Está ahí dentro...
—¡No mientas más! Delante de mi hijo es preciso disimular muchas cosas, pero a mí no vas a negármelo. Salió disfrazada con tu ropa... La vieron salir y pensaron que eras tú... ¿Entiendes? Me habían dicho que tú habías salido, pero al verte, me he dado cuenta de la verdad. ¡Era ella... ella.. . y tú, cómplice inmunda. ..!
—¡Aay! —se queja la doncella—. Yo no tengo la culpa de nada..

—¡Pues tú eres la que vas a pagarlo! ¡Mañana sales para Campo Real, y Bautista te arreglará las cuentas!
—¡No! ¡No, señora! —clama Ana espantada—. Yo no hice '— nada... Yo no tengo la culpa... A mí me manda mi ama, y si no la obedezco, también dice que me envía para Campo Real...
—Es a mí a quien tienes que obedecerme. Yo soy tu ama... en mi casa naciste esclava, y has comido el pan de los D'Autremont los años que tienes. ¡A mí sola has de servirme!
—Usted me mandó que sirviera a la señora Aimée, me mandó que fuera su doncella... Pero no me mande a Campo ' Real... Yo hago lo que usted quiera...
—¡Ve a buscarla! Encuéntrala cuanto antes... En una hora, en dos... Hazla entrar por donde mismo la sacaste, para que mi hijo la halle en esta alcoba cuando la puerta se abra. ¡Date prisa! Consigúelo, Ana. ¡Que Renato no se entere de esto, o te haré desear no haber nacido! ¿Entendiste? ¡No pierdas un minuto más! ¡Corre! ¡Lárgate! ¡Que esté en esa alcoba antes de una hora, o serás tú la que todo lo pagues!

Hacia la parte más baja de la rica y populosa ciudad de Saint-Pierre, allí donde es más profunda la curva de la bahía, se extiende un barrio de casas pequeñas y calles estrechas, cuyas estribaciones alcanzan, trepando, casi hasta la falda del Mont Pelee. Barrio de tabernas y marineros, de garitos y mujeres perdidas... inquieto barrio de fiestas y pendencias, donde como resaca recia y amarga llega el deshecho de la palpitación de la ciudad. Es allí donde arde un carnaval de alcohol, de broncas risotadas, de bromas salvajes... un carnaval en el que muchas veces corren juntos el ron y la sangre. Ahora, los parroquianos de uno de aquellos sórdidos establecimientos han abierto un círculo de rostros congestionados, de ojos lascivos, de manos ávidas con dificultad se contienen, y en el centro de aquel círculo, al son apagado y ancestral de las tamboras africanas, una mujer baila la más obscena de las danzas nativas, con retorcimientos de sierpe y aullidos de lobo. Baila... baila... mientras corre el sudor, haciendo brillar su carne de ébano... Apoyada en el brazo del teniente Britton, Aimée de Molnar sonríe, extrañamente fascinada por el ritmo de aquella danza, y en voz baja y expresiva comenta:
—¿Te gusta. Charles? Es una danza bruja. La primera vez que se ve bailar, pueden formularse tres deseos. Dicen que uno de los tres se logra siempre. Pero hay que pedirlo mojando dos dedos en sangre. Ahora van a degollar un cordero. ¿Quieres probar? ¿Quieres realizar tu mayor deseo. Charles?
—Si. ¡Quiero pedir que esta noche no se acabe jamás! Que sea tan larga como mi vida, y pasarla a tu lado; pero...
—Aguarda... Espera... Ya degollaron al cordero, ya traen la sangre en esas jicaras. La ofrecen a todo el que la quiera. ¡Pronto! ¿Tienes una moneda? Échala en el fondo y moja los dedos...
—Es absurdo. Como espectáculo puede pasar, pero...

—¡Pronto! —Aimée ha extraído de su bolso una moneda de oro, arrojándola al fondo de la jicara llena del rojo liquido viscoso. Luego, tomando bruscamente la mano del .teniente, la hunde en él, mientras le apremia:
—Pide... Pide por mí... Pide tres veces lo mismo... Que se realice lo que yo estoy pidiendo en este momento. Piénsalo conmigo... con toda tu fuerza... con toda tu voluntad...
Por segunda, por tercera vez, ha obligado al oficial a hundir su mano en la sangre del cordero, que en una jicara ofrece un mocetón africano. Luego, mientras él limpia con repugnancia su mano en el pañuelo, ella se aleja hacia la puertecilla que da a una especie de terraza, y aspira ávidamente el aire salobre que llega desde el mar...
—Aimée, ¿qué te pasa? ¿Qué tienes?
—Nada... Respiro... No creo que tenga nada de particular ...

Desconcertado, palpando en su muñeca las huellas que dejaran las uñas de Aimée al obligarlo a mojar su mano en la sangre, el teniente Britton se acerca a aquella mujer, más incomprensible para él a cada instante, y queda largo rato en silencio, hasta que repentinamente sacude la cabeza, -como espantando las quimeras para volver a la realidad...
—Aimée, ¿por qué haces esto? ¿Por qué estás aquí conmigo? ¿Es despecho? ¿Son celos?
—¿Qué te importa? ¿No es bastante con que lo haga? ¿En qué piensas?
—No sé... Tienes gustos extraños... Este lugar, estas gentes...

—Un rincón típico. ¿A dónde querías que te llevara a ver el carnaval de la Martinica? ¿Al bailé del gobernador? ¿Al salón de mi ilustre suegra?
—No he pretendido nunca tanto; pero, en realidad, no sé lo que me pasa. Mientras más trato de entender, menos entiendo. Hemos entrado, por lo menos, en diez tabernas. ¿Buscabas a alguien en ellas?
—¿Como piensas? ¿No comprendes que una mujer ahogada entre los muros de piedra de la casa D'Autremont quiera distraerse un rato?
—No soy yo quien pueda juzgarte, Aimée. Inútilmente trato de comprenderte. No te inspiran amor ni tu esposo ni Juan. En forma espontánea me has otorgado el regalo de tu presencia y de tu compañía. No puedo pensar que sea yo quien te inspire ese amor... ¿Por qué lo haces entonces? ¿Qué pretendes?
—¡Basta! —corta Aimée malhumorada—. Estoy empezando a creer que eres tonto de remate....
—Si, por aquí... Déjame pasar, i d i o t a ...

La voz que ha pronunciado estas palabras llega hasta ella haciéndola saltar cual si fuese la picadura de un reptil. -Rápidamente ha vuelto a ponerse el antifaz. Tiembla, retrocede, se aterra al brazo del teniente Britton, y ambos clavan los ojos en el marco de aquella puerta, por donde Juan del Diablo aparece seguido del viejo notario... Ha llegado hasta el centro de aquella especie de terraza natural que forman dos rocas lisas aladas sobre la arena de la playa, muy cerca del lugar en que el mar se estrella, y vuelve la cabeza para mirar a Noel. Sólo entonces se da cuenta de la presencia de aquella pareja inmóvil y expectante... Aimée envuelve su cuerpo en los percales de colorines del traje típico que le prestara su doncella. El teniente Britton, un poco pálido pero perfectamente sereno, da un paso hacia él, permitiendo que la luna le ilumine de pies a cabeza, al saludar:
—Buenas noches, Juan...
—Teniente Britton —se sorprende ¡Juan—. Es una verdadera sorpresa verle a usted por estos arrabales. Creí que ni siquiera estaba ya en la Martinica...
—Me tiene enteramente a su disposición, por si puedo servirle en algo.
—Gracias, pero no faltaría otra cosa. Tiene usted una ocupación más grata, a lo que parece. Ya le veo bien acompañado.. . Sin embargo, si quisiera, podrían tomar una copa con nosotros ...

Su mirada de águila ha recorrido de cabeza a pies aquella figura femenina, de la que, a pesar del disfraz, se desprende algo que cree reconocer, algo familiar, inquietante... En vano trata de ver sus manos o sus cabellos...
—Voy ahí cerca, donde se juega fuerte, pero donde también sirven bebidas: Hay monte, bacarat, ruleta... ¿Le gustaría probar su suerte? La mía es perfecta. Si me siguen, se rellenarán los bolsillos. ¿Qué dice usted, hermosa? Supongo que lo es cuando el teniente se toma la molestia de acompañarla. ..
—Muchas gracias, Juan, pero ya nos íbamos. Es muy tarde para ella... Justamente salíamos, y...
—¿Es muda su compañera, teniente, o tiene una voz demasiado fácil de reconocer? Se ve mal la cara a través de ese encaje negro...
—¡Cuidado, Juan, del Diablo! —conmina el oficial en tono ominoso.

—No se altere, teniente. Sería muy fácil para mí arrancarle el antifaz aunque usted se opusiera, pero no voy a hacerlo. ¿Para qué? Allá usted, y allá ella... ¡Oh, su pañuelo! —Juan se ha inclinado rápidamente, atrapando, antes que el teniente, el pañuelo de encajes desprendido de las manos de Aimée, y aspira la bocanada de perfume que de él se desprende, mientras ríe con sarcasmo—: Aroma de nardos... Un olor muy conocido, demasiado conocido, aunque sólo conozco una mujer que usa este perfume siempre... ¡Maravilloso... Maravilloso, teniente!
Juan ha dado un paso, acercándose más a Aímée, mirando fieramente sus ojos negros a través de los achinados agujeros del antifaz que le cubre el rostro, y comenta irónico:
"Qué fácil y terrible venganza para Juan del Diablo, ¿verdad?
—¡Basta... basta! —ataja el oficial británico—. Le ruego que siga su camino... Usted no tiene derecho...
—¿Y qué importa el derecho? Tengo los medios al alcance de mi mano. Lo que usted hiciera, no haría más que empeorar la situación, darle alas al escándalo. ¿Se da usted cuenta? Me bastaría arrancar del rostro de esa mujer ese trapo negro para que mañana todo Saint-Pierre se riera a carcajadas del caballero D'Autremont... Caro que a usted le costaría la vida, mi buen amigo, y pagaría muy caro, terriblemente caro el placer que quizás creyó gratuito...
—¡Basta... No tienes derecho...! —estalla Aimée sin poderse contener.

—¡Hablaste! ¡Qué pronto se rompió tu consigna! —comenta Juan en tono burlón.
—¡Eso no puede ser! —reta el teniente—. Salga usted de aquí, señora. Vayase inmediatamente... Yo me encargaré de mostrarle a este hombre... ¡Pronto... Vayase...!
—Creo preferible que usted no intervenga —aconseja Juan sonriente e impasible—. Saldrá muy mal, desde cualquier punto de vista.
—¡Tendrá usted que matarme antes que faltarle al respeto a esta dama en mi presencia!
—No pierda el tiempo en gestos inútiles. Esta dama no desea que la respeten...
—¡Basta ya! Terminemos con todo esto. A usted no le interesa quién es mi compañera... Déjenos salir de aquí, en el acto.
—¡Espera, Charles... ¡ —tercia Aimée.

—¿No ve que es ella la que no quiere irse? Le encanta estar aquí —comenta irónico Juan—. Aunque parezca mentira, éste es su ambiente... Se equivocó al cambiarlo por el oro de los D'Autremont. Ahora le molesta y le asquea todo aquello por lo que vendió su vida: vajillas de plata, pulseras de brillantes y collares de perlas...
—Estando a mi lado, no permito que le hable usted de ese modo —protesta el teniente, aunque sin gran fuerza.
—No sea niño, teniente. Su posición es desventajosa. ¿No lo comprende? Se lo esta jugando todo. .. ¿Por qué? ¿Por quién?
—Vas a permitir que diga eso. Charles? -SE enfurece Aimée.
—¿Y cómo hará para impedirlo? A poco que razone, el mismo tiene que pensarlo. .Está sirviendo de juguete, de pelele, a una mujer sin escrúpulos. Supongo que lo sabe, que no se ha ido ya por vergüenza de caballero... ¿Qué te propones." ¿Qué vas a hacer con él? ¿Hasta dónde vas a arrastrarlo con tus intrigas? ¿No piensas que has hecho ya bastante daño?
—Tal vez a los otros les hice daño. A ti no te he hecho sino bien, y si ahora mismo estás en libertad, ¿a quién sino a mí se lo debes? ¡Pero eres el último de los hombres; el más ingrato, el más perverso!
—Estás exagerando. No hago sino prevenir al teniente Britton, hacerle darse cuenta de lo que está haciendo, y si quiere seguir, que por lo menos no marche ciego... Renato D'Autremont está buscando alguien a quien matar, en quien vengar una ofensa que presiente, que siente flotar en torno suyo, por muy hábilmente que su mujer se maneje... ¿Va usted a seguir haciendo el juego a esta bella víbora? Le debo la lealtad de su declaración, teniente, y haberme tendido la mano de amigo a través de las rejas de una prisión. Por eso le pregunto: ¿Va a prestarse para que ella le use a su antojo en provecho de sus más oscuros y tortuosos intereses?
—¡No sigas diciendo eso! ¡No le oigas. Charles no le oigas! ¡Charles! ¡Charles!

La esbelta figura del joven teniente Britton se pierde por el extremo de la oscura callejuela, y Aimée, que le había seguido hasta la puerta de la sórdida taberna, se vuelve airada y avanza sobre Juan, como una fiera:
¡Ah, canalla... canalla! ¡Mereces la horca, el presidio...! ¡Yo no sé ni lo que merece,
—¿De qué lado estás? ¿A quién te inclinas? Eres la señora D'Autremont, y quieres seguirlo siendo, pero sin dejar por eso de arrastrarte en el fango que te gusta...
—¡No es cuenta tuya!
—Ya lo sé. Ojalá y que jamás lo hubiera sido. De ti sí estoy curado totalmente...
—¿Y de quién no? ¿De quién no? —indaga Aimée con repentina ansia—. ¡No vas a decirme que la quieres a ella, que te interesa ella!
—¿Y si así fuera?

—¡Antes de consentirlo, los haría matar a los dos! ¡Prefiero que se junten el cielo y la tierra! ¡No le darás a otra la pasión que es mía, que me pertenece!
—Y todo eso lo afirmas cuando acabo de hallarte junto al teniente Britton —sonríe Juan, sarcástico y mordaz—. Tienes un corazón muy amplio, y muy flexible.
—¿Qué me importa a mí Britton, ni Renato, ni el mundo entero? Me importas tú y me importo yo misma. ¡Con todos los demás, puede hundirse el universo ¡
—Ahora sí fuiste sincera... Te importas tú misma...
—Pues bien, sí. Me importo yo misma; pero en mi egoísmo hay más grandeza que en la generosidad de otra. Me importo yo misma y, por importarme yo misma, defiendo lo que eras para mí, lo que tendrás que ser otra vez... ¡Porque tú eres el único amor de mi vida! Luché con todas mis fuerzas... luché contra el propio Renato, porque te vieras libre de sus cargos. ¡A Renato le odio, le aborrezco!
—¿Tú? ¿Por qué?

—¡Por todo! Por lo que es, por como es... Ahora, además, también quiere a Mónica, y por ella me humilla y me desprecia. —Se ha mordido los labios para no gritar, apretados los puños, relampagueantes los negros ojos; pero lentamente se contiene, mientras, rotos ya todos los frenos, vierte Aimée el torrente de sus pasiones:
"Tan loco está por ella, que sólo se contiene porque piensa que voy a darle un hijo, heredero de su nombre, de sus tierras... Y por ese hijo, doña Sofía D'Autremont soporta mis injurias y es la mejor cómplice de todo cuanto yo haga contra él...
—¿Tú vas a darle un hijo?
——No, mi Juan, no es cierto. ¡Ese hijo no existe! Y sin embargo, he de tenerlo, he de ofrecerle un hijo a Renato, o no podré quedarme una hora más bajo el techo de los D'Autremont. Si tú hubieras sido capaz de venir a mí, de responderme... Pero eres más ingrato y más canalla que Renato D'Autre-mont... Y entonces... entonces tuve que escuchar al primero que pasó cerca, echar mano del primer muñeco que se puso a mi alcance... Ese teniente a quien tú has hecho huir espantado, haciéndome, un daño sólo por el gusto de hacérmelo...
—¡Conque era eso... eso...! —ríe Juan con gesto sarcástíco.
—¡Puedes acabar de perderme, vengándote de una vez! ¡Puedes correr a decírselo a Renato! Te he dado el arma para que la uses contra mí misma. A veces quisiera que todo acabara de una vez, que se abriera la tierra vomitando fuego, que nos tragase el mar...
—Si Satanás fuera mujer, tendría tu cara, tus palabras y tu voz...

—Sin embargo, me amaste... Acaso todavía me quieres... Óyeme, Juan... Si en este momento tú me repitieras lo que Un día me dijiste en Campo Real, si como entonces tomaras mi brazo para ordenarme que te siguiera, si me dijeras que tu barco aguarda muy cerca, me iría contigo donde quisieras llevarme... Lo dejaría todo... todo...
—Porque estás en un callejón sin salida... Porque te has enredado en tus propias redes... Porque quieres huir del infierno que tú misma te fabricaste...
—¡Sálvame, Juan! Llévame contigo muy lejos... Si no lo haces, entonces sí podrás llamarme Satanás. Si siguen acorralándome, me defenderé a zarpazos y a dentelladas, me vengaré de ti, de Renato, de ella... De ella, sí... Hasta ahora no quise hacerle ningún daño. El mal que le vino, se lo trajeron las circunstancias. Pero si por última vez me rechazas, será implacable. Si no me salvas, me hundiré; pero hundiendo a todos los que me rodean. ¿Me salvas, o me abandonas, Juan? ¡Contesta! ¡Contesta!
Enloquecida, ciega, desesperada, habla Aimée aferrada al brazo de Juan, que, inmóvil, la contempla con una Sonrisa tan amarga que parece una mueca al rechazar con ira contenida:
—¿Quieres dejarme en paz? Cuando te casaste con otro, mientras yo me jugaba la vida para volver por ti, debiste pensar que habíamos terminado para siempre.
—Tal vez, pero entonces tú no lo pensabas tampoco. No te cruzaste de brazos, no me miraste con ese insultante desdén con que me miras ahora. Quizás te convenga saber que Mónica está gestionando la anulación de su matrimonio.
—¡Mientes! Eso no es cierto...

—No te acusó ante los tribunales, porque tenía miedo; pero en esos documentos secretos, que ya deben estar camino de Roma, no hay una infamia que no te atribuya. Su alejamiento de Renato en el tribunal era sólo una farsa. Están de acuerdo, aunque aparenten lo contrario. Y si una cosa les sale mal, no importa, emprenden otra inmediatamente. Tú les estorbas, pero ellos sabrán suprimirte. Yo también les estorbo, y sólo les detiene la consideración por ese hijo que tiene que nacer... que acaso hubiera sido posible que naciera si tú, estúpidamente, no te hubieses atravesado en mi camino. Renato me rechaza, pero Britton...
—¿Y era de Britton de quien esperabas... ?
—¡De Britton sólo esperaba que me trajera a un lugar a donde pudiera encontrarte a tí!
—¿En qué quedamos? ¿Por qué no hablas claro de una vez?
—Eres mi última esperanza, Juan. No te faltó razón al decir que estoy en un callejón sin salida. A veces no sé ni lo que digo, tan ciega estoy de celos, de despecho. Mónica, esa santa que pretendes, es mi sombra negra... Puso sus ojos en Renato, envenenó primero mi amor por él, luego mi amor por ti... y ahora... ahora... ¡Te juro que es tu peor enemiga! Es cera blanda en manos de Renato. Sólo trabajan para tu daño, pero no a la luz del sol... Ya saldrá, ya saldrá lo que te preparan...
—No creo una palabra de lo que dices. ¡Nada que salga de tu boca es verdad! ¡No vuelvas a acercarte a mí, o te arrepentirás de haberlo hecho!
—Tú eres el que vas a arrepentirte de... —amenaza Aimée; pero es interrumpida por la mestiza sirvienta que acercándose exclama:
—¡Ay, señora... por fin la encuentro! La señora Sofía me mandó que la buscara. Dice que usted tiene que estar en el cuarto cuando el señor Renato vuelva...
—¡Cállate, imbécil! —la ataja Aimée.

—¿Por qué insultas a tan útil sirvienta? —reprocha Juan con sarcasmo—. Creo que eres injusta. Se ve que ha corrido para salvarte... Así paga el diablo a quien lo sirve.
. —En efecto, ASÍ paga Juan del Diablo a quien ha sido lo bastante imbécil para querer sacarlo de la cárcel, y lo bastante tonta para buscarlo por segunda vez—advierte Aimée con ira concentrada. Y volviéndose hacia Ana, ordena—: ¡Vamos ya! ¿En qué viniste? Supongo que no saldrías a buscarme a pie.
—¡Ay, no, qué va! Ya llevamos tres horas dando rueda. Vine en. el coche chiquito, con Esteban de cochero, que ése sí es mi amigo, señora, y ése se calla la boca pase lo que pase... que ni él ni yo le vamos a decir a nadie que usted estaba con el señor Juan, porque entonces sí que iba a arder San Pedro...
—¡Cállate! —se enfurece Aimée. Y subiendo al coche, ordena—: Sigue despacio, Esteban, lo más despacio que puedas...

—¿De dónde vienes?
—¿Para qué quieres saberlo? ¿Te ha dejado doña Sofía la misión de vigilarme?
Aimée ha hecho un esfuerzo tratando de fingir el tono frivolo, el gesto despreocupado de encogerse de hombros bajo aquella mirada cargada de reproches, pero también de angustia, con que Catalina de Molnar la envuelve. Ha llegado silenciosa hasta su alcoba del piso alto... Nadie la ha visto, no se ha cruzado con nadie en pasillos ni escaleras... Un momento, la presencia de su madre la turba, conteniéndola; luego, busca la llave que ha llevado consigo y abre tranquilamente aquella puerta que comunica su alcoba con el gabinete...
—¡Era verdad! ¡Todo era verdad! He tenido que verlo con mis propios ojos para convencerme —clama Catalina en triste tono de desolación.
—¿No te parece que el momento no es para sermones? —se impacienta Aimée—. Ya he oído bastantes cosas desagradables esta noche.
—¿Te vio Renato? —se alarma Catalina.

—No... Claro que no... Ni me vio ni creo que se entere que he salido, a menos que tú se lo cuentes. De otro modo, no hay riesgo. Doña Sofía no soltará prenda, y Yanina no creo que se atreva a desobedecerla... Después de todo, no hice nada malo. Salí a respirar, a ver el carnaval, a distraerme... Nunca pensé que casarme con Renato D'Autremont fuera algo tan aburrido y tan estúpido... Primero sus celos, ahora su abandono, su desdén...
—Toda la culpa es tuya, Aimée, aunque yo también acepto mi parte en el hecho de que seas como eres... Fui una madre débil, complaciente, demasiado amorosa para una hija rebelde... Tú necesitabas otra cosa... Sé que ahora serían inútiles mis reproches, mis consejos... No voy a hablarte por mí, sino en nombre de Sofía...
—¡Mucho tardabas en nombrarla! Te has convertido en la sombra de ella.
—En efecto, no soy ya más que una sombra... Este es el pecado que ahora estoy purgando: el de no ser nada para nadie, el de no existir realmente ni siquiera en el corazón de mis hijas... Ambas estáis muy lejos de mí, ambas me sois extrañas ... Una, por generosa, por sublime; otra, por egoísta, por perversa... Me sangran los labios al tener que decírtelo, pero es cierto: vives para el mal y para el engaño...
—¿Quieres dejarme en paz? —rechaza Aimée con fastidio.

—Ya te dejo... Eso es lo que vine a decirte... Me voy, la pobre sombra que soy va a desvanecerse, pero si eres todavía capaz de escuchar la última súplica de tu madre, te ruego que salgas hoy mismo para Campo Real. Es el deseo de Sofía. Ella quiere volver y que tú la acompañes...
—¿Yo? ¿No le sobran criados para ello?
—Está desesperada, y yo le prometí convencerte. Quiere llevarte a Campo Real y cuidar en tí a ese heredero que es su última esperanza, su última ilusión...
—¡Vaya! ¡Ya apareció aquello!
—También es el deseo de Renato. Con ello salvas lo único que puedes ya salvar: tu posición en esta casa, y el porvenir de ese hijo que va a nacer...
—¿Y si no naciera? —se revuelve Aimée hecha una furia.

—¿Qué dices, hija? —se alarma Catalina, francamente asustada—. No quiero pensar que has mentido, que has sido capaz... ¡Aimée, hija... ¡ ¿Qué es lo que estás tratando de decirme?
—Nada, mamá, tranquilízate —ríe Aimée amargamente—, Te estaba gastando una broma para responder a tu monserga moralista que, a las cuatro de la mañana, no le sienta a nadie bien...
—Sé que no tienes corazón, pero no creo que llegues a eso. Sin embargo, tú lo has dicho por algo... Aimée... ¡Aimée, sé una vez sincera!
Aimée ha apretado los labios sensuales, ha entornado los párpados, ha quedado largo rato inmóvil, como si meditara profundamente, como si urdiera un nuevo plan en su mente diabólica. .. Luego, sonríe casi burlona:
—Lo que voy a hacer, por una vez, es complacerte...
—¿De veras? —se esperanza Catalina.

—Porque tú me lo pides, mamá. Ya veo que mi suegra me ha tomado miedo... Menos mal.., Esperaba encontrarla aquí en lugar tuyo, aguardándome con la caja de los truenos en la mano, la voz solemne y el aspecto siniestro. Si hubiera venido de ese modo. la habría mandado a paseo. Pero te envía a tí como embajadora, tú llegas con lágrimas en los ojos, y aunque yo sea la hija malvada, la hija perversa, la hija sin corazón, te voy a complacer.' No quiero ser menos que la hija sublime que, según tengo entendido, va a tomar los hábitos. ¿No?
—Sí, así es, en efecto. Mónica dijo que lo aceptaba todo y firmó la solicitud que le llevamos. Cuando su lazo matrimonial esté anulado, tomará los hábitos. Es triste, pero al menos quedará a salvo del escándalo, a salvo de la maldad del mundo y de ese hombre...
—¿Puedes garantizarme que nada de eso va a volverse atrás?
—Desde luego. Claro que puedo garantizarlo. Mónica no miente.
—Pues fiemos en la palabra de Santa Mónica... Juan y Renato han muerto para ella, ¿verdad?

—Puesto que no va a salir del convento, como si hubiera muerto.
—¿También puedes garantizarme que doña Sofía no va a meterse en cuanto yo haga allá, en Campo Real? ¿Que va a dejarme en paz, salir, entrar y hacer exactamente lo que yo quiera?
—Mientras no perjudiques tu salud...
—Sin restricciones. Ya sabré yo cómo me cuido. Si promete dejarme en paz, dile que esta misma tarde salgo para Campo Real con ella... Y ahora, déjame dormir, mamá, tengo mucho sueño...
Le ha vuelto la espalda, ha entrado en la alcoba, hay una sonrisa de burla infinita en sus labios sensuales, y también un relámpago satánico en su negros ojos...


2
—NO RETIRO LA apuesta... la dejo... ¡Treinta onzas a la reina de diamantes!
Sobre el verde tapete, las cartas están en cuatro mazos, y el montón de monedas, que Juan del Diablo acaba de ganar, vierte su brillante destello sobre la carta nueve veces triunfante... Poco a poco sus contrincantes se han ido retirando, y, ahora, los dos últimos se alejan en silencio. Casi nadie juega ya en el tugurio; los que no se han ido, se agrupan alrededor de aquella mesa mirando con ojos asombrados al hombretón que sonríe con gesto tan amargo a su buena suerte...
—Creo que has desbancado la mesa, Juan —observa Noel—. ¿Por qué no recoges tus onzas y nos vamos ya?
Un hombre se ha detenido en la puerta del tugurio y ha penetrado lentamente. Las cabezas se vuelven observando sus ropas de caballero, su perfil aquilino, la expresión tensa que endurece su rostro, el brillo metálico de sus ojos claros, fijos en el rostro de Juan. Poco a poco va acercándose a la mesa, y es Pedro Noel el primero en descubrirlo, poniéndose de pie, agarrándose alarmado del brazo del patrón del Luzbel, sin lograr moverle, mientras implora apremiante:
—Vámonos de aquí, Juan, vamonos inmediatamente. Ya es muy tarde, las -cinco por lo menos... ¡Recoge tu dinero y vamonos! ¿No ves que se van todos?
—¿No hay quien haga juego? —inquiere Juan alzando la voz—. ¿No hay nadie que responda a la apuesta? ¿Nadie quiere medir su suerte con Juan del Diablo?
—¡Yo! —acepta Renato acercándose—, ¡Y doblo la apuesta!
—¿De veras?

—¿No estabas pidiendo un contrincante? ¡Aquí está! ¿Qué te pasa? ¿No tienes bastante dinero?
—¡Dije treinta onzas a la dama de diamantes!
—¡Sesenta al rey de espadas! ¡Echa cartas, croupier! ¿No oíste? ¡Echa cartas!
—A Bruno le sorprende la presencia de un caballero en su casa. Por eso te mira de esa manera —observa Juan, apagándose en sus pupilas la cólera que por un momento las encendiera—. Y no responde, sencillamente porque es mudo. Pero eso sí, oye muy bien. Echa las cartas. Bruno, no tengas miedo... acepto al contrincante. Tu nuevo cliente tiene mucho dinero, y no importa que no saque las onzas del bolsillo. Pagará, pagará hasta el último centavo de todo lo que pierda, que será mucho. Aunque nació para ganar, ahora le ha llegado el momento de perder...
—¡Por favor, basta de tonterías! —tercia Noel, asustadísimo y tartamudeando—. Juan y yo nos íbamos en este momento, Renato. El lugar se cierra precisamente al amanecer, y está ya amaneciendo. Yo creo que después de lo que ha pasado...

—Después de lo que ha pasado, no debería usted atreverse a dirigirme la palabra. Noel —reprueba Renato con altanería—. Hace un momento, este hombre desafió a todos los presentes a luchar contra su suerte. Nadie ha respondido más que yo. Dije sesenta onzas y aquí las tiene. ¿Qué esperabas para tallar, imbécil?
El llamado Bruno baraja rápidamente las cartas entre sus ágiles dedos. Los últimos jugadores de otras mesas desaparecen. Sólo dos o tres rezagados se mantienen alrededor de aquella mesa, espiando con curiosidad la extraña pugna. Juan parece sereno, mientras Renato tiembla de cólera, y Noel, resignado, baja la cabeza. Caen los naipes uno a uno en el silencio espeso de las respiraciones contenidas, hasta que...
¡Rey de espadas! —proclama Renato. Y satisfecho, pero sin poder ocultar la amargura, observa—: ¡No es imposible torcer la suerte de Juan del Diablo! ¡Perdiste a un solo golpe!
—¡No! A un solo golpe va ahora todo lo que tengo. ¡Todo lo que tengo contra esas noventa onzas! —Rabiosamente, Juan ha hundido las manos en sus bolsillos, sacando puñados de monedas, arrugados billetes... Hay dinero de todos los países: las pequeñas y gruesas libras esterlinas y el pálido oro de Venezuela junto a arrugados billetes de cien francos y florines holandeses—. Aquí hay noventa onzas, poco más o menos. Va contra todo lo tuyo, ¡si es que no me niegas el desquite!

—No te lo niego. Y si quieres seguir jugando, te admito como bueno hasta la mugre de tu barco. ¡Cartas, croupier!
Una a una han vuelto a caer las cartas en silencio, crispando a los presentes, mientras con voz tensa de emoción Noel va enumerando:
—Dos de diamantes... tres de espadas... cinco de trébol... cuatro de corazón... ¡Dama de diamantes!
—¡Gané! —señala Juan con una mezcla de orgullo y de alegría.
—No lo toques. ¡Van doscientas onzas contra eso! —propone Renato. Y destilando ironía, observa—: A menos que me niegues el desquite...
—¡Nunca lo niego! —se encrespa Juan con altivez—, ¡Cartas, croupier!
—¡Ay, mi ama... mi ama! Pero, ¿de veras nos vamos para Campo Real?

Con los gruesos labios temblorosos y las mejillas del verde color ceniciento que presta el miedo a su morena piel. Ana parece incapaz de moverse. Está parada frente a Aimée, que, frunciendo el ceño, obliga a su cerebro a urdir rápidamente aquel plan cuya primera idea le dieran las palabras de su madre:
—Soy una malvada... vivo para el engaño, ¿no oíste? Mi propia madre lo piensa así... Sus dos hijas están muy lejos de su corazón, una por sublime... la sublime es Mónica... la malvada... la malvada soy yo, naturalmente. No hay infamia de la que no roe considere capaz, porque no tengo corazón... Los D'Autremont me compraron... me compraron con su ilustre apellido. Soy propiedad de ellos, ¿no te das cuenta? ¿No entiendes?
—Yo no entiendo sino que nos vamos a donde no debemos ir. Usted no sabe cómo son las cosas por allá, cómo eran cuando el señor Renato estaba fuera. La señora dejaba que Bautista hiciera todo lo que le daba la gana... Cuando la señora Sofía era quien mandaba en Campo Real...
—Ya sé... pero muy pronto no mandará ella, sino yo, ¿entendiste? Es lo' único que puedo salvar de todo esto, y voy a salvarlo.
—¡Pero a mí el Bautista me tiene apuntada en la lista negra! —se lamenta la asustada Ana.

—Estarás a mi lado. Mientras me sirvas bien, no tengas miedo... Oye, Ana, antes que la señora D'Autremont te tomara a su servicio, tú vivías en la parte alta de la hacienda, ¿verdad?
—Sí, mi ama, trabajaba en las plantaciones de café. ¡Qué malo es eso! Hay que cargar unas canastas de este tamaño, aquí en la cabeza, y arrancar los granitos uno por uno. Y cuando llega una deshecha, entonces ponerse a hacer la comida... Y en las barracas dormimos todos juntos, como perros.
—No todos viven así... Hay bailes, hay fiestas algunas veces... Y un poco más arriba de los cafetales, en lo alto del desfiladero, vive una mujer a quien todos respetan.
—¡Ah, sí! Vive Chola, la bruja. Unos le llaman Carabosse. La llaman siempre cuando alguno se muere, para que le haga la mortaja, y también cuando un niño va a nacer. Y vende ungüentos para los dolores, amuletos para los amores que no se dan, y muñecos de seda que, con otras cosas, sirven para vengarse de las gentes... porque lo que se le hace al muñeco le pasa a la gente que el muñeco representa...
—¿Dices que la llaman cuando un niño va a nacer?
—Sí, mi ama, casi todas las mujeres del cafetal la llaman para eso. Cuando quieren que un niño nazca, y también cuando no lo quieren. Ella ha curado a muchas gentes de cosas malas, pero a mí me da miedo...
—Iremos a verla. No tienes que decirlo a nadie. Lo haremos sin que nadie se entere, pero esa mujer va a ayudarme. Le daré más dinero del que ha visto junto jamás, y hará lo que yo le ordene...

—¡Renato, al fin llegas! ¡He estado muñéndome de angustia, hijo!
—No había por qué, madre.
La luz del sol baña con su lumbre cegante el patio central de la vieja morada de los D'Autremont cuando Renato, tratando de esquivar a su madre, ya a cruzarlo camino de la biblioteca. Pero la mano adelgazada y trémula de Sofía se apoya en su brazo, deteniéndolo con un velado reproche:
—No pasaste la noche en casa, Renato...
—Efectivamente —confirma Renato con cierto malhumor—. Estuve fuera, pero...
—¿No puedes concederme unos minutos, hijo? -Regreso a Campo Real y me llevo a Aimée. ¿No era eso lo que deseabas? ¿No me pediste que lo hiciera?
—Te lo pedí hace días...

—¿Ahora no quieres ya que nos vayamos? ¿No te importa? ¿Te da igual? Estás muy disgustado, ya lo veo... Y yo me siento enferma... Si entraras a mi alcoba...
Renato se ha dejado llevar mansamente, y los ojos ansiosos de la madre leen en su rostro las huellas de aquella horrenda tormenta interior que devasta su alma. Le ha llevado hasta el fondo de la gran alcoba cuyos ventanales, velados por cortinas de seda, apenas dejan penetrar la luz del día, -aquella luz que hiere las claras pupilas de Renato. Y en el aire fresco, perfumado con lavanda, en la grata penumbra de aquella habitación familiar, siente que se aflojan sus nervios tensos. Es como si otra vez volviese a ser niño y buscase en la' ternura maternal el escudo contra todos los males...
—Siéntate, hijo, por Dios. Se ve que tú también estás enfermo. ¿Quieres que pida- para ti una bebida refrescante, un poco de té?
—No, madre, no quiero nada... Oírte, ya que lo deseas, y después...
—Después, dejarte en paz, ya lo sé. Dejarte está en mi mano y voy a hacerlo. Si Dios quisiera que de verdad fuese en paz... Si la paz de tu alma pudiera conseguirse a cualquier precio... Si volviéramos a entendernos, hijo mío, a estar de acuerdo... si me permitieras velar un poco por tu dicha...
—¿Mi dicha? Nadie es dichoso, madre.

—Ya lo sé... Pero hay mil formas de vivir sin sentirse desdichado... Si hicieras un esfuerzo, si aceptaras los hechos, si volvieras a tomar el viejo camino olvidado y a rehacer tu vida...
—No puedo irme, abandonando a la mujer a quien amo... No puedo irme, mientras el rival que me desafía está de pie, insultante, insolente... Ahora, yo mismo le he dado un arma más: el dinero. He jugado y he perdido... Mucho,.. mucho dinero... Ya sé que no importa, ya sé que somos ricos... Podemos tirar el oro a manos llenas. Tiré un puñado, y lo recogió él... ¡Si vieras cómo se reía hundiendo las manos entre esas monedas!
—¿De quién hablas? ¡Estás trastornado, Renato!
—¡Juan del Diablo no es ya un pobretón! ¡Ha cobrado su herencia!
Sofía D'Autremont ha enrojecido como si fuese a estallar su cabeza. Luego, cae trastornada, anonadada por el golpe de lo que acaba de escuchar...
—¿Tú has hecho eso? ¿Tú has ido a buscar...?

—'No fui a buscarlo. Salí como un loco... No quería chocar con Aimée, no quería hacer saltar en pedazos su puerta... La odiaba demasiado en aquel momento... Cuando vi aquellos papeles, cuando comprendí que era ella la de la idea, cuando uní todo aquello a unas palabras que me dijo al salir del tribunal, la odié furiosamente... Es ella la que tiene el empeño de ver profesar a Mónica... Está celosa de mi estimación, de mis sentimientos... '
—Tendría toda la razón del mundo para estarlo —afirma Sofía con gesto lleno de severidad.
—No me importa que tenga o no razón... Por no dejarme llevar de esa locura, salí de esta casa, vagué por las calles hasta cerca del amanecer, escuché las campanas del convento y me acerqué a la iglesia... Quería ver a Mónica, aunque fuese de lejos... No la vi, no asomó... Yo seguí mi camino y, como sonámbulo, llegué hasta los muelles... El aire cargado de salitre me azotó el rostro como si me abofeteara... Y otra vez me cegaron el odio y los celos... Allí estaba el Luzbel, "única propiedad de Juan sin apellido"... Me pareció oír otra vez las palabras del juez, me pareció ver su maldito rostro insolente y la mirada de Mónica fija en él... ¿Acaso le ama? ¿Es a él a quien ama ahora?
—Hijo, por Dios... —clama Sofía con triste desolación.
—Tuve un ansia feroz de encontrarme con él a solas, frente a frente, y corrí hacia el barrio inmundo donde ya le había encontrado una vez... Atravesé la taberna, llegué hasta el último cubil, y allí estaba él, estúpidamente satisfecho... Jugaba y ganaba... Tenía la racha buena... Nueve veces se le dio la misma carta: la dama de diamantes... Y por una horrible asociación de ideas, cada vez que él gritaba: "La dama de diamantes" ... era para mí como si escupiera el nombre de ella. •.
"Con jactancia estúpida, desafió a todo el mundo: "¿Quién quiere medir su suerte con Juan del Diablo?" Era para mí su reto... Fingió no haberme visto, pero estoy bien seguro que me llevaba a pelear allí, a su mundo abyecto... Me había vencido en el mío, el tribunal le había declarado absuelto, y yo quise vencerle a él en el suyo... Entonces, tiré una bolsa de dinero sobre la mesa...
"La primera mano fue mía, pero él me pidió la revancha, arrojando sobre la mesa cuanto llevaba en sus bolsillos. Enloqueció de cojera al perder, y yo quería ganárselo todo... todo... hasta ese barquichuelo inmundo en el que un día se atrevió a llevarla a ella, con todos los derechos que le dio mi locura. Quería jugarlo todo... hasta la vida... a una última carta... y jugué como un loco, perdiendo... perdiendo... Perdí cuanto llevaba encima. Después, firmé papeles... Luego, quise arrojarme sobre él, pero me detuvieron, me sujetaron, me sacaron de allí... ¡Perros inmundos se atrevieron a hacerlo, mientras él se reía hundiendo las manos en aquel dinero! ¡Si vieras qué horriblemente parecido a mi padre estaba en ese momento!
—¡Hijo! ¿Qué dices? —exclama Sofía, con el espanto reflejado en su pálido rostro.

—Por eso me dejé arrastrar... No hubiera podido alzar mi mano contra él... Y ya en la puerta, me gritó como un loco: "Gracias, Renato. Es parte de mi herencia".
—¡Oh! Oh...! —barbotea Sofía ahogándose, al tiempo que se desploma inconsciente sobre el suelo.
—¡Mamá! ¡Mamá! ¿Qué te pasa? —se alarma Renato.
—¡Señor Renato...! —exclama Yanina llegando presurosa, como brotada por encanto de la tierra-—. Es el accidente... Hay que llevarla a la cama...
—Yo la llevo... Prepara pronto el cordial... el éter... ¡Mamá! ¡Mamá!
Renato ha llevado el frágil cuerpo de su madre hasta el ancho lecho antiguo, de labrada caoba, depositándolo blandamente en él, mientras Yanina, diligente, pone a su alcance el frasco de sales, el éter, y corre a preparar el cordial...
—¡Mamá, mamá de mi alma...! Soy un estúpido... No debí hablarte de eso... Hice mal, muy mal...
—Renato, hijo... —murmura Sofía con esfuerzo, abriendo apenas los ojos.

—Aquí está el cordial —ofrece Yanina, acercándose obsequiosa—. Hágaselo beber...
—Sí... si... Toma esto, mamá, te sentirás mejor inmediatamente . .. Por favor, bébelo todo... Cierra los ojos y quédate un momento... Quieta, lo más quieta que puedas... Yo estaré cerca...
Sofía cierra los ojos y queda inmóvil. Renato se aleja unos pasos, tambaleándose como ebrio, mientras la ardiente mirada de Yanina le sigue por la alcoba, y, cuando traspone la puerta, va tras él...
—Señor Renato. .. Voy a mandar por el médico... El doctor dijo que la señora podía quedarse en uno de estos accidentes, que darle un disgusto era lo mismo que clavarle un puñal, y acaso sería conveniente que usted supiera que últimamente tiene disgustos a todas horas...
—Lamento en el alma haberme dejado llevar. ..

—Perdón, señor, no lo decía por usted. Hay alguien que parece preparar disgustos para la señora, dárselos deliberadamente... No quisiera que el señor me obligara a nombrar a nadie, ni creo que sea necesario. A poco que lo piense, sabrá dónde está la fuente del veneno en esta casa... Con su permiso, señor,..
Se ha ido como si se desvaneciera. Profundamente preocupado, Renato da unos pasos como sin rumbo. Ha llegado hasta aquella habitación abrumada por los grandes estantes, repleta de libros polvorientos, y se deja caer en una butaca, hundiendo entre las manos la frente, mientras murmura:
—Tu herencia, Juan... Sí... ¡ Tendrás toda tu herencia!
—¿No es una cantidad fantástica de dinero Noel?,
—Si, hijo, es como un sueño. ¡Qué racha de suerte, qué locura de suerte! Nunca pensé que pudieran hacerse así las cosas. Aquí hay, por lo menos, cien mil francos. una pequeña fortuna, ¿te das cuenta? Con esto puedes emprender cualquier negocio, lo que se te antoje... hacer aquella casa de que me hablaste, en el Cabo del Diablo... Si yo estuviera en tu pellejo, me daba un baño inmediatamente, me afeitaba esas barbas de filibustero, me vestía como las personas decentes .y tomaba el camino del Convento de las Siervas del Verbo Encarnado...
—¿Por qué? ¿Para qué?

—No me lo preguntes en ese tono. ¿Para qué va a ser? Para decirle- a esa a la que no quisiste invitar a seguirte a un hospedaje de taberna, que puedes ofrecerle ya un hogar decente y digno, que la vida comienza, o puede comenzar, en cualquier momento, y que vas a empezarla de nuevo a los veintiséis años, por ella, para ella... porque es tu esposa y porque la quieres...
Juan del Diablo se ha puesto de pie, apartando la pequeña mesa de aquel cuarto destartalado, en la que se amontonan billetes y monedas. Es un tugurio más entre tantos de los que abundan 'en las callejuelas de aquel barrio, un cuartucho con honores de habitación de fonda...
—¿Por qué pretende usted convertirme en lo que no soy ni jamás seré? Si yo pensara que este inmundo puñado de billetes, ganados por un golpe de azar, era capaz de cambiar los sentimientos de Mónica, pensaría, al mismo tiempo, que no vale la pena...
—Hijo, no es por el dinero. Compréndelo... Es que con esto puedes cambiar totalmente de actitud y de vida... ¿Quién te asegura que Mónica no te quiere?
—Noel, mi buen Noel, no se esfuerce —aconsejar Juan con amargura—. Sé perfectamente a qué atenerme con respecto a ese punto... Pase lo que pase, lo quiere a él... Estoy bien seguro...
—Pues si estás tan seguro —rebate Noel con cierta ira—, ¿por qué no la dejas en libertad y te vas bien lejos?
—No soy yo quien la ata ni quien la esclaviza. Sin una palabra la dejé en el convento, y ella, desde allí, solicita la anulación de nuestro matrimonio...
—¡No lo creo!

—¿Por qué no lo cree? Quien me lo dijo está segura...
—Segura... Luego, fue una mujer... Fue la otra, ¿verdad? —Y sin poderse contener, el viejo Noel estalla—: ¡El diablo cargue con ella! ¿Y luego no quieres que te diga que algunas veces eres un niño, o que te comportas como tal? ¿Cómo es posible que creas nada que salga de esa boca?
—No me crea tan niño. Noel. Esa boca engaña, intriga, miente, fabrica mundos diabólicos para su capricho, pero en eso no mintió. Sé muy bien cómo siente Mónica... Un momento pude engañarme, pero nada más que un momento. Mientras sea mi esposa, su deber la ata a mí, y será leal, aun contra todos sus sentimientos. Su escrupulosa conciencia de novicia la estremece, la hace pensar que peca hasta con acariciar un sueño... No siendo mi esposa, podrá soñar sin que se lo reproche su conciencia, sin que la atormenten sus escrúpulos...
—Para el caso sería igual, tratándose de quien tú crees que se trata. Casada o no, eres un imposible para ella.
—¿Y qué? Puede soñar a sus anchas... Soñando con él pasó su vida entera... ¡Soñando con él querrá esperar la muerte! Y él... —Se ha interrumpido un instante, y en seguida rechaza con rencor—: No... En él son más que sueños.-.. El está ya en el despeñadero de todas las pasiones y no se detendrá ante nada. El es un D'Autremont de pies a cabeza...
—¿Y acaso no lo eres tú también?

—¿Yo... ? Tal vez... Pero no quisiera serlo... Quisiera ser, de verdad, un hijo de nadie, ignorar qué sangre corre por mis venas. Le juro que podría respirar más a mis anchas si lo ignorase todo... Pero junto con ese nombre, vuelve a mí todo el horror de mi infancia: la cabaña de Bertolozi, la crueldad de aquel hombre que vengaba en mi carne inocente todo el dolor de sus ofensas... Y ni siquiera puedo traer a mi memoria lo único que podría dulcificarlo todo: la imagen de mi madre, la conciencia de haberla visto alguna vez. ¿La vio usted. Noel? ¿Puede decirme cómo era?
—La vi, sí... Pero, ¿para qué vamos a hablar de eso? —murmura el viejo, conmovido, luchando por serenarse—. Es inútil hacer horrible el presente a fuerza de verter el pasado sobre él. Tu madre era desdichada y hermosa. También puedo decirte otra cosa: no hubo interés ni codicia en ella... Pecó por amor, y pagó su pecado con lágrimas y sangre... Yo la vi algunas veces, y no podría decirte cómo era su sonrisa, pero sí que sus lágrimas corrieron a raudales...
—¡Entonces he de odiarlo aún más a él... a ese Francisco D'Autremont que me dio el ser de esa manera!
—El la quiso también, hijo. La quiso honda y sinceramente. Aunque tú no lo creas, latía un corazón debajo de su orgullo, de su orgullo enorme, inmenso... Por eso quiero refrenar el tuyo. El primer pecado del mundo fue la soberbia. No caigas tú en él.,.

—Mi pobre Noel, no diga tonterías. Si un hombre como yo no tuviese orgullo, sería un g u s a n o , y yo prefiero ser una sierpe llena de veneno para que no sigan pisoteándome...
—G u s a n o naciste, pero ya no lo eres. Porque sé que puedes volar, te muestro el camino del cielo. ¿Por que no levantarte, haciendo dignidad fecunda de lo que sólo es orgullo estéril? ¿Quieres que sea yo quien vaya al convento, quien le diga a tu esposa... ?
—No, Noel... ¡Mi esposa! A sarcasmo me suena esa palabra. No le diga nada. Yo seré quien vaya a verla, quien le hable, aunque creo que nada va a cambiar con eso... Hablaré yo, pero no le diré lo que usted pretende... Aun tengo algo que preguntarle a Mónica de Molnar, y mi vida será lo que resulte de esa respuesta...
Muy despacio, con un paso tan leve que apenas rozan sus pies los gastados escalones de piedra, baja Mónica de su celda rumbo a aquel gran patio interior que es jardín y huerta en el Convento de las Siervas del Verbo Encarnado... Otra vez las campanas llaman a los fieles, ahora con el blando tañido soñoliento que invita a la oración de la tarde... Otra vez, religiosas y novicias van a la iglesia en apretadas filas, mas Mónica marcha en dirección contraria. Ha salido de su celda, sintiendo que se ahoga entre aquellas paredes, pero, como por instinto, huye de todas las presencias... Lo único que su alma anhela es silencio, soledad... Aun en el claustro le parece estar demasiado cerca del mundo. Ha dejado los arcos que limitan el claustro, queriendo llegar hasta un rincón donde sólo pueda ver los árboles y el cielo, pero algo se agita entre las ramas de los arbustos al verla aparecer... Una redonda cabeza oscura asoma, dos grandes ojos negros brillan sobre la piel color de ébano, un cuerpecillo menudo y ágil salta acercándose a ella...

—¡Ay, mi ama! Menos mal que se asomó usted. Yo no sé ni el tiempo que llevo agachado esperándola, y me iba a trepar otra vez por la tapia para irme, pero la verdad es que no quería marcharme sin verla...
—Te dije que no volvieras, Colibrí. Es una verdadera imprudencia. Está prohibido. ¿No entiendes?
—Yo no vengo para nada malo, mi ama. Usted sabe que yo no vengo más que a verla.,. ¿No quiere ya nada conmigo, mi ama? ¡Ya no me quiere!
—Sí te quiero. Pero cuando se traspasan estas rejas, hay que renunciar a cuanto se amaba en el mundo... Tú no puedes entenderme, pobrecito, pero no sufras por eso, no te pongas triste. ¿Acaso no eras feliz antes de conocerme?
—¿Feliz? ¿Qué cosa es ser feliz, mi ama? ¿Estar contento?

—Bueno... en cierta forma... ¿No estabas tú contento? ¿No estaba también contento tu patrón?
—El, no sé... El se reía, y cuando llegábamos al puerto,, se iba de fiesta. Cuando él no bajaba, las mujeres iban a buscarlo al muelle. El patrón siempre les traía regalos, y ellas lo besaban y decían que era más rumboso que un rey, y más guapo que nadie... Porque el patrón...
—¡Calla! —le ataja Mónica, apretando los labios.
—¿Se enojó, mi ama? —se extraña ingenuamente el pequeño Colibrí.
—No. ¿Qué puede importarme lo que has dicho? ¡Vuelve con tu amo! ¡Vuelve al barco de Juan, a participar de sus fiestas! Seguramente, ahora estará allí, divirtiéndose...

—No, mi ama, él no ha vuelto al barco. Anda con el señor Noel... Pero dice Segundo que anoche ganó mucho, dinero, y que ahora todas las cosas van a ser diferentes. Que el amo va a volverse un caballero, todo un caballero, con casa propia y barcos que vayan a pescar... Y también me dijo otra cosa: que el amo iba a venir a buscarla, y que usted vendría otra vez con nosotros; no al barco, sino a la casa que va a hacer el amo. ¿Es verdad eso?
—No, no es verdad. No saldré jamás del convento, ni tampoco él desea que salga. Estoy segura de ello. Le basta con esas mujeres que iban a esperarlo a los muelles. Ahora le querrán más, porque podrá hacerles mejores regalos...
—¡Chist! Viene una monja —advierte Colibrí en voz baja y asustada—. Yo me escondo...
—Mónica... Mónica, hija mía... —llama la madre abadesa, llegando juntó a la novicia, y le explica—: Vengo de tu celda. Te han buscado inútilmente por todo el convento. Hay un visitante que te espera en el locutorio...
—¡Juan! —se alboroza Mónica sin poder ocultar su turbación.

—No. Es el señor Renato D'Autremont, hija mía, que te ruega, que te suplica no te niegues a hablar con él...
. Mónica ha sentido como si algo se helara en sus venas. Renato D'Autremont... Cada una de sus letras la ha traspasado como una fina flecha de angustia, mientras una amarga desilusión la va invadiendo, porque es él y no el otro. Las palabras de Colibrí hicieron aletear en su alma una esperanza que, a pesar suyo, la-encendió de locas ilusiones. Ahora, es como si se cerrara de repente la puerta que viera entreabierta, como si de un golpe se apagara la última estrella de su oscuro cielo...
—Yo también me atrevo a rogarte que no le rechaces —prosigue la abadesa—. Hace mucho rato que te espera. Parece tan angustiado, tan inquieto, que su empeño me hace pensar que tiene algo importante que decirte, acaso algo relacionado con la solicitud de esa anulación de matrimonio que firmaste para enviar al Santo Padre. Al fin y al cabo, creo que con oírlo nada pierdes...
Mónica ha mirado a todas partes... A la aparición de la abadesa, ha desaparecido Colibrí. Sin duda, está escondido muy' cerca, o acaso ha aprovechado el momento para huir, llevándose con él aquella bocanada de aire salobre, aquel desesperado anhelo que el solo nombre de Juan enciende en ella. La voz de la abadesa le llega como desde muy lejos, obligándola a volver a la realidad:
—Los D'Autremont son tus iguales, tus parientes... No pueden desearte ningún mal. Vamos, hija... Ven..,


3

—ENTRE USTED CONMIGO, Noel. Quiero decir, si lo desea ..
—Naturalmente que lo deseo, y que entro contigo. Pero no' tengas cuidado, porque sé ser discreto. Cuando los matrimonios mal habidos se encuentran delante de un tercero, se vuelven demasiado quisquillosos, y dignos. La mujer gusta del apoyo y del dominio del hombre...
—No las mujeres como ella, que es dura como el diamante. Puede parecer frágil como el cristal, pero no lo es. Frente a ella, no soy yo el más fuerte... ¡Pero no me quiere. Noel, no me quiere!
—Tal vez no te quiere, pero puede quererte. Te considero hombre capaz de robarle el corazón si no lo has hecho ya. ¿No te llaman pirata? ¿No tienes fama de domar las olas y los vientos? ¿Acaso te das por vencido antes de comenzar la batalla?
—Por mi desgracia, sí. Pero no importa... Entremos... Si se negara a recibirme. .. \
—Cálmate... Déjame a mi hablar con la hermana tornera..

—Mónica... AI fin apareces. .. Por fin accediste...
—No me lo agradezcas, Renato. Mi intención, mi deseo, era no ver a nadie en mucho tiempo. Vine aquí para buscar la paz...
—Bueno, ustedes necesitan hablar, ponerse de acuerdo, limar todas esas pequeñas asperezas que surgen de las circunstancias, pero que no deben existir entre parientes —aconseja la abadesa interviniendo en forma conciliadora—. Como es su deseo, señor D'Autremont, voy a dejarles a solas. Y como le rogué a ella que accediera a esta entrevista, le ruego a usted que perturbe lo menos posible su alma con los cuidados de fuera del convento. Estos claustros deben ser un dique contra el mundo, y el remanso de paz que necesitan las almas atormentadas como la de Mónica en estos momentos. Y ahora, con permiso de ustedes...
La madre abadesa se ha excusado y con pasos suaves y silenciosos se aleja dejando solos a Mónica y a Renato, que guardan silencio durante un breve instante, hasta que de pronto la voz fría de Mónica, indaga:
—Dime... Querías hablarme...

—Quería, es cierto. Y si vieras a solas, entre las cuatro paredes de mi biblioteca, cómo y cuánto te hablo, Mónica... Son razonamientos a los que no hay nada que replicar, donde toda palabra es inútil, porque es apenas un pálido reflejo del sentimiento. —Renato se ha acercado a ella tembloroso, pero Mónica retrocede y aparta la mirada de su rostro demudado, donde los ojos arden con destellos de fiebre—. Si yo pudiera hablarte libremente de mis sentimientos...
—Hay sentimientos que no tienen derecho a existir, Renato.
—Se que una equivocación, como la que yo cometí, se paga con la felicidad, y no aspiro a ser feliz. Renuncio a la dicha;
pero si he de seguir viviendo, si he de seguir respirando, necesito algo por qué hacerlo.
—Tienes tu esposa, tendrás un hijo, y hay muchos más, Renato... Cientos, miles de seres que dependen de ti. Tu posición y tu riqueza, que te dan derecho de rey, pero también deberes. Hay muchas cosas con las que puedes llenar tu vida y olvidarte de que, en la celda de un convento, hay una mujer a quien quisiste amar demasiado tarde...
—Mónica, veo tus razones, las mido, las peso; pero déjame un rayo de luz, un rayo de esperanza... ¡No te encierres en el convento! ¡No levantes otra muralla más! Es lo único que te pido. Cuando se haya roto el lazo que te une a Juan del Diablo...

Mónica se ha estremecido como si el nombre le doliera, como si sólo al-aludir a él se tocase una llaga en carne viva; pero junta las manos y aprieta los labios .. Sólo su mirada azul se alza para clavarse en la de Renato, con un gris destello de acero:
—¿Por qué no dejarlo a él fuera de esto?
—Por desgracia, no es posible. Déjame terminar... Cuando hayas roto el lazo aciago que te une a Juan, serás libre y dueña de tus actos. Podrás vivir en el mundo, a la luz del sol... También hay mil cosas con las que puedes llenar tu vida mientras esperas...
—¿El qué he de esperar?
—No sé... Un milagro, que la piedad de Dios nos favorezca, que un día caiga también mis cadenas, cadenas que no merezco soportar... Sé que no dirás una palabra, que no lanzarás una sola acusación contra ella. Tú eres tan noble, como ella, mezquina. Tú sabes que traicionó a mi corazón corno mujer, que me engañó, que mató mis ilusiones, que fue contigo egoísta y cruel, que no piensa sino en si misma. No puedo decir que me traicione como esposa; pero, sin embargo, estoy atado a ella y por ella me niegas hasta la luz de tu mirada...

Largo rato ha permanecido inmóvil Renato D'Autremont, baja la frente, apartado de ella, mientras Mónica, en medio de la estancia, pregunta con espanto a su corazón por qué aquellas palabras de amor le suenan frías, huecas; por que mientras el hombre a quien un día amara, dice cerca de su oído las frases que soñara oírle decir tantas veces, no-hay una sola fibra en ella que se conmueva... Por qué hasta su dolor parece apagarse y, como una respuesta, otra imagen, otro nombre, otra .forma se va alzando alma adentro, y es entonces una oleada de compasión la que se desborda para el hombre que sufre por ella. ..
—¡Sufro hasta morirme, Mónica! ¿Por qué no me dices que tú también sufriste por mí inútilmente? ¿Por qué no te recreas en mi dolor, que es tu desquite?
—Sería tonto y cruel...
—Serias cruel, pero no dejaría la esperanza de que cuando estuviese saciado tu rencor...
—No te guardo rencor...

—¡Ni eso! —se queja Renato con infinita amargura—. ,¿Tan muerto está lo que fue tu amor por mí?
—Sí, Renato, tan muerto... tan irremisiblemente muerto... Pero, ¿por qué has de desear que sea de otro modo?
—¡Porque no soy un santo, Mónica! Porque soy un hombre que ama y sufre, y sería una especie "de consuelo desesperado pensar que sufrimos a la vez, que te hiere mi misma herida, que te amarga mi misma pena, que mientras yo devoro las horas en silencio, pronunciando tu nombre, es el mío el que sube a tus labios cuando parece que meditas o rezas... Porque por el ciego egoísmo del amor, sería un consuelo saber que agonizamos juntos. ¿Comprendes? No voy a pedirte nada, no voy a exigirte nada... Sólo eso,'si lo tienes en el alma. Dime que sufres por mí, que lloras por mí, y te juro alejarme sin querer enjugar tus lágrimas con mis besos. ¡Dame ese consuelo, Mónica!
—¡No puedo, Renato, no puedo!
—Perdón si me atrevo a interrumpirles —se disculpa la madre abadesa irrumpiendo sorpresivamente—. Han sido inútiles mis esfuerzos por convencer a un nuevo visitante. Es un señor que alega sus derechos legales, y...
—¡Juan! —exclama Mónica en un grito semiahogado.

—¡Juan! —repite Renato con ira y sorpresa a la vez.
-En efecto, Juan ha aparecido tras las blancas tocas de la priora. Jamas fue más dura, más 'desdeñosa, más cargada de sarcasmo la mirada de sus ojos oscuros. .. Jamás fue más amargo el soberbio pliegue de su boca. Renato ha dado un paso hacia él, pálido de ira, y Mónica tiembla, sintiendo que le faltan las fuerzas, que va a desplomarse, mientras, comprensiva y piadosa, la monja acude a sostenerla... Toda la fuerza que le queda está en la mirada, clavada en Juan como si bebiera su imagen. ¡Cuánto ha deseado, durante las pasadas horas, verle otra vez, tenerle cerca! ¡Qué amargo consuelo es contemplarlo, aunque sólo salgan de sus labios palabras de hiél!
—Creo que llego a tiempo... al menos para mi mismo. A ustedes, supongo que mi visita les resultará altamente desagradable, pero, ¿qué vamos a hacer? ¿Terminaste tu conferencia con el caballero D'Autremont, Mónica? ¿Puedes concederle un minuto de audiencia al hombre a quien juraste seguir y respetar, al pie de los altares? ¿Vas a escucharme? ¿No es demasiado sacrificio? ¿No es demasiado esfuerzo?
—Pensé que todo estaba dicho ya entre nosotros —replica Mónica en un débil hilo de voz.
—En cierta forma, no te falta razón. Venía por una pregunta que casi responde por sí sola la presencia de Renato. Pero, de cualquier modo, quiero hacértela...
—La presencia de Renato no significa nada —rebate Mónica vivamente—, y harías muy mal interpretando...

—¡Caramba, qué duro está eso para él! —comenta Juan con manifiesta ironía—. Por lo demás, yo no interpreto... Demasiado sé a qué atenerme... Y no te esfuerces, reconozco tu rectitud, tu entereza. Tú no sucumbes... ¿Puede o no puede ser que se nos deje solos un instante?
—¡No me moveré de junto a Mónica! —rechaza Renato con gesto decidido—. ¡Si quieres hablar, hazlo en mi presencia!
—Podría hacerlo, pero quisiera saber qué código religioso o civil te da derecho a interponerte entre los que Dios ha unido, según ustedes... Dios y los hombres, podría yo añadir... Recuerdo haber firmado también pápeles delante de un notario, y que tu firma, como testigo del acontecimiento, fue puesta al pie de esos documentos legales, de los que por cierto he mandado sacar una copia. .. No es cosa de que se me acuse dé salteador de conventos cuando .quiero hablar con mi esposa...
—¡Eres un canalla! —se enfurece Renato—. ¡Maldito...!
—¡Por Dios! —clama Mónica, asustada.

—No te asustes, Mónica —aconseja Juan en tono burlón—. No pasará nada absolutamente... al menos, aquí. Este es uno de los lugares que ustedes respetan; los decentes, los bien nacidos, los de nombre ilustre, saben perfectamente que el locutorio de un convento no se presta a discusiones de cierto genero. .. 'Tampoco pensé yo que se prestaba a toda clase de visitas... No estoy culpándote, Mónica, pero confieso que pensé encontrarte en un poco más en retiro.Renato se ha mordido los labios, conteniéndose con esfuerzo; ha vuelto nerviosamente la cabeza hacia el lugar en que espera hallar a la abadesa, pero ésta ha desaparecido tras las cortinas de una puerta lateral, y él deja escapar a medias la bocanada de cólera que le ahoga:
—No vas a seguir abusando de ese matrimonio absurdo. No vas a seguir imponiéndole a Mónica tu presencia. Ella no quiere verte ni oírte. Ya hizo bastante defendiéndote. Por ella, y sólo por ella, estás en libertad, en vez de haber pagado tus culpas. ¿No fue bastante para que la dejaras en paz? ¡Déjala ya! ¡Está enferma, ha llegado al límite de sus fuerzas!
—Sin.embargo, no le han faltado para firmar cierta solicitud de anulación de matrimonio... ¿No es cierto?
—¿Quién te dijo... ? —quiere Saber Renato.
—No te preocupes por mis fuentes de información. Ya veo que son exactas.

—¡Sal de aquí, deja tranquila a Mónica! ¡Y no soy yo quien te lo ordena, sino ella quien lo implora con la actitud, con la mirada, ya que las palabras no pueden salir de sus labios!
—No, Renato —refuta Mónica haciendo un titánico esfuerzo—. Eso no... Por Dios.... Déjame a solas con Juan. Te lo ruego...
—Muchas gracias —agradece Juan con glacial indiferencia—. No esperaba menos de tu nunca desmentida gentileza...
Juan ha seguido con la mirada irónica a la furiosa figura que se aleja. Luego, contempla a la pálida mujer: como desplomada en la ancha butaca de cuero... Es como si, en efecto, Mónica hubiera llegado al límite de sus fuerzas. Ahora llora, llora, el pañuelo sobre el rostro, en ahogados sollozos que llegan al corazón de Juan como flechas mojadas de veneno... Largo rato calla, contemplándola, contenida un momento su amargura, transformado el gesto altanero por el de una piedad que es abandono y desaliento...
—Está bien, Mónica... No es mi deseo atormentarte. Supongo que lloras todas esas lágrimas por tu amor imposible... Imposible para tu modo de pensar... Pero, al menos, te queda un consuelo: la dedicación y la fidelidad de Renato...
—¡Basta! —chilla Mónica reaccionando con ira—.Si todo lo que querías decirme era eso...

—¡Oh, no! En absoluto... Cualquier cosa pensé, menos tropezarme con el caballero D'Autremont aquí, en el convento... Al fin y al cabo, a veces resulto ingenuo, creo que son sinceros los que hablan de su respeto y de su religión, con la mano en el pecho: los caballeros, los bien nacidos... La conciencia de ustedes es tan complicada, que no la entiendo. Soy como el sapo que croa al borde de su charca... ,
—¿A qué viene todo eso, Juan?
—A nada... Son cosas que trato de explicarme a mí mismo ... Es extraño cómo me gira la cabeza... Ahora no recuerdo lo que venia a decirte...
—¿Te burlas de mí?

—Quisiera poder burlarme, Mónica —asegura Juan con sinceridad—. Quisiera poder reírme a carcajadas, como me reí siempre de todas las mujeres... Quisiera poder apartarte de un manotazo, como aparté siempre de mi vida aventurera cuanto significaba un estorbo... Pero, ¿qué te importa a tí nada de eso? ¿Qué puede importarle a nadie lo que haya en el corazón de Juan del Diablo?
- Mónica ha secado sus lágrimas, ha alzado la cabeza... Apoyadas las manos en los brazos de la butaca, lo mira frente a frente... Otra vez las cosas tienen para ella un sentido extraño, otra vez todo parece borrarse, menos las pupilas de aquel hombre, menos el inconfesado encanto de su presencia... Quisiera retenerle allí hora tras hora, con ese deseo ardiente, única luz en el torbellino de sus sentimientos desbordados, de su mente enloquecida de sufrir y pensar... pero ya de nuevo florece la ironía amarga en los labios de Juan:
—Supongo que será la influencia de las bendiciones nupciales, pero no puedo desentenderme totalmente de ti, al menos mientras no tengas la respuesta satisfactoria a esa solicitud de anulación que pretendes... ¿La enviaste ayer? Esas cosas tardan, ¿sabes?
—¿Quién te habló de eso? ¡Aimée! ¡Aimée! —afirma Mónica con angustia, adivinando de pronto—. ¿Hablas con ella? ¿La ves?
—La vi anoche, y me trajo buena suerte...

—¿Cómo? ¿Qué estás diciendo?
—Tu caballero D'Autremont perdió más de cien mil francos, y fui yo quien se los ganó. Por supuesto, se trata de dinero, y eso no le afecta mucho. Tiene demasiado...
—¿Jugaste tú con Renato, y estaba Aimée con ustedes? —inquiere Mónica en el colmo del asombró.
—¡Oh, no! ¡Qué ocurrencia! Ellos no van juntos al lugar en el que nos encontramos. Ambos frecuentan garitos y taberna?, pero no juntos, claro está. Eso es lo que se llama corrección, decencia... Yo, desde luego, no sabia cómo eran esas cosas, pero ya voy aprendiendo...
—¡No, no es posible, no ha ocurrido nada de eso! Lo dices para burlarte de mí, para poner en ridículo a Renato, para...
—Nada de eso. Puedo enseñarte los billetes, si no crees en mi palabra. Ahora tengo lo bastante para empezar a ser lo que ustedes llaman un hombre de bien. El notario Noel me ha convencido que eso es cuestión de tener un poco de dinero y de emplearlo productivamente. No importa que el dinero venga de la mesa de juego. Si tengo casa propia, si hallo una forma de que los demás trabajen para mí, en vez de hacerlo yo personalmente, empezaré a resultar menos indigno para esposo de una Molnar...

—¿A dónde vas a llegar, Juan?
. —A la única pregunta que en realidad tengo que hacerte. ¿También ha solicitado anulación de su matrimonio el caballero D'Autremont? ¿También él va a romper sus cadenas? Respóndeme a eso, Mónica. ¡Me importa demasiado tu respuesta!
Mónica se ha puesto de pié temblando, mientras Juan va hacia ella, tomándola por las muñecas en un impulso irresistible. Ahora sí, decidido y fiero, quiere sondear un alma a través de la azul mirada de Mónica. Su vida entera está pendiente de aquella palabra, pero Mónica está demasiado ciega, su corazón está sordo a fuerza de sufrir, y no llega hasta ella, no percibe el grito desesperado de otro corazón asomado al fondo de las falsamente irónicas palabras de Juan. También ella se revuelve envenenada, también ella siente en los labios la amarga bocanada de los celos, cuando pregunta a su vez:
—¿Quieres saber, si Aimée queda libre? Ella es la que te interesa, ¿no es cierto?
—¿Aimée... ? —desprecia Juan con sarcástica risa.
—¿Por qué te ríes? ¿Por qué pretendes hipócritamente aparentar que no te importa? Anoche fue a buscarte.,. todavía anoche estuviste con ella, y por ella espías y hurgas en mi vida. La quieres, la quisiste siempre... ¡Pero no me importa, puedes estar seguro!
—De eso sí lo estoy, Mónica; ya sé que te importa él. .
—¡No me importa nadie... ya no me importa nadie!

—No te esfuerces. Conmigo puedes ser sincera. Ya lo fuiste una vez, en otro ambiente, en un lugar en el que podía hablarse claro, en el que hubieras podido llorar a gritos y proclamar tus penas. Allí fuiste sincera, allí me hablaste de tu amor, allí confesaste lo que ahora pretendes negarme...
—También tú una vez fuiste sincero; también una vez desnudaste tu alma. ¿Ya no lo recuerdas? No hablabas de amor, no... tú nunca hablas de amor. Hablabas de venganza, y tu mirada hería como hubiese podido herir un puñal. La amabas, la amabas desesperadamente, aunque sólo injurias salían de tus labios, para ella, y hablabas de matarla cuando soñabas con sus besos, y maldecías su nombre mientras pretendías llevártela por la fuerza, saltando por todo con tal de conseguirla... ¡No lo niegues, no lo niegues ahora! ¿Piensas que no sé que tu barco esperaba en la costa para llevarla a ella? ¿Te atreverás a negar;..
—¡No niego nunca nada de lo que hago! Sí, así fue." Quise llevármela de Campo Real. Era mi venganza... ¡yo ya no sentía amor por ella! Quería llevármela porque estaba loco, porque pensaba que sólo con sangre se saciaría mi sed. ¡Quería matarla con mis propias manos!
—Eso... eso... querías matarla con tus manos, pero cuando su vida estuvo en peligro, cuando otro y no tú era el que iba a matarla, preferiste bajar la cabeza frente a Renato y aceptarlo todo... ¡todo!
—¡También tú lo aceptaste todo, y fue por amor a él! ¿Vas a negarlo? ¿Vas a atreverte a negarlo?

—¡No lo niego! Ahora mis sentimientos no te interesan. Ni ahora ni nunca te interesaron. Si Renato va a romper sus cadenas, no lo sé, ni me importa. ¿No tiene ella otra forma de enterarse más que preguntándomelo a mí? Pues, entonces, busca tú a Renato y pregúntaselo cara a cara.
—¡Es justamente lo que voy a hacer!
—¡Juan! —lo detiene Mónica con un grito—. No... no vayas a él de esa manera..; No choques con él...
—Otra vez tienes miedo. Otra vez lo aceptas todo, como entonces...
—Como entonces, no. Entonces lo acepté todo, ahora lo rechazo todo, pero no quiero que mis palabras te empujen a buscarlo, no quiero enloquecerte. Hablé como si yo también estuviese demente. Soy la última carroña, el último g u s a n o a quien las pasiones arrastran y ciegan. ¡Por eso Dios no tiene piedad de mi!

Se ha desplomado sollozante otra vez, y Juan la mira apagándose lentamente en sus pupilas la llama que la cólera encendiera, sintiendo que su ira se transforma en hondo dolor, que sutilmente le penetra mientras se abren sus brazos en la triste actitud del que nada puede.
—Cálmate, Mónica, te lo ruego. No haré nada. Un momento me dejé llevar por la cólera, pero no lo buscaré si él no me busca; no lo buscaré, porque hay algo que sí no podría prometerte: respetar su vida. Cien veces me contuve frente a él, cien veces, al ir a extender las manos, al ir a alzar los puños, pense que, al fin y al cabo, renegado y proscrito, es también sangre suya la que me corre por las venas.. Tampoco yo quiero derramarla, Mónica. Hay algo que me paraliza, que me detiene: no quiero verter la sangre de mi hermano. Pero que no siga por ese camino, que no sea el quien cada instante me salga al encuentro, porque no mirare nada, puedes creer que no miraré nada la próxima vez. .. ¡Si quieres que viva, dile que se aparte de mi sendero, que se olvide de mí, como yo voy a olvidarme de el!
—¡ Juan... Juan. ..! —Mónica ha alzado la cabeza, se ha puesto de pie tambaleante, pero esta vez Juan no se detiene. Ha salido del locutorio, ha cruzado los claustros 'como si un vendaval le arrastrase, y va como un rayo hacia las altas rejas que cierran la entrada principal, mientras inútilmente Mónica le llama—: ¡ Juan. .. Juan... ¡
—¡Mónica, ¿qué te pasa? ¿Qué tienes? —indaga Renato acercándose a ella—. ¿Qué te ha hecho? ¿Qué ha osado contra ti...?
—¡Deténlo, Renato, haz que vuelva!

—Ya salió. Le vi cruzar como un relámpago. Es un canalla, no debiste recibirle a solas, pero voy a buscarle donde quiera que se encuentre. Te dejé porque me lo pediste, porque no tengo ningún derecho, porque mi amor se estrella contra tu rencor; pero, aunque no me quieras, aunque no me perdones nunca, siempre estaré a tu lado... Y él tendrá que aprender a respetarte ....
—Nada hizo contra mí. ¿Es que no entiendes? Nada me ha hecho. Ningún mal quiere hacer a nadie... Es noble, es generoso, es bueno...
—¿Por qué llega hasta aquí a atormentarte? No es necesario que me lo digas... el verdadero culpable no es él, soy yo. Por eso a él le perdonas y a mí me desprecias.
—No, no, Renato no te desprecio. Te comprendo más de lo que crees. Ya sé lo que es sentirse enloquecer y cegar de celos. Pero, aun comprendiéndote, aun perdonándote de todo corazón, el mal que hiciste está hecho.
—Ya lo sé. Pero hay algo que no puedes negarme, un derecho que a nadie se le niega: luchar para reparar mi locura, remediar ese mal, aunque para hacerlo derrame la última gota de sangre que me quede en las venas...

—Ni con sangre, ni con dinero, ni con nada puede volverse el tiempo atrás, Renato. Olvídate de mí, olvídate de él... vuelve a tu Campo Real, sigue tu vida. Si algo puedo pedirte, si algo puede darme tu amor, que sea eso...
—Me pides lo único que no puedo darte, lo único que no podré hacer. Mi vida no me pertenece, es tuya, aunque tu no la quieras.
Mónica ha ido a replicar, pero las cercanas cortinas se han entreabierto y por ellas asoman las blancas tocas de la abadesa. Muy despacio se acerca a Mónica, mientras en la alta torre de la iglesia, las campanas llaman para la oración de la tarde. Silenciosamente fija la Madre una mirada elocuente en el pálido rostro dé Renato, que parece volver al mundo, refrenando sus desbordados sentimientos:
—Perdóneme, Madre; mi visita ha sido larga e inconveniente. Debo retirarme en el acto, y lo haré. Sólo me resta rogarte, Mónica, que no me condenes definitivamente sin oirme otra vez. En mi casa, en casa de tu madre, donde tú lo desees...
—Te dije mi última palabra, Renato: olvídate de todo esto, vuelve a tu Campo Real. Si el Santo Padre accede a mis deseos, no saldré jamás de este convento. Vamos, Madre, seguramente que en la iglesia la esperan. Perdóneme, y sosténgame...


4

JUAN cruza a largas zancadas la plazuela en declive... Ha seguido calle abajo como si cruzara un mundo nuevo, y apenas refrena un poco el paso cuando la voz fatigada Sé su único amigo, suplica doliente:
—¿Quieres matarme? ¡No puedo correr de esta manera! Eres un desconsiderado... ¿Piensas que tengo tus años y tus piernas? ¡No puedo correr así!-
—Con no venir detras de mí, se ahorra la carrera... ¿Quiere dejarme en paz. Noel?
—Después de todo, creo que es lo que tengo que hacer. No te interesa mi ¡amistad, te molesta tenerme al lado tuyo... Eres como el mendigo ciego, lo bastante loco para echar a palos al perro que le sirve de lazarillo.
—¡No soy ningún mendigo!

—¡Ni yo ningún perro! —se indigna el viejo notario—. ¡Diablo de muchacho! Estoy hablando en sentido figurado... Pero no te preocupes, si quieres de verdad que te deje en paz, definitivamente de dejo.
—Estése quieto —suplica Juan con afectuosa autoridad—. No me atormente más. ¿Es que no se da cuenta?
—Saliste como un rayo, me pasaste por delante como si no me vieras... Supongo que olvidaste que habías ido conmigo al convento. ¿Por qué no me invitas a un jarro de cerveza? Mira qué buen lugar hay en aquella esquina para que refresquemos.
Juan ha bajado la cabeza para mirar el rostro del anciano, la redonda cabeza ya casi calva, los pequeños ojuelos claros, a la vez maliciosos e ingenuos, aquel conjunto humilde de inteligencia y de bondad que repentinamente le conmueve al extremo de hacerle echar el brazo sobre los hombros del notario y disculparse:
—Sí, Noel... Usted no tiene la culpa de riada. Su consejo fue bueno, pero su buena voluntad y mi impulso sincero chocaron contra la eterna muralla en la que -todo lo mío se estrella. No soy nadie para su corazón, no significo nada para ella...
—¿Le hablaste de verdad, sinceramente?

—Empecé a hacerlo, pero apenas me dio tiempo. Es muy avara de sus minutos, los necesita todos para sufrir por él, para llorar por él. Tiene voluntad para rechazarle, mientras legalmente sea un imposible para ella; pero él la ronda con terquedad, lucha con todas sus fuerzas para. separarla de mí y quizá para ser libre él también... No es que yo lo sepa, pero, ¿qué otro camino les queda?
—Bueno, tú y yo sabemos la verdad con respecto a la que es su esposa. Sabemos cosas qué de saberlas él...
—Le harían matarla, no por amor, que ya no la quiere, sino porque es todo un caballero, un'D'Autremont-Valois... Y me buscaría a mí también... ¡Si viera cómo lo deseo, qué placer sería!
—¿Estás loco?

—No tenga miedo. No será si él no me desafía, si él no me ofende. Lo he prometido a Mónica. Se lo prometí, y me alejé, huí, no pude soportar ver en sus ojos lágrimas de gratitud. Me alejé por no enloquecer, por no ver asomada a sus pupilas la imagen de otro nombre y sentir el deseo de apretar también su cuello... Se acabó todo, ahora si que terminó todo. Esta misma noche zarpará el Luzbel, y en él me alejaré para siempre ... Pero no hablemos más de eso. ¿Quiere todavía su jarro de cerveza? ¡Entremos!
—Dime antes una sola cosa. Me dijiste que tenías que hacerle una pregunta, de la que dependía tu vida futura... ¿Llegaste a hacerla?
—No, Noel. ¿Para qué? Todo me dio la respuesta... Quería invitarla a un viaje, llevármela esta misma noche, arrancarla de aquí, sacarla de esa tumba donde agoniza por un amor que es imposible para ella, mirar sus ojos bajo otra luz, bajo otros cielos, arrancarle como a un ídolo las mil túnicas falsas en que su alma se envuelve, y volver a sentir su corazón entre mis manos... Escuchar el latido de su sangre bajo las estrellas, y entonces, sólo entonces, preguntarle si el amor de Juan del Diablo es algo para ella... De otro modo, no lo haré, no lo haré aunque me muera...
—Eres terco, Juan... Bueno, bebamos ese jarro de cerveza. ..
—¡Colibrí! Pero, ¿estás aquí todavía?

—No me quería marchar sin verla otra vez» ya que usted me dijo que no podía volver a entrar. Por eso me escondí y me quedé esperándola. El patrón me dijo que yo tenía que estar con usted para atenderla, para servirla, pero si usted me echa...
Dolorosamente, Mónica se ha acercado al niño negro, atrayéndole a sí. Es ya casi de noche, las sombras del crepúsculo envuelven aquel jardín cercado de altas tapias donde Colibrí ha aguardado, escondido entre los arbustos, el momento de verla otra vez. Y con el muchachuelo de ojos ingenuos, aparece llegar de nuevo hasta Mónica una oleada de aquel mundo distinto, extraño, con el que inútilmente se ha propuesto romper.
—Que Dios te bendiga por haberme esperado. Colibrí. Pienso que es él quien te dio la idea de aguardarme.
—¿De veras, mi ama? ¿No se pone brava porque antes no la obedecí? ¿Hablará conmigo siempre que yo me cuele por arriba de las tapias?
-Hablaré contigo ahora; y tendré que agradecerte un último favor. Si no fueras tan niño, tal vez te hablaría... Pero es demasiado para tí.
—¿y me va a dejar estar a su lado siempre?

—No, Colibrí, tendrás que irte. Tu lugar está junto a Juan, a él se lo debes todo... lo que él hizo por ti, sería una ingratitud que lo olvidaras. Volverás junto a él y le llevarás una carta mía. Esta tarde nos separamos de un modo violento. Lo llamé, le grité que se detuviera. No quiso escucharme. Supongo que fue culpa mía, pues lo exasperé, lo enfurecí, le hice perder la paciencia. En realidad, no tengo derecho a forzar sus confidencias, a asomarme al fondo de su corazón. El nunca dijo que su corazón era mío . Hablo tonterías. No pretendo que entiendas, Colibrí, pero tengo que decirlo, porque los sentimientos, aquí dentro, llegan a podrirse cuando se calla y se calla. Por eso hablo y hablo, y tú debes pensar que me he vuelto loca... Me vas a esperar aquí. No será mucho rato. Bajaré en seguida... Son sólo unas líneas...
—Si es una carta para el patrón, se la llevo en Seguida. A todo lo que me den los pies, corro.
—No se la entregarás sino cuando estés a solas con él. No importa que pasen las horas ni los días; no importa que se haya hecho a la mar el Luzbel y que ya no se distinga la tierra de la Martinica... Hasta entonces, si antes no puedes, se la entregarás tú. Tal vez no le importe, tal vez mi carta le haga sonreír, tal vez la arroje al mar sin acabar de leerla; pero quiero que se la lleves. Espérame... espérame...
Profundamente conmovida, Mónica ha estrechado contra su corazón al niño negro y ha besado su frente; luego, se aparta de él y marcha muy de prisa escaleras arriba...
Los dedos nerviosos han roto por tercera vez la carta apenas comenzada, y otra vez emprende, con pluma vacilante, la difícil tarea: hablar al que ama, sin hablar de su amor... Pasar como una esponja de suavidad sobre las escenas de su última entrevista, mientras su corazón apasionado destila la hiél y el fuego de los celos... Extender las palabras como un bálsamo sobre el rencor, mientras siente girar, como un torbellino, ideas y sentimientos... Firmar con una frase amable y fría, mientras las lágrimas caen ardientes, corno si desmintieran cada falsa palabra de serenidad... Y al fin, cubrir de besos aquellas ^palabras heladas, sólo porque tos ojos de el han de leerlas...
—Colibrí, ¿qué haces aqui? ¡No es éste el lugar a donde me gusta que entres! Te lo he dicho mil veces...

Los brillantes ojos de Colibrí han girado con expresión de susto, pero no retrocede. Está frente a la mesa desnuda de un cafetín del puerto, donde Juan ha apurado copa tras copa. Es mus de medianoche, y, en el lugar casi desierto, los pocos parroquianos que quedan están lejos, junto al fonógrafo que desgrana las notas picarescas del último can can, enfrascados unos en sus juegos de naipes y otros en sus vasos de ajenjo. ..
Juan sacude la cabeza, mirando con fijeza al muchacho. Ahora, sus ojos están turbios, su razón hundida como en un letargo; pero, a través de todo eso, contempla los ojazos vivos, el rostro oscuro de expresión inteligente, la actitud a la vez tímida y decidida del muchachuelo, y lo amenaza:
—Si no sales obedecerme, le daré orden a Segundo de que no te deje bajar de la goleta... Y ahora...
—No se ponga bravo, patrón. Tenía que esperar a que estuviera usted solo. Por eso entré... Tengo una carta del ama, que me dijo se la diera cuando no hubiera nadie, y claro que" aquí hay gente, pero...
—¡Dame esa carta!

Juan se ha puesto de pie. Como bajo un soplo que barriera las nubes, su frente se serena. Su ancha manó se extiende, atrapando a Colibrí, obligándole a acercarse... Casi de un manotazo ha tomado el sobre lacrado donde la pluma de Mónica escribiera su nombre. Como si aún no acabase de comprender, lo rasga bruscamente y recorre con-la turbia mirada las apretadas líneas de fina letra, mientras se crispan-sus labios en una mueca, al leer:
—Al señor Juan del Diablo, a bordo del Luzbel... ¡Menos mal que ya no soy Juan de Dios para ella! —Ávidamente, lee y relee cada palabra, salpicando la lectura de sarcásticas observaciones—: Una carta muy fina, muy correcta... Mi apreciado Juan... Menos mal que me aprecia... Cuando ésta llegue a tu poder, ya estarás lejos. .. Pues no, señorita Molnar; estoy cerca, demasiado cerca. Creo que te diste demasiada prisa en traerla, Colibrí, pues era una romántica carta de despedida, para ser leída en un viaje sin regreso... Confío en tu promesa de que te alejaras, de que seguramente no volveremos jamás a vernos Es gracioso cómo lo arregla todo a su gusto. Tampoco puede negarse que es inteligente..., y te doy las gracias por la generosidad que ese alejamiento representa... ¿Estás oyendo. Colibrí? Me da las gracias por el favor de no volverme a ver. El tribunal me absolvió, pero ella me condena al eterno destierro. Y no es que me interese demasiado esta maldita isla, pero nací en ella y tengo tanto derecho como cualquier D'Autremont...
—El ama estaba llorando cuando me dio esa carta, patrón ,—observa Colibrí—. Y me abrazó, y me besó muchas veces, y habló bien de usted, patrón... Dijo que usted era generoso y bueno...
—Generoso y bueno, ¿eh? ¡Maravilloso! —se burla Juan en tono sarcástico y mordaz—. Hasta Santa Mónica practica el sistema de fastidiar hasta el límite a los que son generosos y buenos. Te dio esta carta para mí, te dijo que me la entregaras en el mar, cuando ya estuviéramos lejos, ¿verdad?

—Me dijo que cuando usted estuviera solo, y que no importaba que fuera cuando ya estuviésemos de viaje... Pero acabe de leerla, patrón... ,
—¿Para qué? Ya sé perfectamente lo que dice, lo que puede decir desde el principio al fin... Perdóname si ayer no supe hablarte con la serenidad que hubiera querido, y decirte que sólo gratitud guardo para ti... ¡Gratitud! ¡Qué.palabra más socorrida es ésta! Adiós, Juan... Que seas feliz como yo te lo deseo. .. Que en otras tierras encuentres la felicidad que mereces, y que la triste sombra que pude ser en tu vida, se borre totalmente, ya que pronto van a romperse las cadenas con que otros nos ataron. Nunca olvidaré la bondad que te debo, aunque yo sí te suplico que la olvides totalmente, evitándote hasta el esfuerzo de compadecerme... ¡Lindas palabras para despacharme contento!
Ha ido hada la puerta del cafetín, congestionado el rostro, turbios los ojos, estrujando en su puño cerrado aquella carta, cuya helada cortesía le hiere y le punza como la peor de las ofensas... Hacia el lado del mar, sobre las aguas de la bahía, un resplandor sonrosado asoma débilmente... Es el amanecer. .. Colibrí ha seguido sus pasos, tembloroso, los gruesos labios entreabiertos, e indaga:
—Patrón, ¿qué va a hacer?
—¡Nada! ¡Déjame en paz! ¡Vete! ¡Lárgate! ¡Espera! ¿Qué es eso que se oye?
—¡Oh! Las campanas del convento. Ya es de mañana, y allá, en la iglesia del convento, dicen misa bien temprano... todavía; de noche, patrón...
—¡Misa de alba... Para los más devotos, para los más fíeles... Seguramente es la que escucha Santa Mónica. ¡Pues allí la veré!

En efecto, es la primera misa del día en la iglesia del Convento de las Siervas del Verbo Encarnado. Ya han abierto la puerta lateral, ya arden en el altar las blancas velas y, como cada madrugada, van llegando los escasos fieles: viejas beatas, gentes de luto riguroso, alguien que cumple una promesa... La parte de la iglesia destinada al público, está casi desierta, y en la anexa capilla de .las monjas, separada del resto por una reja, llegan en movimiento suave las blancas filas de novicias, las negras filas de profesas... Una mujer va tras las últimas... Viste de negro, aunque no son sus ropas monjiles, y un grueso velo envuelve su cabeza, casi cubriendo el fino rostro de color ambarino... Es Mónica... Desde lejos la reconoce Juan, que con paso audaz ha llegado hasta aquella reja. No necesita hablar ni hacer el menor ruido. Rápidamente, la cabeza de Mónica se vuelve como si aquella mirada de fuego que la persigue fuera algo tangible...
—Tengo que hablar contigo en el acto —declara Juan en voz baja pero enérgica—. ¿Sales, o entro?
—¡Juan! ¿Estás loco? —Mónica ha vacilado. Entre los hábitos cercanos, hay un movimiento dé sorpresa, algunas cabezas se vuelven, y Mónica parece decidirse,, cruza la pequeña puerta de resortes que da acceso a través de la verja y, sin mirar a Juan, va hacia el Cercano pórtico de la iglesia—. Supongo que has perdido la razón... -
—¿Tú crees? Si tenemos en cuenta quién eres y quién soy, debes pensar que sólo loco podría atreverme a exigir tu presencia del modo que lo he hecho. Pero no, no estoy loco. En mi mundo los derechos se toman. Y aún tengo derecho a obligarte a verme y a escucharme, porque todavía no está rota esa cadena de que tan elegantemente hablas en tu carta, aún tengo derecho a llamarte, y tienes que venir aunque no quieras... Pero no te alarmes, no pongas esa cara de espanto...
—No es espanto lo que siento. Te entregaron mi carta en mal momento, ¿verdad? Regresabas de una juerga... De jugar, de beber... tal vez de los brazos de una mujerzuela...
—¿Qué estás diciendo? —reclama Juan en un arranque de ira.

—Sólo así se comprende esta manera de llegar hasta aquí. 'Ya sé que soy tu esposa y que no se ha roto mi cadena; pero ni aun esa cadena te da derecho a acercarte de ese modo, a proceder en la forma que lo has hecho. Tengo la desgracia de ser tu esposa, pero no puedes tratarme como a una cualquiera...
Mónica de Molnar se ha erguido y, al alzar la cabeza, cae el-velo, mostrando el fino rostro color de ámbar; tan digna, tan altiva, tan amargamente serena, que Juan retrocede, conteniendo la oleada de despecho que ha encendido aquella carta cuya helada cortesía le hiere más que la peor de las ofensas. Como de otro mundo, llega hasta ellos la música del órgano, el susurro del rezo, el aroma litúrgico del incienso... y los ojos de Juan se encienden, avivados por la llama del alcohol, que le hace parecer un demente:
—Odio las inútiles cortesías hipócritas... Odio las explicaciones superfluas... Me escribiste para afirmar lo que no necesitabas decir dos veces, lo que resbaló de tu actitud durante nuestra entrevista. Tenías miedo que yo no hubiera entendido, ¿verdad?
—No tenía miedo de nada. Me dolió haberte tratado con violencia, cuando tú generosamente no deseabas el mal de nadie. Pensé, loca, ilusa, ingenua, que eras sincero cuando dijiste que te alejarías para siempre, que no querías chocar con tu hermano ni derramar su sangre, y que ponías lo que estaba''de tu parte para alejarte de todo esto, haciendo imposible esa lucha fratricida que me causa horror...
- —Horror por él... miedo por él... No piensas sino en ayudarle y protegerle.. .Pues bien, no me iré de la Martinica, no dejaré Saint-Pierre. Me quedaré aquí, con tanto derecho como él. Lucharé como luchan los que nacen como yo, en el abismo más negro, hasta levantarme más alto que todos... Esta no es tierra de sangre azul, éstas no son tierras de príncipes, sino de aventureros. Todavía triunfa en ellas la ley del más fuerte...
—¿Qué pretendes?

—Sólo una cosa.: demostrar que soy el más fuerte, que no vivo de la limosna de tu sonrisa y de tu gratitud, que tomo y dejo lo que quiero tomar y dejar, con estas manos. Que ahora mismo podría arrastrarte, contra tu voluntad, hasta mi barco, que me. espera cerca; que otra vez podría llevarte hasta el Luz-el, como una conquista de vándalo, debatiéndote en mis brazos, y ahora sí que no tendría piedad de tu dolor ni de tu fiebre. Te haría mía, mía totalmente por la. fuerza, doblegándote como a una esclava.
—¿Quieres decir que...? .
—¡Te respeté cómo un imbécil! ¡Ahora sería diferente! Pero no lo haré. ¿Y sabes por qué? Porque no me importas, porque no me interesas, porque hay cien mujeres en el puerto aguardando por Juan del Diablo...
—¡Cien mujerzuelas! ¡Vete con ellas!
—Podría llevarte a ti, aunque no quisieras.

—¡Tendrías que matarme antes! Inténtalo, acércate, toca uno solo de mis dedos, comete esa infamia aquí mismo, a las puertas de la casa de Dios...
—Sería muy fácil. Podría hacerlo sin que se cayeran las torres de la iglesia. Pero ya te lo dije antes... No quiero nada que se consiga en esa forma... De ti no quiero nada...
—¿Por qué vienes entonces a atormentarme de esta manera? ¿Qué pretendes aún de mi? ¿Qué esperas? ¿Qué mal te hice nunca?
—¿Y qué sé yo hasta dónde eres culpable del mal que me hicieron? Victima o cómplice, no sé lo que eres, ni quiero saberlo. Llegué sólo a decirte que no pretendas manejarme otra vez, que no te serviré más de juguete, que me quedaré para pelear, para luchar contra ese protegido de la suerte que me lo usurpó todo al nacer, para arrancarle uno a uno los dones que le dieron. Dile que se cuide, que se defienda, que se apreste, porque Juan sin nombre está en pie de guerra...
—Pero, ¿por qué? ¿Por qué?

—¡Por que tú le quieres! No vayas a decir que no le quieres, para alejar de mí el odió...
—¿Le odiarías tú por eso?
—¡Le odio desde que tengo conciencia! Sólo una cosa quiero decirte: no salgas del convento, que no te vea jamás junto a él... Esta es la última vez que hablamos... Ahora sí, definitivamente, siempre que cumplas tu palabra, siempre que al romperse esa cadena, de la que tanto deseas librarte, no sea para burlarte de mí otra vez. Vuelve a tu convento, Santa Mónica. El salvaje que soy, no te llevará por la tuerza....
—¿Y si yo quisiera seguirte?

Mónica ha temblado, espantada de su propia audacia. Ha esperado trémula, pero Juan retrocede en lugar de avanzar...
—Ya veo que sigues siendo capaz de todo. Tienes el mismo temple de esos cristianos que, según cuentan, iban cantando hacia las fieras. No es necesario tanto... Si algún día quieres venir a mí, que no sea bajo la presión de una .amenaza, como sería en este momento... Así no me interesa... . .
Le ha vuelto la espalda bruscamente, ha echado a andar calle abajo, como arrepentido de haber hablado más de la cuenta, creyendo haber desnudado hasta el fondo de su alma tormentosa. Tal vez se aleja esperando una palabra, un gesto de ella, su nombre dicho en otro tono por aquellos labios en flor... pero la voz no llega, y Juan se pierde entre las callejuelas que van al muelle...

Jadeantes, cubiertos de sudor y de espuma, los dos caballos del hermoso tronco que arrastra el "coche de los D'Autremont han llegado-a la cima del desfiladero. Y superado el último obstáculo, sigue el carruaje la fácil marcha cuesta abajo, descendiendo a través de los bosques que arropan los cafetales, hasta los sembrados de cacao, de maní, de especies, cruzando frente a los grupos de los barracones, para enfilar al fin la bien cuidada carretera que lleva directamente al palacio campestre, mansión de piedra y mármol en medio de jardines, palacio real del pequeño reino, que hace exclamar a Sofía D'Autremont:
—¡Campo Real! Creí que no llegábamos nunca.
—Pues ya estamos aquí.,. Bueno, usted y yo por lo menos;
Renato sigue en su residencia de las nubes...
Aimée ha mirado de reojo, burlonamente, el pálido perfil de Renato, cuya mirada azul delata la ausencia de su pensamiento. Sentado entre las dos damas, inmóvil y silencioso desde hace horas, no parece mirar su valle natal, más bello que nunca en la semipenumbra del atardecer. Frente a los amos, obligadas a una vecindad forzosa. Ana y Yanina parecen, dos muñecas nativas: una de bronce, la otra de cobre claro...
—¿Habrá llegado a tiempo el mensajero que enviamos a avisar? —pregunta Sofía.

—Sin duda, madrina; seguramente nos esperan —asiente Yanina—. Y aunque no nos esperaran, usted sabe muy bien qué, con mi tío al frente, todo el mundo anda derecho, y las cosas estarían a punto, de todas maneras. ,
—¡Oh, miren, un jinete! —señala Aimée—. Y creo es nada menos que el bueno de Bautista... Pero, ¿qué es eso? ¿No viene montado en mi alazán? Efectivamente, aquél es mi caballo, el que me regaló usted para los esponsales, doña Sofía. ¿Qué pasa, me lo ha vuelto a quitar otra vez?
—Por favor, Aimée .—interviene Renato con fastidio—. Si es tu caballo, hace perfectamente bien Bautista en montarlo. Ya te dije hace tiempo que ese caballo es demasiado brioso para ti. Nunca fuiste buena amazona y no debes montar en él...
Bautista ha saltado a tierra dejando las riendas del espléndido animal en manos de un mozo, y se apresura a abrir la portezuela del carruaje. Están frente a la escalinata principal. flanqueada por dos filas de sirvientes: ama de llaves, doncellas, lacayos, mozos de comedor y de cámara, el cocinero con sus cuatro ayudantes, y una fila interminable de limpiadores y jardineros. Tocando casi el suelo con sus cabellos entrecanos, se inclina Bautista ante doña Sofia y besa luego su mano en señal de respeto, al tiempo que declara sumiso:
—Que Dios la bendiga, mi señora. Campo Real estaba muy triste sin usted... Y que bendiga también a mi señor Renato y a mi señora Aimée...

—Conmigo puede usted ahorrarse las lagoterías, Bautista —rechaza Aimée despectiva—. Y hacerme el favor de no volver a tomar mi caballo. Es mío, y nadie más que yo montará en él.
—¡Te he dicho... ¡ —empieza a enfurecerse Renato. Pero su madre interviene conciliadora:
—No le falta razón, Renato. Se lo regalé, es suyo, que lo guarde si quiere. Día llegará en que no nos opondremos a que tu esposa haga cuanto le plazca.
—Gracias, mi considerada suegra. No sabe usted los deseos tan grandes que tengo de que llegue ese día. Vamos, Ana, ven... que prescindan de mí para el besamanos.
—¡Es intolerable! —se queja Renato furioso.

—Aun cuando lo sea, la toleraremos —recomienda Sofía. Y' en voz más baja—: Y no des un espectáculo delante de los criados, - hijo. Ve con ella.
—No creo que valga la pena. Probablemente regresaré esta misma noche a Saint-Pierre. Con tu permiso, madre.
Yanina y Bautista han acudido- solícitos, pero la señora D'Autremont no acepta el brazo que le ofrecen, se yergue altiva y fría,-siguiendo un momento con la vista a su hijo que se aleja en dirección contraria, a la de Aimée. Luego, solemnemente, extiende la enguantada mano .derecha y recibe uno a uno el beso de sumisión y bienvenida que van dejando en ella los oscuros sirvientes.
—¡Veinte años que no salía usted de Campo Real, señora! —observa Bautista.
—Mucho lo eché de menos. Pero ya estoy de regreso, y por mucho tiempo, Bautista. En Campo Real nacerá mi nieto, y en Campo Real lo educaré a mi modo y manera. No se irá lejos, para volver distinto. ¡Ese sí será mío totalmente!

Renato ha cruzado el ancho portal, hasta apoyarse en la baranda de labrada madera. Con paso rápido dejó la entrada principal de la casa: con quemante impaciencia se apartó de saludos y ceremonias tradicionales; con un ansia intolerable de huir de todo y de todos, ha llegado hasta el fondo de la galería, sobre la que da la biblioteca... Es totalmente de noche, y, en el cielo sin nubes, una luna amarilla se alza lentamente.
—El café, señor...
—Gracias... Déjalo donde quieras...
Yanina se ha inclinado, ha dejado la taza de porcelana en su pequeña bandeja de plata, sobre la ancha baranda de madera, pero no se retira... Queda inmóvil contemplando a Renato, leyendo en cada rasgo de su rostro, en cada surco de su piel, el drama tumultuoso que le bulle alma adentro. Bruscamente, Renato D'Autremont se vuelve a ella y la interpela:
—¿Todavía estás aquí? ¿Qué quieres?
—La señora Sofía está muy inquieta, señor, por causas morales... Sumamente preocupada... Y como su salud no es buena... Ella quisiera saber si es cierto que el señor volverá esta misma noche a Saint-Pierre.

—¡Ahí ¿Mandó preguntar...?
—No, señor. No quiso molestarlo a usted. Pero yo la conozco y sé que está atormentada con esa idea. Si el señor pudiera esperar unos días, quedarse aquí con ella aunque sólo fuese un par de semanas...
—Está bien... Dile que no pedí coche ni carruaje para esta noche. Con eso será suficiente...
—Gracias, señor, le agradezco con toda el alma que se quede. Una gran emoción tiembla en las palabras de Yanina, mientras Renato la mira de frente por primera vez, un momento vuelto a la realidad, como si pretendiera asomarse al mundo de insospechados pensamientos que arde en las negras pupilas de la mestiza... y, acaso por primera vez también, la mira de pies a cabeza... Realmente, es una criatura entraña: delgada, cetrina hierática... No acusa las formas opulentas que suelen ser peculiares en las mujeres de su raza; no tiene la gracia sensual que suele florecer bajo el pañuelo de colores de las martiniqueñas. Impasible como un ídolo, como un fetiche, sólo los ojos delatan su interno fuego, pero los finos labios," al apretarse, parecen guardar celosamente aquel secreto que flota entero en el ambiente de Campo Real, aquel impalpable misterio que parece venir del más allá, prendiendo voluntades en la malla sutil y pegajosa de los ocultos pensamientos... Con nerviosa inquietud, da Renato unos pasos, alejándose de ella...

—Perdone si me atrevo a preguntar, pero, ¿al señor le molesta verme? -
—¿A mí? ¿Por qué? Ve a tranquilizar a tu ama. Dile que no me voy... esta noche al menos. Dile... Bueno dile lo que quieras, pero...
—Pero vete —termina Yanina la frase—. ¿No es eso?
—Vete o quédate, para mí es igual —se enardece Renato, a punto de estallar—. ¿Qué es lo que piensas? ¡Tus reticencias son casi una insolencia! Cuando quiero estar solo, deseo que me dejen en paz. —Y cambiando, con cierta brusquedad, indaga—: ¿Puede saberse por qué lloras?
—Perdón... Ya sé que ni a eso tengo derecho... Dispénseme, señor..-Ya me voy...
—Espera —se humaniza Renato, todo confuso—. En realidad, no sé lo que me pasa contigo. Tienes el don de exasperarme. Creo que si hablaras claro, sería mejor... No tengo nada contra ti... Me has servido lealmente, o has creído hacerlo. Además, te debo tu cariño y tus atenciones especiales para mi madre. No creas que no me doy cuenta que para ella eres infinitamente más de lo que pudiera ser la mejor sirvienta. Si te pasa algo, s\ quieres algo, dilo de una vez...
—Yo sólo quisiera poder aliviar su tormento, señor...
—¿Quién te ha dicho que yo vivo atormentado?

—No hay más que verlo, señor. Y ya que por primera vez parece dispuesto a oirme, le diré que si usted viviera como viven los demás, los otros señores, sus vecinos, los dueños de las haciendas próximas... Ellos no se atormentan tanto, señor. Tienen, tal vez, las mismas molestias que usted, las mismas atenciones: la familia, la esposa, la hacienda... pero tienen también un lugar en el que son felices.
—¿Cómo? ¿Qué?
—Una casa pequeña donde todo lo olvidan, donde no hay para ellos espinas, sino flores, donde son como quieren ser..; Si el señor tuviera también eso, un rincón en el que olvidara las penas, en el que. sentirse realmente amado, atendido y servido de rodillas por alguien que pondría su corazón de alfombra para que usted pisara sobre él...
—¡Yanina...! —se disgusta Renato comprendiendo las palabras de la mestiza—. ¡Es el colmo!
—Me pidió usted que le hablara con claridad. Supongo que teniendo como tengo el don de exasperar al señor, lo he logrado ahora totalmente...

Renato se ha contenido. Apurando de un sorbo la taza de café, se ha vuelto para mirar a Yanina de pies á cabeza, pero otra figura aparece junto a ella, acercándose inclinada respetuosamente:
—Perdón, señor, venía a buscar a Yanina. No sabía que estaba con usted, pero..,
—¿Qué es eso, Bautista? —le interrumpe Renato al oír una música típica que se oye cada vez más cercana.
—La ronda de trabajadores, señor. Esta noche tienen permiso para hacer sus fiestas... un permiso especial celebrando la llegada de ustedes. Van a reunirse frente a las barracas grandes, detrás del cafetal, y la señora me ordenó que les diera un barrilito de ron y algunas golosinas, que naturalmente están de más... Ellos, con el ron tienen suficiente.
—¿Mi madre ordenó que les diese de beber? —se sorprende Renato.

—Es la costumbre, señor. Si les faltara eso se morirían de tristeza o se matarían de rabia. Bailar es lo único que les gusta a esta gente. ¿Nunca vio el señor Renato un baile de éstos?
—No. Ni deseo interrumpir la fiesta con mi presencia.
—No la interrumpiría, señor. Cuando el tambor toca de esa manera, sólo la muerte les detiene los pies. Son salvajes, mi amo. ¿No lo comprende? Además, están peor que borrachos. Le echan al ron una hierba que les hace olvidarlo todo, ¡todo!
—¿Y mi madre aprueba eso?
—No puede impedirse, señor, ni vale la pena de hacerlo. Puede usted redoblarles el' trabajo, reducirles la paga, matarlos a golpes, cualquier cosa, siempre que se les deje hacer sus fíestas. Todos se van detrás de esos tambores... No sé qué tienen, pero encienden la sangre, ¿verdad, señor?

Renato se ha mordido los labios sin responder a Bautista, oyendo aquel sordo redoble que es como una llamada del ancestro. . A él también, aquella extraña música parece penetrarle hasta las entrañas, revolver una ciénaga profunda de pasiones, de deseos, de sentimientos... Casi sin darse cuenta ha ido hada la escalinata, ha bajado lentamente los anchos escalones de piedra... Como una sierpe ensanchándose a cada paso, se aleja la caravana de los negros, y Renato D'Autremont, al aire los rubios cabellos, echa a andar tras ellos...
—Venga a ver... Acerqúese... ¿No viene, mi ama? ¡Qué bueno va estar eso! Se me van los pies detrás de esa música.., ¡Ah, caramba 1 Eso sí que está bueno... Venga, mi ama, corra. .. Venga a ver...
—¿Quieres dejarme tranquila, Ana?
—Venga. ..Venga si quiere ver al Señor Renato detrás de los que van para allá.. .Corra, que si no, no lo ve. ¡Bendito y alabado sea el Santísimo Sacramento del altar! Tuve que mirarlo para creerlo...
Aimée ha corrido a la ventana de su cuarto, y apenas puede dar crédito a sus ojos. A la luz de las farolas y de las antorchas de la caravana que ya se aleja, al reflejo incierto de la luna en menguante, puede ver con toda claridad que es en efecto Renato D'Autremont el hombre blanco que se une al oscuro conjunto, que sigue con paso incierto el ronco ritmo de las tamboras africanas, como si aquella "turbadora música lo arrastrase a él también...
—Y Yanina, mi ama, mire a Yanina —señala Ana—. Ella que tanto habla, ella que tanto presume de que no va a esas fiestas... Mírela... Mírela... Se va detras de los cueros... Y luego dice que es más blanca que los blancos... Bueno, claro que el amo es reblanco también, y alla va...
—Probablemente, Renato ha bebido más de la cuenta. Pero Yanina detrás de él...

—A cualquiera le gusta echar un pie, y esta noche la fiesta va a ser grande. Seguro que les amanece dándole a la cintura y a los pies..,
—Esta noche... Esta noche... —murmura Aimée pensativa—. Tal vez habría que aprovechar el tiempo, que hacer las cosas lo más aprisa posible.,. Antes me dijiste que Renato había dicho que volvería a Sáint-Pierre inmediatamente. Sin embargo...
—Eso me dijeron, pero ya usted ve...
—¡Calla! Esta noche, tú y yo vamos a ir a donde tenemos que ir, para arreglar esto cuanto antes... Es mejor estando aquí Renato... Debo hacerlo en seguida, mañana si puedo. ..
—¡Ay, mi ama! ¿Qué es lo que va a hacer?

—Librarme de una carga, preparar la puerta de escape, no permitir que me agarren en descubierto.. .¡Pronto, Ana! Esta noche podemos salir tranquilamente; nadie se fijará en nosotras, nadie se dará cuenta. Los propios vigilantes, seguramente estarán en la fiesta y, si todos salen en secreto, nadie se extrañará de ver a dos mujeres más o menos, tapándose la cara, rumbo al cafetal...
—¿Vamos al baile nosotras también? —se entusiasma la doméstica.
—¡No seas imbécil! ¿De qué te estoy hablando desde ayer? Hemos de ver a esa mujer que vive allá arriba.
—¿La bruja? ¿La yerbera? —se atemoriza la mestiza.

—Claro... Esa es la que nos va a sacar del apuro... Seguramente, ella no irá al baile... ¿Sabes dónde vive esa mujer? ¿Conocer bien el camino?
—Yo sí, mi ama, pero me da miedo... Me da mucho miedo... Dicen que cuando uno va a ver a la bruja, en una noche de éstas en que la luna está en menguante y en que los cueros suenan, sale una mancha roja en el agua y viene sangre. • .-Si, mi ama, viene sangre.. . Alguien se muere, y queda un gran charco de sangre...
—¡Cállate, no digas más e s t u p i d e c e s ! No va a morirse nadie... Dame un chal, un velo, coge una linterna chiquita y ven conmigo. Renato D'Autremont va de fiesta, es noche de ron y de baile. Que arda Campo Real, que se alegre... Hoy hay música, mañana habrá llanto; al menos, de la imbécil de mi suegra. ¡Se acabó el heredero D'Autremont! Vamos a salir de la farsa, alegremente, y yo seré al final quien me ría de todos, quien ría con más ganas... ¡Vamos, Ana, ven.. .!

Sendero arriba, Aimée empuja a su remolona doncella, que casi a la fuerza va dando sus tardos pasos; pero al pisar la parte más alta de la colina, entre los troncos de caobos y pimenteros que dan sombra a los cafetales, brillan las lenguas rojas de las hogueras, y ambas se detienen, a pesar suyo, fascinadas...
—¡Ay, mi ama, mire... mire para allá! ¡Qué bueno va a estar esto!
En el ronco tañir de los primitivos instrumentos, rompe la bóveda de la noche la fiesta negra. Ya se arrancan los bailadores, ya sus cuerpos vestidos estrafalariamente se agitan iluminados por las llamas, como si ellos mismos, hechos antorchas vivientes, ardieran. Ya se agitan los torsos como en temblores de epilepsia, mientras las manos, empuñando pañuelos de colorines, fingen en el aire remolinos frenéticos.
Un instante, los ojos de Aimée contemplan aquello, como emborrachándose con el espectáculo fascinante. Luego, clavando los dedos en el brazo de Ana, la arrastra monte arriba, rompiendo la cadena que también a ella la sujeta:
—¡Ven... ven! Después te quedarás aquí si quieres. Ahora, ven...


5

COMO UN SONAMBULO ha llegado Renato hasta la plaza que forman los cuatro grandes barracones, centro de la ciudad miserable de cuyo sudor, dé cuy o, esfuerzo, de cuya miseria, viva la opulenta casa de mármol rodeada de jardines. Ha llegado hasta allí deteniéndose al borde de la hoguera más próxima, pero nadie le mira, nadie repara en él... Ya no es el amo, ya no es sino una sombra pálida en la locura negra de las danzas nativas, una pincelada sin color allí donde las carnes color de bronce y de ébano se agitan en los espasmos de una danza honda y convulsa como la propia convulsión de la tierra..; Jamás se había acercado allí, nunca había contemplado con sus ojos azules el oscuro esplendor de todo aquello. Era un extraño en aquellas tierras que le pertenecían, era un extranjero en la tierra que le vio nacer. Ahora, por primera vez, todo aquello parece llegarle muy hondo, despertar como a fieras dormidas las voces acalladas tantos años, sentir que el odio y el amor se encienden como nunca en su pecho, y mira por vez primera, sin repugnancia, una pequeña mano color de cobre que se apoya en la suya blanca...
—¿Le gusta, amo Renato? Es la primera vez que viene a una fiesta en la plaza de las barracas, ¿verdad?
—Supongo que tú también, Yánina. No creo que mi madre te haya permitido jamás...

—No... naturalmente. Doña Sofía no podría perdonar ni comprender jamás. Y sin embargo, perdona otras cosas, y trata de comprender lo que no se comprende... La señora Aimée vino muchas veces aquí... ¿No lo sabía usted, mi amo?
—¿Aimée puede que alguna vez pasara cerca... Puede que, por curiosidad, se acercara, pero...
—La señora Aimée vino aquí muchas veces, y algunas ha bailado frente a los barracones.
—¿Por qué dices ese absurdo? ¿De dónde sacas eso? ¡Eres una embustera y una necia! Mi esposa no pudo venir aquí... ¿No lo comprendes?
—Aquí nadie mira a nadie, ¿no lo está viendo? Se ocupan de bailar y de beber... Cuando se bebe lo que ellos .están bebiendo, nadie sabe sino que la música suena y hay que mover los pies...

Renato ha movido con ira la cabeza mirando hacia el lugar que Yanina señala. Sobre una tosca mesa han puesto el barril de ron, le han quitado la tapa... Un negro anciano, con el lanoso cabello más blanco que la nieve, derrama en él el contenido de una jicara, y todos se amontonan, impacientes, acercando jarros y vasijas a la espita abierta para todos...
—Si bebiera usted un trago de eso, olvidaría hasta su propio nombre, señor, y sería feliz unas horas al menos. ¿No quiere? La señora Aimée bebió alguna vez...
—¿Quieres no mentir más? ¿Qué es lo que te has propuesto, imbécil? —se enfurece Renato.
—Ya se lo dije antes. Usted no me entendió o no quiso en- tenderme, pero si me mirase a los ojos:..

Yanina se ha erguido sobre las puntas de los pies, clavando sobre los azules de Renato la mirada sombría de sus ojazos negros. Pero él la aparta con gesto de disgusto.
—Déjame. Será mejor para ti que no te entienda. Creo que eres tú quien necesita tomar un sorbo de ese veneno, Acércate, bebe hasta caerte y no vuelvas a vigilar a mi esposa ni a inventar calumnias contra ella! No es la primera vez que te mando dejarme en paz, no lo haces... De una vez por todas,, entiéndeme: no quiero oir tus chismes ni tus enredos.
Se ha ido con paso rápido, apartándose de ella bruscamente, mientras las manos de Yanina se crispan al juntarse, y murmura como una amenaza:
—¡Tal vez mañana te hiera el dolor como a mí me hiere!

En la puerta de una cabaña semiderrumbada, a la escasa luz rojiza del fuego que hay encendido dentro, Aimée y Ana miran, con ojos curiosos la primera y de intenso pánico la segunda, la figura de una mujer alta y huesosa, de piel más negra que el carbón, que se ha acercado a ella, brillantes en la sombra,- como carbunclos, los ojos inyectados de sangre... Negros son sus vestidos, negro el pañuelo que envuelve su cabeza... Sólo se ven, en sus muñecas los largos collares de cuentas de colores, el fulgor rojizo de las pupilas y el relámpago blanco de los dientes cuando, al hablar, mueve los gruesos labios:
—¿Quién eres? Te estoy preguntando... Contesta. .. Quien llega por burla a casa de Kuma, lo paga muy caro, porque Kuma tiene poderes secretos. ..
Una' leve sonrisa se ha asomado a los labios de Aimée. Por un instante le pareció estar frente a una loca, su amenaza, y la forma ávida con que la recorre de pies a cabeza, descubriendo, aun bajo el chal que le envuelve, los detalles de su verdadera posición, abren camino a otra opinión, al contestar con absoluta tranquilidad:
—Quien llega no viene por burla. Te busca porque te necesita y te pagará bien... Tendrás más dinero por servirme, que lo que logres reunir en un año entero; pero tienes que ser leal. Yo también tengo poderes, aunque no tan secretos, y si me traicionas lo pagarás tan caro, tan caro, que por tu bien te aconsejo que no lo intentes.
—¿Quién se atreve a decir que tiene más poder que Kuma? ¿Quién?
—¡Ay, mi ama, vamonos...! —suplica la asustada Ana, en voz baja.

—Vete tú y espérame en la puerta. ¿Oíste? Ni un paso más allá. ¡Anda! —ordena Aimée imperiosa.
—Hablas con voz de ama, y es blanca tu piel...
—Sí... es blanca mi piel. ¿Quieres ver también el color de mi dinero? Ahí lo tienes; son de oro, Kuma. Recógelas... Vale la pena...
Con brusco movimiento, Kuma ha encendido un hachón de tea en el fuego donde arde una marmita, clavándola en la caña hueca de las paredes, y la llamarada roja ilumina vivamente la estancia: el techo bajo y ennegrecido, las paredes cubiertas de amuletos y mazos de hierba, el tosco horno de barro, la yacija en un rincón, la mugrienta mesa de madera, los toscos taburetes, los frascos de bebedizos puestos en fila sobre una repisa de la pared, y aquellas dos mujeres que se miran casi, casi con la misma curiosidad... Una blanca, otra negra. La mano ensortijada de Aimée sale del chal de seda, señalando las tres monedas de oro que brillan sobre el piso de tierra, y Kuma se inclina sin prisa, recogiéndolas, y las retiene, como acariciándolas entre los dedos, mientras murmura:
—¿Qué deseas, mi ama? ¿Qué le mandas a hacer a tu sierva? Kuma va a complacerte. Te dará la forma de que tu rival se vuelva fea, el polvo que domina a los hombres más rebeldes, las gotas que harán tu esclavo de aquel a quien desees, sólo con hacérselas tomar en una taza de café... Kuma puede prepararte una bolsa 'de yerbas que, colgándolas a tu cintura, hará venir al hijo que acaso deseas y no tienes. ¿Es eso?
—¡Ojalá tuvieras poder para tanto, Kuma!

—¿Dudas de mi poder? —apostrofa la hechicera con cierta ira—. Entonces, ¿a qué vienes?
—A algo mucho más cómodo para tí. Si pensara que de veras puedes hacer todas esas cosas, no habría oro en el mundo con. qué pagar tu ciencia. No te voy a pedir nada de eso... Bastará con que te prestes a obedecerme. Yo sé que tú ayudas a las mujeres de aquí cuando van a venir los niños; pero sólo te quiero para que me sirvas de testigo, para que, con esas palabras que sabes usar para que te crean, digas a todos, a los amos también, que me atendiste después de un accidente...
"Antes de seguir, quiero decirte una sola cosa: Si todo sale bien, te daré diez monedas como ésas; si tratas de traicionarme, haré que te arrojen a palos de todas las tierras de D'Autremont, sin dejarte abrir siquiera la boca. Júrame que no dirás sino lo qué yo te ordene, y mírame bien para que veas que no miento. Soy la esposa del amo, soy la dueña de Campo Real... ¡Mírame bien, y piensa lo que te conviene!
Con brusco movimiento, Aimée ha echado hacia atrás el velo que cubre su rostro, el chai que envuelve su cabeza, y a la luz rojiza de la antorcha de tea brilla deslumbrante la belleza de su rostro blanco, mientras Kuma retrocede moviendo la cabeza. Sus pupilas oscuras parecen agrandarse y es más rojo el fulgor de sus OJOS inyectados de sangre. Durante un largo minutó parece vacilar; luego, aprieta las tres monedas de oro hundiéndolas en el bolsillo de su falda, y se yergue al responder:
—Haré lo que me ordenas... ¿Cómo? ¿Cuándo?.
—Tiene que ser pronto. He perdido ya bastante tiempo... Mañana si es posible... Debo preparar las cosas, hacerlo todo bien. Esta vez no podemos equivocarnos...

Aimée ha ido hacia la puerta. Kuma la sigue, bebiendo cada gesto, cada movimiento, como si la estudiase, como si se esforzase en adivinar su mente sagaz, ágil en la mentira y el engaño. Al fin, una expresión astuta humaniza su negro rostro:
—Tú eres la señora Aimée. Yo te vi de lejos el día de tu boda. No entré a la iglesia, pero te vi de lejos, y también sé de ti algunas cosas... Dicen que. vas a darle al amo Renato un heredero.
—Es lo que dicen... Si tu sabiduría no llega más lejos... ¿No te dicen más que eso tus poderes secretos?
Otra vez ha callado Kuma durante largo rato. Otra vez ha observado de pies a cabeza a la hermosa mujer que alza la frente altanera, mientras una sonrisa burlona le juguetea en los labios.

—Kuma ve la verdad en el fuego, en el viento y en el humo de la olla que hierve —afirma ésta—. Kuma ve a tu hijo hermoso y fuerte... Kuma ve al heredero de la casa D'Autremont...
—No —niega Aimée con decisión—. Ni Kuma ni nadie va a verlo, ¿entiendes? El heredero de Renato D'Autremont no existe ni existió nunca, pero es preciso que todos crean que fue un accidente lo que le impidió nacer. Ocurrirá cerca de tu cabana, y habrá que agradecer tus atenciones. ¿Comprendiste bien?
—La hoguera tiene las llamas muy altas. ¿Quieres que Kuma salte sobre una hoguera en la que seguramente se quemará los pies? Es mucho lo que arriesga Kuma. Si tú puedes hacerme arrojar a palos de Campo Real, el amo Renato puede mucho más. Tal vez tenga que irme muy lejos... y diez monedas de oro no son mucho dinero.
—¡Te daré veinte! ¡Te daré cien!
—Té serviré. Te serviré a todo riesgo. Dime qué debo hacer.
—¡Espera! —señala 'Aimée. Y acercándose a la puerta, perdida toda prudencia, llama—: ¡Ana... Ana!

Por el estrecho sendero sube, trotando, una figura larga y flaca que, al llegar junto a Aimée, exclama alborozada:
—¡Ay, mi ama, qué bueno está el baile! Todo el mundo está allá abajo, menos el amo Renato, que ya se fue...
—¿Se fue Renato? ¿Volvió a la casa? Es preciso que vuelvas tú también. Yo tengo que hablar todavía con esta mujer. Si Renato fuese a la alcoba y no nos hallase a ninguna de las dos, saldría a buscarnos, y ¡quién sabe! Es preciso que te quedes allí, que estés atenta, que inventes cualquier cosa para disculpar mi ausencia. Si preguntan dónde estoy, puedes decir que salí al jardín a tomar el fresco... Y si te mandan a buscarme, tomas hacia el lado de la glorieta, y allí me esperas. ¡Anda... vuela... ¡
De mala gana marcha Ana por el sendero abajo, mientras Aimée regresa lentamente a la cabana casi en ruinas... En su ágil mente diabólica, la confusa idea va tomando forma, se concreta en hechos... Uno a uno va preparando, in mentí, cada detalle de la farsa, hasta que empuja al fin la desvencijada puerta, con mano impaciente, y explica:
—Kuma... ya sé lo que vamos a hacer. Punto por punto, ya sé lo que tenemos que hacer...

—Renato... hijo...
—¿Eh...? ¿Qué haces levantada a estas horas, madre? Es tarde, muy tarde. No creo que debas abusar así de tu salud y de tus fuerzas. Tienes que estar rendida y...
—Mi cansancio, hijo querido, no es del cuerpo. Junto a la escalinata de piedra que da acceso al sombreado y confortable portal de la casa opulenta, ha tropezado Renato con aquélla a quien menos hubiese deseado encontrar en aquel momento. Los ojos de su madre, inquisitivos y angustiados, se fijan en él, y asoma a ellos una súplica tan doliente y tan tierna que, a pesar suyo, le estremece.
—No quiero parecer una entrometida preguntándote de dónde vienes. Supongo que no habrás ido a pedir un caballo, que no te irás esta misma noche como amenazaste...
—No, madre, claro que no me iré esta noche. Ya ordené antes a Yanina que te dijera, pero veo que olvidó mi encargo.
—Pues es bien raro... Te aseguro que es la 'primera vez que ocurre algo'así.

—Sí, es bien raro... Todo es raro en ella... Preferiría no hablar de eso... No quiero disgustarte, madre...
—Con lo que has dicho, basta para preocuparme seriamente. ¿No crees que es preferible hablar claro de una vez?
—Pues sí. Yo sé que tienes un gran apego a esa muchacha... pero, como dijiste antes: he dicho demasiado para callarme ahora. Yanina es alguien de quien deberías desprenderte. En una forma suave y con pretexto cualquiera, pero. . .
—La has tomado con ella. Supongo que será una sugestión de tu mujer. Aimée odia a la pobre Yanina y...
—Es Yanina quien la odia a ella. Por la tranquilidad de esta casa, por esa paz que tú misma deseas, quiero pedirte que alejes a Yanina en cuanto se presente una ocasión, que ya la buscaré yo... Si hemos de vivir en Campo Real, tiene que ser así, madre.
—Está bien. Habrá que aceptar tu deseo... Bien sabes que es un gran sacrificio para mí, pero las madres nacimos para eso: para aceptar los sacrificios. Pero, al menos, ¿puedo saber qué ha pasado esta noche con Yanina?

—No es esta noche, es siempre. Dejemos el tema, madre, te lo ruego. Por mi parte, mi petición va unida a la súplica de que no me preguntes más.
—Si no quieres hablar tú, haré que me informe ella. Le dispensas gratuitamente tu antipatía... ¡Qué le vamos a hacer! Será una víctima más de todas estas cosas, pero al menos voy a demostrarte, quiero demostrarte, todo el cariño, toda la sumisión y todo el respeto que Yanina me tiene. —Y alzando la voz, llama—: ¡Yanina... Yanina!
—No la llames, madre, no te canses, porque no ha de acudir. No está en la casa, y es preciso que despiertes. Ha salido esta noche, como sin duda muchas otras, sin que tú lo sospecharas siquiera. Está allá arriba, en 'la plaza de las barracas... Siento desilusionarte con respecto a ella, pero no es lo que piensas. Has querido sacarla de su medio, de su ambiente, y no creas que le has hecho ningún bien. Menos mal que, en el fondo, es igual a los otros. Bastará que la dejes en libertad para que se manifieste tal como es, sin la máscara de hipocresía con que te fascina...
—Renato, acompáñame a mi alcoba. Llamare a Yanina. Tú verás como acude, tú verás como desmiente esta calumnia que se han encargado de decirte de ella. No es capaz de ir a esa fiesta. Está de este lado. Desde niña me ocupé de su educación. Ella...
—Ella está allá arriba, madre, la vi por mis ojos.
—¿Tú? ¿Quieres decir que tú fuiste también?

—Eso es lo de menos... pero no hablemos más esta noche.. . creo que estoy fuera de mí, y hay algo que tengo que decirte, algo que importa mas que todo: la verdad de mi corazón ...
—No la digas en este momento. La verdad de tu corazón la sé, no me la repitas. .. Espera, espera unos meses... Ven, ven a mi alcoba. Te he vuelto a ver de pronto tan desorientado, tan alucinado como cuando eras niño. Quiero librarte de eso...
Le ha tomado del brazo llevándolo con ella blandamente, con la misma ansia dolorosa de protegerle con que cuando era niño le alejaba de todos los peligros imaginados o verdaderos. .. Le ha hecho entrar en la amplia alcoba, y sentarse de espaldas a los ventanales. Un momento vacila mirando a través? de ellos la mancha roja de las hogueras que arden allá, en el claro de los cafetales...
Pero en el aire que sopla de aquel lado, parece llegar, con el ritmo sensual de la música, la vaharada .cálida de aquellas llamas que en la montaña lengüetean. Y es como si el ambiente se cargase de oscuros presagios, como si los tétricos augurios que presidieron el nacimiento de Renato D'Autremont, temblaran otra vez sobre su rubia cabeza...

—Tengo que defenderte de ti mismo, Renato. Tu peor enemigo lo llevas dentro... Es tu corazón, tu insensato corazón que se aficiona siempre a lo que más pueda dañarte. Primero a la amistad de ese canalla a quien odias... Hoy, al amor de una mujer prohibida para ti por todas las leyes humanas y divinas...
—No hay ninguna ley que le prohiba al corazón los sentimientos. Lo que la mente piensa, lo que el corazón siente. ..
—¿Acaso no existe el pecado mental? ¿Piensas que no se peca recreándose en el pensamiento de lo que está prohibido? No basta tener un nombre como el nuestro, no basta nacer llamándose Renato D'Autremont, sino que hay que saber serlo, hay que aceptar las obligaciones del-rango, de la fortuna, del poder. . .Naciste poderoso, opulento, con todos los honores, con todas las ventajas. No tienes sino sostener lo que otros hicieron para ti...
—Creo que te excedes en tus reproches, madre. Aun no he hecho nada indigno.
—Confío en que Dios te libre siempre de hacerlo. Todavía estás a tiempo, pero tienes que tener voluntad. No vuelvas a Saint-Pierre... Quédate aquí, espera al menos a que nazca tu hijo... ¿No sientes que con esa criatura que va a venir, asoma la esperanza de una nueva vida?

Renato ha bajado la cabeza. Largo rato ha tardado en responder, como si rebuscara en su conciencia, como si bajara al fondo de si mismo. Luego, sus claros ojos se alzan, clavándose en los de Sofía, al rebatir:
—Sólo se vive una vez, madre. Quiero vivir mi propia vida... Yo comprendo tu punto de vista, pero trata de comprender tú el mío. Quiero mi vida, la mía, la que bulle en mis, venas, no esa que, como bien dijiste, hicieron los demás para mí... Debe bastarte con que en lo material no haga nunca nada indigno, o trate de no hacerlo... ¿Es que crees que no es ya bastante mi martirio? Tarde hallé la verdad de mi corazón. ¿Por qué estuve tan ciego?
—¿Y por qué no aceptas las consecuencias de tu error, ya que lo cometiste?
—¡Porque no puedo, madre! No puedo conformarme a esa vida pueril y mediocre que me brindas. No puedo ser esclavo de un pedazo de tierra, de las letras de un apellido... Lucharía aunque yo mismo no quisiera... Faltaría a mi palabra si me la pudieras arrancar, y a mis juramentos, si jurara lo que sé que no puedo cumplir. No me atormentes más, madre... Es inútil... deja que se cumpla mi destino...
—¿Y por qué ha de ser tu destino correr al abismo?
—Porque es el de todos los D'Autremont, madre: vivir para nuestras pasiones, y por nuestras pasiones, morir...

Sofía ha hecho un gesto para detenerle cuando se aleja bruscamente, pero no le sigue. Le mira cruzar, con una desolación infinita en las pupilas, y luego busca una butaca donde dejarse caer rendida, sollozando. La puerta de la alcoba se ha abierto y Bautista se disculpa:
—Perdóneme que entre así...
—¿Dónde está Yanina?
—No encuentro ni siquiera con quién enviar a buscarla, ni tampoco una doncella con quien pedirle permiso para entrar. Por eso llegué así... Todos se han ido; pero, con el permiso de la señora, mañana haré el escarmiento que se necesita. Parece como si un demonio les hubiera soplado a todos. Nunca ha ocurrido en Campo Real una cosa asi... Pero Yanina no tardará en volver, señora. Seguramente habrá tenido que ir a hacer por sí misma cualquier cosa necesaria...
—Yanina también está allá arriba... La ha visto mi hijo, y encuentra la falta lo bastante grave como' para despedirla...
—Si el señor Renato opina asi, tendría que despedirlos a todos, y a la señora Aimée la primera.
—¿Qué dices?
—No hay luz por aquel lado de la casa...

—Puede estar acostada y dormida. No eres tú quién para juzgarla... ¿Entendiste? Exijo la mayor consideración y el mayor respeto de todos para la esposa de mi hijo. Al menos, por ahora...
—Ahora y siempre se hará en esta casa lo que usted diga, doña Sofía. Usted es la única dueña que reconocemos los leales, los antiguos... Por usted nos dejamos matar... Es lo que yo siento, y es lo que siente mi sobrina. Claro que si, con todo eso, el señor se empeña en que la eche usted de aquí...
—Búscala tú mismo, Bautista, ve a buscarla... Yo nada necesito...
—Ni el señor tampoco... Está en el comedor, y él mismo se sirve... Está bebiendo como en los peores días: él solo y una copa tras otra... En eso es distinto del amo don Francisco... Ese bebía siempre en buena compañía... En fiestas, con amigos, como todo un gran señor que era, mi señora. Que hasta sus pecados eran de eso, de gran señor...
—Calla, Bautista, y ve a lo que te he dicho. Trae a Yanina ...
—Yo estoy seguro que la señora está equivocada con Yanina. Si el señor la vio allá arriba, sería un momentito. A cualquiera le pica la curiosidad. Ahora, apostaría la mano derecha a que no está allí, y la señora va a verlo por sí misma... Con permiso...

No... No está Yanina en la ancha plaza de las barracas, donde la fiesta negra sigue, donde los cuerpos bañados de sudor se retuercen en danzas lascivas, donde, como las llamas de las hogueras, los deseos palpitan, y se ligan, en un solo nudo el amor y la muerte.., Tras largo rato de estupor doloroso, ha echado a andar, primero como sin rumbo fijo, luego como arrastrada por una idea...
Marcha, primero, muy despacio; después, más de prisa... Se aleja hasta encontrar un sendero escondido, un áspero sendero que trepa la montaña a través de los riscos, hasta el punto más alto del, valle, junto al arco del desfiladero, allí donde, oculta y disimulada entre peñascos, hay una choza semidestruida: la guarida de Kuma...
Se ha apartado del sendero, ocultándose entre las malezas, hasta que la sombra que pasa cerca de ella desaparece... Largo rato la sigue con la vista, tratando de localizarla en las. tinieblas... Una sospecha le hace sentir el anhelo de ir tras ella, pero no lo realiza, y cuando todo vuelve a ser silencio, sigue, hasta llegar junto a la curandera...
—¡Kuma! ¿Quién salió de aquí? La he visto, me he tropezado con ella en el camino... Casi podría jurar... ¡Kuma, dime...!
—¡Déjame en paz! No tengo nada que decirte... Bruscamente, la hechicera se ha soltado de aquella mano, que apretando su muñeca la oprime, y mira hosca el rostro desencajado de Yanina... Luego, con aquella solemne calma que da a todos sus movimientos, destapa la marmita que hierve y hunde un puñado de hierbas secas en su oscuro y maloliente contenido...

—Kuma, responde a lo que te pregunto... Te juro que no va a pesarte... Soy tu amiga, tú sabes que soy tu amiga...
—Kuma no es amiga ni enemiga de nadie. Sirvo a- los que llegan aquí, y callar su nombre es mi primer servicio... Dime a qué has venido. ¿Siguen tus penas? Si vienes a hablarme de ellas, te escucharé... Si quieres un remedio, Kuma sabrá encontrarlo, aunque sea muy difícil. Si no es para eso, puedes irte...
Ha cruzado los brazos, frente a Yanina, que otra vez parece serena, contenida, y largo rato permanecen ambas inmóviles, hasta que, lentamente, Yanina saca una moneda de plata de sus bolsillos, poniéndola sobre la mugrienta tabla de la mesa:
—Vengo a pagarte mi última visita, aunque no debería, porque de nada me ha servido. Tu consejo fue malo; tu amuleto, inútil; sin valor las oraciones que me diste...
—¿Pusiste en el café de tu amo la medicina?
—No... Me dio miedo... Puede enfermarse, puede morir. ..

—Tal vez se enferme, pero esa enfermedad ablandará su fuerza, se sentirá desdichado, y ése será el momento en que vuelva sus ojos a ti. ¿No es eso lo que pediste a Kuma?
—Pedí que me amara, que sus ojos se fijaran de otro modo en mí.. . Pedí una sonrisa, una sola sonrisa... Después, no me importa morirme...
—¡Pobre necia! ¿Por qué tenías que mirar tan arriba?
—Si mi madre logró el amor de su amo, una hora, un día, . ¿por qué no puedo yo lograrlo?
-Los tiempos cambian, las cosas son distintas... Cuando el valle era maraña de selva y los amos vivían en cabañas, cuando bebían ron y tendían su hamaca bajo las palmas, todo era distinto .•.. Las mujeres blancas estaban muy lejos, ninguna llegaba hasta aquí...
—Lo que fue una vez, puede volver a ser —se .obstina Yanina con terca pasión—. No hay sino una cosa que me importe en la vida... Tu lo sabes... Tú dices que tienes poder para lograrlo todo...
—Ya te di la medicina. No la eches toda de una vez si no tienes valor suficiente. Hazle tomar unas gotas cada día. Poco a poco, todas las cosas van a parecerle distintas... Puede que llegue a verte hermosa, blanca, como...

—¡Como quién! ¡ No te rías, Kuma!
—Tengo que reírme. ¿Viste a un escarabajo frente al sol? Así eres tú frente a'la que pretendes que él olvide por ti. ¡Pobre Yanina!
—¡No tienes por qué compadecerme! —se revuelve Yanina furiosa—. Aun cuando ella fuera el sol, como tú dices, y yo un escarabajo, ella es mala, es dañina... Le envenena le odia... pero cuando.tú dices eso, es que la viste...
. —Sí —acepta la hechicera con falsa ¡diferencia—. Todos la vieron de lejos, un día: el día de su boda. Hasta Kuma, la maldita, estuvo en el cortejo nupcial del amo Renato...
—¡Mientes! .La has visto después y de mucho más cerca. Acabas de verla, porque fue ella la que estuvo aquí.. .Es inútil mentir... Aunque lo> ¡niegues, estoy bien segura. Ella vino a buscarte... ¿Por qué? ¿Qué quería? ¡Contéstame! ¡Te he pagado en plata cuando otros te dan cobre!
—Y otros me dan oro...

Kuma ha abierto' la mano mostrando las tres monedas de oro, que brillan a la luz del hachón, ya casi extinguido, y Yanina se revuelve furiosa, totalmente segura ya:
—¡Ella... Ella-...! ¡Lo sabía... Lo sabía...! Vino hasta aquí, y te pagó con sus monedas de oro. ¿Qué vino a comprarte? ¡Dímelo! ¡Dímelo! ¡No pretendas burlarte de mí, porque soy mala enemiga!
—Kuma no teme al alacrán, ni a la araña, ni a la hormiga... Tú eres como una viborilla que se arrastra... Quieres llegar hasta la rama más alta del pimentero, pero no podrás subir. Tendrás que esperar arque el rayo que baja de las nubes parta la rama, y la rama baje hasta ti... Aunque no lo mereces, voy a darte un consejo de amiga: No quieras llegar hasta el amo, aguarda a que el amo baje hasta ti. Te di el remedio... úsalo poco a poco... Y ahora, vete...
Yanina ha dejado caer las manos con gesto de vencida, como transida de un dolor sin nombre, mientras la hechicera vuelve lentamente al horno de barro sobre el que hierve la marmita, donde queda largo rato inmóvil. Luego, tiembla como si la sacudiera el escalofrío de una fiebre, y alza la tapa de la olla hirviente. Con las grandes y negras manos extendidas, traza extraños signos, queda como absorta contemplando las espirales de vapor, y después la tapa, volviéndose con brusco movimiento, para indagar:
—¿Todavía estas aquí? ¡Vete!
—¡No puedo irme así! Dime lo que viste en el humo. Dímelo!

—Sangre. .. Fuego... Ruina... Lágrimas en la casa D'Autremont, sangre en las piedras del desfiladero... tanta sangre como cuando se mató el amo don Francisco. Y después, ruina... y después, fuego... Vi hundirse la casa D'Autremont, y hervir el mar...
—¡Kuma... Kuma! ¡Eso no es posible! ¡Lo dices para asustarme, para burlarte de mí! ¡Tú no has visto eso! ¡No lo has visto! ¡Kuma! ¡Kuma!
Inmóvil, helada, con la vista fija, la hechicera color de ébano parece hundida en los horribles presentimientos que han fluido de sus labios... Las manos de Yanina la tocan fría y rígida, la sacuden en vano, desesperadamente tratan de hacerla despertar, y al fin, vencidas, se separan de la hechicera con gesto de temor supersticioso.. . Sin dejar de mirar a Kuma, Yanina ha llegado a la puerta de la cabaña, ha cruzado su umbral de espaldas al camino... El aire fresco de la noche parece despertarla azotando su rostro... Entonces, poseída de un terror repentino, echa a correr hacia las lejanas luces de la casa...
Ahogada por el golpe del corazón que late demasiado de prisa, todavía pálida y temblorosa del espanto que le produjeran las palabras de Kuma, busca Yanina el apoyo de la pared, mientras Bautista se acerca a ella con gesto de violenta ira:
—¿Dónde estabas? ¿De dónde vienes?

—Yo... yo... —balbucea Yanina—. No vengo de... de ninguna parte. Salí... salí...
—¡Sin inventar, sin mentir! Te vieron allá arriba. Te vio el propio amo Renato. Vino con el cuento a doña Sofía. ¿Sabes cómo está ella contra ti? ¡El amo está furioso, le ha pedido que te despida! ¿Qué le has hecho al amo? ¿Qué le has dicho?
—Yo... yo... ¡Oh, tío Bautista! —gimotea la mestiza en tono suplicante.
—¡No permitiré que vuelvas a llamarme asi! Demasiado sabes que te amparé cuando mi hermana me lo pidió al morir, y que ella, por lástima, te tenía recogida. Pero no me dejes mal aquí... Como por tu culpa se disguste el ama conmigo, le diré la verdad a todo el mundo: no eres más que una basura del arroyo, y allí volverás si el ama te despide. Mañana haré un escarmiento en todos esos bandidos que se escaparon a la fiesta, y no te irá mejor a ti si no te haces perdonar por doña Sofía...
—¡Hágame lo que quiera! ¡No me importa! —desprecia la mestiza llorando profusamente.
—¿Que no te importa? Eso ya lo veremos. La culpa es mía por haberte tratado demasiado bien, por decir que eras mi sobrina. Sécate esos ojos, ve donde está el ama y pídele perdón de rodillas...
—¿Al ama Sofía... ?

—Y también a la otra, al ama Aimée... Seguramente, ella es quien puso a su marido contra ti. Hazte perdonar de todos antes que sea de día, o tendrás que entendértelas conmigo.
Bautista se ha alejado con firme paso. Unos instantes permanece Yanina inmóvil, el rostro entre las manos, ahogando los sollozos que la sacuden, hasta que sus lágrimas se secan al ardor de las mejillas. Entonces se levanta despacio, entra como sonámbula en la estrecha alcoba, y con mano temblorosa abre el mueble incrustado en la gruesa pared, que hace las veces de cómoda y botiquín. Del fondo-del mismo ha extraído un tosco frasco de barro. Es el repugnante bebedizo que Kuma le diera como medicina para destruir la voluntad rebelde de Renato. Temblando, lo oprime en sus dedos, mientras su alma se debate en una lucha horrible...
—Me odia. .. Renato me odia, y me odia por ella... La maldita...
Un relámpago rojo cruza por sus pupilas, acabando de secar sus lágrimas, devolviéndole en un instante las fuerzas perdidas. Otra vez vuelve a endurecerse su rostro desfigurado de angustia, otra vez acompasa el inquieto corazón sus latidos, cuando en tono ominoso se decide:
—¡Sí... sí, haré lo que Kuma me dijo!


6

—¡AY, SEÑORA, POR fin!
—¿Ha pasado algo? ¿Ha preguntado alguien por mí, Ana?
—Preguntar, no ha preguntado nadie, pero el Bautista ha llegado cuarenta veces hasta aquí mismo, se ha acercado a la puerta, ha pegado el oído, y se ha vuelto a ir...
—Bueno, cállate... Tengo que pensar, que discurrir. Son muchas cosas las que tengo entre manos. No puedo equivocarme, no puedo cometer una torpeza, no puedo dar un paso en falso, porque entonces sí que estoy perdida. Sal con cuidado. Da la vuelta por todos los pasillos y vuelve a decirme dónde está Renato y qué hace.
—¿El amo Renato?
—Sí. Voy a tener con él una última entrevista. Quiero quemar el último cartucho, quiero hacer un último esfuerzo para que todos seamos felices... Si no, haré lo que tengo dispuesto, ¡y que el diablo me ayude, o cargue de una vez conmigo!

Obediente al mandato de Aimée, Ana ha llegado silenciosa, en su misión de espionaje, a aquella galería, amplio portal sobre arcos coloniales que da vuelta a la enorme mansión- y parece prolongar cada estancia en un anexo más aireado, más campestre y sencillo, donde se encuentra Renato con un vaso de coñac en la mano, dando órdenes terminantes al humilde y servicial Bautista... Tras observar atentamente la situación, la siempre asustada Ana regresa a la alcoba de su ama para rendir el informe de sus observaciones:
—El señor Renato está solo. Ya se bebió hasta el último poquitito que le quedaba en la botella, y yo oí cuando le mandaba al Bautista prepararle el baño, la ropa, y un caballo para irse en seguida. . .
—Tengo que detenerlo... He de hacer las cosas estando él aquí... Ayúdame a arreglarme... Tráeme aquel perfume francés que compré en Saint-Pierre el otro día, un chal de encaje y un poco de carmín... Cuando acabes, vete a la cocina y llévanos champaña y jugo de pina... Le invitaré a tomar conmigo la copa del estribo y peor para él si me obliga a llegar hasta el fin. . .
Con pasos felinos, sabedora del poder sensual que exhala de su persona, Aimée se acerca decidida a la amplia galería donde se halla Renato, y saluda jovial:
—•Buenas noches, Renato, o buenos días... En realidad, no sé cómo decir; a estas horas, es difícil... Todavía no amanece, pero ya falta poco...
—A estas horas, deberías estar durmiendo.
—Hasta ahora dormí, pero me sentí tan sola en esa habitación tan bien preparada para dos... Es crispante sentirse abandonada en una alcoba así... Todo allí huele todavía a luna de miel: una luna de miel que, por desgracia, no hemos vivido. A veces me pregunto si no fue un sueño mi matrimonio contigo, y si estas horas o estos días son una pesadilla de la que al fin habré de despertar...

Renato se ha erguido, mirando a Aimée frente a frente. A pesar de cuanto lleva bebido, no ha logrado que el alcohol embote su inteligencia ni sus sentidos. Por el contrario, tiene una vibración dolorosa y fina, una especie de penetración sutil, que-le hace contemplarla tratando de hallar el verdadero sentido a aquella actitud inesperada. No se le escapa que cuidadosamente acaba de arreglarse, de vestirse, de perfumarse con el más sensual de los perfumes, y así, pálidas las mejillas, ahondadas las ojeras de por sí profundas, le parece repentinamente más hermosa, con su desconcertante parecido a Mónica, que le hace estremecerse, maldecir alma adentro de sí mismo...
—Mi querido Renato, ¿te has detenido un momento a pensar qué cosa tan absurda ha venido a ser nuestra vida? Oí decir que no te quedabas en Campo Real...
—No. Vuelvo a Saint-Pierre. Supongo que para ti es lo 'mismo, que no me criticarás.
—No... no te critico. Te envidio... ¡Qué felicidad, nacer hombre! Ustedes tienen todas las ventajas del mundo: cortejan a las mujeres, las eligen, las piden en matrimonio o se hacen los tontos, como mejor les convenga...
—No hay nada más frágil que la ilusión, Aimée. Si la nuestra se hizo trizas, no ha sido sólo culpa mía.
—Menos mal que reconoces tu parte de culpa.

—La reconozco entera 'si quieres, pero no voy a discutir.
—Naturalmente... Te basta con hacer lo que te dé la gana. ¡Qué actitud más cómoda la tuya!
—Está bien, Aimée. Ya veo que quieres oírme. No es culpa mía si digo cosas que te hieran y te lastimen. Me has buscado en una hora en la que no soy capaz de mentir...
—Pues me alegro muchísimo... También yo sé decir verdades amargas, Renato D'Autremont, y la primera es que no estoy dispuesta a sufrir tu público desprecio, tu abandono a los ojos del mundo, tu cortejo descarado a otra mujer, para mayor vergüenza V mortificación para mí, lleva mi misma sangre...
—Para mayor desgracia de todos, Aimée. Y es justamente lo que fuiste capaz de hacer contra ella, siendo tu sangre, lo que me separa de ti. ¿Por qué fingías conmigo antes de casarnos? ¿Por qué te presentabas a mí como una niña enamorada, candida y tímida? ¿Por qué enmascarabas, bajo sonrisas angelicales, tus violencias, tus ambiciones, tus apetitos? No se engaña a quien se ama... ¡Tú nunca me has querido!
—¿De dónde sacas eso? ¿Como te atreves a decirlo?
—Cayó la venda de mis ojos... Ella me quería... Tú pusiste en juego tus artes para desviarme, y ella fue demasiado noble para combatir con tus propias armas... Por eso la venciste. La vi fría, serena, alejada de mí, pensando primero en sus estudios, luego, en la religión; y a ti, en cambio, dulce y tierna como una niña. Me ofusqué, perdí el tino, fui torpe y ciego, pero no por mi cuenta... Me pusiste una trampa, y caí en ella...

Entre las dos jugaron conmigo... O mejor dicho, jugaste tú con los dos. .. A ella, por su generosidad y nobleza; a mí, por mi inexperiencia de la vida, nos manejaste como quisiste... Y ahora, yo te digo: ¿Por qué? ¿Para que?
—Tus palabras son crueles, Renato. Yo no sé...
—¡Yo sí sé! Ya esa pregunta la respondí yo mismo. Querías la posición, el nombre y la fortuna. El amor, no, puesto que no me querías. Pues bien, tuyas son mi posición, mi fortuna y mi nombre. Eres la dueña de Campo Real, serás la madre de mi hijo, pero mi corazón y mi pensamiento no pueden pertenecerte. ¡Son de ella, con un amor tardío, con un amor que es como una planta venenosa, pero al que le he dado toda mi vida!
—¿Quieres decir que me arrojas de tu vida?
—Quiero decir que vamos ya por distintos caminos. Yo no quiero más que la libertad de ser todo lo desdichado que me siento, el derecho a no tener' que fingir. No quiero ni palabras falsas, ni sonrisas forzadas, ni cortesías inútiles...
—¡Renato, mira lo que dices! ¡Me empujas a perder la razón!

—No lo creo. Pero, en último caso, no hay cuidado; ninguna de tus locuras será contra ti misma... eres demasiado egoísta.'
—¡Me insultas! ¡Eres el último de los miserables!
—¡Mejor entonces si te libras de mí! Buenas noches. ..
—¡No... no vas a irte así!
—Me iré, hagas lo que hagas y digas lo que digas. No me interesas ya, Aimée. ¿Entendiste? Siendo de ti, todo me da lo mismo. No te molestes más por mí. Y ahora, con tu permiso, voy a decirle adiós a mi madre. —Y alejándose, alza un poco la voz—: ¡Bautista! ¡Bautista...!
—¿Llamaba el señor? —pregunta el interpelado, acercándose a Renato.
—¡Que me esperen con el caballo al pie de la escalera de la galería!

Renato ha dado sus órdenes en tono imperioso, y acto seguido se aleja con pasos rápidos, dejando confuso a Bautista, que sale de su abstracción ante la llamada de Aimée:
—¡Bautista... Bautista...! ¡Hace dos horas que estoy llamando a gritos! ¡Mi caballo, en seguida!
—¿Su caballo... su caballo? —balbucea Bautista profundamente sorprendido—. ¿La señora quiere decir...?
—Quiero decir que hagas ensillar mi caballo en el acto; el mío, el que ayer te tomaste el atrevimiento de montar sin mi permiso. Que lo ensillen en el acto. Quiero que esté al pie de la escalinata antes de que Renato se haya ido.
—Dios mío... Dios mío... ¿Qué va a pasar aquí? —se lamenta Bautista, alejándose para cumplir las órdenes recibidas.
—¡Ana... Ana...! Corre al cuarto de doña Sofía y dile que voy a salir a caballo... que voy a salir acompañando a mi marido, porque tengo perfecto derecho a ir con él y a seguirle.
—¿Y si está dormida?

—La despiertas, gritas, armas el mayor escándalo que te sea posible. Pero no estará dormida, porque Renato está allí...
—¿El amo Renato? ¿Y delante del amo Renato voy yo a decir...? —se extraña, llena de confusiones, la mestiza.
—¡Que te oiga él es lo que quiero! Dile que dije que iría con él de todas maneras, que no me importa morirme... ni tampoco que se pierda mi hijo... Quiero que todos lo oigan, que todos lo comenten... Golpea fuerte la puerta, y díselo a gritos, ¿entendiste? ¡A gritos.. ¡ ¡Corre ya.. .!
De un empellón la ha obligado a salir. Con la rapidez que le presta la ira, Aimée se echa la falda de montar sobre el traje que lleva, se calza las pequeñas botas y, empuñando la fusta, corre a la galería, para volverse con gesto furioso. Y como si aún Renato estuviese allí, amenaza:
—Aun puedo hacer algo que te moleste, Renato D'Autremont, aun puedo tener el desquite de hacerte sufrir!

Renato no ha reprimido el gesto de disgusto que le produce la presencia de Yanina, al pisar las habitaciones de su madre. Casi sin mirarla cruza la galería, deja atrás el gabinete de muebles desvaídos, y se asoma impaciente a la lujosa y anticuada alcoba... 'Como una sombra le ha seguido la doncella nativa, que explica:
—La señora ha salido, a ido a oir la misa de alba que cada día cinco hace decir en la Ermita de allá arriba, por el alma del amo don Francisco. La señora es muy reservada y hace muchas cosas así...
—Efectivamente, mi madre es muy reservada» pero ya veo que no tiene reservas para ti.
—¿Le molesta a usted, señor Renato? Ya sé que he tenido la desgracia de desagradarle y que le ha pedido a la señora que me despida, pero la señora no deseó hacerlo y no lo hizo. El señor es muy cruel conmigo... me odia como si yo fuera la culpable de lo que le pasa. Y yo podría jurarle, que daría la sangre de mis venas, que daría la vida por...

Dolorida, ofendida, herida en lo más íntimo, ha retrocedido Yanina, oprimiendo contra su pecho aquel frasco que oculta en sus vestidos: el brebaje diabólico que en vano busca ocasión para usar, el último recurso que Kuma pusiera en sus manos... Y en los ojos de Renato se enciende como una llamarada de colera violenta:
—¡Basta... basta! Estoy harto de tus manejos. No se da un paso en esta casa sin tropezar contigo. No conozco nada más odioso qué una sirvienta entrometida, y tú eres peor que eso. ¿Cuándo vas a dejarme en paz? ¿Cuándo vas a-no ocuparte más .de mí?
—¡Es usted el más ingrato de los hombres! —estalla Yanina, roto ya el freno de la compostura—. Todo lo que le pasa, todo, lo tiene perfectamente merecido.
—¿Qué... ? ¿Qué quieres decir?
—¡Lo que he dicho! Peor para usted si no lo entiende. Todo el mundo lo sabe, menos usted mismo... ¡Suélteme... déjeme salir! ¿No quiere que me vaya? ¡Pues me iré ahora mismo. .. me iré a donde no vuelva a verme nunca!
—Ahora no te vas sin decirme lo que empezaste. Acaba, habla, dilo todo. Vomita de una vez el veneno que tienes dentro, escupe la hiél que destilas... ¡Dime qué es lo que me pasa, qué es lo que saben todos! ¡Habla de una vez o . .! —En el forcejeo en que se hallan trabados, ha caído al suelo, estrellándose, el frasco que Yanina guardaba celosamente en su pecho, y Renato pretende saber—: ¿Qué es eso? ¿Qué es lo que tenías escondido?

—¡Suélteme... déjeme! ¡No era nada.. .! ¡Una medicina...!
—¡Mentira! Un brebaje inmundo. Seguramente, un bebedizo de hechicería. ¡Era lo único que te faltaba para estar completa! Con razón le dije a mi madre lo que le dije. Eres lo que siempre pensé, lo que me pareciste desde el primer día... Y ahora sí vas a irte, ahora saldrás de esta casa para siempre, y sabe que si engañaste a mi pobre madre, nunca me engañaste a mí...
—¡No! ¡A usted sólo lo engañó ella! —escupe Yanina furiosamente fuera de sí—. Ella... ella, sí. Pero a ella se lo perdona usted todo porque ella...
—¡Dios mío... Dios mío.. .1 —la interrumpe Ana, que llega gritando. Y al ver a Renato, exagerando la farsa, exclama—: ¡Ay, señor Renato! ¿Dónde está la señora Sofía? ¡La señora Aimée va a matarse... la señora Aimée va a matar al niño!

Renato ha soltado violentamente las muñecas de Yanina para volverse hacia la torpe doncella que gesticula y grita. Un instante la mira sin comprender, aun tenso de indignación y cólera, contenido con esfuerzo el impulso de apartarla de Un manotazo, mientras, libre de las manos que la sujetaban, Yanina aprovecha el momento de huir.
—¡Ay, señor Renato, no la deje ir! —clama Ana fingiendo que llora a gritos—. Dice que se va con usted a caballo, que no le importa matarse ni que se pierda el niño. -.
—Pero, ¿qué idioteces dices?
—Está como loca, mi amo. Ella misma se vistió, se puso sus botas, sus espuelas y su falda de andar a caballo, y mandó a Bautista que ensillara el caballo que la señora Sofía no quiere que ella monte nunca, y ahora... Pero dice que no le importa morirse, que no le va a hacer caso a nadie, a nadie... ni a usted tampoco, señor. Porque dice que usted la ha ofendido... Y ya va usted a ver cómo se pone la señora Sofía si se pierde el niño... Porque la señora Sofía...
Renato no ha esperado a oir más las estudiadas lamentaciones de la nativa sirvienta, con pasos rápidos sale en busca de su esposa, gritando:
—¡Aimée... Aimée... ¡

Aimée le ha oído, lo ha visto, pero no responde. Todo lo tiene previsto y medido, y vuela, más que corre, hasta el patio posterior de la casa, frente a cuya escalera aguarda ya ensillado el alazán de Renato... Ha saltado sobre la silla, dominando su momentáneo espanto, agarrándose a las crines al mismo tiempo que arrebata las riendas de manos de Bautista, el cual grita apurado:
—¡Señora Aimée! ¡Este es el caballo del señor! Un momentito...
—¡Suelta! ¡Suelta, imbécil...!
—¡Sujeta ese caballo, Bautista! —ordena Renato acercándose presuroso—. ¡Aimée... Aimée.. .! ¿Estás loca? ¡Vas a matarte de veras! ¡Sujeta las riendas! ¡No lo hagas galopar así! ¡Aimée.. .! ¡Pronto, otro caballo! —grita Renato—, ¡Esa estúpida va a matarse!
—Será peor si la persigue —advierte Bautista—. ¡Déjela, señor! ¡Si corre en otro caballo, detrás del alazán, hará que se desboque!

Renato ha corrido al encuentro del otro alazán, que apenas puesto el freno ha escapado de manos de los que pretendían ensillarlo, y, agarrándose a las crines, salta ágilmente sobre el lomo desnudo... Golpeando con furia a su montura, sueltas las bridas, hace volar al noble bruto, tras aquel otro caballo del que ya sólo una nube de polvo se divisa por el camino de la montaña...
En la puerta misma de aquella Ermita, mandada construir catorce años atrás, allí donde Íos ásperos cerros se dividen para formar el desfiladero, doña Sofía se ha detenido, sobrecogida como por un presentimiento. Ha terminado aquella misa que hace decir para escucharla a solas, como un postrer tributo al que fuera en vida señor de Campo Real... Apenas una vieja vecina rezadora, el encargado de la limpieza y el muchacho que hace de monaguillo, han asistido junto con la pálida y severa señora... Ahora, todos se han ido. Ella está sola, temblando sin saber por qué, mirando sin acabar de comprender lo que sus ojos ven, mientras el sacerdote, llegando sólo .para ese día, se acerca a ella e inquiere con gesto de extrañeza:
—Doña Sofía, ¿qué ocurre allí?
—Yo misma quisiera saberlo. Padre... Corre un caballo... Sube la cuesta a galope tendido... ¿Ve aquella nube de polvo en el camino de los cafetales? Es un caballo que parece correr desbocado...
—Y el jinete... el jinete juraría que... Sí, efectivamente... Es una dama... es una mujer la que va montada en ese caballo... ¿No ve usted la falda, doña Sofía?
—¿Una mujer? ¡Pero no es posible! A menos que Mónica...

—Mónica está en su convento, doña Sofía —advierte el Padre Vivier—. Pero esa falda... Acaso su nuera...
—Tendría que estar loca... Mi nuera aguarda un hijo...
—El caballo parece ser de mucho brío. Sea quien sea, es una verdadera locura... ¡Oh, mire, otro caballo! Otro jinete... ¡Allí...!
—Si... Parece que la persigue... ¡Es Renato! ¡Es mi hijo! ¡Quiere cerrarle el paso! ¡Mírelo! ¡Se ha metido a campo traviesa' por los sembrados!
—Pero ella lo esquiva... ¡Oh, qué locura! Ha tomado, la ladera de los riscos... Pero, ¿qué es esto? ¡Tiene que haber perdido la razón para...!

Han corrido hasta donde la roca cortada a pico es como una terraza-sobre el abismo... Ya todo está lo bastante cerca para que puedan verlo los ojos desorbitados de Sofía...
—¡Aimée.. .! ¡Es Aimée, sí! ¡Ha soltado las riendas. Padre! ¡Mire... Mire... No puede dominar el caballo! ¡Se abraza al cuello, se agarra a las crines! —gritando desesperada, exclama—: ¡Alcánzala, Renato, sujeta ese caballo, deténlo...! ¡No lo dejes seguir, córtale el paso... córtale el paso... 1 —Un verdadero aullido de espanto es el que brota de su garganta, al advertir—:¡Se va por el lado del precipicio...! ¡Oh...! ¡Renato... Renato...!
Al borde de los riscos, contenido milagrosamente por un brutal tirón de las riendas, que hacen doblar sus cuartos traseros, Renato ha detenido al alazán que monta, saltando a tierra con un impulso de horror, para asomarse tembloroso al fondo del abismo...
A lo lejos, el valle entero de Campo Real parece hervir. Por .todas partes, de todos los caminos surgen rostros oscuros, se alzan cabezas estremecidas, se agitan cuerpos sudorosos, corren pies apresurados... Todos los ojos tratan de ver, todos los pasos van al mismo sitio: la desnuda montaña del desfiladero, la pared de riscos cortada casi a pico, el borde de aquellas rocas erizadas como puñales, frente a las que, como si también fuese de piedra, Renato D'Autremont quedara detenido...
—¡Renato... Renato...! —llama doña Sofía, acercándose alteradísima en compañía del sacerdote.
—¡No mires, madre, no mires!

Renato ha sujetado a doña Sofía, empujándola hasta las manos del sacerdote, que también la sostiene, y otra vez se inclina con el horror reflejado en su pálido rostro... Ramas rotas, arbustos semiarrancados, piedras arrastradas en la caída de los dos cuerpos que rodaron por allí, y en el fondo espantoso, contra el reborde inaccesible, una sangrienta masa inmóvil...
—¡Bautista... Bautista...! —llama Sofía, desesperada—. Busca cuerdas... escaleras.-Llama gente. Hay que bajar ahí... puede que aún viva...
—No, madre, es imposible, no puede vivir... ¡Nadie puede estar vivo ahí...!
—De todas maneras, hay que bajar. Es una D'Autremont. Su cuerpo no puede quedar ahí... su cadáver no puede podrirse como el de un animal, en el fondo de esos riscos. Iba a darte un hijo, Renato, iba a darte un hijo... ¡Tiene derecho a sepultura cristiana, cuando menos! ¡Hay que rescatar su cadáver!
—Tienes razón, madre. Bajaré yo mismo.

Largas horas ha durado el rescate... Desde lo alto de las montañas del desfiladero se ve al sol hundirse en el mar como un disco de cobre hecho ascua viva. En camilla de ramas van los despojos fríos de la que fuera belleza espléndida, y sobre el rostro desfigurado y rígido tiende su velo fúnebre la mantilla de blondas que en un último gesto de piedad extendieran las manos de Sofía... Ahora, las cumbres quedan silenciosas; aquel hervir de rostros oscuros y de cabezas estremecidas que trepó la montaña, marcha apretado y silencioso hasta la suntuosa morada de piedra y mármol, y la negra resaca va lentamente llenando los jardines, envolviendo las amplias galerías. Sólo una mujer no ha marchado detrás de, todos, sólo una figura temblorosa se asoma una y otra vez al borde del abismo, sólo unos pies tuercen el rumbo para llegar hasta la puerta de la casucha medio en ruinas, donde otra mujer color de ébano aparece aguardarla, inmóvil y rígida tras la puerta desvencijada. Y frente a ella se doblan sus rodillas como si obedecieran a un rito, y se extienden sus manos en ademán de súplica infinita:
—Kuma... Kuma... Ella está muerta.'.. Iba a morir y tú lo sabías. Tú viste sangre en el camino, sangre en la casa D'Autremont. Tú sabes, tú puedes, tú tienes poder, Kuma, ayúdame... ¡Sálvame a mí! Yanina contempla el rostro de Kuma, negro como la sombra; sus pupilas, prendidas en un brillo de alucinación, acaso de locura; sus gruesos labios, que muestran al abrirse los dientes blanquísimos, única luz entre tanta penumbra, cuando susurra:
—Malos presagios para la casa D'Autremont...
—Malos presagios, sí —acata Yanina aterrada—. Ya los vaticinaste, ya se cumplieron... ¿Es que no sabes? ¿Es que no entiendes lo que te digo? ¡Ella está muerta! Dijiste que alguien moriría, que habría sangre...
—Sangre en las piedras del desfiladero, como cuando murió el amo don Francisco... Pero él no cayó allí; quedó al borde' de los peñascos... Mis ojos lo vieron... mis ojos, que tantas cosas han visto...... Y escuché al amo renegar, maldecir, y luego suplicar como un niño. El murió lentamente; ella, de golpe, como el árbol que troncha el ciclón... Pero es lo mismo... Hay sangre en las piedras del desfiladero... Empieza a cumplirse lo que vi temblaren el humo... Pero todavía no es nada... Falta mucho más... Mucho más... Yo lo vi claro... Vi el Valle de Campo Real en ruinas, vi romperse la tierra, vi vomitar fuego las montañas, vi hervir el mar...
"Corría... corría... iba a hacer una burla, pero encontró la muerte... Estaba marcada por un sino, el sino negro, de los D'Autremont. Por eso resbalaron- las p a t a s del caballo, por eso rodó al fondo del abismo, ese abismo que un día ha de abrirse para tragárselos a todos. .. Como partida por un rayo se abrirá la montaña, y saldrá del corazón de la tierra una nube negra, mortífera...
—¡Basta ya! Vuelve en ti; estás delirando. ¡Abre los ojos, Kuma, mira... mira! ¡Kuma... Kuma, estás loca.. .!

Desesperadamente ha ido Yanina hacia la oscura profetisa y con manos trémulas la sacude, la zarandea con el brutal impulso de su angustia, clavándole las uñas en la oscura piel, y al fin la extraña mujer se estremece como si despertara, y de sus ojos se desvanece la visión de horror. Ya es' otra vez la vieja curandera, astuta conocedora de todas las yerbas del monte, la sierva de los D'Autremont a quien también llega la consternación de todos:
—Yanina, ¿qué quieres? Ahora ella está muerta... se apagó el sol que te oscurecía...
—¡Pero el amo Renato no querrá verme más! Me desprecia, me aborrece, y todo por ti, por ti... por el bebedizo que me diste, por el frasco que se rompió a sus pies... Pero tú tienes poder, Kuma, tú viste el porvenir... Por eso vine a buscarte, porque creo en ti... ¡Ayúdame, Kuma, dame un amuleto, haz una oración por mil Tengo que volver...
—No vuelvas... Olvídalo... no te acerques a él, o compartirás su negro destino. Antes dijiste que eras mi amiga, que creías en mí. Si es cierto, sigue mi consejo: toma el primer camino que te aleje de Campo Real, y olvida a tu amo. ¡Olvídalo!
—¡Más fácil sería olvidarme de mí misma. Preferiría secar la sangre de mis venas, arrancarme la piel, que mis ojos no vieran más luz del día... Tú puedes hacer que me ame... Antes lo dijiste: se apagó el sol que me oscurecía.' Ella encontró la muerte...
—Sí, encontró la muerte... por jugar, como tú, contra su destino... Encontró la muerte, porque alguien empujó su caballo... Por última vez té lo digo: apártate de Renato D'Autremont, su nombre está maldito...

Lentamente, Renato D'Autremont ha alzado la cabeza, mostrando la ancha frente largo rato abatida entre las manos... Desde que regresara tras •el cuerpo muerto de Aimée, se ha refugiado allí, en el fondo de aquella biblioteca donde cuatro generaciones de D'Autremont amontonaron papeles y libros... Como un animalejo en una cueva, se ha hundido en la vieja butaca que fuera de su padre, y ha quedado inmóvil como si buscase, en el fondo de los horribles acontecimientos, una razón que ante sí mismo le justifique. Aun lleva las ropas sucias y desgarradas con que descendiera hasta el mismo fondo de la grieta, desgarrándose las manos por las paredes cortadas a pico, haciendo por la mujer muerta lo que no hubiese hecho por la mujer viva. Ahora, por primera vez, busca en los ojos del antiguo servidor apoyo y simpatía, aunque su largo silencio le impacienta...
—¿Qué quieres, Bautista? ¿Qué vienes a decirme? Si es un recado de mi madre, dile que no me hallaste.
—Venía sólo a saber si el señor quería bañarse y vestirse. Han empezado a llegar gentes. Un jubileo se volvería esta casa si la señora no hubiese dicho que ya no quería avisar a nadie. No quiere que venga gente de Saint-Pierre a opinar y a decir cómo fue y por qué fue el desgraciado accidente.
—Si... Mi madre está en todo. Supongo que debo estarle enormemente agradecido, y que debo estimarle el favor de no haberme hecho hasta ahora ningún reproche.
—Las cosas son tal como se las pintan, y, por mi parte» puede el señor estar tranquilo. De mi boca no saldrá una palabra que no deba salir. Fiel como un perro.... y llegó la hora de probarlo. los D'Autremont pueden contar conmigo y con las gentes que yo he traído aquí... El momento es amargo para el señor, pero no quisiera dejarlo pasar sin decirle que también la pobre Yanina es fiel a esta casa, y lo será siempre... Ella me dijo que usted la había despedido definitivamente, que la había arrojado de aquí...

Un recuerdo, que es como un chispazo, se enciende en la atormentada mente de Renato. Ha recordado las últimas palabras de Yanina, la violenta escena en que la despidiera, aquella frase una vez más trunca: la posible revelación de aquel delito que todos, menos él, sabían. Y con repentina impaciencia, se alza, tomando el brazo de Bautista:
—Haz venir a Yanina. Búscala... llámala... Pronto, la necesito... ¡Tráemela, Bautista ¡
—¿El señor me ha mandado llamar? Yo ya me iba. El señor me echó antes y...
La mano de Renato, fina y firme, ha caído sujetando el delgado brazo... Sus labios se aprietan hasta ser sólo una linea roja sobre el rostro extraordinariamente pálido, en las pupilas verde-azules hay una chispa penetrante que al investigar parece que adivinan.
—Te he mandado llamar para que hables, Yanina. ¡Por la primera vez estoy dispuesto a escuchar lo que nunca te quise oír! Di cuanto sepas de ella... dilo, pero dilo sin ninguna vacilación, sin una sombra, sin una duda, sin una mentira. No calumnies a la que ya ha pagado con su vida sus posibles crímenes, porque es la tuya la que ahora está en juego. ¡Habla, Yanina, habla! ¡Dijiste que a ella se lo perdonaba todo... todo... todo...! ¿Qué es lo que tengo que perdonarle?
¿Por qué tiembla Yanina? ¿Por qué, bajo la presión de aquellos dedos duros y finos, se estremece su carne como bajo un tormento inefable? ¡Cuánto ha anhelado estar así, cerca de él, muy cerca, bajo el fuego de aquellas pupilas! ¡Cuántas veces se ha mordido los labios hasta hacerlos sangrar, para no gritarle a Renato D'Autremont cuanto sabe de Aimée, cuanto han visto sus ojos, cuanto han escuchado sus oídos! Pero ahora tiembla hasta doblársele las rodillas, y la voz, en su garganta, es un susurro al decir:
—Pero... ella está muerta, señor... Yo no debo decir...

—¡Te estoy ordenando que hables, Yanina! —se enfurece Renato.
—Ahora no puedo, señor —protesta Yanina con voz trémula—. Ahora, ella está ahí, sobre la colcha de raso de su cama de novia... Rígida, fría... Su cuerpo, al caer, fue desgarrándose en las rocas... Su hermoso cuerpo blanco...
—Sí... Sí... —se exaspera Renato—. Ya sé que está ahí... Ya sé que mirarla da horror... Pero, ¿no comprendes que, por lo mismo, necesito saber? ¿No comprendes que pienso que bien puedo ser yo quien la hice morir? ¿No lo has visto? ¿No lo has oído? Las medias palabras, las miradas recelosas... ¿No has visto que el padre Vivier me esquiva, que mi propia madre evita mirarme, que hasta mis criados se alejan de mí? ¡Fue por culpa mía... ¡ Ahora todos lo dicen en voz baja; pronto, tal vez lo griten y tendré que oírlo. Pero quiero que, al menos en mi conciencia, no resuene ese grito... Quiero saber que fue mala, que fue traidora, que fue desleal... -¡Lo fue, señor lo fue!
—¿Estás segura? ¿Lo sabes bien? —persiste Renato, acorralando a la mestiza con sus preguntas—. ¿Por qué no me lo dices? ¿Qué es lo que, según tú, todos murmuran? ¿Qué es lo que saben todos, menos yo mismo?
—¡Renato... hijo.-.! —llama Sofía que, al buscarlo, se acerca, y sorprendida al principio y severa en seguida, exclama—¡Oh! ¿Qué haces aquí, Yariina? ¿No hay nada que hacer en la casa? Te di una tarea para cumplir... Ve a lo que te he mandado. ¡Ve inmediatamente!
—Yo la mandé llamar, madre —intercede Renato—. Necesito hablar con ella... ¡Espera.. .!

—No esperes... ¡Ve! —ordena autoritaria Sofía. Y suavizándose al dirigirse a su hijo, explica—: Si tú necesitas hablar con alguien, hijo, que sea conmigo...
—¿No comprendes, madre? —se desespera Renato—. Necesito saber...
—Sabrás, pero no de labios de Yanina. No es digno de tí. Sabrás, para que no te falten las fuerzas; sabrás, para que tengas todo el valor y toda la serenidad que necesitas, para que puedas levantar la frente cuando la calumnia quiera herirte o cuando te echen en cara lo que hiciste...
—¿Qué? Yo no quise...
—Ya sé que no quisiste; ya sé que sólo tratabas de detenerla, de impedir el accidente que ella buscaba premeditadamente, que ella había preparado y urdido... Tú querías cerrarle el paso... A campo traviesa corriste atravesándote en el que ella había pensado seguir, y entonces aflojó las riendas, se agarró a las crines, perdió la cabeza, y la bestia, enloquecida, la llevó hasta el lugar más peligroso, donde halló la muerte...
—¡Madre, me estás acusando... ¡

—Te estoy diciendo lo que dirán los otros... lo que tu propia conciencia te dice ya... Y también te diré lo que quieres oir: No era digna de ti...
—¡Oh! Entonces, ¿tú sabes, tú sabías...?
—Sé que era interesada, ambiciosa, mezquina... Sé que se casó por cálculo, que nunca te quiso; que no se detuvo, para defenderse, ni ante la calumnia ni ante la intriga... Era dura, insolente, liviana...
—¿También liviana? —se revuelve Renato con ira—. ¿Por qué no lo dijiste cuando vivía? ¿Por qué?
—Porque creí que iba a darte un hijo, y sólo por eso podíamos perdonárselo todo.

—¿Creías? ¿Creíste? Eso quiere decir... ¡Acaba, madre! ¡Dilo todo de una vez! Ese hijo... ese hijo, ¿de quién era?
—De nadie, Renato... ese hijo no existía... Lo inventó para asegurar su posición en esta casa, para que yo la defendiera aun contra ti mismo. Seguramente confió en que su mentira se volvería realidad. Para lograrlo, te buscó inútilmente...
—Pero, ¿cómo supiste? ¿Quién te dijo... ?
—El médico que vino para certificar su muerte... Lo obligué a comprobarlo... Se lo exigí. Quería saber la verdad, era preciso... No habría podido volver a mirarte, no hubiera podido acercarme a ti con la duda de que en el fondo de aquel abismo se extinguía también aquella vida latente que era mi última ilusión. Quería estar segura, y acaso hubiera llegado a maldecirte... Menos mal que Dios no lo quiso; que, al fin, tuvo piedad de mí...

Un instante ha vacilado Sofía, como si de repente le faltaran las fuerzas. Sus manos crispadas se aterran al borde de la mesa cargada de papeles y libros, y un sollozo escapa de su garganta, mientras Renato la contempla sereno y sombrío, al afirmar:
—Sólo quiero saber toda la verdad, madre... Hay algo más, estoy seguro. Antes dijiste que era liviana... ¿Por qué lo dijiste? No la maté queriendo; pero quiero, exijo saber si hubiera tenido el derecho de matarla. Si tú no lo sabes, preguntaré a los que lo sepan, obligaré a que hablen las que callan: Yanina, Ana...
—Basta, Renato. Ahora no puedes hacer nada de eso... Ahora nos quedan muchos deberes que cumplir, y vamos a cumplirlos. Ven conmigo...


7


SOBRE LA COLCHA de raso de su lecho de novia, vestida con aquel blanco traje de encaje chantilly que Sofía D'Autremont hiciera llegar para ella desde Francia, cruzadas las manos sobre el pecho en un último gesto de falsa devoción, Aimée de Molnar parece, más que muerta, dormida... Una extraña paz ha caído sobre su rostro helado. Las hábiles manos, de Yanina han arreglado sus negrísimos cabellos, disimulando aquella horrible herida que va de la frente a la mejilla, y, poco a poco, de todos los rincones del valle van llegando para ella las llores más lindas. En el salón esperan los grandes candelabros de plata, el catafalco solemne, la caja forrada de brocado, los enormes cirios... Y toda la casa va llenándose de aquel olor a incienso, a cera y a espliego que mata el olor pagano de las rosas, y aquel perfume a nardos de que están impregnados sus vestidos...
Yanina parece estar sola en aquella estancia... Sola frente al cadáver de aquella mujer tan profundamente aborrecida... Pero otra sombra se mueve en un rincón, otra oscura cabeza se estremece como al impulso de sollozos ahogados, y a ella van, sagaces y crueles, los ojos de Bautista, al preguntar en voz baja y mal intencionada:
—Es Ana, ¿no? Ya puede llorar todas las lágrimas de su cuerpo... Mucho va a echar de menos a la señora que la protegía...
—Déjala en paz, tío —casi suplica Yanina—. ¿Qué va usted a hacer con ella?
—Yo no... el amo... Oí hablar al amo con la señora Sofía, y no le arriendo la ganancia a esa maldita. Ahora, ven conmigo... Te necesitan en el salón...

Ana ha alzado, temblando, la oscura cabeza... Desde el rincón en que se oculta, ha visto, ha oído... Sin levantarse, como un animalejo, se arrastra hasta la puerta; con ojos agrandados de espanto mira alejarse las sombras de Bautista y de Yanina, y con voz ahogada de terror murmura como para sí:
—¡Van a matarme... Van a matarme a mí también! Sus rizados cabellos se erizan, sus mejillas tienen un gris color de ceniza... No hay nadie en el pasillo ni en la galería... Del salón llegan ruidos apagados se escucha rosar de carruajes sobre las enarenadas veredas del jardín... Conteniendo el aliento, Ana gana la escalera más próxima; adherida al muro, ahogando con la mano el sollozo que pudiera escapársele, se aleja sin ser vista, llega al primer macizo de arbustos, aguarda unos instantes, mientras el corazón se desboca, y corre al fin, enloquecida, con toda la fuerza del instinto...
—La aguardaba, Sofía. La aguardo desde hace varias horas. Llegué a pensar que se había usted olvidado de mí...

La noble figura del sacerdote, que va a su encuentro, ha estremecido a Sofía D'Autremont con el escalofrío de una nueva angustia. Hace horas que le esquiva... Casi había llegado a olvidarle unos momentos antes, o al menos pensar que era más fácil evadirle... Pero le basta hallarse frente a aquella mirada penetrante, frente a aquel rostro enérgico, ahora contenido y sombrío, para medir la dura lucha que se avecina, e intenta disculparse:
—Dispénseme, Padre Vivier... He tenido que dar tantas órdenes, que resolver tantos pequeños problemas...
—Son los grandes problemas los que deberían ocupar en estos momentos toda'su atención, Sofía, y "yo habría podido ayudarle. ¿Por qué me ha retenido inútilmente entre estas cuatro paredes? Si me hubiera dejado partir a tiempo, las Molnar ya podrían haber venido... ¿Por qué se empeña en retrasar lo inevitable?
—Y usted, padre, ¿por qué quiere aumentar el tormento de mi hijo?

—Cuando las cosas son precisas, vale más afrontarlas cuanto artes, y el mayor tormento que en estos momentos puede tener Renato D'Autremont es su conciencia misma. Su imprudencia, si fue imprudencia realmente, tiene verdaderos ribetes de crimen. .. Y si fue algo más... Los celos, la soberbia, la ira, son pecados mortales, señora... Desdichada el alma que entre ellos se agita, infeliz el corazón que busca el orgullo como escudo...
—Le ruego me haga gracia de sus sermones en este momento, Padre. Estoy desesperada...
—Lo comprendo así.... Sé lo que el corazón de una madre puede llegar a sufrir, pero también sé que el camino del deber, por estrecho que parezca, es el único que puede seguirse... ¿Dónde está Renato?
—No le hable ahora, se lo suplico. No puede más... Se siente como enloquecido. Tiene usted razón al decir que el mayor tormento que puede sufrir, ya lo está sufriendo en su conciencia. .„ Hay que tener piedad de él, Padre, hay que ayudarle en estos momentos... ¿Cómo piensa usted que puede sentirse después de haber bajado al fondo de aquella grieta, de haber rescatado por sí mismo el cuerpo de su esposa? La presencia de las Molnar será terrible para él...
—Ya no pueden tardar, ¿verdad? ¿A qué hora envió el mensajero?

—Padre Vivier, creo haberle dicho ya que consideraba suficiente con que recibieran el aviso mañana —explica Sofía refrenando su impaciencia a duras penas—. La presencia de ellas aquí...
—¿Pretende usted burlarse de mí, Sofía? ¿Me ha retenido con falsas promesas para llegar a decirme una cosa semejante? ¿Qué pensaría si su hijo hubiese muerto y alguien le impidiera acercarse a su cadáver para darle el último beso de despedida? Eso es lo que está usted haciendo, no tiene derecho... Por mucho que quiera defender a su hijo...
—Oh... Renato... —se sorprende Sofía al ver llegar a su hijo. Y dirigiéndose al sacerdote, se angustia en un ruego—:
Le suplico.. .

—Oí claramente las últimas palabras del Padre Vivier, madre —explica Renato, sereno y tranquilo al parecer—, y creo que, sin oir las anteriores, adivino lo que ha querido decir... Se refiere a las Molnar, ¿verdad? Y la razón está de su parte... Deben venir, deben venir cuanto antes... ¡Mándales inmediatamente un aviso!
—¿Quiere decir que aún no lo han hecho? —se extraña el sacerdote—. ¡Es el colmo, Sofía! Le aseguro que en este instante, yo mismo...
—No es preciso —interrumpe Renato—. El Padre Vivier tiene razón, madre. Ellas tienen derecho a estar aquí. —Y alejándose algo, alza la voz para llamar— : ¡Bautista... Bautista! ¡Ven! Envía inmediatamente al hombre de más confianza que halles disponible, en el mejor caballo de la casa, a dar aviso a Catalina de Molnar de cuanto ha pasado aquí...
—Ya no hace falta —rechaza el Padre Vivier—. Puedo ir yo mismo. Si su madre de usted no me hubiera detenido, ya estarían aquí. Pero yo, en este momento...
—Mi mensajero es más rápido —asegura Renato—: pero haga lo que guste. Padre... CON. su permiso...
—¡Renato... Renato.. .! —murmura Sofía. Y suplicante, le pide al sacerdote—: Vaya con él. Padre... Tranquilícelo, conforte su corazón... ¿No se da cuenta de cuánto sufre?
—Si... Ahora sí... —acepta el Padre Vivier, ya humanizado—: Voy con él, Sofía...

La mano fina y blanca de Sofía se ha apoyado en el hombro de su mayordomo, mientras sus ojos miran alejarse al Padre Vivier, que ha salido detrás de Renato, y es como un alivio el apoyo que le presta aquel duro brazo leal, cruel para los demás...
—¿Envío al mensajero en el mejor caballo de la casa?
—Puesto que no hay otro remedio, envíalo...
—Bien, señora. —Y con rabia repentina, estalla—: ¡Yo sé bien que esa mujer merecía mil muertes! Si la señora me diera carta blanca...
—¿Qué harías, Bautista?

—Defender al amo con la verdad, señora. Buscar pruebas, conseguir testigos... ¡No me dieran a mí más trabajo que sacarle a Ana lo que sabe de su señora! Si le hiciera yo hablar, si el señor pensara que tuvo razón para matar a la señora, se aliviaría.
—¡El no quiso matarla! ¡No lo repitas! Busca a Ana y tráela aquí... Creo que diste con el arma que necesito... Sí, Bautista, defenderé a mi hijo, le -defenderé hasta contra sí mismo. Envía a Cirilo con las Molnar, y busca a Ana... Te esperaré aquí... Hablaré con ella, la obligaré a decirme...
—Si usted me lo permite, yo sé bien cómo soltarle la lengua a esa canalla... Puede que esté escondida.';-. Cuando no se tiene la conciencia limpia...
—¿Qué quieres decir? ¿Te imaginas que Ana escapó?
—Razón tendría... Pero no se preocupe la señora... Sé cómo dar con ella... En Campo Real es más fácil entrar que salir, y no hay palmo de tierra en el valle a donde no llegue la mano de Bautista...

Sin avisar a los sirvientes, saboreando de antemano la dicha de poder dar rienda suelta a su crueldad, Bautista se ha dirigido al último barracón de las cocheras y las cuadras, aquél en que, por esta noche, están encerrados los mastines...
—¡León, aquí...! ¡Quieto, Leal! ¡Silencio, Mastín! Cuidadosamente los ha escogido. Son los tres más fuertes, los mejor entrenados para la vieja misión de descubrir esclavos fugitivos. No importa que un decreto haya hecho libres a los oscuros siervos de Campo Real. Los usos no cambian, las costumbres son las mismas... Rápidamente ata los tres mastines a una sola traílla, busca un pesado látigo entre los que cuelgan a lo largo de la pared, y parsimonioso enciende su pipa. ..
—¡Tío Bautista! ¿Qué va usted a hacer? —indaga Yanina, acercándose alarmada—, ¡No irá a buscar a Ana con los perros! ¡Oh, es horrible! ¡La morderán, la destrozarán con los colmillos!
—Te has vuelto muy compasiva, Yanina —desprecia Bautista socarrón—. Vuelve a tus obligaciones, no te metas en esto... Tengo permiso para hacer cualquier cosa con tal de dar con ella. Prometí que la encontraría, y voy a traerla, ¿sabes? ¡Voy a traerla, muerta o viva!
De un manotazo, Bautista ha quitado de en medio a Yanina... Ha salido, lleva en la mano un pesado látigo, y sujetando fuertemente a los perros, corre con ellos hasta el extremo del jardín...
Ya están en el campo libre... Sujetos por la correa, tiemblan y saltan impacientes los tres feroces animales... Con trabajo los domina Bautista, mientras les hace oler una prenda de ropa usada por Ana... Como flechas, en todas direcciones, -han corrido los perros, saltando como demonios, olfateando el aire, las yerbas, los arbustos... Al fin, uno de ellos parece encontrar el rastro deseado...
—¡Bravo, León! ¡Aquí, Leal... Mastín...! ¡Quietos... Quietos... ¡

Un hombretón, más negro que la noche, surge tras Bautista... Lleva el tosco traje de dril de los guardianes del valle, altas botas cubren sus piernas, una canana le cruza el pecho de gigante, y sus rudas manazas empuñan una escopeta... Tan fiero y obediente como los mastines, se mueve a la voz de Bautista, que ordena:
—¡Francisco, ven detrás de mi!
Ana ha caído en medio de la desvencijada cabaña, agarrándose a los vestidos de la curandera, que apenas acierta a cerrar la puerta tras ella...
—¡Escóndeme, Kuma, me buscan, vienen detrás de mi! ¡Cierra la puerta, la ventana... tapa la rendija, apaga la lumbre! ¡Que no me encuentren... que no me encuentren! —implora la asustada Ana, muerta de miedo.
—¿Te volviste loca? ¿Por qué llegas asi? ¿Qué pasó? ¿Quién eres? —interroga Kuma desconcertada.
—El Bautista me anda buscando con los perros... Yo oí el ladrido, sí. Los soltó... los soltaron allá abajo, y entraron por los cafetales, por las barracas grandes. Yo sabía... yo sabía que me querían matar... Por eso no quería venir para acá. ¡Ay, Señor! No hizo sino morirse la señora Aimée, y él detrás de mí... ¡Ay, ay, ay... ¡
—¡No grites! ¡No grites! ¿La señora Aimée, has dicho? Tú eres la doncella de la ama Aimée, tú fuiste la que llegaste aquí con ella, ¿verdad? ¡Ya decía yo que te conocía!
—Sí... sí... y me quedé en la puerta mientras el ama te decía... Yo no sé lo que te decía, pero te dio dinero, yo sé que te dio dinero. Y si me agarran con los perros, y yo digo que él ama te dio dinero a tí, y que tú ibas a ayudarla... ¡Ay, Dios mío! El Bautista me mata y te mata, Kuma... ¡A tí también te van a matar.. .!

Kuma ha vuelto temblorosa hacia la puerta y ha espiado por la estrecha rendija. Luego, con disgusto, se vuelve a la gesticulante Ana:
—¡Nadie viene detrás de ti! ¡Creo que estás loca! ¡No grites!
—¡Yo no hice nada, pero el Bautista me la tiene jurada, y ahora va a matarme y a matarte a ti! Tú tienes poder... si, ahora me acuerdo... El ama dijo que tú tienes poder. ¡Manda un espíritu para que acabe con los perros! Hazle el maleficio, Kuma, hazle el maleficio al Bautista... ¡Que se le rompan las piernas... que se le salten los ojos... que se caiga muerto en medio del camino... que los perros lo muerdan a él... a él... ¡
—¡Que te callaras, dije! Si das otro grito, es a ti a quien te hago el maleficio: ¡te convertiré en sapo, en piedra, en lagartija...!
—¡Conviérteme en cualquier cosa, pero que no me agarre el Bautista! —Y con repentina alegría, exclama—: ¡Conviértelo a él en sapo! Tú tienes poder, Kuma... Cuentan que una vez lo hiciste, que convertiste a un hombre en sapo... ¡Conviértelo a él en sapo!
—Bautista es blanco, y eso es muy difícil —rehusa la hechicera—. Además, tiene un amuleto con un poder más grande que el mío. Pero yo voy a darte otro amuleto a ti, el mejor amuleto que existe. Cuando lo tengas en las manos, puedes salir tranquila, huir sin peligro.. .No va a pasarte nada. Yo te protejo, yo puedo... Siempre lo oíste decir, ¿verdad? Kuma tiene poder. Espera, espera... Yo te haré salir, yo te haré escapar, pero tienes que hacer lo que yo te diga. Espera... espera...

Temblando, Kuma ha ido hasta la puerta. Sobre el rostro color de azabache giran los ojos espantados, mientras su mente astuta mide el peligro, calcula, con su habilidad de vieja embaucadora, la credulidad de aquella infeliz que en medio de su choza tiembla de rodillas.
—Tienes que salir. Si te encuentran aquí, estamos las dos perdidas. Pero hay un camino por el que voy a llevarte, y el amuleto está aquí... aquí.
Ha tomado al azar un mazo de hierbas, el primero con que tropieza su mano, y lo aprieta contra el pecho de Ana... Luego la arrastra hasta una estrecha puertecilla que abre al otro lado de la cabaña, y ordena a la desesperada Ana:
—No tengas miedo... sal por aquí... y no te asomes al camino. Trepa por los riscos, y baja luego al desfiladero... Allí hay una cascada... Entra en el agua y sal por el otro lado... Tienes que entrar en el agua cada vez que la encuentres, para que el amuleto te sirva. Baja al fondo del desfiladero, entre las piedras hay un camino; agarrándote a las ramas llegarás abajo, al remanso del río. Entra también en el agua allí...
—¿Y si me lleva el río?
—¡Peor será caer en los colmillos de los perros! Pero no tiene por qué llevarte. Por ese lado no es hondo... Sigue por él todo el rato que puedas, y cuando salgas, que sea por la otra orilla. Y entonces corre, corre hasta el camino. Allí hay un puente, una cerca de piedra... allí se acaba Campo Real. Si llegas hasta allí, estarás salvada, estaros libre..!¡Anda.,. vete...!

Con mal contenido impulso violento, con casi irrefrenable impaciencia, ha hecho Kuma salir a Ana por aquella puertecilla estrecha, disimulada entre las mal unidas tablas de su cabaña; la cierra después, asegurándola con un tosco pestillo de madera, y se acurruca tras el horno de barro, rezando temblorosa:
—¡Que tu divina persona me proteja, señor de los tres poderes! ¡Por el agua y el fuego, por el cielo y la tierra!
—¡Por aquí se metió! ¡Estoy seguro! —se oye la voz de Bautista.
—¡Ampárame, señor de los tres poderes! —persiste Kuma cada vez más espantada—. ¡Ampárame con el primero de tus dones, que doma a las fieras! ¡Ampárame contra las uñas y contra los colmillos!
—¡Ahí está! —avisa Bautista. Y ordena—: Francisco, echa abajo esa puerta con la culata de la escopeta, ¡Pronto! ¡Sujeta los perros!

De un salto se ha trepado Kuma sobre la mesa, esquivando milagrosamente la primera embestida de los feroces animales. Bautista ha sujetado por el collar al más fiero de los tres perros, mientras los otros recorren la cabaña, olfateándola furiosamente, escarbando con las uñas el piso de tierra junto a la puertecilla por la que Ana acaba de escapar...
—Estuvo aquí, ¿verdad? —observa Bautista—. No lo niegues. ¡Mira cómo la huelen los perros! ¡Pobre de ti si la escondes! ¡Entrégala!
—¡No escondo a nadie! ¡Lo juro... lo juro! —protesta Kuma asustada—. Aquí entra y sale mucha gente... No sé de quién hablas... .
—¡Sí sabes! Sí sabes, porque ella venía huyendo. Es una doncella de la casa grande... ¡Si la ocultas, pagarás por ella!
—¡No me pegues... no me pegues! —se queja la hechicera espantada—. Ahora que dices... Una doncella de la casa grande, sí... Pero no entró... siguió corriendo hacia los barracones...

—¡Mientes! ¡No puede ser! ¡Por allí veníamos nosotros! ¿Qué es esto? ¡Ah, un pañuelo! ¡El que ella tenía en la cabeza! Estuvo ' aquí, y este pañuelo es de ella. ¡Contesta! ¿Qué es eso?
—¿Eso? Nada... Una puerta...
—¡Efectivamente! —confirma Bautista, abriéndola de una formidable patada—. Francisco, ve detrás de los perros. ¡Y tú, maldita embustera, ya volveré a darte lo que mereces!
Kuma se ha alzado con esfuerzo; dando tumbos, llega a la puertecilla, casi arrancada al golpe brutal que la abriera... Monte arriba, siguiendo el rastro que olfatean los perros, van' los perseguidores de Ana. Con gesto dolorido, lleva la mano al oscuro brazo, donde el látigo de Bautista dejara su sangrienta huella, y se crispan sus puños en gesto de fiera rebeldía, de odio africano, salvaje e intenso:
—¡Maldito! ¡Maldito de los pies a la cabeza! ¡Maldito tú y maldito el amo, a quien sirves! ¡Maldito Renato D'Autremont! ¡Malditos su nombre, su raza, su tierral ¡Que el fuego se lleve su casa y el viento su dinero! ¡Que se caigan sus árboles, que se sequen sus siembras, que no tenga nunca un hijo de su sangre, y que un bastardo le arrebate su herencia!

—¡Ay, ay, ay, señor Juan... señor Juan del Diablo! ¡Bendito Dios que lo encontré! ¡Qué desgracia, qué desgracia tan grande!
—Desgracia, ¿de qué? ¿Acabarás de hablar?
Desplomada en el centro de aquel vestíbulo, que es a la vez recibidor, despacho y biblioteca en la modesta casa del notario Noel, Ana trata en vano de explicarse frente a aquellos dos hombres que han cruzado una mirada sobre su cabeza, como dudando de la razón de aquella mujer trémula, gesticulante, desgreñada, con el roto vestido húmedo y, enfangado, demasiado cansada para tenerse en pie, demasiada asustada para hablar cuerdamente... -
—¡Ay, mi señor don Juan del Diablo ¡ ¡Ay, mi señor don Pedro Noel! No puedo más... me muero...
—¿Quieres decirnos qué te pasa, muchacha? —pregunta Noel— Tanto lamento sin explicación, se pasa de castaño oscuro...
—¡Ay, mi señora' Aimée... tan linda y tan buena ¡ Ella no quería hacerse asi... ella no quería hacerse eso... ¡Qué desgracia y qué injusticia! Y todo porque el amo Renato fue detrás de ella...
—¿Renato? —se extraña Juan sin comprender lo que trata de decir la mestiza.

—Sí... sí... ¿Para qué tenía que correrle atrás, así? Ella se iba a dejar caer despacito, suavecito; se iba a dejar resbalar del caballo allí mismo, frente a la casa de Kuma, pero él no la dejó coger ese camino... Se fue detrás de ella, corre que te corre, hasta que se desbocó el caballo, se le resbalaron las p a t a s... y ¡zas!, por allí se fueron... —Un momento se interrumpe Ana, y de pronto empieza llorar desesperada—. Por eso... por eso me hicieron lo que me hicieron, porque ella estaba muerta...
—¿Quién estaba muerta? —pregunta Juan.
—¿Quién va a ser? Mi señora Aimée... ¡Linda como una virgen, con su traje blanco y su velo... ¡
—¿Muerta Aimée? —susurra Juan, anonadado—. ¿Dices que ha muerto Aimée?
—Empiezo a comprender —asevera Noel—. Seguramente ha sucedido un accidente, una desgracia en la que Aimée ha sido la víctima...
—Sí... sí... Con caballo y todo se fue al fondo del desfiladero —explica la compungida Ana—. ¡Yo no quise ver más! ¡Corrí y corrí.. .! Yo sabía que tenia que irme, y recogí mis cosas, porque el Bautista, el Bautista maldito... ¡Y ya usted ve,. ya usted ve lo que me ha hecho!

—¿Qué te ha hecho? —indaga el notario.
—¡Correr detrás de mí... soltarme los perros como si yo fuera un animal ¡
—¿Soltarte los perros? —se asombra Juan—. ¿Está usted oyendo, Noel?
—Es un lamentable procedimiento que, por desgracia, aún se usa, aunque lo prohiban las leyes—acepta Noel con tristeza—, Pero responde, muchacha, ¿por qué huíste?
—¡Porque me iban a matar a mí también!
—¿Por qué dices "también"? —observa Juan—. ¿Acaso Renato ... ?
—¡El tuvo la culpa de que la señora Aimée se fuera por el barranco! Le corrió detrás como un loco... la llevó hasta donde ya no podía correr y, claro está, se fue para abajo. Y luego, cuando yo estaba rezando despacito, oí que el Bautista se lo decía a Yanina... Y el Amo Renato mandó que me prendieran. .. Me matarán a palos para que yo les diga...
—¿El qué has de decirles? —pregunta Juan.
—¡Lo que usted sabe, señor Juan, lo que usted sabe! El señor Renato me matará a palos para que yo se lo diga a él, y luego me rematará para que no se lo diga a nadie más... ¡Escóndame usted, que es bueno, usted, que no le tiene miedo al amo Renato! ¡A poco me matan los malditos perros! ¡No deje que lleguen... no deje que me lleven! Yo me callaré todo lo que sé... todo, todo, si usted me defiende. ¡Escóndame, aunque sea en su barco..¡¡Déjeme con usted! No quiero que me maten... ¡no quiero!

Ha caído de bruces en el piso, llorando sin consuelo. Los dos hombres se miran en silencio. Juan_"ha palidecido, y tiemblan un poco las manos de Noel, mientras, del pecho de Ana sale la voz como un gemido:
—¡No deje que me maten, señor Juan! Si me agarran, me matan sin remedio... Escóndame aquí, déjeme aquí. Aquí no va a venir a buscarme Bautista con los perros, ni el amo Renato...
—Tal vez vengan. Ana, pero no por ti —augura Juan—. Cálmate... levántate... Busca a Colibrí y quédate con él. No te asomes si oyes gente extraña.
—Hijo, ¿qué te propones? —inquiere Noel.
—Nada. Darle asilo, puesto que tiene tanto miedo. Si el caballero D'Autremont es capaz de hacer perseguir con perros, como a una fiera; .si van a hacerle pagar con la vida el delito de saber lo que todos sabemos creo que es humano protegerla. No le falló el instinto viniendo a mí...
—¿Qué quieres decir?
—¿No lo comprende? Pronto Renato y yo estaremos frente a frente. Es inútil esquivar el destino... ¡El vendrá a buscarme, y yo haré que me encuentre!

Juan se ha erguido con aquel gesto altanero y decidido que es tan suyo. Apretando los labios, relampagueantes las pupilas, cerrados los puños poderosos, todo él repentinamente dispuesto para la lucha que pensó abandonar, y mientras los OJOS de Noel le observan admirándolo, al comentar:
—Pero te habías propuesto...
—¿Qué importan los propósitos? ¿No está viendo que ése es el camino que me marca mi estrella? Frente a frente estamos desde niños... ¿No comprende que por existir él, he pagado yo, al nacer, como un delito? Para que él durmiera en cuna de oro, para que él vistiera ropas de seda, para que la sombra de un dolor no empañara la suya, mi vida fue un infierno... Para proteger su infancia, el odio de Sofía D'Autremont me envolvió como una nube negra, y cuando quise a una mujer...
—Eso fue una casualidad, una desgracia, lo que tú Quieras. La que ha pagado con la vida sus locuras, es la única a quien pudieras hacer responsable...
—Ella me quería a mi... Frivola, desleal, hipócrita, embustera, fuese lo que fuese, era a mí a quien amaba. Pero él me la quitó... me la quitó sin saberlo. ¿Por qué? Por rico, por poderoso, por ser el caballero Renato D'Autremont, porque nuestro destino seguía cumpliéndose, y fue suya la mujer que en realidad era mía...
—No creo que perdieras nada con eso. Además, él quería ser tu amigo...

—¿Mi amigo? ¡Mentira! Su amistad era falsa, no salió nunca de su corazón... Entre las joyas y la fortuna del que fue nuestro padre, había heredado un remordimiento. Por librarse de él quiso ayudarme, pero me despreciaba, me despreciaba tanto que sólo por pensar que había sido capaz de amarme con amor de mujer, despreció también a Mónica de Molhar. En eso ya no fue inocente; allí cayó su máscara... Una Molnar enamorada de Juan del Diablo merecía mil muertes; merecía pertenecerme, como el peor de los castigos, y ése fue el que le impuso él. Me la arrojó en los brazos, como se arroja una carroña a un perro.
"Dispuso de mi vida,-como siempre. Pudo disponer, porque todo lo tenía: hasta el amor de Mónica. Y por ese amor, aceptó ella el sacrificio... cayó en mis manos como una perla que rueda al tango de la calle, desprendida de una diadema. Si ella me hubiese amado... Hubo una hora, Noel, un día, un momento en que nuestra deuda hubiese quedado saldada. ¿Sabe usted cuál fue? En la isla Dominica, cuando en los claros ojos de Mónica vi temblar un ensueño de felicidad. Era la estrella que brillaba en el fondo del pozo, el rayo de luz que iluminaba mis tinieblas, la flor que se abría junto a las rejas de mi cárcel... Era el premio, mi premio, pero él llegó para arrebatármelo también. .. Ella seguía amándolo a él, al rubio y dichoso caballero Renato D'Autremont, lo bastante veleidoso para quererla justamente cuando las circunstancias se la hacían imposible...
—Ella te fue leal, Juan, no olvides eso.
—Fue leal a sí misma, porque en ella no cabe acción baja o r a s t r e r a ... Pero, por él, se encierra en el convento; por él, deja consumirse su belleza entre cuatro paredes, y por él, para salvarle, para escudarle, junta las manos y me ruega que no le ataque, que no le hiera, que acepte vivir agonizando, como ella , ha aceptado morir en silencio para que Renato D'Autremont viva dichoso. ¿Y aún quiere usted que no sea un fermento de odio lo que se me suba a los labios sólo con pronunciar su nombre? ¿Aun pretende que puedo perdonar y comprender?
—Sólo te aconsejo que vuelvas la espalda a todo esto. El pasado, bórralo, Juan. Ya pasó, no existe...

—El pasado es lo único que tenemos. ¡Somos nosotros mismos huellas son de nuestro pasado, ideas, sentimientos... ¿Qué soy yo sino aquel niño sin ventura a quien Bruno Bertolozi nutrió con hiél y veneno para futuro castigo de su enemigo O triunfador, para venganza viva de su afrenta? Todo el dolor, y todas las-humillaciones, todo cuanto puede sufrir un niño en sualma y en su cuerpo, tuve yo que sufrirlo... ¿Cree usted que ya todo pasó? ¿De veras lo cree? Dígamelo mirándome a los ojos. Noel...
Pedro Noel ha bajado la cabeza. Luego, sigue la mirada de Juan que va hasta la puerta que lleva al interior de la casa, y que de pronto .se vuelve con gesto decidido...
—Juan, ¿dónde vas?
—No se alarme. Noel. Simplemente, a satisfacer una viva curiosidad. Quiero saber qué piensa, qué opina, qué siente Mónica de Molnar. Quiero saber si su amor es tan fuerte que ni la sangre de su hermana, que hoy salpica a Renato, puede acabar con él... ¡Quiero verla y oirla!

—Catalina... Mi pobre Catalina...
—¿Dónde está mi Aimée? ¿Dónde está mi hija? ¡Quiero verla, muerta o viva!
—La verás... La verás en seguida... Concédete un minuto para tomar aliento...
Ahogando con el pañuelo los sollozos. Catalina de Molnar se ha detenido, como si para tenerse en -pie necesitara reunir todas sus fuerzas, mientras la mirada de Sofía escudriña el vacío interior del carruaje, y su alma parece que respira, al comentar:
—¿No vino Mónica? ¿Estás sola, mi pobre amiga? Ya veo que el mensajero que mandé ha sido raudo. Le ordené no detenerse en el camino... Sin embargo, no pensé que pudieras venir tan pronto... ¿Qué coche es ése? Cirilo llevaba la orden de servirte... ¿A qué hora llegó?
—¡No llegó, no vi a nadie, no es por ti que recibí la noticia! ¡Tú no podías dármela... no podías! ¡Tenias que defender a tu hijo! ¡Ya sé que fue Renato!
—¿Has perdido la razón? ¡No repitas eso!
—¡Ella le engañaba, le burlaba, le mentía! ¡Tú lo sabes... lo sabes! ¡Tal vez piensas que toda la razón es de tu hijo! Yo no discuto, no busco razones... ¡Nada más quiero verla!¡Mi Aimée... mi niña... ¡ ¿Dónde está? ¿Dónde está?
—¡Catalina, espera... ¡ ¡Catalina... ¡

Sofía no ha logrado alcanzarla. Como enloquecida, .Catalina recorre las anchas estancias, las amplias galerías, los desiertos portales, la casa toda silenciosa y muda, sin que ni las manos ni la voz de Sofía alcancen, a detenerla, cuando de pronto, con odio y horror, acusa:
—¡Tú... Tú...! ¡Asesino!
—¡No la escuches, Renato! —suplica Sofía acercándose toda alterada—. ¡Detenla! ¡Que no la escuche nadie! ¡Ha perdido la razón... está enloquecida! ¡No sabe lo que dice!
—¿Dónde está mi hija? ¿Dónde?
—Ya descansa.., —murmura Renato con infinita tristeza.
—¿Bajo tierra? ¿Para siempre? —grita Catalina con el espanto reflejado en su blanco rostro—. ¡Sin dejar que yo la mirara, que yo le diera un beso de despedida! ¡Tú la mataste! ¡Tú la hiciste morir, Renato! Tal vez tenías razón... Tal vez tenias derecho... pero yo era su madre, ¡y te maldigo!

Renato ha retrocedido, tan pálido como si en sus venas no hubiese sangre, y Sofía da unos pasos hasta la baranda para mirar con ansia los grupos de amigos que vienen de la iglesia, y volverse a ,1a enloquecida Catalina:
—¡No grites así! ¡Vienen los extraños! ¡Por el propio nombre de tu hija.. .!
—Qué importa? ¡Todos saben que ha muerto, y que, fue Renato. .. Renato... ¡ —persiste Catalina llorando—. ¡Mi Aimée... mi hija...!
—¡Viene gente! —advierte Sofía desesperada—. Hay que llevarla de aquí, Renato, hay que...
—¡Madre! ¡Mamá de mi alma!

Mónica ha acertado a sostener entre sus brazos el cuerpo casi desmayado de su madre, y un momento mezclan sollozos y lágrimas, mientras siguiendo los pasos de Mónica, casi tan pálido y demudado como ella misma, el Padre Vivier llega hasta el grupo...
—¡Bajo tierra;.. bajo tierra... sin que yo haya podido volver a mirarla! —protesta Catalina con profunda desesperación.
—¿Qué? ¿Qué? —indaga Mónica tremendamente indignada.
—¡Y fue Renato el culpable, el causante! —insiste Catalina—. ¡Fue Renato... Renato!
—¡No es cierto! —rechaza Sofía íntimamente dolorida—. ¡No puedo permitir que siga repitiendo ese absurdo! ¡Usted es testigo Padre Vivier:.. ¡. ¡Hable... Hable... ¡

—¡Renato la hizo morir! —sigue machacando Catalina—¡La han acorralado, la han asesinado, y luego me han ocultado su cadáver! ¡Lo sé... lo sé... ¡
—¡Mientes a sabiendas! —grita Sofía fuera de sí—. No la escuches, Mónica, no sabe nada. ¡El dolor la ha vuelto loca, pero es preciso que calle, que no la escuchen los demás! Apelo a su razón. Padre Vivier. Usted estaba a mi lado... usted sabe...
—Catalina, hija mía... Cálmate... cálmate —aconseja el sacerdote.
—¡Ya llegan todos! —adviene Sofía—. ¡Renato... Renato Ven... Ven...!

Su mano se ha clavado como una zarpa en el brazo de su angustiado hijo, obligándole a ir con ella, arrastrándole hacia la escalinata que suben ya los amigos en despedida, al tiempo que Mónica alza casi en brazos a su madre, para llevarla a las habitaciones interiores, mientras comenta altiva:
-Nuestro dolor es nuestro, madre, nuestro nada más... Ven.,. Ayúdeme, Padre Vivier...
La puerta se cierra ya tras de Mónica y Catalina, y hay un acento desesperado en la voz de Sofía, que sacude a Renato obligándole a volver a la realidad:
—Renato, les estaba explicando a estos amigos que la pobre Catalina ha perdido la razón... No es para menos... Es absolutamente natural... Hay que ser madre para comprender...
—En efecto, amigos míos... Debo dar a todos las gracias y rogarles que tomen un modesto refrigerio antes de marcharse...
Renato ha logrado hablar cortésmente tras un esfuerzo sobrehumano, y Sofía se aparta dejándole pasar.,. Sólo entonces siente que también ella desfallece, pero un brazo leal le apoya; una mano, para los otros cruel y áspera, la sostiene con firmeza y respeto...
—Llévame a mi alcoba, Bautista. ¡No puedo, más!


8

—¿QUE? ¿DICE USTED que se ha ido?
—¡Es natural! Se trata de su-hermana, Juan. Además vinieron a buscarla, enviaron por ella un propio de Campo Real con la noticia...
—¿Quién le dijo a usted eso. Noel?
—La hermana tornera, apenas entramos... Fue a avisar a la madre superiora que tú habías llegado. Seguramente, al irse Mónica le dejó sus encargos....
—¡Irse... irse! —se revuelve Juan con ira—. ¡Seguro que él mandó a buscarla!
—El o cualquiera de allá, para el caso es igual. ¿Qué otra cosa podía hacer ante una noticia como la que le han dado? Hay que ser razonable...

Juan se ha mordido los labios sin poder contener la oleada de violenta indignación que le embarga..; Sin lograr sosegarse va de arriba abajo por la ancha galería de arcos que forma el primer claustro, clavando a cada paso sus pies anchos y firmes, mientras el corazón parece estallarle en el golpe de su latir apresurado, y bruscamente se vuelve al anciano notario que le contempla consternado:
—¡Vamonos, Noel! ¡No quiero escuchar historias, quiero ver a Mónica cara a cara! Preguntarle por qué se fue de ese modo sin tomarse la molestia de consultarme antes de marchar. Todavía es mi esposa, y yo la dejé aquí, no en otra parte. ¡Para ella será el mal, por obligarme a ir a buscarla!
—¿A buscarla? ¿A buscarla a Campo Real? Supongo que no pretenderás... ;
—¿Por qué no? Voy a buscarla a donde haya ido, y si hubiese ido al infierno, sería igual...
—¡Vaya, por fin descansa! Los calmantes han hecho su acción piadosa, al menos por un rato...

Mónica ha asentido, con un gesto, a las palabras del Padre Vivier... Más pálida que nunca, apretados los labios, se diría imagen viva de la desolación y la angustia. Está de pie, junto al ventanal que ilumina su fina figura con las últimas luces de la tarde, y hasta ella llega el sacerdote, dejando los cortinajes del lecho donde, como una masa inerte, descansa en la inconsciencia Catalina de Molnar.
—Es terrible que hayas tenido que hacer sola este viaje, hija... . .
—Así lo quiso ella. Padre. No me envió un aviso ni una llamada, ni siquiera me dio la noticia. Usó el primer carruaje que un vecino piadoso puso a su disposición, y salió como enloquecida, sin consultar a nadie.
—Pero el hombre que les avisó a ustedes, el mensajero que Sofía D'Autremont mandó en mi presencia para avisarles...
—Llegó a la casa; luego, al no hallar allí a nadie, fue al convento. Sólo pudo decirme que mi madre había salido para Campo Real. Mi' madre no está loca, no está trastornada. Su dolor parece desvarío, pero no lo es. Sin embargo, usted me asegura...
—Sólo puedo asegurar lo que mis ojos vieron. Yo estaba junto a doña Sofía .Si algo puedo jurar, es que nadie empujó a tu hermana al abismo, que ninguna mano la impulsó ••• al menos en su forma material. La vimos correr sobre el caballo desbocado, la vimos huir como enloquecida por la persecución... de Renato... Por fin, vimos al animal, sin guía, correr hada el abismo y saltar estrellándose... El iba tras ella, no puede negarse. Si tenía una razón para desear su muerte, o si corría para detenerla y salvarla, ¿quién puede asegurarlo, hija? Eso está sólo en la conciencia de Renato. A veces corren desbordadas las pasiones humanas... Pero, ¿odiaba Renato a su esposa? ¿La odiaba?
—¡Oh, calle. Padre, calle! Ahora no me pregunte... ¡Tenga piedad!

Mónica ha retrocedido, cubriéndose el rostro con las manos, y su fina figura tiembla, sometida al tormento insoportable de aquella horrible duda...
—Cálmate... Es como director espiritual que te estoy preguntando. Quisiera oírte aunque fuera en confesión, hija,.. si tus palabras pudieran darme ahora un poco de luz..-..
—¡Sangre de mis venas daría por saber la verdad! ¿No comprende también la lucha de mi alma. Padre? ¿No comprende que me estoy muriendo desesperada?
—Comprendo tu pena; pero si el asunto no te concierne en realidad...
—¿Qué no me concierne? ¡Le pido de rodillas que no me obligue a hablar!
—Perdóname... Comprendo que te sientes trastornada.. -Debo dejarte a solas y recomendarte la oración para que se serene tu alma... Hubiera querido saber más, ir más seguro a la batalla que me aguarda... Sofía D'Autremom me espera. Ella cuenta con mi testimonio para defender a su hijo...
—¿Pero le acusan? ¿Acusan realmente a Renato, alguien más que mi madre?
—Le acusan muchos ojos maliciosos, muchos labios que callan ... pero más que nada le acusa la pasión insensata que asoma en sus ojos al mirarte... Por eso quiero llegar a la verdad. Lo que se murmure, lo que se acuse, es casi lo de menor importancia, al menos para mí. Mi misión no es defender los cuerpos, sino salvar las almas, llevar el remordimiento al corazón de los culpables y salvarles del infierno por el dolor de haber pecado. ..

La ha mirado intensamente, luchando por penetrar al fondo de ese otro corazón hosco y altivo, puro y atormentado, pero los ojos de Mónica vagan angustiados por la estancia, y el sacerdote suspira inclinándose:
—Que Dios te dé lo que mis pobres palabras no pueden darte: luz y valor, hija mía...
El Padre Vivier se ha alejado, y también Mónica ha dejado la enorme alcoba casi en penumbras... Junto al lecho de Catalina queda la oscura sombra de una criada nativa, y ella sale, otra vez atormentada por aquella ansia de huir, que tantas veces le acometiera bajo el techo patricio de la suntuosa mansión... No ha tomado voluntariamente ninguna ruta, pero sus pies le llevan por el sendero que, tras la blanca iglesia, llega a los muros de piedra del cementerio de los D'Autremont... la verja quedó abierta... Nadie se ocupó dé cerrarla, tras el precipitado entierro efectuado horas antes, y Mónica penetra, siguiendo las huellas que dejaran...
Un montón de flores, arrojadas apresuradamente sobre la tierra removida, es lo único que todavía marca aquella tumba que guarda la caja-de maderas preciosas, forrada de brocado, último estuche de la flor venenosa que fue Aimée de Molnar... Las lágrimas asoman en los ojos de Mónica... Sus labios están secos, pero un sollozo suave brota de su garganta, yunto con su piedad, al susurrar como en una plegaria:
—Aimée... Mi pobre Aimée... Qué hiciste para encontrar la muerte? ¿Hasta dónde llegaste? ¡Qué Dios te perdone, como yo te perdono con toda mi alma!
—¡Mónica... Mónica... ¡ Te busqué como loco... Tengo que hablarte...

Renato ha llegado, trémulo de emoción desbordada, estrechando sus brazos, sus muñecas, sus manos, sin que Mónica' pueda evitarlo, sin darte tiempo a reponerse de la sorpresa que su brusca aparición le causara, de su violento regresar al presente desde el pasado tan lejano en que manara el manantial de su ternura...
—¡Por Dios, Renato, déjame! ¡Suéltame... pueden verte! —Se ha librado de las manos que la aprisionan, ha esquivado el estrechar de aquellos brazos que locamente van a ella, y su mirada altiva detiene a Renato—: ¿Con qué derecho te acercas a mí de ese modo?
—Es verdad... tienes razón... Siempre tienes razón contra mí... Merezco todo tus reproches... Merezco que me aborrezcas y que me rechaces, pero no que me desprecies, Mónica... No que me desprecies, porque hay en mí una verdad que lo nivela todo: ¡Te amo!
—¡NO me sirve tu amor! ¡No me importa! Ahora más que nunca es verdad. Y esta tumba...
—¡Yo no abrí esa tumba! —salta Renato impulsivo—. Yo no quise que ella hallara la muerte... Yo no la odiaba... La odié sólo una hora, un instante, cuando la amaba todavía, cuando todavía no había visto claro en el fondo de mi alma... La odié aquella-hora en que creí en su traición, y en esa hora sí la hubiera matado... Pero pasó el minuto, esquivó ella el golpe... Todo fue contra tí, todo se me volvió en contra tuya, por un odio todavía más feroz, más implacable, del que me había encendido la idea de que ella, siendo mi esposa, me engañara. ..
—¿Qué dices?

—La verdad... Una verdad que ni a mí mismo quería confesarme, una verdad que nunca he dicho hasta este momento... Si me tomé derechos que no tenía, si ciego de furor te entregué a Juan del Diablo en un ansia brutal de castigarte, fue precisamente porque, sin saberlo yo mismo, ya te amaba... ¿No lo comprendes? Yo mismo no lo comprendí entonces... Lo sentía nada más, quemándome, triturándome las entrañas... Yo te quería sin saberlo, te quería desde niño... Tú, más consciente, sabías que me amabas, pero lo callaste...
—No vuelvas sobre eso; no revuelvas más el pasado. Aquello fue como un sueno...
—Aquello fue un amor al que renunciaste. Lo sé, lo comprendo. .. Aimée se acercó a mí, tomó tu lugar, y tú te alejaste. Si te hubieras alejado hada otro amor, los celos me hubieran despertado; pero te alejaste sola, te volviste fría y lejana...
—Todo pasó como tenía que pasar... Todo está como Aimée: muerto, enterrado... No es del pasado de lo que hemos de hablar. Si algo tienes que decirme, que sea lo que quiero saber. ¿Cómo murió? ¿Por qué te acusan de haberla impulsado a buscar la muerte? Sólo en tu conciencia está la verdad; no la esquives hablando de un pasado que ya no importa...
—Para mí sí importa. Por ese pasado te perdí; por ese pasado me rechazas... No hay en mí una culpa nueva por la que debas esquivarme. ¡Te lo juro! Ella sola se preparó la trampa, cayó en sus propias redes, fue arrastrada por sus propias locuras... Vivía entre mentiras, entre engaños, ni siquiera el hijo que iba a darme era verdad...
—¿Qué estás diciendo?
—Mi madre puede probarlo. Aimée no me amó nunca, en su corazón no había nada sincero que la justificara. Tuvo la locura de ser perversa, y no es posible que nuestra vida se rompa por el fantasma de una culpa que no he cometido, que no pensé cometer jamás... No la mate, no tenía por qué matarla. ¿O piensas tú, como dijo tu madre en su locura, que había una razón para que yo la matara? En las últimas horas he buscado desesperadamente la verdad... ¿Fue culpable Aimée de algo más que de inconsciencias y de frivolidades? ¿Manchó mi honor? ¿Arrastró mi nombre? Esas miradas que me acusan, parecen proclamarlo y, si es asi, necesito saberlo. No por ella, que está ya bajo tierra, sino por el hombre que está vivo, por el que acaso se ría de mi credulidad, pero que pagará con su vida si es que. aquella traición era verdad...

Con fiera decisión ha hablado Renato, cambiados el ademán y el gesto, y es justamente en aquel extraño lugar, frente a la tumba de Aimée recién cerrada, donde aún no se marchitan del todo las flores de sus funerales, donde aún parece flotar, como el perfume de aquéllos pétalos, el intenso aroma de la mujer que fue... Es en aquel lugar donde sus palabras tienen un sonido más extrañó, mezcladas con las frases de amor que acaba de pronunciar, con ios ensueños que evocara, con el incontenible desbordarse de su amor por Mónica. -Es ahora su alma, amalgama infernal en la que se funden tan diversas pasiones, y pasa de una a otra como en un torbellino de fuego, mientras Mónica retrocede, como él ahogada en aquel torrente de sentimientos encontrados, que juntos en su corazón estallan... En un minuto los ha vivido todos: desde sus rotos ensueños de niña, hasta aquel detenerse junto a la tumba de su hermana.. Pero hay un temor que. es más fuerte que todo, un temor que la' hace protestar y gritar:
—¡Tú no puedes hacer eso, Renato! Indagar, revolver, rebuscar, es echar fango sobre el nombre de la que ya está muerta, de la que pagó con su vida, fuesen los que fuesen sus errores y sus faltas... Cien veces más de lo que pudieras tú sufrir por ella, he sufrido yo, y con el alma acabo de perdonarla....
—Yo la perdono a ella; pero a él...
—Si es a mí a quien amas, como acabas de decir, no puede haber en tu corazón ese odio y esa ansia de encontrar un pretendido rival... Si es a mí 'a quien amas, como insensatamente me juras, no es posible que te importe tanto lo que Aimée pudo hacer...
—Me importa por lo que significa, por lo que me ensucia, me rebaja y me mancha a tus propios ojos... Una mujer puede amar al hombre que ha matado a otra para castigar una traición con sangre... No creo que pueda amar y estimar al que, ultrajado y ofendido, olvidó las ofensas y perdonó el engaño... Hay algo en nosotros que no podemos dejar que se destruya, que hemos de sostener a toda costa, amando u odiando, y mi corazón...
—No es tu corazón el que habla. Es tu soberbia la que grita, y esa voz no quiero escucharla, Renato. Es...
—Es que tiemblas, ya lo veo... Y al temblar, tu propia angustia afirma la sospecha que tengo enroscada en el alma... El rival a quien tendría que buscar, para vengar las ofensas de Aimée, es el mismo hombre al que te entregué en un momento de locura, y de cuyas manos lucho por arrancarte definitivamente... Es mi sombra negra, mi eterno rival, el enemigo que la naturaleza y la sociedad me pusieron, al nacer, frente a frente: ¡Juan del Diablo!

—¡No! ¡No! —refuta Mónica angustiada.
—Sí! ¡Sí! Ha cambiado tu voz, tu color, tu mirada... ¿De qué tienes miedo? ¿Tiemblas por él, o por mí? ¿Has llegado a pensar que puede vencerme cara a cara? ¿Piensas, como mi madre, que no soy yo el más fuerte?
—No pienso nada, sino que han perdido la razón. Nada hace contra ti Juan del Diablo. Nada hace, porque nada le importo... ¿Me habría abandonado en el convento si me amara? ¿Aceptaría, sin una protesta, esa solicitud de anulación de matrimonio que para siempre va a separarnos? Nos ha vuelto la espalda, nada le importamos... Con el dinero que te ganó en una noche de juego, prepara sus negocios para lograr fortuna. Compra lanchas de pesca y alza su casa en el Cabo del -Diablo...
—¿Todo eso hace? ¿Y cómo lo sabes tú? ¿Quién te tiene al tanto de sus menores pasos? ¿Por qué te interesa tanto?
—¡Oh! ¡Jesús! —exclama Mónica asustada.
—¿Qué? ¡Juan del Diablo!

Se han separado bruscamente, con una sorpresa que en Mónica es espanto. Como si acudiera al conjuro de su nombre, ahí está Juan, arrebolado el rostro tras la carrera brutal que obligara a dar a sus caballos, revueltos los cabellos, desnudo el duro y ancho pecho, la traza insolente y descuidada de sus peores días... Su mirada va como un relámpago de Mónica a Renato. Se diría que los mide, que los aprecia pálidos y enlutados, y despreciando con un gesto plebeyo el porte señoril que en los dos es igual, comenta irónico:
—Veo que no cambian las costumbres de la aristocracia. Cuando se muere un familiar, aun cuando nos parezca magnífico que por fin esté muerto y enterrado, se viste uno de luto, se enjuga con discreción las lagrimas, y se pone a rezar frente a la tumba cubierta de flores... ¡Qué bonito es todo esto! ¡Qué romántico! Tenía una terrible curiosidad por saber si seguían así. las cosas en las altas esferas. Una curiosidad tan grande, que por ella hice el viaje, y no me he equivocado. Valió la pena de apurar a los caballos... La escena es conmovedora... Desde el otro lado de la verja, llega al alma... Podría servir de tema a un pintor para su mejor cuadro...
—¡Juan... Juan... ¡ —reprocha Mónica ruborizándose.
—¿Están pensando lo que van a poner en la lápida? "Para Aimée, hermana perfecta y esposa idolatrada"...
—¡Basta! —se encrespa Renato furibundo—, ¡Estúpido... villano... ¡
—¡No... no... no! ¡Aquí no!

Mónica ha saltado hasta ponerse entre los dos hombres, abriendo los brazos, impidiendo, con ademán desesperado, que se acometan y, al contacto de su mano helada y blanca, Juan parece calmarse, para volver a la amargura del sarcasmo:
—El lugar no es propio. Santa Mónica tiene toda la razón. Pero bastaría que dieras unos pasos, Renato, para llegar a otro cualquiera. ¿No te parece que debieras darlos?
—¡Si estuvieras armado.. .1 )Yo no peleo a golpes, como un gañán!
—Por supuesto... Tú cruzas la espada, pero con caballeros de tu calaña... Conmigo no puedes pelear, ni como caballero ni como gañán. ¡Qué posición más socorrida! Tendrás que soportar en ella todos los insultos y-todos los ultrajes...
—¡Canalla! ¡Te buscaré antes de una hora en el lugar que indiques! Espérame allí con todas las armas que - puedas llevar. ¡Defiéndete como lo que eres, con dientes y garras, porque iré dispuesto a matarte!

—¿Solo o acompañado? —comenta Juan en tono burlón—.¿Cuántos criados piensas llevar para que te respalden?
—¡Te mataré ahora mismo!
—¡NO... No! ¡ Vamonos, Juan ¡ —suplica Mónica, arrojándose en brazos de Juan, y haciendo con ello detenerse y retroceder a Renato, al interpelarle—: ¡No llegarás a él, no pelearan sin matarme a mí antes! ¡Llévame, Juan, llévame! ¡Soy tu esposa, tengo derecho a exigirte que lo hagas ¡
—¡Mónica.. .! —se duele Renato fuera de sí, ante la actitud de ella.
—No te acerques, Renato, porque te juro que te aplasto —amenaza Juan en tono ominoso-—. ¡Ven, Mónica!

Renato ha buscado en vano... Nada tiene, sino sus puños inútiles frente a Juan. Su mirada extraviada va a todas partes, y al fin corre tras ellos como enloquecido; pero, más fuerte y rápido, Juan ha llegado ya al cochecillo, arrastrando a Mónica, y un instante le basta para tomar las riendas, haciéndolo arrancar, mientras Renato, desesperado, grita enloquecido:
—¡No huyas, no escapes! ¡Ven! ¡Aun con los puños he de matarte, maldito bastardo... perro inmundo... ¡
—¡Sigue, sigue, Juan! —instiga Mónica con excitación—. No te detengas, no le escuches, no te pares, no le oigas, no vuelvas atrás.. .• ¡Me arrojaré del coche, me mataré! ¡Sigue, Juan!
Lentamente, las manos de Juan han ido aflojando las tensas riendas, hasta dejar que se detengan los cansados caballos... Han ido a dar muy lejos, por el viejo camino que comunica los dos valles, y ya cayó la noche totalmente... Todo es silencio y soledad en el áspero camino de la montaña... Sólo el jadear de los rendidos caballos y un gemido que suena muy cerca, en el pecho de la mujer que está a su lado, como derrumbada en el pequeño asiento, de rostro escondido entre las apretadas manos...
—Ahora vienen las lágrimas, ¿eh? Bueno, supongo que es el desahogo natural del más complicado animalito de la creación: la mujer... ¿No es verdad? "Y angustiado a pesar suyo, suplica suavizando su amargura—: ¡Por favor, cálmate! Al fin y al cabo, no ha pasado .nada... ¿Para qué tantas lágrimas? Como siempre, ya lograste tu propósito. Me manejaste según tu voluntad...
—¿Yo...? —balbucea Mónica con extrañeza.

—Sabes mucho, Mónica de Molnar. A veces pienso que sabes .demasiado en el arte de jugar con el corazón de los hombres..; Una vez más me has hecho alejarme, ceder, dejar libre el campo...
—¡Pero llevándome contigo! —advierte Mónica con altivez.
—¡Oh, claro! Algo hay que concederle al bárbaro... Un triunfo aparente para Juan del Diablo.. ..No llores más... No te tomaré la palabra. Sé bien que si ahora estás conmigo, a mi lado, es por lo mismo que te hubieras arrojado del coche en marcha, jugándote la vida: Para proteger a Renato... Bueno; ¿seguimos para Saint-Pierre?
—Como quieras, Juan. En realidad,, no sé ni para qué viniste ...
—¡Vine a buscarte! —se engalla Juan con rudeza—. No es sitio para ti Campo Real; al menos, mientras seas mi esposa. Porque mientras no se rompa legalmente el lazo que nos ata, no dormirás bajo el mismo techo que Renato D'Autremont. ¡ES el único derecho al que no he renunciado!

Mónica se ha erguido repentinamente, seca sus lágrimas al soplo de indignación que enciende sus mejillas, y con las pupilas relampagueantes le espeta a Juan, mirándolo frente a frente:
—¡Hablas como si yo fuese una cualquiera!
—Si pensara que eres una cualquiera, no habría casi reventado los caballos para venir a buscarte. Por lo demás, no hice sino complacerte cuando reclamaste, con derechos de esposa, que te trajese conmigo...
—¡Oh, Juan! Mi madre quedó en Campo Real —recuerda Mónica de pronto—. El Padre Vivier está junto a ella, pero este golpe la ha enloquecido, la ha destrozado...
—Ya oi decir que está loca... ¿Qué otra cosa pueden decir los D'Autremont para justificarse? Le sobran razones a Renato, para .tomarlas de pretexto al hacer lo que hizo... ¡ —¡No hizo nada! —salta vivamente Mónica.

De un tirón de riendas casi involuntario, Juan ha vuelto a detener el coche, que gana ya la parte más alta de la montaña. Desde allí, en un recodo del camino, se divisan los dos valles: el de Campo Real, hundido en sombras; el más pequeño, iluminado por la luna que asoma sobre el mar...
—¿Por qué estás tan segura? ¿Le has pedido cuentas?
—¿Podía no hacerlo? ¿Acaso no se trata de mi hermana? ¿Acaso no era para mí indispensable tener la seguridad de que las sospechas con que le manchaban eran falsas?
—¿Y esa seguridad te la ha dado tan sólo su palabra?
—¡Naturalmente que me la ha dado! ¿Por qué hablas en ese tono odioso? ¿Por qué destilas hiél cada vez que hablas?
—Tal vez porque con -hiél me alimentaron. Santa Mónica. Me nutrieron con hiél y vinagre, como a Cristo en la cruz... Y fue precisamente para que comiera tortas con miel ese Renato D'Autremont a quien defiendes tanto...

—¡Ese Renato D’Autremont, que es tu hermano!
—¿Le dices eso también a él? ¿Acostumbras afirmarlo frente a doña Sofía? —comenta Juan en tono por demás irónico—, Ten cuidado, porque pueden acusarte de difamación ante los tribunales... ¿Sabes que ni siquiera soy un bastardo? Hace unos días, revolviendo los papelotes del notario Noel, me he enterado que los que nacen como yo, son peor que los bastardos... Hijos de adulterio, malditos y borrados, sin nombre de padre ni de madre, abortos de la tierra... Y un despojo así, dices tú que es hermano del caballero D'Autremont, señor de Campo Real... Da horror y asco la vida, Mónica...
—Pero la vida no es sólo eso, Juan. Eso, a lo más, es una parte de la vida... La vida es otra... La vida propia, la que cada uno forjamos... ¿Que culpa tiene nadie de nacer como nace? ¡Pero sí de vivir como vivé, Juan! Sólo por sus actos, juzgo yo a cada quien... Y hasta ahora, tú has sido para mi un hombre honrado...
—Muy amables esas palabras en tu boca —bromea Juan con suave ironía.
—¡No quiero ser amable! —rechaza Mónica exasperada—. ¡NO pretendo decir cosas gratas, sino mis sentimientos, la verdad de lo que pienso, de lo que llevo en el alma!

Con gesto distraído, Juan ha vuelto a tomar .las riendas, y un momento contempla el camino que baja frente a ellos, serpenteando entre rocas, iluminado por la luna llena que aparece clara... Sí volviese la cabeza, si mirase los ojos de Mónica, fijos en él, agrandados de anhelo, espejos de su alma, todo cambiaría en torno suyo... Si su corazón, ciego y sordo en este instante, percibiera el latido de aquel otro corazón de mujer que tan cerca de él late, creería que amanece en plena noche, sentiría al fin saciada aquella inmensa sed de amor y felicidad que le llena el alma desde niño... Pero no vuelve la cabeza... Acaso tiene miedo de mirar a Mónica cara a cara, de hallar su rostro duro y frío, o peor aún, de ver asomada a sus pupilas la imagen de otro amor. Por eso, sin mirarla, toca el nervioso lomo de los caballos con la punta del látigo, y hay una honda tristeza en la blandura de su entrega:
—Al fin y al cabo, siempre me desarmas... En verdad, nunca hay nada que reprocharte, Mónica. Eres pura y recta, ingenua y humana, carne-de abnegación y sacrificio,..
—No quisiera ser sólo eso, Juan...
—Desde luego... Todos queremos nuestro lugar, al sol, nuestro derecho a la felicidad, pero a algunos se nos niega por destino, como ¡si una maldición nos condenara para siempre a las tinieblas...
—¿Para siempre, Juan? ¿Crees que no habrá nunca luz en nuestros corazones, en nuestras vidas? ¿Crees que no amanecerá jamás para nuestras almas?

—Haces mal en unirnos en un plural. Tu alma y mi alma van por distintas sendas, Mónica, y el que para mí no haya esperanzas, no quiere decir que no las haya para ti.
—¿Por qué es tan cruel la vida, Juan? ¿Por qué nacemos para padecer, para arrastrarnos sobre nuestros dolores y nuestros pecados?
—Ahora eres tú la que hablas como no debes hablar. No creo que hayamos nacido para arrastrarnos. Hemos de ponernos de pie a toda costa. Tú, acaso para ser feliz. Yo, con sostenerme erguido me basta, con saber marchar duro y derecho sobre este mundo inhóspito y amargo... —De pronto, se ha detenido Juan, y observando a su esposa se alarma—: Mónica, ¿qué tienes? Estás temblando...
—No es nada... Un poco de frío... Un poco de trío nada más...

A Mónica le han traicionado las lágrimas que tiemblan en su voz, y la mano derecha de Juan se extiende para tomar las suyas, trémulas y heladas, confortándolas con su calor vital, con su roce a la vez delicioso y áspero, mientras los párpados de ella se entornan como para el ensueño...
Otra vez el coche está en marcha... Hace rato dejaron atrás el parador del camino, donde se detuvieran unos momentos para tomar un refrigerio, y el vehículo, pequeño y liviano, rueda arrastrado como sin esfuerzo por aquel soberbio tronco de caballos, cuyas riendas empuñan las manos del patrón del Luzbel, con la misma seguridad que si fuera el timón de su nave...
Al brusco sacudimiento del coche al detenerse, ha abierto Mónica los ojos adormecidos... Amanece, y están en el centro de la ciudad de Saint-Pierre... La luz es imprecisa, pero le ha bastado alzar la. cabeza para reconocer el lugar, y por si verlo no fuera suficiente, aquel sonido de las campanas llamando a misa de alba, demasiado familiar para ella, disipa la más leve sombra de duda que pudiera tener. Con su galantería un tanto burlona, salta Juan del pescante y extiende la mano, ayudándola ...
—He aquí tu convento. ¿No es en él donde deseas estar, ahora y siempre?
—Desde luego. Y como mi vida me pertenece, por encima de la burda farsa matrimonial que sostenemos...
—¿No es muy dura esa frase, Mónica? —advierte Juan sin abandonar el tono burlón.

—¡De tí la aprendí! ¡Tú fuiste quien lo llamó de esa manera, como eres tú también quien me devuelve a mi convento por segunda vez!
—Supongo que es lo que más puede complacerte...
—Supones muy bien. Para mi el convento, y para ti la absoluta libertad: los muelles, los garitos, las tabernas del puerto...
—Esa es mi vida, Mónica, como la tuya es ésta. Yo no la Critico, ni tú debes criticar la mia. Vamos...
—¡Sigue tu camino! No es necesario que te molestes... Jamás necesité guardianes... ¡Buena suerte, Juan del Diablo!


9


—¡BAUTISTA! ¡BAUTISTA! ¡UN caballo, en el acto! ¿Estás dormido, estúpido?
Relampagueantes las pupilas, apretados los puños, encendidas en una llamarada de furor alma y carne, ha cruzado Renato la ancha galería de su casona señorial, rumbo a la biblioteca que fuera despacho de su padre, y tras él va Bautista, sorprendido. y humillado...
—Señor Renato, hace más- de una hora que la señora me ordenó buscarlo por todas partes...
—¡Dile que no me hallaste!

—Es que están aguardando esos señores de Anse d'Arlets... Creo que son el juez municipal y el secretario del juzgado... En nombre de las autoridades locales, parece que quieren levantar un acta. La señora desea que usted... ¡Oh, señor Renato! ¡Cuidado! —se alarma el viejo Bautista—, Esas eran las pistolas de duelo de don Francisco, y...
—¡Sé perfectamente lo que son y para lo que sirven! ¡Corre a prepararme el caballo! —Desechando el estuche de madera pulida, Renato ha tomado aquellas dos armas iguales, que sacara de unos de los cajones, y las hunde en sus bolsillos tras mirarlas un instante—. ¡ES lo único de que tienes que ocuparte! ¿Piensas que no he perdido ya bastante tiempo? ¡Vuela! ¡Y haz que me lo traigan sin ruido, por la escalera de este lado! ¡Ni una palabra más, Bautista!
—Como el señor mande...
Solo, Renato ha medido con sus pasos nerviosos la amplia biblioteca, ahora casi en penumbra, y rebusca en el estante, hasta encontrar algo que dejó allí medio olvidado... Una y otra vez ha llenado el pequeño vaso, de aquel ardiente ron añejo que hace famoso a Campo Real, y sus labios sedientos lo sorben con ansia, encendiéndose en ellos más sed mientras más bebe... Una ira violenta le sacude, quemándole como una llamarada, al pensar en Juan... Tiene que ir a su encuentro, tiene que cobrarle, en sangre, la humillación que le ha hecho sufrir... Cada minuto que pasa le hace medir y calcular la ventaja que le lleva. ¿Hasta dónde llegarán Mónica en su locura y Juan en su audacia? Mientras bebe, apurando hasta el fondo la botella, sus nervios se han templado, su furia se hace más profunda y fría, y en ella van asomando los más crueles instintos como puntas de lanzas... Ya su corazón es un mar de despecho; ya, más que el amor de Mónica, le atrae la venganza contra Juan.,. La puerta se abre, y en su umbral aparece la encogida figura del anciano Bautista...
—¡Gracias a Satanás que llegaste, maldito!
—Un momento, señor. La señora.. ..
—¡Aparta, imbécil!

De un brusco empujón, Renato ha apartado al viejo capataz, y de un salto monta sobre el lomo del alazán que le trajera... Ha hundido las espuelas en los ijares del animal que semidesbocado, enfila con esfuerzo la áspera subida... Va hacia el desfiladero, cortando por orillas y sembrados... Ya está muy cerca de la plaza de los barracones... Desde ellos llega el lamento de las tumbas... No hay hogueras encendidas ni bailes sensuales... Dos formas negras se retuercen en convulsiones epilépticas, al fúnebre son de las tamboras enlutadas. Es por el ama Aimée.. ."Lloran por ella, rezan por su alma... o acaso la invocan, queriendo conjurar su posible venganza, sombra de muerte sobre el valle...
Renato ha clavado las espuelas con más saña... Quiere huir de todo aquello, saltarlo, mientras la angustia de un escalofrío le recorre la espalda... Todo queda atrás, pero sigue escuchando. Furiosamente castiga al caballo, exigiendo un esfuerzo más del bruto, cuyas p a t a s resbalan, y cae arrastrando al jinete, a las mismas puertas dé una cabaña desvencijada... Se ha levantado, sin sentir el dolor de las magulladuras. Frente a él, una sombra negra, alta y flaca; retrocede a través de la puerta, hasta llegar al fondo de la cabaña. Sin saber por qué, va tras ella...
—Tú eres Kuma, ¿verdad?
La hechicera ha respondido con un gesto vago.., Ha caído de rodillas... Renato mira muy de cerca el rostro negro, .brillante, ¡los grandes-ojos desorbitados con expresión de supremo espanto, y siente una especie de placer monstruoso viendo a aquella infeliz sudar y temblar...

—Tú eres Kuma, la que esquilmas y explotas a todo Campo Real con tus brebajes, tus ungüentos y tus mentiras... Tú eres ' la. que ayudas a embrutecer y a envenenar a los i m b é c i l e s de los barracones, y hasta a los propios criados de mi casa...
—Yo no vendo veneno, mi amo; vendo medicinas buenas, de hierbas del campo... Yo vendo remedio para los pobres, remiendo huesos, sobo empachos y ayudo a librarse de la mala sombra de los difuntos a los que tienen un remordimiento en el alma. —Ha mirado de reojo a Renato, arriesgando el todo por el todo con astuta audacia. Le ve palidecer, y comprendiendo que ha dado en el blanco, alza las manos juntas, lanzándose de lleno en la partida—: Si el alma del ama Aimée te persigue, mi amo, si se te asoma al sueño para recordarte lo que le hiciste, si la oyes como si te hablara en el oído, y la sientes detrás como un escalofrío...
—¡Calla, imbécil, embaucadora, embustera! —grita Renato fuera de sí—, ¡No me persigue ningún fantasma ni me habla ninguna voz al oído! La sombra de Aimée no tiene nada que reclamarme, pues no la maté. ¡No tengo la culpa de que se matara! ¡Pero a ti sí voy a matarte!
—¡No, mi amo, No me pegue más.. .! —suplica Kuma en un grito de espanto.

Renato ha retrocedido, estremeciéndose como si despertara, como si repentinamente se diera cuenta de lo que hace. Es la primera vez que maltrata a nadie, la primera vez que golpea a una mujer. Tambaleante por los vapores juntos del alcohol y la ira, retrocede hasta ganar la puerta... En ese momento, llega presuroso Bautista, que exclama al verlo:
—¡Señor Renato! ¡Oh, gracias a Dios! Su caballo volvió solo a la cuadra... Salí a buscarlo a escape, temiendo... y Bendito sea Dios que no le ocurrió nada! ¿Y era aquí donde venía usted señor?
¡No! Sigo viaje... En cualquier caballo... En ese mismo que trajiste... —De un salto se ha afirmado en los estribos, empuñando las riendas, pero obliga a girar en redondo al animal, y señalando a Bautista la cabaña de Kuma, le ordena—: ¡Hazla salir del valle! ¡Sácala de mis tierras! ¡Que se vaya de Campo Real, y que no vuelva más!
—Juan, hijo... Te fuiste como un loco, y vuelves como un tonto. Corriendo he salido cuando me dijo Colibrí que tus caballos estaban en la cuadra. Te busco por todas partes donde me imagino que puedas estar, y resulta que estás aquí mismo, que te has quedado aquí, tan callado y tan quieto como si formaras parte de la tapia...

Cruzados los brazos, apretada entre los dientes la pipa, Juan ha quedado inmóvil, hundido en sus oscuras cavilaciones, desde que al volver del convento, dejando el cochecillo en las manos de Colibrí, se asomara a la puerta de servido de la modesta casa del notario Noel...
—¿Quieres contarme lo que te ha sucedido? ¿En qué piensas, Juan?
—Sólo estaba pensando que Mónica muy pronto será libre;
que ya lo es Renato, puesto que Aimée está bajo tierra; y que ella le quiere. Noel, le quiere todavía...
—¿Fue esa la consecuencia que sacaste de tu viaje? Ella no quiso acompañarte, ¿eh?
—Ella vino conmigo. La traje...

—A la fuerza; y naturalmente, de esa hazaña no pudo derivar ningún placer, ninguna satisfacción para ti...
—No, Noel... Vino conmigo porque quiso... Fue ella quien lo pidió, quien lo impuso. Claro está que el triunfo no es mío. Fue la fórmula que encontró, en un momento crítico, para alejarme a mi, para interponerse entre mi posible violencia y la sagrada persona de Renato...
—¿Te dijo ella que le quería?
—Naturalmente que no me lo dijo. Tiene usted un primer premio de candidez. Noel. ¿Cómo iba a decírmelo? Era desposo de su hermana... Renunció a él voluntariamente, y renunció para toda la vida. Todo el orgullo, toda la dignidad de Mónica, está en ocultar ese amor, en esconderlo dentro de sí misma.. Es probable que hasta a él mismo se lo niegue...
—Bueno, hijo, a lo mejor no es oro todo lo que reluce,..
—Si no reluce. Noel... Está escondido, y es ese afán que ella pone en esconderlo, lo que me da a mí la justa medida. Pero, ¡qué demonios! Hay que vivir, hay que apartar fantasmas. .. Creo que me voy ahora mismo a ver cómo marchan las obras del Peñón del Diablo...

Tranquila y satisfecha, como si nada le hubiese ocurrido, borradas ya de su mente infantil las escenas de horror tan recientes padecidas. Ana se pavonea en la pieza principal de la modesta casa del notario, aquella que es a la vez sala, despacho y recibo, con puerta y dos ventanas a la calle, y viejos estantes atestados de papeles y libros...
—¿Por qué no me traes algo de comer. Colibrí? El señor Juan dijo que te ocuparas de mí, que me atendieras... Yo estoy aquí, porque él me ampara y me da esa cosa que llaman asilo, que es como decir que estoy de huéspeda... y tú... .
—¡Cállate! —la interrumpe Colibrí al oir que un caballo llega y para allí cerca—. Parece como que vienen visitas.., ¿No oíste un caballo? .
—¡Ay, qué miedo! No abras. Colibrí, ponle tranca a la puerta, pasa .el pestillo, grita que los amos no están... —Loca de espanto. Ana ha corrido imprudentemente hacia la ventana, abriéndola de par en par, y la figura que divisa le hiela la sangre en las venas—, ¡El amo Renato! ¡No abras, Colibrí!

Su grito ha sonado tardío. También Renato D'Autremont la ha visto a ella a través de los barrotes de la ventana, la ha reconocido y de un violento empujón abre de par en par la puerta, que apenas comenzara a franquear Colibrí...
—¡Conque era aquí donde estabas, dónde te escondías! ¡Ahora comprendo.. .! Y él, ¿dónde está? ¿Dónde están él y ella?
—Mi patrón no está... Se lo juro, señor Renato... No está... Se fue ahora mismo... Puede mirar toda la casa si quiere... El no está aquí...
Colibrí, asustado, ha retrocedido tratando de ganar la puerta, pero Renato D'Autremont ya no le mira. Sus ojos se han clavado en Ana, que temblando ha caído de rodillas... No ha tenido fuerzas para esconderse, para huir, y cuando él se acerca, grita espantada:
—¡No me mate, señor Renato, no vaya a matarme! ¡Yo le digo todo lo que. quiera usted saber! ¡Yo se lo digo, pero no me mate, mi amo!

—¿Por qué huíste? ¿cómo huíste? ¡Habla... empieza a hablar! Mucha culpa has de tener para que tu miedo sea tanto... Tú eras su cómplice, ¿verdad?
—Yo no hacía nada... Sólo lo que la señora me mandaba... Yo siempre tenía miedo... A casa de Kuma iba yo temblando. .,
—¿Para qué ibas a casa de Kuma? ¿Para qué iba ella?
—Para que le ayudara. La señora Aimée iba a hacer como que se caía del caballo, y entonces Kuma tenía que recogerla : y llevarla a su casa, y decirle a todo el mundo que la señora se había caído del caballo y que por eso. se había perdido el niño... ¡Ay, señor, no ponga esa cara! ¡Yo no lo inventé!
—¡LO inventó ella, ¿verdad? ¡Naturalmente! Todo fue una comedia, una farsa..'. ¡Por eso salió de la casa como salió! Pero tú... tú...
—La señora me mandó que lo avisara, que le dijera con. mucho alboroto que ella se iba a caballo... Ella quería que usted pensara que por su culpa se había perdido el niño... para que la quisiera más... no por nada malo. Y p a t a que la perdonara. .". y no averiguara demasiado.. "
—Averiguará, ¿el qué? ¿Qué hacía mientras yo la dejaba sola? —quiere saber Renato.

—Pues nada, mi amo... Todo le salía mal ahora a la señora Aimée... No hizo sino pasear, porque aquel oficial tan guapo se fue en el barco. Para mí que el señor Juan se le atravesó...
—El señor Juan, ¿qué?
—Ya usted lo sabe... la señora Aimée estaba loca por el señor Juan.,.. Pero no la tome con él... él no la quería, por eso estaba loca la señora, loca buscándolo, y él nada... nada...
—¿Buscándolo? ¿Buscaba Aimée a Juan?
—No se ponga bravo, mi amo... no podía remediarlo... La primera vez que él fue a Campo Real para llevársela...
—¿Llevársela? Entonces, ¿fue por ella... fue por ella...?

—El ama tuvo miedo. Le echó el muerta a la señora Mónica, pero después lloraba y lloraba. ¡Pobre señora Aimée! Siempre decía: "No hay otro como Juan". Perdone, mi amo, pero como usted quiere saber...
—¡Sí, quiero saber! —atosiga Renato furibundo—. Habla, habla, arroja de una vez todo el veneno, llévame ya hasta el fondo de esa charca, habla para acabar de hundirme en el fango. Aimée quería a Juan, era su amante, ¿verdad?
—¡Ay, no, mi amo! Para mi que él no quiso saber nada de ella después que lo casaron.,. Ella quería que fuera como antes de casarse la señora con usted.. .que entonces sí la quería el señor Juan, y le traía regalos de todos los viajes, y ella lo esperaba en una playa, y decía que entonces era muy feliz, muy feliz, porque el señor Juan vuelve locas a las mujeres, mi amo..-. —¡Basta! ¡Cállate o no podré contenerme para pisotearte!
—¡Ay, mi amo! ¿Y yo qué culpa tengo? La señora Aimée...

—¡No la nombres más! Ella está muerta, muerta y enterrada... Es a él a quien, he de buscar. ¿Dónde está?
—Yo no sé muy bien... ¡Ay, mi amo, no me tuerza más el brazo!; Se fue para una casa que está haciendo... No sé cómo mentaban el lugar... Casa del Diablo, Piedra del Diablo, o algo así... Pero no vaya... no vaya... El señor Juan dijo... ¡Ay...!
Tras soltarla, arrojándola al suelo, ha corrido Renato. En la puerta, mal sujeto a las rejas de una ventana, bañado de sudor y de espuma, aguarda su caballo y lo monta sin detenerse a calcular si el cansado animal resistirá el último esfuerza Fieramente clava las espuelas en los ensangrentados ijares, y el noble bruto arranca calle abajo...

—Colibrí... Pero, ¿eres tú realmente?
.—Si, mi ama... vine a buscarla. Primero me trepé por la tapia... estuve asomándome, pero no había nadie... Di la vuelta, toqué en la puerta grande... ya esa monja vieja que se asoma por una rejita, le dije que tenía que hablar con usted, porque lo que está pasando tenía usted que saberlo... Y tiene que nacer algo, mi ama, porque van a matarse...
—¿Qué? ¿Quiénes? Juan, ¿verdad? Juan y Renato... Mónica ha temblado al preguntar, y casi son inútiles preguntas y respuestas: todo puede leerlo en los asustados ojos de Colibrí, en el oscuro presentimiento que sacude su alma...
—Sí, mi ama. Como un mismo diablo llegó el señor Renato. Yo estaba empezando a correr el cerrojo de la puerta, y me la abrió de pronto de dos patadas... Llegó como un tigre buscando al amo Juan, y como el amo Juan no estaba, ni tampoco el señor don Noel, pues agarró a la tonta de Ana, la que era criada de la -señora Aimée, y la sacudió como a un perro de aguas, preguntándole... Y ella, claro está, le dijo todito lo que sabía. Como un rayo, el señor Renato cogió el caballo y se fue para allá... . —¿Para dónde?
—Para donde le dijo Ana... donde está haciendo una casa... El patrón no quería que usted lo supiera, mi ama, pero él está haciendo una casa allá donde vivió cuando era chiquito, donde a veces paraba el Luzbel, en el lugar que mientan el Cabo del .Diablo...
—¿Y allá fue Renato?

—Para allá fue. Cuando montó a caballo, vi que le revolaba la chaqueta, y metidas en el cinturón llevaba dos pistolas... seguro que para matar al patrón.
—¡No, no lo hará! ¡Tengo que ir alla... tengo que evitarlo! No puede correr entre ellos la sangre. El Peñón del Diablo... el Peñón del Diablo...
—Abajo en la plaza hay coches de alquiler. ¿Le busco unó, mi ama? ¿Va usted a ir para allá?
—Sí, Colibrí, corre y trae el coche. Iré en seguida y sabré interponerme entre los dos, sabré impedir esa horrible lucha, sea el que sea el precio que tenga que pagar para lograrlo...

Rendido, extenuado, sin responder ya al cruel apremio de la espuela, el caballo que llevaba Renato se ha detenido, totalmente agotado, en el lugar en que se bifurcan los senderos. Uno, para bajar a través de las peñas hasta la mísera aldea de cabañas de palma que se extiende a lo largo de la pequeña rada... Otro, para trepar aún más entre los ásperos riscos, hasta aquel promontorio negro con que la tierra martíniqueña desafía la furia de los mares... aquel peñón desnudo, sobre el que se alzan la casa en construcción y la cabaña en ruinas... aquel lugar de belleza salvaje, conocido por el Cabo del Diablo... Por este segundo camino, Renato llega ante la puerta cerrada de aquella casa en construcción, y la golpea con el ímpetu de su rabia, al tiempo que grita amenazador:
—¡Abran pronto; abran esa puerta o la echaré abajo! Por el hueco de la ventana aun sin hojas, que cruzan travesaños de madera, asoma el rostro curtido de Segundo Duelos, que cambia de color al reconocer a Renato. Y el iracundo caballero, otra vez ordena enfurecido:
—¡Abre esa puerta, estúpido! ¿No oyes que llamo? ¡Ábrela y corre a decirle a Juan del Diablo, que Renato D'Autremont viene a ajustar sus cuentas, que si es realmente hombre, no se esconda... que salga... ¡
—Pero, ¿está loco, señor? El amo no está...

En vano ha corrido el picaporte Segundo. Al golpe de Renato, salta la cerradura improvisada, abriendo paso al que entra como una tromba, desencajado de cólera, preguntando:
—¿Dónde está Juan? ¿Dónde está tu amo? ¡Que venga... que salga .„ . ¡
—Le juro, señor, que no ha llegado...
—Vino, y no vino solo... una mujer venía con él. Si es por ella que callas, ahórrate el trabajo. ¡Di dónde están, o te cuesta la vida callarlo!

Renato ha echado mano a una de las -pistolas que lleva consigo, apuntando al pecho del segundo del Luzbel, que retrocede desconcertado, dejando libre el paso, al tiempo que afirma con decisión:
—Le juro que no sé nada .señor... No podré decirle nada aunque me mate...
—¡Juan... Juan... no te escondas más. ..!1 ¡Asómate, cobarde...! ¡Juan...! —llama furioso Renato, penetrando como bólido por las habitaciones en construcción.
—Segundo, ¿qué pasa? ¿Dónde está Juan?
—¡Señora Mónica.... por Dios! —se sorprende gratamente Segundo, aunque de inmediato tiembla asustado—. El patrón no sé dónde está; pero el señor D'Autremont llegó como un loco. Rompió la puerta, y sacó una pistola para matarme. ¡Creo que de verdad está loco! Se empeña en que usted y el patrón están escondidos en la casa, y por ahí dentro anda buscándolos...
—Déjame con él. Corre a esperar a Juan, y haz cuanto puedas para que no entre hasta que haya salido Renato. ¿Entendido? ¡Anda... ye...!

Mónica ha hecho salir a Segundo de la estancia, justamente en el momento en que Renato irrumpe en la misma,.y sus palabras brotan como casi en un aullido; .
—¡Mónica... estabas con él... era verdad...! —Ha ido hacia ella como un rayo, pero la fría serenidad de Mónica le detiene... en la crispada mano el arma lista para matar—. ¿Dónde está Juan?
—No lo sé, Renato...
—Mientes... sé que mientes! Mientes como todos, para salvarlo. ¡Pero esta vez nadie le salvará Le mataré conceda tazón, con todo derecho.. ¡Déjame!
—¡No voy a dejarte! Si ese amor que tantas veces me has jurado es verdad...

—¡No puedes dudarlo! Pero no sigas, Mónica, no vas a detenerme con esa estratagema. Tú lo sabes todo, lo sabías todo, y lo callabas... ¡Qué ridículo me habrás visto en tu interior cien veces! ¡Qué risible, qué empequeñecido y miserable, trente a ese canalla que todo su placer me ha burlado.. .!
—El fue el burlado, el engañado, el vendido -.. El no sabía que Aimée estaba comprometida contigo; él no sabía nada de ella sino lo que ella quiso contarle... Aimée jugó con los dos, pero era Juan del Diablo el traicionado...
—¡Le quería... le gustaba! —se ofende Renato furioso—. Antes de ser mi esposa, fue su amante... ¡Sé toda la verdad! Me la gritó alguien demasiado estúpido para disimularla... la arranqué de unos labios qué tenían demasiado miedo para ocultarme nada, para disimularme nada... ¡Aimée era la amante de Juan!
—Lo fue antes de ser tu esposa, tú lo has dicho: antes de casarse. Lo engañó a él, lo envió a un largo viaje en busca de fortuna, y cuando él regresaba feliz y triunfante, se encontró con que la que creía suya, era ya tu esposa.
—¿De dónde has sacado esa historia?
—Por desgracia, pasó frente a mis ojos; Sólo. cuando era tarde, me di cuenta exacta de toda la verdad... Por mi sangre de hermana, por las lágrimas de mi madre, que vi correr en defensa dé Aimée, callé cuando acaso hubiera debido gritar. Por eso acepté luego todos los sacrificios para salvarla... por eso me dejé arrastrar como víctima, para ser pisoteada humillada, acaso muerta en las manos dé Juan. ¡Por eso me sometí a todo! Estaba pagando, Renato, estaba pagándote el delito de haber callado... ¿Piensas que puedo jurar en vano por su cuerpo inerte? ¿Piensas que puedo blasfemar, jurando en falso por la memoria de mi; padre? Pues por todo eso y más, te lo juro, Renato. El no fue culpable, no fue responsable...
—¡Pero ella le amaba ¡ Le quiso siempre, le buscó siempre... ¡Qué ciáronlo vi todo de pronto... cómo se descorrieron cien velos con una sola palabra...! ¡Gestos, miradas, el champaña de mi noche de bodas...!

La mano de Renato se ha crispado sobre el arma que aún empuña; sus claros ojos parecen relampaguear con destellos de sangre... Como adivinando su horrible pensamiento, las blancas manos de Mónica se apoyan en sus hombros para sacudirle con ansia:
—¡Renato... Renato, vuelve a la razón! Viéndote así, tengo que pensar que sólo a ella amaste...
—La amé en una hora maldita, pero nada tiene que ver con el amor. ¿Es que no comprendes? ¿Es que no mides todo el alcance de la burla que me ha herido y manchado? Yo era un hombre de honor... ¿Cómo puedo, seguirlo siendo, si en la mirada de un villano hay una burla para mi candidez de esposo? ¿Cómo puedo dejar que viva Juan del Diablo, pensando en la sonrisa que crispó sus labios cuando supo que el despojo de su pasión era la esposa inmaculada que yo había llevado hasta el altar? No puedo detenerme, Mónica, ni por ti que me despreciarías en el fondo de tu alma...
—¡No... no! ¿Cómo podría yo despreciarte si tú... si tú renunciaras a esa torpe y tardía, a esa injusta venganza?
—¿Injusta? Pero, ¿es que no comprendes que ni siquiera era necesario saber lo que sé, para buscar el combate final? ¿Quién te arrancó ahora de mi lado? ¿Quién te trajo hasta aquí, burlándose de mi amor y de mi hombría? ¿Y cómo no había de burlarse? Tiene toda la razón, todo el derecho de hacerlo... Y ese derecho no puedo. arrancárselo más que quitándole la vida... ¡lavando mi deshonor con sangre!

Desprendiéndose de las manos de Mónica, corre Renato hacia la ventana, mal cerrada con travesaños de madera, y va luego á la puerta desvencijada para espiar con ansia la posible llegada de Juan. Puesto que Mónica está allí, piensa que él no puede estar lejos; pero ninguna figura humana divisan sus ojos anhelantes. Bruscamente se vuelve hacia Mónica, y advierte:
—¡Aguardaré a Juan cuanto haya que esperarlo! No puede tardar mucho en querer acercarse a ti. ,
—Y cuando hayas realizado tu venganza, si es que lo logras, no vuelvas a acercarte a mi, no vuelvas a hablarme, no vuelvas a mirarme, Renato. ¿Piensas que no hiciste bastante? ¿Aún quieres derramar más sangre de la que por fuerza habrá de separarnos?
—¡No hables como si le dieras esperanzas a mi amor, Mónica! Es sólo una estratagema para dominarme... Niega que sólo me hablas así para obligarme a desistir de un desquite en el que está empeñada toda mi dignidad, al que no puedo renunciar. ..
—¿Ni al precio de mí misma? —reta Mónica desesperada.

—¿Qué has dicho, Mónica? ¿Qué vas a prometer? —pregunta Renato tembloroso, pálido, con una ilusión ardiendo en las claras pupilas.
—¿Qué puedo prometer? ¿No es acaso bastante, para ti, pensar que la sangre de Juan borraría hasta la última huella del camino que podría acercarnos?
—Es toda una amenaza, Mónica, y es doloroso que sólo acuda a tus labios una amenaza, cuando me has visto temblar al remoto destello de una esperanza de amor. Sí, sí, Mónica, sólo al precio de ti misma podría yo ser capaz...
—No quise decir lo que te imaginas. Tan sólo quise decir que no matarás a Juan sin matarme a mí antes.
—No digas eso, no le defiendas así, porque sólo de oírte hablar como si le amaras, me siento enloquecer. No, no, ahora más que nunca puedo gritarlo: no serás nunca suya, no te abandonaré en manos de Juan, te disputaré como se disputan las. fieras, y que venga si quiere ese bastardo...

—¡No grites así... no hables de ese modo!
—Sólo de un modo puedes evitarlo; sólo al precio que sabes, y puedo jurar que preferiría que me pidieras hasta la última gota de mi sangre. Pero si tú no me prometes, si tú no me juras... -
—No puedo prometerte nada... ¡Aun soy la esposa de Juan!
—Júrame que te guardarás como hasta ahora te has guardado; júrame que esperarás en tu convento ese decreto pontificio que ha de devolverte la absoluta libertad; júrame que. cuando seas libre, me permitirás estar a tu lado, compensar a fuerza de amor y de ternura todo ese horrible mal que aun no me perdonas ... Júramelo, Mónica...
—Sólo una cosa he de prometerte, y es igual que si la jurase, Renato: me guardaré como hasta .ahora... Y no será gran trabajo guardarme. Tienes mi promesa. Vete ya. ¡Sal por aquel lado!

Lo ha empujado con ansia, le ha hecho salir, inclinando la cabeza para pasar bajo los andamies. Luego corre a la puerta abierta de par en par, y llama:
—¡Colibri... Colibrí...!
—¡Aquí viene ya el patrón, mi ama! —avisa Colibrí acercándose a Mónica—. ¿Quiere que yo...?
—Quiero que calles. De cuanto has visto y oído, no repitas ni una palabra. Es por el bien de Juan, Colibrí, por su solo bien.
—Ya lo sé, mi ama... por el bien del patrón es todo lo que usted hace. Pero si el patrón me pregunta.
—Ya responderé yo a cuanto él quiera preguntar. Sal por aquel lado. Colibrí, mira si ya va lejos el señor Renato y vuelve a darme cuenta, pero sólo cuando yo te pregunte... ¡Anda!

A tiempo le ha empujado haciéndole marcharse. Juan está ya bajo el dintel de la puerta principal, y la mira en silencio, con larga y enigmática mirada. . , .
—Una doble sorpresa, Mónica. Tu visita, tan inesperada como la de Renato... Pero, ¿dónde está él? Segundo me dijo que había venido a desafiarme, que entró forzando las puertas, profiriendo insultos y amenazas...
—Sin embargo, ni quiso esperarte. Me temo que Segundo exageró el relato —rebate Mónica en tono natural y suave—. Con irse como se fue, te ha dado todas las satisfacciones que necesitabas. El es el ofendido, Juan. Todo se lo contaron. No le ahorraron ni el dolor ni la vergüenza de- un solo detalle.
—Tampoco a mí me ahorraron detalles: los vi, los palpé, y ni siquiera fueron contados.

—No puede compararse. Tú sufriste en tu amor, y él en su dignidad. Tu herida fue la desilusión; la de él, el escarnio. Tu pena pudo arrancarte lágrimas; la de él... la de él es de las que piden sangre. ¡Pero no correrá esa sangre mientras yo viva, Juan! ¡Basta con Aimée!
—Efectivamente, basta. El la empujó a la muerte, ¿verdad?
—¡Oh, no, no... eso no! Fue un accidente desdichado. El propio Padre Vivier me lo ha referido. Se empeñan en mancharlo, en acusarlo... El nada sabía de Aimée... casi nada. Fue Ana, la torpe cómplice de mi pobre hermana... La encontró en tu casa al ir a buscarte... y la obligó a hablar. Bien puedo imaginarme lo que saldría de aquellos labios... comprendo que Renato enloqueciera...
—Tú siempre comprendes a Renato. En él encuentras disculpables hasta los crímenes... Pero, no te preocupes, no tengo ningún interés en juzgar sus actos, ofendiendo con ello tus sentimientos más íntimos y tiernos. Para ti no es un hombre, es un ídolo, un semidiós, y los dioses tienen derecho a todo, ¿verdad?

Amargamente ha apretado Mónica los labios sin responder a Juan. ¡Qué extraño y lejano le parece en aquellos instantes, qué frío su corazón, qué injustas sus palabras! Pero la horrible batalla está ganada. Puede respirar, tranquilizarse. Renato está lejos... se aleja llevando en el alma una esperanza vana y una promesa que repentinamente se le antoja ridicula. Defenderse.;. guardarse, pero, ¿de quién? Los ojos de Juan pasan sobre ella como si resbalaran al mirarla. Inmóvil en medio de la destartalada sala, parece aguardar que ella le diga adiós, que se aleje cuanto antes la que es sólo una intrusa en su vida y en su casa. Sordamente humillada y dolorida, Mónica se dispone a marchar, y explica: '
—Me trajo un coche de alquiler, que mandé me aguardase. Debe estar cerca...
—Le hicieron marchar hace rato, poco antes de que el caballero D'Autremont lograra milagrosamente armar las lineas de soldados. Supongo que una vez más sacó partido de su fortuna y de Su rango...
—¿Qué estás diciendo? No te entiendo.
—Lo siento, Mónica, pero no creo que puedas marcharte.
—¿Vas a oponerte tú?
—Yo no... las leyes que protegen al que se dice propietario de todas las tierras que nos rodean: la aldea, el camino, la playa, todo le pertenece y todo está cerrado para nosotros. Caímos en una trampa. Lo siento, Mónica, pues esto aun no está habitable. Una vez más pagarás el tributo que te corresponde, por ser la mujer de Juan del Diablo...

Con esfuerzo, han penetrado en la mente de Mónica las palabras de Juan, y su vista se extiende a cuanto la-rodea, como si por primera vez lo mirase, como si sólo ahora se diera cuenta cabal de que pisan sus pies aquel famoso Cabo del Diablo que tantas veces oyó nombrar a Juan... Este la ha llevado hasta la puerta. En el lugar en que se bifurcan los senderos hay una línea de soldados que se extiende cruzando el camino carretero, aislando la playa y el Peñón del Diablo de toda posible comunicación con Saint-Pierre... Casi balbuceante, Mónica se vuelve interrogádora a Juan:
—Entonces, ¿no es posible salir?
—Ni salir ni entrar. ¿No comprendes? El amo de esas tierras no nos da permiso para pisarlas, y como no hay otro camino,' cuenta con rendirnos por hambre o por cansancio... La lucha es a muerte, y no me quejo. Yo la desaté, yo la he buscado...
—¿La lucha contra quién?
—Ya sé que no sabes de mis cosas ni tienes por qué saber. Tampoco tienes por qué saber nada de este lamentable montón de piedras que me dio su nombre. ¿Me permites mostrártelo?

Le ha tomado la mano y juntos cruzan el umbral... Un brusco movimiento recorre la larga tila de soldados, pero Juan sonríe tranquilizando a Mónica:
—No te preocupes, no te harán nada mientras no tratemos de cruzar esa raya blanca que trazaron ayer los alguaciles. Con ella marcan el límite de lo que legalmente me pertenece. Tiene gracia, ¿verdad? Después de. todo, no salí mal librado; El Estado me otorga un -pedazo de tierra... si a estas rocas puede llamarse tierra. Pero, en fin, reconocen que pertenece: a Juan del Diablo. La raya baja por el filo de las rocas, ¿ves?, y llega al otro lado. Por lo tanto,' y ésta sí que fue una sorpresa, también me pertenece la playa, con esa vieja aldea donde fui pordiosero...
La ha llevado hasta el borde mismo de los acantilados, allí donde baja serpenteando el sendero de cabras y abre la pequeña rada, tan cercada de farallones como un anfiteatro... Unos metros de arena rubia, un puñado de casuchas miserables, y frente a ellas, el grupo oscuro .de hombres y mujeres que alzan la cabeza, iluminados los ojos de esperanza al divisar desde lejos a Juan...
—¿Qué significa esto? —pregunta Mónica intrigada.
—Significa que la aldea es libre. Hay un hombre que indebidamente les cobraba por tender allí sus redes, por haber fabricado alli sus míseras cabañas, por hacerse a la mar desde esta playa... Era un buen negocio, que se terminó gracias a mi audacia. Su respuesta es sitiarnos, cercarnos... Somos dueños de este pedazo, pero no podemos pasar, y él- defiende sus derechos con las armas de esos soldados que, naturalmente, le respaldan. ¿Comprendes ahora?

Un destello de admiración ha ardido en los ojos de Mónica. Sin darse apenas cuenta, se ha apoyado en el brazo de Juan, y; sus ojos van desde el hermoso rostro varonil curtido por el sol y los vientos, hasta aquel grupo oscuro y miserable...
—¿Es eso lo que has estado haciendo todo este tiempo, Juan?
—Sí... Pensé redimirlos, pero soy un triste redentor. Se rompió una cadena, pero se alzó un muro... Cuando no puedan más, se rendirán. Eso dice Noel... Y habrá que pasar por todo cuanto se le antoje al propietario, que aun será más cruel. ¿Comprendes?
—¿Quieres decir que te das por vencido?
—¡Eso nunca, Mónica! Lucharé con todas mis fuerzas... hasta el fin... Y si todo se pierde, como los viejos capitanes, me hundiré con mi barco...
—¿Tu barco? —repite Mónica con una lejana esperanza.
—Es una forma de hablar...

—Ya lo sé; pero, al decirlo, me haces que piense... Queda el mar... Por el mar puede Salirse, ¿verdad?
—Podríamos salir si tuviéramos barcos. Los botes de esta gente son demasiado débiles para arriesgarse más allá de aquel promontorio, y el Luzbel, una vez más, ha sido confiscado... Pero, ¿por qué has de preocuparte? Se diría que te importa todo esto... ;
—¡Me importa, Juan, me importa.. ¡
Como en contradicción con sus palabras, se ha apartado de Juan, ha dado unos pasos alejándose a lo largo de las .piedras filosas, y volviendo la espalda a aquellos ojos clavados en ella, queda mirando las olas estrellarse... Le ha sentido acercarse, siente el-.anhelo de volverse bruscamente para mirarle cara a cara, el ansia loca, absurda, irreprimible, de echarle al cuello los brazos anhelantes... Pero al volverse muy despacio, el rostro de Juan tiene una expresión vaga, su mirada se ha vuelto lejana y hay en Mónica como una sacudida, como el espolazo de una idea malsana, al preguntar:
—¿En qué piensas, Juan? ¿Acaso una gruta en la playa? —Y con ira contenida, exclama—: ¡Entonces, te dejo con tus añoranzas!
Se ha ido con paso tan rápido que Juan no acierta a detenerla, como si más que correr volase sobre las aristas cortantes de aquellas rocas, negros cuchillos afilados al golpe del viento y del agua; menos agudos, sin embargo, que sus pensamientos;
menos desgarradores que sus ansias...


10

RENATO HA PENETRADO hasta el centro del patio de su casona de Saint-Pierre, un tanto sorprendido de encontrarla abierta, y desmonta, poniendo las riendas en manos del lacayo color de ébano que acude al sentirlo llegar... Pero antes de que llegue a preguntar nada al sumiso criado, una menuda figura color de cobre ha aparecido bajo los arcos, y acercándose, indica a guisa de explicación:
—La señora me envió a preparar la casa... Acabamos de llegar... me parece que a tiempo. Parece usted muy cansado, señor Renato...
Bajo los párpados que velan su oscura mirada, Yaniná examina al caballero D'Autremont que, en efecto, lleva sobre sí las huellas de sus violentos viajes. Con trabajo arrastra el lacayuélo al caballo extenuado, y los ojos de Yaniná suben desde las botas cubiertas de polvo y de fango hasta el rostro húmedo de sudor, iluminado lo bastante como por un destello de felicidad...
—Puedes mandar que me preparen el baño y la cena, Yaniná.'..

—Sí, señor... al instante. ¿Va entretanto a beber algo? ¿Un "plantador"? Yo misma puedo preparárselo...
—Gracias, Yaniná. Por el momento, necesito para otras cosas tus manos. Sé que son muy hábiles preparando ramos, ¿no? Corta todas las rosas que haya en el huerto, busca un hermoso búcaro... el más lindo que haya en la casa..,
—Si, señor —acata Yaniná balbuceando sorprendida—. ¿Y , después... ?
—Lo llenarás con todas las rosas que hayas cortado, y lo enviarás con unas líneas que voy a escribir...
Yaniná queda un instante mirándolo, como si no pudiera desprender los ojos del tino rostro varonil que lentamente ha ido transfigurándose. Desde hace muchos meses, no recuerda una expresión semejante en el rostro de su amo. Es como si juntas aletearan ante sus ojos una ilusión y una esperanza. Y los tristes labios de Yaniná contienen con esfuerzo el temblor de su voz al preguntar:
—¿A qué lugar debo enviar las flores, señor?
—Al Convento de las Siervas del Verbo Encarnado. Renato-D'Autremont ha cruzado el patio rumbo a su acostumbrado refugio, en aquella vieja biblioteca de la vetusta casa de Saint-Píerre, tan cargada de libros que nadie lee jamás. Y los ojos de Yanina le siguen, velados a la vez de rencor y de angustia, de celos encendidos y de ardiente curiosidad. Se clavan en su espalda hasta ver desaparecer la alta y delgada figura tras las puertas labradas. Luego, las palabras escapan de sus labios como un eco: —Al Convento de las Siervas del Verbo Encarnado...

—¡Colibrí, ven acá!
Sin dar tiempo a que Colibrí obedezca a su mandato, Juan ha ido hacia él... Aun está sobre los negros acantilados desde donde divisa la costa lejana, la playa de la aldea y ef ancho mar, de donde Mónica huyera de su lado de aquel modo extraño, herida por la amargura de un recuerdo...
—¿Por qué tiemblas. Colibrí? ¿Qué te pasa? Toda mi vida detesté a los tontos y a los cobardes...
—Yo no soy nada de eso, patrón —protesta Colibrí con firmeza.
—Porque pensé que no lo eras me caíste en gracia. También pensé que podías ser leal.,. Pero a lo mejor me equivocaba...
—¡Ay, no, patrón, no diga eso! Yo soy leal, más que leal. Yo...
—Fuiste a avisar a Mónica al convento, ¿verdad?

—Yo, mi amo, fui a avisarle. Ella me lo tenía mandado, y usted también me tenia ordenado obedecerla y servirla a ella como a nadie... ¿Está mal hecho, mi amo?
—Está bien. —Juan ha apoyado su mano tostada sobre la lanosa cabeza del muchacho, y las oscuras dudas parecen desvanecerse en los grandes ojazos brillantes—. Sólo quería saber si habías sido tú... . .
—Yo mismo, patrón. Cuando el señor Renato, hecho una fiera, dijo que venía a buscarlo a usted para matarlo...
—¿Lo creíste, mi pobre Colibrí? Mucho has cambiado desde • que andas entre faldas... Antes, cuando te llamé, ¿qué tenías? ¿•Por qué temblabas?
—Nada más tenía miedo de que me. preguntara, patrón. Usted me enseñó a decir siempre la verdad. Yo, a usted, no podría decirle una cosa por otra, y...
—¿Te mandaron decirme una cosa por otra?

—Me mandaron callarme, patrón. Y cuando le preguntan a uno, y uno se calla lo que sabe, es como si dijera una mentira, ¿verdad?
—Casi casi... Pero, ¿quién te mandó callarte?
—La única que puede mandarme después de usted, patrón. Bueno... no sé si después o antes, y ése era el lio que yo tenia entre 1a cabeza: que usted es mi amo, y ella es mi ama, y usted me mandó que tenía que obedecer a ella antes que a nadie* Y luego, usted me manda a hacer otra cosa que ella. ¿A quién le tengo que hacer caso?
—Si ella te mandó callar, calla.
—Es que yo quisiera que usted supiera eso, mi amo. Y al mismo tiempo, no quisiera decir nada... porque ella dijo que era bueno para usted que no"-lo supiera.

La mano de Juan se ha endurecido, resbalando de la cabeza al hombro del muchacho. Un instante han permanecido los dos mudos, inmóviles, pero al recio contacto de aquella mano, el-muchachuelo negro responde como si no pudiera más:
—Por el ama Mónica yo me dejo matar; pero tengo que decirle a usted lo que ella le dijo al señor Renato, lo que le ha prometido, lo que le ha jurado... lo que yo oí desde detrás de aquella puerta donde estaba espiando a ver si usted llegaba para avisarle, porque ella me mandó que asi lo hiciera. Ella le dijo, le juró...
—Calla... Los juramentos de amor son una tontería. Todo el mundo los hace, pero sólo los tontos piensan reclamarlos. Probablemente, ella le juró amor eterno...
—No, mi amo, pero le dijo que se defendería... que se guardaría...
—¿Defenderse? ¿Guardarse? —repite Juan interesado a pesar suyo.
—Y que, esta misma noche volvería a su convento, para esperar allí que se rompiera no sé qué lazo...

Juan ha palidecido hasta parecer blancas sus tostadas mejillas. Un instante se han encendido sus ojos oscuros, para luego apagarse. Al fin, vuelve la espalda al muchachuelo, que da tras él unos pasos totalmente desconcertado, e indaga:
—Patrón... Patrón... ¿está enojado? ¿De veras no le importaba saber...?
—No me importaba nada. Además, nada nuevo dijiste. Colibrí. En una sola cosa hiciste mal: en ir a buscarla. Las cosas de hombres entre hombres se arreglan. Colibrí, ¡qué no se te olvide nunca más!
Mónica ha bajado sorteando los peligros, a través del sendero casi impracticable que tomara al azar, cuando alejándose de Juan ha querido esquivar toda posible compañía. Como el que huyendo de un peligro lo busca más y más, ha descendido a través de las rocas hasta aquel mar, hasta aquel estrecho pedazo de playa, tan parecida a la que unas leguas más arriba se abre cerca de su casa. Sólo que aquí el mar es aun más violento, más encrespado... Apenas deja margen para una estrecha franja de arena, y es como un concierto de rugidos su tronar cuando se hunde en aquella hendidura donde Juan, de niño, escondiera su barca... No, nada se parece en realidad aquel trozo de naturaleza salvaje, a la gruta cubierta de musgo, de piso rubio y blando... Sin embargo, ¿por qué la obsesiona aquel paisaje? ¿Por qué cada ola que se estrella le suena como un eco de la pasión de Juan...?
Amor... pasión... locura... ¡Sí... con locura.... así se amaron... así sigue él amando su recuerdo... su recuerdo más tuerte que todo frente a este mar...!
Se ha recostado contra las duras rocas. Ha cerrado los ojos y a través de los párpados que enrojecen los últimos rayos del sol que muere, el fantástico sueño de sus celos va tomando vida, forma, imágenes... Es como si sintiera renacer un pasado que no conociera, como si locamente recordara una escena que jamás presenció, pero que mil veces ha imaginado: ¡Aimée en brazos de Juan!
Una ola gigante se ha estrellado muy cerca, bañando a la mujer enlutada que en éxtasis doloroso soñara. Y al golpe helado del agua, los ojos de Mónica se abren como si del infierno volviese a la tierra: una hosca tierra en sombras ya, sobre la que se desbordan sus lágrimas, tan amargas como las aguas de aquel mar que la envuelve...

—¡Señora Monica.., Señora Mónica.. .! ¿Dónde está?
—¡Aquí estoy! ¿Quién me busca? ¿Qué quieren?
Saltando sobre las puntiagudas piedras, con su agilidad de marinero. Segundo Duclos ha llegado junto a Mónica, y se detiene, contemplándola por un instante, mudo de sorpresa... Ha bajado casi hasta el fondo de aquella horrible .grieta que cuando el mar está en calma hace fas .veces de embarcadero. Ahora, las olas gigantes se precipitan rugientes en el cañón de piedra y, golpe a golpe, sus espumas bañan el peñón por completo. Chorreantes están los vestidos de Mónica, heladas sus manos, pegados al rostro humedecido los mojados cabellos, y a la tenue luz del farol, que Segundo lleva en la mano, brillan sus claros ojos sobre el rostro pálido y descompuesto...
—¡Caramba! ¡Buen susto no ha dado! El patrón preguntó por usted y me mandó llamarla... La vuelta entera le he dado a los peñascos, y Colibrí por otro lado, buscándola también... Pero, ¿cómo íbamos a pensar que se había metido en este agujero? Ni siquiera sé cómo pudo bajar hasta aquí... i?
Lentamente, Mónica se serena, va regresando de sus dramáticos mundos interiores, frente al rostro curtido, rudo e ingenuo, de Segundo Duelos, y extiende la mirada contemplando el siniestro paisaje que les rodea...
—Tuvimos miedo de que hubiera querido pasar la linea de soldados, y en manos de esos brutos... Bueno, no quiero ni pensarlo. Por la tarde golpearon a dos mujeres de la aldea. Son unos salvajes, patrona. Diga usted que todavía no se lo han dicho al patrón, porque cuando él se entere... Lo conozco bien y sé cómo las gasta... ¡Venga, patrona, venga! Cualquier ola de éstas lo arrastra a _uno... Usted está ya totalmente mojada, y va a hacerle daño... Tiene que tomar en seguida algo caliente y mudarse de ropa... Vamos...

Ha extendido la mano hacia ella, pero no se atreve a tocarla, a interrumpirla cuando Mónica parece sumergirse ;n una intensa lucha contra sus propios sentimientos... Bruscamente, ella parece decidirse: '
—Segundo, usted sabrá remar y manejar un bote, ¿verdad?;'
—Todo lo que otro hombre haga' en el mar, lo hago yo también. Es mi oficio, patrona...
—¿No sería capaz de llevarme esta noche a Saint-Pierre?
—¿A Saint-Pierre en un bote? —se extraña Segundo en el colmo de la sorpresa—. ¿Con este mar? ¿Con este tiempo?

—Una vez desembarcaron del Luzbel en un bote pequeño, con un mar como éste. Recuerdo perfectamente...
—Recordará que fue el patrón... Con sus propias manos tomó los remos...
—Antes dijo usted que todo lo que otro hombre hiciera en el mar...
—¡Ah, caramba! Pero no conté con el patrón al decir eso. El, en el mar, es más que un hombre. En el mar y en la tierra, patrona... y eso usted tiene que saberlo mejor que nadie...'
—Tal vez... Pero no es ese el caso... Se trata de que usted no se arriesga a llevarme.
—No, no estoy loco. Sería tanto como echarla a esa grieta, de cabeza. Perdóneme, patrona, y mándeme otra cosa. Tenemos orden del patrón de obedecerla siempre, pero eso sí que no puede hacerse... —Y cambiando, de pronto, exclama—: ¡Oh.... el patrón!

Lo Tía visto al alzar la linterna. Está cerca, un par de metros de ellos solamente... No lleva farol ni linterna, y su voz truena como desde el timón de su goleta:
—Salgan de ahí en seguida... ¿No ven que está subiendo la marea? Cualquier ola de éstas se los lleva- .. ¡Pronto... Arriba...! ¡Fuera de aqui! ¡Es demasiado peligroso este sitio!
—Es; lo que yo le estaba diciendo a la señora, patrón... — Juan ha arrastrado a Mónica, sin darle tiempo a protestar, a esquivar las manazas de hierro que la alzan como una leve pluma, haciéndola trepar a través de las piedras, y la. lleva hasta la cabaña! en ruinas, depositándola sobre embanco de madera, casi único mueble que hay allí. Podría parecer una cueva si sus paredes; ¡no estuviesen blanqueadas, y escrupulosamente limpio su piso de tierra. Dos faroles de barco la iluminan con su luz dorada,-y arde un alegre fuego en el tosco anafre que está junto a la puerta...
Desde su banco, Mónica le mira en silencio. Ha vuelto a vestir ropas de marino, aquellas ropas que, lejos de hacerle más rudo-,-le hacen lucir más flexible, más esbelto, dándole un cálido e inquietante atractivo. Pero en sus magníficos ojos italianos, la soberbia ha puesto su expresión de desdén más profundo... Sin embargo, se encienden de una pasión extraña cuando miran a Mónica larga- e intensamente...
—¿Por qué no te acercas más al fuego? Estás temblando, mojada totalmente, y no creo que haya quien pueda prestarte ni un mal vestido entre las infelices de la aldea...
—No hace falta... Asi estoy bien... No te preocupes más de mí...

—No me preocupo, pero prefiero no darle ocasión al bello Renato para decir que te asesiné en mi cueva, en mi Peñón del Diablo...
—Juan, te suplico que dejes el tema...
—Contigo es preferible dejar todos los temas. Creo que, en efecto, no tenemos nada que hablar. Soy yo quien vanamente se empeña... ¡Bah...! ¿Para qué seguir?
Se ha mordido los labios con rabia, y Mónica siente un extraño alivio frente al espectáculo de su sorda ira... No sabe por qué le siente ahora contra ella agresivo y violento, pero aquel cambio le produce un absurdo y áspero consuelo... Sí, lo prefiere así. Pero, ¿por qué esa irritación contra ella? ¿Acaso ha escuchado lo que le proponía a Segundo Duelos? ¿O le guarda rencor por aquel peligroso paseo? La voz de Juan llega, como respondiendo a sus preguntas íntimas:
—Voy a salir para que te quites la ropa y trates de secarla al calor del fuego. Luego, puedes acostarte en una de esas hamacas y tratar de dormir. Las noches se hacen largas en el Cabo del Diablo, y no sabemos cuántas tengas que estar aquí. Ya sé que harías cualquier disparate con tal de evadirte, pero no permitiré que corras el menor peligro. Yo seré quien provea los medios racionales para sacarte de esta ratonera, si es que las cosas siguen así. Pero entre tanto yo no lo disponga, tendrás que conformarte. ¿Has oído?
—Perfectamente. No soy sorda... puedo oir cualquier cosa que me digas.

—Y espero que obedecer cuanto yo ordene, puesto que estamos casi en estado de sitio, y todo tiene que moverse como en un barco en alta mar, a la voz mía.
—¿Un barco en alta mar? —repite Mónica en tono algo burlón.
—Sí. Se acabaron los paseos nocturnos, los descensos a los rompeolas y los proyectos descabellados, como los que hacías con Segundo.
—Ya veo que nos escuchabas,..
—Les oí, que no es lo mismo. Y para cortar el mal de raíz, no saldrás de la cabaña sin mi permiso... Prefiero darte cárcel a tener que darte sepultura. Estamos rodeados de mayores peligros de lo que te imaginas...
—¿No es un pretexto para darme guardianes?
—Tu guardián voy a ser yo mismo. Contigo no puedo fiarme ni de los mejores... los embobas, los embaucas. Lo mismo Segundo, que Colibrí, acaban siempre por hacer lo que tú mandas, lo que tú dices. Había ordenado arreglar la cabaña para ti, pero tendremos que compartirla.,. Mas no te asustes, porque no hay motivo de alarma. Menos espado había en la cabina del Luzbel, y no por eso me acerqué a ti.

—¿Que no está. en el convento? ¿Que aun no ha llegado allí? ¿Qué dices, Yanina?
—Es lo que le dijeron a Cirilo. El dejó las flores y la carta... No sé si hizo bien. Las dejó, porque entendió que la señora Mónica no tardaría, pero dice que al salir, en la propia esquina, oyó hablar de los sucesos del Cabo del Diablo... Parece ser que un cochero trajo la noticia, un cochero de alquiler que había llevado a la señora Mónica allí... Ese hombre fue el que dijo...
—¿Qué dijo?
—Estaba furioso. Los soldados lo echaron de allí haciéndole perder el viaje de regreso, y obligándole a abandonar a su dienta. Parece ser que el dueño de la finca, por donde hay que pasar • para ir hasta allí, ha cerrado el camino. No sé hasta qué punto pueda ser verdad o mentira, porque también oyó decir Cirilo que usted venía de ese lugar... y cuando nada ha advertido...
—Me dejaron pasar... Había soldados, pero me abrieron paso... ¡Ahora lo recuerdo, si! Entonces, Mónica... ¡No, no es posible! Iré ahora mismo...
—A Cirilo le aseguraron que el asunto era grave, que había unos pescadores alzados en rebeldía, y que el propio gobernador había dicho... ,
—¡El coche! ¡Un caballo... en seguida! Voy a buscar a Mónica, a sacarla de allí... ¡y no habrá nadie que me lo impida!
—¡ Renato... hijo...!

Renato D'Autremont se ha detenido, mal dominando su disgusto y su ira, mientras llega Sofía, hasta apoyar las manos en su pecho...
—Hablaremos más tarde, mamá... Ahora no es posible... ¡No sabes lo que pasa!
—Lo sé. Acabo de hablar con Cirilo... Por eso quiero hablarte, que pienses un momento antes de irte así... Lo que ocurre es grave, muy grave...
—Cuanto más grave sea, más pronto necesito acudir...
—No harás sino ponerte inútilmente en evidencia. Los soldados tienen orden de disparar contra todo el que se acerque a la línea.
—Ya la crucé una vez y no ocurrió nada. No tengas cuidado, que no dispararán contra mí.
—Pasaste hace unas horas... Ahora todo es distinto... Todo Saint-Pierre tiene los ojos fijos en ese desdichado asunto. Lo que Yanina iba a decirte es que el gobernador ha salido para allí.
—Una razón más para que yo no tenga inconvenientes...

—Pero, ¿no te das cuenta que tu actitud llevará hasta el límite las habladurías?
—¿Qué importa, cuando se trata de Mónica? ¡Por mí fue al Cabo del Diablo! ¡Por mí está sitiada entre enemigos! ¿Y pretendes que la abandone, madre?
—Pretendo que tengas prudencia, que evites el escándalo, por ella misma. ¿Es que te olvidas ya de lo que la gente piensa, de las sospechas que flotan sobre ti? Que no sea yo la que tenga que recordarte que la sangre de tu esposa está fresca todavía...
—¡Que piensen lo que quieran, que digan lo que quieran de mí! Encontré a Ana, la interrogué... Me hizo juguete de sus caprichos, se burló de mí y de ti, madre.' A ti te hizo víctima de la más sangrienta de las burlas. ¿Y aun esperas detenerme, diciendo que su sangre está fresca todavía? ¿Y aun piensas que el respeto humano me impida ir a donde el deber dé mi verdadero amor me llama? ¡Ya no hay nada que me obligue a callar que quiero a Mónica! Y ella me quiere a mí. Me lo ha dado a entender, me lo ha dicho, tengo su juramento y su promesa... ¡La considero ya como mi prometida!
Sofía D'Autremont ha corrido hacia la puerta lateral por donde saliera presuroso Renato... Ha franqueado el, postigo para asomarse hasta la calle, cuya luz ha cambiado como Si una gran nube rojiza opacara por un instante la viva luz de aquel ardiente mediodía. De pronto, el estampido de un trueno sordo y lejano, le asusta a pesar suyo... Ha buscado con la mirada a quién interrogar, pero a nadie divisa en aquella tranquila calle del más viejo y opulento barrio de Saint-Pierre... Al suave ruido que parece sonar bajo la tierra, el cielo se ha enrojecido un poco más, y después palidece... Pero ya Sofía no mira al cielo, no alza la vista hasta la hosca cima del Mont Peleé... volcán dormido desde sesenta y tres años atrás... No teme nada del gigante terrible a cuyos pies bulle la ciudad populosa y opulenta, ambiciosa y febril, henchida de luchas y pasiones... Sólo mira el lujoso cochecillo que cruza frente a ella en carrera insensata, guiado por las manos de su hijo... Sólo el fuego de las pasiones desatadas parece sacudirla, al sentenciar:
—Tengo que defenderlo... ¡Tengo que salvarlo de sí mismo!

—¿Viste, Segundo? ¿Oíste los tres truenos?
—Sí... vi y oí... Déjame tranquilo...
Acodado en la ventana más alta de las que miran al camino, el anteojo de larga vista tendido. Segundo Duelos observa el ir y venir de uniformes tras la línea guardada por soldados, entre el cortante espinazo de los farallones y el apretado verdor de la espesa manigua. , •
—A mí me dio miedo, pues esos truenos no fueron en el cielo. Yo los sentí como debajo de las piedras, como si el mar se entrara hasta aquí mismo por debajo del piso... Y el sol se puso feo... '
—Se puso feo, pero ya está bonito. ¿Quieres dejarme tranquilo, Colibrí?
-¿Y tú no ves allá arriba, en el monte? Vuelva el anteojo y mira. Segundo.

—Lo que tengo que mirar, porque lo mandó el patrón, es a los soldados, que no están precisamente allá arriba.
—Pero mira un momento... ¿Viste alguna vez una nube negra como la tinta? Hay una nube chiquita, negra negra...
¡Mira... otra! ¡Es el monte que echa nubes por arriba! ¿Qué es eso. Segundo? ¿Hay gente allí?
—¿Gente en el Mont Peleé? No digas tonterías. ¿No ves que no se puede subir? Ni hasta la mitad siquiera llegó nunca nadie. El Mont Peleé era un volcán, pero se apagó cuando ni tú, ni yo, ni mi madre siquiera, habíamos nacido. Mi abuela dice que lo vio arder una vez cuando, 'era' jovencita...
—¡Ah!, ¿sí? ¿Ardía la montaña? ¿Y cómo ardía?

—Echaba por la boca piedras encendidas y unos ríos de fuego que acabaron con todas las siembras de por allí. Y dicen que temblaba la tierra y que las casas se caían...
—¡Ya se borró la nube. Segundo... se borraron las dos! —señala Colibrí con cierto entusiasmo.
—Sí... se borraron las nubes, y tú me distrajiste —se queja Segundo, malhumorado—. ¿Dónde se metieron aquel coche y aquellos soldados que estaban en el camino? El patrón me mandó mirar desde aquí hacia dónde iban.' Mira a 'ver si eso importa más que las nubecitas de tinta. Ahora, si me pregunta, le tendré que decir que por hacerte caso a ti...
—¡Segundo... Anguila... Martín...! —le interrumpe la voz de Juan, que llama imperioso.
—¿Qué pasa, patrón? —pregunta Segundo acercándose todo sofocado. Todos han corrido: hacia la puerta donde la voz de Juan los llama con un grito. También, por el camino de la playa, suben los pescadores más jóvenes, empuñando hachas, remos y cuchillos, como sus únicas armas disponibles...
—¡ Miren todos... miren...! —señala Juan exaltado—. El gobernador acaba de irse... aquella nube de polvo es su coche que se aleja por el camino. Ha rehusado la entrevista que pedí, se ha negado a escuchar nuestras razones, a oírnos; pero siguen abriendo zanjas y levantando cercas... ¡Se nos ha negado hasta el derecho de pedir justicia! ¡Pero no vamos a consentirlo! Si no quieren oírnos, arrasaremos con esos soldados polizontes y nos haremos la justicia por nuestra propia mano. -,
—¡Patrón.,. vuelve el coche! —avisa Colibrí.

—Viene un coche.. sí. Pero no el del, gobernador... Es un coche chiquito —explica Segundo.
—¡Lo detienen! ¡No... ya le abren paso, pero no sigue! Juan ha avanzado, descendiendo a saltos por los ásperos riscos. Quiere reconocer al hombre joven, vestido de blanco, que de pie en el pescante del cochecillo parece discutir furiosamente con los soldados policías... Tras él ha corrido Segundo, que llama:
—Patrón... Patrón, ¿a dónde va? ¿Qué es lo que ha visto?
—¡Ese hombre es Renato D'AutremontI ¡Quiero saber qué es lo que viene a buscar aquí!
—¡Juan... Juan... ¡ —la voz de Mónica lo ha herido, lo ha obligado a detenerse un instante, volviendo la cabeza para verla correr hacia él, gritando—: ¡Juan! ¡No... No vayas allí! ¡No te acercarás a él... no he de consentirlo!
—¡Es él quien me busca!
—¡No te busca a ti!
—¡Peor, si es a ti a quien se atreve a venir a buscar en presencia mía! ¡Te juro que¡ ¡Déjame, Mónica!

Un momento se ha desprendido de las manos de Mónica y, marcha hacia la línea donde Renato D'Autremont salta ya del pescante, llegando hasta el límite, donde un oficial le detiene:
—¡Hasta aquí, señor D'Autremont... hasta aquí! ¡Ni un paso más!
—¡Estoy autorizado por el gobernador para entrar a buscar a esa dama, que tiene que volver a Saint-Pierre conmigo! ¿No estaba usted a mi lado? ¿No oyó lo que el gobernador me dijo?
—¡El gobernador dio su permiso para que esa dama saliera, no para que pasara usted allí!
—¡Es usted un....! —se enfurece Renato.
—¡Cuidado, señor D'Autremont! ¡No me obligue a tomar las peores medidas! —amenaza el oficial—. ¡Tengo orden de hacer disparar sin contemplaciones, de sofocar en sangre el motín! —Y alejándose un poco, ordena—: ¡Armas al pecho, centinelas! ¡Listos para disparar contra esa chusma si se nos viene encima!

Renato ha visto a Mónica... Con ira y angustia la ve luchar con Juan, forcejear logrando detenerlo, mientras la enfurecida grey de pescadores avanza también, siguiendo a los hombres del Luzbel, que han sacado del cinto los cuchillos.
—¡Pronto... Pronto... Llame a esa señora y llévesela de aquí! ¿No ve que esa gentuza se amotina? —apremia el oficial acercándose, exaltado, a Renato—. ¡Que cruce ella sola la línea! ¡Haré disparar contra cualquiera de los otros que dé un paso más!
—¡Mónica, tú sola tienes el paso libre! ¡Ven! ¡Cruza tú sola la línea! ¡Pronto! —grita Renato.
—¿Qué? ¿Qué? ¿Qué dicen?
Es la cólera, más que los débiles brazos de Mónica, lo que ha hecho detenerse a Juan a escasos veinte metros de la línea que guardan los soldados en doble fila. A una orden del teniente, se han echado a la cara los fusiles, apuntando al abigarrado grupo; pero Juan del Diablo no parece advertir su amenaza... fija sólo su mirada relampagueante en el hombre que parece acogerse al amparo de los soldados policías...
—¡Ven, Mónica! —llama Renato—, ¡Sal en seguida! ¡Después no te dejarán salir! ¡Ven, Mónica, ven ahora mismo!
—¿Por qué no llegas-tú a buscarla hasta aquí? —grita Juan furioso—. ¡Cobarde! ¡Canalla!
—¡Alto! ¡Alto! ¡Alto, Juan del Diablo, o doy la orden de fuego! —amenaza el teniente.

—¡Déjala salir! —insiste Renato—. ¡Sólo ella puede cruzar la línea! ¡Déjala salir! ¡Si eres hombre, déjame salvarla...!
—¿Que si soy hombre? ¡Ya verás! —Ciego de rabia, fuera de si, Juan ha dado unos, pasos en dirección a Renato, cruzando apenas la línea que defienden los soldados, y en el mismo instante. suena un disparo y Juan se desploma en tierra...
—¡Han herido al patrón! ¡Lo han matado! —grita Segundo enfurecido, y azuza a la muchedumbre—: ¡Canallas... Asesinos. ..! ¡A ellos! ¡A ellos!
—¡Fuego! ¡Fuego! —ordena el teniente gritando como desesperado ¡Al frente los de la segunda línea! ¡Fuego!
En un instante se ha desencadenado el motín, y el griterío de la muchedumbre, que ataca enardecida, se confunde con los disparos y los ayes de dolor. Y por entre esa barahúnda de voces de mando y de gritos, se alza la voz angustiada de Mónica:
—¡Juan... Juan de mi vida!


11

—SEÑORA D'AUTREMONT... CON su permiso... Vi su coche, lo reconocí, me informaron que lleva varias horas aguardando, y me tomé la libertad de venir a darle algunas noticias de las que seguramente está esperando con impaciencia. ¿Puedo hablar?
Sofía D'Autremont se ha llevado a los labios el pañuelo de encajes, acaso para reprimirse frente a un antiguo servidor infiel, tal vez para ahogar los sollozos, el impulso de gratitud que la ha sacudido, obligándola a extender la mano que Pedro Noel se apresura a estrechar...
—¡Pobre señora mía! Comprendo lo que siente usted en este momento...
El más lujoso coche de la casa D'Autremont está detenido al borde del camino, entre los matorrales que bordean el áspero sendero que va al Cabo del Diablo, aunque bastante lejos del sitio de los sucesos que ocupan totalmente la atención de Saint-Pierre. Centinelas, colocados en todos los posibles sitios de acceso al lugar de los acontecimientos, han obligado a Sofía a permanecer allí, mientras el sol de aquel día amargo se hunde lentamente en las aguas del mar, ahora tranquilas...
—¿Viene usted de allí? —se interesa Sofía—. ¿Pudo pasar? ¿Lo dejaron?
—He usado antiguas amistades, viejas astucias y un botecito, también bastante antiguo e inseguro. Pero el caso está en que fui y que vine...
—¿Ha visto a mi hijo? —pregunta Sofía ansiosa.

—Está perfectamente... Pero no ha habido forma de moverle de allí. Ni el teniente, ni el capitán que llegó con las tropas de refuerzo, lo han conseguido. Se apoya en el permiso verbal que le dio el gobernador para llegar hasta la línea, y allí lo tiene usted, clavado en la frontera, aguardando la oportunidad de hablar con Mónica.
—¿Aun no lo ha conseguido? ¿No sabe ella lo que- mi hijo se ha expuesto por sacarla de allí?
—Por desgracia, no pude llegar yo mucho más lejos que Renato. La vigilancia es muy estricta, y el paso del promontorio, inaccesible en un bote aun en un día tranquilo. Tampoco pude ver a Juan... Sé que entre Segundo y Mónica le sacaron la bala y vendaron la herida... Sé que, dada su fortaleza, no es de esperar que su vida corra peligro... Los soldados golpeados, y algunos malheridos, fueron sustituidos por otros, mientras los pescadores, después de ganar la escaramuza y de apoderarse de algunos rifles, se retiraron, viendo acercarse a los refuerzos. Entre ellos hay heridos y temo que algún muerto...
—¿Se retiraron? —se extraña Sofía. Y con cierta rabia censura—: ¿Y los soldados los dejaron así, tranquilos, después de permitir que esa gente... ?
—Esa gente resultó más peligrosa de lo que los soldados creían —declara Noel en tono zumbón—. Y además, tienen toda la razón. Claro que eso, hasta ahora, nada les ha valido...
—Usted, naturalmente, está de su parte... De cualquier modo, le agradezco muchísimo que haya venido a darme noticias de mi hijo, que es lo bastante loco y lo bastante ingrato para no pensar en lo que llevo sufrido y en lo que estoy sufriendo por causa de él...
—Si el consejo de uno que fue su amigo puede servirle, me atrevería a aconsejarle que fuese a descansar, doña Sofía. No creo que Renato corra ningún peligro, puesto que Juan está gravemente herido por culpa de su hijo de usted...

—¿Por culpa de mi hijo? —empieza a indignarse Sofía.
—Sí... Sí... Juan no hubiera perdido los estribos asi, si a todo esto no se hubiese unido el asunto personal. La he visto ablandarse, y voy a serle sincero. Lo que pasa es horrible, doña Sofía... Usted es amiga personal del gobernador, y puede hablar con él... No es posible que la primera autoridad de la isla siga respaldando semejante injusticia. Si está usted verdaderamente apenada por el daño que causó su hijo...
—¿Qué dice? ¿Apenarme yo por el daño que sufra ese bandido?
—No cambia usted, doña Sofía... Hace un momento estuve a punto de compadecerla... Pero fue un error... Tiene usted que sufrir infinitamente más de lo que ha sufrido, y lo sufrirá... ¡Lo sufrirá, sin que nadie se .apiade de usted, porque no merece compasión quien no es capaz de sentirla!
—¡Noel... Noel... ¡ ¿Cómo se atreve...? —balbucea Sofía indignadísima—. [Insolente! ¡Estúpido!
Noel se ha ido, y no escucha ya las últimas .injurias de la dama, que se vuelve furiosa al fornido cochero color de ébano, y le ordena:
—¡A casa, Esteban! ¡Volvamos en seguida a casal

En la cabaña medio en penumbras, a la-luz de los últimos rayos del día que penetran por las entornadas ventanas, apenas se destaca el perfil trigueño y bruñido del hombre inmóvil sobre el improvisado lecho de campaña... Más que sonreír, parece sumido en un hondo letargo angustioso, y junto a él, con las manos entrelazadas, tensa el alma en las claras pupilas, Mónica observa con angustia aquel rostro de medalla, de cuya vida la suya está pendiente. Un leve ruido en la pequeña puerta le hace volverse con sobresalto...
—¿Puedo entrar, patroncita?
—Entra, pero no hagas el menor ruido. Necesita descansar, tiene mucha fiebre... Necesitamos un médico. Colibrí... pero, ¿cómo... ? ¿Cómo... ?
—No sé, mi ama.
—Ya sé que no sabes, pobrecito... ¿Para qué me buscabas? ¿Qué querías?
—El señor Renato está allí —informa Colibrí con el mayor misterio—. Me llamó cuando pasé cerca, y me mandó que le dijera que no se había ido, que no se iba sin usted..;

Un gesto violento ha sido la respuesta de Mónica a las palabras de Colibrí, al tiempo que vuelve el rostro hacia el improvisado lecho de campaña en el que descansa Juan, temblando de que haya podido oir aquella frase imprudente, de que algo altere el ritmo de aquel corazón cuyos latidos cree oir resonar en su propio lecho, como algo tan suyo que sin ello no es posible vivir... Nerviosamente ha apartado a Colibrí de junto a Juan, llevándolo hasta la entornada puerta de la casa en construcción ...
—No ha querido irse, mi ama... Mírelo allí... La pequeña mano oscura señala un lugar entre las líneas confusas, donde comienza la espesa manigua. Claramente se ve la larga fila de soldados que vigilan arma al brazo, el cochecillo abandonado en el camino, y más cerca, junto a los postes clavados para marcar el límite, la figura fina y altiva del último D'Autremont Valois, con su impecable traje de lino blanco, con su bizarra apostura de caballero, con la violenta terquedad de su pasión, que le proclama hijo legítimo de la isla pasional y salvaje donde todo parece bullir al mismo ritmo: montañas ásperas, bosque espeso, costa de rocas, mar bravio, arroyos que se convierten en torrentes a las primeras lluvias, sangres ardientes y corazones exaltados, mentes encendidas donde con terrible frecuencia prende la locura su chispa... ¡Martinica...!
—Dijo que era capaz de entrar a buscarla si usted no iba, mi ama...
•—¡Pues si es capaz de atreverse a tanto.. .!
—¡Ay mi ama... Mire.. .! Como lo vean el Segundo o el Anguila, lo reciben a tiros. Y yo mismo, si tuviera una escopeta. ..

Renato avanza hacia el promontorio... Sin duda ha vaciado su cartera entre los soldados que guardan la línea, porque éstos permanecen inmóviles como si no le vieran, mientras él avanza con paso firme por la tierra enemiga...
—Mónica... Ahora sí... Vamonos... No-vine sino a buscarte ...
—¡Y yo no bajé sino a decirte que te fueras de aquí, Renato! ¿No comprendes que esos hombres están locos de dolor y de rabia? ¡Te estás jugando estúpidamente la vida!
—¿Qué me importa la vida si no es al lado tuyo, si no es contigo? ¡Mónica, mi vida!
—¡Por favor, basta! No iré contigo... ¿No lo entendiste ya? ¡No! ¡No, Renato! ¡Déjame, suéltame, vete ya! ¿Para qué has venido?
—¿Y tu promesa? ¿Y nuestro trato?

—¡Ya no existe! ¡Lo has roto tú volviendo aquí! ¡Vete, y olvida...!
—¿Olvidar? ¿Olvidar lo que es la razón de mi vida? ¿Abandonarte sabiéndote en peligro, siendo lo que eres para mí? Pero, ¿te das cuenta de lo que me pides? ¡No te dejaré, y menos aún si pretendes volverte atrás de la palabra que me diste!
—Y si la sostengo, ¿te irás, Renato? —indaga Mónica con angustia.
—Óyeme, Mónica... De aquí nadie va a salir con vida... Se han llevado las cosas al último extremo... El gobernador está furioso... Le sobran medios materiales con qué aplastar la rebeldía de Juan y las tres o cuatro docenas de locos que le siguen. Si no se entregan en el acto, si no se rinden, va a correr mucha sangre. He oído que están decididos a todo... Por eso no pude moverme de aquí. ¿Te das cuenta? ¿Comprendes? ¡No puedes perder la última oportunidad que se te brinda!
—¡No puedo abandonar a Juan! ¡No lo haré aunque me cueste la vida! Estoy en mi puesto, estoy en mi sitio... No he faltado a la palabra que te di, ni faltaré a ella, pero con. una sola condición: que salgas de aquí en seguida, que vuelvas a Saint-Pierre...
—¡Me prometiste...!

—Te prometí verte en mi convento, no aquí... y a él volveré cuando pueda irme de aquí como vine: Sola y libre... ¡Suéltame!
—¿Y si no te soltara? ¿Si quieras o no, te llevara conmigo?
—¡Suéltame, o gritaré pidiendo auxilio!
—¿A ese extremo eres capaz de llegar? —se duele Renato ofendido y despechado—. Está bien... Sea como tú quieras... Pero recuerda que te lo advertí... Por culpa tuya haré que las cosas se precipiten... Yo le hubiera hablado al gobernador como amigo. Estaba dispuesto a pedirle clemencia para esos estúpidos... —Y en tono casi suplicante, propone—: Lo haré todavía si vienes conmigo ahora, Mónica. Iremos a verle juntos, y con el pretexto de que Juan está herido.;.
; —Juan no me lo perdonaría nunca... Me aborrecería por pedir piedad en su nombre... El no querría la vida conseguida a ese precio... y pedida por ti... ¡Vete, Renato, vete.. .!
Mónica ha retrocedido, ha ganado las estribaciones de piedra negra... Por el camino de la playa aparece una sombra... dos hombres se han movido tras la ventana de la casa en construcción. Sintiendo que el despecho quema sus mejillas, Renato sale de las tierras de Juan del Diablo...
—¿Por qué no te has ido, Mónica?

Incorporado en aquel lecho de campaña, estrecho y duro como una camilla, pregunta Juan, mirando cara a cara a Mónica, que se ha acercado a él sintiendo que vacilan sus piernas. De un pálido que se las adelgaza, que le hace parecer blanco y frío, están las mejillas de Juan, y empapados de sangre aparecen los vendajes que le cubren el hombro y el pecho, pero su acento suena sereno y firme:
—Nuestra situación es critica, Mónica. Hiciste mal perdiendo la oportunidad de salir...
—¿Cómo sabes...? ¿Colibrí?
—Nada dijo Colibrí. A pesar de mis consejos y de mis sermones, a la hora de la realidad siempre está de parte tuya y no mía. Supongo que el pobrecillo es una víctima más de tu influjo irremediable... La mayor parte de las gentes que conozco, se dejarían matar por ti...
—Es que yo... .
—Oí cuanto dijo Colibrí cuando entró a llamarte... Luego, hice un esfuerzo para asomarme a esa ventana y te vi ir a su encuentro... Desde luego, pensé que no volverías...
—¿Es posible, Juan? —sé duele Mónica—. ¿Hubieras querido ... ?
—Me molestaba la idea de que fuese con él; pero, de cualquier modo, era una salida, y, por una vez, el caballero D'Autremont se portó lisa y llanamente como un hombre, negándose a abandonarte en este sitio...
—¿Eso es todo lo que se te ocurre pensar?
—Si hubiera entendido lo que ese imbécil me gritaba cuando me acerqué. al poste..» te hubiera dejado ir...

Mónica se ha acercado a Juan hasta sentarse en la orilla de la estrecha cama de tablas, obligándole a reclinar otra vez la cabeza en la almohada, mirándolo muy de cerca, con su mirada ardiente e inquisitiva, como persiguiendo la emoción que él oculta, como espiando el sentimiento a través de aquel rostro broncíneo...
—¿De veras no entendiste lo que él quería?
—Tal vez sí, pero en aquel momento me cegó la ira. Hubiera preferido matarlo y matarte antes de consentir...
—¿Hasta ese extremo, Juan? —inquiere Mónica sintiéndose algo halagada.
—¡Sí! Qué tontería, ¿verdad? Al fin y al cabo, soy tan estúpidamente soberbio como si fuera un D'Autremont legítimo. A veces, hasta a mi mismo me asquea y me crispa el ramalazo de orgullo y de amor propio que me legó, seguramente al darme la vida, aquel don Francisco D'Autremont que por un triste azar fue mi padre....

Mónica se ha indinado más sobre el herido, tomando entre sus manos blancas la de él, ancha, tostada y firme... Siente que el alma se le llena de comprensión y de ternura; y con todas sus fuerzas la contiene para no dejarla rebosar, para no entregarse, rendida y vencida, mientras, como temiendo que le delate la luz de sus pupilas, Juan del Diablo entorna los párpados sobre los negros ojos italianos...
—¿Hubieras querido de verdad que me fuera, Juan? Mónica ha temblado esperando la respuesta, ha sentido acelerarse el pulso de Juan bajo sus finos dedos, pero el eterno desconfiado y resentido que hay agazapado en el corazón de aquel hombre le hace dar por respuesta otra pregunta:
—¿Y por qué no habías de irte? ¿Qué razón, qué motivo tienes tú para estar aquí?
—Me gusta pagar mis deudas —declara la altiva Mónica de Molnar con una sonrisa a flor de labios—. No soy nada olvidadiza... Recuerdo un lecho como éste... Me recuerdo enferma, postrada, desesperada, sin más esperanza que morir, y el hombre a quien yo creía mi mayor enemigo, sentado á la cabecera de aquel lecho, disputándole a la muerte mi triste vida. Ahora se han trocado los papeles, y aunque la situación es distinta, podemos compararla... Estás acorralado y herido, como yo estaba desesperada y enferma. Y, como tú entonces, no te abandonaré, Juan, ¡no te dejaré morir.. .!

Mónica ha hablado enmascarando con una sonrisa la cálida oleada de ternura que inunda su alma, entregándose a medias, defendiéndose, ya casi sin fuerzas para hacerlo, de aquel sentimiento que llena su vida, mientras Juan saborea cada una de aquellas palabra como una amarga y codiciada golosina... Juan del Diablo, el eterno desconfiado, el inconforme contra su suerte y su destino, el resentido contra el mundo entero,' que no sabe extender las manos para tomar la dicha... Y mientras entorna los párpados, pasa la mano de Mónica sobre su frente como una suavísima caricia... Si el abriera los ojos, si le entregase en una mirada todo lo que en su corazón siente bullir... Pero el hombre que no tembló ante las tempestades, tiembla ante el azul de aquellas pupilas, teme hallarlas burlonas y frías, y habla sin mirarla, con terca obstinación de niño:
—Creo que exageras las cosas... El caso no es el mismo... Por atenderte un poco, yo no corría ningún peligro.
—El contagio... Mi fiebre era contagiosa, y tú lo sabias. .. Me Viste adquirirla en los barracones... Fue un milagro que en todo el Luzbel no hubiese más enfermo que yo... Cualquiera, en tu lugar, me habría dejado en el primer puerto... -
—En María Galante, ¿verdad? Con tu doctor Faber,.. Eso era lo que tú querías —reprocha Juan con cierta rudeza.
—Tal vez tú también hubieras querido esta noche verte librado mí...

Trémula y contenida, Mónica ha vuelto a aguardar su respuesta, pero Juan se defiende todavía, busca un término medio, una salida para no confesarse:
—No fue por mi que te lo dije... Sólo pensaba en el peligro, por tí, para tí...
—¿Tú no hablas nunca por tu propia cuenta, Juan?
—Algunas veces, pero no contigo —vacila Juan—. ¿No crees que son demasiadas preguntas para hacerle a un herido?
—Tal vez... Pero tú no tienes aspecto de sentirte muy mal... Antes me engañé... Se engaña una contigo... Pensé" que estabas sin sentido, y sin embargo escuchabas hasta la última palabra dicha a media voz... Creí que no-tenías fuerzas ni para abrir los ojos, y fuiste hasta la ventana... Imaginé que necesitabas mis cuidados, y probablemente reniegas de la casualidad que me trajo aquí...
—Yo no reniego...
—Entonces, ¿qué te pasa? ¡Dilo...!

—Sencillamente, que me abrumas, Mónica. Siempre tomas el camino más duro, el más espinoso, el más difícil, y cuando uno piensa que tuviste alguna razón personal para hacerlo, como le ocurre a todo el mundo, resulta que sólo obrabas conforme a tu conciencia y que te conformas con la satisfacción del deber cumplido. Con razón quisiste refugiarte en el claustro... Es demasiada perfección para la vida, para la triste y .vulgar vida...
—¿Por qué hablas así? ¡Tus elogios saben a sarcasmo, Juan del Diablo!
—Con qué ganas lo has dicho: Juan del Diablo... Dicho por tí, en esa forma, llega a dolerme el nombre...
—Si 'hubiera dicho Juan de Dios, habrías respondido lo mismo... Contigo no se acierta... De un modo o de otro, protestas lo mismo...
—¿Por qué tienes que decirme si soy de Dios o del Diablo? Llámame Juan a secas... Te dará menos trabajo el decirlo...
—Y será más exacto. Creo que no te falta razón... No eres de Dios ni del Diablo... Eres de tí mismo... Tan duro, tan cerrado, tan egoísta como una de esas rocas que no conmueven las olas golpeándolas mil años... Bueno... ¿qué le vamos a hacer? Supongo que es mejor así...
—¿A dónde vas, Mónica?

—A llamar a Segundo para que se quede contigo..., ¿Qué te pasa? ¿Qué quieres?
—No te vayas así... Acércate un poco... Hay algo que quiero decirte, pero... no tengo muchas fuerzas, ¿sabes?
—Supongo que finges debilidad, como una burla más... A pesar de sus palabras, ha acudido solícita, ha tocado su frente, su pulso; ha mirado con angustia la sangre que empapa sus vendajes, y observa:
, —Hay que cambiar esos vendajes... Te ha vuelto a sangrar la herida... Naturalmente, si no estás quieto... ¿Qué necesidad tienes de incorporarte ni de asomarte a ninguna parte? Eres peor que un niño... Cien veces peor que un niño...
—Ya me va pasando... no te preocupes... En realidad, deseo que te quedes aquí... No me respondas nada a lo que voy a decirte...
—No me digas nada ahora... Creo que de veras estás débil. .. —Y alejándose un poco, abre la puerta y llama—: ¡Colibrí... Colibrí...! Busca a .Segundo... Dile qué traiga agua hervida y las vendas que le di antes para ponerlas a secar... Anda. Corre... —Ha cerrado la puerta y acercándose al lecho, ofrece—: Aquí hay un poco de vino... Toma unos tragos... Es lo único de que disponemos...

Ha apoyado la cabeza oscura en sus rodillas, haciéndolo beber poco a poco aquel vaso de vino que hace colorearse de nuevo las tostadas mejillas... Suavemente separa los húmedos y rizados cabellos de la frente y enjuga el sudor con su propio pañuelo, mientras una desconocida sensación, como de inmensa dicha, la hace casi desfallecer...
—Mónica, hay algo que quiero decirte, aunque ya te pedí que no me respondieses nada... Pero es preciso que lo diga... ¡Oh, Mónica! ¿Estás llorando?
—¿Llorando yo? —intenta negar Mónica, disimulando su dulce emoción—. ¡Qué tontería! ¿Por qué había de llorar...?
—No sé... A veces no sé nada... Peco de torpe o me paso de listo...
—Más vale que cierres los ojos, que intentes reponerte... Si lo que me tienes que decir son las señas de algún tesoro escondido en alguna isla, espera que llegue el segundo de tu barco... Es lo clásico, ¿no? La herencia de Juan el pirata... ¿Así te gusta más? Ni de Dios ni del Diablo...
—Mónica, antes no te respondí como debía... A veces tengo la sensación de que me porto como un salvaje contigo... Ya te pedí que no me respondieses nada... Óyeme solamente, óyeme, y si no te gusta lo que escuchas, olvídalo... Te agradezco de un modo infinito el que no te hayas ido... No digas nada... Quiero imaginarme yo mismo lo que querría que me respondieses ...
—¿Puedo saber qué es lo que querrías que yo contestase? —indaga Mónica sin poder dominar su intensa emoción.
—Aquí están los vendajes y el agua hervida... ¿Está peor el patrón? Segundo ha mirado los ojos de Mónica, húmedos de llanto; luego, ha visto el rostro de Juan, demacrado, palidísimo... ha mirado la sangre que empapa ya la blanca camisa y, alarmado, opina:
—¡Hay que cambiar los vendajes, patrona, se ha vuelto a abrir la herida... ¡

Y con la habilidad de un soldado, Segundo se pone a la tarea de cambiar los vendajes, mientras Mónica se acerca a la ventana abierta sobre el mar y aspira el aire fresco, que parece devolverle la vida...
—Segundo, ¿dónde está Mónica? —pregunta Juan con voz débil y baja.
—Ahí mismo, en la ventana, mirando al mar, patrón. ¿Quiere que le diga que usted... ?
—No... Déjala..". Oye, Segundo, si quisieras a una mujer más que a tu propia vida y pensaras que ella quiere a otro y que junto a ese otro puede ser feliz, ¿la retendrías a tu lado? ¿Dejarías que corriera la triste suerte que es tu destino con tal de verla cerca de ti, con tal de escucharla, de sentirla, de soñar a veces que puede llegar a amarte? ¿Lo harías. Segundo?
—No sé bien lo que me dice, patrón... Pero yo digo... ¿Qué puede importarle a uno una mujer que no lo quiera? No sé si es responder, pero...
—Es responder. Segundo... Has respondido... Con desaliento, Juan ha dejado caer los rendidos párpados, como abrumado por una repentina fatiga. Segundo acaba su trabajo y da unos pasos indecisos, mientras Mónica se acerca a él ligera e interrogadora...
—Ya está... Creo que el patrón necesita dormir... Tiene mucha fiebre, y me parece que delira... Debería... quedarse tranquilo...
—Se quedará. Segundo. Vete... Yo estoy con él... Largo rato ha aguardado Mónica para acercarse al lecho. Desde lejos le mira, hasta que el ritmo de la respiración de Juan se hace más acompasado, hasta que le parece que está dormido. Entonces se aproxima paso a paso, mirándole con el alma en las pupilas. Ahora sí puede envolverle en la ola gigante de su ternura, y, sin querer, piensa que bajo aquel mismo techo, agrietado y miserable, corrieron los días más amargos de la vida de aquel -hombre que no supo, de niño, de sonrisas y caricias... Tal vez estuvo enfermo muchas veces entre aquellas paredes inhóspitas, y sólo la Providencia cuidó de conservar su vida... ¡Cómo querría inclinarse sobre la morena cabeza, cubrir de besos su frente, sus mejillas, sus labios ahora pálidos, arrullarle en sus brazos como si otra vez fuese un niño! Ahora, herido e indefenso, el amor de Mónica toma para él una forma distinta... Quiere estar cerca, respirando el aire que él respira... Sus rodillas se doblan y queda acurrucada allí, junto a él, sobre el desnudo suelo, mientras susurra:
—Juan... Si tú me amaras...

Mónica se ha alzado del duro suelo junto al lecho de Juan, donde un instante cayera rendida por el sueño y el cansancio... Aun temblorosa, va hacia la ventana abierta de par en par.... Una pequeña sombra oscura se mueve entre las piedras, y Mónica le reprocha:
—¿Qué haces ahí. Colibrí? ¿Por qué no duermes? ¿Qué te pasa? .
—No me pasa nada... Estaba aquí por si usted me llamaba... No puedo dormir, porque tengo mucho calor... Hay que ver el calor que hace... Y el cielo está otra vez colorado, mi ama. ¿Se fija?
Colibrí se ha acercado a la ventana del lado exterior, hasta apoyarse también en el marco, donde las manos de Mónica se crispan. Con la mirada ingenua de sus grandes ojazos, contempla aquel cielo cargado de nubes rojizas, panzudas y espesas; aquel cielo tan bajo, que parece una inmensa lona tendida sobre el áspero paisaje; tan espeso, que a su través no se ven los picos de las montañas... Mónica no alza la cabeza. Sus ojos van por los caminos de la tierra, rebuscan con ansia entre la linea de soldados, y le da un vuelco el corazón al no divisar ya el cochecillo de Renato... Y con ansia, pregunta a Colibrí:
—Se fue ya el señor Renato, ¿verdad?
—Si, mi ama. Se fue, y cambiaron dos veces la guardia... Y allá abajo, los pescadores están arreglando una lancha grande... —Y bajando la voz, explica en tono de misterio—: No quieren decírselo a nadie... Quieren salir de aquí por el mar, y cuando estén del otro lado, poner un barril de pólvora entre los arrecifes, debajo del campamento donde están los soldados, y prenderle fuego con una mecha muy larga, para que se mueran todos...
—¡Pero eso es un crimen, un verdadero asesinato que Juan nunca va a autorizar!

—Ellos no quieren que lo sepa el amo. Están furiosos porque lo han herido y porque otro de los cuatro que hirieron ayer, el hermano de Martín, se está muriendo ya...
—¡Conseguirán que NOS maten a todos! ¡Eso es lo único que conseguirán!
—Eso le dijo Segundo a Martín, y éste contestó que no le importaba nada con tal de vengar a su hermano, porque lo que más tira en este mundo es la sangre... Y Segundo contestó que a él le importaba más el patrón que toda su familia junta... que el patrón era más que su hermano, y más que su padre... Y yo digo que es verdad, pues el patrón le salvó la vida a Segundo, y a mí también, mi ama... Pero, ¿está usted llorando?
—No, Colibrí, solamente pensaba...
—¿En qué pensaba, mi ama? En que está muy malo el patrón, ¿verdad?
—No, Colibrí, no creo que esté tan mal. Pienso en que nada hay más negro que ese odio monstruoso que a veces brota entre hermanos, ni peor rencor que el que puede levantar nuestra propia sangre...
Se ha vuelto temblorosa para mirar a Juan, y entre las sombras que envuelven la oscura cabaña cree ver unos ojos, unos labios encendidos, unas manos blancas, una forma imprecisa que parece llenarlo todo, apoderándose de Juan, obligándola a retroceder como si un pasado invencible se alzara separándola del esposo a quien ama, y corren en silencio sus lágrimas... aquellas amargas lágrimas de renunciamiento, que tantas veces ha derramado. ..


12

CATALINA DE MOLNAR se ha sentado una vez más en el lecho, escuchando sobrecogida aquel sordo acercarse de tamboras que durante toda la noche ha estado oyendo... La tenue luz de una lámpara, piadosamente colocada a los pies de la imagen que preside la alcoba, extiende por la estancia una luz tibia, temblorosa, cuyo pálido reflejo parece aumentar la congoja que llena el corazón de aquella madre... Ha ido hacia la ventana que da a la galería. Durante las horas interminables de aquella noche, inútilmente ha querido llamar a las doncellas, tirando de las borlas de seda que cuelgan cerca de la cama... Ahora, una especie de terror pueril le salta a la garganta haciendo apagarse su pena un instante, y llama en voz alta:
—¡Petra... Juana...! ¿Es que no hay nadie? ¡Dios mío! ¿Qué es esto? ¿Qué pasa? ¡Padre Vivier!
La sombra que cruzaba cerca, se aproxima solícita. Es el sacerdote, huésped forzoso de la opulenta casa de Campo Real, y su pálido rostro adelgazado parece tan inquieto como el de Catalina de Molnar, al interrogar:
—Catalina, ¿qué tiene? ¿Qué le pasa? ¿Quiere algo?
—No; pero ese silencio primero... y luego... luego ese ruido, esa música... ¡Es indigno que los trabajadores estén de fiesta, que cuando apenas se han secado las flores que cubren la tumba de mi hija... ¡
—Esa música que usted oye. Catalina, no es de fiesta. Conozco bastante los sones nativos de estas gentes, y eso no suena a fiesta, .al contrario...

En la penumbra de la galería. Catalina de Molnar se ha acercado al sacerdote, y juntos miran, con una especie de invencible espanto, el extraño cruzar de aquellas formas negras...
—Es un rito fúnebre, y al mismo tiempo... Escuche, Catalina, escuche bien: algunos hablan... A ver... Sí... .Dicen una rara palabra .en lenguas africanas, que significa lo mismo en varias de ellas... Es la única que entiendo de todas las que van pronunciando. Significa venganza. Esas gentes van pidiendo venganza... Y además, llevan algo, como una camilla con un cadáver...
—¿De quién? ¿De quién?
—No sé... no puedo adivinar, hija mía. Todo esto es-tan extraño...
—Llame usted a alguien. Padre. Las doncellas no responden, pero la casa está llena de criados...
—No hay ninguno en la casa. Estamos totalmente solos, Catalina.
—¿Totalmente solos? ¿Qué dice usted. Padre? Sabía que Mónica se había ido, pero los demás...
—Renato se fue casi en seguida, y la señora D'Autremont no tardó también en seguir viaje, llevándose con ella a Yanina ,y a sus criados de .más confianza...
—¡Tengo miedo. Padre! Debemos volver a la capital... debemos irnos... debemos irnos...
—Ya lo he pensado, pero no hay a quién pedir un carruaje.
—¿Y Bautista?

—No sé. Le vi salir temprano capitaneando el grupo de trabajadores armados que él llama vigilantes. Mucho me temo que todo el mundo esté aquí contra él, y si la señora D'Autremont hubiera querido escucharme, hace tiempo habría puesto coto a sus abusos y a sus crueldades.
—¡Los D'Autremont... los D'Autremont...! —murmura Catalina con rencor doloroso—, ¡Por ellos ha muerto mi hija... por ellos está muerta mi Aimée! ¡Lléveme de aquí. Padre Vivier, no quiero pisar más esta tierra.. .1 ¡Quiero irme lejos de esta casa, donde no les vea ni les oiga más!
—¡Calle, Catalina! ¿Oye usted? Gritan allá, junto a las barracas. .. Y vienen hacia acá con antorchas... Esos gritos parecen amenazas. ¡Vamonos de aquí... vamos! Llegaremos hasta, la iglesia... Junto al altar podremos refugiarnos...
—¿Refugiarnos? ¿Cree usted que vienen contra nosotros?
—Sus gritos son de venganza. Algo les ha hecho estallar, rebelarse ... Parece que persiguen a alguien que va a caballo... Pero, ¡vamos, vamos!

Una de las piedras, lanzada al azar, ha dado en la 'rodilla de Bautista, haciéndole caer, obligándole a detenerse, mientras el sacerdote, tras medir el peligro de una mirada, corre hacia la cercana iglesia llevando casi en brazos a la espantada Catalina...
—¡Muera Bautista., .! ¡Muera el amal —clama una estentórea y ronca voz—. ¡Allá va el ama... 1 ¡También a ella...! ¡Muera!
El Padre Vivier ha logrado hacer saltar el cerrojo de la pequeña puerta del templo, y manos trémulas la cierran tras él... Son algunas de las antiguas criadas de la casa D'Autre-mont, que se refugiaron allí, temerosas también de las posibles represalias de aquella muchedumbre enloquecida y ciega... Locas de espanto, afirman la puerta arrastrando los bancos, mientras el-sacerdote lucha en vano por soltarse de las crispadas manos de Catalina, que, dominada por el espanto, suplica:
—¡No me deje. Padre! ¡Me toman por Sofía! ¡Van a matarme ... ¡
—¡He de socorrer a Bautista! ¡A él sí le matarán sin remedio! ¡Déjenle paso!

—¡Ya están aquí, padre! ¡Que no abran! —recomienda Catalina, asustada por los feroces gritos de la levantisca muchedumbre—. ¡Nos matarán a todos... a todos!
La alta ventana de vidrios emplomados ha caído destrozada por un golpe certero... Dejando sobre un banco el cuerpo desmayado de Catalina, el Padre Vivier acude a la puerta frontal, descorre con esfuerzo los cerrojos del postigo, y lo entreabre lentamente...
La muchedumbre se aleja ya, va hada la casa, tomada por asalto por algunos adelantados; como demonios, cruzan pisoteando los floridos jardines, agitando las teas incendiarias, destrozando cuanto tropieza' a su paso, arrastrando como un trofeo el destrozado cuerpo, ya sin vida, de un hombre blanco...
Paralizado de angustia, el sacerdote sólo acierta a alzar la trémula diestra, mientras se agrandan sus ojos frente al horror del espectáculo, y es una oración lo que acude a sus labios:
—Señor... ten piedad de su alma

—¿Da usted su permiso, señor gobernador?
—Por supuesto, Renato. Pase, pase y siéntese. No puedo negarle que sólo por tratarse de usted le he hecho pasar...
—Supongo que la hora es absolutamente intempestiva; pero, recordando la antigua amistad que ligó a usted con mi padre...
—Ya le he rogado que se siente. Ahora traerán café para los dos.
Conteniendo el disgusto, disimulando el mal humor bajo la perfecta cortesía a que se siente obligado, el gobernador de la Martinica ha hecho una seña discreta a su secretario para quedarse a solas, frente a Renato, y, a medida que sus ojos de hombre de mundo le van examinando de pies a cabeza, su ceño se frunce, su boca se pliega en un gesto de desagrado... Y es que, crecida la barba, salpicados de fango las botas y el traje, el aspecto de Renato D'Autremont es francamente lamentable. Cuando la puerta se ha cerrado, el gobernador comenta:
—Perdóneme si le interrumpí antes. Yo también, mientras le dejaba pasar, recordé la antigua amistad que me ligaba con su padre, pero estimo preferible no mencionar ese asunto delante de terceros, ya que como amigo, y no como gobernador, quiero hablarle, Renato.
—¿Usted a mí?

—Usted sólo desea ser escuchado, lo sé. Y hasta podría decirle por qué ha llegado hasta aquí, sin volver a su casa, tras pasar lamentablemente la noche en vela. La señora... digamos Molnar, ya que será difícil asignarle otro nombre a la que es esposa legal de Juan del Diablo...
—Señor gobernador... —interrumpe Renato con un velado reproche en la voz. .
—Déjeme terminar, se lo ruego. Ya sé que se ha negado a aceptar la facilidad que, por consideración a usted, le fue otorgada. Sé el incidente lamentable que siguió a esa negativa, y el extremo a que han llegado las cosas no admite, por mi parte, contemplaciones de ninguna, clase. Tengo un oficial mal herido, varios soldados con lesiones más o menos graves... Sé que ha habido muertos entre esa gentuza, y que está herido el propio Juan del Diablo. Desafortunadamente» los rebeldes se apoderaron de algunas armas y, lo que es peor, de uno de los barriles de pólvora destinados a volar las rocas, para abrir una zanja que habrá de dejarlos totalmente aislados... Si ahora pretende usted abogar por ellos...
—Al contrario. Vengo a preguntarle por qué tardan tanto sus soldados en tomar el Peñón del Diablo...
—¡Ah, caramba! ¿Cree usted poderlo hacer más de prisa?
—Sin duda alguna, y eso es precisamente de lo que se trata. Vengo a pedirle que me permita proceder a mí. ¿Por qué no da la orden de atacar? ¿Por qué no les toman entre dos fuegos, ordenando el ataque por mar, con los dos guardacostas que hay disponibles en el puerto?
—¿Quiere usted que todas las naciones nos llamen salvajes? ¿Que se cubran los diarios de todas las capitales de Europa con cintillos condenando la masacre, el asesinato perpetrado por el gobernador de la Martinica, de un grupo de pescadores que reclaman sus derechos? ¿Quiere hacerlos héroes o mártires? ¿Hasta tal punto le enloquecen el despecho y los celos?
—¿Qué dice? —se indigna Renato—. Le prohibo...

—Cálmese, Renato. Para mí es usted casi un muchacho. Estamos solos, y con razón, al entrar, invocó mi amistad que no sólo fue con don Francisco, sino también con doña Sofía, su pobre madre a quien está usted atormentando...
¡ Basta, basta! Ahora comprendo su actitud: mi madre se ha adelantado a visitarlo.
—Es cierto, Renato; pero las habladurías llegaron antes.
—¿Habladurías? ¿También las habladurías subieron las escaleras del Palacio? No pensé que usted...
—¡Por favor, calle! No se deje llevar así por la cólera —le interrumpe tranquilamente el gobernador—. Debería ofenderme, pero no lo hago. Comprendo su estado de ánimo y me limito a darle un buen consejo: Apártese de este asunto. Ya se rendirán y pagarán muy cara su rebeldía en los calabozos del Fuerte de San Honorato...
—¡Con dos manantiales de agua potable, y el mar para proveerse de alimentos, pueden tardar semanas, meses, hasta anos en rendirse!

Impulsivamente, Renato se ha puesto de pie. Con absoluta descortesía vuelve la espalda al mandatario para acercarse a la .ventana, a través de cuyos cristales mira, sin verla, la dudad que despierta bajo las primeras luces del alba. La voz del gobernador llega hasta él, estremeciéndole:
—Su esposa ha muerto hace poco más de una semana...
—¡Pero yo no tuve que ver nada con su muerte, nada... nada! ¿No me cree usted? —se revuelve Renato furioso.
—Quiero creerlo, pero no hace usted nada por poner coto a la maledicencia. Y las versiones del accidente que hasta mi han llegado...
—¡Mienten, mienten! Nada hice contra ella. Al contrario...
—Usted la persiguió...
—Sólo con la esperanza de detener su caballo desbocado. Yo no quería su muerte, quería su vida. Creí que iba a darme un hijo... ¿Cómo podía querer matarla? Quiso jugar conmigo, manejarme como un fantoche en la farsa que había preparado... No contó con la Providencia, no contó con la justicia de Dios... Y cuando vio que yo iba a detenerla, cuando estaba a punto de alcanzarla, de un espolazo brutal hizo encabritarse al caballo, y se escaparon de mis manos las riendas que estaba a punto de tomar. Desesperado, clavé yo también las espuelas y me adelanté a campo traviesa cerrándole el paso de la colina. Ella viró en redondo y el alazán que montaba se alzó en dos p a t a s . No sé si se rompieron las riendas o si no pudo manejarlo más. Como una flecha partió el animal hacia el desfiladero. Forzando el mío hasta reventarlo, la seguí y paré milagrosamente al borde del abismo, mientras el que llevaba a Aimée, impulsado por aquel golpe sin freno, dio el salto en el abismo y cayó al fondo, rebotando contra las piedras y los árboles...

Sinceramente impresionado, el gobernador se ha puesto de pie, sacudido por aquel relato dramático... Pero un sirviente ha entrado, silenciosa y oportunamente, portando un servicio de café sobre una bandeja de plata. A una mirada de su amo, lo deja cerca, y sale... El maduro mandatario se acerca al joven D'Autremont y le pone en el hombro la mano con gesto casi paternal:
—Perfectamente... El resto del relato ya lo escuché de labios de su señora madre. Cuanto usted me ha contado, y cuanto ella me ha dicho, no hacen sino afirmarle en mi concepto; apártese usted de este feo asunto del Cabo del Diablo, vuelva a su casa, reflexione, descanse...
—No puedo reflexionar ni descansar... No puedo cruzarme de brazos...
—¿Y no se da cuenta que esa pública manifestación de interés por su cuñada...
—¡Mónica es la mujer a quien amo! ¡No la dejaré, no la abandonaré en brazos de otro! ¡A sangre y fuego, si es preciso, he de arrancársela! Son inútiles sus consejos, señor gobernador. ..
—Ya lo veo. Bien comprendo "la angustia de su madre., . No desmiente usted la casta, Renato...
—¿Qué quiere decir?

—Un día vi a su padre tan exaltado casi, casi como está usted en este instante, por una mujer tan fascinadora como seguramente es esa Mónica de Molnar, a quien no tengo el gusto de conocer... Gina Bertolozi era una espléndida belleza italiana... Perdóneme si al nombrarla le recuerdo algo que parece haber olvidado. El hombre con el que quiere usted acabar a sangre y fuego...
—No he olvidado ese lamentable capítulo de la historia de mi padre —afirma Renato con ira y desdén—, pero nada me importa, como a él entonces no le importó nada...
—No es lo mismo, Renato —rebate el gobernador con gesto;
severo—. El hombre a quien su padre infamaba, -no llevaba su sangre.
—No estoy infamando a nadie. Mónica no ha sido jamás la verdadera esposa de Juan. El pretendido matrimonio es sólo una farsa, y muy pronto tendré la anulación del mismo en mis manos. Es el único plazo que aguardo para hacerla mi esposa. Por eso pido, por eso reclamo de usted el apoyo... No el apoyo: la justicia... la justicia seca y llana... Que se domine a ese rebelde, que se le detenga, que se le obligue a dejar en libertad a la mujer a quien, sin verdaderos derechos, guarda poco menos que secuestrada.
—Tengo entendido- que la señora Molnar se ha declarado varias veces, públicamente, en favor de Juan del Diablo...
—¿Se burla usted de mí?

—No, Renato, no soy capaz. Sólo trato de obligarle a volver a la razón...
—¡Mi única razón se llama Mónica de Molnar, y cuando lo proclamo de esta manera es porque tengo todos los derechos morales!
—Cuando tenga, además, los derechos legales; cuando cuente al menos con esa anulación de matrimonio que está aguardando, puede volver a pedirme autoridad y soldados...
—¡No esperaré tanto! ¡Procederé antes por mis propios medios!
De pronto, se oyen unas detonaciones lejanas, como de un cañón de grueso calibre, y ambos corren hacia el balcón, abriéndolo de par en par. Con impaciencia, miran a una y otra parte. Todo está en calma hacia la negra punta del Cabo del Diablo. Por el Noroeste, un vaho rojizo cubre el cielo, una bocanada de calor asfixiante les pasa por el rostro, abrasante, y el gobernador comenta:
—No es nada... No ha pasado nada... Simples desahogos del Mont Pelee, a los que ya me han dicho que no les dé la menor importancia... Puede que se estropeen los sembrados más próximos al volcán, y hasta que llueva ceniza, pero de ahí no pasará...
—Muy seguro está usted...
—Me atengo a la opinión del doctor Landes, hombre de ciencia de fama mundial, que me ha tranquilizado totalmente a ese respecto. Por lo demás, le confieso que durante un instante tuve miedo... Creí que esos bergantes le daban a usted la razón haciendo cualquier disparate con el barril de pólvora de que se apoderaron...
—¿Y aun así, pretende usted esperar?

—Naturalmente. Y le aconsejo que usted haga igual. Pienso irme a Fort de France por un par de semanas... Allá tengo una linda casa de recreo, desde donde todas estas cosas se ven, pequeñas y distantes... ¿Le gustaría acompañarme?
—Muchas gracias. Pero, con su ayuda o sin ella, haré lo que tengo que hacer...
—Hace usted muy mal. No hay en el mundo una mujer que valga...
—¡Excepto la que muy pronto será mi esposa! —corta Renato en tono seco y áspero— Y no le molesto a usted más... Le deseo unas felices semanas de descanso, aun cuando a su regreso haya ardido Saint-Pierre de punta a cabo... Con su permiso...
El gobernador ha vuelto a asomarse al balcón y ha mirado hacia la negra y lejana punta del Cabo del Diablo... Con gesto señoril enciende un cigarrillo, mirando hacia allá... De repente, se vuelve a oír una sorda, larga y lejana detonación... El ruido inquietante ha parecido ahora correr bajo la tierra, estremeciendo a la ciudad... Otra bocanada de hollín parece romperse en el aire. Como espantada, cruza, volando hacia el mar, 'una bandada de pájaros, y una lluvia finísima cae blanda, como copos de nieve, sobre los techos y las calles... El gobernador general de la Martinica extiende la mano recibiendo en ella aquella especie de lluvia extraña, seca y fina, que se deshace en sus dedos, y comenta despectivo:
—Ceniza... Estropeará los jardines... Es una verdadera lástima... En fin, ya vendrán las lluvias de mayo...
Y aún se queda un instante mirando a la ciudad, como él, dichosa y confiada...

—Juan, ¿te has levantado?
—Sólo un rato, y creo que ya era tiempo... Cuidé demasiado mi herida, Mónica...
Despacio, con un ritmo distinto al acostumbrado en él, ha llegado junto a Mónica, que sorprendida tésale al paso al verle aparecer en el cruce de caminos, y su mano se extiende un instante como si buscase el apoyo de las rocas... Su rostro menos tostado, blanqueado por la palidez, tiene ahora un sello de severa nobleza. Todavía el brazo izquierdo descansa en el chal de seda doblado que lleva a modo de cabestrillo, y abultan bajo la camisa blanca los vendajes...
—Pero, ¡qué locura! Pensé que estarías un rato al sol, luego...
—Hizo falta mi presencia allá abajo, Mónica. Esas pobres gentes sufren... Me hablaron de tu visita, de tus regalos de provisiones...
—No me pareció justo acaparar, yo sola las galletas y el pan, especialmente habiendo heridos... .
—En un día devoraron lo que a ti te hubiera bastado para una semana...
—¿Qué más da? Puedo comer pescado, como lo comen los otros...

—Ya sé que no le faltan nunca razones a una generosidad como la tuya... También sé que curaste a los heridos... El hermano de Martín, casi moribundo, está ya sin fiebre...
—Sólo tenía la herida infectada... Le vendaron con trapos sucios... No pensé que les estaría de más, a las mujeres de la aldea, aprender la utilidad de agua hervida, de los vendajes relativamente esterilizados...
—Has hecho mucho por todos. Tu nombre está, entre bendiciones, en todos los labios...
—Les debía algo, Juan. ¿Crees que no sé que mi presencia ha empeorado la situación de ustedes? El desdichado incidente, cuando Renato vino a buscarme, provocó las heridas de esos hombres. Aunque en forma indirecta, me considero responsable...
—Ya... ¿Y responsable en forma directa... ?
—Tú, Juan, tú... pero también por causa mía...
—¿Por qué no dices mejor que tu caballero Renato? —rebate Juan con ira.


—También él... aunque su intención no era mala. Si no hubiera sido por tu mal genio... ¿Qué razón podías tener para enfurecerte hasta perder la noción del sitio en que estabas? ¿Amor propio? No, mal genio...
—Ya sé que también has estado predicándole a los pescadores mansedumbre y amor a sus semejantes. Pero, ¿quienes son sus semejantes? ¿Esos miserables soldados que se convierten en verdugos para defender las bien repletas arcas de un usurero? ¡Bien merecido tenían que los hubieran hecho saltar en pedazos!
—¿Aprobabas tú ese plan? ¿Era cosa tuya?
—Demasiado sabes que no... Pero no por lo que piensas... Hubiera sido darle al gobernador pretexto para exterminarnos, para hacer volar a cañonazos el Peñón del Diablo, la aldea y la playa...
—¿Puede hacer una cosa así?
—Naturalmente que puede hacerlo. A veces me pregunto por qué no lo ha hecho ya... Acaso tu caballero D'Autremont interviene porque tú estás de este lado... ¿De veras no has vuelto a saber de él? ¿No has recibido ni un recado ni una carta?
—¿Por qué piensas que miento, Juan?

Juan se ha acercado a Mónica hasta tomar su brazo... Un instante, los fuertes dedos la oprimen en algo parecido a una ruda caricia. Luego, cae la mano desalentada, mientras él retrocede ...
—Mónica, es preciso que tú salgas de esta trampa...
—Por qué yo? ¿Qué pasa?
—No es que pase nada, pero... —intenta tranquilizar Juan haciendo un esfuerzo. Y al oir murmullos lejanos que se van aproximando, ordena—: Vuelve a la cabaña...
—¿Por qué he de volver? ¿Qué es lo que está pasando? Parece que lloran, que lamentan algo... Voy a.,.
—¡No, Mónica, no vayas...!

Mónica le ha esquivado, corriendo hasta el reborde de rocas. La población entera de la aldea está allí congregada, abajo, donde descendiendo de la altísima montaña forman remanso Íos dos arroyos de agua dulce... Pero en este instante, no es agua lo que arrastra... Un fango espeso, de violento olor azufrado, que rueda lentamente dejando en la orilla cadáveres de peces y piedras volcánicas... Sin comprender, Mónica se vuelve a Juan, interrogante:
—¿Qué pasa?
—¿No comprendes? Esos arroyos son nuestro único abastecimiento de agua. .. Y mira el mar... mira la playa...
Han ido juntos unos pasos por el reborde casi impracticable. Temblando ya, Mónica se inclina, mientras la única mano de Juan la sujeta con angustia, al advertir;
—¡Ten cuidado! Puedes resbalar...
—Pero... la playa está llena de peces... Algunos saltan... Otros...
—Algunos agonizan; otros han muerto ya... ¿Te das cuenta? Están envenenados. Ese fango que arrastran los arroyos, y que seguramente otros ríos están arrastrando...
—¿Envenenados? ¿Han envenenado los arroyos? Pero, ¿quién? ¿Quiénes?
—Eso, Mónica... El volcán... ¡El viejo volcán que se despierta para escupir su maldición sobre el Cabo del Diablo!

Trémula de angustiada sorpresa, Mónica se ha vuelto para mirar el alto cono del volcán... Desde allí se ve aún más cerca que desde la ciudad de Saint-Pierre... Parece más siniestro el aspecto de sus laderas desnudas y escarpadas... Del extraño cráter escapan ahora pequeñas bocanadas de humo negrísimo y hay una fina línea candente que se desborda de uno de los costados hasta apagarse. Sus ojos se vuelven en interrogación asustada, hasta encontrar el rostro de Juan, sereno y grave...
—¿Qué pasa, Juan?
—Bueno... Pasar... pasar, sólo lo que estás mirando: el Mont Pelee se desborda en lava sobre los arroyos, sobre los ríos, y por el momento nos deja sin pescado y sin agua potable...
—Y puede venir un terremoto, ¿verdad?
—Puede venir, claro... No sería el primero ni el último...
—He oído historias terribles acerca de lo que puede hacer un volcán...
—Seguramente fue una erupción volcánica lo que sacó a la Martinica del fondo de los mares, y bien puede otra volver a sepultarla...
—¿Por qué hablas así, Juan? Se diría que te halaga esa idea horrible....
—No, Mónica, no me halaga... Aunque a veces, frente a la injusticia de los poderosos, frente al dolor y la miseria de los eternamente sacrificados, llegue a pensar que la naturaleza tiene razón en borrar al hombre de la superficie de la tierra... Míralos, Mónica...

Los dos han bajado juntos la cabeza para contemplar el doloroso espectáculo de aquel grupo desolado y miserable... Sombríos, los hombres aprietan ¡os puños, y las mujeres, asustadas, lloran o abrazan a sus pequeñuelos... Ingenuos y audaces, los muchachos mayores tocan con sus pequeñas manos negras los peces muertos inflados de fango...
—Estamos en el siglo veinte, en un mundo que se dice civilizado, y esos infelices puede que perezcan de sed y de hambre a las puertas mismas de una ciudad, porque la ambición de un usurero así lo ha decretado...
—¿Morir de sed y de hambre? —se asombra Mónica—. ¡Pero tú no puedes consentirlo!
—Di más bien que yo no puedo remediarlo...
—¡No, Juan, no! Estás ofuscado... Las autoridades no pueden ser tan inhumanas... Si nos diésemos por vencidos, si alzáramos bandera blanca...
—El gobernador no quiso oirme... Quiere decir que no admite una capitulación honrosa. Sólo rendirnos sin condiciones. ¿Sabes lo que eso significa? ¿Te asomaste alguna vez a los calabozos subterráneos del Fuerte de San Pedro?
—Sí... Una vez me he asomado...

El recuerdo ha vuelto punzante... Un momento cree volver a ver aquella especie de cueva subterránea, y a través de los gruesos barrotes, que cerraban el único respiradero, otra, mujer en los brazos de Juan: Aimée, su propia hermana. Mónica ha palidecido tan intensamente, que Juan sonríe haciendo un esfuerzo por bromear:
—No te preocupes tanto... A ti no van a encerrarte...
—¿Piensas que es por eso? ¡Qué lejos estás de mi corazón y de mi pensamiento, Juan!
—Efectivamente... Creo que muy lejos, aunque nos estrechemos las manos en este instante...
Juan ha oprimido en la suya la mano de Mónica, obligándola a acercarse más, comprendiendo que la ha herido con sus palabras, pero decidido a sostener el muro que entre ellos se alza, a apuntalarlo si es necesario, en aquella hora dura y amarga:
—Es mejor que estemos así, y que así nos mantengamos, Mónica.
—¿Puedo saber por qué, Juan?

—Porque comienzo a conocerte. Buscas los sacrificios, los echas sobre ti con el mismo empeño, con la misma ansia con que otros acaparan comodidades, honores o riquezas... No, Mónica... Tú debes salvarte... tienes que salvarte... Nada hay de común entre tú y...
—¿Qué vas a decir? ¡Acaba! Hiéreme de una vez con la ingratitud, con la crueldad de tus palabras... Recházame con la misma frialdad, con la misma dureza que me vienes rechazando ...
—No, Mónica no hables de ese modo... ¡ No me hagas flaquear! Esta no es tu batalla... Tú no tienes que sufrir con nosotros... Tu rango, tu nombre, tu casta te colocan al otro lado de la barricada. ¿Por qué loca casualidad estás aquí?
—¿Necesito decírtelo con palabras, Juan?
Juan ha creído adivinar, ha ido a estrecharla entre sus brazos, pero se contiene con violento esfuerzo, muerde furiosamente sus labios encendidos del ansia de aquel beso que no ha llegado a dar, mientras tensa de angustia aguarda Mónica la palabra que no llega... Como si rezara una letanía, responde Juan:
—No es este el momento en que podemos hablar de nuestras cosas, Mónica. No tengo el derecho de hacerlo, porque no me pertenezco... Me debo a estas gentes, a las que alcé en una rebeldía que por sí mismos jamás hubieran tenido... Si ese hombre que nos gobierna me hubiese escuchado, si entendiese que acepto entera la responsabilidad de todas las culpas, de todas las faltas, que me ofrezco yo solo como único y verdadero responsable...
—Juan... Juan... Dame un minuto de tu vida —ruega Mónica con angustia—. Hablemos de nuestras cosas un instante, sólo un instante...
—Pues bien... Yo...

Le ha interrumpido el horrísono estampido de tres o cuatro explosiones, seguidas del murmullo de voces y gritos de espanto. Corriendo a toda velocidad de sus piernas, sofocadísimo, llega hasta ellos Segundo, con la noticia:
—¡Lo hicieron, patrón, lo hicieron!
—¿El barril de pólvora? ¿Lo hicieron volar? —inquiere Momea profundamente espantada.
—No... No... Ellos no... Fueron los otros, los canallas... —rectifica Segundo.
—¿Los otros? —duda Juan. Y violento, al oir otras dos o tres explosiones algo más lejos, apremia—: ¿Acabarás de hablar?
—Oiga... Mire... Están haciendo volar las rocas, abriendo esa zanja que nos deja totalmente aislados, cortándonos toda comunicación posible... ¡Es como si nos arrancaran de la isla, patrón!

Juan ha mirado con ojos que la cólera inflama... En un instante lo ve todo claro... Las explosiones, cada vez más lejanas, son como un cinturón de fuego que corre, cercenando el Cabo del Diablo, arrancándolo a la costa para convertirlo en una isla, ya que por la ancha brecha abierta se precipita rugiendo él mar. Espantados y enfurecidos, se acercan los hombres por todas partes, y es Segundo el que se queja:
—¿No se da cuenta, patrón? ¿No está mirando? ¡Lo hubiéramos evitado dando el golpe nosotros primero! ;
—No hubiéramos evitado nada... Nos habrían destrozado a cañonazos por tierra y por mar —responde Juan con una calma impregnada de amargura.
—Más hubiera valido morir peleando. Por lo menos, gastemos las balas que nos quedan en hacerles bajas... ¡Fuego! ¡Fuego!

Ciegos de rabia, los pocos hombres que empuñan armas de fuego han disparado contra los uniformes lejanos; pero Juan' salta frente a todos, transfigurado:
A la voz de Juan han obedecido sus hombres... Bien a tiempo han buscado refugio tras las rocas, ya que, contra ellas se estrellan las descargas cerradas con que responden los soldados del otro lado de la zanja... Lentamente, Juan se ha alzado sobre el promontorio de rocas, y de una ojeada abarca el panorama... Por la ancha zanja abierta se precipita rugiendo un mar furioso, por todos lados hierven espumas alrededor del Peñón del Diablo... Es como si los hubiesen abandonado en un barco incapaz de navegar... Una mano suave se apoya en su brazo, y Juan se vuelve para clavar en el rostro de Mónica sus ojos que arden como ascuas...
—Tú tienes que salvarte, Mónica... Tú no puedes perecer aquí...
—No me salvaré sola, Juan. Correré la suerte de todos. Si hay algo que puedas hacer por todos, hazlo... Pero nada más, Juan, absolutamente nada más.


13

CONSTERNADA, INDIGNADA, TRÉMULA, incapaz de hablar, Sofía D'Autremont se aferra desesperada al brazo de Renato, tras oir de labios del Padre Vivier el relato de los horribles sucesos desencadenados en Campo Real. Apenas puede dar crédito a sus oídos, apenas puede su imaginación convertir en realidad lo que está escuchando, cuando una y otra vez se vuelve a su hijo, que escucha también, helado e inmóvil, como si fuese de mármol...
—Por desgracia, fui testigo de todo... '
—Pero, ¿cómo? ¿Cuándo?
—Hace cinco días... Tres días y tres noches duró la locura colectiva que se apoderó de esos desdichados... Tres días destrozando, incendiando, destruyéndolo todo... asesinando a los pocos empleados fieles que trataron de impedir aquel horror... y en ese tiempo no nos fue posible abandonar el refugio de la iglesia. Estábamos extenuados cuando pudimos escapar y cruzar a pie los campos, sufriendo mil penalidades, hasta llegar a la finca más cercana...
—¿Y los soldados? ¿Y las autoridades municipales? —indaga Sofía escandalizada—, ¿Qué hicieron las autoridades de Anse, de Arlets, de Santa Ana, de Diamant?
—Por allí no llegó nadie. Campo Real es un reino aparte... Pero, ¿qué hubieran podido hacer? En cada una de esas poblaciones no hay más de una o dos docenas de soldados, y son varios miles de hombres y mujeres los que se alzaron en rebeldía en Campo Real...
—Entonces, ¿todo está aún en poder de esa chusma?

—Sólo la infeliz señora de Molnar, y tres de las sirvientas más antiguas, que escaparon conmigo, han traspasado, que yo sepa, los límites de Campo Real...
—¡Dios mío!.. Dios mío... ¡Es para perder la razón...!
—Calma, madre, calma .—aconseja Renato.
—¿Calma? ¿Calma? ¿Te atreves todavía decirme que tenga calma? ¡Hay que pedir policías, soldados, alguien que aplaste a esa canalla! Hay que salir para allá inmediatamente!
—Seria muy peligroso... —señala el sacerdote.
—¡No importa! ¿Verdad que no importa, Renato?
—¡Irías a buscar la muerte, madre! —explica Renato.
—¿Iría? ¿Iría yo sola? ¿Quieres decir que tú no has pensado...?
—Sí, madre... Iré... Iré, pero no en este instante... He de esperar... No sé si horas o días, pero he de esperar.... Hay algo que me importa más que Campo Real, más que nada... Alguien a quien, a cualquier precio, he de poner a salvo.

Sofía D'Autremont ha ido hacia su hijo, desesperada... Apenas ha dado crédito a sus oídos, escuchando el horrible relato del Padre Vivier... Apenas puede imaginarse lo que está pasando en su Campo Real... Es como si le hubieran anunciado que el mundo entero se hunde, acaba, estalla... ¿Cómo puede decir Renato que haya algo que importa más que Campo Real? A su consternación, a su espanto, 'sucede una ira violenta, una indignación sin limites, que repentinamente se vuelve contra el hijo de sus entrañas:
—¿Es que no comprendes? ¡La canalla está en nuestra casa, destrozan y arrebatan lo nuestro; destruyendo Campo Real, incendian, matan!, ¿Entiendes lo que está pasando? ¿Concibe tu mente que esos perros, esa chusma inmunda... ?
—Naturalmente que lo concibo... No es la primera vez que ocurren esas cosas en el mundo, mamá. En Haití, en Santo Domingo, en Jamaica...
—¡Lo único que tiene que importarte es que está ocurriendo en Campo Real! ¡A mí, a ti, a nosotros... ¡ ¡Son nuestras tierras, es nuestra casa! ¿Qué tienes en las venas en lugar de sangre?
—Ya he dicho que iré en cuanto me sea posible...
—¡Pues yo voy a ir en este instante, aunque busque la muerte como tú pretendes! —Y alzando la- voz, llama a gritos—:¡Yanina... Cirilo... Esteban...! ¡Que enganchen al instante mi coche de viaje! ¡Que se dispongan a seguirme, en otro coche, cuantos criados leales haya en la casal ¡Que carguen provisiones y las armas qué encuentren!
—Sin embargo, Renato tiene razón, señora —interviene el bondadoso Padre Vivier—. Es una verdadera locura...
—¡Mamá... Mamá... Aguarda! —suplica Renato.

—¿A qué voy a aguardar? ¡Si esto hubiera ocurrido en tiempos de tu padre, si viviendo tu padre hubieran osado una cosa así, los habría sometido el solo a latigazos! ¡Pero tú... tú.,.!
—¿Yo qué, madre?
—¡No eres más que un cobarde! ¡Un monigote con quien las mujeres juegan a su antojo! ¡Indigno de tu nombre y de tu casta!
—¡Oh, basta! ¡Te juro que...! —salta Renato indignadísimo y fuera de si.
—¡No jures nada! ¡Déjame salir! ¡Ábreme paso! ¡Seré yo... yo... tendré que ser yo la que... 1 —Sofía se ha detenido, como ahogándose, y de pronto cae al suelo.
—¡Madre... Madre...!
—¡No te acerques... no me toques.. .1 —rechaza Sofía furiosa.
—¡Yanina! —llama Renato con ira contenida. Y al acercarse la interpelada, ordena autoritario—: Atiende a mi madre, llévala a su alcoba y que no se mueva de la cama. ¡Que no salga, aunque sea preciso encerrarla con llave!
—Renato... Renato...

—Le ruego que me deje en paz. Padre.
—No puedo hacerlo sin terminar de hablarle... Hay algo en que no le falta razón a doña Sofía... Hay que acudir a Campo Real, pidiendo antes auxilio a las autoridades... Hay que poner remedio... Aquello es el infierno, el caos... Claro que sólo por la fuerza será imposible, pero hay que buscar el medio... Acaso esas gentes, ya saciadas,, escuchen a un intermediario. Le prometo quedarme junto a doña Sofía y tratar de calmarla; pero si usted fuera ahora mismo a casa del gobernador. ..
—Nuestro gobernador no está en Saint-Pierre —desprecia Renato con ira y sarcasmo—. Ha encontrado la fórmula de comodidad que aplicar a todos los problemas... Habría que ir a buscarlo a su casa de recreo de Fort de France...
—Es lamentable... Pero quedan otras autoridades: el jefe de policía, el comandante del Fuerte... Alguien habrá a quien pedir la ayuda necesaria...
—No haré nada, Padre Vivier, aunque piense usted, como mi madre, que soy un cobarde...
—¡Por Dios! ¿Va usted a tomar en cuenta ese arrebato de cólera momentáneo... de desesperación, mejor dicho? Porque ella...
La mirada fría y cortante de Renato ha detenido la palabra del sacerdote... Demasiado elocuente, más elocuente que todas las palabras, hace que el Padre Vivier permanezca inmóvil, mientras él se aleja cruzando el patio...

—¡Mónica... mira allá! Ven... dime que tú lo ves también, que no son mis ojos, que no estoy soñando...
Sorprendida, trémula, Mónica se deja llevar, casi arrastrada por la mano de Juan, al borde de los cortantes picos de piedra del acantilado... Con su agilidad de felino, baja él ayudándola, sosteniéndola, como si para sus pies firmísimos no existieran resbaladeros ni dificultades... Y al fin, la hace adelantarse por aquel trozo de roca que se adentra en el mar como una rústica terraza...
—¡Mira... mira, Mónica! ¿No ves? ¿No comprendes? El promontorio, la cadena de piedras que se alzaba formando un remolino...
—¿El promontorio? —repite Mónica toda confusa. Y comprendiendo de pronto, exclama—: ¡Oh, ya no está! ¡Ha desaparecido ... ha volado!
—¡Eso.. . eso! Lo hicieron volar con las explosiones que abrieron la zanja. Nos separaron de la tierra, nos cortaron de un tajo, convirtiendo en una isla el Cabo del Diablo, pero con eso no contaban... ¡También se ha desmoronado el obstáculo! ¿No recuerdas lo que hablábamos? Era preciso salir muchas millas para poder cruzar esas corrientes. No era posible aventurarse en un bote sobre el hervidero que formaba allá el promontorio. Ahora no hay obstáculos, ¿no ves? No chocan las olas, esta tranquilo el mar, . .
—Juan, ¿qué estás pensando?
—Hay un camino para escapar. Tu primera idea es una realidad: nos queda la ruta del mar y por esa ruta voy a salvarte ...
, Mónica se ha vuelto para mirar a Juan cara a cara. Un momento, sus ojos se han iluminado. Es como una oleada "de gratitud frente a aquella ansia por salvarla, expresada mejor que nunca en este instante... Luego, reacciona casi bruscamente:

—¿Por qué dices salvarme, y no salvarnos? ¿No te dije antes...?
—Harás lo que yo quiera, lo que yo disponga, lo que tienes que hacer... ¿Es que no comprendes? No disponemos sino de un solo bote lo bastante fuerte para hacer esa travesía con probabilidades de éxito. .. Aprovechando la hora de más calma, y en la oscuridad de la noclie, creo que podremos cruzar, sin ser vistos, frente a la ciudad. Tomaremos tierra en la caleta del Sur, cerca de tu antigua casa. Con un poco de suerte podemos hacerlo. Además de nosotros dos, en el bote cabe un muchacho. Llevaré a Colibrí, lo dejaré contigo... Yo puedo regresar antes de que amanezca... Lo que ocurra después no tiene importancia, puesto que tú estarás a salvo...
—¿Que no tiene importancia?
—Me sentiré tranquilo, dispuesto a todo. ..
—¿Tanto he llegado a estorbarte, Juan?
—¿Estorbarme? ¿Acaso no te di las gracias cuando decidiste quedarte junto a mí? ¿Acaso...? ¡Oh, no, no!
—Sigue hablando, Juan. Te ruego que digas cuanto estás pensando en este instante. ¿Qué mujer crees que soy Juan?
—Soy torpe para los elogios...

—No los merecería si aceptara lo que pretendes. No, Juan, no he de aceptarlo. Saldremos todos, nos arriesgaremos todos. Si, como dices, está abierto el camino del mar, por él hemos de ir, corriendo la misma suerte. Esos hombres tienen maderas, herramientas, botes pequeños. .. Tú sabrás en qué forma tienen que arreglarlos, que repararlos, que unirlos todos si es preciso. Antes hablaron de construir una especie de balsa...
—Que se hubiera estrellado contra las rocas.
—Ahora ya no. Tú mismo acabas de decirlo.
—Un solo bote puede pasar inadvertido. Si son varios, ya no es igual. De cualquier modo, lo intentaremos, pero cuando tu ya hayas pasado.
—Entonces sí que será imposible. Tienes que unir todas las voluntades en un solo esfuerzo...
—Es que no puede ser. Los demás tendríamos que ir mucho más lejos. Tú puedes desembarcar en cualquier parte...
—¿No está el Luzbel cerca de la caleta Sur? Allí lo anclabas antes... ¿No puede servirnos de refugio?
—Sí, tal vez... Es demasiada carga para él... Aunque, en realidad, no somos tantos... Sólo un pobre puñado de dolor y miseria...

—El Luzbel es un barco marinero, fuerte... sus bodegas son amplias. Si como supongo, están vacías...
—Efectivamente. Pueden esconderse todos, sí... Claro está que ha sido confiscado, pero no creo que ejerzan sobre él ninguna vigilancia. Les ha bastado con dejarlo lo más lejos posible de los muelles, con anclarlo al otro extremo del Cabo del Diablo... No se les ocurrirá ir allá a buscarnos...
—¿Verdad que no?
—Tu idea es excelente, 'Mónica; pero es mucho más peligrosa que la mía...
—¿Qué importa un riesgo más? Antes, cuando me hablaste, me dijiste que estabas dispuesto a todo con tal de salvarlos... Querías pedirle al gobernador que echara sobre ti la responsabilidad de todo cuanto ha pasado... Mucho deben importarte, cuando estabas dispuesto a una cosa semejante.
—Sí, Mónica, mucho... Pero hay algo que me importa cien veces más.

Ha vuelto a mirarla extrañamente, y ella aguarda temblando; pero es una pregunta inesperada la que brota de labios de Juan:
—Mónica, ¿piensas que Renato te ha abandonado? ¿Piensas que cuanto nos han hecho es obra de su venganza, lanzada contra ti?
—Pudiera ser... Al irse, me habló en tono de amenaza —recuerda Mónica, vacilando—. Pero no lo creo, Juan. Al contrario... Tengo la convicción de que si él hubiera podido evitarlo, lo habría evitado...
—¿Por amor a ti? ¿Qué crees que puede más en su corazón: el amor que te tiene, o el odio que me guarda?
—En él, el amor es más tuerte que el odio, Juan. Creo que no nació para aborrecer... En su alma, el rencor y el odio son pasajeros... Un arrebato, una llamarada, y luego todo se deshace... Siempre fue así... No creo que de repente pueda cambiar. .. Fue educado para la cortesía, para la vida suave y fácil... Pero, ¿a qué vienen todas esas preguntas? ¿Qué esperas o qué temes de él?
Mónica le ha mirado con ansia, y a su mirada responde la de Juan, grave, profunda, cargada de tristeza...
—Creo que acepto tu plan, Mónica. No debería aceptarlo, porque significa más riesgo para ti; pero, al fin y al cabo, es casi igual, ya que del peligro mayor no puedo librarte... porque soy yo mismo, y no podría tampoco dejar en manos de nadie los remos del bote que ha de llevarte... Voy a hablarle a los demás, a llevarles ese último rayo de esperanza... Era para ti, como ese pan que repartiste a mis espaldas. .. Ven conmigo. .. Llévaselo tu misma, como un regalo...

—Yanina... ¿Qué pasa? ¿Mi madre...?
—La señora ya está un poco mejor. Tuvo un terrible ataque de nervios, y después, un colapso... Vino el doctor y casi a la fuerza hubo que hacerle tomar el calmante... Pero ya está dormida, y junto a ella quedan Josefa y Juana...
Renato ha apurado una copa más, apartando después la bandeja con gesto de disgusto y desagrado. Está en el fondo de aquella biblioteca, cueva que una vez más le sirve de refugio, mientras busca inútilmente en el alcohol la serenidad y la calma. Lleva allí varias horas consumiéndose en dura batalla contra sí mismo, esperando con ansia... Es el día en que, según sus cálculos, deben llegar los papeles que aguarda... Son las densas horas interminables en que cada minuto se alarga hasta fingir una eternidad...
—¿No habló más mi madre de ir a Campo Real?
—No, señor. La señora no ha hecho más que llorar... Ni siquiera quiso volver a escuchar al Padre Vivier... Yo sí. .. yo acabo de oírlo todo, a más de lo que • ya contaron en la cocina las muchachas. ¡Qué horrible, señor, qué horrible todo ¡
—Me imagino que a ti te habrá afectado más que a nadie. Bautista...
—Tenía que acabar así... Es horrible, señor, pero es la verdad. Todos lo odiaban tanto... tanto... Y haber quemado a Kuma...
—¿Quemarla? —se sorprende Renato.

—¿El señor no sabe cómo empezaron las cosas? No, claro... Eso lo contaron después. Bautista le prendió fuego a la cabaña de Kuma, sin dejarla salir. Dicen que se reía cuando los vigilantes le tiraban piedras cada vez que asomaba...
—¡Es inaudito! ¿Qué estás diciendo?
—Cuando al fin la dejaron escapar, terriblemente quemada y medio ahogada por el humo, la arrastraron hasta el muro grande, el que queda más allá del desfiladero. Allí la dejaron como a un animal, amenazándola con los rifles si trataba de volver a entrar... y allí la hallaron muerta los que salieron con las carretas a la mañana siguiente. Por eso se levantaron todos contra Bautista, por eso quemaron la casa...
—¿Sabe eso mi madre? —pregunta Renato, que se ha puesto de pie, intensamente pálido.
—Sí, señor, lo sabe. El propio Bautista se lo dijo delante de mí, aunque no tan claro... y dijo que todo era por orden de usted... -
—¿Orden mía? ¿Cómo podía yo ordenar una cosa semejante?
—Es lo que yo me atreví a decir, señor. Que usted no podía haber mandado hacer eso... Pero ni la señora ni él me dejaron hablar... Ahora, él pagó su deuda...
—Y tú pareces satisfecha de que la haya pagado —reprueba Renato en tono lento y suave—. Sin embargo, Bautista era tu pariente, tu sangre...
—No era mi sangre... Y Kuma sí era mi amiga...
—Kuma... Es verdad...

Renato se ha mordido los labios, recordando, mirando de arriba abajo a la extraña muchacha, que se transfigura bajo su mirada... Arden sus ojos, tiembla su oscura carne...
—Tú le compraste a Kuma un filtro de amor... ¿Crees en la eficacia de esos brebajes?
—Kuma tenía poder, señor, y bien claro lo ha demostrado: los tres hombres que la maltrataron están muertos ya...
—Pero no por el poder de esa infeliz, Yanina...
—¿Y por qué no, señor? Kuma nunca maldijo a nadie sin razón, y nunca apidijo a nadie en vano... Poder de amor, y poder de muerte tenía...
—Poder de amor... —repite Renato en un murmullo. La idea ha pasado por su mente como un relámpago, pero la rechaza de inmediato—: Basta de tonterías... Tráeme una botella de coñac y cuida de que no me molesten por nada ni por nadie... Sólo que...
—Sí, señor... Recuerdo la orden... Sólo que traigan esos papeles del Obispado, que está usted esperando...

Renato ha apurado hasta el fondo una copa más, y queda inmóvil, con la cabeza baja y los ojos entrecerrados... Bebe para aturdirse, pero no consigue apagar la chispa ardiente de su pensamiento, aflojar el ansia de aquella espera tensa, interminable. .. De un nuevo sorbo ha tomado lo poco que en la botella quedaba, y la echa a un lado, poniéndose de pie con paso vacilante al oir sordas detonaciones como de trueno...
—¡Oh...! ¿Qué es eso? —Y alzando la voz, llama—: ¡ Yanina! ¡Yanina...!
—Aquí está el coñac, señor —muestra Yanina, acudiendo con paso rápido.
—¿Qué es ese ruido? ¿Ésos cañonazos? .
—Están sonando hace varios días, señor. ¿No recuerda? Dicen que es el volcán... A esta hora se pone el cielo rojo y está volviendo a caer ceniza como la otra tarde... Ya los techos y los árboles están blancos... Dicen que así es la nieve...

Renato ha pasado los dedos por el alféizar de la abierta ventana, recogiendo -aquella ceniza finísima, que va cayendo espesa y cálida,, y comenta despectivo:
—¿La nieve? ¡Bah! Nieve caliente... Casi quema, y apenas deja respirar... Pon ahí esa botella y no vuelvas a entrar si no es para darme los papeles que estoy esperando... ¡Uh.. .! ¡Hace un maldito calor de infierno!
Ha bebido un trago, otro y otro... En realidad, el aire se va volviendo irrespirable... Es un vaho de fuego lo que penetra por la abierta ventana... Mientras se retira muy despacio, vuelve Yanina la cabeza para mirarlo con dolor... Renato ha vuelto a caer en la butaca. En su mente se mezclan las imágenes... La biblioteca se puebla de sombras que no existen... Una destaca entre las demás: tiene los ojos negros y los labios como de llama... Sonríe... sonríe mientras le ofrece una copa de champaña, y oye, como dentro de sí, las palabras que proféticamente le dijera un día Aimée:
"Llorarás... Llorarás por ella, y yo me reiré de tus lágrimas... Me reiré de verte caer cada vez más bajo... cada vez más bajo, hasta el infierno donde te aguardo..."
—¡No es verdad... No es verdad! —grita Renato, como despertando de su letargo—. ¡No estás aquí...! ¡No existes! ¡Eres un fantasma... nada más que un fantasma...!
—¡Señor Renato... Señor Renato...! —irrumpe Yanina en la biblioteca, espantada.

Renato se ha estremecido, volviendo a la realidad... Frente a él, Yanina alza una lámpara cuya luz disipa tinieblas y fantasmas. .. Tras ella, un lacayo vestido de blanco, en cuyas manos mantiene un ancho sobre lacrado...
—Trae acá... Ya puedes decir que lo entregaste en propia mano —advierte Yanina al sirviente, arrebatándole el sobre. Y dirigiéndose a Renato—: Se empeñó en entrar él mismo, en verle a usted, señor...
Renato ha hecho saltar el sello de lacre con el escudo de la sede episcopal de Saint-Pierre, y ha comenzado a leer con ansia las palabras que bailan ante sus ojos inyectados de alcohol, mientras Yanina retrocede de espaldas, empujando al curioso mensajero:
—Puedes irte... Yo te llevaré el sobre firmado...
—¡Libre! ¡Libre! ¡Concedida la petición! ¡Aprobada! ¡Libre! ¡Ya Mónica no es de Juan del Diablo!
Casi fuera de sí, temblándole las manos en que sostiene aquellos papeles tan deseados, casi sin dar crédito a los ojos que miran lo que tan ansiosamente ha luchado por conquistar, Renato D'Autremont repite, como arrastrado por el delirio de una obsesión, aquella palabra que significa todo para él en esos instantes:
—¡Libre! ¡Libre!

Desde la puerta, clavados sus grandes ojos negrísimos en el hombre blanco, Yanina saborea hasta las heces de aquel dolor, de aquella angustiada desesperanza con que vive siempre junto al objeto de su amor imposible... A la sacudida de aquella emoción enorme, la oscurecida mente de Renato se ha despejado de un golpe violento; las nieblas del alcohol, la tortura del remordimiento, el negro mundo» de sombras en que su pensamiento yaciera sepultado, todo se filtra como a través de un cedazo de plata, todo vibra de nuevo como una campana de cristal, y alegremente comenta:
—Yanina, ¿ no te parece maravilloso? ¡Estas cosas, a veces, tardan años!
—Sí, señor... Es muy raro —asiente Yanina lenta y tristemente—. Pero como su Ilustrísima es pariente de la señora, y, por consiguiente, de usted... Como, además, él tiene tan buenas amistades en el Vaticano...
—Con todo eso contaba. Pero, de todos modos...
—El señor estaba seguro de recibir hoy esos papeles, ¿verdad?
—¿Cómo podía estar seguro, Yanina? Estaba desesperado... Era el plazo que mi necesidad había puesto a mi esperanza... Ñ o era posible esperar que las gentes del Cabo del Diablo resistieran más. Tenían que rendirse, que entregarse, y para que Mónica no cayese enredada con esos bandidos era preciso romper este maldito lazo, tener en las manos la constancia de mis palabras. De sobra sé lo que significaba el viaje del gobernador a Fort de France... No quería comprometerse, no quería verse obligado a ir abiertamente contra mí ni contra las leyes. Con estos papeles iré a buscarlo...
—¿Ahora? Pero, la señora...
—Es cierto... Mamá... Campo Real... De pronto, no recordaba todo eso...

Se ha llevado las manos a las sienes, oprimiéndolas allí donde un martilleo sordo y tenaz parece golpear. Es la resaca del alcohol, a la que no logra vencer del todo su entusiasmo... Sus pies vacilan, su vista no está clara, pero su corazón late con latido triunfante, su impaciencia parte los obstáculos para llegar al fin deseado...
—Iré mañana a Campo Real... O pasado mañana... Tan pronto como pueda... Le hablaré al gobernador de las dos cosas... Eso es... Le hablaré de las dos cosas... Dile eso a mi madre, Yanina, dile que he salido en busca del gobernador y que estoy decidido a arreglar también el asunto de Campo Real... Entra a decírselo, tranquilízala, procura que se calme .. Dile que yo... No sé qué decirle...
—Entonces, ¿es verdad que el señor sale ahora mismo para Fort de France? Pero antes necesitará descansar un poco, cambiar de ropa, comer algo...
—Sería lo razonable, pero el tiempo apremia... Tomaré un baño, me cambiaré de ropa... Haz que me preparen café bien fuerte..-. ¿Qué tienes en la mano? ¿Qué es ese sobre?
—El de los papeles que recibió, señor. Estaba esperando que lo firmara... Lo exige el mensajero...
—¡Oh, sí, claro! Y he de agregar una palabras de gratitud. Tendré que escribir una carta... No... En realidad, debo ir yo mismo... Es lo menos que puedo hacer... Su Ilustrísima me ha servido de un modo admirable.., No hay más remedio. .. Pasaré un momento antes de salir para Fort de France... Retén al mensajero... Que le den una copa y una buena propina... Haz que lo preparen todo... Luego, hablarás con mi madre... Avisa también a Cirilo...
—¿Hará el viaje a caballo, señor? Me parece... Perdón, señor, pero me parece que usted no puede más...

—Es cierto, Yanina... El caballo es más rápido, pero tengo que medir mis fuerzas. En el coche puedo descansar algo... Dile a Cirilo que ensille el coche pequeño, el de dos asientos... que le ponga el tronco nuevo de alazanes...
—¿Para el coche pequeño?
—¿No entendiste que necesito volar en vez de correr? Anda... Anda...
Ha obedecido la doncella, estremecida en el dolor de su amor de esclava mientras las trémulas manos de Renato oprimen contra el pecho aquel grueso tarrago de papeles sellados que tanto significan para él, y exclama jubiloso:
—¡Mónica mía, ya está roto el último lazo que te ataba!

—Entonces, ¿esta noche, Juan?
—Sí... Creo que podrá ser esta noche, si al salir la luna, el mar se calma...
—¿Y no será más peligroso que puedan vernos a la luz de la luna?
—Sí, claro... Pero no hay bote que pueda despegar de aquí con este oleaje. En este tiempo, el mar suele calmarse cuando asoma la luna... Es luna nueva... No alumbra demasiado... y en una empresa donde son tantas las dificultades, no pueden eludirse todas... Hay que escoger las que menos puedan perjudicar ... •
Juan y Mónica están solos en el oscuro mirador de rocas, aquel que se empina sobre las olas encrespadas... Y en la casi absoluta oscuridad de aquella croché extraña, son apenas, en la sombra, como dos figuras más densas, que una a otra se aproximara, levemente iluminadas de cuando en cuando por la bocanada rojiza que lanza contra el cielo el volcán...
—Todo está preparado, ¿verdad, Juan?
—Están acabando de prepararlo. Fue preciso obrar con mucha cautela, pues esas gentes no cesan de espiarnos. Tras el golpe que nos dieron, esperaban que nos rindiéramos totalmente desesperados. Nuestro silencio puede hacerles sospechar que tenemos una salida, que tramamos algo, y en ese caso...
—Que mejor no pensarlo. Santa Mónica... Hay tantos cañones en los Fuertes de Saint-Pierre, que miran hacia el mar... Pero no hay que pensar en lo peor... No quiero verte preocupada. .. Te he dicho Santa Mónica para enojarte y devolverte con ello los ánimos, pero no te das por ofendida. ¿Es que estás empezando a aceptar que más que de mujer, tienes de santa?

Ha aguardado la protesta, .que no llega. Mónica no responde. Acaso tiembla demasiada ternura en las palabras con que él falsamente pretende burlarse; acaso, aun en silencio, estén demasiado cerca sus corazones apasionados, y latan juntos sin confesárselo, al mismo ritmo con que las recias olas se estrellan contra el acantilado... De pronto, Mónica advierte asustada:
—Otra vez ese ruido... ¿No has oído?
—Tendría que estar sordo... Y mira cómo se enciende el volcán... Derrama ríos de lava... Los valles de aquel lado deben estar asolados, quemados por ese fuego, y si canaliza hacia el río grande, arrastrará los molinos y fábricas... Sería gracioso...
—¿Gracioso? ¿Cómo puedes decir eso, Juan?
—Por no decir que sería magnífico, Mónica. Si eso ocurre, todo el mundo correrá hacia aquel lado. Puede que hasta nuestros guardianes se distraigan. Por el momento, somos el punto de atención de toda la ciudad; pero si en otro lado hay una catástrofe ...
—No hables así, Juan.

—Esa es la vida, Mónica. Una catástrofe para-otros, podría ser la salvación para nosotros, y raro es el momento de felicidad que no le cuesta a alguien lágrimas o sangre...
—No digas eso. La verdadera felicidad es la que no hiere ni maltrata a nadie. De poco vale la que logramos atormentando a los demás.,.
—Vivimos en un mundo de atormentados, Mónica. De sufrir, nadie puede librarnos...
—¿Por qué hablas siempre de un modo tan amargo?
—Porque llegué al fondo de muchas cosas. Pero también he aprendido otras, Mónica, y no me importa decirte que algunas de ellas las aprendí a tu lado. Casi no importa sufrir, ya que parece que para sufrir nacimos, siempre que pueda sufrirse con dignidad. Conservar nuestro derecho de hombres, alzar la frente como seres humanos, como ya una vez te dije, mantenernos duros y erguidos sobre la tierra áspera y amarga... Es lo único que. me consuela de haber llevado a estos hombres acaso a la muerte... Tal vez mueran por su rebeldía; pero, al rebelarse, han conquistado su derecho a vivir... .
—¡Qué horror! ¿Oíste? —exclama Mónica cuando un fortísimo trueno retumba imponente.

—Sí... Ruge la tierra, pero el mar va calmándose, es el camino del mar el que hemos de recorrer nosotros... Si hubiera un terremoto, si esta ciudad de amontonadores de oro se sacudiera hasta las entrañas, caería todo, y todo quedaría a la misma altura. A veces, ése a quienes ustedes llaman Dios, debería pasar la mano sobre el mundo y hacer tabla rasa...
—Estás lleno de odio, Juan —se queja Mónica con profundo dolor.
—No lo creas... Antes, sí... Antes, las raíces de mi odio se mojaban en hiél, aun cuando parecía sólo un alegre marinero dispuesto a reir y a emborracharse en cada puerto... Ahora hay algo dentro de mí que ha cambiado, y acaso tú tengas la culpa, Santa Mónica. .. Ahora, mi odio es como una indignación contra todo lo injusto, contra todo lo malo... Una ira contra los que aplastan a los que están bajo sus pies, contra los que manejan un látigo en las plantaciones o en el cuartel, desde el palacio del gobernador o desde el caballo del capataz... Y con la ira, un ansia de remediar el mal y de cambiarlo, un deseo salvaje de imponer la justicia... a puñetazos... Sí, Mónica, estoy lleno de algo que me hormiguea en la sangre... Antes, fue odio, fue rencor; ahora, es algo más noble: es un ansia de luchar porque sea-mejor esta tierra que habitamos, una esperanza de que el día de mañana...
—El día de mañana, ¿qué?
—¡Bah! ¡Locuras...!
—Aunque sean locuras, dímelas, Juan, para asomarme a tu alma, para saber qué guardas en ella, qué anhelas...

—¿Te reirías si te dijera que quisiera tener un hijo? No uno... Más... Hijos... muchos hijos, y que cuando llegaran, hallaran un mundo mejor, logrado por el esfuerzo de estas manos ...
—¡Eres el mejor hombre de la tierra, Juan del Diablo! Los blancos dedos de Mónica han acariciado un instante aquellas recias manos tostadas que Juan ha juntado con un gesto de fuerza y de ternura; han resbalado por aquella cicatriz que un día besaran sus labios, la huella del puñal de Bertolozi, y luego se han alzado para acariciar los hirsutos cabellos del marino, como si repentinamente dejara de ver en él al hombre fuerte y duro, erguido contra la adversidad, para mirarlo como al triste niño desamparado, maltratado y herido, víctima de una oscura venganza. Otra vez, como entonces en la luminosa mañana de la cubierta del Luzbel, sus ojos se han llenado de lágrimas... Es el momento decisivo en que la misma emoción invade las dos almas, la hora bendita, cien veces esperada, en que tiemblan para caer las máscaras del orgullo, y con esfuerzo, Juan se defiende hasta el último instante: •
—Ha salido la luna y el mar está aquietándose... Embarcaremos cuanto antes... Nos jugaremos el todo por el todo...
—Sí, Juan, el todo por el todo... Pero antes de lanzamos en esta aventura que acaso sea la última, antes de bajar a esa playa desde donde acaso veremos el cielo por última vez...
—¡Patrón... Patrón... ¡ ¡Patrón... Señora Mónica... ¡ ¿Dónde están?
—¡Aquí, Colibrí! ¡Ven pronto! —llama Juan. Y en voz más baja, advierte—: Algo pasa, Mónica...
—¡Ay, patrón! ¡Ay, mi ama! —se lamenta Colibrí acercándose todo sofocado por la búsqueda—. Una hora llevo buscándolos sin encontrarlos...
—¿Por qué? ¿Para qué?

—Toda la gente está junta en la playa, al lado de los botes, preparados para echarlos al mar...
—Bueno, ¿y qué? —se extraña Juan—. Allí es donde justamente les mandé yo estar...
—Sí, ya sé, mi amo. Pero no están porque usted lo ha mandado; al contrario...
—¿Al contrario? ¿Qué quieres decir? —inquiere Mónica.
—Están discutiendo, peleando... Quieren separar los botes que el patrón mandó juntar, arrancarle los barriles a las balsas...
—Pero, ¿están locos? —se sorprende Mónica.
—Como locos están, mi ama. Hay muchos muchachos asustados, muchas mujeres llorando, y...
—¿No está Segundo allá? —le interrumpe Juan.

—Sí... claro que está. Pero eso es lo peor, mi amo. Segundo es de los que quieren separar los botes,.. Está de capitán de los que no quieren ir para el Luzbel. Dicen que en vez de llegar tan lejos, igual pueden desembarcar por aquí mismo, un poco más abajo, y tratar de meterse en el monte.
—¡Pero allí están los soldados! ¡Les apresarán.. .! —advierte la sorprendida Mónica, sin llegar a comprender.
—¡Naturalmente! ¿Y dices que Segundo...? —pregunta Juan.
—Segundo dice que el Luzbel se va a hundir cuando se meta en él toda la gente que vamos...
Juan se ha erguido con las pupilas relampagueantes. Sólo un momento parece vacilar. Luego, toma del brazo a Mónica y propone:
—Vamos... Mira;.. las olas bajan. Es el momento propicio y hay que aprovecharlo. No perdamos ni un minuto...
—Pero, ¿si se niegan a seguirte, Juan?
—Me seguirán... los que sean dignos de ser salvados... Con pasos rápidos que la angustia hace más. veloces, han llegado los tres a la playa donde se arremolina la gente, y la voz fuerte e imperiosa de Juan ordena con decisión:
—¡Todo el mundo a los botes! ¡Ha llegado la hora! ¡Las mujeres y los niños primero! ¡Los hombres, que empujen los botes y salten después! ¿Qué esperan? ¿No me han oído? ¡Tú Martín, mueve a la gente de tu bote! ¡Tú, Anguila, con tu gente al agua! ¡Julián... listos... ¡

Como si a la voz de Juan la duda se desvaneciera, como si su presencia tuviese el don de exaltar el valor y su voz la fuerza para empujar las voluntades, uno a uno, los tres primeros botes han entrado al agua. Sólo Segundo permanece inmóvil, con los brazos cruzados, como si la duda más cruel le torturase, y junto a él, los pocos pescadores que han de ir en el último bote, esquivando la mirada de Juan...
—Perdóneme, patrón, pero los de este bote preferimos- quedamos ...
—¿Quedarse? ¿A qué?
—Ya lo sabe, patrón. ¿Piensa que no vi al Colibrí irse corriendo por las piedras para avisarle?
—Entonces, es verdad... y eres tú precisamente. Segundo... Tú...
—Lo siento, patrón, pero tengo familia a quien mi muerte va a importarle...
—¿Tienes miedo tú... tú... ? —duda Juan con más sorpresa que ira.
—No tuve -miedo de morir peleando, pero esto que usted quiere que hagamos es como tirarse a un pozo de cabeza. ¡Prefiero entregarme a los soldadosi Por to que hemos hecho, no van a matarnos...
—Te encerrarán peor que a un animal...

—De la cárcel se sale, y del fondo del mar no sale nadie. Si nos hubiéramos ido nosotros solos...
—¡Calla! ¡Calla y embarca!
—¡No embarcamos, patrón! Y si usted lo pensara... A usted le hablo, señora Mónica... Si usted lo pensara, se quedaría del lado nuestro, que al fin no va a pasarle nada, ni tiene por qué esconderse... Y si acepta la seguridad que le da Segundo Duclos. ..
—Prefiero la inseguridad que me da Juan del Diablo —replica Mónica, suave e irónica—. ¡Vamonos, Juan!
—Uno a uno vayan despegando —ordena Juan alzando la voz—. Remen hasta estar a cien metros de la costa, y allí aguarden a que mi bote pase el primero. .. ¡Colibrí, suelta esa amarra! ¿Puedes?
—Pues, claro. Ahora yo soy el segundo del Luzbel, patrón, ¿verdad?
Los tres botes, unidos por largas tablas, protegidos por barriles flotantes, han entrado saltando sobre la cresta de las olas, y Juan alza a Mónica en sus brazos depositándola en el pequeño bote del que ya Colibrí soltó la amarra. Una punzada le atraviesa el hombro izquierdo... Sólo entonces recuerda su herida, pero un instante le basta para entrar él también, empuñando los remos. -.
Como una mole negra, el Cabo del Diablo va quedando atrás. Mónica está muy cerca, frente a él. Primero es como una forma blanca que ilumina la tenue luna nueva; luego, la oscuridad es más densa. Una cortina negra se extiende tapando las estrellas, apagando el estrecho filo de plata, y las olas, un instante tranquilas, saltan como caballo que se encabritase... De pronto, la noche oscura se vuelve luminosa, un haz de llamas arde en la cima del Mont Pelee como antorcha gigante, se rompe en el aire como un surtidor de fuego líquido, y un arroyo de lava rueda montaña abajo...


14

—YANINA, ¿QUE FUE eso? Vi como que ardía la casa por esa ventana...
—Fue la montaña... el volcán... La señora vio la llamarada. .. ¡Todavía brilla en el patio! El cielo negro se ha vuelto rojo...
—Pero no tiembla la tierra. .. No ha temblado. Fue como una explosión...
—No, señora, fue la montaña... ¿No le digo que es la montaña?
Sofía D'Autremoht ha dejado el lecho, ha corrido a la puerta de su alcoba que da sobre el patio, y por el ancho hueco negro queda contemplando, en la densa sombra, aquel río de lava encendida que rueda por las colinas empinadas, saltando en cada piedra, en cada obstáculo... Luego, su cabeza se vuelve con angustia, al preguntar:
—¿Dónde está mi hijo? ¿Dónde está Renato? Salió, ¿verdad? Lo oí llamando a Cirilo; luego, el coche que se alejaba, y bien puedo suponer a dónde ha ido. No tiene más vida que rondar el maldito Peñón del Diablo.
—Ahora no, señora. El señor Renato recibió los papeles del Obispado. Parece ser que con la respuesta que él deseaba.
—¿La anulación del matrimonio de Mónica? —se sorprende Sofía—. ¡No puede ser! ¡No hay tiempo para una cosa semejante!
—Creo que su IIustrísima le ha ayudado mucho, y tan agradecido está el señor Renato, que dijo que pasaría a darle las gracias antes de seguir para Fort de France, a buscar al gobernador ...
—¿Ha ido mi hijo a Fort de France? —inquiere Sofía cada vez más disgustada y sorprendida—. ¿Y has tardado una hora en decírmelo, estúpida? ¡Ay, Dios mío. Dios mío!
—Yo, señora... Es que no ha ido para lo que la señora piensa...

—¡Qué importa para lo que haya ido! ¿Es que no sabes por dónde corre el camino para Fort de France? Desde luego, para el Sur; pero antes bordea esa montaña...
—Ese es el trozo nuevo, el que va al cruce de los picos de Carbet...
—¿Y qué otro puede haber tomado mi hijo, si seguramente salió para allá reventando caballos? ¿No fue así?
—Si... Sí, mandó enganchar el tronco nuevo de alazanes al cochecito. Dijo que necesitaba no correr, sino- volar...
Las dos han llegado a la puerta lateral. Desde ella, los ojos ansiosos siguen la ruta ígnea de la lava desbordada, que salta; se ensancha y luego se hunde como si rodara al fondo de un valle.
—El fuego corre como para el ingenio de Clerc —explica Yanina.
—¡Por allí justamente va el camino de Carbet! ¡Si él tuviera prudencia...!
—¡ Salió como un loco... iba fuera de sí, y había bebido tanto... tanto...!

—¡Chist! ¿Qué es eso? ¿Qué gritan esos hombres? —quiere saber Sofía al oír voces ansiosas a cierta distancia—. ¡Corre tras ese hombre, Yanina, grítale... alcánzalo...!
—Dicen que un río de fuego se llevó el ingenio de Fernando Clerc, la refinería, las casas... que arrasó los cañaverales y corre sobre el camino de Carbet —explica Yanina, regresando donde se encuentra su ama.
Sofía D'Autremont se ha sostenido agarrándose al marco de la puerta con las manos crispadas, ahogándose, tratando en vano de respirar aquel aire espeso y ardiente que envuelve la ciudad bajando como un vaho rojizo de la alta cumbre del siniestro volcán. Desde sus mil trescientos cincuenta metros de altura, el Mont Pelee arroja aquel río candente que va volviéndose más pálido, como si se apagara, aunque el rumor de mil voces que gritan, de millares de pies que corren presurosos, de cientos de coches que ruedan, se alza de la ciudad bruscamente sacudida por la noticia de la catástrofe...
—Hay más de veinte muertos, madrina... Y heridos con quemaduras horribles...
—Es preciso ir, buscar a Renato, encontrarlo...
—Aun quedan tres caballos en las caballerizas, y el coche grande. Esteban puede llevarme...
—¡NOS llevará a las dos, Yanina! ¡Corre, corre y da las órdenes necesarias ¡
Apoyándose en las paredes, Sofía D'Autremont entra al ancho patio de su casa y- resbala su cuerpo cansado hasta quedar de hinojos, juntas las manos, mientras musita llorando en voz baja:
—He humillado a mi hijo, le he rechazado y Dios me hiere con el dolor más hondo, con el espantoso miedo de que me lo arrebate...

De pie en el pescante, sujetando con todas sus fuerzas las riendas de los caballos encabritados, Cirilo, el más fiel cochero de los D'Autrempnt, ha logrado desviar el pequeño y frágil coche, apartándolo de la vertiente donde, en arroyuelos de fuego, se desparrama la ardiente lava que cayese como un alud desde la cumbre de Mont Pelee hasta la cuenca del río Blanco, extendiéndose luego como una sábana candente sobre laderas, caminos y sembrados. También Renato se ha puesto de pie para recorrer el terrible panorama con ojos agrandados por la sorpresa: el nuevo camino de Carbet ha desaparecido, la floreciente fábrica de azúcar de Fernando Clerc es sólo un montón de ruinas humeantes. Nada de la refinería, de la casa de los colonos ... Pero como una espuela implacable, que se clavara en su voluntad, le aguijonea el ansia de seguir...
—¡Pronto! Dobla por la derecha, Cirilo. ¡Si apuras los caballos, cruzaremos el valle antes de que nos alcance la lava!
—¿Cruzar el valle? Los caballos están espantados... conocen el peligro, no obedecen al freno... ¡Mírelos, mi amo!
—¡Sujeta bien las riendas, estúpido ¡ ¡Dobla a la derecha, te digo!
—¡No puede ser, señor! ¡Hay que volver atrás... atrás...!
—¡Hay que llegar a Fort de France, cueste lo que cueste! ¡Trae acá! ¡Suelta! ¡No eres más que una carga inútil! ¡Vuelve solo a Saint-Pierre, si quieres!
_Renato ha saltado al pescante, ha tomado las riendas, empuja bruscamente al cochero haciéndole caer a tierra, y lanza al galope a los briosos animales bajo la lluvia de ceniza ardiente que arroja el volcán... Súbitamente, la llamarada que coronaba el Mont Pelee se ha apagado. Palidece la lava enfriándose y un áspero soplo de aire de mar barre las nubes color de hollín", despejando otra vez la luna nueva, que brilla como un aro de plata...

—¡Allí está la ciudad!
De pie sobre el pequeño y fuerte bote que sirve de guía a la expedición, Juan del Diablo extiende la mano señalando las luces de Saint-Pierre, que brillan en la distancia, al pie de la masa más oscura de las altas montañas. Están lejos, muy lejos de la costa, totalmente desviados de la ruta que propusieran seguir, debido a la terrible marejada que se alzara arrastrándolos. Pero nada grave les ha ocurrido. A cincuenta metros escasos, puede ver las tres barcazas uniéndose de nuevo. El golpe de mar rompió las tablas y las cuerdas tendidas entre ellas para no separarse, pero no arrastró a sus profundidades a ninguno de sus tripulantes, y sobre el mar, que ha vuelto a estar en" calma, los ojos de Juan localizan el lugar...
—¿Sabes dónde estamos, Juan? —indaga Mónica.
—Muy cerca de la desembocadura del río Carbet, totalmente al sur de la rada de Saint-Pierre. ¿Ves aquellas lucecitas, aquellas cabezas de alfiler que brillan en la oscuridad?
—Sí. Las veo un momento, cuando las olas bajan.
—Hacia allá enfilaremos la proa —explica Juan. Y alzando la voz, ordena—: Enciende el farol, Colibrí. Aquí ya no hay peligro. Enciende el farol y álzalo del lado del cristal verde. Es la señal convenida para que comiencen a remar detrás de nosotros.
¡Qué oscura está la noche y qué lejanos los puntitos de luz! Repentinamente, se ha apagado aquella llamarada rojiza que iluminara el firmamento. Todo rastro de fuego ha palidecido hasta desaparecer, como si el terrible y viejo volcán volviera a hundirse en su letargo, y parece más honda y solemne la imponente soledad de la noche, extendida sobre el doble abismo del cielo y el mar. E1 muchachuelo negro obedece con destreza. Apoyando las manos en los remos, Juan ha vuelto a sentarse. Apenas ve a Mónica, pero, ¡qué profundamente percibe aquella presencia que le embriaga; qué terrible y repentino anhelo le invade de acercarse a su corazón, de asomarse a su alma!

Ha extendido la mano hasta tocar la de ella, húmeda y helada, y no puede soltarla. La retiene con una angustiada ternura en la que se enciende lentamente la pasión, y pregunta con suavidad:
—Mónica, ¿tienes miedo?
—¿Por qué he de tener miedo?
—Estás temblando, y bien puedes tenerlo. Tal vez no debería decirte que estamos en peligro...
—Lo sé aunque no lo digas, Juan. Pero, no tiemblo. Me estremeció ese soplo de aire helado que pasó de pronto.
—Sí... Es el que barrió la nube negra... Estuvo a punto de envolvernos, y acaso hubiera sido el final...
—Sí... claro... Ocurrió algo en Saint-Pierre, ¿verdad?
—Seguramente ocurrió algo. Todavía brillan a todo lo largo las luces de la ciudad, se ven también las de los barrios de la montaña. Sin embargo,, algo debe haber pasado por el rio Blanco. Probablemente desembocaron en él las lavas, y llegaron hasta el mar. Por eso se salvó la ciudad, por eso estuvimos a punto de perecer. Fue milagroso que esa ola enorme nos arrastrara, nos quitara de en medio. Fue probablemente la misma fuerza de la lava al caer desde lo alto... ¿Sabes que parece lo que ustedes llaman milagro, Mónica?
—Sí, Juan, es un milagro. Esta noche todo es como un milagro...

La sombra de la muerte parece borrarse. ¿Acaso no siente entre sus manos la de Juan, ancha y cálida, río de vida, sostén invencible, prenda de esperanza? ¿Acaso no está cerca de aquél a quien desesperadamente ama con un amor que no encuentra palabras con qué expresarse? ¿Acaso no parece que él también calla, porque un nudo de emoción se aprieta en su pecho? ¿Acaso no brillan en la sombra sus grandes ojos, como dos ascuas de pasión inconfesada? ¿Acaso no siente estremecerse la mano viril, aunando al de su propio corazón los latidos de aquella sangre?
—Ahora eres tú el que tiembla, Juan.
—Tal vez... pero no de frío. Tú me haces temblar, Mónica. Tu presencia en esta noche, que puede ser la última de nuestras vidas...
—No digas eso, Juan. Yo... yo... —balbucea Mónica turbada. Y cambiando de pronto, sorprendida, exclama—: Pero, ¿qué es esto? ¡Tu camisa está empapada de sangre! Es tu herida, que ha vuelto a abrirse. Es absurdo,.. No puedes remar con ese brazo...
—Este brazo, aunque sangre, sabrá defenderte y ampararte...
—Dame un momento para vendar tu herida de nuevo...
—Cuando estemos en el Luzbel lo harás. Es peligroso detenernos aquí... Puede venir otra avalancha... Y no te preocupes. .. Sólo es la sangre que me sobra, la que estoy derramando ...

Sin saber cómo, ella ya está a su lado y las dos manos blancas se apoyan en .el remo...
—¡ Juan... Juan. ..! Voy a ayudarte...
—Colibrí podría hacerlo, si realmente lo necesitara; pero no hace falta. Iremos muy despacio... Es lo más prudente... Pero no te apartes... Estamos bien asi...
—Sí... estamos bien... La vida es tan extraña... Ha estado a punto de repetir aquella frase que él jamás olvida, pero un profundo rubor la hace callar... Sí, la vida es muy extraña... tan extraña que ella se siente locamente feliz, con una felicidad honda y ardiente, como si también su corazón se desbordara en ríos de lava. como si aquel minuto valiera por toda una vida, como si aquella hora de sombras, que oscila como un péndulo de las orillas de la muerte a las de la vida, tuviera fuerzas de eternidad...
—Juan, ¿no te duele la herida? —inquiere Mónica, sintiéndose emocionada—. ¿En qué piensas?
—En los hombres que quedaron de aquel lado...
—Es increíble que Segundo hiciera una cosa semejante. Pero no te atormentes por ellos... fueron traidores...
—Sufren, Mónica, y a veces, al sufrir demasiado,, se peca de torpe y de desleal... Mira, ya se ven las luces más claras, pero todavía estamos lejos. -Pasará cerca de media hora antes de cruzar por frente a tu casa...

Como una marejada, suben los recuerdos a la garganta de Mónica; como un golpe de mar, rudo y amargo, y repentinamente se separa de Juan, que pregunta extrañado:
—¿Qué te pasa? ¿En qué estás pensando? Dime en qué estás pensando...
—En Renato...
—Debí suponerlo. Te preocupa lo que pueda decir, lo que pueda pensar... Acaso debiste...
—¡Calla! No acabes de romper el encanto...
—¿Qué? ¿Qué dices?
—Nada... Que quisiera llegar cuanto antes al Luzbel... a cualquier parte...
Juan no responde. Sólo hunde con fuerza los remos en el agua, y la pequeña barca parece volar sobre las oscuras olas, mientras sangra gota a gota la herida mal cerrada...


—¿Qué pasa? ¿Por qué no seguimos?
—Creo que no se puede, madrina. El camino está cerrado... Hay mucha gente... No dejan pasar —responde Yanina. Y alzando la voz, pregunta a su vez—: Esteban... Esteban... ¿Qué pasa?
Sin aguardar la respuesta de Esteban, Yanina ha saltado del gran coche cerrado con cristales, en el que, con mil dificultades, Sofía D'Autremont ha llegado hasta el cruce del camino de Carbet. Soldados de uniforme detienen el paso en aquel lugar, conteniendo la avalancha de curiosos que pretenden acercarse al sitio del desastre. A lo lejos, apenas se distinguen las ruinas humeantes de lo que fuera el ingenio; la ceniza, aún caliente, borra los cambios y agobia los árboles, pero, por todos los senderos que van a Saint-Pierre, ruedan hacia la ciudad coches y carretones, y marchan gentes a pie y a caballo, en un éxodo improvisado y repentino. Temblando de impaciencia, Sofía D'Autremont abre también la puerta del coche, para indagar:
—Por fin, ¿qué es lo que ocurre? ¿Qué pasa? ¡Esteban... Yanina...! ,
—No podemos seguir, madrina. Por aquí no dejan pasar a nadie —explica Yanina.
—Pero, mi hijo...
—Tal vez pasó antes... Tal vez tuvo también que regresar... Es lo más probable, madrina. No pudo llegar a tiempo... No pudo llegar antes...
—¿Y si llegó en el preciso momento de la catástrofe? —se angustia Sofía.

—¡Oh, no... no, madrina! Esas gentes dicen que sólo los trabajadores del ingenio, el administrador y sus familiares, fueron las víctimas... Lo cuentan de mil modos, pero en ese punto todos están acordes. Dicen que la lava encendida cayó como una catarata y se llevó el ingenio y las casas..; Luego, cayó en el río y por eso no quemó a nadie más... Dicen que aquí cambió de rumbo, que en el camino no quemó a nadie. El señor Renato tiene que haber seguido viaje... Estaba tan desesperado...
—¿Desesperado?
—Sí, madrina. Estaba mal, muy mal... Antes le dije que había bebido mucho... Estaba como enloquecido, como trastornado. .. Hablaba solo, como un loco, cuando yo entré en la biblioteca... Hablaba solo... o con un fantasma, madrina. Nombraba a la señora Aimée... Le oí nombrarla...
Yanina ha entrado muy despacio en el coche, soplándose junto a doña Sofía, y un instante se miran las dos mujeres desoladas. Luego, aquella chispa de energía que tan fieramente sostiene la voluntad de Sofía D'Autremont, arde en sus ojos claros, al decir:
—Lo buscaremos por todas partes. ¡No volveré a casa sin haberlo encontrado!
Como un reguero de pólvora, sobre el que corriese una llama, van de boca en boca por Saint-Pierre los relatos confusos o exagerados de aquella catástrofe preliminar... A medida que el coche de los D'Autremont va avanzando a través de las calles, es más denso el gentío que paulatinamente va llenándolas... Hacendados, trabajadores y comerciantes de todos los alrededores, acuden a la capital, unos en busca de noticias, otros huyendo por anticipado del nuevo desbordamiento de lava que algunos anuncian ya... Los cafés y restoranes están atestados, desborda la gente en los portales de la plaza... Han obligado a las agencias de vapores a abrir sus oficinas, y rápidamente se agotan los pasajes en los barcos que deben zarpar al día siguiente...

—¿Qué ocurre aquí? —quiere saber doña Sofía.
—Van a leer un bando del alcalde. Si, madrina... Son los pregoneros del Municipio —explica Yanina. Y dirigiéndose al cochero, alza la voz—: Acércate más, Esteban, acércate más...
El murmullo de la muchedumbre ha ido apagándose suavemente, y ahora sólo se oye la voz del pregonero que va desgranando el bando cómo una cantinela:
—Vecinos de Saint-Pierre. .. Desechen todo temor y toda alarma. Lo que había de ocurrir, ocurrió ya, y ningún peligro amenaza a lo que es propiamente la ciudad. Se ha aconsejado la evacuación de los campos y poblados situados en las faldas de! Mont Pelee, únicos que pueden sufrir en último caso, y ello se está llevando a cabo en forma espontánea y con la mayor rapidez. En este momento, según nuestros cálculos, la ciudad ha recibido ya a más de diez mil personas de los alrededores, y siguen llegando. Sólo las gentes del vecino poblado de Pescador han quedado aisladas, pero se les está prestando oportunos auxilios. Duerman tranquilos, vecinos de Saint-Pierre, y reanuden mañana sus ocupaciones habituales. Si las lavas vuelven a desbordarse, tomarán como antes el camino del mar. No hay ningún peligro para la ciudad. Firmado, Fouchet, Alcalde Municipal de la Ciudad de Saint-Pierre de la Martinica, a seis de Mayo de mil novecientos dos..."
El coche de los D'Autremont ha reanudado la marcha, y de pronto, con gratísima sorpresa, Sofía exclama señalando hacia el café frente al cual están cruzando en estos momentos:
—¡Cirilo! ¿No es aquél Cirilo?
—¡Oh, si! —corrobora Yanina con alborozo—. Para el coche, Esteban... ¡ Para

Yanina ha saltado del carruaje sin aguardar siquiera que éste pare, y corre hacia el cafetín abierto sobre la calle, hormigueante de público como si fuese pleno día, hasta poner las manos en el brazo del hombretón color de ébano, que ostenta la impecable librea de lino blanco, típica de los sirvientes del feudo de los D'Autremont. ..
—Cirilo... Cirilo... ¿Dónde está el amo? ¿Dónde lo dejaste? Horas llevamos la señora y yo desesperadas buscándoles a ustedes. .. ¡Horas! ¿Entiendes? ¿Dónde está el amo?
—No anda conmigo. . . Siguió viaje...
Sofía D'Autremont no ha tenido paciencia de aguardar. Ha saltado también del coche, que detenido en medio de la estrecha calle obstruye el paso, hasta llegar al sirviente cada vez más turbado, y pregunta:
—Siguió viaje, ¿a dónde? ¿Qué le ha ocurrido a mi hijo?
—Al señor Renato, que yo sepa, no le ha ocurrido nada. , —Pero, ¿dónde está? —Persiste Yanina.
—Ya debe estar llegando... ¿No te digo que siguió viaje?
—¿Para Fort de France? —pregunta Sofía.

—Sí... Si, señora —confirma Cirilo—. Yo iba con él, pero me quitó las riendas de las manos porque ñ o quise arrear a los caballos por sobre la candela. Me sacó del pescante de una patada, y a todo galope cogió por el camino viejo, el que da vuelta por detrás del pitón de Carbet...
—Pero, ¿no le ocurrió nada? —indaga ansiosa Yanina—. ¿No sufrió ningún d a ñ o?
—¡Contesta, i d i o t a ! —salta Sofía sin poder contener su indignación.
—Como que no le pasó nada, mi ama. Yo lo vi pasar por encima de todas las cañas prendidas y aparecer allá lejos, en el camino... Entonces, no me quedó más que echar a andar. ..
—¿Y por qué no volviste a casa? ¿Por qué no fuiste a darme cuenta? —reprocha Sofía furiosa—. Era más divertido dar vueltas por la calle, ¿verdad?
—No... No, mi ama. Es que yo estaba asustado... Había que ver la carrera del amo, y total para nada... El corre que te corre para Fort de France, y el gobernador, que dicen que ya viene para acá... Dicen que lo mandó llamar el alcalde y que él dijo que venía para acá con su señora y con esos dos doctores que dicen que son sabios, para que todo el mundo se convenza de que no va a pasar nada. La gente se ha vuelto como loca... Están comprando pasajes para irse mañana en todos los barcos, pero dicen que el gobernador no va a dejar que-nadie se vaya, que va a mandar soldados para que no dejen embarcar a nadie... Allá en la otra cuadra, en la oficina de la Compañía de Navegación de Quebec, la gente rompió la puerta y los cristales... Y hasta para llevar gente en la cubierta de ese barco que llaman el Roraima, han comprado pasajes...
—¿Quién te dijo todo eso? —inquiere Sofía intrigada.
—Lo vi por mis ojos, mi ama. Y además, el señor Noel, el notario...

—¿Dónde está ese hombre?
—Aquí mismo estaba, pero salió dice que a esperar al señor gobernador en su casa, porque tiene que hablarle primero que nadie...
—¿Primero que nadie? —se extraña Sofía sin comprender el alcance de estas palabras.
—Anda llevando unos papeles que ya mucha gente le ha firmado, y a todo el mundo le habla para que los firme, porque quiere que el señor gobernador vea que son muchos los que desean que perdone a Juan del Diablo y a los pescadores que están del lado de allá, y que les echen un puente de tabla para que salgan de ese sitio, donde hay más peligro que en ninguna parte...
—¿Qué estás diciendo, Cirilo? ¿Entendiste bien eso?
—Pues claro, mi ama. Y de este alto es el montón de papeles que lleva firmados... Para mí que el gobernador va a tener que hacerle caso...
—¡Cállate y sube al pescante! —ordena Sofía autoritaria—. Acomódate al lado de Esteban... Vamos inmediatamente a Palacio... ¡Ya veremos quién le habla primero al gobernador!

—Enciende la luz roja. Colibrí...
—¿La luz roja, patrón? ¿Para que se paren? ¿Vamos a detenernos?
—Ellos van a detenerse para esperarme... ¡Apura, Colibrí! Juan ha hundido un remo en el agua, alzando el otro para hacer girar sobre sí mismo a aquel bote tan dócil en sus manos, poniendo proa a la cercana costa... Están muy cerca de los arrabales de Saint-Pierre, en las estribaciones de la montaña que se alza al sur de la ciudad, conocida por Monte Parnaso. Una pequeña playa se abre al pie de ella, entre las rocas; alegres quintas de recreo bordean sus flancos, y en la parte más elevada, como un mirador sobre la ciudad y el mar, se alza un viejo convento de religiosas, edificado siglos atrás por la piedad de un colono enriquecido...
—¿Por qué cambias de rumbo? ¿A dónde vamos? —pregunta Mónica extrañada.
Juan no responde... Rema con todas sus fuerzas, apretados los labios, hasta que el bote se estremece al resbalar la quilla en la arena de la playa, y es entonces cuando ordena:
—Sujeta los remos. Colibrí. Vira el timón y estate atento a la marejada...
—¿Qué ocurre? —vuelve a preguntar Mónica indecisa.
—Ven conmigo...

Juan la ha tomado en brazos; ha saltado, hundiéndose hasta más arriba de las rodillas en el agua, y ha avanzado con paso firme sin aflojar la fácil carga, hasta depositarla en tierra...
—Juan... ¿Estás loco? ¿Qué pretendes?
—No puedo arrastrarte a lo que casi es una muerte segura, Ménica. No le faltó razón a Segundo al temer que el Luzbel no resista la carga. Por egoísmo te arrastré conmigo... Me faltaba el valor para desprenderme de ti, para arrancarme de tus brazos.. He sufrido, he luchado con todas mis fuerzas para dejar de ser lo que soy. Locamente soñé ser otro hombre, hacer que mi vida cambiara, lograr el milagro de salvar la distancia que nos separa... '
—¿Qué distancia, Juan?
—La que tú bien conoces. Que tu piedad no mienta en este momento decisivo.
—Es que no comprendo nada —se desespera Mónica, confusa—. ¿Pretendes dejarme aquí? ¿Abandonarme?
—Muy cerca de un convento... Allí puedes pasar la noche, y después, en cualquier forma, trasladarte a Saint-Pierre...
—Pero, ¿qué dices? ¿Qué hablas? ¡No quiero dejarte, Juan!

—Y yo no quiero arrastrarte a la muerte. ¿Para qué me obligas a decirte la horrible verdad? ¡Estoy perdido, Mónica!
—¡No puede ser! —se niega Mónica a aceptar lo que Juan le dice.
—A estas horas. Segundo y los hombres que quedaron con él, seguramente han sido apresados. Les obligarán a hablar, dirán dónde estamos, saldrán en nuestra búsqueda... y yo no voy a entregarme, Mónica. Me haré a la mar, aun sabiendo que no podré llegar muy lejos...
—Pero entonces, mentiste.., ¡Me mentiste!
—He callado mientras luchaba con mi conciencia, pero la razón ha ganado. No fue mentira. . .
—¡Fue mentira! Y no sólo a mí, sino que mentiste también a esos desdichados...
—Para ellos no hay engaño. Saben bien su destino. Tienen mi misma suerte: la desgracia, o un poco de esperanza. La esperanza de una vida miserable, que no es para ti, Mónica de Molnar...
—¿Y si yo la aceptara?
—No me- hagas entrever un paraíso que no existe. Calla, Mónica, calla, pues si siguiera escuchándote tal vez no tendría fuerzas para hacer lo que es necesario... porque te amo tanto... ¡tanto...!

La ha estrechado en sus brazos, ha puesto en sus labios un beso de fuego; luego, bruscamente, se desprende, rompiendo el tierno lazo, para correr al bote contra el que se estrellan las olas, mientras Mónica, en un grito desgarrador, clama y suplica:
—¡Juan! ¡No! ¡No! ¡No me dejes! ¡Llévame contigo! ¿Qué me importa la muerte?
El grito de Mónica se pierde en la noche, se hunde en las oscuras aguas cada vez más inquietas, que se alzan encrespándose y llegan a golpear con sus gotas de espuma sus manos extendidas, sus ojos que miran sin ver, sus labios en los que arde, como una llamarada, la huella de aquel beso imborrable, el beso que Juan dejara en ellos, fuerte como el abismo que los separa: beso amargo y, a la vez, henchido de dulzura infinita... El primero, el único beso de amor que Mónica recibiera jamás...
Una ola gigante le ha bañado totalmente, pero ella no se mueve... Queda como clavada en aquella playa, a la vez destrozada y deslumbrada el alma, como si un instante hubiera visto brillar una estrella en sus manos y ésta hubiese dejado en ellas sólo el ardor de la quemadura, sólo el ansia de apresar lo que un momento tembló entre sus dedos.. . Don supremo y soñado que, por segunda vez, la vida le arrebata... Y la más triste frase que jamás escapara de labios humanos, sube a los suyos en hervor de sollozos:
—Juan, ¿por qué me abandonaste?
De pie en la playa, todavía mira. el horizonte, todavía registra con ansia, esperando que la luz del día que nace le ayude a encontrar la vela del Luzbel, los henchidos manteles de la audaz goleta marinera, que se ha ido lejos con su pesada carga que significa la perdición y naufragio, ,con su audaz capitán cuyas últimas frases aún suenan en los oídos de Ménica subyugadoras y torturantes... Juan de Dios... Juan del Diablo... Aquel que locamente apareciera en su vida como flecha de luz y de fuego, perfumándola y desgarrándola... aquel que, al fin, dejó escapar su secreto al borde de la despedida brutal... aquél a quien todavía reclama, con blando reproche doloroso, los tiernos labios de la ex-novicia:
—Si pudiera seguirte.;. Si pudiera...

Ha mirado con ansia a todas partes, pero nada hay allí de que pueda servirse, nadie que pueda estar dispuesto a ayudarla. •Tras los acantilados de roca negra mudos testigos de cien catástrofes pasadas, arrancan las laderas de intenso verdor del Monte Parnaso; quintas floridas se alzan entre las calles desiguales y, en su parte más alta, aquel viejo convento con el que Juan contara para que le sirviese de refugio. Con el ansia de que su vista alcance más lejos, trepa Mónica el sendero de cabras, pero nada ve tampoco desde allí, sino la inmensidad del mar...
—¿Cómo buscarte? ¿Cómo ir a ti, Juan?
Desde allí se divisa también la ciudad entera. Está casi a dos kilómetros de distancia. Un instante, la imaginación de Mónica parece arder... En Saint-Pierre hay lanchas, botes, barcos. .. Tal vez pudiera encontrar quien la llevase, pero, ¿hasta dónde? Está de espaldas al camino y no ve la tila de coches que va acercándose, los vehículos que cruzan dejando la ciudad, rumbo a las quintas del Monte Parnaso. Uno de ellos ha aminorado la marcha, deteniéndose muy cerca de ella. La portezuela se ha abierto al impulso nervioso de la mano de una persona que llama, sorprendida:
—¡Mónica! Pero, ¿es usted... usted realmente? ¿No estoy soñando? ¿Está sola? ¿Qué hace aquí? Le aseguro que no podía dar crédito a mis ojos y ahora, aun palpándola... ¿No estaba usted allá...?
—Comprendo su sorpresa. Madre.,..
—¿Quién está con usted?
—Nadie. Cálmese. Para mi desgracia, estoy completamente sola, pues sola se me impuso la obligación de salvarme...

La Madre Superiora de las Siervas del Verbo Encarnado palpa con manos trémulas las mojadas ropas de Mónica, mira con los ojos agrandados de sorpresa la playa cercana y el inquieto mar, y contiene con esfuerzo los cientos de preguntas que acuden a sus labios, mientras tres coches más han parado detrás del suyo y se descorren las cortinillas para mostrar, bajo las negras tocas, semblantes asombrados. Luego, la comprensión y la piedad se sobreponen al asombro... el rostro palidísimo, las ropas mojadas, las profundas ojeras, la mirada de angustia y extravio en los ojos de la ex-novicia, tienen fuerza bastante para obligar a reaccionar a la madre abadesa:
—Veo que está usted enferma, Mónica, y acaba de decirme que se encuentra sola. Suba a mi coche... Vamos a; Convento e las Dominicas. Han invitado a nuestra comunidad a refugiarse en él en vista de la gran alarma.
—¿Alarma?
—Parece ser que se acerca el fin del mundo, hija mía, y el señor Obispo nos dijo evacuar nuestro viejo convento de la Plaza de Víctor Hugo —comenta la madre abadesa casi en tono jovial—. Muchos dicen que no va a ocurrir absolutamente nada. El alcalde no hace más que lanzar bandos y proclamas tranquilizando a los habitantes de Saint-Pierre, y se dice que el gobernador ha llegado para prohibir el éxodo. Por eso decidí apresurar a mis hijas espirituales, para poder cumplir con los deseos de su Ilustrísima... Ahora pienso que fue una inspiración-del cielo, ya que gracias a eso la hemos encontrado. ¡Vamos, venga, suba al coche!
—No, Madre, no puedo ir con ustedes... Tengo que embarcarme ... tengo que ir en busca de Juan...
—¿En busca de Juan? —se sorprende la abadesa. Y con cierta satisfacción, indaga—: ¿Quiere decirme que ha podido escapar Juan del Diablo? ¡Oh, perdón! Usted le llama Juan de Dios, y realmente...
—Está, como quien dice, perdido... Van a una muerte segura... el Luzbel no puede con su carga... ¡Dios mío... Dios mio.-.!
—Hija querida, me temo que esté usted desvariando...

—No, Madre, no. Juan me trajo a esta playa, me dejó aquí ordenándome que me salvara, que fuera precisamente a ese convento, y que allí...
—Entonces, ¿qué aguarda? ¿No es la obediencia su primer deber como esposa?
—¡Si él muere, no quiero yo vivir, Madre ¡
—Baje la voz, por favor. Las novicias están muy cerca, justamente en ese carruaje que no ha levantado sus cortinas. Venga conmigo, está usted enferma y de momento no puede hacer nada...
—Si muere Juan, perderé la razón. Madre...
—No se desespere. No es sólo su Juan, somos todos los que, al parecer, estamos en grave peligro en este instante. Nuestras hermanas dominicas están en oración desde ayer, y lo mismo haremos nosotras al llegar. Nunca se reza en vano. La misericordia de Dios es infinita. Considero que el haberla encontrado aquí es casi un milagro. Rezaremos porque haga otro en honor de ese loco generoso con quien está usted casada. En estos últimos días casi no se hablaba de otra cosa en la ciudad, sino de su gran lucha en defensa de los pescadores. Muchos le atacan, pero no le faltan grandes partidarios: nuestro Capellán, entre otros...
Blandamente ha hecho subir a Mónica al carruaje, y a una discreta seña, otra vez se pone en marcha la caravana...


15
—¡QUE ARRIEN LA mayor... la mesana! Media vuelta a estribor, muy suave. Anguila... Así... ¡Arriba el foque ahora para mantenernos al pairo!
Las primeras luces del día rompen sus rayos en los mástiles desnudos del Luzbel, que repleto desde la bodega a las cubiertas, se balancea pesadamente sobre el .encrespado mar. A su lado, sujetos por cables que hacen más lenta y penosa su marcha, se encuentran los tres lanchónes de pesca, vacíos ahora, cascarones de nuez sobre la inquietud de las procelosas aguas. Más sombrío el gesto que nunca lo tuviera, más duro el ceño y apretados los labios, Juan del Diablo dirige la delicada maniobra, volviéndose luego para mirar con ansia aquella tierra que se alza allá, a lo lejos... Es la Martinica, que parece surgir de la bruma... Poco a poco se han ido apagando los puntos de luz que indican la ciudad lejana... A la izquierda, el Mont Pelee alza su siniestra silueta, las anchas faldas, las empinadas laderas desnudas, y en la cima el espeso penacho de humo, negro como el hollín, que va extendiéndose sobre el cielo de la mañana como un gigantesco tintero que se derramase... Pero sólo un instante lo contemplan los ojos de Juan... La mirada ansiosa se vuelve hacia el Monte Parnaso... Apenas se distingue desde allí su masa verde, salpicada de los puntos multicolores de sus jardines y sus casas. Apenas se distingue, y sin embargo, ¡con qué fuerza desesperada late el corazón de Juan!
—¿Nos vamos a quedar aquí, mi amo? —pregunta Colibrí—. ¿Sin echar las anclas?
—Es demasiado hondo el mar aquí para poder echar las anclas... Ya deberías saber eso...
—Y lo sé, patrón. Sé que no se puede anclar y por eso nos quedamos al pairo... ¿Hasta cuándo, patrón?
—Hasta ver qué pasa con ese maldito volcán...

Casi es de día ya... Sobre la Antilla floreciente, marcada con el dedo de un destino trágico, asoman los primeros resplandores del siete de mayo de mil novecientos dos... Bulle la ciudad como en el mediodía de una gran fiesta... Las nueve aldeas situadas en las faldas del Mont Pelee han vaciado en ella su población íntegra; han llegado también los ricos colonos, dueños de plantaciones y de ingenios, con sus empleados y familiares Es un éxodo nervioso y excitado, de todo el noroeste de la isla. Del área encerrada en un círculo de más de treinta kilómetros de diámetro, que rodean las estribaciones del terrible monte, se han desplazado hasta los últimos habitantes, justamente alarmados por extrañas señales... Un calor de infierno escapa de la tierra, los crecidos arroyos arrastran hada el mareen vez de agua, un fango pestilente, de insoportable hedor a azufre... Las aves marinas han abandonado totalmente la región inhóspita, y sobre los altos acantilados y las estrechas playas se amontonan millones de peces que arroja el mar, muertos o agonizantes... La ciudad de veinticinco mil habitantes tiene ahora más de cuarenta mil, pero no ha cundido el pánico; al contrario... Una vez allí, los ánimos parecen calmarse, el despreocupado optimismo de los habitantes de Saint-Pierre parece ejercer su fuerza de contagio. Se charla, se bebe y se ríe como si todo fuera una fiesta, y la absurda seguridad se afirma más cuando la última noticia corre de boca en boca...
—El gobernador acaba de llegar... Esos hombres lo han dicho, señora —explica Yanina a su ama—. Parece que entró por la puerta de atrás, porque había mucha gente en la plaza, pero que ya está hablándole al pueblo desde el balcón de palacio.
—¡Dile a ese imbécil de Esteban que apure los caballos! —apremia Sofía D'Autremont.
—Es que no se puede pasar, señora. Asómese para que vea la calle...
—¡Que toque el timbre, que se abra paso de cualquier manera! Dile que dé la vuelta por la otra calle, que llegue hasta palacio, aunque sea por la puerta de servicio. ¡Yo haré que me abran! ¡Vamos!

Sofía D'Autremont ha llegado por fin a la calle lateral de la amplia y lujosa residencia del Gobernador General de la Martinica, y apoyándose en Yanina, deja el pesado carruaje que con tanta dificultad la ha llevado hasta allí. Hierven los transeúntes como resaca de la muchedumbre que se agolpa en la plaza, frente al balcón desde donde el mandatario habla al pueblo:
—Hijos míos, mi presencia en Saint-Pierre es la mejor prueba de que todas las alarmas son vanas. He venido trayendo conmigo a mi familia. También me acompañan dos hombres de ciencia a cuyo testimonio acabo de apelar, y en cuya autorizada opinión Saint-Pierre no tiene más que temer del Mont Pelee, que Ñapóles del Vesubio. Nuestro viejo volcán ruge un poco, pero no morderá. Fuegos artificiales y arroyos de lava que, al fin y al cabo, van a apagarse al mar. ¿Es ésta razón para que queramos dejar despoblada la más floreciente colonia francesa en las Antillas? Los nacidos al pie de Mont Pelee bien pueden reírse de esas tontas alarmas, y yo aconsejo a todos que se despreocupen y se rían, porque estoy dispuesto a reprimir con toda energía las actividades de los que gozan en sembrar el pánico, los vaticinios de los alarmistas y cualquier otra actividad que tienda a provocar el desorden. Una vez más digo a los vecinos de Saint-Pierre, que cada cual reanude sus ocupaciones habituales y que no insistan los malos profetas en ser enviados a la cárcel...
Un cochecillo de dos asientos acaba de detenerse en la misma calle, y es Renato D'Autremont el hombre que, arrojando las riendas, va con paso rápido hacia la codiciada puerta de servicio, cuando su propia madre le cierra el paso:
—¡Renato!
—¡Madre! ¿Qué haces aquí?
—¿No piensas que he salido a buscarte? ¿No piensas que he pasado la noche muñéndome de angustia, registrando hasta el último rincón de la ciudad detrás de tus pasos? No lo piensas, ¿verdad? No puedes pensar en nada ni en nadie que esté fuera de esa pasión funesta...
—¡Por favor, basta!
—Te fuiste dejándome enferma, te alejaste de mi sin una sola palabra...

—Quise evitar escenas como ésta, mamá. Ya habían ocurrido bastantes cosas desagradables. Era preciso terminar, cortar...
—Ya lo veo. Rehuyes las consecuencias de tu locura, pero no renuncias a tu propia locura...
—Ya no es una locura mi amor por Mónica, ni siquiera para ti puede serlo, porque Móníca es libre y sé que me ama.
—¿Libre...?
—Libre, sí. Aquí tengo los papeles que me enviaron. del Obispado, los que me exigió el gobernador para darme el respaldo necesario, los medios materiales que me faltaban para arrancarla de manos de ese hombre...
—¿Y Campo Real? ¿Tu Campo Real?
—A su tiempo me ocuparé de Campo Real. Con las mismas gentes que el gobernador ponga a mis órdenes, caeré sobre la chusma tan pronto como Mónica haya sido rescatada. Lo haré, madre, lo haré personalmente, porque aun cuando me hayas llamado cobarde,, por ti misma verás hasta qué extremo fuiste injusta. ¡Y lo verás muy pronto!
—Aguarda un momento, Renato. ¿El gobernador te dio soldados?

—Todavía no, pero no va a negármelos. Por desgracia, aun no he podido hablarle. Nos cruzamos en el camino. Al llegar al entronque del camino de Carbet, supe que el gobernador regresaba a Saint-Pierre, y mis caballos estaban demasiado cansados para poder alcanzarlo. Pero ya estoy aquí, y vuelvo a su presencia como él me pidió que volviera: con todos los derechos legales. Ven conmigo, madre...
—Naturalmente que voy. Pero aguarda... aguarda. No irás a ser tú quien tome el mando de esa gente para prender a Juan del Diablo, ¿verdad? Eso no, hijo, eso no...
—¿Por qué no? Siempre quisiste que alguien lo aplastara. ¿Sabes quién está allá, junto al gobernador? ¿Quién ha reunido cuantos elementos le ha sido humanamente posible para sacarlo 'bien librado?
—Sé que Noel se ocupa de ese asunto. Desde luego, debe estar tratando de conseguir audiencia.
—Estoy mejor informado. Me han dicho que Noel aguardó al gobernador en su propio despacho. A estas horas puede habernos tomado la delantera, pero no va a servirle de mucho...
—¡Toda tu vida con la sombra de ese maldito Juan!

—Sí, toda mi vida... ¡No sabes hasta dónde, hasta qué extremo han llegado las cosas! Pero ésta es la última batalla, y voy a ganarla, la tengo ganada ya... ¡Aquí está mi triunfo, 'el que me redime de todos mis errores, el que nadie podrá ya arre-" balarme! ¡Vamos, madre!
—¿Es que se ha convertido usted en mi sombra. Noel?
—Me he convertido en su conciencia, señor gobernador, y perdóneme que me tome la libertad de hablarle con la franqueza y la claridad a que estamos acostumbrados... Es proverbial que usted detesta la violencia y la crueldad... Siempre ha gobernado esta cálida isla en forma paternal y descuidada... Su Excelencia no comete atropellos 'en su provecho personal, pero los atropellos de los poderosos se multiplican, sin que su Excelencia haga nada por evitarlos...
—¡Basta! Si piensa usted que voy a seguir escuchándole...
—Me escuchará, porque su Excelencia tiene el corazón de oro, y eso también es proverbial... Y porque sabe que tengo razón y, además, porque precisamente ahora es cuando tengo que decir algo importante. El descontento es mayor de lo que su Excelencia cree; la conciencia popular ha despertado... Un acto de simple justicia puede salvar muchos errores pasados... Tengo tres mil firmas pidiendo la vida de Juan del Diablo y la de los pescadores que le acompañan...
—¿Tres mil firmas? ¿La vida? ¿Qué tontería es ésa. Noel? No están condenados a muerte...
—Pues ahí está lo grave del caso. En el lugar en que su Excelencia los tiene acorralados, están amenazados de una muerte horrible a cada desbordamiento de lava, y si, como su Excelencia acaba de. afirmar, siguen corriendo para ese lado irremediablemente...

—¡Nadie sabe para qué lado van a correr!
—Su Excelencia acaba de afirmar, desde ese balcón, que sí lo sabe...
—Bueno... era necesario tranquilizar al pueblo alarmado...
—El pueblo cree en la palabra de su Excelencia, y juzga con razón que esos infelices están condenados a ser quemados vivos por el solo delito de no dejarse explotar de un usurero sin entrañas...
—En todo caso, por haber hecho armas contra mi autoridad...
—¿Y no fue un abuso de autoridad convertir en isla el Cabo del Diablo?
—Basta, Noel. ¿Qué es lo que se ha propuesto?
—Excelencia, el momento viene que ni pintado. Si da usted una oportunidad a Juan, de capitular honrosamente, nadie podrá criticarlo... Se trata de la vida de más de cincuenta ciudadanos de Francia, y la opinión popular está de su parte. Estas firmas no son más que una muestra... Podría seguir recogiendo y convertirlas en miles de millares. Podría... —Noel se ha interrumpido de pronto y con visible disgusto prorrumpe en un significativo—:¡Oh..., oh...!

El gobernador ha vuelto vivamente la cabeza, siguiendo la mirada del notario. En la puerta del despacho que da a la antesala, abierta de par en par, está Renato D'Autremont y su madre, y al gesto de sorpresa y disgusto del mandatario, se excusa Renato acercándose:
—Perdón, Excelencia. Las puertas estaban abiertas y el paso franco...
—Ya lo veo... todos olvidan su deber en el momento en que más debieran cumplirlo —recuerda el gobernador sin ocultar su contrariedad.
—No nos acuse de abuso de confianza, amigo mío —se defiende Sofía D'Autremont.
—A usted nunca, Sofía. Pero le ruego pasen a la otra sala. Les atenderé dentro de un instante, apenas haya resuelto este caso...
—No puede resolver este caso sin escucharme, señor gobernador —corrige Renato—. Hace quince horas que corro detrás de usted, y cada minuto puede ser ya demasiado tarde...

De repente, la tierra ha temblado, todo se ha estremecido en un fuerte y rápido movimiento de oscilación, que tuerce los cuadros y deja balanceando las lámparas, y el mandatario, a cada momento más disgustado, exclama con fastidio:
—¡Esto nos faltaba!
—Señor gobernador, yo aún no he terminado —recuerda el viejo notario.
—Señor gobernador, dos palabras antes —insiste Renato—. Hace sólo unos días, cuando solicité de su Excelencia el apoyo necesario para arrancar por la fuerza, de manos de Juan del Diablo, a la señora de Molnar, comprometiéndome -a obligar a esas gentes a volver a la obediencia de las leyes, usted me respondió que necesitaba no sólo del derecho moral, sino del derecho legal...
—En efecto, Renato, lo dije y lo sostengo. Mientras esa señora esté casada con Juan del Diablo...
—Ese matrimonio ha sido anulado. En realidad, no existió jamás, porque nunca llegó a realizarse.,. Y con los documentos que lo prueban, en la mano...
—¿Cómo... es posible? —se asombra el gobernador—. ¿Tan pronto...?

—Pronto o tarde, aquí están —afirma Renato muy ufano y orgulloso—. Según sus palabras de entonces, era lo único que necesitaba para ceder a mi petición. Mírelo usted mismo, léalo con toda la calma que sea necesaria, compruebe la autenticidad de estos hechos y, por Dios, no tarde después demasiado en dar las órdenes necesarias.
—Un momento, Renato. Esos papeles... —tercia el anciano notario.
—También usted puede examinarlos, Noel —accede Renato—. Y si como es más que probable, tiene medios de comunicarse con Juan, adviértale que será inútil toda resistencia, que retiene indebidamente a su lado a Mónica, y que le aconsejo...
—¡No creo que Juan atienda consejos de nadie! —se encrespa Noel—. Si el señor gobernador responde a lo que le he propuesto, en la forma que espero, Ménica de Molnar será libre de hacer lo que le dé la gana.
—De todas maneras, lo es ya, y le costará la vida a Juan tratar de seguir reteniéndola por la fuerza —amenaza Renato en tono ominoso.
—¡Estoy seguro de que no la retiene por la fuerza! —porfía el notario encendiéndose su rostro de indignación.

—Yo estoy seguro de lo contrario, pero no es con usted con quien he de discutir estas cosas. Noel. Ni éstas ni ningunas. Usted no es más que un empleado infiel de mi casa...
—Justamente es lo que iba a advertirte, Renato —interviene Sofía desdeñosa—, y lo que iba a rogarle al señor gobernador. Ni tenemos nada que tratar con este hombre, ni creo necesario soportar la compañía de un tipo semejante. ;
—¡Pues no haber venido a interrumpir mi audiencia, señora D'Autremont! —salta Pedro Noel sin poder dominar la ira que le acosa—. Ni ustedes tienen nada que tratar conmigo, ni yo con ustedes. Por lo tanto, bien pueden pasar a la otra sala, como les sugirió su Excelencia, y esperar sentados.
—¡Es usted el más insolente de los i m b é c i l e s. Noel! —apostrofa Sofía.
—Si no mirara... —amenaza Renato furioso.

—¡Ruego a todos que se reporten, o no podremos entendernos! —aconseja el gobernador—. Creo que todos tienen algo de razón, y si pudiéramos compaginar...
—¡Cumpla usted su palabra, gobernador, y le entregaré a los rebeldes vencidos y maniatados! —se engalla el joven D'Autremont.
—¡No eres tú quien va a maniatar a Juan del Diablo, Renato! —estalla Noel sin poderse contener.
—¡A él y a cuantos le, secunden, a más de castigar la insolencia de usted!
—¡Por favor, basta! recomienda el mandatario, enardeciéndose a su vez. Y de pronto, algo alarmado, se sobresalta—: ¿Eh...? ¿Qué? Un momento...

Ha corrido al encuentro de un mensajero sudoroso, que llega casi sin aliento cruzando la antesala. Un silencio expectante mantiene en suspenso los ánimos durante un rato, hasta que el gobernador se acerca con un consejo en los labios:
—La discusión es completamente vana, señores. Los rebeldes escaparon del Cabo del Diablo.
—¿Cómo? —se sorprende Renato alteradísimo—. ¿Escaparon? Pero, ¿cómo? ¿Por qué medios?
—Naturalmente que por el mar, utilizando botes y lanchas —explica el gobernador—. El capitán de los refuerzos que envié desde Fort de France ha apresado a unos cuantos fugitivos, entre los que no está Juan del Diablo.
—¿Y ella? ¿Y Mónica? ¿Qué han hecho con ella? ¿Dónde la han llevado? —quiere saber Renato sin poder abandonar su obsesión.
—Por desgracia, no puedo contestarle; pero esto le costará unos galones al jefe de la guardia permanente, que debía mantener el sitio, y que me pone en ridículo una vez más... El pánico sigue cundiendo por todas partes y la gente se desmanda. .. Acaban también de avisarme que la carretera de Fort de France es una romería de gente que se va, y no hay ya ni el más pequeño espacio en los dieciséis barcos que, anclados en la bahía, esperan zarpar.
—Si me hubiera usted hecho caso. Excelencia... —reprocha voladamente Noel.

—¡Por hacer caso a los que hablan como usted, están las cosas como están! —apostilla el gobernador algo violento—, Pero voy a poner remedio en el acto, proclamando la ley marcial. Se acabaron las contemplaciones... ¡Si tuviera más soldados y unos cuantos oficiales más...!
—Yo soy subteniente de la reserva, señor gobernador, y le estoy ofreciendo mis servicios y mi espada —se brinda Renato.
—Ya lo sé... ya lo sé, pero... —barrunta el gobernador presa de indomable malhumor.
—En el sur de la isla, la mayor parte de los terratenientes están en las mismas condiciones que yo —explica Renato—. Acudirán a ponerse a sus ordenes si usted los llama. A ninguno de ellos les faltan armas ni vigilantes adiestrados. Todos, y yo el primero, formaremos una guardia suplementaria para imponer la ley y el orden.
—¿Está usted dispuesto a todo eso, Renato?
—Sólo le pido entrar en acción cuanto antes. En menos de media hora puedo preparar hasta una veintena de hombres entre los empleados y criados de mi casa.
—Acepto su oferta, mi joven amigo. Es un grave, caso de emergencia nacional. Considero un deber dejarle elegir su primer trabajo.

—Ya está elegido, y usted sabe cuál es.
—Comprendo, comprendo... es absolutamente natural. Voy a hablar ahora mismo con el comandante de la plaza. ¿De qué elementos cree usted necesitar?
—Cuarenta soldados, un guardacostas y facultades de comandante, hasta llevar a feliz término el asunto del Cabo del Diablo.
—Pide bastante, pero está concedido.
—Pero, señor gobernador... —intenta reprochar Noel.
—Excúseme y retírese, señor notario —ruega el gobernador. Y ante el fuerte retumbar del volcán, que se oye de pronto, apostilla—: ¿Oye usted? El volcán nos marca la pauta. No podemos vacilar...
—Comenzaré por interrogar a los hombres apresados. ¿Dónde están? —pregunta Renato.
—A disposición de usted en el patio de la comandancia, teniente D'Autremont —ofrece el gobernador.
—Y ahora, vuelve a casa, madre, y aguárdame tranquila. Mi segundo trabajo será reconquistar Campo Real, y no echarás de menos en mí el temple de mi padre...

—Mónica, hija mía, ¿no oye usted la campana? Es para acudir al refectorio.
—Le ruego que me deje permanecer aquí. Madre. En la ancha galería de arcos que remata el vetusto edificio que sirve de convento a las antiguas dominicas, y de temporal refugio a las Siervas del Verbo Encarnado, Mónica lleva muchas horas contemplando con ansia la inquieta sábana del mar, encrespado bajo el vaho de fuego de aquella tarde sofocante. Han pasado las horas y hasta el sol brilla extraño a través de las bocanadas rojizas, de las negras nubes de hollín que el cono del volcán esparce por los aires. En el Monte Parnaso todo está en calma, pero en el cercano valle que abriga la ciudad, leves temblores y ruidos subterráneos se suceden inquietando los angustiados ánimos. Sin embargo, hay una sonrisa optimista en los labios de Sor María de la Concepción, al explicar:
—Nuestras hermanas han suspendido la oración continua en la que llevaban ya varias horas. Parece ser que las cosas van mejorando... Constantemente, las autoridades aseguran que no hay el menor peligro para la ciudad. Se ha prohibido que nadie salga sin un salvoconducto firmado por el gobernador, y han hecho regresar filas de coches y caballos que marchaban para el Sur a toda prisa. El gobernador declaró que tomaba esas medidas para evitar que la isla se despoblara sin ninguna verdadera razón para ello, y hay una orden que retiene hasta mañana la salida de todos los barcos. Escapamos a tiempo, ¿verdad? En Saint-Pierre debe hacer un calor sofocante. ¿No me oye? ¿En qué piensa?
—Perdóneme, Madre. No pienso en nada... Otra vez ha vuelto a mirar al mar. Si sus ojos tuvieran la extraña facultad de salvar atmósfera y distancia, llegarían a ver al Luzbel balanceándose sobre las inquietas olas... el hormiguear de los refugiados por la estrecha cubierta, y verían también al hombre que, trepado en el palo de mesaná, fijos los ojos en el cono del volcán, aguarda con el ansia inenarrable de su amor y su angustia.
—¡Patrón... Patrón! ¿No va a bajar?
—Sube tu si quieres. Colibrí.

Con la agilidad de un felino ha trepado el muchacho negro hasta alcanzarlo, y juntos, recostados en el primer travesaño de la vela, quedan mirando la montaña imponente y lejana.
—Cuánto humo, ¿verdad, patrón?
—Sí... y hasta aquí caen las cenizas cuando sopla el aire de aquel lado. En el mar flotan los peces muertos, y han pasado cientos de bandadas de aves marinas. Van mar adentro, como huyendo...
—Pero nosotros no nos vamos, ¿verdad, patrón?
—No, Colibrí, al contrario. Cuando venga la noche nos acercaremos lo bastante para poder echar un bote al agua. Quiero acercarme a la costa, quiero ver más de cerca lo que pasa... Saint-Pierre va a perecer, estoy seguro... Es como si, al pasar, me lo gritaran esas aves que huyen, como si lo escribiesen con letras de fuego las bocanadas del volcán. Algo'espantoso le espera a la tierra en que he nacido, algo terrible amenaza a la mujer que amo...
—¡Hablarás, imbécil, hablarás! ¡Me dirás todo lo que sabes, o pagarás por él! ¿Entiendes? ¡No tendré compasión de ninguna clase contigo ni con nadie!
—¡Señor D'Autremont, yo no se dónde está! En uno de los primeros patios del Castillo de San Pedro, vetusta sede de la comandancia militar de Saint-Pierre, Renato apremia al joven marino que fuera segundo del Luzbel... Corre el sudor por las tostadas mejillas del preso... sudor copioso que brota bajo el vaho de fuego que envuelve la ciudad y empapa también la frente altiva y blanca del último D'Autremont...
—¿Te agradaría que te hiciera apalear? ¿Te gustaría pasar seis meses en un calabozo subterráneo? ¿Quieres cargar en un proceso con todas las culpas del que fue tu patrón, para que te condenen a diez años de trabajos forzados?

—¿A mí? ¿A mí? —balbucea Segundo con el espanto reflejado en su lívido rostro.
—¡Pues habla, habla de una vez! ¿A dónde fue Juan?
—¿Me pondrá usted en libertad si hablo? ¿Soltará a los que vienen conmigo si... ?
—¡Te mataré ahora mismo si sigues callando! ¿Vas a hablar?
—Pues bien... Si señor. Al fin y al cabo, yo no tengo la culpa de nada.
—¿Dónde están? ¿Dónde fueron?
—Iban al Luzbel, que estaba anclado frente a la caleta Sur. No tenia más que dos vigilantes; tal vez ninguno, con las cosas que están pasando...
—¡Al Luzbel! ¡Cómo no lo pensé antes! ¡El maldito barco no está en el puerto! Por culpa tuya, con tu silencio, has dado tiempo para que se escapen... Seguramente anoche mismo levaron anclas... ¡Te juro que vas a podrirte en la cárcel!
—No pueden estar lejos, señor... El Luzbel no puede navegar mucho con tanta carga... Iban casi todos los pescadores, las mujeres, los niños, el patrón. Colibrí, los otros tripulantes, y, además, la señora Mónica...
—¡Mónica! Pero, ¿cómo es posible que ese canalla...?
—Se la llevó, señor. Yo le pedí que la dejara conmigo, pero quiso llevársela...

Tan rudamente ha zarandeado Renato al prisionero, que sus dedos rompen la burda chaqueta de marino que viste Duelos, y se asoma con ansia a las espantadas pupilas del hombre acorralado, en una ansiosa interrogación, cuya respuesta, sin embargo, teme escuchar:
—El quiso llevársela... ¿Y ella? ¿No lloró? ¿No suplicó? ¿No le pidió que la dejara salvarse?
—No... No, señor —balbucea Segundo—. La señora Mónica como que quiere al patrón...
—¡Mientes, Villano! ¡Mientes, perro! —se enfurece Renato, abofeteando al indefenso Segundo,
—¡Basta... Basta! ¡Es inconcebible que se abuse de este modo de un hombre atado! —intercede el notario Noel, aproximándose a donde se halla Renato—. Apenas puedo creer que sea usted... usted...
—¡Déjeme en paz! —se revuelve Renato furibundo.
—¿No hay ninguna ley que autorice a interrogar en esa forma a un detenido!
—¡Quiere usted largarse al infierno. Noel? —desprecia el joven D'Autremont. Y alzando la voz, grita, al tiempo que se aleja, señalando a Segundo—: ¡Este hombre, a un calabozo subterráneo!
—Renato... Renato... —suplica Noel, yendo tras éste—:

Renato, por piedad....
—¡Que alisten inmediatamente el guardacostas para zarpar en el acto! ¡Que redoble la provisión de parque y embarquen en seguida los cuarenta soldados! —ordena Renato, sin prestar atención al viejo notario—, ¡Dame esas dos pistolas, Cirilo!
—Renato, hijo. Por los clavos de Cristo —suplica el anciano Noel—. Yo no sé ya ni cómo hablarte... Parece mentira que cuando la naturaleza nos está amenazando de esta manera, no haya en los seres humanos un poco de piedad... ¿Es que no tienes ni un solo recuerdo para la voluntad de tu padre?
—¡Para la voluntad de nadie! ¿No ve usted que me estoy ahogando de celos, de dolor y de rabia?
—¡Renato! ¡Es tu hermano!
—¿Y qué me importa, si necesito toda su sangre? ¡Déjeme en paz!

Le ha apartado de un empujón, y ganando la puerta de la estancia, corre salvando los largos pasillos, bajando las, desgastadas escaleras de piedra. En vano el viejo notario quiere ir tras él, detenerlo, hablarle una vez más... Cuando casi ahogándose a las puertas del Fuerte, un estrepitoso trueno, muy largo, se deja oir, y comenta como en un rezo:
—¡El Señor nos ampare! Pero, ¿cómo va a ampararnos con las cosas que pasan?
Otra vez la tierra se ha estremecido, haciendo vacilar las cansadas piernas del notario que, ya sin fuerzas, se recuesta en el viejo muro, mientras a lo largo de la calle que bordea la rada, Renato D'Autremont se aleja a galope tendido de un brioso corcel, rumbo al muelle en el que un guardacostas le aguarda...
—¡Santo. Dios, Santo fuerte, Santo inmortal... Líbranos, Señor, de todo mal... ¡
—¡Ana! Pero, ¿eres tú? —se sorprende Noel.
—¡Bendito y alabado! —proclama la típica sirvienta con grata sorpresa—. Ya me iba a tirar en el suelo, porque no podía dar un paso más; desde mediodía lo estoy buscando, señor don Noel. Desde mediodía, sin descansar, reza que reza, anda que anda, suda que suda, limpia que limpia las cenizas que me caen en los cabellos... Y sin encontrarlo... Pero, gracias a Dios... Gracias a Dios...
—Gracias a Dios, ¿por qué? ¿Qué quieres? ¿Para qué me buscabas?

—Yo, para nada. Pero la señora Catalina se ha empeñado en que tengo que encontrarlo, y hay que ver lo que es caminar con la calor que hace... ¿Usted no se ahoga, don Noel?
—Y puede que te ahogue a ti si no acabas de decirme qué quiere la señora Molnar —se impacienta Pedro Noel.
—La pobrecita llegó a la casa llorando... Ella tiene una carta que le mandó la Superiora... ¿Se dice Superiora, señor notario?
—Supongo que sí. Una carta de la Superiora del convento... ¿Qué le dice en esa carta? ¿Qué es lo que pasa?
—Bendito y alabado... Mire usted lo que son las cosas. .. Le dicen que la señora Mónica está allá, con las monjas esas con las que ella estaba...
—¡Imposible! No digas bobadas. Ni siquiera las otras monjas están allí. Se han ido no sé a dónde...

—Para allá arriba, señor. ¿No se lo estoy contando? Para ese otro convento viejo, viejísimo, que está por el Monte Parnaso...
—¿El convento del Monte Parnaso? ¿El viejo convento dé las dominicas? ¡Oh, señor, es verdad! —exclama Noel comprendiendo. Y con esperanza, indaga—: ¿Y Mónica está allí? ¿Mónica está con ellas? ¿Estás segura?
—Yo no, pero lo dicen en la carta, y la señora Catalina lo anda buscando porque quiere ir allá, pero no la dejan pasar. En todos los caminos hay soldados que vuelven para atrás a los coches y a los caballos... Eso dice la señora Catalina...
—¡Mónica en el convento! ¡Mónica sana y salva! ¿Entonces, Renato...?
—¿A dónde va? ¡Es en la casa de usted-donde está la señora Catalina!
—Renato... Renato... Esta noticia puede detenerlo, puede evitar que vaya contra su hermano —se alboroza el viejo notario. Y haciendo caso omiso de las observaciones de la mestiza sirvienta, apremia—: ¡Un coche... un caballo... algo en qué alcanzarlo! ¡Corre, ayúdame, búscalo! ¡Ayúdame, Ana!

Casi sin aliento, el viejo notario ha descendido del coche de alquiler tomado al azar, que llega al embarcadero de la costa norte en el preciso instante en que el guardacostas artillado, que el gobernador ha puesto a la disposición de Renato, realiza las últimas maniobras para levar anclas... Cae la tarde de aquel borrascoso siete de mayo, en el que sorda e imperceptiblemente ha ido creciendo la misteriosa cólera del volcán, y un movimiento inusitado, una animación febril llena las calles de la ciudad, estremecida por tan diversas emociones... A nadie parece extrañar aquel coche que llega corriendo, aquel anciano desesperado que corre llamando a gritos, mientras soldados y tripulantes ocupan sus puestos ya en el pequeño pero recio barco de combate... ¡Renato, pe- favor... haz que me dejen pasar! Una vez más Se ha acercado a la escala, a punto de alzarse. Dos centinelas con la bayoneta calada la guardan, pero una voz conocida suena tras el notario haciéndole volverse de un salto:
—¡Basta de gritos estúpidos! ¿Hasta cuándo va a durar esta farsa?
—¡Renato!. ¡Creí que estabas a bordo, hijo de mi alma! Como un loco he gritado...
—Pues puede usted seguir gritando, porque me voy a bordo.
—No, por Dios, óyeme. Sólo quiero evitar que cometas un disparate. Mónica no está en el Luzbel, sino en el convento...
—No diga locuras. Ese hombre, ese canalla a quien mandé encerrar, la vio tomar el bote y marcharse con Juan.
—¡Pues no es cierto... no se marchó! Te doy mi palabra... creo que puedo jurártelo. La señora Molnar acaba de mandarme un aviso... Recibió una carta de la superiora del convento diciendo que Mónica está con ellas...

—El convento ha sido evacuado, creo que desde ayer.
—Ya lo sé... ya lo sé, pero las monjas están allá arriba, en el Monte Parnaso, en el otro convento, y la superiora le escribió a Catalina de Molnar diciéndole que su hija estaba con ella sana y salva. ¿Oíste? Sana y salva...
—¿Es eso verdad? ¿Está usted seguro? —se interesa vivamente Renato—. ¿Dónde está esa carta? ¡Quiero verla en seguida, en el acto!
—Catalina la tiene. Ella mandó a esta muchacha a buscarme y la pobrecita corrió como una loca paa darme noticias... Toda la tarde la pasó buscándome, y al fin... al fin...
—¡Basta, la trama es demasiado burda! —estalla Renato con profundo disgusto al advertir a Ana—. ¿Cree que soy un niño? ¿Piensa que va a detenerme con una noticia basada en la palabra de esa embustera, de esa imbécil cretina que no sabe siquiera en qué lugar está parada?
—Pero, Renato, no tienes más que llegar tú mismo hasta el Monte Parnaso...
—¿Pretende burlarse de mí?

—¿Cómo voy a querer burlarme? Iré yo a buscarla y la traeré aquí mismo... Verás esa carta y verás a Mónica. Sólo te pido que aguardes el tiempo, los minutos necesarios... ¡Aguárdame, Renato, espera aquí! En menos de una hora habré regresado...
Ha corrido hacia el coche en el que Ana le aguarda; ha dado a gritos una orden al cochero, que le obedece fustigando a los caballos, y el viejo coche se aleja dando tumbos, mientras Renato D'Autremont vuelve con desprecio la espalda y salva la liviana escala, al tiempo que recomienda:
—¡Dé las órdenes de zarpar, capitán! ¡Buscaremos al Luzbel hasta encontrarlo!
Fieramente, Renato D'Autremont ha llegado a la cubierta del guardacostas. No, no cree, no puede creer jamás en las palabras del notario... Su insensato afán por detenerlo, su intervención continua y desesperada, sólo le producen la sensación de una burda estratagema, de una torpe mentira tendida como un lazo para atraparlo, deteniéndole aunque sea unas horas, unos minutos, en ventaja de Juan, de aquel hermano a la vez admirado y aborrecido, buscado con ansia y rechazado con rabia...
El volcán ha arrojado otra enorme y negrísima bocanada que oscurece la luz del día, ya de por sí escasa, y las olas se agitan en torno del cascarón de hierro, con un movimiento desigual y extraño, como si hirviera el mar. Y con inusitada violencia, Renato ordena altanero:
—¡Capitán, destaque seis hombres para la continua vigilancia! Que se preparen reflectores por si la noche se nos viene encima. Monte guardia de artilleros para que en todo momento estén preparados. Que nadie se descuide un instante... ¡La batalla es a vida o muerte, y el Luzbel no puede estar muy lejos!


16

MONTE PARNASO ARRIBA, vencidas al fin las mil dificultades que han impedido al notario Noel cumplir la promesa empeñada a Renato, marcha el destartalado coche de alquiler en que al fin les fue posible emprender el corto viaje... Toda la noche, el volcán ha lanzado al aire aquella especie de dantesca función de fuegos de artificio: saetas de luz, estrellas, bocanadas de humo rojizo, lluvia de ceniza candente... De cuando en cuando, una de aquellas breves sacudidas que rompen el ritmo de la vida por un instante, y el vaho espeso que flota en vez de aire, haciendo subir los termómetros, mientras los barómetros, bajan y bajan...
—¡Dios mío! ¿Cuándo llegaremos, Noel?
—Ya vamos llegando, doña Catalina... No hay viaje que no tenga su término, aunque resulte tan inútil como el que estamos haciendo ahora... •
—No diga eso... Saber que mi Mónica está a salvo, acercarme a ella...
—Muy bueno y muy santo. ¡Pero a buena hora, Señor, a buena hora! Cuando ya probablemente ese loco ha alcanzado a esos desdichados, y sabe Dios...
—¡Quién sabe, don Noel! —comenta Ana—. A lo mejor, el amo Renato fue por lana y salió trasquilado...

—Esa es la única esperanza que a mi también me queda... En fin, creo que ya llegamos...
Con una agilidad impropia de sus años. Noel ha saltado primero del coche, ayudando a bajar a la triste madre. Con su calma habitual, en el mundo feliz de su inconsciencia, baja Ana, mirando a todas partes con sus ojos curiosos, y un comentario a flor de labios:
—¡Ay, qué lindo! Desde aquí se ve todo el mar... y Saint-Pierre allá abajo... es como ese nacimiento grande, grande, que ponen en la catedral, por Navidad. ¡Ay, don Noel, mire la bahía! ¡Cuántos barcos!
—Pero el único que debiera estar, no está... Anda... Anda... Haz el favor de adelantarte y llamar a esa puerta... No perdamos más tiempo...

El Luzbel está cerca de tierra... demasiado cerca... Ha llegado hasta casi el lugar en que se detuvieron las barcazas, al pie mismo del Monte Parnaso. Toda la noche ha dudado Juan en echar ese bote al agua, que puede llevarlo hasta la playa. Toda la noche ha estado torturado por el ansia insensata de buscar a Mónica, frente a todo, contra todos... Hay una calma densa y extraña... Silencio en la tierra y el mar... La ciudad parece sumida en el letargo del cansancio, y el cielo oscuro se aclara lentamente...
—Ya está amaneciendo, patrón...
—Sí, Colibrí. Pronto será de día, y es preciso alejamos... Es demasiado peligroso estar aquí... Puede que, en realidad, no suceda nada... Sin duda, estoy loco imaginándome una catástrofe que nunca llegará... Pero, ¿por que mueren los peces; por qué huyeron los pájaros?
Ha vuelto la cabeza para mirar atrás, y es como si despertase a la realidad. Mudos, inmóviles, sin atreverse a llegar demasiado cerca, los hombres de cuya vida se ha hecho responsable, aguardan con ansia... Ninguno habla, pero ninguno duerme... Están de pie unos contra otros, pendientes de su voz, y Juan hace un esfuerzo para que ésta suene firme y severa:
—¿Qué hacen todos en cubierta? ¡Cada uno a su puesto... al lugar que le tengo asignado! ¡Martín, Julián... a las velas! ¡Anguila... al timón! Vamos a zarpar rumbo a Santa Lucía... son cien millas escasas...
—¡Allí, patrón... por aquel lado! —le interrumpe Colibrí—. ¡Un barco con cañones se acerca!
—¡El Galión! Puede haber salido a buscarnos, pero nos quitaremos de en medio antes que llegue. ¡Todo el mundo a la bodega, menos los tripulantes! ¡Corta las -cuerdas de los botes, Julián! ¡Arriba las velas! ¡El tiempo está de nuestra parte! ¡Dame el timón, Anguila!

Como electrizados, se han movido los hombres a sus voces de mando, y sus manos empuñan el timón de la nave, que vira en redondo, alzando las velas al viento como un dócil caballo bajo la rienda del jinete avezado... Cruje, tambaleándose, el Luzbel, agobiado por la carga que lleva en las entrañas. Su silueta destaca blanca, como una mancha de luz sobre el mar oscuro, que doran las primeras luces del sol de aquel ocho de mayo de mil novecientos dos...
—¡Ahí está el Luzbel! ¡Le buscábamos mar afuera, y había regresado para esconderse en la propia costal ¡Capitán, fuerce las máquinas para ponernos a tiro de cañón! —Renato ha corrido a la proa del guardacostas artillado. Allí está el Luzbel, muy cerca, indefenso, a su alcance... Una alegría salvaje le inunda el alma, al ordenar—: ¡Afina la puntería, artillero! ¡un cañonazo corto, y, si no se detiene en el acto, el segundo al palo de mesana!
A toda máquina marcha el Galión contra el indefenso barco de vela a quien un viento .propicio ha dado repentinamente fuerzas inesperadas... Inflados los manteles, la fina proa como un cuchillo cortando el agua, huye más de prisa que el barco de vapor logra acercarse.
—¡Patrón... patrón, lo dejamos átrás! —grita Colibrí alborozado—. Nos enfilan con los cañones...
—No importa. No tendrán ocasión de hacer blanco. Juan ha vuelto a virar en redondo, mientras cruje la nave un momento, para enderezarse de nuevo domando el oleaje...
—Ahora se acercan, patrón... ¡Vuelven a acercarse!
—No importa. ¡Los volveremos a dejar atrás!

—Mónica, hija mía...
A la voz de Sor María de la Concepción, Mónica ha despertado, no de un sueño sino de un corto y doloroso letargo... Aun está junto a la ventana donde pasara las horas interminables de aquella larga noche, escuchando el rugir del volcán, espiando en vano, sobre las aguas negras, la luz que indique un barco... alzando a cada instante los ojos deslumbrados hacia aquel cielo donde el Mont Pelee trazara con saetas de fuego la infernal pirotecnia de su extraña erupción... Ahora, los ojos cargados de cansancio miran con sorpresa el noble rostro que enmarcan las tocas bajo la clara luz. de las primeras horas de la mañana...
—¿Qué es lo que veo? ¿Pasó aquí la noche, no se ha acostado? Eso es un verdadero disparate. No tiene derecho a abusar así de su salud ni 'de su vida, cuando tanto se preocupan por usted amigos y familiares. No quisiera alterar más sus nervios con una sorpresa demasiado profunda... pero han venido 'a visitarla...
—¿A mí? —se alarma Mónica. Y con disgusto, pregunta—:
¿Quién? ¿Los D'Autremont acaso?
—¡Mónica! ¡Hija de mi alma! —llama Catalina irrumpiendo en la modesta habitación—. ¡Al fin... al fin! Mentira me parece... llegué a temer que tampoco a tí había de verte más... Me olvidaste, hija, me olvidaste...
—No, madre. ¿Cómo podría olvidarte? Te dejé junto a amigos que podían velar por tí mejor que yo misma. Me arrastraron las circunstancias...
—Lo sé, hija, lo sé. Noel me lo ha contado todo. El me trajo, venciendo todas las dificultades...

—Noel... mi buen Noel. No sé cómo darle las gracias...
—Me avergonzaría recibirlas, Mónica, como me avergüenza también este momento de expansión y ternura familiar —se disculpa el viejo notario acercándose casi de puntillas—. He venido a buscarla, porque la necesito. O para hablar más claro: la necesita alguien a quien espero querrá usted ayudar, aunque ya no le une a esa persona el más pequeño lazo... Desde el anochecer salí en su busca, jurando llevarla en- el término de una hora. No contaba con el millón de obstáculos que habían de oponerme. Para salir de la ciudad fue preciso buscar al gobernador, conseguir salvoconductos, garantías de la comandancia, exponer mis razones a diez personas distintas, y mientras hacía yo todo eso, zarpó el barco.
—¿Qué barco?
—Claro, usted no sabe nada. Como tampoco Renato tiene la menor idea de que está usted a salvo. Fue inútil decírselo; no quiso creerme. Es preciso que usted misma le diga, que usted misma le hable, que sea usted la que con un poco de piedad ayude a Juan...
—Ayudarle, ¿a qué? ¿Qué le ocurre? ¿Dónde está?
—Fugitivo en un barco demasiado cargado para poder llegar muy lejos, perseguido por el mejor guardacostas artillado de que disponen nuestras autoridades... Con todas mis fuerzas luché por evitarlo, pero Renato D'Autremont se salió con la suya...
—Entonces es Renato...

—El gobernador terminó, como siempre, por dejar la autoridad en otras manos, y Renato obtuvo lo que quería. Enfurecido de celos, acuciado a todas horas por su madre, que no hace más que echarle leña al fuego, ha salido a perseguir al Luzbel con las peores intenciones... Le dije que usted no estaba con él, y no quiso creerme. Le rogué que viniera a comprobarlo, y pensó que me burlaba. Como un loco, traté de llegar pronto hasta aquí, pero no lo he logrado sino hasta ahora...
—¡ES preciso detener a Renato, que le hagan regresar, que envíen otro barco a buscarlo! Yo sé que Juan no se entregará vivo, que venderá cara su vida en la última batalla... ¡Noel, amigo mío, haga usted algo!
—¡ Usted es la única que puede hacerlo, Mónica! Y si está dispuesta a venir conmigo... ¡Quiera Dios que lleguemos á tiempo, porque si el Galión y el Luzbel han topado ya.. .!
—¿Eh? ¿Qué es eso? Otra vez el volcán... —comenta Mónica al oir un ruido sordo y prolongado.
—No, no es el volcán... ¡Fue como un cañonazo del lado del mar! —asegura Noel. Y al dejarse oir otro nuevo disparo, se lamenta—: ¡Son los cañones del Galión! ¡Lo que yo temía... lo que yo esperaba!

Han corrido todos a la galería dé las arcadas. Casi frente al Monte 'Parnaso, en violenta batalla desigual, el Luzbel, con las blancas velas henchidas, y el Galión, con toda la fuerza de sus máquinas...
—¡Renato no cejará hasta hundirlo o capturarlo! —profetiza Noel—. ¡Si Juan no se rinde...!
—¡Juan no se rendirá jamás! —asegura con firme convicción Mónica.
—¡Este pasó más cerca, patrón! ¡Casi nos agarra! —exclama Colibrí.
La bala de cañón ha pasado rozando el palo de mesana, y al brusco viraje que han dado al timón las manos de Juan, ruedan por cubierta los tripulantes... Están muy cerca, demasiado cerca los dos barcos... El uno, armado como tiburón de terribles colmillos... Sin más defensa que saltar y colear, la goleta Luzbel, como el delfín acosado por un escualo... Casi en redondo ha virado el Luzbel, perdido el equilibrio, y un violento golpe de mar barre la cubierta a estribor, que se hunde casi hasta las aguas...
—¡Nos llevó el foque! —grita Colibrí espantado—, ¡Vamos a hundirnos, patrón!
—¡Todavía no! ¡Si logro quitar de en medio a ese maldito artillero... ¡ —se engalla Juan. Y a voz en grito, ordena—: ¡A cubierta los que tengan rifles! ¡A cubierta los que tengan rifles! ¡Dame acá el tuyo, Genaro!

Han volado la punta del palo de mesana, y saltan en el aire las cuerdas como terribles látigos de muerte, derribando a dos o tres de los que llegan a la voz de Juan... De un salto, está él sobre el herido costado... Ha dejado el timón en manos del Anguila, y aguarda con increíble sangre fría el acercarse del terrible enemigo...
—¡Ríndete! ¡Ríndete o te hago volar en pedazos! —intimida Renato.
—¡Fuego! ¡Fuego! —es la contestación de Juan. Antes que nadie, ha disparado él, y rueda al suelo el artillero del cañón de proa... El Galión, a pocos metros de la goleta, dispara y la alcanza por en medio, arrancándole de cuajo el segundo palo... Herido de muerte, se estremece el Luzbel... Desarbolado, desmantelado, barrida la cubierta por las olas, inmóvil sin remedio ya, presa indefensa del guardacostas, que ya llega con sus soldados listos al abordaje...
—¡Todos arriba! ¡Todos a las armas que tengan a mano! —ordena Juan—. ¡A vender cara la vida! ¡A morir, matando!
—¡Ríndete, Juan del Diablo! —conmina Renato.
—¡Ven a buscarme! —desafía Juan. Y su grito es ahogado por un estampido formidable, seguido de una serie de fuertes truenos.

El volcán ha estallado... Rota de arriba abajo su mole de mil metros, el Mont Pelee lanza su gigantesca llamarada, su torrente de fuego y humo, que pasa como un rayo arrasando la tierra, barriendo la ciudad y el mar, destruyéndolo todo de un solo golpe, como aplastado por un enorme manotazo...
Del suelo donde fueran derribados por la sacudida brutal, semiabrasados por la bocanada candente, casi ahogados por la atmósfera irrespirable, entreabiertos los labios y agrandados los ojos de espanto, uno a uno se han ido incorporando los que, desde la galería del convento de las dominicas en la cima de aquel Monte Parnaso, que era como un balcón sobre la ciudad de Saint-Pierre, se han acercado a ver el horrendo espectáculo. Mónica se ha erguido, se ha alzado con impulso que no detiene ni el vaho de aquel humo encendido que pasa quemándole la piel, casi cegando sus pupilas... Ha corrido hasta llegar al muro... Sus manos engarfiadas se aterran al borde de aquella especie de terraza, y su mirada busca con ansia, con desesperación, como queriendo penetrar la nube que la envuelve, sin conseguir ver nada... Nada ha quedado en pie. Una espesa capa de cenizas humeantes cubre la extensión total de lo que fuera la ciudad, como ardiente sudario... La bahía está desierta... Muelles, embarcaderos, cientos de botes y barcazas han desaparecido tragados por las bullentes y humeantes aguas...
—¿Dónde están? ¿Dónde están la goleta... el guardacostas...? —pregunta Mónica—. ¿Dónde está el barco de Juan?
El aire espeso se aclara lentamente. Como arrastrado por un remolino, destrozado y humeante, el casco de madera de una goleta gira impulsado por el golpe furioso de las olas... A su alrededor, emergiendo de las aguas, brotan bultos informes:
maderos ennegrecidos, tablones destrozados... cadáveres, sí, cadáveres despedazados y rotos que van apareciendo como macabra devolución del mar... Mónica retrocede, sintiendo que su corazón vacila, y es un grito ronco de angustia el que brota de su garganta:
—¡Juan! ¡Juan! ¿Por qué no me dejaste morir a tu lado?


17

JUAN HA ASOMADO la cabeza entre las inquietas aguas, y ha vuelto a hundirla en ellas... Abrasan las caldeadas aguas del mar, pero aun es más quemante el soplo de fuego que baja de la montaña... A su alrededor hay otros hombres que se agitan como él, debatiéndose entre los dos elementos terribles: el agua que quema y el aire que abrasa... Rostros ennegrecidos y quemados, brazos que se extienden en busca de auxilio, cuerpos inmóviles y cuerpos gesticulantes, vivos y muertos, lesionados y sanos... masa múltiple que lucha enloquecida de espanto, sin acabar de comprender lo que pasa... De dos brazadas, Juan ha llegado al sitio en el que viera hundirse la oscura cabeza dtíl muchachuelo negro, agarrándolo al fin por el delgado cuello, sacándolo a flote, volviendo a hundirlo, sacudiéndolo hasta obligarlo a despejarse...
—Patrón... me muero... —se queja Colibrí con voz ahogada—. Quema el agua... quema el aire...
—No te mueres... agárrate a esa tabla... —Con todas sus fuerzas, Juan ha nadado, arrastrando al muchacho. Muy cerca. está el pequeño bote insumergible... Flota de costado, pero es fácil volverlo—, ¡Sostente, Colibrí!
Otra mano crispada ha surgido de las aguas, agarrándose también al costado del bote. Otro rostro desfigurado, otra cabeza chamuscada y herida se alza buscando el aire, otro hombre llega a disputarle aquel abollado cascarón que representa la última esperanza de salvarse.
—¡Suelta, Renato!
—¡No, Juan!

Otra vez frente a frente... Otra vez, en el instante más duro de la última batalla, una fatal casualidad los enfrenta y los ata en aquellas dos manos juntas en crispación desesperada, en aquellas dos bocas que aspiran con idéntica ansia la última ráfaga de aire respirable. Y es un relámpago de odio el que arde en las pupilas de Renato, al increpar:
—¡Hundiste mi barco, lo hiciste estallar, saltar en pedazos!
—¿Estás loco? ¿Cómo hubiera podido? ¡Creo que fue el volcán!
—¿El volcán... el volcán...? ¡Oh! ¿Y Mónica? ¡Estaba en el Luzbel...!
—¡No, no estaba! ¡La puse a salvo!
—Entonces, era verdad... ¡Oh, no puedo más! Se ha apagado el rencor en sus ojos claros. A su alrededor, el agua se tiñe de sangre, mientras la mano libre de Juan sostiene el cuerpo de Colibrí, ahora inanimado como si hubiese vuelto a desmayarse...
—¡Renato... arriba ¡ ¡Sube al bote... apóyate en mí! ¡No te dejes hundir!
—¡Es inútil, Juan! ¡Estoy herido! ¡Salva al muchacho! ¡Sálvate tú!
—¡Arriba, Colibrí... adentro! ¡Ayúdate... arriba! —ordena Juan empujando el cuerpo del muchachuelo negro—. ¡Ahora tú... pronto, Renato, no voy a dejarte! ¡Arriba!

Con esfuerzo lo ha alzado, y rueda el cuerpo examine hasta el fondo de la pequeña embarcación.,.. Con el último aliento, se alza él también, y un instante queda de pie en la frágil barquilla, abarcando con mirada de horror y espanto que le rodea... Sangra por diez heridas, la ropa quemada se le cae a pedazos mostrando la piel enrojecida y chamuscada, pero nada es todo ello para lo que sus pupilas contemplan... A sus pies, como un animalejo herido, se agita Colibrí:
—¿Qué pasó, patrón? Nos pegaron las balas... nos hundieron, ¿verdad? ¿Hundieron al Luzbel!
—¿El Luzbel? ¡Oh, no! El Luzbel no se ha hundido... ahí está, quemado, destrozado, pero flotando... Se hundieron los demás, se hundió el Galión, como si el mar se lo sorbiera, se hundieron otros barcos, todos. Colibrí, casi todos... ¡Mira!
Ha obligado a alzarse al muchachuelo para mirar hacia aquel extraño mar vacío, trágicamente cubierto de despojos... Muy cerca, en una como balsa destrozada, agitada con violencia por las olas, un pequeño grupo de hombres lucha... Como en visión de pesadilla, Juan los contempla y los reconoce:
—¡Anguila... Martín, Julián... Genaro! ¡Agárrense a las tablas, agárrense a las cuerdas que cuelgan del barco, sosténganse mientras voy en busca de auxilios!

Se ha inclinado, recogiendo del mar una ancha tabla, y hundiéndola en el agua, a modo de remo, alza la frente para mirar a la orilla cercana, y es un grito de espanto el que brota de su garganta:
—Colibrí! ¿Estoy loco... estoy ciego? ¡Mira, Colibrí, mira a Saint-Pierre! ¿Qué es? ¿Qué es lo que tenemos delante?
—¡Nada, Patrón! ¡No hay nada!
Como enloquecido, Juan ha remado hacia la tierra, y a su impulso gigante avanza el bote en dirección a lo que fueran embarcaderos, muelles, playas... Sus ojos buscan las casas que no existen, el panorama familiar que se ha borrado. No hay un techo, ni un árbol, ni un muro siquiera, que se haya conservado en pie... El verde valle, donde se alzaba la más rica y populosa ciudad de las pequeñas Antillas, es un enorme hueco desnudo, cubierto de cenizas y de lava, que lentamente va petrificándose ...
—¡Mónica... Mónica...!
El nombre amado es lo único que ha acudido a los labios de Juan... saeta de luz y fuego que pasa traspasándole. Con ansia de demente vuelve a empuñar la tabla y sigue remando... Necesita acercarse, llegar. No da crédito a sus ojos enrojecidos. Su mente, enloquecida de sorpresa y de espanto, no logra captar todavía la terrible verdad... hasta qué el bote toca la costa. Ha corrido unos pasos sin sentir en sus pies la quemadura de la tierra calcinada. Sus manos palpan el suelo candente, insensibles ya cuerpo y alma al dolor y al espanto...
—¡Aquí estaba Saint-Pierre... aquí estaba¡ ¡No, no... imposible, no es verdad lo que veo! ¡No puede ser verdad! —Y gritando como un loco, deniega—: ¡No es verdad!

El rugido del monstruo parece responderle. Ahí está el Mont Pelee. También él ha cambiado. Lo que fuera su frente poderosa ha volado en pedazos, y a lo largo de la altísima mole de su desnudo cono, una ancha y tremenda grieta deja aún escapar el vaho mortífero, mientras a través de la horrible hendidura se ve hervir la ingente lava, como un surtidor de las fraguas del infierno. Juan ha retrocedido hasta llegar al bote, en cuyo fondo yace Renato D'Autremont y a cuyo lado se alza la oscura cabeza de Colibrí, que inquiere con ansiedad:
—¿Qué ha pasado, patrón, qué es lo que ha pasado?
—¡Esta fue Saint-Pierre! Fue, y no es ya... La ciudad en que nací no existe... y ella, ella... Mónica... —Y con inusitada desesperación, clama—: ¡Mónica.. .! ¿Dónde estás?
En el borde del antepecho de aquel balcón, desde donde mirara aquella última y terrible batalla definitiva para su propia vida, entre Juan y Renato, Mónica ha permanecido semidesmayada, casi insensible... Las ráfagas de aire abrasador han chamuscado en parte su piel y sus cabellos, pero sus ojos, un momento medio cegados, están viendo ya, y exclama señalando con la mano extendida:
—¡Allí! ¡Allí!
—¡Mónica, hija...! ¿Has perdido el juicio? —se angustia Catalina de Molnar.
—¡Allí... en el agua, junto al barco... junto al Luzbel, hay gente! ¡Se agitan! ¡Hay gente viva... nadan.. .!
—¡Oh, sí... es cierto! ¡Alguien quedó con vida! —apoya Pedro Noel.
—¡Corramos! ¡Corramos! —incita Mónica con tremenda excitación.

Los habitantes del Monte Parnaso han acudido en auxilio de los pocos supervivientes de los naufragios de la bahía: algunos tripulantes del Roraima, cuatro o cinco de los muchos pescadores que se disponían a tender las redes al amanecer, y la mayor parte de los pasajeros del Luzbel... Cuantos permanecieron en la bodega por no tener armas, a más de niños y mujeres, se han salvado. También algunos de los tripulantes: Martín, Anguila, Julián, Genaro... Heridos, extenuados, quemados por el aire y el agua, los tristes cuerpos forman una larga fila de camillas al borde mismo de la plaza. A éstos se van sumando muchas víctimas que hubo también en el Monte Parnaso, en los lugares donde el vaho de fuego llegó con más fuerza... Como una sombra blanca, cruza Mónica frente a las víctimas doloridas, y, por primera vez, sus manos piadosas no aciertan a curar ni a consolar.
—¡No está... no está.. .! ¡Juan no está entre ellos! ¡Juan no está entre ellos que se salvaron! ¡Me apartó de él, no me dejó morir a su lado! ¿Por qué? ¿Por qué?
—Hija, es preciso que te calmes —suplica Catalina—. Perderás la razón...
—Y no será ella sola —asegura Noel—. Lo único milagroso es que aun estemos vivos, que hayamos visto esto y que podamos contarlo, sin haber enloquecido. Vivir tras una cosa así... ¡Tal vez no sea por mucho tiempo! ¡Todavía ruge el monstruo! Y hay que oir a esos desdichados, especialmente a los dos fogoneros del Galión...
—¿Habló usted con ellos? —se esperanza Mónica—. ¿Pudo preguntarles... ?
—Dicen que el mar se tragó al Galión como si lo sorbiera...

—Pero de Juan... de los hombres del Luzbel, ¿dijeron algo? ¿Pudo usted hablarles?
—Dos de ellos me aseguran que le vieron tomar un bote y remar hacia tierra. Yo no lo creo... Esos hombres están enloquecidos, trastornados... Vieron visiones en medio de su espanto. ¿Cómo hubiera podido Juan, ni nadie, tomar un bote ni remar? Se hundió el Galión, y del Luzbel no quedó una tabla sana... como si Dios hubiera querido castigar el crimen de aquella lucha a muerte entre dos hermanos... Porque hermanos eran...¡Hermanos! La misma sangre y, a pesar de sus errores, de sus violencias y de sus crueldades, el mismo corazón y la misma nobleza... No puedo negarlo...
—¡Pero esos hombres que vieron a Juan.-.! —se aterra Mónica con desesperada esperanza.
—No pudieron verlo, Mónica. Se engañan... Juan no es ya de este mundo...
—¡Oh! —se duele Mónica, sollozando con verdadera desesperación—, ¡Juan... Juan!

—¿Llora usted por él, Mónica? ¿Por él?
—¿Es que no lo sabe? ¡Juan era mi vida entera! Y si él ha muerto, ¿para qué quiero yo vivir y respirar? ¡Pero no... no... no ha muerto! ¡No puede haber muerto! El mar era su amigo, y no puede hacerle daño... ¡Lo devolverá!
Ha corrido como una loca hada la estrecha playa... aquella que se abriera como una concha dé oro entre la piedra negra de los acantilados, ahora cubierta de ceniza y despojos, y llega hasta ese mar donde viera alejarse, saltando, la barca de Juan... Como entonces, ha extendido las manos, y en sus ojos casi ciegos de lágrimas, finge la locura de aquel minuto un bote imaginario que se alejara llevando a Juan...
—¡Juan! ¡No me dejes... No te vayas... Llévame contigo. .. Llévame a morir a tu lado! ¡Vuelve a buscarme! ¡Vuelve a buscarme, Juan!

—¡Patrón! ¡No está muerto! ¡Se mueve.. .! De la herida le sale sangre... mucha sangre...
La mirada de Juan ha descendido desde lo alto de la cima calcinada del Mont Pelee, hasta el pequeño bote en cuyo fondo yace Renato. En medio de aquel atroz espectáculo de muerte, frente a la ceniza que sirve de sudario a más de cuarenta mil cadáveres, todavía aquel corazón palpita débilmente... Juan se inclina hacia él, acabando de desgarrar la fina ropa, hasta encontrar el manantial de aquella sangre por donde gota a gota escapa la vida del último D'Autremont. Un trozo cortante de madera, la punta filosa de una tabla astillada, está clavada sobre las costillas, demasiado cerca del corazón... pero la mano de Juan no vacila en arrancarla de un brusco tirón....
—¡Cuánta sangre! —comenta Colibrí espantado.
—¡Pronto! ¡Hay que restañarla! —Con el último trozo de su propia camisa, Juan ha rellenado el horrible hueco, conteniendo la profusa hemorragia—. ¡Desnúdale, Colibrí, ayúdame! ¡Trae algo con qué vendarle!
A tirones se ha proporcionado una burda venda y la enrolla, abarcando el torso desnudo de Renato con habilidad de marinero. ..
—Mire, abre la boca, patrón...
—Tiene sed... Ha perdido mucha sangre... Pero ni un trago de agua puede dar ya esta tierra para Renato D'Autremont...

Ha vuelto a mirar la espantosa desolación que le rodea, y al hombre que agoniza a sus pies. Esparcidos en el fondo del bote están los papeles que Renato recibiera del Obispado la noche anterior, y otro grueso papel con sellos y lacre que, por extraño impulso, toman rápidamente las manos de Juan...
—¿Qué es eso, patrón? —pregunta curioso Colibrí.
—Supongo que el derecho á matarme como a un perro donde quiera que me encontrara. Son los sellos del gobernador, su firma... Todavía ayer era él quien decretaba la vida o la muerte...
Ha estrujando juntos el informe montón de papeles mojados, símbolo inútil del poder terrenal: los sellos del Gobernador y la firma del Papa. Todo está ya de más, todo vale ahora, frente a sus ojos, lo que pueda valer aquella llanura calcinada, aquella ciudad hecha cenizas... Los papeles cayeron de sus manos. A través del aire, ahora claro, distingue la colina de Morne Rouge, gris, ahogada bajo las cenizas... pero las casas de su aldea están intactas. Su mirada de águila puede descubrir los techos y los árboles desgajados, y como caravana de insectos, puntos oscuros -que descienden por las laderas hacia el sitio en que estuviera la ciudad...
—Allá, en la aldea de Morne Rouge, hay gente viva... Se mueven... vienen... pueden auxiliarnos... ¡Vamos.. .!

Colibrí le ha tomado de la mano, tirando de él con el impulso de instinto desesperado. Juan vacila, y vuelve los ojos hacia Renato. Luego, sin una palabra, lo alza en sus brazos de hércules...
—¿Va a llevarlo, patrón?
—No vale la pena haberlo sacado del mar para dejarlo en el camino. Colibrí. Toda obra empezada hay que terminarla... Recoge esos papeles y ven detrás de mí...
—¿Los papeles? —balbucea Colibrí estupefacto—, ¿Los pápeles con el permiso de matarnos?
—Y los otros también, Colibrí. Puede que valgan más que la vida para Renato... ¡En marcha!
' Aquella misma tarde llegó una brigada de auxilios de Fort de France... que no encontró a quién auxiliar. Nuevas erupciones y desbordamiento de lavas hicieron necesario el inmediato traslado de los supervivientes del Monte Parnaso hacia la segunda ciudad de la isla, y las noticias del cataclismo volaron hasta llegar a los puntos más lejanos... El monstruo del Caribe siguió rugiendo, arrojando sus mortíferas bocanadas. Sacudiendo y agrietando la tierra, vertiendo ríos y torrentes de lava. Toda la población civilizada del planeta leyó ávidamente los relatos de la catástrofe y siguió con inquietud angustiosa los terribles fenómenos que sucedieron al primer desastre... Fort de France vivió semanas de terror colectivo, y sus espantados habitantes sólo anhelaban huir de aquella tierra antes dichosa...
—¿Qué pasa. Ana? —pregunta Mónica a la mestiza sirvienta.

—Él señor Noel me mandó a avisarle... Hay tres puestos en el barco que sale esta tarde para Jamaica... Dice que nos . tenemos que ir las tres, que hay que irse, que en la Martinica no va a quedar nadie vivo...
—¡Vamonos, hija, vámonos! ¿Qué puedes esperar ya? Juan ha muerto... ¿Por qué no te convences? ¿Por qué no lo aceptas?
—¡No puedo irme, madre! ¡No puedo irme, porque hay algo que me grita en el corazón, algo que me sostiene no sé cómo, no sé por qué, en la locura de una esperanza!
Juntas las manos en aquel gesto de dolor y de súplica que semanas de 'angustia han grabado en ella, Mónica se aleja unos pasos entre las ruinas que forman el patio de aquella quinta semidestruída, triste refugio de uno de los grupos que milagrosamente escaparon antes de las catástrofes de Morne Rouge y Monte Parnaso. De aquella antigua casa, apenas quedan en pie tres o cuatro habitaciones entre escombros y grietas... También Ana, la antigua doncella de Aimée, ha juntado las manos asustada y ha caído de rodillas, en un ademán que los terribles sucesos han hecho ya peculiar:
—¡Nos vamos a morir todos! ¡Tiene razón el señor notario! Y la señora Mónica sin querer que nos vayamos... ¡Ay, Dios mío... Dios mío!

—Por favor. Ana, cállate ya —reprocha Catalina en tono suave, pero aburrida—. Molestas a Mónica, que seguramente está rendida... ¿Por qué no te recuestas un rato, hija?
—No vale la pena, mamá. Tengo que volver a salir... El monstruo no está satisfecho... el volcán no se apaga aún... Hoy llegaron gentes de Lorraine, de Marigot, de Sainte Marie, de Grose Morne, de Trinidad...
—¿Cómo? ¿Nuevas catástrofes? —se alarma Catalina.
—Sí... sí, señora. Más y más catástrofes, como usted dice —afirma la nerviosa y entrometida Ana—. En un pueblo de allá arriba se abrió una grieta grande, grande, que se lo tragó todo: las gentes, las casas y los animales, y después se cerró... Afuera no quedó sino un negrito que vino corre que te corre a contarlo. Lo oí decir en la plaza... Y también le contaron al señor Noel, delante de mi, qué por ahí viene bajando una nube grande, grande, igual que otra que en Morne Rouge se abrió de pronto con una lluvia de piedras y de agua caliente, y acabó hasta con los perros y los gatos...
—¡Jesús! ¿No serán exageraciones tuyas. Ana? —duda Catalina.

—Por desgracia, es verdad, madre —confirma Mónica—, A la especie de hospital que tenemos en el Ayuntamiento, llegaron gentes de esos pueblos, heridas y quemadas. Hablé con todos, miré todas las caras...
—Sin el menor resultado, naturalmente —termina Pedro Noel, acercándose al grupo—. Vine para escuchar yo mismo la negativa... Supongo que Ana les dio mi recado...
—Pues claro que sí, señor notario; pero como si nada. La señora Mónica está empeñada en que nos friamos...
—¡Calla, Ana, calla! —interrumpe Catalina—, ¿No tienes nada que hacer por allá adentro?
—Tendría que hacer la comida si hubiera qué comer. Pero para sancochar las yucas en esa agua que apesta a azufre, da igual que sea más tarde o más temprano...
—De todas maneras, ve a hacerlo —ordena Catalina—. Yo voy a ver si te preparo algunos vendajes más, Mónica... Anda, Ana, ven conmigo...

—Iba a verlo. Noel —explica Mónica, después que se han ido su madre y Ana—, A suplicarle que utilizaran ustedes esos tres pasajes... Tienen razón... Aquí nos moriremos todos... Sálvese usted, Noel, y póngalas a ellas dos a salvo...
—No quieren irse sin usted, y hacen muy bien. Por mi parte, yo considero que ya viví bastantes años. Casi, casi me remuerde la conciencia de moverme y respirar aún, cuando hombres jóvenes y espléndidos han perdido la vida... Sin embargo, hay que aceptar la realidad, Mónica...
—¡No puedo aceptarla! Me la rechaza el pensamiento, el instinto se niega a darlo todo por terminado. Creo que perdería la razón como en aquellos primeros días... ¿Por qué me habló de su amor Juan en el último minuto? ¿Por qué me lo clavó en el corazón como una saeta envenenada?
—¡El la amaba a usted tanto! Todo cuanto hizo fue por amor a usted, desde que regresó de aquel viaje...
—¿Por qué no me lo dijo entonces?
—¿Y quién podía adivinar que a usted le interesaba ese pobre amor? Los dos pecaron de orgullosos, Mónica. Y ahora ya...
—¡Seguiré buscando!

—Búsqueda inútil... Si Juan estuviera vivo, estaría a su lado, Mónica. En aquel mar se hundieron juntos los dos hermanos. .. Juntos expiraron... No pudo ser de otra manera...
—¿Y si es cierto que pudo tomar un bote y alcanzar la playa?
—La habría buscado, Mónica, no lo dude... —¿Y si no pudo hacerlo? ¿Y si le sorprendió una nueva catástrofe? ¿Acaso hemos tenido un momento de reposo, hemos dormido más de tres noches en el mismo lugar? ¿Cuántas veces hemos huido de Fort de France y hemos vuelto a él? ¿Cuántas aldeas se han vaciado y han vuelto a llenarse con los fugitivos-de otras, más desdichadas aún? ¿Cuántos infelices yacen desfigurados, con el rostro envuelto en vendajes, sin haber recuperado el sentido, en cualquier hospital improvisado? ¿Cuántos, Noel? Cada día, durante quince, dieciséis, dieciocho horas, acudo a los lugares en que se auxilia a los lesionados... [A cuántos vendan y atienden cada día estas manos! ¡Y todo por él... por él!
—No le quite mérito a su esfuerzo, a su obra extraordinaria. Su caridad y su abnegación no son sólo una búsqueda, Mónica ...
—No... Claro... No son sólo una búsqueda de su cuerpo;

Son también la búsqueda de su alma. Porque cada vez que tomo en brazos a un niño enfermo, cada vez que acerco un vaso de agua a unos labios encendidos de fiebre, cada vez que reparto con una mujer fugitiva mi ración miserable, estoy pensando: Esto hubiera hecho Juan... Esto hizo él siempre... Nadie fue más generoso con los desdichados, nadie fue más abnegado ni más noble que aquél a quien llamaran Juan del Diablo...
Una sacudida brutal les ha hecho rodar casi por tierra. Un polvo espeso se alza de los escombros, mientras tañen solas, en las abandonadas torres, las viejas campanas. El aire denso se llena de relámpagos...
—Mónica, acepte esos puestos —aconseja Noel en tono suave—. Un día u otro tendrá que irse, si no nos morimos. Se habla seriamente de ordenar la evacuación total de la isla. He visto los bandos que están preparándose... ¿Por qué no aprovecharlo ahora? Será menos dura la situación de los que salgan primero...
—¡Yo seré la última que salga! —asevera Mónica con decidida tenacidad.


18

Del primero al veinte de agosto siguieron sucediéndose los fenómenos alarmantes. El Mont Pelee lanzaba sin piedad, sobre la isla en ruinas, vapores mortíferos, torrentes de lava, terribles ruidos subterráneos que culminaban en fuertes terremotos. Apenas quedaron casas en pie, ni siquiera en los lugares del sur más distantes del monstruo enfurecido: Lamentine, Anse de Arlets, Sainte Anné, quedaron reducidos a escombros, y las cenizas abrasadoras, llevadas por el viento sobre el mar, llegaron a centenares de millas de distancia... Dos millones de toneladas de aquellas cenizas mortíferas fueron recogidas en las islas Barbados ... El arco entero de las pequeñas Antillas, desde Carlota Amalia a Puerto España, desde las Islas Vírgenes a las de San Jorge y Tobago, se estremeció en pequeños o grandes temblores de tierra, a las convulsiones del volcán de la Martinica... Y muy cerca de Fort de France, entre los refugiados en cuevas o cabañas de palmas al borde de la ensenada del Fuerte de San Luis, el último DAutremont luchaba con la muerte, atravesado el pecho por una horrible herida...
—Tengo sed... tengo sed... ¡Agua... Agua...!
—¿No oíste. Colibrí? Acércale un jarro..
—No queda sino un trago de agua limpia, patrón...
—Pues dáselo... ¿No ves que tiene sed?

Juan se ha acercado para llevar a aquellos labios ardidos por la fiebre, la tosca vasija de barro donde el último poco de agua potable se mantiene fresca... La rubia cabeza enmarañada ha vuelto a caer sobre los trapos que le sirven de almohada, el rostro noble y pálido ha vuelto a quedar inmóvil, y algo parecido a una sonrisa borra un momento la profunda amargura de los labios de Juan:
—Ahora. dormirá unas horas... Está mejor, tiene menos fiebre, mejor pulso, va recuperando las fuerzas... Si pudiéramos alimentarlo...
—¿Se pondría bueno, patrón?
—Espero que se reponga de todas maneras... Es de buena cepa... A primera vista parece delicado y frágil, pero no. Colibrí... Tiene mucho de D'Autremont y poco de Valois...
—¿Usted quiere que sane, patrón? ¿Que se ponga bueno, que vaya a su palacio, a aquella hacienda grande donde maltratan a los trabajadores como a esclavos?
—Ya no hay en la Martinica haciendas grandes... Tan sólo hay ruina y muerte, y ese que ruge sordamente, ese monstruo que es el volcán, es nuestro único amo...
—Tengo miedo, patrón —se queja el muchachuelo casi llorando.

—Muy pronto conseguiré la forma de sacarte de este infierno, muchacho... En cuanto Renato se levante... Para él le será fácil conseguir puesto en uno de esos barcos que salen... Le pediré que te lleve consigo. Estoy seguro que no se negará a salvarte...
—¿Y usted, patrón? .
—Yo no. Colibrí. Todavía tengo que hacer aquí... Me han informado que algunas religiosas del Convento del Verbo Encarnado se hallan refugiadas en Riviére Salee, y que otras van llegando de distintos lugares. Al amanecer saldré para allí...
—¡Ay, patrón, usted se va a matar de tanto andar de un lado a otro! Donde quiera que le dicen que hay una monja, allá va... Y todas le dicen lo mismo: que la pobre señora Mónica...
—¡Calla! ¿Qué sabes tú? ¿Qué sabe nadie?
—Si el señor Renato fuera bueno y buscara sitio en un barco para usted también, patrón...
—Para mi no va a buscarlo, ni tampoco lo aceptaría. Colibrí. No saldré de la Martinica, no renunciaré a mi última esperanza... ¡Yo seré el último que salga!

Bruscamente se ha puesto de pie, subrayando con el gesto las últimas palabras, y da unos pasos hasta llegar a aquel hueco extraño que les sirve de habitación... Paredes de estera y techo de palmas y cañas, adosadas a la entrada de una gruta de piedra volcánica... Lava resecada muchos siglos atrás, enfriada al sol quién sabe de qué días lejanos, que forma una especie de muro natural alrededor del Fuerte de San Luis, en la propia bahía de Fort de France. ¡Qué cerca está de aquélla a quien ansiosamente busca! ¡Qué jugarreta inexplicable, qué burla inconcebible de la suerte, le hace correr hacia los más lejanos lugares de la isla, cuando le bastaría salvar poco más de un kilómetro para encontrarla!
—Patrón, en la casa no hay nada...
—Bueno... atiende al herido sí necesita algo. Voy a ver si consigo algunas cosas... de ésas que no hay en la casa...
Su gallarda figura se aleja, perdiéndose sobre la cenicienta playa hasta cruzar junto a los muros del Fuerte centenario. Sólo su mole de piedra ha resistido sin agrietarse, sólo él parece eterno e inmutable en el paisaje desolado... Tímidamente, con un sentido indefinible en el que se mezclan el respeto inevitable y el supersticioso temor. Colibrí se acerca muy despacio al tosco lecho, donde Renato se agita y murmura:
—¡Agua.-.!
—Ya no hay agua, señor. Usted mismo se bebió lo último que quedaba. No hay agua ni de dónde agarrarla. La del río es puritito azufre, y la del mar es salada... Como no traiga el patrón de la que reparten en Fort de France por cuartillo, como si fuera leche, vamos a rabiar de sed como los perros satos. .

Por primera vez en muchos días se han abierto los ojos de Renato D'Autremont, fijos, inteligentes, claros... Ya no arde en ellos, como una llamarada de locura, el delirio de la fiebre... Es como si comenzara a comprender y a tratar de recordar... Ante un débil gemido del herido. Colibrí se interesa:
—¿Le duele? El patrón me dijo que lo cuidara. Me llamo Colibrí, y mi patrón es don Juan del Diablo...
Lentamente, Renato se ha incorporado, ha mirado la pared de rocas desnudas, el techo de sueltas hojas de palma, las esteras que cuelgan movidas por el viento, y al muchacho negro vestido de andrajos, que parece ser su enfermero. En sus finos labios de aristócrata se cuaja una sonrisa breve y amarga, al comentar:
—Tú eres Colibrí... Sí... Creo recordarte... ¿Y en qué país estamos para que Juan del Diablo tenga "don"? A qué isla nos llevaron las olas? ¿A qué costa salvaje fuimos a dar en aquella barca? ¿Dónde estamos?
—¿Dónde vamos a estar, más que en la Martinica? Al ladito de Fort de France... ¿No se acuerda de lo que pasó? Usted andaba detrás del Luzbel tirando cañonazos...

—Si... voy recordando... El guardacostas... la goleta huyendo, mis gentes listas para el abordaje... y de pronto...
—Estalló el volcán... nos caímos al agua y el amo nos salvó. Nos sacó a flote, nos echó juntos en el bote a usted y a mí... A mí, que soy como su perro; y a usted... a usted, que andaba detrás de él para matarlo... ¿Se acuerda ahora?
—Sí... Me acuerdo del bote, del horrible dolor de esta herida, y después.,. después...
—A hombro lo subió el amo hasta Morne Rouge. Allí lo vio a usted el médico y lo curaron, y nos curaron también a nosotros. ., Yo estaba todo quemado... El amo largaba la piel a pedazos y echaba sangre por la herida de la bala... Pero no se dobló ni se quejó de nada... El patrón sí que es macho, señor Renato...

Renato ha entornado los párpados, se ha sentido hundir de nuevo en la niebla rojiza de los días pasados... Casi anhela aquella inconsciencia bienhechora; pero algo lo despierta, sacudiéndolo...
—¿Qué es eso?
—El volcán... el terremoto —balbucea Colibrí conteniendo a duras penas el miedo que le embarga—. Viene a cada rato... Pero el patrón dice que no le gustan los cobardes, que, aunque roe esté muriendo, tengo que aguantarme y no correr, porque en cualquier parte lo mata a uno el terremoto, y en cualquier parte se lo traga la tierra...
Renato ha logrado sentarse con enorme esfuerzo y trata de ponerse en pie, pero se lo impiden su dolor y su debilidad. La cabeza le da vueltas, el aire le taita, pero un relámpago de orgullo se enciende en su claras pupilas:
—No entiendo nada, mas necesito entenderlo todo en seguida. ¿Por qué estoy aquí contigo en esta forma? ¿Qué significan esta cueva y estos harapos? ¿Soy acaso prisionero de la gente de Juan? ¿Y mi ropa? ¿Y mis papeles? ¿Qué se ha hecho todo? ¿Dónde está? . —¿El qué? —se extraña el negro muchachuelo.
—¿No entiendes? —se enfurece Renato.
—No, Renato. Hay cosas que Colibrí no entiende —explica Juan con serenidad, irrumpiendo en la estancia—. Ten un poco de calma... Ya te irás dando cuenta de todo... No creo que debas abusar de tus tuerzas el primer día que se te despeja la razón... Además, te esperan noticias altamente desagradables'... Bebe un poco de agua...

Un instante, Renato se detiene antes de tomar el cántaro de arcilla que le ha ofrecido Juan, envolviéndole en una mirada de asombro. También él ha cambiado... ha cambiado casi tanto como el panorama que le rodea... Mucho más delgado, parece más alto; la barba crecida, los largos cabellos revueltos y ensortijados, y bajo la vieja camiseta de marinero, que ha vuelto a vestir, luce más recio y ancho su torso de atleta... Tendría la traza desdichada de un náufrago, sin su gesto altanero de jefe de piratas, pero la máscara de color de su rostro moreno se enciende por la fuerza de su altiva mirada, que es toda voluntad...
—¡Se bebió toda el agua! —exclama Colibrí consternado al ver que Renato consume ávidamente el contenido del cántaro.
—No... Queda un poco... Tómala y déjanos... Cuando Renato haya descansado, hemos de hablar...
Más de dos horas han pasado antes de que vuelvan a abrirse los ojos de Renato, para clavarse ansiosos en Juan: ojos interrogadores y desconcertados, en los que arden juntos el deseo de saber y el miedo de las terribles verdades que presiente y aguarda. Otra vez, como antes, parece Renato medir y valorar la miserable estancia, otra vez tiemblan en sus labios las palabras, para brotar al fin como torrente que rompe el dique:
—No necesitas decirme que estoy en tu poder. Lo veo, lo palpo. Herido e indefenso, a tu albedrío, y, si he de creer a ese muchacho, debiéndote además la vida.
—La vida se la estamos debiendo todos a un milagro que acaso no se prolongue demasiado —explica Juan con pasmosa serenidad.

—¿Qué quieres decir? Creo recordar algunas cosas... Pero no, no es posible, son pesadillas de la fiebre, estampas del infierno, cuadros de dantesco horror...
—Recuerdas la realidad, Renato... Muy poco queda de la tierra que nos vio nacer. Hace tres meses que, día y noche, ruge ese volcán arrojando sobre ella cenizas candentes y ríos de lava. Sus ciudades son ruinas; sus rios, lodazales infectos; sus campos, páramos calcinados... Por sus caminos corre una muchedumbre de desesperados que en vano buscan un techo o un abrigo seguro. Cada día, de nuestro único puerto aún navegable, salen barcos repletos de gentes que huyen...
—¿Nuestro único puerto navegable? —se sorprende Renato, sin comprender.
—Sí; Fort de Frañce. Junto a él estamos, en la ensenada del Fuerte de. San Luis..,
—... ¿Saint-Pierre...? ¿La capital...?
—Ya no existe.

—¡NO puede ser! —rechaza Renato en un grito de rebelde espanto—. Mi madre... ¿Ha muerto? ¡Mi madre ha muerto! ¡Oh...!
—Cálmate... cálmate, Renato. No ¿res tú solo el que tienes que llorar un dolor tan grande. Cuarenta mil cadáveres quedaron bajo las cenizas del que fue Saint-Pierre. Luego, se han ido sumando cientos, miles de víctimas más...
—¡Cuanto vi era verdad... cuanto recuerdo fue verdad! ¡Oh...!
—Tal vez la isla sea pronto totalmente evacuada... Aunque casi no quedan ya autoridades, quizás el nombre D'Autremont pueda conseguirte lugar en uno de los barcos que salen...
—¿Qué estás diciendo? —se rebela Renato casi con ira.
—Todos opinan que la huida es la única esperanza de salvación... y para ti no habrá dificultades. Además, no tienes ya a nadie por quien mirar, más que por ti mismo...
—¡NO tengo a nadie... no tengo nada! Mi casa, mis tierras, mi fortuna en los bancos de esa ciudad que... ¡Y mi madre, •Juan, mi madre!

Desesperadamente, se han aferrado a las anchas manos de Juan, que estrechan las suyas, acaso por primera vez, con gesto fraterno... Largo rato corren en silencio sus lágrimas. Luego, se secan de repente como si una saeta de fuego le traspasara el alma despertándole, sacudiéndole, enloqueciéndole de nuevo:
—¿Y Mónica? ¿Qué has hecho de ella? ¿Dónde está? Tú la tenías en el Luzbel... Pero no, no... dijiste que la habías puesto a salvo. ¿Adonde la llevaste? ¿Adonde la enviaste? ¿Rumbo a Dominica? ¿Rumbo a Guadalupe?
—¡Rumbo a Saint-Pierre! —confiesa Juan con infinita desesperación—, Yo mismo la dejé en la playa, frente al Monte Parnaso. .. No sé nada más... ¡NO sé absolutamente nada más!
—¿Ha muerto también? ¿Quieres decir que ha muerto?
—¡Es lógico pensarlo así! —augura Juan con gesto sombrío—, La he buscado como un loco, como un desesperado. La he buscado mientras tú agonizabas, mientras tú delirabas ardido por la fiebre, semanas enteras... mientras como un cadáver te arrastraba de aldea en aldea, de ruina en ruina, dándote cien veces por muerto y otras cien por resucitado...
—¡Tres meses... tres meses! ¿Dijiste tres meses? —pregunta Renato con desesperación.

—La he buscado en todo rincón donde hay religiosas refugiadas, en las interminables listas de desaparecidos, en las relaciones de los que cada día escapan llenando esos barcos... He buscado su cadáver entre todas las ruinas de los conventos, y he buscado su nombre en las cruces de madera de los cementerios improvisados... ¡ Pero he buscado en vano!
—¡Mónica ha muerto! ¡Mónica ha muerto! —repite Renato como obsesionado.
—¡Pero no me resigno a aceptarlo! No sé si es una inspiración del cielo, no sé si es un loco rayo de esperanza, no sé si mi voluntad enferma se aterra a una mentira, si una intuición clarividente me sostiene sin desmayar en una verdad increíble... ¡Pero mientras me quede un soplo de vida, seguiré buscándola!
Juan ha dado un paso hacia la puerta, pero las manos de Renato se extienden, deteniéndolo con el ademán, y los claros ojos, que minutos antes lloraran por Sofía D'Autremont, se encienden ahora con la luz diabólica de los celos, del despecho, del ansia desesperada que el solo nombre de Mónica enciende en su alma y en su carne...
—¿Por qué esa búsqueda? ¿La amas? ¿La amas?
—¡Naturalmente que la amo! ¿Pues qué pensaste?
—Yo... yo... no sé... ¿Amarla? ¿Dijiste amarla...?

—¡Mil veces más que a mi propia Vida! ¿No te das cuenta? ¿Qué me importa la vida si no he de volver a encontrarla? Mi vida entera es ella, era ella, aun cuando creyera que no me amaba, aun cuando la mirase tan lejana como a las estrellas, por las que guiaba mi rumbo, la mirada en los cielos, aferradas !as manos al timón de mi nave... Loca, desesperadamente la he amado desde que algo más fuerte que mi orgullo me obligó a respetarla; desde que viéndola indefensa en mis brazos, desvalida y enferma, sentí que los deseos se apagaban, que la soberbia arriaba su estandarte, porque la fuerza de su pureza me transformaba en un hombre distinto, porque su vida y su felicidad comenzaban a ser, para mí, más importantes que nada, que nadie... ¿Que si la he amado? ¿Que si la amo? ¡Cien veces más, mil veces más de cuanto tú hayas podido amarla ¡
—-¡Mentira! —estalla violento Renato—. ¡Más que yo, nadie! ¡Nadie! Y ella...
—¡Ella también me amaba ¡ —corta con energía Juan—. Contra todo lo que supones, contra todo lo que piensas, contra todo lo que tenías derecho a esperar, Mónica me amaba, quería morir conmigo. A, la fuerza tuve que arrancarla de estos brazos, para no arrastrarla a mi triste suerte...
—¡Eso no es verdad! ¡No es verdad!
—¡Es, Renato! Todavía me parece verla en aquella playa; todavía tengo en los oídos su último grito llamándome...
—¡NO puede ser! Una mujer como ella...

—No podía amarme a mí, ¿verdad? —rebate Juan en tono colérico—, ¡Pues te equivocas! ¡Me amaba! ¡Me amaba! ¿Qué importan su nombre ni su. casia? ¡Me amaba a mí; al marinero, al pirata, al bastardo! ¡Y prefirió los peligros, y aun la muerte a mi lado, antes que la comodidad de tu palacio! Esa es la única verdad... ¡Era mía, es mía, y la buscaré hasta encontrarla!
—¡No, no es tuya ya!
Renato ha, vacilado, ha temblado, y vuelve a caer en el camastro. Desde allí, sus ojos miran con ansia... Recuerda su cartera, los papeles guardados en ella... Ahora está semidesnudo, bajo un techo de palmas, al total arbitrio de aquel hombre que es para él, a la vez, salvador y rival, enemigo y hermano... Repentinamente, su voluntad se agota, su valor se apaga, pero los fieros ojos de Juan parecen penetrarle, adivinarle, al señalar:
—Tus papeles están en esa caja... Ya veo que no me equivoqué al pensar que acaso eran para tí más preciosos que la propia vida. Puedes tomarlos, aunque creo que no -te servirán de nada. Un poder más fuerte que toda la vanidad humana, nos rige ahora... y es ése... el volcán... Escúchalo... Esa es la única voz que dispone y ordena sobre la tierra de la Martinica... Son sus golpes ciegos los que decretan la vida o la muerte, el dolor o el hambre... Es el nuevo poder que nos rige... ¡Ve a ver si, con él, tus papeles te sirven de algo!
Renato ha vuelto a incorporarse, quiere ir tras Juan, que se aleja con pasos presurosos, pero se desploma de nuevo... Cien recuerdos amargos le taladran como puñales. Piensa en su madre muerta; en Mónica, que acaso yace bajo el sudario trágico que envuelve lo qué fuera Saint-Pierre, y siente un dolor nuevo, un dolor extraño, que le enciende de vergüenza infinita... Que es desconcierto, remordimiento y gratitud amarga...
—Y le debo la vida a Juan del Diablo...

Durante más de una semana rugió aún el terrible Mont Pelee. Al fin, el veintiséis de agosto de mil novecientos dos, tras un último y terrible terremoto que sacudió a la isla entera, todo quedó en calma. Se borraron las nubes negras del cono del volcán, se acallaron los ruidos subterráneos, volvió a ser azul el cielo, y las aguas del mar se aquietaron... Lluvias benéficas cayeron a torrentes arrastrando las capas de ceniza que desgajaban los árboles y abrumaban los campos... De nuevo corrieron limpios los ríos y los arroyos, y volvieron en enormes bandadas los fugitivos pájaros... Una alegría febril, espuma de la desesperación y el dolor pasados, sacude ahora las destartaladas calles de Fort de France. Se han puesto- en movimiento los pocos caballos y los escasos coches que quedan disponibles. Brigadas de voluntarios apartan los escombros y acondicionan lo mejor posible muelles y embarcaderos, en la entrada de la hermosísima bahía, frente a la que se alza la pequeña ciudad. Y cuando los barcos tanto tiempo esperados se distinguen en la línea imprecisa del horizonte, les saludan los viejos cañones del Fuerte de San Luis y las campanas, montadas en travesaños sobre los escombros, para que puedan lanzar al aire la voz de sus repiques... Mientras, en la quinta casi en ruinas, que fuera refugio de las Molnar, las campanas y el cañoneo se oyen como algo lejanos...
—¡Aquí está el señor don Noel, mi ama! —avisa Ana gritando a voz en cuello.
—Albricias, mi apreciada Catalina... Pero, Mónica, ¿dónde está? —saluda y pregunta el viejo notario.
—¿Dónde ha de estar, más que en el hospital? —explica Catalina—. Para allá se fue antes de que amaneciera, como cada mañana...

—Hoy es un día distinto, ¡caramba!
—Para ella, no. Cada día que pasa, parece que su dolor creciera, porque le quedan menos esperanzas...
—Tiene razón. Pero, 'de todos modos, no puede abandonarse al dolor como lo hace... Vine a buscarla, porque el nuevo gobernador está desembarcando, y el comandante de las fuerzas, que tanta admiración y tanta gratitud siente por Mónica, quería que ella fuese de las primeras personas en saludar a su Excelencia. ¿Dice usted que fue al hospital?
—Justamente al que instalaron junto a Palacio... Allá la encontrará...
—Bueno, en ese caso, voy para allá... Hasta la vista. Catalina. ..

—¡Colibrí... Colibrí...! ¿Qué es lo que pasa? ¡Colibrí! ¿No me oyes? —llama Renato alarmado ante el estruendo de una salva de cañonazos.
—Ya va... Ya va, señor Renato... Estaba mirando cómo echan candela los cañones del Fuerte. ¿Acaso pensó usted que era el volcán? Dicen que está apagado, y bien apagado... Que ya no va a temblar más...
—Entonces, ¿esos cañonazos...?
—El nuevo gobernador está desembarcando. Desde arriba de la loma vi cómo se acercaba el barco... un barco grande, grande, y otros dos que vienen detrás... En uno dicen que traen soldados, y en otro, cuanto Dios crió... Todas las cosas que mandan de regalo desde Francia para los que nos quedamos en la Martinica, para los que no tuvimos miedo del volcán...
Lentamente, con visible esfuerzo, Renato se ha alzado de su camastro y, apoyándose en la frágil pared, da algunos pasos vacilantes sobre aquel piso desigual...
—¿No ha vuelto Juan?
—No, señor. Pero seguro que viene esta tarde... El sabe que lo que trajo para comer, ya se ha acabado. Y ya usted sabe... De donde sea, pero él lo trae...

Otra vez Renato D'Autremont ha sentido que una ola de rubor enciende sus mejillas. No es sólo el hecho heroico de haberle rescatado de la muerte, de haberle llevado en brazos venciendo al dolor y fatiga... También aquel hombre extraño, hermano y enemigo, salvador y rival, ha traído cada día, para él, el alimento necesario, vendas para su herida, medianas para su fiebre, techo para su intemperie, humana piedad para su desamparo... ¡Durante tres meses, él, el opulento Renato D'Autremont, ha recibido el pan de las manos de Juan del Diablo!
—¿Va a salir, señor Renato? ¿No espera al patrón?
—Creo que más vale que no lo espere...
—Pero solo no va a poder andar. El patrón dijo que usted estaba todavía muy débil...
—He de hacer un esfuerzo... Es necesario... Ha palpado la camisa destrozada, que apenas cubre su cuerpo desnudo; sus pies descalzos, que asoman de los rotos y gastados pantalones de burdo dril... Comprensivo, Colibrí sonríe y explica:
—En aquella caja le tenemos guardadas sus botas y una chaqueta que encontramos. El patrón me hizo siempre cargar con esa caja, diciendo que si usted se levantaba, no iba a saber caminar descalzo... También hay una cartera, un anillo y un reloj que no anda...

Renato ha tomado aquel cajón, que es arca de sus pobres tesoros... Allí está su chaqueta de hilo, rota y quemada; su reloj, sus sortijas, las altas botas que calzara para tomar el mando del Galión, y bajo la cartera, con su dinero intacto, arrugados y desteñidos, la anulación del matrimonio de Mónica y el nombramiento de oficial en activo, que le autoriza a perseguir a Juan del Diablo...
—Él amo dijo que esas cosas eran de usted, y que se las diera si algún día las necesitaba... ¿Va a vestirse? ¿Va a salir por fin?
—Es preciso... Debo hacerlo... Debo hacerlo cuanto antes... Tengo que acercarme a ese hombre que acaba de llegar... ¡Tengo que ver al nuevo gobernante que nos envía Francia!
Con esfuerzo, se ha vestido Renato. Con paso vacilante, que sólo sostiene la tensa cuerda de la voluntad, ha cruzado el ancho trozo de playa y, apenas ha desaparecido su figura tras el saliente que forman las murallas del viejo Fuerte de San Luis, otro paso bien conocido, ahora lento y cansado, ha hecho acudir a Colibrí a la otra entrada de la desmantelada cabaña, para señalar excitado:
—Por ahí va, por ahí va... Todavía lo puede sujetar si usted quiere... Todavía puedo ir yo en una carrera a decirle que usted le quiere hablar... ¿Oyó, patrón?
—Oí... Pero, ¿de quién hablas?

—¿De quién va a ser, sino del señor Renato? Sé levantó, se vistió y lo cogió todo, patrón... los papeles también...
—Todo era suyo. Colibrí —corrobora Juan con desaliento y cansando.
—Los estuvo mirando mucho rato... Yo creí que iba a dejarlos, pero se los guardó en el bolsillo... También el grande, el de los sellos, en el que le daban permiso para... ¿No se acuerda, patrón?
—Sí, Colibrí... Perfectamente... Para perseguirnos, para prendemos, para matarme si me resistía a entregarme mansamente. Es natural que lleve ese papel consigo...
—Y dijo que se iba a ver al gobernador ese que acaba de llegar. ¿También es natural, patrón?

—También, Colibrí. Ese hombre que ha llegado, representa la vuelta al orden establecido antes, el respeto a los privilegios, a los apellidos ilustres, a las grandes fortunas, al poder de los que tienen el derecho a la tierra firmado y sellado... ¿Cómo no había de ser Renato el primero que acudiera a saludarlo, si él es uno de los primeros privilegiados?
—¡Pero usted lo sacó del agua cuando se estaba ahogando! ¡Usted lo curó y lo cuidó tres meses! Usted... Usted...
—Olvida ese pequeño detalle. Colibrí, como probablemente ya Renato lo habrá olvidado... Olvídalo y dame un poco de agua...
Se ha sentado en el duro camastro, con gesto de profundo desaliento, de absoluto cansancio... Un momento entrecierra los párpados, y luego los entreabre para dejar vagar la mirada por el extraño y áspero paisaje...
—Aquí está el agua, patrón. Se ve que está muy cansado... No encontró a la señora Mónica, ¿verdad?
—No... En Ducos, en Saint Spri, en Riviere Salee, hay monjas refugiadas, pero ninguna pudo darme razón de ella... Todas me repitieron la misma frase horrible, todas me recordaron, con palabras más o menos corteses, que son más los muertos que los vivos, los desaparecidos que los sanos, sobre esta tierra desdichada... Tal vez tengan razón, tal vez sean los demás los que tengan razón... Y ahora, déjame, Colibrí.. Quiero estar solo un rato...

Ha hundido la frente entre las manos, y mientras el muchacho se aleja muy despacio, la eterna y dolorosa pregunta acude incontenible a sus trémulos labios:
—Mónica, ¿dónde estás?
—Mónica... la mañana entera llevo buscándola...
—¡Oh... amigo Noel! Aquí estoy....
—Donde menos pude pensar. Parece que tiene usted un empeño especial en ocultarse... De punta a punta recorrí el hospital, sala por sala y cama por cama...
—Me retiré, dejando el puesto a las verdaderas enfermeras. Me dijeron que el nuevo gobernador había traído personal y material apropiado para atender a las necesidades de todos...
—Naturalmente que trajo consigo algo de lo mucho que nos hace falta... La piedad del mundo entero se ha conmovido de nuestra desgracia; pero ésa no es una razón para que usted se esconda. .. No sabe usted con qué interés, con 'qué empeño ha pedido el. gobernador Vauclín que la lleven a su presencia. Es la primera de una lista que le entregaron al desembarcar... La primera entre las personas que, con su abnegación y su heroísmo, han sostenido el espíritu colectivo en esta desdichada Fort de France.

—¿Qué dice, Noel?
—Hija de mi alma, creo que se cuentan por miles las personas a quienes usted ha atendido, cuidado y vendado. A su ejemplo se formaron las brigadas de voluntarios para socorrer a los heridos sin familia... ¿Y quién sino usted, y las mujeres que han seguido su ejemplo, se ha ocupado de tanto niño desamparado y huérfano? El nuevo gobernador está sorprendido, maravillado. .. Son tantos los que le han hablado de usted... Vamos. .. Dispóngase a venir conmigo...
—¡Oh, no. Noel! ¿Para qué? Hice lo que pude, mientras fue necesario. Ahora que no lo es, más vale...
—Pero, ¿está loca, Mónica? Vamos... Vamos. Me comprometí a llevarla inmediatamente. No puede dejar caer. así el ánimo, cuando todos la reconocen y la aplauden, cuando, con toda justicia, van a empezar a premiar sus desvelos...
—No merezco ningún premio, y usted más que nadie lo sabe. He luchado con todas mis fuerzas contra la desgracia... Me ha sostenido una loca esperanza... He tenido las fuerzas increíbles que sólo da un anhelo clavado en la carne, en el alma...
—¡Mónica! ¡Mónica!

Mónica de Molnar y Pedro Noel han retrocedido, pálidos, temblando, sin dar crédito a los ojos que afirman lo que los oídos escucharon... Palidísimo, vacilante, desfigurado hasta parecer otro hombre, Renato D'Autremont se ha detenido bajo el roto arco que da al patio en ruinas... Parece ahogado de emoción, desorbitados los ojos que se clavan en ella, paralizado por la sacudida brutal de aquella sorpresa enorme... Pero es él, y hacia ella va con las trémulas manos extendidas... El viejo notario le ha sostenido, cuando el joven D'Aütremont se tambalea como si fuera a desplomarse. Luego, las manos de Mónica le alcanzan, y él las estrecha enloquecido, las besa alborozado, para al fin apretarla en un abrazo sin palabras...
—¡Era verdad! ¡Era verdad! ¡Eras tú... tú...! ¡Vives... vives...! Y usted también. Noel... Usted...
—Cuidado, Renato... —aconseja Noel en tono cariñoso. Le ha ayudado a sentarse en una de las rotas columnas del patio, al verle sin aliento, aspirando con dificultad el aire, abriendo al fin la andrajosa chaqueta y desgarrada camisa, mientras Mónica y Noel contemplan con espanto la horrible cicatriz de su pecho, y Renato confiesa haciendo un esfuerzo:
—Sí, Mónica... Es un milagro que viva después de esta herida, que alguien me sacara de aquel infierno de agua hirviente, donde caí con el pecho atravesado... Es un milagro que pueda respirar, que pueda ver la luz del sol, y mirarte...

Como un torrente, han brotado las lágrimas de los ojos de Mónica, resecos ya desde semanas y meses atrás. Sus pies vacilan, mientras acuden a sostenerla los brazos del notario, mientras aquel nombre que es su vida entera, va de su corazón a sus labios sin acabar de formarse en una palabra...
—Mónica, mi vida... Cuando vi tu nombre en aquella lista, cuando me repitieron que vivías, que estabas aquí, que habían ido a buscarte, salí como un loco. No podía creerlo... no puedo creerlo ni aun mirándote... ¡El te ha buscado tanto!
—¿El? —se sorprende Mónica dándole un salto el corazón. Y casi un grito, indaga—: ¿De quién estás hablando?
—Del hombre a quien le debo la vida. Ya le mandé a buscar antes de correr a ti, aun antes de correr a ti, envié a buscarle. Se lo debía, Mónica...

—Pero, ¿de quién hablas?
—¿Y de quién puedo hablar?
—¡Juan... Juan... Juan... ¡ —grita Mónica como enloquecida de alegría—. ¡Vive... vive.,.! ¿Dónde está? ¿Dónde está?
—Fueron por él... Mandé a alguien que corriese... No puede tardar ya... Está muy cerca, junto al Fuerte de San Luis, y... ¡Mónica... ¡
Pero Mónica corre ya por el camino abierto entre las ruinas...


19
¡CUANTO HA DURADO el largo abrazo, el inmenso abrazo donde no caben las palabras, donde se ahogan las voces y corren las lágrimas... el abrazo desesperado y encendido que tiene sabor de eternidad!
—¡Tú... tú... ¡ ¡Mónica... ¡
—¡Juan.. .Juan.. .!
Nada más fuerte que aquellos dos nombres, que se unen como al fin se han unido las bocas, en un beso tras el cual puede morirse, porque ya se ha vivido... Ninguna otra palabra puede expresar nada, sino los nombres que brotan entre el calor amargo de las lágrimas y la dulzura sin término de una felicidad apenas soñada...
—¡Yo ya no podía seguir viviendo, mi Juan! ¡Todo estaba perdido, todo había terminado! ¡Ya no quería más que morir!
—También yo había perdido la esperanza, mi Mónica... Ya no quería sino buscar la muerte... Y sin embargo, tú vivías, tú alentabas... Estabas cerca, cerca... ¡ increíblemente cerca!

Hablan, unidos aún en aquel abrazo, los ojos en los ojos, las manos en las manos, casi los labios en los labios... Hablan indiferentes a todo, ausentes del mundo que a su alrededor parece borrarse bajo el peso de una felicidad que es casi abrumadora, en un delirio de los sentidos y del alma, que les hace pensar que viven un sueño... Desde el roto arco de lo que fuera un patio, Renato D'Autremont mira las dos figuras lejanas que forman una sola en el abrazo interminable... Hada ellos va Pedro Noel, a todo cuanto dan sus cansados pies.... La frente de Renato se pliega en una arruga profunda, su rostro se contiene ... Luego, apoyándose en las ruinas,, se aleja muy despacio. ..
—Tú me aguardabas, Mónica, y yo corría enloquecido detrás de cada indicio, de cada huella, de cada posibilidad... Ya cada desengaño, me rebelaba; y a cada golpe de la lógica, la divina sinrazón de mi amor gritaba más alto... Sabía que vivías.. . sabía que me aguardabas... Sólo un momento sentí la certidumbre horrible...
—Yo también. Fue un momento nada más, un momento de desesperación, de locura... Luego, tuve la certeza, y a todas horas pronunciaba tu nombre, llamándote; y a todas horas, mi pensamiento era como un grito queriendo vencer tiempo y distancia ...
—Y llegaba hasta mí... Llegaba, Mónica, llegaba...
—¡Juan... Juan... ¡ ¡Muchacho, es lo más maravilloso que pensé que pasara!
—¡Oh, Noel, amigo mío!

Han regresado al mundo, han mirado a su alrededor como si despertaran. A poca distancia, aguardan dos soldados, los que van a buscar a Juan, y un extraño estremecimiento le recorre, cuando pregunta:
—¿Y Renato?
—No sé... Se ha ido... El mandó a buscarte... Dijo que te debía la vida, que por ti alentaba... Mandó a buscarte apenas supo que yo vivía... ¿Qué te pasa, Juan? ¿Por qué ese gesto?
—¿Sabes que no tengo ya derecho a tenerte en mis brazos? ¿Sabes que no somos esposos?
—¡Nada ni nadie podrá separamos!

Otra vez Mónica se ha arrojado en los brazos de Juan, abiertos para estrechar; otra vez se ha apretado contra aquel pecho rudo y ancho, y un instante quedan de nuevo unidos por aquel fuerte abrazo que funde en una sus dos almas. Pero la mano de Juan se alza señalando a los soldados que, sorprendidos e indecisos, quedaron aguardando a corta distancia:
—Esos hombres tienen la orden de llevarme ante el nuevo gobernador. Les seguí porque, apagándose en mi alma la esperanza de volver a encontrarte, no me importaba nada ya, y nada me importa todavía, pues ningún precio será demasiado alto por haberte encontrado. Yo sabré afrontar mi destino, Mónica, ese destino del que quise apartarme porque me sé hijo de la desgracia...
—¡No podrás apartarme nunca! Lo que sea lo afrontaremos juntos. Sólo quiero estar a tu lado, ser tu esposa. Si está roto el lazo que nos ataba, lo ataremos de nuevo, una y cien veces... Adonde tengas que ir, iré contigo... ¡No me importa la tierra ni el lugar!
—Mónica... Mónica..., ¿es cierto que me amabas? ¿Es cierto que me amas? ¡Nada me importa teniendo esta verdad en el alma ¡Ahora es preciso separarnos de nuevo...
—¡No nos separaremos! Iré donde tú vayas. Y si Renato ha sido tan vil, tan canalla...
—El también te ama, Mónica; te ama desesperadamente. Yo sé que luchará hasta el final...

—¡No luchará... oirá la verdad de mis labios! Y si es cierto que ese nuevo gobernador piensa que yo merezco algo...
—Sabré defenderme, Mónica, no te inquietes... Renato conserva los papeles en los que el Papa anulaba nuestro matrimonio, devolviéndote la libertad absoluta...
—¡Nadie puede anular mis sentimientos, Juan!
—Y el papel que le autorizaba a perseguirme, a encarcelarme. .. Otra vez Renato D'Autremont contra Juan del Diablo...
—Vamos, en marcha... El señor gobernador aguarda —apremia el sargento acercándose a la pareja.
—¡Adiós, Mónica... mí vida, mi alma!

—¡No, no me separarán de tí otra vez! Juan se aleja ya entre los soldados. Sólo un instante vacila Mónica, y después le sigue con paso raudo...
—¡Oh, Noel, han puesto preso a Juan!
—Ya lo sé... ya lo vi... ¿Por qué. se imagina que eché a correr para acá en cuanto me di cuenta que llegaba entre dos soldados? Quería ganarle por la mano a Renato... Pero, por desgracia, no pudo ser...
—¿Dónde está Renato? ¿Entró? ¿Es posible que Renato...?
—Calma, hija mía, calma... Renato entró antes que nadie, y esas malditas puertas están bien guardadas... Pero lo peor que puede uñó hacer es precipitar los acontecimientos... Hay que tener calma...
—¡Yo no puedo aún creer que Renato sea capaz.. .!

—Yo tampoco quisiera creerlo, pero una vez le vi peor que a un tigre de Bengala, Lo vi ciego de celos y de rabia...
—¡Es preciso salvar a Juan... hacerle huir, esconderle.. .!
—Justamente es lo que estoy pensando. Si aprovecháramos la confusión que reina todavía en estos primeros momentos... Si pudiéramos sacarlo de aquí...
—Por esa reja que cerraron detrás de ellos, le hicieron entrar. ..
—Entonces, la cosa va de prisa. Por allí le meterán directamente a la sala que el nuevo gobernador ha tomado como despacho. Puede que a estas horas ya esté allí enfrentándose con Renato... Daremos la vuelta... del otro lado hay paredes derrumbadas...
—¡Necesito decirle a Renato que lo odiaré mientras viva si hace algo contra Juan! ¡Necesito decirle que su vida es la mía, que le quise siempre, que le querré mientras el corazón me late!

—¡Con cuánto placer estrecho su mano, señor D'Autremont! Entre otras noticias, igualmente lamentables, tenía la de la absoluta desaparición de Su familia... Pero hágame el favor de sentarse... Se ve que está usted mal... Se comprende cuánto ha sufrido...
—Todos hemos sufrido, señor gobernador... Pálido y vacilante, en lucha despiadada contra sus propios sentimientos, Renato D'Autremont ha aceptado el asiento que Gerardo de Vauclín acaba de ofrecerle. Culto, refinado, arrogante, el nuevo gobernador de la Martinica no cuenta más de treinta y cinco años, y contempla con interés y simpatía el rostro juvenil y demacrado del caballero D'Autremont, más duro y viril tras las penas y dolores pesados...
—No quiero hablarle de las desgracias que sin duda han pasado, señor D'Autremont. Además, el tiempo apremia. Le aseguro que estoy abrumado frente a la enormidad de tarea que acepté... Casi no sé por dónde empezar... Necesito estar seguro de la cooperación de los mejores, de usted el primero...
—Siento desilusionarlo. Personalmente, no creo poder servir de nada...
—No diga eso. Claro que se le ve rendido, agotado... Ya me contaron de la herida que sufrió, a la que poco faltó para ser mortal.... Necesito infiltrarle optimismo... Precisamente en este mapa acaban de mostrarme el lugar donde quedan sus haciendas ... Valle Chico y Campo Real tienen una situación privilegiada... Tendrá todas las facilidades para volver a explotarlas. ..

Renato se ha puesto de pie como bajo un sufrimiento intolerable. Su mano palpa temblorosa aquellos papeles que guarda en el bolsillo de la chaqueta, y clava la mirada en el amplio escritorio abrumado de papeles, mientras el nuevo mandatario le observa sorprendido, e indaga:
—¿Se siente mal? ¿Qué le pasa?
—¿Qué lista es ésta?
—¡Ahí En ella se me señala a los hombres y mujeres que más se han distinguido en la ayuda a sus semejantes... La señora Molnar, por la que mostró usted un interés tan vivo, está entre las primeras. ¿La encontró por fin? ¿Pudo hablarle? Yo todavía no he podido saludarla...

Renato ha vacilado. Su mano trémula y blanca se alza para enjugar el sudor que baña sus sienes y su frente. Por el hueco de una pared destrozada, ha visto el desencajado rostro de Mónica, sus claros ojos fijos en él, cargados de reproche... Ha visto agitarse la redonda cabeza del viejo Noel... Una espuma amarga le sube a los labios, un golpe más violento que todos, sobre su corazón, le obliga a serenarse, a erguirse con un gesto gallardo de caballero:
—Señor gobernador, ¿quiere permitirme que le presente a la señora de Molnar? Parece muy impaciente por saludarlo. ¿Me permite usted hacerle entrar? —Y sin esperar la autorización del mandatario, alza la voz, mientras se aleja unos pasos, e invita—:¡Mónica... Noel! ¡Adelante...! El señor Gerardo de Vauclín, nuevo gobernador general de la Martinica... Mónica de Molnar. ..
—Excelencia... —saluda Mónica toda confusa.
—Beso su pies —replica, galante, el gobernador—. Me habían hablado de usted como de un ángel de caridad; pero no pude sospechar que, además, fuese tan joven y tan bella...
—A Pedro Noel creo que no es preciso presentarlo —prosigue Renato—. Fue el más fiel servidor de Francisco D'Autremont, mi difunto padre. Últimamente nos disgustamos por una diferencia familiar, que hoy va a quedar salvada...
—¡Hoy...! —exclama Mónica impulsiva.

—Perdóname que aún no te deje la palabra, Mónica —se disculpa Renato—.Y perdone usted. Excelencia,-que siga abusando de su bondad.'Casi al mismo tiempo en que le hablé de la señora de Molnar, le pedí que enviase á buscar a un hombre junto a la caleta del Fuerte de San Luis...
—Y usted mismo dio la orden a los soldados —confirma el gobernador—. Seguramente no tardará...
—Llegaron hace un rato. ¿Me permite su Excelencia dar la orden de que lo traigan? —Y alejándose unos pasos, tras la aquiescencia del gobernador, Renato ordena—: —¡Traiga el detenido, sargento! Acércate, Juan...
El gobernador se ha vuelto hacia éste, vivamente asombrado. Su mirada recorre con curiosidad y sorpresa al altivo hombretón que llega entre dos soldados, observándole desde el pecho desnudo hasta los pies descalzos, e indaga:
—¿Quién es este hombre? ¿Acaso...?

—Un poco de paciencia —ruega Renato en tono afable—. Lo explicaré a su Excelencia dentro de un instante. Antes quiero hacer una referencia a lo que usted y yo hablábamos. Me refería a su amplio programa de ayuda para los que se quedan en la Martinica, ¿verdad? Habló de dar todas las facilidades...
—Sí... claro... Y hasta del reparto de las tierras que han quedado sin dueño. Entre éstas contábamos su Campo Real. Ahora, por fortuna...
—Por fortuna, la situación ha cambiado. Usted espera que esas tierras, las más ricas de la isla, vuelvan a ser explotadas como antes, ¿no es cierto?
—Desde luego y trataba de infundirle el optimismo necesario para que se quedara usted...

—Y yo le dije que, personalmente, no contara conmigo. Pero tengo mi candidato... No me quedaré en la Martinica, señor gobernador. Soy de los que huyen, de los que se alejan, de los que prefieren escapar... Soy del grupo de los cobardes....
—No lo creo asi, señor D'Autremont, pero...
—En el primer barco en donde haya un puesto disponible, volveré a Francia. Algo me queda allí de la herencia de los Valois, que correspondía entera a mi madre. Iré personalmente a recogerla...
—Pero... no comprendo... ¿Este hombre...?
—Acabaré de explicarle. Soy de los pocos que, por casualidad, han podido conservar sus papeles... Estaban en mi, cartera, junto con una buena cantidad de dinero, que alguien rescató al salvarme, la vida. Espero que con mi testimonio, y con la firma de un notario como don Pedro Noel, podrán reconstruirse los de una persona que ha perdido en la catástrofe todos sus medios de identificación...

Ha mirado lentamente a Juan. Acaso espera una palabra de sus labios, que ahora están lívidos, duros y apretados. También súbitamente silenciosos, Mónica y Pedro Noel están pendientes de sus palabras, y. respira Renato, como tomando aliento, antes de terminar:
—Valle Chico y Campo Real es mi deseo que sean inmediatamente entregados al hombre a quien de derecho le corresponden, con lo que, además, cumplo la voluntad de mi padre. Don Pedro Noel lo sabe...
—¿El qué sé yo? —pregunta éste sorprendido.
—Lo que mi padre deseó siempre... El nombre de aquél en cuyas manos hubiera querido ver Campo Real... El hombre a quien por un error trajeron detenido entre soldados, cuando sólo se trataba de poner sus cosas en orden..:
—¿Por un error? —inquiere Mónica confusa.

—Sí, Mónica. Ya sé que es eso lo que estás tratando de decir desde que entraste. Lo leo en tus claros ojos elocuentes, y también en los de nuestro buen Noel. Y ahora, contestaré a su pregunta, Excelencia: Valle Chico y Campo Real deben ser puestos legítimamente a nombre de mi hermano...
—¿Qué dice? ¿Su hermano? —se asombra el gobernador.
—No soy el primogénito. Excelencia, aunque como tal me haya criado; ni el único superviviente de la familia cuya desaparición usted lamentaba. Queda también el hombre que tiene usted delante: ¡Juan Francisco D'Autremont, mi hermano!
—Pero... —intenta protestar Mónica.
—No repliques más, Mónica. Mi parte en esas fincas es mi regalo de boda... Porque hay algo que aún no hemos dicho a su Excelencia: la razón de mi profundo interés por la señora Molnar es que es la prometida de mi hermano...


Mónica, Juan y Noel, se han vuelto, temblando de emoción, hacia el hombre pálido y demacrado a cuyas espaldas acaban de cerrarse las puertas del despacho del nuevo Gobernador General de la Martinica, y ahoga la gratitud la voz de Mónica, al comentar:
—Renato, lo que has hecho...
—¡Lo que has hecho es sublime, hijo de mi alma! —completa Noel con lágrimas en los ojos.
—No, Noel. Sublime fue Juan —rechaza Renato—. Sublime fue duplicar, triplicar el propio riesgo para sacarme de aquel infierno de aguas hirvientes... Sublime fue salvarme cuando yo te perseguía como el más feroz de los enemigos, Juan... Sublime fue vendar mis heridas, llevarme en brazos a través de la desolación y de la muerte, y, más sublime aún, guardar para mí esos papeles que te condenaban. ¿Cómo pudiste hacerlo? ¿Cómo hallaste generosidad y nobleza en el fondo de tu alma?
—Por favor, calla —ruega Juan sin dominar su emoción—. Lo que has hecho... Pero no... No puedo aceptarlo... Es demasiado...


—¿Por qué demasiado? ¿Rechazas entonces la voluntad de nuestro padre? Nuestro padre, Juan, nuestro padre... El siempre te reconoció como hijo... Borra el rencor que puedas guardar en tu alma... Creo que nunca he podido decirte que sus últimas palabras fueron para pedirme que te buscara y que reparara en lo posible su falta... Sí la muerte no hubiera tronchado prematuramente su vida, como hijo habrías crecido al lado suyo... Acaso como hijo predilecto...
—¡ No, Renato! —protesta Juan.
—El hijo de la mujer a quien más había amado..'. Piénsalo, y acaso puedas perdonar el rencor de mi pobre madre... Como ves, nada te he dado que no merezcas, que no hayas ganado, ni a lo que yo no deba renunciar... Hasta a Mónica la salvaste tú, Juan... Tu amor la llevó al Cabo del Diablo, y tu generosidad al Monte Parnaso,.. Si hubiera permanecido a mi lado, su juventud y su belleza serían hoy cenizas, como lo es todo cuanto amé, como lo son aquellas que me amaron: mi madre y...

Ha apretado los labios bajo la fuerza quemante del recuerdo amarguísimo. Luego, se vuelve para estrechar las manos de Mónica con gesto apresurado:
—Que seas feliz, Mónica, que seas tan feliz junto al hombre a quien amas, como yo hubiera querido hacerte...
—¡Renato...! ¡Mi pobre Renato...! —murmura Mónica conmovida.
—Sólo una súplica... ¡No me compadezcas!
—Sólo quiero darte las gracias, Renato, las gracias con toda mi alma...

—No hice nada que en verdad las merezca. Simplemente, no soy un canalla... Y ahora, abreviemos la despedida... Saldré muy pronto, en el primer barco que quiera llevarme...
—Pero aun no estás repuesto, hijo —pretende detener Noel.
—Me repondrán los aires de Francia. Gracias, Noel, y adiós. Usted siempre fue un hombre honrado y nunca vaciló en señalar el camino con su ejemplo...
—Que Dios te bendiga! Te lo digo como pudiera decírtelo tu propio padre...
—Renato... No sé qué decirte... —susurra Juan terriblemente confuso.

—No hay que decir nada. Te admiré desde niño; desde niño tuve la conciencia de que eras el más fuerte, el que valias más. No es ningún mérito reconocerlo... Quise ser tu amigo. Las circunstancias me convirtieron en lo contrario... Creo que llegué a odiarte. Pero, aun odiándote, te he estimado, y si nunca pude llamarte amigo, ahora quiero llamarte, aun .cuando sea como palabra de despedida, hermano...
—Renato... Hermano... —exclama Juan hondamente conmovido.
—Y ahora, un abrazo... —Los dos hermanos se han estrechado en un emocionado abrazo, y Renato comenta con forzada jovialidad—: No aprietes tanto, Juan del Diablo...
—Tu herida, Renato —se alarma Mónica.
—No te preocupes, Mónica, que ya no sangra. Está cicatrizando y sanará. —Ha dado unos pasos, pero repentinamente se vuelve para estrechar de nuevo las manos de Juan, y recomendarle—: Cuida de nuestro Campo Real... Hazlo fecundo... Hazlo dichoso y próspero, como supo hacerlo nuestro padre...

EPILOGO


LA NUEVA CASA de Campo Real se alza justamente en el extremo opuesto del valle florido donde se alzara la primera. Queda muy cerca del desfiladero, en aquella colina soleada adonde llegan de cuando en cuando las ásperas ráfagas del aire del mar. Es una casa fresca y clara, limpia y alegre, pequeña si se le compara con el viejo palacio cuyas ruinas de mármol cubren las enredaderas silvestres; ancha, porque en ella caben, íntegros y triunfantes, el amor y la paz... Amor y paz en el corazón de la mujer que aguarda en el balcón que arropan las madreselvas; luz en sus ojos claros, que recorren los rectos caminos a cuyos lados marcan los surcos sus trincheras de paz... Espera dulcemente, sin inquietudes, sin angustias... Espera, los frescos labios encendidos para el beso que no puede tardar, las finas manos sensitivas enlazadas, preparándose para la caricia... Esa mujer sonríe, esa mujer ama, y es su amor como los rayos de ese sol que fecundan la tierra e iluminan las almas... Y el caballo que siente acercarse, al chocar de los duros cascos, alza en su corazón como un repique de campanas de plata...
Un hombre cruza las anchas tierras fértiles... Monta el más brioso e inquieto corcel que pisara la tierra americana, la mano reda sostiene las riendas, retardando el galope como quien un instante retrasa la dicha para mejor gozarla. Su mirada se extiende a uno y otro lado. Ya no es Campo Real tierra de siervos y señores... Tierra es, fecunda y alegre, donde hombres libres ganan con su sudor el pan. Al paso del que es guía y ejemplo de todos, no se descubren las cabezas humildes, no se inclinan las serviles espaldas... Se alzan las manos en un saludo de respeto y afecto y él sonríe al pasar... Sonríe, y su mirada inquieta sube por las colinas hasta la casa blanca, hasta el balcón cubierto de madreselvas, donde le aguarda la mujer a quien ama...

—¿Tardé mucho, Mónica?
—Para mi impaciencia, siempre tardas. Pero, en realidad, no fue mucho... Tengo la avaricia de todas las horas, de todos los minutos de tu vida... Sé que no es posible... No pretendo tener un águila enjaulada... Pequeños son para ti Valle Chico y Campo Real. ¿Cómo puedo encerrarte en las cuatro paredes de mi casa?
—Enciérrame en un circulo más estrecho aún, mi Mónica; en el cerco de tus brazos... Quiero esta cadena en mi cuello, como quiero tu mirada en mis ojos y tu boca en mi boca... Sin tu presencia, me faltaría el aire, el sol, la vida misma... Por ti siento el aliento de vida que es lucha, triunfo... trabajo,... Por tu inspiración, estos campos son otra vez fecundos, y dichosos los hombres que los labran. Hoy estuve en el puerto a contratar cien trabajadores más...
—¿Es posible? ¿Vuelven los que se fueron, los que dejaron la Martinica?

—No... .Casi ninguno ha regresado... Pero no importa... Vienen hombres nuevos, de tierras más duras... Hombres de todas las razas: negros y bronceados, amarillos y blancos... metales nuevos para el crisol que es nuestra patria. Si vieras qué alegría me dio ver cómo se levantan ya las casas en Fort de France... Pronto tendremos una capital limpia y alegre, quizás más hermosa que Saint-Pierre...
—Saint-Pierre... Te has quedado pensativo... ¿Hay algo más que quieras decirme?
—Si... Hoy se fue Renato... Se apartó de nosotros diciendo que se iba en seguida, pero no fue verdad... Esperó en una quinta de los alrededores...
—Renato... ¡Que Dios le dé la felicidad!

Un hombre cruza con silencioso paso la cabina de lujo de un barco que se va... Es alto, fino, altivo, viste ropas de caballero, sus cabellos son rubios y lacios, y hay en sus ojos claros una intensa mirada de nostalgia... Su mano, de largos dedos, busca entre sus bolsillos hasta encontrar unas hojas... papeles descoloridos, estrujados, casi borrados por el agua... papeles en los que, sin embargo, aún pueden verse los sellos del Gobernador y la firma del Papa. Con gesto lento y suave, ha hecho brotar la llama de un fósforo, acercándola a las hojas estrujadas. Un momento, su mano las sostiene en el aire, las 'mira arder, y las deja caer sobre las inquietas aguas...
El barco cruza frente a las ruinas de Saint-Pierre... Ha dejado atrás el promontorio de rocas sobre el que se alzara el faro, y proa a alta mar apresura la marcha. De pie junto a la baranda de cubierta, mira Renato aquella tierra que se aleja. Su cabeza se alza, sus ojos miran a la alta cumbre del volcán, sereno, sombrío, muerto o dormido, acaso como un símbolo o como una amenaza. Piensa en Mónica y en Juan... Un instante se nublan sus ojos claros; pero, con recia voluntad, vuelve la espalda y se dirige hacia el salón iluminado, dejando atrás la tierra que lentamente parece borrarse...
Martinica... tierra florida y convulsa, surgida al impulso de un borbotón de fuego... Volcán de amores y de odios, de pasiones sin freno, de abnegaciones y crueldades... Tierra única, donde habrían de chocar un día aquellos cuatro corazones apasionados: Mónica, Aimée, Renato, Juan... Martinica... isla brotada donde el brillante mar Caribe parece más inquieto, broche de oro en el collar de esmeraldas de las Antillas... Exuberante y áspera, generosa y salvaje, presa de aventureros, refugio de piratas, hija predilecta del sol más ardiente del planeta, cuna del gran volcán que es como el corazón ardiente y contenido latiendo en sus entrañas... Tierra feraz y misteriosa, abrupta y enigmática... Isla bravia; con nombre de mujer: ¡Martinico

FIN























































































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AGRADECIMENTO PELO LIVRO CORAZON SALVAJE,DE CARIDAD BRAVO ADAMS!!!!!!!

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Agradecemos ao CLUB UNIVISION CORAZON SALVAJE,por dispor de maneira gratuita atraves da internet este livro em sua pagina e a ALECRAMAMID por colocar nessa pagina todo o livro CORAZON SALVAJE,DE CARIDAD BRAVO ADAMS.

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LIVRO CORAZÓN SALVAJE DE CARIDAD BRAVO ADAMS!!!!!!!

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Libros 1

CORAZÓN SALVAJE

1

LA TORMENTA DE octubre ruge sobre el inquieto Mar de las Antillas... Es de noche, y las ráfagas de un viento hura­canado hacen estrellarse contra los acantilados de rocas las olas gigantescas, que caen luego, en hirviente manto de espuma, ba­jo el azote de la lluvia.;. Negro está el cielo; y la tierra, como sobrecogida. Es la costa brava que se abre, primero en pequeñas ensenadas, en playones estrechos, y luego, unos pocos metros más allá, se convierte en selva espesa... Tierra antillana sobre la que ondea la bandera de Francia...

Un barco entra en el puerto de Saint-Pierre, a despecho de los elementos desencadenados... y uniéndose al concierto del viento y de las olas, la salva de honor de veintiún cañonazos le saluda desde el fuerte de San Honorato...

Al mismo tiempo que la fragata, que ya se acoge a la rada de Saint-Pierre, un pequeño bote desvencijado ha ganado mila­grosamente la arena de una diminuta playa próxima a la ciu­dad, y su único tripulante salta, metiéndose en el agua hasta la cintura, para arrastrar el frágil cayuco, librándolo de la furia renovada de los elementos...

La luz vivísima de un rayo ha iluminado de pies a cabeza al audaz marinero, que en noche tal arriba a la ensenada. Es fuerte y ágil; con flexible soltura de felino da unos pasos ale­jándose del mar, para erguirse después, como calculando-el peligro del lugar en que dejó su bote. Tiene la piel tostada por ta intemperie; ancho y fuerte el cuello; los hombros, cuadrados; las caderas, estrechas; las manos, callosas, y los pies descalzos, que parecen aferrarse como zarpas a la tierra que pisan.. .Pue­de tener apenas unos doce años...

El ominoso estampido de un trueno agitabas sombras noc­turnas. .. El muchacho, dominando su primer movimiento de, temor instintivo, mira de frente al firmamento oscuro, donde marcan los rayos los latigazos de su vivida luz, y exclama:

—¡Santa Bárbaral

Por un momento parece vacilar, mas -no es por temor. La horrible noche no le produce espanto... Sólo calcula, con mira­da certera, qué camino debe seguir para llegar más pronto a la ciudad cercana, cuyas luces se apiñan alrededor de la bahía.

Palpa el pequeño sobre que como un tesoro lleva entre sus ropas mojadas, mira de nuevo al bote que dejara sobre la arena y echa a andar con paso silencioso y rápido...

—Si no se da usted prisa, llegaremos tarde a la fiesta del Gobernador, amigo D'Autremont.

—¿Prisa? Nunca me di prisa por nada ni por nadie, amigo Noel; sin contar con que llueve a cántaros. Pocos serán los in­vitados que no se retrasen esta noche, y además, el Mariscal Pont-mercy llega en esa fragata que vio usted entrar hace veinte mi­nutos escasos. El es el invitado de honor...

—No más que usted, amigo mío. La fiesta es en honor de ambos, y el coche está aguardando desde hace mucho rato.

—Está bien, amigo Noel... Vamos, pues... Francisco. D'Autremont se ha puesto de pie con ademán de elegante fastidio... Ha dado unos pasos a través de la lujosa estancia, y se detiene en medio del vestíbulo, con gesto de extrañeza al oir los fuertes aldabonazos que repentinamente cu­bren el lugar con sus ecos... Disgustado, interpela altanero a su criado:

—¿Quién llama de ese modo, Bautista?

—Iba a verlo en este momento, señor —responde el criado—. No sé quién pueda ser el atrevido...

—Pues ponlo en su lugar —ordena, tajante, D'Autremont. Una ráfaga dé viento y lluvia hace irrupción, silbando, en el elegante vestíbulo; y airado, D'Autremont grita:

—¡Cierra esa puerta, estúpido!

Antes que el criado logre cerrarla, el importuno visitante ha penetrado de un salto; los revueltos cabellos mojados sobre la frente, el cuerpo semidesnudo chorreando agua sobre las al­fombras... tan sorprendentemente atrevido y audaz, que Fran­cisco D'Autremont y Pedro Noel retroceden al verle, apagada la indignación por la sorpresa...

—¡Caramba! —exclama Noel.

—¿Pero qué es esto? —indaga D'Autremont.

—Busco al señor Francisco D'Autremont... —explica el muchacho con decisión.

—Debe ser un loco, señor... —interviene el criado—. ¡Voy a...!

—¡Ahora, déjalo en paz! —ataja imperativo D'Autremont.

—¿Es usted don Francisco D'Autremont? —inquiere el mu­chacho—. ¿Es usted, señor?

—Si, soy yo... Pero tú, ¿quién eres? ¿Y qué diablos te pasa para atreverte a llegar a mi casa de esta manera?

—Mi nombre es Juan. Vengo desde el Cabo del Diablo pa­ra traerle esta carta. El señor Bertolozi se está muriendo y dijo que tenía usted que llegar antes de que él acabara. Si es usted de veras el señor D'Autremont, venga conmigo... Traje mi bote para llevarlo... ¿Vamos...?

El muchacho ha dado un paso hacia la puerta, pero se de­tiene observando el rostro de Francisco D'Autremónt, que le mira estupefacto, en la mano el mojado sobre de la carta que acaba de entregarle.. .Es un hombre alto y distinguido, que viste con extraordinaria elegancia... A su lado" Pedro Noel, su amigo y notario; rechoncho y bondadoso, mueve la cabeza como si no pudiese dar crédito -a lo que está viendo y escuchan­do, y con. sorpresa y disgusto a la vez, pregunta: '

—¿Llevar al señor D'Autremont en tu bote?

—¡Cuando digo yo que es un loco...! Lo mejor será lla­mar para que vengan a llevárselo... —insiste el criado.

—¡Quieto! —ordena D'Autremont. Luego, como recordando, murmura—: Bertolozi... Bertolozi...

—Dijo que fuera usted en seguida, que él, por desgracia, no podía esperar demasiado. Si .salimos ahora mismo, al ama­necer estaremos allá.

—Bertolozi se está muriendo..: — susurra D'Autremont.

—Eso aseguró el curandero... Que no llegará a mañana..;

Y le dejó un remedio, pero él no se lo quiso tomar y me mandó con esta carta... Dijo que usted tenía que ir allá...

—Pues está completamente equivocado. No conozco a nin­gún Bertolozi... —exclama D'Autremont, ceñudo.

—¡No es posible, señor! Si es usted don Francisco D'Autremont...

—¡No conozco a ningún Bertolozi! —recalca éste. Se vuelve hacia su amigo y le invita—: ¿Vamos, Noel?

—¡Pero, señor.. .1 —se lamenta el muchacho, Ha salido seguido del notario, sin volverse a mirar al muchacho, y salta ;el cochero del pescante para abrirle la puerta del carruaje. Por un instante contempla la mojada carta, la hunde luego en su bolsillo, y entrando al coche ordena con voz fuerte:

—Al palacio del Gobernador. ¡Pronto!

El muchacho se acerca, gritando implorante:

—¡Señor... señor... señor...!

Todo es inútil. El coche se ha alejado; el muchacho vacila un instante, y luego echa a andar bajo la lluvia que azota la calle...

Pedro Noel, el notario de la familia'D'Autremont, con las gruesas manos apoyadas sobre la empuñadura'de p l a t a de su bastón, mira de reojo al hombre que va a su lado. A pesar de la brusca respuesta dada al muchacho, a pesar de su gesto gla­cial, Francisco D'Autremont parece hondamente conmovido, profundamente preocupado. Tiene los labios apretados y las mejillas pálidas... Las inquietas manos cambian a cada instan­te de posición y con frecuencia palpan el húmedo sobre guar­dado en su bolsillo... Al fin, el notario, tras mirar y remirar, arriesga una palabra:

—¿No va usted a leer esa carta? Puede tratarse de .algo real­mente Importante. Cuando se obliga a un niño a venir desde el Cabo del Diablo hasta la ciudad, para traerla en una noche como ésta... será porque ese Bertolozi, a quien usted no conoce, tiene absoluta necesidad de decirle algo... —Baja la voz y, en tono insinuante, explica—: Bertolozi-.. A mí ese nombre me suena...

—¿Cómo...?

—De momento no pude recordarlo, mas ahora voy haciendo memoria... Andrés Bertolozi llegó a la Martinica hará unos quince años. Pertenecía a una de las más distinguidas familias de Nápoles... Trajo dinero para comprar una hacienda, y ad­quirió una bien extensa al Sudeste de la isla, con grandes plan­taciones de café, tabaco y cacao. Pronto se convirtió en un -hombre opulento, alegre y liberal, franco y expresivo, como la mayor parte de los italianos, y trajo consigo a su esposa: una bellísima muchacha de laque estaba locamente enamorado...

—¡Basta! —le ataja, airado, D'Autremont.

—Perdón... No creí importunarle. Me sorprende que no recuerde a Bertolozi. Usted estaba en Saint-Pierre cuando los días de su desgracia...

—¿A qué llama usted su desgracia?

—El principio de su desgracia fue la fuga de su esposa...

—¿Qué trata de insinuar?

—No insinúo, amigo D'Autremont... recuerdo. Bertolozi ju­ró públicamente matar al hombre que se la había llevado, pero el nombre de aquél quedó en el misterio. Ella desapareció para siempre y Bertolozi se dio a todos los vicios: bebía, jugaba, buscaba la compañía de las peores mujerzuelas del puerto... Al fin perdió la finca y, totalmente arruinado, desapareció él también. Pero recordando, recordando, me viene a la memoria algo que me dijo un amigo...

El coche se ha detenido frente a la puerta de la casa del Gobernador, mas Francisco D'Autremont no se mueve... Ten­so, crispado, vuelto hacia el notario, parece esperar sus ultimas palabras, que Pedro Noel pronuncia como a desgana, con una sutil insinuación resbalando de cada frase:

—Parece ser que el último pedazo de tierra que le quedaba era esa desnuda roca del Cabo del Diablo. Sobre ella, por sus propias manos, fabricó una cabaña, y allí es donde seguramente agoniza y desde donde le ha mandado llamar. ¿No le parece?

—Tiene usted la buena memoria más abominable que co­nocí jamás.

—¡Por Dios, amigo D'Autremont, es mi oficio...! Son tan­tas las historias que se escuchan cuando se manejan papeles de familia, que con frecuencia son el reflejo de dramas de alcoba. Por lo demás, Bertolozi fue un hombre interesante... Sus asun­tos dieron mucho que hablar, y su desgracia...

—No me interesa su desgracia. ¡Nunca fui su amigo!

—A veces, con ser enemigo basta para interesarse.

—¿Qué quiere decirme. Noel?

—¿Me autoriza para que hable francamente?

—¿Acaso no estoy pidiéndole que lo haga?

—Pues bien..; creo que debería usted leer esa carta, e ir a ver a su enemigo Bertolozi, al Cabo del Diablo...
Francisco D'Autremont, nervioso, ha oído las palabras del notario, y con gesto de rabia estruja en su bolsillo aquella car­ta que el muchacho le entregara momentos antes. Luego sonríe, tratando de vestir de ironía la inquietud que apenas puede ya disimular:

—¿No tenía tanto empeño en que llegásemos temprano a la fiesta del Gobernador?

—Hasta hace media hora era lo más importante que te­nía usted que hacer.

—Y ahora, ¿qué? ¿Le parece más importante que el Go­bernador y su fiesta, recoger el último aliento de ese vicioso, de ese borracho, de ese desdichado caído en todos los vicios, sólo porque una mujer le ha engañado?

—Era su esposa y él la amaba —responde Noel con suavidad—. Lo cubrió de vergüenza y él no logró jamás encontrarse con el agresor.

—¡No lo encontró porque no quiso buscarlo! —salta D'Autremont, con ira concentrada.

—Tal vez el otro supo ocultarse bien...

—¿Piensa usted que era un cobarde?

—No, claro que no puedo pensarlo. Sin duda, era capaz de afrontarlo todo todo, menos el escándalo. Por lo demás, tenía obligaciones graves, y Gina Bertolozi no lo ignoraba. Era casado... su esposa estaba a punto de darle un hijo... Yo no culpo a ese hombre, amigo D'Autremont... Son pecados de hombre... Más grave me parece no acudir a la llamada de un moribundo...

—¡Basta, Noel! Iré allá.

—¡Por finí Perdóneme por haber insistido tanto. Le conoz­co un poco, amigo D'Autremont, y sé que hay cosas que no se las perdonaría usted jamás.

—Entonces, ¿quiere usted presentar mis excusas al Gober­nador?

—Con verdadero gusto, amigo mío.

—Pues vaya. —De pronto D'Autremont exclama—: ¡Un mo­mento ..!

—No es preciso que me recomiende la discreción más ab­soluta —aclara Noel, comprensivo—. Es... mi oficio, amigo D'Autremont.


2

LA TORMENTA HA amainado. El mar está casi tran­quilo, y un viento fresco, casi. frio, llega con la proximidad del alba, barriendo las nubes.

El frágil bote, que resistió la tempestad, encalla en la arena de una profunda grieta, tallada en la roca viva por los golpes del mar, y otra vez salta el muchachuelo metiéndose en el agua para sacar a tierra la barquilla, dejándola a salvo. Luego, sus pies descalzos, endurecidos por la intemperie, trepan por los peñascos afilados, primero con agilidad de felino, después más lentamente, como si no quisieran llegar hasta el lugar a donde van... Ya en lo alto del farallón de rocas, parece como si fuesen de plomo... se detienen a cada instante, tiemblan como si fue­ran a tomar otro rumbo, y al fin llegan hasta el hueco sin puer­ta, entrada de la mísera cabaña que es la única habitación, hu­mana en el Cabo del Diablo.

Una voz de enfermo, cargada de rencor, pregunta:

—¿Quién es?

—Soy yo Juan...

—¡Juan del Diablo!

Del camastro donde yace, con febril esfuerzo se ha incor­porado un hombre que más parece, un despojo humano: la piel sobre los huesos; las mejillas hundidas; sucios, crecidos y revuel­tos el cabello y la barba... la boca, un hueco crispado de do­lor... por vestidos, unos sucios andrajos. Inspiraría compasión profunda si no fuese por su mirada: ardiente, audaz, desafiado­ra, cargada de odio, relampagueante de rencor, como cargadas de odio y amargura suenan cada una de sus palabras.

—¿Y el perro que te mandé buscar? ¿Viene contigo? ¿Dón­de está? ¿Dónde está el maldito Francisco D'Áutremont? ¡Co­rre... llámalo! Tráelo, dile que pase... ¡Un poco más y no puedo aguardarle!

—No vino conmigo—se excusa el muchacho.

—¿No...? ¿Por qué? ¿No hiciste lo que te dije, maldito? ¿No llegaste a su casa? No me obedeciste, ¿eh? Ahora verás...

Ha tratado de levantarse, pero cae de nuevo sin fuerzas, para quedar inmóvil, extenuado, los ojos vidriosos... El muchacho le mira impasible, sé acerca paso a paso, con una expre­sión extraña en sus profundos ojos altaneros, y afirma:

—Si; llegué a su casa...

—¿Y le diste la carta?

—Sí, señor, en la mano.

—¿Y no vino después de leerla?

—No la leyó. Dijo que no conocía a nadie que se llamara Bertolozi...

—¿Dijo eso el perro?

—Y se fue en coche a una fiesta donde lo estaban esperando.

—¡Maldito! ¿Y tú qué hiciste entonces? ¿Qué hiciste?

—¿Qué iba a hacer? Nada.

—¡Nada... Nada! Sabes que me estoy muriendo. -. sabes que necesito que venga, ¡y no haces nada! ¡Tenías que ser quien eres.. .1

—¡Pero, padre...! —suplica el muchacho.

—¡No soy tu padre! ¿Cuántas veces tengo que decírtelo? No soy tu padre. ¡Cuando esa maldita volvió a buscarme, cuando vino a buscar mi amparo, ya te traía en los brazos.. .1 ¡No eres hijo mío! Si ella, además de engañarme, me hubiera robado un hijo mío, yo la habría matado. Pero no, volvió con el hijo de otro, con el hijo de ese canalla... ¡contigo!

—¿Hijo de quién?

¿De quién... ¿de quién? ¿Quieres saberlo? Para decírselo, lo mandé llamar. Hijo de él, de ese, del que se iba en coche a una fiesta mientras yo veo acercarse a la muerte.. Del que me lo quitó todo, del que me lo robó todo, para darme, en cam­bio, a ti.

—¡Ñ o entiendo... no entiendo!

—¡Pues entiéndelo! Ese señor que te volvió la espalda, ese señor que te dijo que no me conocía... ¡es tu padre!

—¿Mi padre... ¿Mi padre...? —balbucea el muchacho en el paroxismo de la sorpresa.

—Pero no te preocupes... tampoco te conocerá ¡Qué asco!

—Señor Bertolozi... repítame eso. ¿Mi padre...? ¿Dijo us­ted que mi padre...?

—Tu padre es Francisco D'Autremont. ¡Díselo a todo el mundo, grítalo en todas partes! Tu padre es Francisco D'Autremónt... A él le debes toda tu desgracia. Le debes la miseria, le debes la vergüenza, le debes tu desnudez y tu hambre...Le debes el insulto que han de echarte a la cara cuando seas ; hombre, porque él manchó a tu madre! Todo eso le debes... Y ahora, cuando lo llamo porque me estoy muriendo, porque Vas a quedarte solo, se va a una fiesta donde lo están esperando.

—Un sollozo se quiebra en su garganta, dejando paso a la ternura—: Juan... Juan, hijo mio...

—¡Señor...!

—Te aborrezco porque eres hijo suyo, pero hay algo con lo que puedes limpiarte, lavarte esa mancha... Cuando seas hombre, busca a Francisco D'Autremont y haz lo que yo no hice, lo que no tuve el valor de hacer: mátalo. ¡Mátalo! —Y como si en estas palabras hubiese puesto el último hálito de su vida, cae desplomado al suelo.

—¡Señor... señor, señor ¡Respóndame! Lo ha sacudido en vano. ¡Andrés Bertolozi no responde­rá más!

Nadie en la costa; nadie en la honda grieta, entrada de la, estrecha playa; nadie en los imponentes farallones de rocas en los que rudamente se estrella el mar; nadie en lo alto .del promontorio del Cabo del Diablo; nadie en todo cuanto su vista inquisitiva alcanza... Ni alma viviente ni habitación ^ hu­mana ... Sólo una cabana miserable al amparo del negro pro­montorio que se adentra en el mar: el Cabo del Diablo.

Bien puesto tiene el nombre el abrupto paisaje, ahora más desolado bajo los espesos nubarrones grisáceos que envuelven las montañas... tan bajos, tan cerca de la tierra, como si qui­sieran también tragársela. Con paso firme. Francisco D'Autremont va hada aquella cabaña y llama con estentórea voz:

—¡Bertolozi!

El nombre suena hueco en la desnuda estancia sin puertas, sin ventanas, sin muebles casi... En el camastro se halla la forma rígida de un cuerpo que se destaca bajo una sábana, in­creíblemente limpia en aquel lugar... Impresionado, D'Autremont musita:

—Bertolozi...

De un tirón ha Bajado un poco la sábana para ver aquel rostro en el que la muerte puso ya su máscara, y apenas puede reconocer en él al hombre Joven, sano y arrogante, que fue su rival... Hay manchones de canas entre los revueltos cabellos oscuros, entre la espesa barba que cubre las mejillas adelgazadas, y hay también una sombra de suprema paz sobre los párpados cerrados... Estremeciéndose, Francisco D'Autremont cubre aquel rostro, y retrocede un paso. ...

Ha llegado tarde, demasiado tarde... Aquellos labios lívidos ya no le entregarán el secreto que guarda... Callan para siempre... Pero la mano de Francisco D'Autremont palpa ner­viosamente en sus bolsillos y extrae el arrugado sobre de aquella carta que aun no ha leído... La guardó-como puede guardarse un veneno, un arma, una dormida sierpe emponzoñadora. Pero ahora, frente a aquel cadáver, rasga el sobre y da un paso hacia la ventana sin hojas, por la que penetra la luz lechosa del día que nace...

"Con mis últimas fuerzas te escribo, Francisco D'Autremont, y te pido que vengas a mi lado. Ven sin miedo... No te llamo para intentar una venganza. Es tarde para que yo me cobre en sangre todo el mal que me has hecho y que le hiciste a ella. Eres rico y feliz, amado y respetado, mientras yo, hundido en la abyección y en la miseria, miro llegar la muerte como la úni­ca liberación posible. No he de repetirte cuánto te odio. Tú lo sabes. Si te matase con el pensamiento, te habría aniquilado; pero sólo yo mismo me he consumido poco a poco en la ho­guera de este rencor que me cubre el alma..."

Por un instante. Francisco D'Autremont ha interrumpido la lectura para contemplar la forma rígida que destaca bajo el lienzo blanco, sintiendo que la angustia le invade, que le es difícil respirar bajo el techo de aquella cabaña donde todo pa­rece rechazarlo, y otra vez vuelven sus ojos a la lectura...

"Me mata el odio más que el alcohol, más que el abando­no. .. Y por odio he callado durante muchos años. Hoy quiero decirte algo que acaso pueda interesarte. Esta carta la pondrá en tus manos un muchacho. Tiene doce años y nadie se ocupó jamás de bautizarlo. Yo le llamo Juan, y los pescadores de la costa le dicen algo más: Juan del Diablo... Poco tiene de ser humano. Es una fiera, un salvaje... Lo crié en el odio... Tie­ne tu corazón malvado, y yo he dado, además, rienda suelta a todos sus instintos. ¿Sabes por qué?" Voy a decírtelo por si no te decides a venir a escucharme: Es tu hijo..."

La carta ha temblado en sus manos... Con ojos agranda­dos -de angustia mira a todas partes, pero los renglones des­iguales le atraen como letreros de fuego, y bebe de un sorbo él resto de veneno de aquellas palabras...

"Si lo tienes delante, míralo a la cara... A veces es tu vivó retrato... Otras, se parece a ella... A ella... la maldita... Es tuyo... Tómalo... Tiene el corazón envenenado y el alma dañada de rencor. No sabe más que aborrecer... Si lo llevas contigo, será el peor castigo que puedas tener... Si -lo aban­donas, será un asesino, un pirata, un salteador de caminos, que acabará en la horca... Y es tu hijo... Tiene tu misma san­gre... ¡Esa es mi venganza!"

— Pálido de espanto primero, rojo de indignación un instan­te después, Francisco D'Autremont ha estrujado aquella carta, último mensaje de su rival vencido, de su enemigo inmóvil para siempre ya; triunfador en la muerte, tanto como en la vida fue derrotado... Con súbito impulso de irrefrenable cólera, ha ido hasta el camastro, descubriendo el rostro del Cadáver, y le espe­ta, tembloroso de horror y de rabia:

— Mientes! ¡Mientes! ¡Esto no es verdad! .¿Por qué no me esperarte con-vida para obligarte a confesar! ¡Embustero! ¡Co­barde! ¡Como siempre fuiste, tenías que portarte, hasta el final! ¡Cobarde, si... cobarde! Jamás me buscaste cara a cara... Ja­más, como hombre, me pediste cuentas... Y ahora... ¿por qué no estás vivo? ¿Por qué no me aguardaste? —Ha retrocedido tambaleándose, cegado por un vaho rojo que forma en torno suyo. como una atmósfera de irrealidad—. ¡Eres el más vil de los embusteros, pero no vas a alcanzarme con tu torpe vengan­za! ¡No! ¡No!

—¡Señor D'Autremont! —llama, suave, la voz de Pedro NoeL

—¡Eso no es verdad! ¡Eso no es verdad!

—¡D'Autremontl —insiste Noel, acercándose— ¡D'Autremont!

—¡Cobarde... Canalla...! —Amigo'mío... ¿pero está' usted loco?

—¿Eh? ¿Qué? —reacciona, por fin, D'Autremont. Está usted enfermo, trastornado... Vuelva a la realidad... —Noel... Amigo Noel...

—Cálmese, por favor... Cálmese...

Francisco D’Autremont se ha contenido con tremendo es­fuerzo, alejándose del camastro donde yace el cadáver, mientras Pedro Noel se acerca respetuoso.

—Es un embustero... ¡Un embustero y un canalla...! —sentencia D'Autremont con voz sorda.

—Ya no es nada, amigo mío, sino un triste despojo. Déjelo, y vamos...

—¿Cómo está usted aquí? —interroga D'Autremont, salien­do del marasmo de su estupor.

—Me pareció conveniente venir a buscarlo... Bautista me dijo el camino que había usted seguido. Creo que llegué a tiempo... y usted, en cambio, demasiado tarde. Pero venga, vamos...

—Aguarde... Aguarde... ¿Dónde está el muchacho?

—¿Qué muchacho?

—El que llevó la carta... ¿Dónde está?

—No sé... No he visto a nadie. Supongo que el desdicha­do Bertolozi vivía en la más absoluta soledad.

—El niño vivía con él... ¿Dónde está?

—Repito que no he visto a nadie, pero si usted se empe­ña... ¡Oh, mire...!

D'Autremont se ha vuelto con viveza'... Muy cerca del camastro, sentado en el suelo, tras los desvencijados muebles de la casa —una mesa y un par de sillas rotas—, está el muchacho que fue hasta Saint-Pierre llevando aquella carta, y arden con un extraño fuego sus ojos oscuros bajo el pelo enmarañado que le cubre la frente...

—¿Qué haces ahí escondido, muchacho? —indaga Noel—. Le­vántate ... Levántate, que el señor te está buscando...

Juan se ha levantado lentamente, sin dejar de mirar a Francisco D'Autremont, que siente enrojecer sus mejillas bajo aquella mirada... Es una mirada que acusa, que condena... acaso que pregunta...

—¿Estabas ahí? ¿Estabas ahí desde que yo entré? —quiere saber D'Autremont—: ¡Responde!

—Sí, señor —contesta el muchacho—. Ahí estaba...

—¿Por qué te escondías? —pregunta Noel.

—No estaba escondido... Estaba ahí...

—Sin decir una sola palabra... —se queja D'Autremont.

—¿Y qué tenía yo que decir?

El muchacho se ha puesto de pie. Es ano para su edad, delgado y redo, inquieto y ágil como un animalillo montaraz, y D'Autremont se vuelve a él, sujetándolo bruscamente por los brazos...

—Me has estado espiando, oyendo mis palabras... Sí, ¿ver­dad? ¿Conocías tú el contenido de la carta que llevaste?

—¿Cómo?

—¡Que si habías leído esa carta...! ¡Responde! —le apre­mia D'Autremoht, airado.

—¡Oh, suélteme! Yo no lo estaba espiando... ¡Suélteme! No tiene por qué sujetarme... Tampoco leí la carta.. No sé leer...

—Naturalmente, amigo D'Autremont —interviene, conciliador, Pedro Noel—. iQué ocurrencia! ¿Cómo va a saber leer este pobre muchacho!

—¿Te había dicho él lo que me escribió en esta carta? ¡Res­ponde la verdad! —D'Autremont se dirige al muchacho, en tono amenazador.

—Ya he dicho que no —responde el muchacho.

—Por favor, amigo D'Autremont —aconseja Noel— Cal­ma... Calma…

Francisco D'Autremont se ha alejado unos pasos, apretados los puños y trémulos los labios, mientras el notario mira bon­dadosamente al muchacho inmóvil, duro y hosco, y le pregunta:

—¿A qué hora murió .el señor Bertolozi?

—No sé... Hace tiempo ya...

—¿No has avisado a nadie?

—Llegué hasta las cabañas de allá abajo... Allí me dieron esa sábana... Después me dijeron que vendrían los de la jus­ticia... Pero yo no-estaba espiando a nadie... —insiste con terquedad—. Ese señor dice...

—ei señor D'Autremont está nervioso por todo cuanto ha pasado. Tu actitud le pareció extraña, pero nada más. Ven acá... acércate un poco... Comprendo que tú también te sientes mal. ¿Qué eras tú del señor Bertolozi? ¿Amigo? ¿Parien­te? ¿Criado?

El muchacho se ha erguido. Su mirada, como una flecha, se ha clavado en Francisco D'Autremont, que vuelve ya sobre sus pasos, mirándolo de frente. Un instante se cruzan en el airé aquellas dos miradas extrañamente iguales... y el notario, tras contemplarles, indaga con suavidad:

—¿No sabes lo que eras del señor Bertolozi? Probablemente, vecino nada más... ¿Eres de la aldea de pescadores que está allá abajo?

—No... Yo vivo aquí... El señor Bertolozi era... Era mí: padre...

—Efectivamente —suspira D'Autremont—. Creo que este mu­chacho es hijo de Andrés Bertolozi y de su infortunada esposa. La enfermedad y el alcohol debieron enloquecer a Bertolozi en sus últimos tiempos... Ha debido decir tantas cosas extra­ñas, que el pobre muchacho está trastornado...

Su mano temblorosa ha querido posarse en la cabeza de Juan, que con un brusco movimiento lo esquiva. Luego, con gesto de desaliento, D'Autremont sale lentamente de la cabana, y Noel va tras él. Unos pasos más adelante se detiene y el no­tario interroga a su amigo:

—¿Me permite preguntarle qué va usted a hacer?

—Haré que sepulten a BertoÍozi con decencia. ¿Querría ocu­parse de eso? —contesta D'Autremont con tristeza, sereno, ya dueño de sus emociones.

—Naturalmente, si usted lo dispone...

—Pienso salir para mis tierras mañana, de madrugada...

—¿Y el muchacho?

—Lo llevaré conmigo.

—¡Ah... ¡ ¿Pero querrá irse?' No creo que ustedes hayan simpatizado.

—Confio en su buena mafia para conquistarlo. Noel.

—Perdóneme una última pregunta. ¿Leyó, por fin, la fa­mosa carta?

—La leí y la rompí en el acto. Sólo decía locuras y dispa­rates. Por eso sé que Andrés BertoÍozi estaba completamente loco. ¡Absolutamente trastornado!

Pedro Noel se ha llevado al muchacho, alejándolo un tanto de la cabaña, rumbo al camino que por otra vía comunica con la ciudad aquel paraje desolado. Han pasado las horas, y los oscuros y rutinarios trámites para dar sepultura al cuerpo de Bertolozi tocan ya a su fin. Sólo queda aquel último punto delicado que Francisco D'Autremont encargara a su diplomático amigo y notario.

—El señor D'Autremont va a llevarte con él. ¿Sabes lo que eso significa? Te llevará a su casa, donde van a tratarte bien, donde hay toda clase de comodidades. Tu vida va a cambiar...

—¡No... no quiero! —protesta el muchacho, huraño.

—¿Que no quieres? No puedo creerlo. Seguramente no he logrado que entiendas mis palabras... El señor BertoÍozi ha muerto. No te queda nada qué hacer por acá.

—¡No quiero irme!

—No seas terco... Vas a una hermosa casa donde gozarás de todas las comodidades, donde vivirás como un ser humano. El señor D'Aütremont quiere ampararte, es muy bueno...

—¡No! ¡No! ¡No es verdad! ¡No quiero ir con él!

—Pues tendrás que hacerlo, por las buenas o por las ma­las. No van a hacerte ningún daño... Al contrario... Pero será peor para tí que te lleven a la fuerza, metido en un saco como un mono salvaje.

—jSi me llevan a la fuerza, me escaparé!

—Y te volverán a atrapar... —dice el notario, afectuoso—. Pero, ¿por qué eres tan terco, muchacho? Mira... ¿quieres que hagamos un trato? Yo voy a ir con ustedes; pasaré dos o tres días en Campo Real, que es la hacienda del señor D'Autremont. Si no quieres quedarte allí, cuando yo regrese para Saint-Pierre, te traigo.

—¿Por qué no me deja con usted desde ahora? Yo sé tra­bajar en muchas cosas: cortar leña, cuidar caballos... Yo...

—Perfectamente. Te ocuparás de todo eso cuando volvamos a casa. Pero, por el momento, tienes que complacer al señor D'Aütremont. Te equivocas al pensar que no es bueno; es bue­no y generoso, posee una linda casa de campo, su esposa es una bella dama, distinguida y amable, y tiene un hilo que poco más o menos tendrá tus mismos años. Seguramente te querrá para que estés con él, para que le acompañes en sus juegos y seas algo así como su pequeño lacayo. Lo vas a pasar bien, Juan.

—Yo prefiero quedarme con usted... o que me dejen solo.

—Solo no vamos a dejarte. Yo te llevo, y...

—Y me trae... Me trae después... me da su palabra... ¡Yo no quiero quedarme allá!

—Bien, hombre, bien. Te llevo y te traigo. Eres un ingrato con el señor D'Autremont. Al menos, tienes que tratar de de­mostrarle tu gratitud por su buena voluntad. Anda, ve para el coche, que allí viene él y tengo que hablarle.

—¿Qué pasa, amigo Noel? —pregunta D'Autremont.

—Se resistió bastante, pero logré amansarlo con la promesa de ir yo con ustedes y traerle de regreso si no se halla a gusto. El prefiere quedarse conmigo, y no lo tome usted a desaire. Es un muchacho raro, pero me temo que extraordinariamente inteligente a pesar de su aspecto rudo y salvaje.

—¿Temer? ¿Por qué?

—Es una manera de hablar. Al fin y al cabo, siempre es preferible tratar con inteligentes que con brutos. Este nos ha probado ser un valiente. El viaje que hizo anoche en ese bote, y con esa borrasca, precisa un temple que muchos hombres no hubieran tenido. Parece, además, altivo, reservado, con cierta dignidad natural. Nada de eso es común en quien vive como un mendigo. Se le ve cierta casta...

—¡Deje en paz su casta! Lo recojo porque supongo que era lo que quería pedirme Bertolozi, pero nada más. A mi esposa no tenemos por qué darle detalles de nada de eso. La imaginación de las mujeres todo lo enreda. Esperó que no se sorprenda usted demasiado si me oye contar alguna historia distinta referente al muchacho.

—Me temo que es usted quien va a enredarla, porque ape­nas se peine y se lave la cara, ese muchacho no podrá pasar por ningún mestizo. ¿Se ha fijado en que es un buen mozo? Sus grandes ojos italianos recuerdan extraordinariamente a los de la infortunada Gina Bertolozi. ¿No se ha fijado?

Noel le ha observado, viéndole palidecer, apretar los la­bios... Luego, Francisco D'Autremont encoge los hombros, forzando el gesto despreocupado, al comentar:

—No he tenido tiempo de mirarle bien a la cara. De un modo o de otro, ya se arreglarán las cosas. Y. en el peor de los casos, (todavía soy yo el que manda en mi casa).


3

—¡MAMA. MAMAITA!... POR ahí viene ya papá. ¡Por ahí viene…

Brillantes los ojos de alegría, un momento encendidas por la emoción las mejillas, habitualmente pálidas que enmarcan los lacios cabellos rubios, un muchacho como de doce años ha entrado en la alcoba de la señora D'Autremont, que abre los ojos, incorporándose lentamente en la amplia hamaca en que descansa.

—¿Ya? ¿Es posible? ¡Pero si no lo esperaba yo hasta el sábado!

Sofía D.'Autremont tiene una belleza delicada y frágil... grandes ojos de color turquesa, cabellos rubios, suaves y lacios como los del muchacho, y, como éste, pálidas mejillas de color ámbar.

Un momento ha desaparecido su gesto doliente ante la noticia que acaba de traerle su hijo. Y ya de pie, da unos pasos apoyándose en los delgados hombros de éste.

—¿Estás seguro que es tu papá quien llega?

—Pues claro, mamá, Sebastián vino corriendo a avisar. Di­ce que desde i lo alto de la loma vio a papá en su caballo blan­co, y detrás los tres coches de la caravana. A lo mejor vienen llenos de regalos...

—¿Para ti?

—Para ti, mamaíta. Si ha llegado barco de Francia, papá te traerá de todo: telas de seda, perfumes, bombones y todas esas cosas que siempre te trae. Yo le pedí un reloj de bolsillo. ¿Me lo traerá?

—Seguramente, hijo. Pero llama a mis doncellas... A Isa­bel, a Ana... a la primera que encuentres. Tengo que peinar­me, que vestirme...

—¡Señora, señora...! Dicen que el señor está llegando para acá —exclama Ana, la doncella, irrumpiendo en la alcoba.

—¿Tú ves? ¿Tú ves, mamaíta? (Ya. está aquí)

—¡Jesús! Ayúdame a peinarme. Ana. De cambiarme de ro­pa no hay tiempo, pero…

—La señora está, como siempre, linda y arreglada. No miente la doncella mestiza. Como siempre, la; señora D'Autreimont está impecable. Un fino traje blanco adornado con amplios encajes, medias de seda, zapatos de tacón Luis XV y un fino aderezo con el que muy bien podría presentarse en cualquier centro elegante de su tierra natal. Sin embargo, sólo está en la gran casa, centro de las plantaciones de Campo Real, mansión enorme y sólida, de amplísimas estancias suntuosas, grandes lámparas y pisos brillantes como espejos; tan lujosa, tan señorial, con sus lunas de Venecia y sus consolas doradas, que resulta anacrónica en el corazón de aquella isla americana, tórrida y salvaje; pero es digna morada ,de la frágil dama que avanza paso a paso sobre el pulido parquet, una mano apoyada en el brazo de su doncella favorita, otra sobre la dorada cabeza de aquel hijo único tan extraordinariamente pareado a ella.

—¡Ahí está papal —grita el muchacho, alejándose alborozado. Ha corrido al encuentro del jinete que ya se detiene frente a la entrada principal y desmonta de un salto del brioso caba­llo, arrojando las riendas a la media docena de sirvientes que han acudido para atenderle y saludarle. Y desde la semipenumbra de la ancha galería, Sofía D'Autremont contempla, con ojos de celosa enamorada, la figura varonil, altanera y'gallarda, an­te la que todos se inclinan, porque él amo de Campo Real es soberano indiscutible de la tierra que pisa.

—¿Me trajiste el reloj, papá?

—No; hijo. No tuve tiempo de buscarlo.

—¿Y la caja de colores? ¿Y las cuerdas para mi mandolina?

—Lo siento, pero en este viaje no hubo tiempo para bus­car nada.

—Francisco... —murmura Sofía, acercándose a su esposo.

—Sofía... ¿cómo estás? —indaga D'Autremont, afectuoso y tierno.

—Como siempre... Pero dejemos mis achaques. ¿Cómo es que has regresado tan pronto? Todavía no te esperábamos...

—Supongo que no te disgusta el que haya adelantado mi regreso —contesta D'Autremont en tono jovial.

—¿Disgustarme? ¡Qué cosas -dices! Es una sorpresa gratísi­ma; pero una sorpresa, al fin y al cabo. ¿Qué pasó? ¿No llegó la fragata que esperaban? ¿Suspendieron las fiestas preparadas en honor del Mariscal Pontmercy? ¿O acaso le traes tú?

—¡Oh, no, no!.Ni siquiera he visto al Mariscal Pontmercy.

—¿Qué ha pasado? ¿Alguna desgracia? El tiempo ha estado terrible estos últimos días...

—No, ninguna desgracia. La fragata entró sin novedad y las fiestas deben estarse celebrando.

—Pero...

—No me interesó quedarme a ellas, Sofía. Eso es todo.

—Pensé que te agradaría departir con un compatriota ilustre. Seguramente traerá cosas interesantes qué contar. Podría­mos tener noticias...

—¿Chismes de salón o intrigas políticas? ¿Para qué puede servirnos aquí, querida? Estamos a siete mil millas de Francia y hasta el sol nos alumbra a distintas horas.

—No por eso podemos olvidar a nuestra patria—le repro­cha Sofía.

—Mi patria es ésta, querida. Porque aquí está mi casa, está .mi hijo y estás tú. En esta isla, que sólo para tu salud ha sido inhospitalaria. ¿Pero'no sientes curiosidad en ver lo que , te traigo?

— Se ha vuelto hada el macizo de flores que envuelve la es­calinata, entrada principal de aquella mansión, donde acaban de detenerse los tres carruajes que forman la caravana que le seguía. Uno totalmente vacío, del otro descienden ya sus servi­dores particulares, y del tercero, que es el más próximo,, baja Pedro Noel casi arrastrando al hosco muchacho que ha sido su compañero de viaje. Las finas cejas de la señora D'Autremont se juntan en un gesto de extrañeza que es casi, casi de disgus­to, al comentar:

—Pedro Noel....' ¿Pero a quién trae?

—A alguien que puede entretener tus ratos de ocio y los de nuestro hijo Renato —explica D'Autremont.

—¡Un muchacho!— salta, alegremente, Renato—. ¡Me tra­jiste un amigo, papá!

—Justamente. Has dicho la palabra exacta. Te he traído un amigo. Me agrada mucho que lo hayas entendido en el pri­mer momento. Un amigo, un compañero....

—¿Pero qué estás diciendo. Francisco? —interrumpe Sofía, con disgusto reprimido.

—Traiga usted a Juan, Noel —le indica a éste, D'Autremont.

—Señora D'Autremont —saluda Pedro Noel, aproximándo­se— es un gran honor para mí el poder presentarle mis respe­tos. —Luego, dirigiéndose a Renato, exclama—: ¡Hola, buen mozo!

—Buenos días, señor Noel —corresponde Renato.

—Este es Juan... —explica D'Autremont, presentándolo.

—¿Juan? ¿Juan qué? —quiere saber Sofía.

—Por el momento, Juan a secas. Es un huérfano desampa­rado, para el que espero no falte un rincón en esta casa tan grande.

—Juán... a secas, ¿eh? —recalca Sofía, con retintín.

—También me llaman Juan del Diablo —aclara el hosco muchacho, imperturbable.

—Jesús, María y José —se escandaliza la doncella per­signándose.

— Hay un momento de estupor general, y también alguna risa ahogada, cuando Noel, mundano, interviene:

—Excúselo, señora. El diamante todavía está sin tallar.

—Ya lo veo... Y sin separarlo de la broza —dice Sofía, en tono mordaz—. Los caballeros son una verdadera calamidad. A ninguno de los dos se les ha ocurrido bañar a este muchacho antes de meterlo en el coche.

—Es un olvido que puede remediarse —explica D'Autremont, conteniendo su manifiesto disgusto—. Hazte cargo de él, Ana. Llévalo al baño, arréglalo, péinalo y ponle ropa limpia de Renato.

—¿De Renato? —se extraña Sofía.

—No creo que ya pueda usar la mía.

—Ni cabe en la de mi hijo.

—Todo puede compaginarse —interviene Noel, concilia­dor—. Seguramente no faltará ropa de alguien, que pueda ser­virle.

—La negra Paula es la encargada de la ropa de los jorna­leros —aclara despectiva la. señora D'Autremont—. Pídele una camisa-y unos pantalones para este muchacho. Ana.

—Yo "tengo un traje que me queda grande, mamá —ofrece Renato—. Todavía no lo he estrenado, precisamente por eso: Es el de paño azul...

—Lo mandaron de regalo tus tíos desde Francia —se opone Sofía con creciente disgusto.

—Se lo ha ofrecido de buena voluntad —comenta D'Autremont en tono suave, pero con determinación—. No le cortes el impulso generoso, Sofía; Nuestro Renato tiene; ropa para vestir a diez muchachos. Ve con Juan y con Ana, hijo, y piensa que, para él éste es un mundo nuevo por el que tú. vas a guiarlo. —Volviéndose a su esposa, le suplica con amabilidad—: Tú ven conmigo, querida. Yo también voy a ponerme un poco más presentable. —Y alzando la voz, llama al criado—: Bautista... Lleva al señor Noel a la habitación que suele ocupar y encár­gate de que nada le falte.

—Por mí no se molesten —se disculpa Noel—. Me considero de la casa.

—Y lo es. Dentro de media hora, Sofía nos hará servir un aperitivo que tomaremos juntos antes de sentarnos a la mesa, ¿verdad? Hoy te veo muy bien, tienes muy buena cara, Sofía... Seguramente podrás acompañarnos y será. un gran placer para nosotros. La mesa es otra cuando tú nos acompañas...

Ha salido Pedro Noel, seguido por el criado, y quedan so­los los esposos D'Autremont. Sofía no puede ocultar los celos que le corroen el alma, al preguntar:

—¿Quién es ese muchacho?

—Sofía querida, cálmate...

—y tú respóndeme... ¿Quién es ese muchacho? ¿De dónde lo sacaste y . para qué le has traído aquí? ¿Por qué no me contestas?

—Voy a contestarte, pero por partes. Se llama Juan y es un huérfano...

—Eso ya lo dijiste —le interrumpe Sofía, nerviosa—, y es lo único que sé. Se llama Juan del Diablo... una respuesta bas­tante insolente de su parte, cuando nadie le preguntaba nada.

—No hay insolencia en su respuesta, Sofía. Se trata del apodo que seguramente le daban los pescadores, por el lugar en que estaba ubicada la cabaña de sus padres.

—¿Qué lugar era ése?

—Bueno... cerca de lo que llaman el Cabo del Diablo. —D'Autremont intenta restarle importancia—. Hay allí una al­dea de gentes muy humildes, muy pobres, que remiendan redes y componen barcos. Entre esa pobre gente...

—Entre esa pobre gente hay muchos huérfanos, hay muchos muchachos mendigos y miserables en los arrabales de Saint-Pierre. Jamás se te ocurrió traer a ninguno, y mucho menos dárselo a tu hijo como amigo... como hermano, diría yo.

—iSofia!

—¡Es la forma en que has traído a ese pordiosero! —excla­ma Sofía, arrebatada ya por la ira—. Y creo que tengo derecho a preguntarte: ¿por qué lo traes así? ¿Qué tienes tú qué ver con él? ¿Por qué no puede vestirse con ropa de los jornaleros, y pretendes que estrene los trajes de Renato? ¿Por qué ha de ser nuestro hijo quien tiene que darle la bienvenida, y es en esta casa donde hemos de encontrarle un rincón, habiendo cien barracones de jornaleros donde siempre cabe uno más?

—Siempre te tuve por mujer de nobles y generosos senti­mientos cristianos, Sofía.

—No me falta la caridad para tos desgraciados, y más de una vez te pareció excesiva.

—Cuando se trataba de desmoralizar a. los que son mis ser­vidores, a los que por fuerza tengo que hacer que me conozcan como señor y amo. No puede manejarse una hacienda, que es como una provincia, sin el respeto absoluto a una autoridad, sin disciplina y sin castigos que obliguen a respetarla. Por eso discutimos en más de una ocasión. En este caso...

—En esté caso, todo es diferente. Lo sé, lo veo y lo palpo

—Pues bien, Sofía... Sí... Voy a decirte al verdad. Ese muchacho es el hijo de un hombre con el que yo me porté mal. Un hombre que se arruinó por culpa mía. Ha muerto deján­dolo en la más espantosa miseria. Creo un deber de conciencia. ampararlo. —Duda un momento—. ¿Qué pasa? ¿Por qué me mi­ras de ese modo? ¿Es que no me crees?

—Me parece muy extraño. Has arruinado a muchos, y no trajiste sus hijas a casa... Mejor cabría pensar la historia de otro modo. ¡Ese muchacho es el hijo de una mujer a la que tú has amado!

Con esa acusación recta y precisa, como un venablo dispa­rado contra la fría coraza de indiferencia con que en vano pre­tende revestirse Francisco D'Autremont, han ido las palabras de Sofía dando justamente en el blanco. Por un momento ha pa­reado a punto de estallar en uno de sus arranques de violenta cólera. Luego, lentamente, se ha dominado, porque aquella mujercita rubia y frágil, doliente como una flor de estufa, es la única persona que parece tener la facultad de amansar en él los ímpetus bravios, de resolver sus tormentas en una sonrisa o en un gesto ambiguo que cuaja después en forzada actitud galante

—¿Por qué te empeñas en pensar siempre lo que más pue­da mortificarte? —Pienso mal para acertar... y acierto, por desgracia.

—En este caso, no...

—En este caso más que en ninguno. ¿De qué amor es el fruto esa criatura? ¿Por qué no tiene nombre? Ese hombre a quien arruinaste, a quien quieres satisfacer recogiéndole el hijo, ¿qué apellido tenía? ¿Cómo se llamaba?

—Bueno, el caso es que el muchacho es hijo natural de este hombre de que hablo, que no llegó a darle el apellido... Se descuidó, son cosas que pasan. Al prometerle hacerme cargo de él, tranquilizaba, además, su conciencia. Y no querrás que falte a la promesa que hice a un hombre que murió bendiciéndome, sólo porque en esa linda cabecita le ha entrado una idea tan descabellada como la que acabas de manifestar.

—No vas a ablandarme con historias sentimentales...

—Entonces tendré que concretar las cosas: he prometido, he jurado ayudar al muchacho.. No creo que pueda molestarte en lo más mínimo. Yo mismo me encargaré de educarlo...

—¿Cómo a otro hijo...? —insinúa amargamente Sofía.

—Como un amigo y leal servidor de Renato —corta, tajante, D'Autremont—. Le enseñaré a quererlo, a defenderlo," a prestar­le su ayuda y su protección cuando llegue el caso.

—¿Su protección?

—¿Por qué no? Nuestro hijo no es fuerte ni audaz.

—Me lo echas en cara como si yo fuera la culpable.

—No, Sofía, no quiero llevar esta discusión adelante, pero si hemos de considerar la verdad, nuestro hijo, por un exceso de cuidados y mimos de tu parte, no es lo que debiera ser para las luchas y responsabilidades que caerán sobre él el día de ma­ñana. Ya te lo dije antes: le falta valor, fuerza, audacia. Tiempo es que comience a adquirirlas cuanto antes'.

—Mi hijo irá a educarse a Europa. No quiero que se haga hombre en este medio salvaje.

—Tengo para él proyectos contrarios: quiero que se haga hombre aquí, que conozca a fondo el terreno en que ha de des­envolverse, que sepa gobernar, el día de mañana, el pequeño reino que voy a legarle. Si hubiéramos tenido una niña, serías tú la que dijeras sobre ella la última palabra. f.s un muchacho y necesito que se haga un hombre. Por eso hablo y mando.,

—¿Y ese chiquillo que trajiste...?

—Ese chiquillo es casi un hombre ya, y servirá a las mil maravillas para mi empeño. Me encargaré de enseñarle que to­do se lo debe a Renato y que es su deber dar la vida por él si es preciso. ¡Esa será mi venganza!

—¿Venganza de qué?

—Del destino, de la suerte, o como quieras llamarle. Te rue­go que no hablemos más del asunto, Sofía. Déjame a mí arre­glar las cosas.

—¡Júrame que lo que me has dicho es verdad!

—Puedo jurártelo. No te he dicho nada que sea mentira. Además, no estoy haciendo nada con carácter definitivo. Sólo trato de darle al muchacho una oportunidad de probar que vale la pena ayudarlo. De lo que él me demuestre ser, dependerá su porvenir. Si tiene en las venas la sangre que dice que tiene, sabrá demostrarlo.

—¿Qué sangre?

—¿Dan ustedes su permiso? —Es Pedro Noel, que llega en el preciso instante en que la situación se hace ya insostenible entre los esposos.

—Adelante, Noel —invita D'Autremont, aspirando profun­damente y agradeciendo en su fuero interno la llegada de su amigo—. Llega usted en el momento oportuno de que tomemos ese aperitivo de que hablé antes. No te molestes, Sofía. Yo mismo ordenaré que lo traigan. —Y al decir esto se aleja, de­jando solos a Sofía y a Noel.

Sofía ha hecho un vago ademán de detenerle, tensa el alma en la respuesta no obtenida a sus últimas palabras, pero queda inmóvil, turbada por aquella mirada con que Pedro Noel parece envolverla, adivinando hasta sus más recónditos pensamientos.

—A veces vale más no ahondar demasiado en las cosas, ¿ver­dad? Admitir, sin profundizar demasiado, que hasta los mejores hombres tienen, caprichos, debilidades y cometen errores lamen­tables, que con un poco de indulgencia pueden disimularse,-evi­tando males mayores.

—¿Qué trata de decirme, señor Noel?

—En concreto nada, señora. Hablaba por hablar, como ha­blo muchas veces; pero mientras cruzaba esta preciosa casa, pa­ra acercarme aquí, pensaba que son ustedes un matrimonio real­mente dichoso y que conservar esa felicidad merece cualquier pequeño sacrificio de amor propio.

—¿Para qué me está preparando. Noel?

—Para nada, señora... ¡qué ocurrencia! Es usted demasiado sensata para necesitar de un consejo mío, mas si por casualidad me preguntara cuál es en mi opinión la mejor forma de lle­varse con el señor D'Autremont, yo le respondería que esperara. Mi padre, que fue notario de los D'Autremont, en Francia, me decía siempre: "La cólera de un D'Autremont es como un hu­racán: violenta, pero pasajera". Oponerse a ella en el momento del arrebato, es una verdadera locura. Pero pronto pasa, y en­tonces es el momento de reparar lo que destrozaron...


4

—¿VES QUE BIEN estás? Pareces otro. Mírate en el espe­jo —dice Renato a Juan.

—¿El espejo... ?

—El espejo, claro... Aquí. Mírate. ¿No habías visto nunca un espejo?

—Tan grande, no. Es como un pedazo de agua quieta.

—No le pases la mano, que lo empañas —prohibe Bautis­ta, el criado—. ¡Habráse visto el salvaje...!

—Déjale en paz. Papá dijo que no lo molestara nadie.

—¿Y quién lo está molestando? ¿Qué más quiere él? Juan ha retrocedido un paso para mirarse de pies a cabeza en el espejo que tiene delante. Es, efectivamente, como un gran trozo de agua quieta que le devuelve entera su imagen... una imagen en la que parece otro, aunque es la primera vez, en los doce años de su vida, que puede contemplarse como ahora lo está haciendo. Hay un gran asombro de si mismo en la oscura mirada. Aunque tiene la misma edad que Renato D'Autremont, es bastante más alto; su cuerpo, delgado y musculoso, tiene agi­lidad de felino; sus manos son anchas y fuertes, casi como las de un hombre; su frente es amplia y altanera, y sus rizados ca­bellos negros, ahora peinados hacia atrás, la dejan libre, dán­dole un vago parecido con el señor de Campo Real; la nariz es recta; la boca, firme y apretada en gesto amargo, que haría demasiado duro aquel rostro infantil sin los grandes ojos ne­gros, aterciopelados... aquellos admirables ojos italianos, igua­les a los de Gina Bertolozi.

—Ahora, ven para que te vean papá y mamá.

—¿Con el señor...? ¿Con la señora...?

—¡Pues claro! El señor y la señora son papá y mamá.

—Para ti, pero no para éste —interviene Bautista, despec­tivo—. Yo creo que no debes llevarlo al salón.

—¿Por qué no? Papá me dijo que tenía que enseñarle toda la casa, mis libros, mis cuadernos, mis trebejos de pintar, mi mandolina y mi piano.

—Enséñale todo lo que gustes, mas si no quieres disgustar a la señora, 'no lo lleves al salón, ni a su cuarto, ni a donde ella pueda mirarle. ¿Entendiste? Y tú, entiéndelo también: si quie­res quedarte en esta casa, no te pongas por delante a la señora.

Solo, en aquella aislada habitación que es a la vez biblio­teca y despacho, Francisco D'Autremont ha vuelto a leer la carta que hundiera, arrugada, en sus bolsillos. La ha leído len­tamente, desmenuzándola, deteniéndose en cada palabra, tratan­do de penetrar hasta el fondo cada una de sus frases. Después va hacia la pared central y, apartando unos libros, busca en el fondo de un estante la puerta disimulada de una pequeña caja de hierro, y arroja allí el papel, como si le quemara las manos.

—¡Eh! ¿Quién anda ahi? —indaga al oir cerrarse, cautelosa­mente, una puerta.

—Yo, papá.

—Renato, ¿qué haces escondiéndote en mi despacho?

—No estaba escondiéndome, papá. Entraba para darte las buenas noches...

—En todo el día no había vuelto a verte. ¿Dónde estabas?

—Con Juan...

—Podías haberte acercado con Juan. ¿Cómo le quedó, por fin, tu traje?

—Como hecho para él. A mí me quedaba grande, muy gran­de. Lo que no le sirvieron fueron mis zapatos. Se lo mandé de­cir a mamá con Bautista, mas ella dijo que no importaba que estuviera descalzo. Pero eso es feo, ¿verdad?

—Sí, muy feo. ¿Dónde está ahora Juan?

—Lo mandaron acostarse.

—¿Dónde... ?

—En el último cuarto del patio de los criados —explica el muchacho, en tono compungido—. Bautista dijo que así lo man­daba mamá.

—¡Ya! ¿Y por qué no te acercaste a mí en todo el día?

—Porque andaba con Juan, y Bautista dijo que mamá no quería que Juan se le pusiera por delante. Y como tú has es­tado todo el día con mamá... Claro que tú me habías manda­do llevarlo por toda la casa, mas como dijo eso Bautista... ¿Hice mal?

—No. Tienes que obedecer a tu madre, como es natural.

—¿Y a tí no?

—A mí más que a nadie —contesta D'Autremont, tajante— Mañana nos pondremos de acuerdo tu madre y yo. Ahora, ve a acostarte. Buenas noches...

—Buenas noches, papá.

—Aguarda... ¿Qué te parece Juan?

—Me encanta.

—¿Te has divertido con él? ¿Has jugado? ¿Le has enseñado tus cosas?

—Si, pero no le gustaron. Estaba muy serio y muy triste. Después salimos al jardín... nos fuimos más allá, y entonces comenzó lo bueno: Juan sabe montarse en los caballos sin en­sillarlos, y tirar piedras, tan fuerte y tan alto, que alcanza a los pájaros que van volando... Y caza lagartijas y sapos. Cogió viva una serpiente con una horqueta que hizo de un palo, y le dio vuelta y la metió en una caja. Y no lo mordió, porque él sabe cómo agarrarla. Me dijo que si tuviéramos un bote iba yo a ver cómo se pesca... porque él sabe tirar las redes y sa­car peces.

—Me lo imagino. Supongo que ése fue. su oficio.

—¿De veras, papá? ¿No es mentira que él puede andar solo en un bote por' el mar?

—No es mentira... pero sigue contándome. ¿Qué más pa­só con Juan?

—Se burlaron de él en la barranca porque andaba descalzo y con mi traje de paño azul... Le dio una trompada al que estaba más cerca, el cual era más grande que él, y lo tiró de espaldas. Los demás se fueron. Pero no vas a castigarlo, ¿ver­dad, papá?

—No. Hizo lo que me gustaría que tú hicieras si se rieran de ti alguna vez.

—Pero de mí no se ríe nadie... Se quitan el sombrero cuando paso, y si los dejo, me besan la mano.

D'Autremont se ha puesto de pie con gesto extraño. Ha acariciado la rubia y lacia cabellera de su hijo; lo empuja sua­vemente hasta la puerta del despacho y lo despide:

—Vete a dormir, Renato. Hasta mañana.

Francisco D'Autremont ha cruzado su enorme casa, llevan­do en la mano una pequeña lámpara de petróleo, ha atravesado el patio de los criados hasta llegar a la entornada puerta de aquel último cuarto, donde sobre un jergón de p a j a, rendido por las duras emociones del día, duerme el pequeño Juan.

Un instante alza la luz, iluminándolo. Mira el pecho des­nudo, la cabeza bien formada, el rostro de nobles y regulares rasgos... Así, con, los ojos cerrados, parece borrarse en él el parecido maternal, y los duros rasgos de la raza paterna desta­can en el rostro infantil...

—¡Hijo! ¿Hijo mío...? ¡Quizás... Quizás... ¡ Una duda sutil y penetrante, una duda que al brotar pare­ce romper en su corazón algo duro y frío, subiéndole del pecho a la garganta, como puede subir la lengua quemante de una llama, ha inundado el alma de Francisco D'Autremont. Solo, contemplando a aquel niño que duerme, ha sentido por fin el impulso buscado en vano desde antes... Puede que Bertolozi no mintiera, puede que fueran verdad sus últimas palabras... Y, por primera vez, no es un sentimiento indefinible, mezcla de curiosidad y rencor, lo que le llena el alma. Es como un hondo orgullo, como una profunda satisfacción, un violento deseo de que, en verdad, sea de su propio tronco aquélla rama robusta, ruda y audaz, síntesis ardiente de su espíritu de aventura y de combate. Cualquier hombre podría estar orgulloso de pensar hijo suyo a aquel muchacho extraordinario, endurecido como un hombre frente a la desgracia, y la pregunta se hace afirma­ción en sus labios:

—¡Hijo mío! ¡Sí! ¡Hijo mío...!

Con emoción que le hace temblar, descubre los rasgos igua­les: la frente recta y altanera, las cejas anchas y pobladas, el enérgico mentón cuadrado y duro, los largos brazos musculosos, el pecho alto y ancho... y, por contraste doloroso, piensa en Renato, rubio y frágil, aun cuando brilla en sus ojos claros la mirada de una inteligencia superior; en Renato, tan igual a su madre, heredero legal de su fortuna y su apellido, su único hijo ante el mundo...

—¡Francisco! —le interpela Sofía con voz alterada, penetran­do en el humilde recinto—. ¿Qué pasa? ¿Qué haces aquí? ¿Qué significa esto?

—Soy yo el que puedo preguntarte —dice D'Autremont, re­haciéndose de la sorpresa-. ¿Qué significa esto, Sofía? ¿Por qué no estás ya descansando?

—¿Puedo acaso descansar, cuando tú...?

—Cuando yo, ¿qué? ¡Acaba!

—Nada... pero quisiera saber desde cuándo vas tú, con una lámpara, comprobando y velando el sueño de los criados.

—¡No es un criado!

—¿Qué es? ¡Dilo de una vez! ¡Dilol

—¿Eh? ¿Qué? —es Juan que despierta a causa de las alte­radas voces—. El señor D'Autremont... La señora...

—No te muevas... quédate donde estás... Duerme... des­cansa. .. y mañana ve a buscarme en cuanto te levantes —le aconseja D'Autremont.

—¡Para que me hagas el favor de llevártelo de esta casa!

—¡Calla! ¡No vamos a hablar delante del muchacho! Bruscamente la ha tomado del brazo, obligándola a salir al patio, encendidos los ojos con aquel arrebato de cólera vio­lenta que le es tan peculiar, y con ira a duras penas contenida, la acusa:

—¿Es que has perdido el juicio, Sofía?

—¿Crees que me falta razón para perderlo? —se exalta So­fía—. ¿Crees que no tengo motivos para estar desesperada? ¡Es­tabas ahí, viéndole dormir, contemplándole como nunca miraste a nuestro Renato!

—¡Basta, Sofía, basta...!

—¡Ese niño es tu hijo! No puedes negarlo. Es tu hijo. Tu hijo... y de alguna de esas perdidas con las que siempre me has engañado. ¿De qué charca lo sacaste para traerlo a mi ho­gar, para darlo por compañero a mi hijo?

—¿Vas a callarte?

—¡No! ¡No me callaré! ¡Que me oigan los sordos! ¡Porque no voy a tolerarlo! ¡Es hijo tuyo y no lo quiero aquí! ¡Sácalo de esta casa! ¡Sácalo, o seré yo la salga con mi hijo!

—¿Quieres dar un escándalo?

—¡No me importa! ¡Saldré para Saint-Pierre! El Goberna­dor...

—¡El Gobernador no hace sino lo que a mí me de la gana!

—asegura D'Autremont bajando el tono de voz, que lo vuelve más amenazador—. ¡Vas a hacer el ridículo!

—El Mariscal Pontmercy fue amigo de mi padre, conoce a mis hermanos... ¡El tendrá que ampararme! ¡Porque yo...!

—¡Calla! ¡Calla!

—¡Papá.. .! ¿Qué le haces a mamá...? —grita Renato, acer­cándose angustiado.

D'Autremont ha soltado el cuello blanco que ya locamente apretaban sus manos; ha retrocedido tambaleante, mientras su hijo le hace frente con impulso fiero:

—¡No la toques! ¡No le hagas daño, porque yo... yo...!

—¡Renato! —reprende D'Autremont.

—¡Yo te mato si tú le pegas a mamá!

D'Autremont ha retrocedido aun más, apagada de pronto su rabia, totalmente desconcertado... Un momento mira sus manos que llegaron hasta el cuello de Sofía, luego; bruscamente, vuelve la espalda y se pierde entre las sombras...

—¡Renato!... ¡Hijo!.... —exclama Sofía, rompiendo a llorar.

—Nadie te hará daño, mamá. Nadie va a hacerte nunca daño. Al que te haga daño, ¡yo lo mato!


5

—¿QUE ES ESO? ¿El señor D'Autremont...? -Es Noel, el notario, quien hace la pregunta a Bautista, el criado.

—Sí... Es el caballo blanco del amo... El diablo anda suelto en esta casa desde que llegó ese maldito muchacho.

—¡Calle! ¡Calle! ¡Algo ha tenido que pasar...! Pedro Noel ha salido apresuradamente de la lujosa alcoba donde le han instalado. No le basta mirar por la ventana. Sale al ancho portal que rodea la casa, baja las escalinatas de pie­dra, sigue con ojos sorprendidos la blanca silueta de aquel ca­ballo que a la luz de la luna se pierde ya sobre los campos, y exclama:

—¡Señor... Señor...! ¡Pero qué barbaridad!

Otros ojos han visto alejarse la arrogante figura que es Francisco D'Autremont sobre su caballo favorito. Otros ojos infantiles, abiertos de sorpresa, acaso de espanto. Es Juan. Todo lo ha oído desde aquel último cuarto del patio de los criados, y ahora, fuera ya de la casa, corre como trastornado hasta que una mano cae sobre su brazo, reteniéndole rudamente...

—Y tú, a dónde vas? —inquiere Bautista.

—A dónde vas, te estoy preguntando...

—Yo iba... Yo...

—No tienes que ir a ninguna parte sino a la cama, a.donde te han mandado hace ya dos horas...

—Es que el señor D'Autremont...

—No te importa lo que haga .el señor D'Autremont.

—Pero la señora Sofía...

—Esa menos te importa lo que haga.

—Es que yo vi, yo oí. .. Yo no quiero que por culpa mía...

—En lo que pase por culpa tuya, tampoco te tienes que meter. Tú no te gobiernas ni te mandas. Te han traído para que obedezcas y para que te calles. Anda a tu cuarto. Anda a tu cama, si no quieres que te lo diga de otra manera. ¡Anda! —Le ha dado un rudo empujón, metiéndolo en el cuarto, y cerrándolo con llave.

—¡Ábrame! ¡Ábrame! —grita el muchacho, golpeando con tuerza la puerta.

—¡Cállate, condenado! Ya te abriré cuando venga el amo. ¡Cállate!

—Ana, necesito hablar inmediatamente con la señora.

—La señora no quiere ver a nadie, señor Noel. Tiene la ja­queca ... y cuando la señora tiene la jaqueca, no quiere ver a nadie.

La voz lenta, sin modulaciones, empalagosa y recargada de la doncella favorita de la señora D'Autremont, se extiende como blanda barrera deteniendo el ímpetu del notario, que iba a cruzar ya bajo los cortinajes que dan entrada a las habitaciones privadas de Sofía.

—Lo que tengo que decirle es importante —porfía Pedro Noel.

—La señora no oye a nadie cuando le duele la cabeza. Dice que cuando le hablan, le duele más. Además, es muy temprano.

—Anunciame, dile que es urgente, y ya verás cómo me ha­ce pasar.

La doncella mestiza ha sonreído mostrando su dentadura blanca, mientras mueve la rizada cabeza adornada con una di­minuta cofia de encaje a la moda francesa. Suave y tozuda, terca y mansa, parece tener el don de agotar la paciencia del notario.

—¿No has oído que avises a tu señora? ¿Por qué te quedas ahí parada?

—Para avisarle a la señora tengo que hablarle, y la señora no quiere que le hablen cuando le duele la cabeza...

—¿Qué pasa...? —interrumpe Sofía, saliendo de su alcoba.

—Perdóneme, señora, pero es necesario que hablemos unos minutos... Es importante.

—Mucho debe serlo cuando viene usted a las seis de la mañana.

—Es que el señor D'Autremont no ha regresado desde ano­che en que salió a caballo.

—¿No ha regresado?

—No, señora, y nadie sabe a dónde fue ni por qué salió de ese modo. Yo le vi pasar como alma que lleva el diablo y pre­gunté a los sirvientes, pero ninguno pudo darme razón.

Sofía ha hecho un leve gesto de cansancio, apoyándose en su doncella. Ni las lágrimas largamente lloradas, ni. la noche de insomnio cambian en nada su aspecto siempre igual: pálida, frá­gil como una flor de invernadero semiasfixiada entre estufas, da la impresión de escuchar siempre por primera vez hasta las cosas que mejor sabe. En este caso, sus labios se aprietan levemente y un breve y rojo relámpago de rencor cruza por su mirada.

—¿Qué es lo que pretende usted que yo sepa Noel? —Dicen que salió después de hablar con usted. Yo sé que estos días ha sufrido emociones muy desagradables, que se en­contraba en un desastroso estado de inquietud, de zozobra, de violencia contenida...

—Pues sabe usted más que yo. Por lo visto, es el triste destino de las mujeres: que no se nos entere de nada. Ha venido usted al peor lugar a informarse...

El notario ha buscado al niño, con la mirada inquieta, pe­ra Renato ha aprovechado la oportunidad para salir de las ha­bitaciones de su madre. Ya del otro lado de las cortinas, se detiene un instante para oir con interés las palabras del notario.

—Me atrevería a pedirle un poco de paciencia para el señor D'Autremont en estos días, señora. Usted es la única persona que puede aliviar su carga o hacerla más pesada; porque, aun­que tal vez haya usted llegado a dudarlo, su esposo la adora, Sofía.

—Pues tiene una extraña manera de adorarme —se lamenta Sofía, con amargura—. Pero eso, desde luego, es un asunto per­sonal y privado. Concretando: no sé a dónde ha ido Francisco ni por qué ha pasado la noche fuera de casa. Y ahora, excúse­me, estoy muy ocupada: preparo mi viaje a Saint-Pierre, con Renato. Puede decírselo a mi esposo si es él quien le ha enviado a informarse de mi estado de ánimo. Salgo para Saint-Pierre . y ya envié una carta al Mariscal Pontmercy para que me haga el favor de recibirme apenas llegue yo a la capital.

Libre de la compañía de su madre y de la vigilancia de Ana, Renato se ha alejado a buen paso. Su cabeza arde... las ideas y los sentimientos parecen girar dentro de él en revuelta amalgama. Aquellas duras palabras que jamás escuchara entre sus padres, aquella violencia de Francisco D'Autremont, a la que hizo frente por amor de hijo y por instinto de caballerosi­dad, todo el cúmulo de sucesos extraños que parecen girar en torno suyo, se agolpan sobre el cielo azul de su feliz infancia, haciéndole sentirse, por primera vez en su vida, terriblemente desdichado. No quiere hablar a los: sirvientes, no quiere au­mentar con comentarios la pena de su madre... pero necesita confiar a alguien la angustia, que llena su corazón de niño. Piensa en su amigo... Por eso busca a Juan. Pero el cuarto en qué le creía encerrado, está vacío. De la ventana abierta sobre el campo, falta un barrote qué deja al descubierto el hueco por donde Juan escapara... Lo busca .con un ansia nunca sentida, con la amarga sensación de desamparo de quien ve vacilar, por primera vez, a los que fueran para él evangelio y oráculo: sus padres...

Por la misma brecha que abriera Juan, Renato se desliza también,, saltando a la pendiente al mismo tiempo que llama a gritos al fugitivo:

—¡Juan... Juan...!

Acaba de verlo, ya bastante lejos de la. casa, junto a aquel arroyo de cauce pedregoso que baja a saltos desde la montaña, impetuoso y violento como lo es todo en aquella isla surgida de los mares al soplo de un volcán, y llega hasta él, sofocado por la carrera.

—Juan, ¿por qué no contestabas?

Despacio, Juan se ha puesto de pie, mirándolo casi con des­agrado. Siente por él una especie de rencor. Es tan distinto a todos los muchachos que él viera hasta entonces... Con aquel rubio y lacio cabello demasiado largo, el ceñido calzón de pa­na, la camisa de seda blanca... es como un muñeco de porce­lana que se hubiera escapado de uno de los adornos- del salón. Pero Renato le sonríe de un modo varonil y franco, y los claros ojos le miran afectuosos, sinceros, en una corriente de irresisti­ble simpatía, a la que "Juan del Diablo" resiste encogiendo los hombros...

—¿Para qué andas gritando? ¿Quieres que me atrapen?

—¿Acaso te escapaste?

—¡Claro! ¿No me ves?

—Humm... Bautista le dijo a Ana que te había encerrado para que no molestaras; y yo, en cuanto pude, me escapé del cuarto de mamá para ir a abrirte la puerta.

—Para no molestar, me largo.

—¿Largarte? ¿Quieres decir que te vas?

—Pues claro. Pero no sé por dónde... ¡No quiero estar aquí más!

—Pero papá quiere que estés, y yo también. Eres mi amigo y no voy a dejarte. No te vayas, Juan. Yo, ahora, también estoy triste... El señor Noel le dijo a mamá que tú habías sido muy desgraciado, que habías sufrido ya demasiado para tus años, y yo, entonces, no lo entendí bien, porque no sabía lo que era sufrir de verdad.

—Y ahora lo sabes?

—Sí... porque ahora estoy triste. Papá, de pronto, se vol­vió malo.

—¿De pronto? ¿Nunca habían peleado antes?

—No... Nunca. ¿Pero cómo sabes que pelearon? ¿Estabas despierto anoche?

—Ellos me despertaron...

—¿Quiénes? ¿Papá y mamá? Pues a mí, no. Yo estaba levan­tado. Papá me había mandado dormir, pero yo, a veces, no le hago caso. De pronto lo vi pasar y pensé que iba a regañarte por lo que yo le había contado que hiciste en la tarde. Después pasó mamá, entonces esperé un rato, hasta que oí que gritaban, y cuando llegué... Bueno, si estabas despierto lo oíste todo. Papá... —la voz se quiebra en su garganta—. Papá se portó mal con mamá.

Ahora es él quien rehuye la 'mirada de Juan, como si le avergonzara pensar que éste había escuchado la escena pasada. Pero Juan aprieta los labios sin responder, sintiéndose hombre frente a Renato, con la instintiva conciencia de que debe ca­llar, seguir callando aquel secreto torturante que no sabe si es mentira o verdad...

—Yo no sé cómo empezó la pelea. Oí que mamá quería ir a Saint-Pierre y que papá no quería dejarla. Y se puso furioso cuando ella dijo que iría de todos modos a ver al Gobernador y al Mariscal ese... que no sé ni cómo se llama, pero que era amigo de mi abuelo... Y entonces... si lo oíste, ya lo sabes. Tuve que meterme para defender a mamá y papá y yo que­damos peleados. El se fue a caballo y todavía no ha vuelto a la casa. Por eso estoy triste...

Renato ha aguardado una respuesta, un comentario, pero nada responde Juan, ceñudo y silencioso, por lo que interroga con suavidad:

—¿Tú crees que papá no volverá más? Yo sé que hay hombres que se enojan mucho y se van para siempre de su casa.

—Seguro que vuelve.

—¿Crees que vuelva? ¿De verdad? —exclama Renato, con alegría. Mas acto seguido, le invade la preocupación—. ¿Pero seguirá peleando con mamá si vuelve? ¿Y a mí, Juan? A mí, ¿crees que papá no va a quererme más?

—¿Querer... ?

—¿No sabes lo que es querer? ¿Nunca te quisieron? ¿Nunca quisiste a nadie? ¿Ni a tu mamá?

—Yo no tuve...

—Todos tienen. Será que no te acuerdas. Las mamas son muy buenas y cuando uno es pequeño lo cuidan mucho y lo duermen en los brazos. Todos tienen. Hasta los mas pobres, los que viven en las barracas., . Algunos no se acuerdan, pero to­dos tuvieron madre... —De pronto se voltea y exclama—: ¡Oh! Mira esa gente que viene por allá.

—¡Ahí Sí... parece como que traen un muerto...

—¿Un muerto?

—¿No sabes lo que-es un muerto? ¿Nunca viste un muerto?

—No, nunca lo vi. Pero... eso no es un muerto. .. Es una camilla de ramas. Traen a un hombre acostado.

—Herido o muerto...

—¡Es papá! —casi grita Renato, con el espanto reflejado en su blanco rostro—. ¡Es papá!


6

—¿QUE SUCEDE? —SE alarma Sofía.

—Aun vive, señora —responde Pedro Noel, triste pero se­reno a la vez—. Y mientras hay vida, hay esperanza.

Anonada, derrumbada por la brutal impresión de la noti­cia, Sofía se ha desplomado sobre los almohadones de un sofá, cubriéndose el rostro con las manos, mientras musita:

—¡Francisco...¡ ¡Francisco...!

—Desde que le vi salir de esa manera, temí un accidente. Por eso hice que le buscaran por todas partes.

—Pero, ¿qué ocurrió? ¿Cómo fue? —quiere saber, en su an­gustia, la señora D'Autremont.

—Supongo que, en su cólera, hizo galopar al caballo hasta desbocarse por senderos muy escarpados. Naturalmente, fueron a dar al fondo de un barranco. Salió loco, ciego de ira... ¡Ni siquiera permitió que le ensillaran el caballo!

—¿Dónde está? ¡Quiero verlo!

—Ahora le traen. Me adelanté para prevenirla, y ya envié un hombre con el caballo más rápido, a traer un médico de la capital. Cayó de una gran altura... ¡Ahí están ya!

—Francisco... Francisco mío, ¿puedes verme? ¿Puedes oirme?

Inclinada sobre el lecho amplísimo, conteniendo con esfuer­zo las lágrimas que se agolpan en sus párpados, Sofía D'Autremont espera con ansia la palabra que puedan pronunciar los labios temblorosos de Francisco; pero es inútil, sólo los párpa­dos se alzan con esfuerzo y la mirada vaga se fija en ella: mi­rada de un alma que se desprende ya de las ligaduras terrenales.

—¿Me oyes? ¿Me entiendes? ¡Francisco... Francisco mío!

—Creo que es inútil... —expresa Noel tristemente.

—¡No... no diga eso! —se desespera Sofía—. Ese médico, ese médico que mandó usted buscar, ¿cuándo estará aquí?

—Me temo que tarde bastante. Por desgracia, se ha perdi­do mucho tiempo. El accidente ha debido sufrirlo hace varias horas ya... Y luego, traerlo hasta aquí...

—Re... nato —susurra, con esfuerzo, D'Autremont.

—¿Eh...? —Es Sofía que siente aletear en su corazón un hálito de esperanza.

—Renato... —vuelve a murmurar D'Autremont.

—Ha dicho Renato —comenta Sofía.

—Sí; llama a su hijo —explica Noel—. Lo llama, quiere verle, quiere hablar con él. ¿Dónde está?

—¡Renato... hijo! ¡Ven acá!

Sofía ha alzado la voz y ha ido hacia la puerta, donde los dos muchachos, mudos, tensos, cogidos de la mano, contemplan la dolorosa escena, y de un brusco tirón los separa arrastrando a su hijo hasta el lecho del moribundo, cuyos párpados han vuelto a alzarse y en cuyas pupilas tiembla la luz de un ansia, de un anhelo imperioso...

—Aquí lo tienes, y aquí estoy yo también. Francisco mío.

—Renato... vas a quedar en mi lugar...

—No digas eso —interrumpe Sofía—. El médico vendrá en seguida y te pondrás. bien.

—Pronto serás tú el amo de esta casa... —Ha hecho un enor­me esfuerzo, levantando la cabeza para mirar el grupo que for­man, junto a él, el hijo y la madre. Y su mano se alza hasta tocar la frente infantil nimbada de cabellos rubios—. Sé que cuidarás de tu madre... que sabrás defenderla cuando yo ya no esté. De eso estoy bien seguro... Pero hay algo más... que quiero pedirte: ¡cuida de Juan Cuida de Juan, Renato... quiérelo y ayúdalo... ¡como si fuera tu propio hermano!

—¡Francisco... Francisco! —se angustia Sofía.

—Perdóname, Sofía... y no impidas que Renato cumpla mi última voluntad. ¡Oh.. .!

—¡Señora... Señora!, el médico está llegando... el médi­co de la capital está llegando —anuncia Bautista, que se acerca presuroso y sofocado—. Ya lo vieron salir del desfiladero, ya viene para acá...

—Tarde... tarde... ¡demasiado tarde! —grita Sofía, deba­tiéndose en las garras de la desesperación.


7

LOS FUNERALES DE Francisco D'Autremont duran ya tres días. La viuda no quiso que fuese trasladado a Saint-Pierre, y es en la pequeña iglesia de Campo Real, aquella finca con honores de pueblo, donde su cuerpo ha sido puesto en capilla ardiente entre cirios y flores, y a donde llegan a rendirle el postrer homenaje, desde los más humildes hombres que trabajan sus tierras, hasta las más importantes personalidades de la capi­tal: el Gobernador, los altos funcionarios del Estado, el Maris­cal Pontmercy y la alta oficialidad de la fragata, que sólo por eso retrasó su hora de zarpar. En la amplísima casa, en los jar­dines, en los caminos, es el ir y venir silencioso y constante: un ajetreo sin sonrisas ni alegría, que, transida de dolor el alma, con un hondo y contenido tormento que no desborda en sollozos ni en lágrimas, preside la frágil mujer que le ha sobrevivido, contra lo que todo el mundo podría esperar.

Olvidado de todos, el lujoso traje de paño azul roto y manchado, los cabellos revueltos y los pies desechos, ronda Juan la pequeña iglesia blanca con una ansia incontenible de acer­carse al que yace para siempre, al que le mandaron aborrecer los labios de Bertolozi, y al que extrañamente, sin embargo, ama con un sentimiento contuso, sordo, profundamente doloroso, que le hace sentir una sensación de desamparo como no la sintió nunca en su abandono, y murmura para sí:

—¡Padre! Era mi padre... Era mi padre... Ya está junto al féretro, en la capilla atestada de flores, donde milagrosamente no hay nadie en este instante... sólo la frágil forma enlutada de una mujer a quien el muchacho no ha visto, una mujer que se acerca temblando de cólera, apenas le ve apoyar las manos en el borde de la caja mortuoria. Es So­fía que. con ira apenas contenida, le grita:

—¿Qué haces aquí? ¿Por qué has entrado aquí? ¡No tienes nada que buscar! ¡Vete! ¡Lárgate! ¡Vete donde yo no te vea más! ¡Vete para siempre, maldito!

Ciega de una cólera que en vano trata de ahogar en su garganta, Sofía ha señalado a Juan la puerta de la capilla, mien­tras el muchacho retrocede trémulo, sintiendo que el gesto y las palabras de aquella mujer le hieren y le ofenden como nadie le ofendió jamás. Ahí, muy cerca, para siempre inmóvil y helado en su lujosa caja, está el hombre que le dio el ser, el padre que con tardío arrepentimiento trató de ampararle. Y es la pri­mera vez en sus doce años, que en su corazón hosco y selvático está a punto de florecer un sentimiento de ternura... Pero de un golpe, la voz y las palabras de aquella mujer lo han destro­zado. Retrocede, la mira de frente y sale como un sonámbulo, mientras Renato D'Autremont se acerca por la puerta contra­ria, indagando:


—Mamá, ¿qué pasó? ¿Por qué echas a Juan?

—¡Deja tranquilo a Juan! Quédate aquí, al lado, junto al féretro de tu padre... donde debes estar.

—Pero papá mandó...

—¡Calla!

Le ha apretado el brazo, obligándole a callar, mientras en la puerta del frente, de par en par abierta sobre el campo, apa­recen ya las figuras imponentes del Gobernador y del Mariscal Pontmercy.

Comienza la hora más solemne de los suntuosos funerales. Los dedos de Sofía se aflojan soltando el brazo de Renato, las lágrimas acuden a sus ojos, y un sollozo amarguísimo estalla al fin en su garganta, mientras Renato escapa de allí...

—¡ Juan... Juan!

—Déjame, Renato. Me voy ahora mismo...

—¡No puedes irte! Papá no quiere que te vayas!

—La señora me ha echado.

—Ya lo oí... pero no importa. Papá me mandó que te cuidara.

—¿Tú? ¿Cuidarme tú?

—¿Qué te crees? Después de papá y mamá, soy yo el que manda.

—Ahora tu papá está muerto y la única que manda es la señora. Ella no quiere verme más... Me dijo que me fuera...

—Que te fueras de la iglesia, pero no de Campo Real. Saint-Pierre está muy lejos. Tienes que ir en coche o a caballo. Ade­más, no van a dejarte salir.

—¿Quién no va a dejarme?

—Los criados, los trabajadores... y los soldados. ¿No viste cuántos soldados hay?

—Sí... pero no tienen nada que ver conmigo.

—Sí tienen que ver. Papá no quería que te fueras. Todo mundo lo sabe. Si te ven, te sujetarán, te encerrarán...

—¡Y me escaparé!

—No sabes el camino...

—Sé que caminando por la orilla del mar, siempre llega uno a Saint-Pierre.

—Bueno... si encuentro un bote, llegaré antes.

—¿Y pescarás en el bote?

—Claro, puesto que tengo que comer.

—¿Te comes el pescado que pescas, así, igual que lo sacas?

—Es mejor que morirse de hambre.

—¡Llévame contigo, Juan!

—¿A ti? ¿Estás loco?

—¡Llévame contigo! Yo quiero aprender a pescar y a ma­nejar un bote. Cuando sea grande, seré marino y mandaré una fragata, como el Mariscal.

—Cuando seas grande, irás de viaje. Ahora no.

—Me voy y luego vuelvo, como hacía mi papá. El siempre dijo que cuando él llegara a faltar, yo mandaría en la casa y seria tanto como él. Ahora, quiero ir contigo y tengo dinero pa­ra comprar un bote...

—¿Tienes dinero? ¿Dinero tuyo? ¿Tuyo? —Juan se muestra interesado.

—Pues claro. Tengo mucho dinero en una caja...

—¡ Niño Renato! —llama la voz de Bautista, el criado.

—Ya te están buscando —sonríe Juan, despectivo—. Figúra­te lo que harían si te fueras.

—Nos vamos con todo mi dinero si me esperas a la noche. ¿Sabes dónde? Allá abajo, al lado del arroyo...

—¡Niño Renato! —vuelve a sonar la voz del criado, ya más cerca.

—Ahora tengo que irme. Me escapé nada más para decirte' que no te fueras. Pero si me llevas contigo, no importa... Nos vamos y cuidaré de ti como quiere que haga mi papá.

—¿Pero estás sordo, niño? —dice Bautista, acercándose donde se encuentran los muchachos—. Tu mamá me mandó a buscar­te. Ya tienes edad para entender que debes estar a su lado...

—Ya voy, Bautista. No tienes que gritar...

—No grito, pero la señora se desespera—contesta el criado bajando la voz. Más en seguida, en tono áspero, exclama—Ah! También me dijo que te buscara a ti y que no te dejara marchar. ¿Entendiste? Espera por ahí a que la señora disponga de tu suerte, porque ahora es ella, y sólo ella, la que manda en esta casa.

Las horas han pasado lentamente. El cuerpo de Francisco D'Autremont se halla ya bajo tierra; los importantes funciona­rios que acudieron desde la capital, han regresado a ella tras rendir sus respetos a la viuda, y un silencio espeso, tanto de pena como de agotamiento y de cansancio, cae sobre la suntuo­sa morada, sobre los fértiles campos, sobre las cien barracas de los trabajadores, cual si un crespón de luto flotara sobre el cielo que ya envuelven las sombras en la opulenta hacienda de Cam­po Real.

Sin embargo, hay luz en las habitaciones de Sofía, a cuyas puertas llega Bautista, el más fiel y antiguo de sus servidores, trémulo y demudado.

—Señora... el niño no aparece por ninguna parte.

—¿Qué?

—Cuarto por cuarto hemos buscado, Isabel, Ana y yo, por toda la casa. He mandado a recorrer los campos y a preguntar por las barracas,. pero tampoco está.

—¡Era lo único que faltaba!

—Señora D'Autremont... me dijo Ana... —Es Pedro Noel, que irrumpe en la alcoba de Sofía.

—Renato ha desaparecido —explica, angustiada, Sofía—. No lo encuentran, no dan con él. Lo han buscado por todas partes.

—Por favor, cálmese... No puede haber ido muy lejos. Estaba junto a usted hace una hora escasa. Se habrá escondido en algún rincón, como hacen los niños cuando tienen pena...

—Si mi hijo tiene pena, debe estar a mi lado.

—Efectivamente; pero son reacciones extrañas de las cria­turas. ¿Qué razón de él da Juan?

—Esa es otra —interviene Bautista—. Lo primero que hice fue buscarlo para preguntarle si sabía del niño, pero el tal Juan tampoco aparece por ninguna parte.

—Pues deben estar juntos —supone Noel.

—Es lo que temo. Que el tal Juan arrastre al niño, quién sabe a qué extravagancias. Es peor que una fiera el tal mucha­cho. Es un verdadero salvaje...

—Cuando yo digo... —se queja Sofía.

—Basta, Bautista. No alarme a la señora más de lo que es­tá —ordena el notario.

—Usted sabe que le tomamos por loco en Saint-Pierre —recuerda Bautista—, cuando entró a llevarle al señor aquella carta...

—¿Qué? ¿Qué carta? —interrumpe Sofía, animosa y alarmada.

—Le ruego que se calme —suplica Noel suavemente—. Cuando sucede una desgracia, todo son pronósticos trágicos. Pero no hay verdadera razón para alarmarse. Estoy seguro de que no los han buscado bien. En una hora no puede recorrerse, como pretenden, la finca y la casa. Permítame que sea yo quien me encargue del asunto, señora....

—Yo tengo ya en movimiento a toda la servidumbre, pero ojalá que el tal Juan no haya llevado muy lejos al niño. No me olvido de que pretendía llevar en su bote al señor, aquella noche en que caían chuzos de p u n t a y llovían rayos...

—¿A dónde quería llevarlo? —pregunta Sofía, intrigada.

—Sofía, por favor, cálmese. El muchacho llegó con una car­ta de su padre, que se estaba muriendo, para pedirle al señor D'Autremont que lo amparara. El asunto no tiene nada de par­ticular. Y ahora, ¡vamos a buscar a Renato!

—Juan... —llama débilmente Renato.

—Aquí estoy. ¿Traes la p l a t a?

—Pues claro. Mírala. Con todo y caja...

—La caja no sirve; echa las monedas en tu pañuelo, y va­monos.

—¿Mi pañuelo?

—Yo no tengo. Me las echas en el tuyo y me haces el favor completo. ¡Anda!

Rudamente, como si aquel viejo rencor contra el mundo entero, que Andrés Bertolozi derramara en su alma, se hubiera despertado en aquellas últimas horas, ardiente y total, Juan casi ha arrebatado de manos de Renato el pañuelo repleto de monedas, acercándolas, para mejor mirarlas, a la clara luz de la luna y, sorprendido, confirma:

—Son monedas de p l a t a...

—Pues claro. Y hay dos de oro. Míralas... Cada una de éstas vale por cien de p l a t a. Papá siempre me regalaba una moneda de oro el día de mi cumpleaños... Muchas las gasté. Se compran muchas cosas con una moneda de oro... Tendre­mos un bote grande, grande, de esos con velas, y navegaremos en él por todos los mares...

—¿Oyes? —alerta Juan, aguzando el oído.

—Sí —afirma Renato con la mayor tranquilidad—. Nos es­tán buscando, pero no por este lado. Piensan que le tenemos miedo al arroyo crecido...

—Yo no le tengo miedo a nada. Me voy ahora mismo. Ha anudado fuertemente las monedas en el pañuelo, atán­dolo luego a su cintura. Rápidamente se despoja de la chaqueta, subiéndose las piernas del pantalón y las mangas de la ca­misa, mientras Renato le contempla fascinado.

—¡Renato... niño Renato...! —Desde lejos llega la voz de Bautista.

—Es a ti a quien buscan —explica Juan, en un murmullo.

—¡Juan... Juan...! ¿Dónde estás? —Se oye también, leja­na, la voz de Pedro Noel.

—También a ti te buscan ¿Por dónde nos vamos? —indaga Renato.

—Yo, por el arroyo —dice Juan, al tiempo que chapotea en el agua.

—¡Juan... Juan...! ¡Espérame! ¡Ayúdame... Juan Juan no responde, no vuelve la cabeza. Saltando sobre las piedras, entre el arroyo que se despeña en pequeñas cascadas, va curso arriba, rueda a veces, cuando le falta el pie, hasta el fondo de una poza, pero vuelve a levantarse, se alza agarrán­dose a las ramas, trepando por las cuerdas naturales que cuel­gan sobre el agua, y así se pierde en el fragoso monte...

—¡Renato! ¡Renato!

La voz de su madre ha paralizado al pequeño Renato, dis­puesto ya a seguir a Juan. Abrazado a la chaqueta del traje azul que éste dejara en sus manos, los pies hundidos en el barro de la orilla del arroyo, sostiene su primera lucha terrible entre la voz de la aventura que le llama y el tierno amor que siente por su madre, y por fin, de mala gana, contesta:

—Aquí estoy...

—¡Hijo! ¡Mi Renato! —grita Sofía, nerviosísima, abrazando a su hijo—. ¿Qué hacías aquí? ¿Por qué saliste a estas horas de casa?

—Apuesto la cabeza a que lo sonsacó el tal Juan —asegura Bautista.

—¿Pero dónde está él? —se alarma el notario—. ¿Dónde se ha metido? Hay que seguir buscando...

—Estaba con el niño, puedo jurarlo. ¡Mire... mire... le dejó la chaqueta en las manos! Aquí hay una caja... Una caja de p l a t a...

—¡Es mía! —informa Renato.

—Aquí es donde tú guardas tus monedas, Renato. ¿Qué significa esto? —interroga Sofía.

—Nada, mamá...

—¿Cómo nada? Dónde está Juan? ¡Contesta la verdad! ¡La verdad!

—Pues sí, mamá. .. íbamos a escapamos... yo quería que me enseñara a navegar y a coger pescados, pero él se fue solo... no quiso esperarme...

—Se fue, pero llevándose tu dinero. ¡Es un ladronzuelo! —afirma Bautista—. Pero si la señora me permite que salga yo a buscarlo...

—No, Bautista. Déjelo. Que se vaya... ¡Que se vaya para siempre! ¡Es lo único que hemos ganado! Vamos a casa, hijo...

Sofía D'Autremont se ha erguido, y un instante su cabeza altiva se vuelve hacia aquel arroyo por donde Juan escapara saltando entre el agua y las piedras, mientras su mano blanca, de dedos nerviosos, aprisiona la de su hijo Renato. Fieramente lo atrae hacia ella, en un gesto que es ternura y dominio, y lo arrastra, alejándose de aquel lugar.

—No le hubiera venido mal al tal Juan recibir una buena lección antes de largarse —comenta como para sí, Bautista, re­funfuñando con enojo.

—¿Por qué le tiene tan mala voluntad al muchacho, Bautis­ta? —pregunta Noel con su voz suave.

—Como para no tenérsela, señor notario. Desde que apare­ció en el horizonte, no ha traído más que calamidades y des­gracias. Porque lo que le pasó al señor D'Autremont...

—Más vale que no insista demasiado sobre quién pueda te­ner una buena parte de culpa por lo que le ocurrió al señor D'Autremont.

—¿Va a decir que fue la señora, señor notario? —se escan­daliza Bautista.

—Voy a decir que un niño no es culpable de las circunstan­cias en que se le trae al mundo; que maltratarle a cuenta de los pecados de sus padres es una cobardía y un crimen.

—¿Todo eso es con la señora, señor notario?

—Todo eso es con usted, Bautista. Y voy a añadir algo más: la señora ha dado orden de que se deje en paz al mucha­cho. No intente usted ir tras él, porque tropezará conmigo... Además, la última voluntad del señor D'Autremont fue que se amparara a ese niño.

—¡Yo lo ampararía con una estaca! ¡Es un ratero, un la­dronzuelo! Empezó por robarle su alcancía al niño Renato y hubiera acabado por robárselo todo si lo dejan crecer en esta casa.

—Esa es su opinión...

—Y muy bien encaminada. Conozco el mundo y no es el .primer caso... La señora sabe... lo mismo que usted y que yo. No vale hacernos los tontos cuando estamos al cabo de la calle.

—Nunca me hago el tonto, pero jamás afirmo más que lo que puedo probar; y en este caso...

—No hay pruebas, ni falta que hacen. No servirían sino para que usted enredara las cosas.

—¿Sabe que su insolencia pasa de la raya, Bautista?

—Pues si le place, dele usted- las quejas a la señora. Ella sabe que no tiene un criado más fiel ni un servidor más leal que yo. Por la señora y por el niño Renato doy mi sangre. Y en cuanto a ese bastardo...

—¡Silencio! [Hay que ver lo alto que ladran los perros en cuanto se apaga la voz del amo!

—Señor notario... Señor notario... —llama Ana, acercán­dose donde discuten los dos hombres.

—¿Qué pasa?

—La señora está esperándolo en su cuarto, y me mandó que lo buscara y le dijera que fuera para allá pronto, pronto, por­que tiene que hablarle. Que se fuera en seguida...

Se ha ido, procurando contener su disgusto, mientras la doncella nativa contempla a los dos hombres con su expresión bobalicona y jovial, dando, vueltas entre los dedos al delantal de encaje, como si la cólera de ambos le divirtiera, y comenta con sorna:

—¡Cuántas cosas van a pasar! A mi me gusta que pasen cosas. Me aburro cuando no pasa nada.

—¡Anda a tus obligaciones, Ana!

—¡Caramba. Bautista! Te salió la voz igual que la del amo. Claro, como vas para mayoral... —se ríe, burlona.

—¿De qué te ríes, tonta? —rezonga Bautista, aflorándole la ira al rostro.

—De las cosas que van a pasar...

—Aquí me tiene, señora, atento a su llamado y dispuesto a servirle en todo, como siempre —se ofrece Noel a Sofía. Y en seguida, le aconseja—: Pero si mi modesta opinión vale de algo, creo que lo único que debe usted hacer es descansar, tomarse unas buenas horas de reposo...

—Sobrará tiempo para descansar después... Tengo enten­dido que todos los papeles de la casa D'Autremont están en la notaría de usted, ¿no?

—Exacto. Partida de nacimiento, acta de matrimonio, el testamento de nuestro nunca bien llorado amigo D'Autremont ...que por otra parte casi es inútil. Todo cuanto hay es, na­turalmente, de usted y de su hijo Renato.

—Sé que todo está en orden... pero quiero guardar esos papeles en mi casa. Todos. ¡'Absolutamente todos! ¿Hay algún inconveniente para que los ponga en orden y me los entregue a mí, para que yo los guarde?

—En absoluto —asiente Noel con sorpresa y disgusto—. Es­tarán listos en una hora si usted lo manda. Saldré inmediata­mente para Saint-Pierre, y mañana, si así lo desea, le haré en­trega oficial de todo en mi despacho.

—Bautista irá por ellos.,. Es el más antiguo y el mejor de mis servidores. Lo he nombrado Administrador general de la hacienda, y él hará que las cosas marchen.

—¡Pero es absurdo, totalmente absurdo! Y yo quisiera acon­sejarle. ..

—No voy a oir ningún consejo suyo. Noel. No pierda el tiempo en dármelo.

—Lamento profundamente su extraña actitud, señora D'-Autremont.

—No es extraña, puesto que defiendo a mi hijo...

—¿Su hijo... ? —se sorprende el notario.

—Señora... Señora... —Es Ana que irrumpe en la al­coba, agitada y tartamudeando. '

—¿Qué pasa. Ana? —pregunta Sofía.

—El niño Renato... como que está malo... Isabel me mandó avisarle...